Capítulo 410 – O Plantio, e o Cervo Azul
— «Aqui por perto deve estar bom.»
Ágil, a Bastet salta do alto da cabeça do "Coroa" branco, o Albus.
O local é dentro de uma floresta sem nome, localizada quase no centro de Eisengard. Afastado de cidade, lugar onde olhar humano não alcança.
— «Então, planta aqui?»
— «Isso. Tira pra fora, por favor.»
Seguindo a instrução da Bastet, o Anúbis tira a "Árvore Sagrada" do [Storage] da coleira, deixando-a cair no chão, "botott".
— «Certo, Albus-san. Conto com você.»
— «Compreendido.»
Recebendo a muda da "Árvore Sagrada" do Anúbis, o Albus cava levemente a terra, plantando ela ali. Assim que plantada, das folhinhas pequenas, imediatamente começam a fluir partículas brilhantes de mana. Prova de que o Veneno Divino-Demoníaco contaminando esta terra começou a ser purificado.
— «Agora só resta proteger até essa muda crescer até certo ponto.»
— «Quanto tempo mais ou menos isso leva?»
— «Segundo a história do tio Kōsuke, em cerca de dois dias, deve purificar um raio de vinte metros. Depois disso, tudo bem chamar os reis e o pessoal.»
— «Dois dias pra vinte metros? Será que dá pra purificar o país inteiro assim?»
— «Se crescer, a velocidade de purificação também deve aumentar, então tudo bem. Até lá, conto com sua escolta, Albus-san.»
— «Deixado a mim.»
Diante da Bastet, o Albus assente. Então, de repente, o Anúbis encara o fundo da floresta, soltando um rosnado.
— «Parece que já vieram os moradores locais dessa floresta pra visita.»
Fazendo barulho de folhas farfalhando, "gasagasa", do fundo da floresta aparecem três goblins de pele verde.
Goblin. Devem ter vindo pra eliminar os inimigos que invadiram o próprio território. Nas mãos, carregam clava grossa e lança de pedra, transbordando intenção de matar.
Pra quem olha, a Bastet e o pessoal só devem parecer um cachorro preto, um gato preto, e uma criança de aparência humana usando armadura. Se tivessem olfato bom, notariam que os três não têm cheiro de ser vivo, mas os goblins tinham o nariz entorpecido pelo próprio mau cheiro.
— «Gyagyagyaga!»
— «Gigi!»
— «Gyaaa!»
Achando que encontraram comida, os três goblins avançam atacando a Bastet e o pessoal.
Mas o oponente foi ruim.
O Anúbis morde a garganta de um deles, batendo com força no chão. Aquela presa de material cristal corta com facilidade o pescoço do goblin, tirando sua vida.
Os outros dois, com a espada de cristal desembainhada do Albus, num instante têm a cabeça e o tronco separados. Isso durou poucos segundos. Nem foi páreo.
— «Como esperado, Albus-san. Excelente.»
— «Sem problema.»
Ouvindo o elogio da Bastet, o Albus retorna a espada à bainha.
— «Mana-chefe! Mana-chefe! E eu!?»
— «Waa, incrível.»
— «Falado sem emoção alguma!? Mais amor, por favor!»
O Anúbis rola no chão, "gorogoro".
— «Para de falar besteira, e fica mais atento ao redor. Nesse nível, a gente até dá conta, mas, se mutante vier em bando, só resta recuar.»
— «Táah»
Se for um ou dois mutantes, o Albus dá conta. Mas, se esse um ou dois chamarem companheiros próximos, com um único Albus, não tem como conter.
Se possível, quero eliminar mutante antes que chame companheiro. Mesmo sendo só ganhar tempo, isso é justamente a missão, então não tem problema.
Faltam mais dois dias. Se der certo, conseguem proteger a "Árvore Sagrada" sem encontrar mutante. Depois disso, é só deixar com os reis.
Observando a "Árvore Sagrada" espalhando partículas brilhantes de mana ao lado, a Bastet retoma a vigilância ao redor.
Maça de guerra e machado-lança colidem de frente. Como se cruzassem, se atravessam, dando meia-volta, cruzando de novo as lâminas.
Deve ser difícil manter equilíbrio, mas os dois pilotam com bastante habilidade.
Onde ergo o olhar, o Frame Gear branco e o azul lutam montados em objeto voador tipo prancha de surf. É o Cavaleiro Branco do comandante da ordem de cavaleiros de Brunhild, Rein-san, e o Cavaleiro Azul da vice-comandante, Norun-san. Ah, agora já é "Noruen"-san, né.
Na verdade, como confundia ter duas Noruns, a vice-comandante, licantropa lobo, Norun-san, mudou o nome. Mais que mudança de nome, foi só aproximar da pronúncia correta, dizem. Precisamente, parece ser "Noruen".
Com isso, ficou a Norun, dona do "Coroa" preto, e a licantropa lobo vice-comandante Noruen-san. Aliás, talvez por terem mesmo nome, as duas se dão bem.
Norun, aparência de criança mas de personalidade fria, e Noruen-san, aparência adulta mas personalidade ingênua, à primeira vista parecem incompatíveis feito água e óleo, mas é curioso mesmo.
O Cavaleiro Branco e o Cavaleiro Azul, dessa vez, ficam trocando golpes parados no lugar.
— Como esperado, diferente da terra, tendemos a atacar só com movimento da parte superior do corpo.
— Bom, não dá pra saltar nem pular, então essa parte é difícil mesmo. A Gerhilde da Eruze é totalmente inadequada pra isso, aliás.
Observo os dois lutando, respondendo assim ao lado da vice-comandante, Nikora-san.
Também a Doutora e o pessoal, no início, pensaram em fundir a Gerhilde da Eruze com o Helmuvīge da Rinze, mas parece que acabaram desistindo.
A unidade de voo usada na luta contra o rei mágico-industrial foi melhorada pra voar por tempo mais longo, e agora a Yae e a Hiruda usam, mas esse "Flight Gear" basicamente é unidade de equipamento pro Cavaleiro Preto e Cavaleiro Pesado. Não combina com as máquinas exclusivas da Yumina e do pessoal, hein.
— A maioria dos mutantes voadores não é tipo que fica parado lutando desse jeito, e sim tipo que avança direto. No fim, acho que vai ser questão de como desviar do ataque do oponente que avança, e como acertar o próprio ataque no cruzamento.
Se o mutante terrestre é fera, o mutante voador não é ave, é peixe que nada no mar.
Na maioria, usa o próprio corpo duro como arma, voando feito bala. Também tem tipo que dispara flecha de cristal, mas esse tipo voador costuma ser mais lento no movimento. Digamos, tipo torre de artilharia.
Identificar esse tipo bala e esse tipo torre, e atacar de acordo, é a chave pra levar a batalha com vantagem.
— Pelo contrário, sinto que fica difícil derrotar inimigo terrestre.
— Voar rente ao chão atrapalha os outros Frame Gears, então, nesse caso, é melhor mudar simplesmente pro modo escudo e fazer batalha terrestre mesmo.
Cervo. Respondendo à Nikora-san, direciono o olhar pro cervo azul mecânico correndo agora pelo chão.
Nova Overgear em formato de cervo, um pouco maior que Frame Gear, "Diaburau".
Overgear só pode ser manejada por "Coroa". Ou seja, ali dentro está o "Coroa" azul, "Distortion Brau". Ou seja…
— «Ei! Isso é incrível! Se move exatamente como eu quero!»
Do alto-falante, ressoa ao redor a voz do Robēru. Diante disso, quem reage é só a noiva dele, Seresu, que veio junto. Com sorriso radiante, aplaude. Como sempre, que boa relação.
O "Leonoir" da Norun e o "Tigaruju" da Nia são Overgear completamente do tipo ataque. Em contraste, o "Diaburau" pilotado pelo Robēru é do tipo defesa, priorizando mobilidade.
O grande chifre que se estende da cabeça gera barreira mágica, protegendo o entorno.
Além disso, também conseguiu fazer ataque de investida usando essa barreira.
A Doutora parecia em dúvida se fazia cavalo ou cervo, mas, no fim, virou cervo mesmo.
Coordenação dos três donos de "Coroa"… com esses três, talvez seja meio difícil, mas aumentar o poder de combate é bem-vindo. Só que fico levemente preocupado com o fato dos três terem tendência pra descontrole.
— Ficou bem bacana, né? Aquele "Diaburau" foi construído usando a habilidade de golem do "Coroa" azul.
De trás, a Doutora Babylon chega trazendo a Rozetta. Na boca, morde aquele graveto de éter. Parece cigarro, mas parece ser tipo aroma que relaxa o espírito. Sinto que deve ter algum componente suspeito misturado. Ou melhor, criança-menina fumando cigarro não fica bem visto socialmente, viu.
— Foi certo incorporar habilidade de golem? Isso não é perigoso…
— O custo daquele príncipe é o mais baixo risco. A Nia pode até morrer de hemorragia excessiva, e a Norun, no pior caso, até regredir a feto. Mas, no caso daquele príncipe, ele só dorme.
— Não tem risco de dormir pra sempre, não?
Claro, não é no sentido de morrer. É "será que não fica dormindo por toda vida?".
— Isso tá tranquilo. Mesmo usando a habilidade da Brau, é só reutilizar uma parte, e, mesmo entrando nesse estado, não morre. Tem vários jeitos de acordar. …Aliás, eu já não durmo há quatro dias.
"Fufufufu", a Doutora deixa escapar risada meio maliciosa. Perigoso, hein… ultimamente forcei bastante ela em várias coisas.
A Doutora, tendo o mesmo corpo das Babylon Sisters, tem resistência muito maior que humano comum. Mas o cérebro dentro da cabeça dela é humano de verdade. Por isso, precisa de sono adequado sim, esse corpo.
— Não fica vindo pra cá, vai dormir logo. Sem dormir, pode até afetar a vida, viu?
De fato, foi exatamente por esse motivo que removeram o recorde de insônia do Guinness. Se continuassem batendo recorde, algum dia morreria alguém, dizem.
— Quero dormir depois de terminar direitinho o próprio trabalho. Touya-kun, acho que devia me dar recompensa por ter me esforçado tanto assim.
— …O que você quer?
Com olheiras nos olhos, ela me observa, e pergunto com cautela. De qualquer forma, sou grato até certo ponto, então, se não for pedido absurdo, quero atender.
— É simples. Uma noite inteira, você e eu nos enrolando, uma noite quente juntos,
— Já vou te fazer dormir à força com soco agora mesmo.
Sim, deu ruim. Como isso vem de uma menina pervertida, já esperava que não fosse ser nada bom, mas foi direto ao ponto pesado demais. Com olheiras, sorrindo maliciosa, dizer essa fala é assustador demais.
— Então me abraça. Vamos, abraço, abraço.
A régua caiu bastante rápido, hein. Será que essa é a tática de negociação de fazer pedido grande demais pra ser recusado primeiro, e depois passar o pedido pequeno real, que era o objetivo verdadeiro? Como se chama mesmo, "porta na cara"?
Contrariado, ergo a Doutora, que espera de braços abertos à minha frente.
— Guhuhuhuhu. O corpo do Touya-kun de novo depois de tanto tempo… bom. Fico animada.
— …Você, vou te jogar longe, viu.
"Gyuu!", a Doutora aperta o braço enrolado no meu pescoço, e as pernas enroladas na minha cintura. Coala se agarrando em árvore de eucalipto, isso! Mais que abraço, é agarramento.
Quando aquela força de repente relaxa, "fu", ouço uma respiração calma. Eh? Espera, ei.
— Dormiu, viu.
— Sério mesmo…
Diante da fala da Rozetta, que espia a Doutora por trás de mim, dou um suspiro sem querer. Assim, não tem como jogar fora. …Não será fingimento de sono, né?
— «…Que estava se esforçando, isso é verdade, viu.»
— Eh?
— «Cinco mil anos atrás… a Doutora originalmente era gênia, então só fazia o que gostava, agindo por conta própria conforme o próprio interesse.»
— Isso não muda muito do jeito de agora, não…
— «Não, não. Nunca aconteceu, nem uma única vez, dela usar esse poder "pelo bem de alguém". …Talvez a Doutora tenha atravessado cinco mil anos justamente pra encontrar o mestre.»
Que amor pesado demais é esse. Bom, de fato, ela me ajuda bastante em várias coisas, mas.
— Pra começo de conversa, o motivo de nós termos afeto sincero pelo mestre não é simplesmente porque o mestre é o dono de Babylon, viu? Nossa personalidade e modo de pensar, originalmente, são divisões da personalidade daquela pessoa.
A Rozetta ri apontando pra Doutora dormindo. Umumu… de fato, tenho várias coisas em mente. Pra começo de conversa, Babylon em si já tem sistema que, faça o que fizer, não deixa ninguém além de mim virar mestre.
Apresenta "se as condições forem satisfeitas, eu passo pra você", mas, na verdade, foi feito de forma que só uma pessoa determinada consiga herdar. Pensando normalmente, isso é golpe.
A Doutora, com a "Joia de Visão de Futuro", sabia, durante cinco mil anos, que nenhum outro humano com todos os atributos iguais aos dela apareceria, exceto eu. Se for essa Doutora, seria possível até induzir pra que eu conseguisse Babylon.
Será que tudo foi planejado por essa pessoa? Bom, a situação atual, gosto bastante dela mesmo, então tudo bem.
— Ou melhor, já tá pesada demais. Rozetta, aguenta nas costas?
— Sim, senhor.
Colocando a Doutora, que dormia sem parar, nas costas da Rozetta, que se vira de costas pra mim.
— Leva pra cama do "Muralha". Quando ela acordar, avisa "obrigado sempre".
— Oh? Chegou fase carinhosa?
— Não é isso, não.
Carregando a Doutora nas costas, a Rozetta volta pra Babylon com teletransporte de curta distância.
Já que chegou até esse ponto por mim, não dá mais pra voltar atrás. Ou melhor, nem tenho vontade de voltar.
Dentro de alguns dias, a batalha em Eisengard começa, e a luta contra o deus maligno também vai começar.
Arrastar aquele desgraçado pra fora, e, com certeza, botar fim nesse alvoroço. Mais que isso, o depois disso é que vai ser difícil mesmo. Casamento, treinamento divino, e tal.
Bom, só resta fazer mesmo, né.