Capítulo 399 – O Desfecho, e o Fim da Batalha
Transformando os dois braços em lâmina, o Ruto avança golpeando.
O que, no vocabulário de Phrase, se chama "Armamento de Cristal", é a energia vital dentro do corpo da espécie dominante sendo queimada de dentro pra fora.
Digamos, é algo parecido com o "Ki de Luta" que o Ende e a Eruze usam.
Com isso, a explosividade do Ruto também sobe vários níveis, e ele avança contra o Ende numa velocidade incomparável à de antes.
— Raaa!
O braço-lâmina do Ruto se abate contra o Ende. Diferente da Nei e da Rise, o Ende não porta espada divina. Se receber diretamente, só resta ser cortado ao meio.
Sabendo disso, o Ende não recua nem um passo. Ele, conforme o ensinamento do mestre, expira fundo, desenhando espiral de mana no próprio centro de energia.
— [Liberação de Ki de Luta]!
— O quê!?
Um Ki de Luta explosivo é gerado, envolvendo o Ende. Não é Ki de Luta comum. É Ki de Luta misturado com Ki Divino. Não é Ki Divino puro igual o do Touya, mas é suficiente pra rivalizar com servo do deus maligno. Digno de servo do deus marcial mesmo.
O braço-lâmina abatido, o Ende recebe segurando com as duas mãos envoltas em Ki de Luta, como se prendesse. Formato de segurar lâmina afiada com a mão nua.
— Haa!
— O quê!?
Torcendo assim mesmo, o Ende quebra a lâmina do espécie dominante mutante com um estalo. No rosto do Ruto, de olhos arregalados, o dorso da mão do Ende, já livre da lâmina quebrada, acerta em cheio.
Mesmo sendo lançado longe, o braço direito quebrado do Ruto começa a se regenerar. Parando o corpo que rolava, tentando de algum jeito recuperar a postura firmando os pés.
Mas, no instante em que direciona o rosto pro Ende à frente, algo tipo punho invisível atinge o ombro do Ruto com impacto.
— Gu…! Q, que negócio é esse…!
— Errei o alvo, hein. Ainda não consigo usar o [Hakkei] direito em combate real.
Com o punho direito ainda estendido, murmura isso o Ende. Se a distância se afasta, a precisão cai, e o poder também despenca muito. Não dá pra chamar isso de técnica realmente usável em combate. Socar diretamente é mais rápido mesmo.
— Dessa vez, vou eu que ataco primeiro. Vou cobrar a dívida da última vez.
O Ende corre com tudo em direção ao Ruto. Mesmo já em modo de armamento, dessa vez, o Ruto consegue ver o movimento.
Bloqueia o punho disparado do Ende com o braço já regenerado. Pra não ser quebrado de novo, o Ruto aumenta a densidade do braço, transformando numa estrutura mais resistente.
"Gishi!", som rangendo, mas o braço do Ruto não se quebra.
Como revanche, direciona contra o rosto do Ende um punho armado com inúmeros espinhos pequenos.
Desviando por pouco, raspando na bochecha, o Ende gira meia volta no lugar, e o Ruto percebe que seu próprio mundo se inverteu de cabeça pra baixo.
— Guha!?
Jogado com um ippon seoi nage, o Ruto é arremessado contra o chão.
Quando o Ende tenta abater o punho como golpe de misericórdia, uma luz se aproximando de lado entra em seu campo de visão, e ele salta pra trás instintivamente.
Um raio de calor passa exatamente pelo local onde estava sua cabeça há pouco.
Aquele raio tipo laser colide com a barreira do [Prison] que os cerca, desaparecendo.
Olhando de onde a luz foi disparada, a Reto estava concentrando luz na ponta do braço direito, afiado feito estaca.
— Morra!
De novo, um raio de calor é disparado do braço direito da Reto.
O Ende desvia com salto pra trás, afastando-se do Ruto.
Aproveitando a brecha, o Ruto se levanta, e, dessa vez, ao contrário, estica o braço-lâmina em direção à Nei, que tentava atacar a Reto.
— Ugh!
A Nei defleto o braço-lâmina com a espada divina, e o braço defletido se enrola no tronco da Reto, "guii", puxando a metade gêmea.
A Reto voa pelo ar assim mesmo, gira no lugar, e pousa ao lado do irmão gêmeo.
— Che, queria ter derrotado eles enquanto estavam separados.
Vendo os gêmeos espécies dominantes mutantes de costas um pro outro, o Ende estala a língua.
Sendo gêmeos, a coordenação entre os dois é temível. Um cobre a brecha do outro, e tanto ataque quanto defesa geram efeito não de dobro, mas de várias vezes.
— Desculpa. Não consegui segurar.
— Foi mal.
— Não tem jeito. Do meu lado também, não consegui derrotar o Ruto de vez.
Diante da Nei e da Rise, encarando os gêmeos, o Ende responde assim.
Com pés envoltos em Ki de Luta, o Ende chuta o chão. O braço-lâmina do Ruto, reagindo a isso, ataca o Ende, mas o punho denso de Ki de Luta misturado com Ki Divino o deflete.
Contra o Ruto, que perdeu a defesa, dispara o chute afiado do Ende.
Mas, dessa vez, o braço-lâmina da Reto, que estava atrás do Ruto, se estica feito lança em direção ao Ende.
— Ugh!
Pra desviar disso, inclinando o tronco superior, o Ende escapa fazendo um mortal lateral.
Sem nem olhar pro lado do Ruto, a Reto se move. Mesmo direcionando atenção pro lado da Nei e do pessoal, ela intercepta o Ende que ataca o Ruto atrás dela.
— Como esperado, incômodo esses dois…
— Essa fala é minha. Nunca imaginei ser levado a esse ponto por um bando de perdedores. A Yura vai rir de mim, francamente. Reto! Vamos acabar logo com isso!
— É mesmo. Já tô ficando enjoada disso. Aquela mulher se achando também me irrita. Vamos fazer isso, Ruto.
A Reto sorri desafiadora, encarando quem foi seu antigo "Rei", parada atrás da Nei e do pessoal.
"Bakibakibaki!", dos pés dos dois, inúmeras colunas metálicas tipo cristal surgem em formato radial, feito broto de bambu.
As colunas metálicas cobrem num piscar de olhos os pés dos dois, empurrando pra cima.
O metal, se multiplicando, logo forma uma única figura, expondo diante do Ende e do pessoal oito pernas e um tronco.
Aranha. Da cabeça dela, crescia a parte superior do corpo dos gêmeos, da cintura pra cima.
Neste mundo, existe raça demoníaca chamada Arachne, parte superior mulher, parte inferior aranha. Se parecia com a forma da Arachne, mas a Arachne não tem parte superior dividida em macho e fêmea, e nem tem essa dureza metálica.
— Então revelou a verdadeira forma?
— «Isso também é poder que a Yura nos deu. Até agora ficamos guardando porque achávamos meio ridículo usar, mas já não importa mais. Vamos matar todos vocês e depois absorver.»
Quem fala parece ser o Ruto, mas a voz da Reto também se mistura. Parece que, no sentido real, os dois se tornaram literalmente um só corpo.
O Ende também consegue ver o fluxo de mana. O núcleo deles, que até agora estava no fundo da garganta, agora se moveu pro centro da aranha. Os dois núcleos funcionam como um só núcleo.
O braço direito da Reto, o braço esquerdo do Ruto, começam a mudar drasticamente. Logo, o que surge ali é uma grande tesoura.
Não é pinça tipo caranguejo ou escorpião. É tesoura de cortar de metal, tipo que humano usa.
— «Toma!»
A ponta fechada da tesoura ataca o Ende.
No chão onde o Ende, saltando pra trás instintivamente, estava há pouco, a tesoura se crava profundamente.
— «Vou cortar você ao meio!»
Dessa vez, parece que a voz do Ruto se mistura levemente com a da Reto.
Gritando, o braço direito da Reto, virado tesoura, se estica em direção à Rise, fechando sem misericórdia pra cortá-la em duas, de cima a baixo.
— Rise!
A Nei estende a mão em direção à irmã caçula que não conseguiu escapar a tempo.
O que a tesoura da Reto tenta separar não é o tronco da Rise. É o pescoço. Ou seja, tenta cortar a Rise junto com o núcleo no fundo da garganta da espécie dominante.
Se o núcleo for destruído, mesmo espécie dominante já não consegue mais se regenerar. Isso significa morte.
No instante em que o pescoço da Rise parecia prestes a ser cortado pela tesoura da Reto, junto com um som agudo, a tesoura para. Não, foi parada.
— «O quê…!»
Diante da Rise, surge do chão uma coluna tipo cristal.
Atrapalhada por essa coluna, a tesoura da Reto não conseguiu fechar.
— «Essa…!»
A Reto, colocando ainda mais Ki Divino do deus maligno na força, aplica poder na tesoura, e a coluna de cristal é cortada com facilidade. Mas, nesse meio tempo, a Rise já tinha escapado da tesoura.
— «Como ousa atrapalhar…!»
"Ki!", a Reto direciona o olhar pra quem provavelmente gerou a coluna de cristal. Pra "Rainha" de Phrase, calmamente parada ali, a Meru.
— Essa batalha era desejo dos três, Endemyuon e o pessoal. Por isso, pretendia só observar em silêncio… mas reconsiderei que eu também precisava dar um fim nisso. Em algum canto do coração, ainda achava que vocês eram companheiros… é, ou talvez… queria continuar achando isso.
— «Ha. Já faz tempo que abandonamos esse jeito de viver ridículo de Phrase. Com esse poder, dá pra fazer o que quiser.»
— «Nós já não estamos mais presas a essa coisa chamada Phrase. Somos livres! Quem não me agrada, mato quantos quiser, faço arruaça do jeito que eu quiser, vivo do jeito que eu quiser! Não vou obedecer ordem de você, "Rainha"!»
— De verdade… minha voz já não alcança vocês mais, hein…
A Meru abaixa levemente o olhar, e logo ergue o rosto de novo, encarando a Reto e o Ruto à frente.
— Como "Rainha" de Phrase, vou parar o descontrole de vocês. [Corrente de Cristal Vinculante]
Recebendo o poder da Meru, colunas de cristal saltam do chão uma atrás da outra. Essas colunas mudam de forma pra corrente, prendendo completamente o corpo da Reto e do Ruto.
— «Ugh! Isso é…!»
O corpo aranha começa a arrancar, "bakibaki", a corrente de cristal que o prende. Enquanto direcionavam atenção pra isso, os dois demoram a perceber que o garoto de cachecol tremulante já tinha contornado até a frente deles.
— «O que…!»
— Técnica secreta do Estilo Deus Marcial, Palma Espiral de Deus Serpente
Erguendo a palma, o Ende avança meio passo como se esmagasse o chão, "don!", e crava contra o corpo da aranha a palma envolta em Ki Divino em espiral.
"Paan!", só o som ressoa alto, mas nem a Reto nem o Ruto parecem ter sofrido mudança nenhuma.
— Com isso, a dívida tá paga.
— «Do que você tá falando…! Q…!?»
— «Eh? Não, não pode ser, isso… mentira! O que é isso!»
O corpo dourado-escuro da Reto e do Ruto começa a derreter.
Os dois entendem. O golpe do Ende de agora há pouco esmagou os dois núcleos dentro do corpo deles. Sem causar dano nenhum ao corpo, aplicando impacto exclusivamente no núcleo, destruindo-o num instante.
Nem a proteção como servos do deus maligno, que protegia o núcleo, conseguiu vencer a proteção de um deus verdadeiro.
Soltando fumaça preta, o corpo da aranha desmorona, e a Reto e o Ruto caem no chão. Nem o corpo deles consegue manter a forma, derretendo aos poucos.
Os dois abrem a boca como se gritassem algo, mas nenhuma voz sai.
Mesmo sendo consequência de terem vendido o coração ao deus maligno, diante da última cena de quem já foi companheira, a Nei fecha os olhos. Se tivesse errado um passo, ela também poderia ter virado assim.
Quando a Nei abre os olhos, ali só restava um objeto enegrecido, soltando fumaça preta, manchando o chão. Os gêmeos que já foram espécies dominantes desapareceram completamente deste mundo.
— Nei… tudo bem?
— …Ah, tô bem.
A Nei responde curto à Rise, que puxou conversa. Mesmo não se dando bem, era alguém com quem passou dezenas de milhares de anos. Um sentimento complexo cruza dentro da Nei.
Como se cortasse esse sentimento, diante dos quatro, um Frame Gear pousa. É o Reginleiv pilotado pelo Touya.
— «Parece que resolveu por aí também, hein.»
— Do seu lado também, né.
Diante da voz do Touya vinda do alto-falante externo do Reginleiv, o Ende ergue a mão respondendo.
Como se respondesse a essa voz, a barreira do [Prison] que cercava os quatro desaparece feito neve leve derretendo.
— «Resta só limpar os mutantes restantes. Desculpa incomodar, mas dá pra sair com o Dragão Cavaleiro?»
— Como sempre, você usa as pessoas sem dó, hein, Touya. Bom, tudo bem. Em troca, quero recompensa direitinho.
— «Ah. Katsudon, tendon, unaju, o que você quiser, pago.»
— Por que ficou limitado só a comida…? Não, bom, mas entendo o motivo…
O Ende dá uma olhada de relance nas três garotas espécies dominantes atrás dele. Mesmo não sendo pra ingestão como energia, elas comem de verdade demais. Quase toda a recompensa que o Ende ganha na guilda de aventureiros vira gasto com comida.
As três sozinhas talvez consigam comer até um dragão inteiro.
Se, de qualquer jeito, receber pagamento em dinheiro vira gasto com comida mesmo, talvez seja melhor receber direto em espécie desde o início, o Ende reconsidera.
— Ainda bem, com isso, dessa vez, tá tudo resolvido, hein.
Recostado no assento do Reginleiv, chamo os dados do mapa ao redor pelo smartphone instalado no console central. Número restante de mutantes, zero. Limpeza concluída.
Teve certo dano, mas ninguém morreu. O maior dano deve ser os dois Cavaleiros Pesados engolidos pela anêmona mutante, e a Orutorinde Overload da Sū. Não, também teve alguns Cavaleiros Pesados que ficaram destruídos completamente.
Pensando no processamento posterior, dá dor de cabeça. Por ora, acho que vai depender de conversar sobre o futuro na Conferência dos Dois Mundos. Os reis do mundo ocidental… continente oeste também devem ter entendido bem a magnitude da situação com essa grande invasão.
Considerando os Frame Gears capturados, e o comportamento dos mutantes até agora, não seria estranho eles gerarem mutante tipo Frame Gear.
Preciso sempre pensar em algo que supere isso… vou jogar essa parte toda pra Doutora.
Se for conforme a história do Ende e do pessoal, restaria só uma espécie dominante, aquela chamada Yura.
Mas, no instante em que aquela anêmona mutante desapareceu, a silhueta que vi brevemente na escuridão parecia diferente da Yura…
Será que chamou novo companheiro daquele "Mundo Cristalino" que o Ende e o pessoal mencionam? Isso também não sei ainda…
Não adianta ficar pensando. Por ora, só resta fazer o que dá pra fazer agora.
Abro totalmente a comunicação do Reginleiv, entregando a voz a todos.
— «Operação concluída. Vou ativar magia de teletransporte, então aguardem no local. A partir de agora, todas as máquinas retornam à base.»