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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 404

Cinco Mil Anos Atrás, e Mil Anos Atrás

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Capítulo 404 – Cinco Mil Anos Atrás, e Mil Anos Atrás

Com o monstro de cristal aparecendo de repente, o mundo inteiro mergulhou em pânico.

Aparecendo de algum lugar indefinido, o demônio de cristal massacrava pessoas. Cinco mil anos atrás, o mundo tinha tecnologia mágica ainda mais avançada que a atual, e as pessoas viviam totalmente dependentes de magia e itens mágicos derivados.

A espécie chamada Phrase era, pra aquela civilização mágica, literalmente inimigo natural.

Toda magia é absorvida, neutralizada. Alta capacidade de regeneração, impossível até ferir. Nem carro de guerra mágico nem aeronave de guerra mágica, mesmo com magia poderosa, conseguiam fazer nada.

Um atrás do outro, grandes cidades foram atacadas por hordas de espécie inferior e intermediária, e desapareceram sob a luz da destruição de espécie superior.

No meio disso, Kuromu Ranshesu vivia numa pequena vila num canto do Reino Unido de Pirairasura.

Junto com a esposa e o filho amados, conseguidos neste mundo, e comandando o "Coroa" "Preto" e "Branco".

Nessa época, o Kuromu, usando o poder do "Preto", parece ter repetido tentativa e erro, tentando de algum jeito voltar, junto com a família inteira, deste mundo perigoso pro mundo onde nasceu.

Como sempre, o problema é o "custo" — mesmo sendo o criador que gerou os "Coroa", isso não é exceção. Usar poder grande exige custo grande.

Só de vir até aqui, ele, que era idoso, já rejuvenesceu até virar garoto. Mesmo com o tempo que se passou desde então, pro Kuromu, que ainda não tinha nem trinta anos, esse custo era grande demais. O que esperava era "morte" certa.

Pra superar isso, chegou a começar o desenvolvimento de novo "Coroa", mas o tempo não permitiu.

Phrase, aparecendo em todo canto do mundo, finalmente derrota o exército do Reino Unido de Pirairasura, começando a arrasar o reino.

E, finalmente, aquela mão demoníaca se estende até a vila onde o Kuromu morava.

A Phrase que apareceu na vila tinha formato humano, dizem. Olhos vermelhos, cabelo de cristal eriçado, espécie dominante masculina com sorriso feroz e desafiador.

— A Gira, hein… esse desgraçado já causava estrago absurdo assim há cinco mil anos.

Ouvindo a história do Albus, lembro daquele indivíduo. O espécie dominante que conheci depois da Nei. Espécie dominante arrogante, cruel, belicoso.

Conseguimos derrotá-lo de algum jeito, mas, naquela hora, eu estava em estado divinizado. Mesmo não conseguindo extrair tanto poder quanto agora, o Gira, que confrontou meu eu divinizado, deve ter sido de força absurda.

Naturalmente, o Gira começa a matar um atrás do outro os moradores da vila. Sem distinção entre homem, mulher, criança, matava como se apreciasse uma caçada.

O Kuromu também lutou, comandando o "Preto" e o "Branco", mas não conseguiu derrotar o Gira. Sem conseguir usar a habilidade de "custo" dos "Coroa", isso deve ter sido inevitável.

E, finalmente, a mão demoníaca do Gira se volta pra família dele.

No instante em que o canhão de partículas disparado pelo Gira apagou desta terra sua esposa e filho, junto com a emoção descontrolada do Kuromu, o poder do "Preto" e do "Branco" foi ativado.

O poder do "Preto" e do "Branco" são parecidos, mas diferentes. Usados simultaneamente, isso gerou descontrole incontrolável.

O que dominou foi o poder do "Branco", parece. Ou seja, alteração de evento.

Mas isso se fundiu com o poder do "Preto" de retroceder levemente o tempo, e, no auge do descontrole, gerou mudança complexa e bizarra.

O tempo retrocedendo e voltando ao original. "Barreira do mundo". Como resultado, a maioria dos Phrase parece ter sido empurrada de volta pra fenda dimensional. Se não me engano, a espécie dominante e a espécie superior, quem resolveu foi o Ende.

Sobre a linha do tempo onde a esposa e o filho do Kuromu morreram, o evento cortado de um mundo onde nada "aconteceu" é colado por cima.

Tempestade de contradição transbordando por todo o mundo. Existe resultado sem processo. Existe processo sem resultado.

Por um tempo, o mundo foi engolido por turbilhão de confusão, dizem. Mas a ameaça chamada Phrase se foi. O demônio que arrasou mais de dois terços do mundo foi expulso deste mundo.

— Então era isso.

A Doutora Babylon bate o punho direito na palma da mão esquerda.

— Tem alguma coisa em mente?

— Não, foi exatamente naquele dia que os Phrase desapareceram, eu estava correndo com o ajuste final do Frame Gear. Mas peças que eu com certeza já tinha montado apareciam rolando no chão, e checklist que eu ainda não tinha feito já estava concluído, coisas estranhas assim aconteciam. Achei que era cansaço, e acabei dormindo.

— Isso foi por causa do descontrole da habilidade do Albus e da Nowāru?

— Provavelmente. Coisas que deveriam estar em ordem, 1, 2, 3, 4, não só ficaram completamente desordenadas, como até coisa de série diferente, tipo três, ou "A", se misturou. Tipo D, 5, dois, gama, assim. Óbvio que ninguém entenderia nada.

Troca aleatória entre tempo e mundos paralelos… será isso? Faz sentido virar pânico mesmo.

— O Kuromu Ranshesu também não deve ter previsto o descontrole dos dois "Coroa" juntos. Se soubesse que carregava esse risco, com certeza teria colocado algum tipo de dispositivo de controle.

Falando pelo resultado, foi graças a isso que o mundo foi salvo, também dá pra dizer.

Parece que teve Phrase que não foi empurrada de volta, mas devem ter sido derrotados individualmente pelos humanos.

— Mais que isso… o Kuromu Ranshesu, que acabou usando um poder desse tipo, o que aconteceu com ele?

A Yumina fala isso, olhando pro golem que virou serva dela.

— «O Kuromu pagou o "custo". O "custo" de mim, "Coroa" branco, Albus, é [Memória]. Ele fez de [Custo] o vasto conhecimento acumulado por anos, seu próprio passado, essa memória inteira.»

— Q…!

O custo do "Coroa" branco é "Memória"?

"Memória" é conhecimento, lembrança, coisa importante que forma a pessoa.

A habilidade do Albus, cada vez que usada, vai fazendo o humano que é o mestre perder alguma "memória"?

Memória é algo criado todo dia. E, sem perceber, é perdida. Não, memória não se perde de verdade, só não consegue mais lembrar, era isso? Talvez seja tipo mais leve como [Custo].

Mas o humano tem memória que absolutamente não quer perder. Família, amante, o próprio sonho, meta a alcançar… esse tipo de coisa desaparece. Se perde.

Em certo sentido, é o [Custo] mais cruel. Afeto construído, confiança construída, tudo desaparece num instante.

A amizade cultivada com quem foi amigo desaparece. As lembranças com quem se amou também desaparecem, e o amor se esvai. Isso não é algo terrível demais?

Felizmente, a memória do Kuromu não desapareceu tudo de uma vez. Mas, dia após dia, pouco a pouco, feito areia escorrendo pela mão, a memória vai se perdendo.

Conseguiu proteger a esposa e o filho, mas as lembranças com os dois, e todo o conhecimento que tinha até então, era só questão de tempo até desaparecerem também.

E ainda por cima, a contradição gerada pelo descontrole do "Preto" e do "Branco" não termina aí, ricocheteando de volta pros próprios golens "Coroa".

O contrato com o Kuromu tinha virado "não ter acontecido". Sem vínculo com o mestre, golem perde o sentido da própria existência.

O Kuromu nunca fez novo contrato com os dois "Coroa".

— «Eventualmente, nós dois paramos de funcionar, entrando em estado de hibernação. O que aconteceu com o Kuromu é desconhecido.»

O Albus murmura isso.

O gênio engenheiro de golem, Kuromu Ranshesu, o que aconteceu depois com ele. Pra restaurar a barreira do mundo, e pra gerar toda aquela contradição, o [Custo] pago dele não deve ter sido leve de jeito nenhum.

Se perdeu toda a memória e virou casca vazia… isso é doloroso. Ou será que ele, tendo conseguido proteger a família, aceitou isso com satisfação?

Se depois disso viveu com a esposa e o filho, ganhando novas memórias, sendo feliz, seria bom. De qualquer forma, o gênio engenheiro de golem Kuromu Ranshesu deve ter desaparecido, virando só um homem chamado Kuromu.

Contradição transbordando por todo o mundo. Mas humano é resiliente, e acaba interpretando por conta própria mesmo o que não bate, se convencendo.

Cidade e capital destruídas, gente morta, provam que a Phrase existiu de fato. Mas, agora, "não existe".

E o único homem capaz de explicar isso perdeu a memória.

— Descontrole do "Branco" e do "Preto"… falando assim, aquilo foi produto do acaso. De fato, o mundo se manteve por um triz. Pensando assim, será que eu deveria agradecer a vocês? Pelo menos, como alguém que viveu naquela época.

A Doutora Babylon assume atitude séria. Quero dizer "não combina, para", mas, bom, talvez seja melhor não dizer.

— Sobre cinco mil anos atrás, entendi mais ou menos. E aí? Depois disso, o que aconteceu com vocês?

— «O que aconteceu conosco depois é desconhecido. Quando reativados, um jovem se tornou nosso mestre. Āsā Erunesu Berufasuto, é.»

Daí, salta direto pra quatro mil anos depois, é?

Não sei o que o Kuromu Ranshesu fez com os dois. Selou, abandonou, ou vendeu pra alguém…

Sendo ele, que perdeu a memória, não seria estranho fazer qualquer coisa. Afinal, pra ele, os dois golens já não passavam de meros "objetos", sem nenhuma lembrança nem apego.

Quando o Albus despertou, o lugar era alguma caverna, dizem. Diante dele estava o Āsā, e, ao lado, a Nowāru já estava ativada.

Ao redor, tesouro brilhante empilhado feito montanha, e um dragão inferior, aparentemente derrotado pelo Āsā, expunha seu cadáver. Parece que os dois golens tinham sido carregados pra ninho de dragão.

Que a Nowāru ativou foi coincidência, dizem. A escotilha do peito tinha ficado aberta, e o sangue do Āsā, ferido no combate contra o dragão, caiu no G-Cube, ativando-a.

Guiado pela Nowāru já desperta, o Āsā ativou o Albus também, é isso.

Por sorte ou azar, o Āsā era "compatível", tornando-se novo mestre dos dois "Coroa".

Parece que o Āsā ficou feliz por ter obtido artefato conveniente. Faz sentido, é tipo obter cavaleiro leal, tipo servo obedecendo ordem, que nunca cansa.

Por cerca de dez anos, os dois serviram ao Āsā. O Āsā, que era príncipe, eventualmente virou rei, passando a ser chamado de rei sábio. Naquela época, ao redor do pequeno país que era Belfast, havia muitos monstros vivendo, mas, junto com os dois "Coroa", subjugou e desbravou, expandindo o território.

— Hee. Ou seja, o Belfast atual também existe graças ao Albus e à Nowāru, é isso?

— «Nós apenas obedecemos ao Āsā.»

Cada pessoa tem sua história, hein. Não é pessoa, é golem, mas.

Mas, nesse Belfast também, nuvem escura paira.

O gatilho é o Āsā ter ativado sem querer o poder do "Preto". O poder do "Preto" é invocação de mundo paralelo e manipulação de espaço-tempo. Esse poder criou rasgo na barreira do mundo.

Como [Custo], o Āsā perdeu vários anos, rejuvenescendo, mas acaba pagando [Custo] ainda mais pesado que isso.

Pelo rasgo, a barreira se rompeu, e Phrase apareceu.

Não foi tão massivo quanto a barreira se romper como há cinco mil anos, mas o que apareceu pelo rasgo foram cerca de mil espécies inferiores, e, infelizmente, duas espécies intermediárias se misturaram junto.

O exército de Belfast enfrentou os Phrase que apareceram na capital.

Vendo pela primeira vez o demônio de cristal, cavaleiros e soldados caíam um atrás do outro, e a capital foi envolta em chamas.

Espécie inferior, mesmo com sacrifício, conseguia ser derrotada com dezenas de pessoas, mas espécie intermediária não havia jeito.

O Albus e a Nowāru mal conseguiam segurar e manter o status quo.

Diante dessa situação, o Āsā toma uma decisão. Usar o poder do "Preto" pra empurrar de volta as duas espécies intermediárias pra fenda dimensional. Mesmo sem conseguir derrotar, bastava expulsar deste mundo.

Como resultado, essa operação teve sucesso. Mas teve um grande erro. As duas espécies intermediárias, no momento de serem expulsas, tentaram disparar aquele canhão de partículas carregadas.

Instintivamente, o Āsā, pra bloquear isso, ativa o poder do "Branco". Tentou cancelar o ataque da espécie intermediária. Poder do "Preto" e poder do "Branco" se cruzam simultaneamente. Isso não foi nada menos que o início de novo descontrole excessivo.

— «O que aconteceu depois é desconhecido. Porque eu parei de funcionar logo em seguida.»

O que o Albus lembra com clareza é só até o ponto em que a Nowāru é engolida pela fenda dimensional, e ele mesmo é lançado longe, caindo no lago.

— Hmm… provavelmente, mas, a Nowāru deve ter atravessado a dimensão e ido parar no nosso mundo diretamente. A Nowāru não ter memória, será que é porque ficou vagando à deriva por milhares de anos?

— Não é impossível, hein. O fluxo do tempo daqui e de lá deve ser diferente mesmo. Pra comparar, o Kuromu e o Touya-kun e o pessoal atravessaram o mar de navio ou pelo céu, mas a Nowāru atravessou levada pela onda, digamos. Faz sentido levar tempo.

A engenheira Elka e a Doutora Babylon ficam pensativas, resmungando. Direciono o olhar pra Yumina, descendente do Āsā, ao lado.

— O Āsā ficou bem?

— Está registrado na árvore genealógica da família real também, então provavelmente… o motivo desses dois golens não terem ficado na história de Belfast deve ter sido causado pela alteração do descontrole, né.

Não, tem parte que ficou registrada nas ruínas subterrâneas da antiga capital pela tribo Arcana, viu.

Talvez, mas, o próprio Āsā, pelo [Custo], deve ter perdido a memória sobre os "Coroa" e o próprio evento. Não deve ter ocorrido contradição em escala mundial como há cinco mil anos, e deve ter sido complementado de forma conveniente dentro de Belfast. Digamos, tipo distorção da história.

— Sinto que uma dúvida acumulada por anos foi resolvida. É pena que o conhecimento do Kuromu Ranshesu não tenha ficado registrado.

A Doutora murmura assim, mas eu sinto que ficou melhor assim. Se o Kuromu continuasse existindo como engenheiro de golem, talvez tivesse gerado "Coroa" ainda mais perigoso.

Obter "Coroa" que exige [Custo] pode até se chamar contrato com o demônio.

— …Yumina, nunca faça registro oficial com o Albus, tá?

— Não sei nem se sou "compatível", e também não tenho intenção disso, mas… está preocupado?

— Óbvio que sim. Como aceitar "Memória" como [Custo]?

Quando falo isso, a Yumina ri baixinho. Tô falando bem sério, viu. Como aceitar esquecer a gente, esse tipo de coisa.

Se algo assim acontecesse, com certeza usaria até o poder dos deuses pra restaurar de volta… espera aí?

Não pode ser, sendo a Yumina serva dos deuses, o poder de [Custo] não deveria funcionar nela? De fato, mesmo com o "Reset", eu e o tio Kōsuke não sofremos nada.

Por mais gênio que o Kuromu fosse, não acho que tenha conseguido invadir o domínio divino.

Mesmo assim, claro, não tenho intenção de testar isso. Existe possibilidade de acidente também.

Seguro suavemente a mão da Yumina, e ela também aperta gentilmente de volta.

— …Não fica de agarradinho aí, não.

O olhar incrédulo da Norun voa na minha direção, mas vou ignorar.


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