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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 400

Contramedidas, e o Palácio Dourado

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Capítulo 400 – Contramedidas, e o Palácio Dourado

Dois dias depois de aniquilar os mutantes. De novo, os líderes de cada país se reuniram em Brunhild pra discutir o desenrolar dos acontecimentos e as diretrizes futuras.

Como esperado, teve efeito ver a batalha com os próprios olhos, mesmo que através do monitor — os reis do continente oeste aceitaram tranquilamente a situação de crise atual. Talvez tenham percebido que, sem a cooperação de países do mundo inteiro, só resta o caminho da destruição.

Aos sete países — Purimura, Toriharan, Strain, Arento, Gardio, Rāze, Panachès — emprestei algumas máquinas de treino e unidades de Frame Gear, pedindo pra treinarem dentro das próprias ordens de cavaleiros. Espero mesmo que participem da próxima batalha.

Bom, essa parte, de qualquer forma, já resolvi.

— Mutante tipo Frame Gear, hein… bom, não é totalmente impossível. É natural do mundo enfrentar arma parecida com arma parecida. Por isso que eu disse pra colocar dispositivo de autodestruição, não falei?

— Não, ainda acho que isso é meio exagerado, viu.

Se tiver esse tipo de coisa instalada, ninguém mais vai querer pilotar, né.

Respondo assim à Doutora Babylon, que traça linhas no desenho de projeto em cima da mesa do "Laboratório".

— Aquela Yura, era técnica, é isso mesmo?

— Hn? Ah, pela história da Meru, era técnica, e também bióloga, e também política… gênia nessas áreas, dizem. Bom, em termos de magia e habilidade especial, parece que a Meru era superior.

— Hmpf… provavelmente teve interesse no meu Frame Gear, melhorou por conta própria, e quer usar de forma conveniente pro próprio benefício, é isso. Tem gente assim, viu, esse tipo que não cria nada por si mesmo, só usa técnica alheia.

Ah, isso dói um pouco no peito. De fato, eu também só uso a tecnologia da Terra mesmo.

— E, além disso, essa aí também deve ter conseguido a tecnologia de golem, né?

— Pensando em Eisengard, provavelmente, sim.

— Talvez seja o contrário, hein. Conseguiu tecnologia de golem, e por isso ganhou interesse em Frame Gear… tipo isso. Bom, de qualquer forma, pelo orgulho de técnica, não posso perder pra esse aí. Touya-kun, pra ideia do próximo desenvolvimento, acho que precisamos estudar, o que acha?

— Éé…

A Doutora se aproxima resfolegando, mas eu deixo escapar voz de desânimo. "Estudar" soa bem, mas, resumindo essa palavra, significa nada mais nada menos que "mostra anime de robô pra gente".

Mostrar tudo bem, mas essas aí criam coisas absurdas depois, então… não, é verdade que, graças a isso, várias vezes fui salvo também.

Se eu enrolar aqui e perder feio na próxima, não vai adiantar nada. Mesmo sem muita vontade, aceito, e a Doutora liga imediatamente pra Rozetta e o pessoal, reunindo todo mundo no "Jardim".

Além da equipe técnica — Rozetta, Mônica, engenheira Elka (o Fenrir também veio junto) — a Sū, a Sakura, a Rinze, a Shesuka, e até criança sem relação nenhuma vieram. Até a Pōra e o Kohaku e o pessoal vieram.

— "Anime", nós, adoramos, viu.

Diante disso, dito pela Rinze, não tem jeito. O problema é o que mostrar.

Enquanto a Shesuka prepara chá e doce, penso deslizando o dedo no smartphone.

Esse… não dá. Se mostrar aquele que corta planeta, vira coisa séria. Com a Sū também aqui, se mostrar final de aniquilação total, pode virar trauma.

Esse… também, mais que anime de robô, é tipo anime político. Conteúdo difícil demais, meio complicado.

Melhor algo mais fácil de entender? Ah, esse serve. Mais que anime de robô, é anime de modelo plástico, mas. É pacífico, e ao mesmo tempo divertido. Aparecem vários tipos de robô (modelo plástico, mas), então a Doutora e o pessoal devem ficar satisfeitos. Não sei se vai ajudar no desenvolvimento, mas.

Projeto a tela no ar do "Jardim" com [Mirage], e começo a reproduzir o anime conectado ao smartphone.

— Ah, tavam vendo anime? Faz sentido.

Explico a situação à Yumina, curiosa por que a Sakura, a Sū, a Rinze e o pessoal não apareceram nem no lanche das três horas.

Como até a Shesuka foi embora, a Rene vem até a mesa do terraço, servindo chá preto.

— Também queria ver.

Estendendo a mão pro biscoito na mesa, a Rū murmura. A Rū também gosta bastante de anime.

A Rū estava fazendo esse biscoito na cozinha até há pouco, então, mesmo recebendo aviso da Doutora, não conseguiu sair do lugar.

— Depois, vou distribuir pro smartphone de todo mundo, então assiste quando tiver tempo livre.

— Sério mesmo? Muito obrigada!

— Isso é bem conveniente mesmo, hein. Dá pra compartilhar informação na hora. Dá pra saber logo o que acontece no país, né?

A Rin murmura isso mexendo no smartphone. Como os donos ainda não chegam nem a cem pessoas, acho que ainda não chega a esse ponto.

Bom, como muitos donos são representantes de estado, dá pra conseguir informação até certo grau. Claro, deve ser só a informação que pode circular mesmo.

— No nosso mundo, não só o país, mas informação do mundo inteiro ficava acessível até pro cidadão comum. Não só isso, até a vida pessoal, individual, dava pra ver algumas coisas.

— Não me diga que ficam vigiados o tempo todo?

A Rū me lança olhar de espanto.

— Ah, não, não. As próprias pessoas divulgam a informação por conta própria. Por exemplo, a Rū escreveria "hoje o lanche foi biscoito. Estava delicioso" em algum lugar. Aí, qualquer um que tiver o smartphone consegue ver isso, sabe. Até desconhecido.

— Isso, mesmo se souberem, não tem muito problema… mas ficar sabido até por desconhecido dá um pouco de medo, hein.

— É. Por isso, evita escrever coisa estranha. Escreve coisa que não tem problema em ser sabida, coisa que quer que as pessoas saibam, esse tipo de coisa. Também escreve coisa qualquer, sem importância.

Provavelmente, se eu quisesse, daria pra criar algo tipo rede social. Mas, antes disso, a troca de informação aqui ainda é imatura demais, hein.

"Eu acho isso"

"O que você pensa está errado"

Não quero que isso comece entre países, hein. Mesmo no mundo de onde eu vim, isso já era rotina diária entre indivíduos.

No início, talvez fosse melhor algo tipo blog, com divulgação unilateral de informação… ah.

— Rū. Que tal fazer um blog de culinária?

— O que é isso? Blog de culinária?

— Posta foto do prato que a Rū fez, escreve os ingredientes e o modo de preparo. Divulga isso pra todo mundo. Quem vir pode usar isso como base pra fazer em casa também, né? Graças à Rū, as pessoas vão conseguir comer vários tipos de comida diferentes. Comida feita em Brunhild vai poder ser feita até em países bem distantes.

Felizmente, os ingredientes do mundo sombrio… continente oeste, não são tão diferentes assim dos daqui. Afinal, originalmente eram mundos parecidos.

Se não for prato muito extravagante, deve dar pra fazer. Até arroz, o rei guerreiro de Rāze disse que tem no continente oeste também.

— Parece interessante. Não só Brunhild, mas se der pra apresentar culinária local de outros países também, talvez avance o entendimento mútuo.

— É verdade. Por exemplo, dá pra divulgar pro mundo inteiro a culinária Karae de Misumido, né. Deve ser bom como primeiro passo pra despertar interesse.

A Yumina e a Rin concordam. Acho que não é ruim despertar interesse mútuo através da cultura culinária.

Cultura culinária também tem várias dificuldades. Tipo quando comi Tentaclar no Reino de Iguretto. Tem cultura difícil de aceitar dependendo do país.

Por ora, quando convidei pra Brunhild, os pratos servidos aos reis não tiveram problema nenhum.

Bom, se olhar a receita e não quiser fazer o prato, é só não fazer. Não é pra forçar ninguém a comer, afinal.

Eu também voo pra vários países, mas prato que pensei "isso não dá pra comer!" nunca encontrei na memória……………

……………Ah, teve sim… o macarrão de carne que fui obrigado a comer em Yūron… falso lámen tipo char siu feito de canela de orc.

Entre carne de monstro tem coisa gostosa, tipo carne de dragão e carne de caranguejo sanguíneo, mas Tentaclar é meio duvidoso. Orc e afins, por ser tipo humanoide, pra mim já é não, mas talvez tenha gente que goste de comer mesmo.

— Isso mesmo. Doce simples, ou prato de acompanhamento… talvez dê pra começar com coisas pequenas assim. Touya-sama, eu quero tentar fazer.

— Certo, então vamos tentar como teste.

Pego emprestado o smartphone da Rū, e tiro foto do biscoito na mesa.

— Escreve os ingredientes e a quantidade desse biscoito, o utensílio de cozinha, e a ordem do modo de preparo. Consegue fazer?

— Sim. Tipo a receita que o Touya-sama me mostrou, né. Sem problema.

Hn? Se fosse prato da Terra, seria melhor eu pesquisar a receita e escrever? Não, aqui o nome dos ingredientes é diferente, e prato daqui eu não faço a menor ideia mesmo, então melhor deixar com a Rū de qualquer jeito.

Também seria bom conseguir criar outras coisas que divulgam informação de vários tipos, ou aplicativo especial. Tipo aplicativo [Fireball] que solta bola de fogo? Isso é exagero.

Mas talvez seja bom distribuir também aplicativo de defesa tipo [Shield] ou [Reflection].

Bom, vou tentar fazer várias coisas nessa área também.

Voltando ao "Laboratório", todo mundo estava grudado na tela, absorto no anime. Vão estragar a vista assim.

— Como esperado, precisamos construir logo a nova unidade de voo. Será melhor formato de acoplamento independente?

— Espada de feixe! Espada de feixe, viu! Amplificando e concentrando mana e dando propriedade de lâmina, de algum jeito daria…

— Não, não, não, mais que isso, é canhão gigante mesmo! Miniaturizando o "Brionac" e conseguindo enviar mana de Babylon direto…

— Sistema de amplificação de saída… usando o Q-Cube de golem como meio, dá pra conseguir saída temporariamente além do limite…

Aí está. O pessoal da equipe técnica falando coisa estranha assistindo anime. Curte mais a história igual a Sū e o pessoal, francamente.

Bom, foi bem recebido, o que já é ótimo. Depois disso, fiquei incomodado com a Sakura cantando o tema de abertura sem parar, mas.

A capital do que antes se chamava Eisengard, cidade mágico-industrial, cidade industrial Eisenburuku, vinha seguindo um caminho de declínio constante.

Desde que o rei mágico-industrial que dominava este país faleceu, ninguém mais conseguiu organizar a cidade, e as pessoas, dia após dia, deixavam a capital.

Vários motivos levaram as pessoas a partir, mas um deles é a sinistra nuvem negra cobrindo Eisenburuku.

Desde algum momento não muito claro, nuvem negra pairava no céu de Eisengard, e chuva negra começou a cair. Assustadas com esse fenômeno sinistro, as pessoas abandonaram a capital.

Já não era mais nem cidade industrial. Estava se tornando cidade abandonada.

Coletando esse tipo de informação, a Bastet e o Anúbis, golens-batedores, finalmente chegam à cidade abandonada, e ficam sem palavras diante da devastação extrema.

— «Mana-chefe… o que, afinal, aconteceu aqui?»

— «Não sei… só sei que é situação anormal…»

Em todo canto da cidade, pessoas caídas. Todas mortas, com expressão de agonia no rosto. Sem nenhum ferimento no corpo.

Como se tivessem morrido de repente ali mesmo, expõem o próprio cadáver na mesa de café, no banco do parque, no meio da escada.

O estranho é que nenhum deles apresenta decomposição avançada. Parece que morreram há apenas uma hora.

Mas a Bastet conclui que não pode ser isso. Comparado ao cadáver, a roupa que veste está desgastada demais. Prova de exposição ao vento e chuva.

Ou seja, o cadáver em si é que é anormal.

— «Será doença ou algo assim?»

— «Essa possibilidade existe também… mas ainda é cedo pra tirar conclusão. Vamos investigar um pouco mais.»

O gato preto e o cachorro preto rumam pra Torre Eisen, o prédio mais alto de Eisenburuku.

Antigamente, o castelo real era o prédio mais alto, mas desmoronou quando o rei mágico-industrial descontrolou.

Se subirem na Torre Eisen, talvez consigam pegar alguma pista do motivo dessa situação anormal.

A porta de entrada estava fechada, impedindo entrar na torre, mas isso não afeta os dois. Com um golpe da garra da Bastet, feita de material cristal mais duro e afiado que orichalcum, a porta espessa é cortada com facilidade e cai.

Mesmo com o barulhão da porta caindo, ninguém aparece. Parece que também não tem humano vivo dentro da torre.

Os dois sobem pela escada de ferro rústico. Pela aparência externa, deve ter sala de observação no topo da torre. Rumando pra lá, os dois continuam correndo escada acima.

Logo, chegando na sala de observação com vidro em todas as paredes, os dois se aproximam da janela, observando o estado da cidade.

O que se vê dali é a paisagem urbana de Eisenburuku, a nuvem negra pairando, e…

— «O que é aquilo…»

Com a fala do Anúbis, a Bastet também direciona o olhar naquela direção.

A visão dos dois alcança muito mais longe que a de humano, e até mais que cachorro, gato, ou falcão.

O que aquela câmera de alto desempenho capta é uma massa dourada erguendo-se muito ao sul de Eisenburuku.

Ali, vários pilares angulares tipo lápis se estendem, formando estado cristalino de crescimento em grupo chamado "cluster".

Pra Bastet, aquilo não parecia mero cristal de crescimento em grupo. Cristal em grupo absurdamente gigantesco. A forma, com certa regularidade, parecia até um palácio.

— «O que fazemos, mana-chefe? Vamos nos infiltrar naquilo?»

— «…Melhor não fazer isso. Olha bem ao redor daquilo. Infiltração parece difícil.»

— «Eh? …Uwa, nojento.»

O Anúbis volta o olhar pro palácio dourado, e, observando bem os arredores, o chão parecia estar se mexendo. Aumentando o zoom pra confirmar de novo, era a figura de inúmeros esqueletos dourados vagando feito sonâmbulos.

— «Como esperado, seria difícil se infiltrar passando por esse número todo. E ainda não temos tempo. Já tá quase na hora do prazo combinado com o Duque. Se não voltarmos, não vamos chegar a tempo.»

— «Ah, é mesmo.»

— «Nossa missão é trazer informação de volta. Se ficarmos gananciosas e não conseguirmos voltar, é o oposto do que queremos. Vamos encerrar a atividade de inteligência por aqui. Vamos voltar pra Brunhild.»

— «Táah»

Virando as costas, os dois começam a descer a escada da Torre Eisen.


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