Capítulo 412 – A Luta Conjunta, e o General de Phrase
— Ah? Que decepção, gatinho e cachorrinho de verdade, hein. Achei que ia poder brincar arrancando os olhinhos deles, que pena.
Falando algo perigoso com tédio, a garota faz a Bastet sentir medo. O golem roxo dela, carregando grande foice, corta com facilidade o último mutante que ainda atacava.
Formato bem parecido com o "Coroa" branco, o Albus. Sem dúvida, mesma série, uma das máquinas da série "Coroa".
Na memória da Bastet, ainda continuam bem claras as lembranças da época em que pertencia ao bando de vigilantes "Asa dos Mortos".
Os "Coroa" conhecidos publicamente são: o "Coroa" azul da família real de Panachès, "Distortion Brau"; o "Coroa" vermelho do chefe do bando justiceiro "Gato Vermelho", "Blood Rūju"; o "Coroa" verde do rei elfo do Reino de Rea, "Grand Gurün".
E, além desses três, tem outro que ressoa má fama igual ou maior: o "Coroa" roxo carregado pela "Dama Louca" Runa Torieste, "Fanatic Viola".
Golem-ceifador que espalha loucura e desespero. Aquele ceifador está bem diante dela agora. A Bastet não consegue deixar de amaldiçoar a própria falta de sorte.
— Aquele branquinho aí é de quem? É "Coroa" igual à Viola, né. Como é a primeira vez, queria cumprimentar direitinho.
— «Meu nome é Albus. Meu mestre não está presente aqui.»
— Hn. Como é o nome da sua mestra?
— «Esposa do rei do Ducado de Brunhild, Mochizuki Touya, Yumina Erunea Berufasuto.»
Precisamente falando, ainda não é esposa oficialmente, mas o Albus reconhecia assim. Ouvindo essas palavras, a Runa, mestra do "Coroa" roxo, pisca os olhos, "pachikuri".
— Mochizuki, Touya? …………………Eh! O que, como assim, o Touya-yan era rei!? Isso aí, me conta mais detalhe!
Com os olhos brilhando, a Runa se agarra no Albus. Quem fica surpresa, ao contrário, são a Bastet e o Anúbis.
— «Aliás, mana… qual é a relação da senhora com o rei de Brunhild…?»
O Anúbis tateia terreno, achando que, se ela conhece o Touya, talvez consiga emprestar poder.
— Eu e o Touya-yan? Relação de matar e ser morto, viu? O Touya-yan me mata, e eu também mato o Touya-yan, love-love!
— «S, sério…»
O Anúbis, dando um sorriso forçado surpreendentemente hábil pra um golem, recua um passo.
— E aí? O Touya-yan não tá? Queria matar um ao outro…
— «…Amanhã, temos planejado ir chamar o rei. Se conseguirmos manter posição aqui com sucesso.»
— Manter posição?
A Runa inclina a cabeça diante da fala da Bastet. No instante seguinte, uma lança dourada vinda de algum lugar perfura o abdômen da Runa. Não, não é lança. É um braço-lâmina de um mutante recém-aparecido.
De vinte metros atrás, um mutante tipo caranguejo-aranha estende o braço feito bastão mágico, perfurando-a.
Sangrando abundantemente do abdômen, a Runa, mesmo assim, tem o sangramento estancado na hora. O braço-lâmina do mutante que a perfurou se quebra com estalo, do lado das costas dela.
— Nn~ mou, tô no meio da conversa, seu incômodo━━!
"Bunt!", o braço direito que a Runa balança pra trás muda de forma feito espada dourada, se estendendo, e corta ao meio, junto com as árvores da floresta, o mutante que a atravessou.
A Bastet e o Anúbis ficam boquiabertos de espanto. Porque aquele poder era da mesma natureza do mutante.
Sem entender bem, mas, vendo cortar sem dó o mutante, deduzem que não seja aliada deles. Mesmo assim, também não dá pra chamar de aliada nossa.
— «Gi»
A Viola dispara em direção ao fundo da floresta. Igual à Runa, corta ao meio, junto com árvores grandes, o mutante tipo caranguejo que estava ali.
O mutante caranguejo também ataca, mas a Viola, mesmo tendo o braço cortado, mesmo tendo o peito perfurado, nunca para. Não existe opção de esquiva. Porque, alguns segundos depois, tudo já foi restaurado.
"Super Regeneração". Esse é o poder do "Coroa" roxo. Poder amaldiçoado que tem como custo corroer o espírito do mestre. De fato, o abdômen perfurado da Runa já voltou ao original. A roupa continuava rasgada, no entanto.
A Bastet estremece de horror diante dessa dupla que neutraliza num piscar de olhos os mutantes que se aproximavam em enxame. Mas, ao mesmo tempo, o próprio cérebro dela, o Q-Crystal, avisa que seria desperdício não aproveitar isso.
Golem também tem sentimento. Mas, basicamente, ainda é máquina. É normal captar as coisas de forma racional.
— «…Vossa Excelência Runa deseja encontrar o rei de Brunhild… o Touya-sama, é isso?»
— É isso, viu. O Touya-yan é tímido, se eu não for buscar, ele foge, então preciso ir eu. E aí? Ele vem aqui? Não vem?
— «Amanhã, eu mesma irei chamá-lo. Se o rei vier até aqui, acredito que possa se encontrar com ele nesse momento.»
— Éé. Quero encontrar agora mesmo. Gatinha, vai buscar rapidinho? Ou me leva junto?
Vendo a Runa fazer bico insatisfeita, a Bastet decide que agora é a hora decisiva, soltando uma mentira.
— «Isso não é possível. Se formos até lá antes de amanhã, será considerado falha da missão, e o rei não virá até aqui. Além disso, vamos usar um método de teletransporte que só golem consegue usar, então não posso levar a senhora junto.»
— Buu.
Metade é mentira. O espelho com magia de teletransporte embutida serve pra golem, mas também dá pra humano atravessar. Como é absolutamente necessário prender essa garota e o "Coroa" roxo aqui, a Bastet contou essa mentira.
— Tch, tá bom então. Se amanhã dá pra encontrar. Aah, mas minha roupa rasgou, né. Vou trocar de roupa antes de encontrar o Touya-yan.
A Runa tira do bolso da saia o "Storage Card", e, com um agito, uma roupa nova aparece de repente ali, "basat". Tirando a roupa rasgada no abdômen, começa a se trocar ali mesmo.
De algum jeito, conseguiu convencer, a Bastet solta um leve suspiro. É ação desnecessária pra golem que originalmente nem respira, mas escapou sem querer.
Pra essa Bastet, "sususu", o Anúbis se aproxima, cochichando baixinho.
— «Tá tudo bem mesmo, mana-chefe? Dependendo do azar, pode começar uma luta de morte entre o rei e essa moça, sabe?»
— «Não tem jeito. Aqui, custe o que custar, precisamos proteger a "Árvore Sagrada". Além disso, se for o rei, ele deve dar um jeito de qualquer forma. Não é à toa que virou aventureiro rank ouro.»
De fato, a dupla Runa e Viola é forte. O poder da "Super Regeneração", em termos de defesa, talvez seja quase invencível.
Mas a Bastet não consegue imaginar o duque de Brunhild perdendo pra essa dupla.
Falta só mais um dia. Se aguentarem até amanhã, o rei e o pessoal devem resolver de algum jeito. Observando a "Árvore Sagrada" atrás dela, que continua crescendo, a Bastet retoma o ânimo.
— Ei. Desculpa incomodar, vindo até aqui.
— Não, tudo bem, mas. Que assunto é esse tão formal?
Fui chamado pelo Ende no telefone, e vim até a casa deles. Além do Ende, tem a Meru, e o trio Phrase, Nei e Rise. Interior parece não ter tanto capricho de decoração, ambiente simples. Nem um vaso de flor exposto.
Como sempre, as três garotas espécies dominantes parecem com apetite voraz, mastigando dango e daifuku empilhados feito montanha, "pakupaku", desde há pouco. Não é que comam rápido, mas só param quando tomam chá. Deve tá saindo um valor absurdo de gasto com comida…
— O assunto é sobre a Yura e o pessoal.
Bebendo chá, respirando fundo, a Meru põe a xícara na mesa. Expressão firme, mas tem molho de mitarashi de dango grudado na bochecha, viu…
— Nós conseguimos sentir a presença de mutantes, ex-companheiros. Atualmente, a maioria deles está reunida no que, neste mundo, se chama Eisengard, mas, entre eles, sentimos presença de algo especial.
— Presença especial…? É do deus maligno?
Já contei tanto ao Ende quanto às três garotas espécies dominantes tanto sobre os deuses quanto sobre o deus maligno. Com o "Veneno Divino-Demoníaco", nem minha magia de busca alcança Eisengard, mas será que a Meru e o pessoal conseguem sentir o deus maligno?
— Não, essa presença do deus maligno, nós também não conseguimos sentir. O que nós sentimos foi presença de nova espécie dominante… não, de espécie dominante já conhecida.
Nova espécie dominante…? Será aquele visto na rachadura espacial, na luta de outro dia? Pousou em Eisengard vindo pela fenda dimensional, e a Meru e o pessoal sentiram essa presença, é isso. Mas espécie dominante "já conhecida", o que seria isso, afinal…
— Provavelmente, a Yura deve ter chamado do Mundo Cristalino. Essa presença, sem dúvida, é dele. Presença do general de Phrase considerado o mais forte do nosso mundo, o Zeno.
— General de Phrase… Zeno?
— O Mundo Cristalino onde nós, Phrase, vivemos era mundo severo. Tinha monstro, tipo o que aqui se chama de fera demoníaca, e também tinha invasão de outra espécie. Combatendo e dominando essas ameaças, existia espécie dominante especial… digamos, tipo espécie combatente. O topo dessa espécie combatente é o General Zeno. Exceto eu e a Rise, que éramos assessoras próximas da Meru-sama, se a Yura é o topo civil, o Zeno é o topo militar.
A Nei responde assim. …Ao redor da boca dela, tá cheio de farinha de daifuku, viu.
— É forte?
— É forte. Também é irmão do Gira. Não tão bruto quanto ele, mas também pode ser chamado de outro maníaco de combate.
Gira… aquele aí é do tipo "espécie combatente"? De fato, parecia gente que gosta de lutar por natureza. São tipo irmãos parecidos mesmo.
— General Zeno… não, o Zeno, parece que trouxe alguns espécies dominantes subordinados junto. Como não reconheço a presença deles, devem ser gente que ele recrutou depois que comecei a atravessar entre mundos.
— Tch. Já é incômodo com só o deus maligno e a Yura, e agora aumentou mais inimigo…
Tipo igual àquele Gira… incômodo, hein. Não vou conseguir ir direto confrontar o deus maligno, é?
— Tudo bem. O Zeno, deixamos com a gente. Por isso, Touya-san, por favor, concentre sua força no deus maligno.
Chega a fala da Meru até mim, que estava pensativo. Erguendo o rosto, a Nei, a Rise, o Ende, todos assentiam levemente.
— Phrase se resolve entre Phrase. Nessa batalha, vamos cortar de vez esse laço destino. Originalmente, foi problema criado por mim mesma e pelo Endemyuon. Como ex-"Rainha" de Phrase, não vou mais deixar eles fazerem o que quiserem.
Ouvindo isso, a posição dos deuses e a minha, que deixamos o deus subordinado fugir, criando a oportunidade de gerar o deus maligno, e a causa da origem dos mutantes, fica bem constrangida, hein. Isso não é crítica indireta contra mim, né?
Bom, de qualquer forma, sou grato pela ajuda de força. Ah, é verdade. Preciso explicar "aquilo" também.
— Estratégia secreta?
— Ah. Não sei o que pode acontecer, né? Aquela tal Yura parece esperta. Então, por precaução, como seguro…
Explico aos quatro, Ende e pessoal, a pequena estratégia secreta que contei na conferência mundial.
— Eh? Isso dá pra fazer?
— Temporariamente, mas é possível. Não tem problema. Por isso, no pior caso, viu.
— Se isso realmente for possível, sinto que dá pra dar um jeito não importa o que a Yura tá tramando. Mas, como dizer…
— Fora do senso comum.
Cruzando os braços, "gumumu", com expressão de não convencido, a Nei, e, como se completasse a fala dela, a Rise murmura. Será mesmo?
Além disso, empresto de novo à Nei e à Rise a espada dupla divina que tinha recolhido. Contra mutante, se atacar sem cuidado, existe risco de assimilação, afinal.
— Aliás, isso é pro Ende.
— Eh, o quê, vai me dar até equipamento?
Tiro do [Storage] manoplas pro braço esquerdo e direito. Talvez seja sem tato demais na frente da rainha e da assessora próxima de Phrase, mas são manoplas feitas de material cristal.
— É do mesmo tipo que a Eruze tem. Com isso, acho que dá até pra esmagar mutante com facilidade.
— Eu geralmente não uso muito arma, mas… bom, agradeço com gratidão.
O Ende pega a manopla, feita de peça tipo transparente. Mas o design é completamente diferente da da Eruze. Se fizesse igual, ficaria tipo roupa combinando de casal, e isso me irritaria.
— Aliás, nessa luta contra o deus maligno, o mestre também participa?
— Não. Nessa batalha, precisamos fazer só nós mesmos. Parece que ele vai proteger pelo menos a "Árvore Sagrada". Sem dúvida, vai observar nosso desempenho. Cuidado, viu? Se lutar de qualquer jeito, sem empenho, talvez esteja esperando o curso de treino infernal do tio Buryu…
— O Touya tem personalidade ruim, viu!
O Ende grita com os olhos meio marejados. Desculpa, mas também tenho vários interesses em jogo, sabe. Preciso que o Ende se esforce mesmo. Segurando aquele Zeno.
Depois de chegar até aqui, não dá pra deixar atrapalhar. Amanhã, a Bastet deve vir chamar. Aí, algumas pessoas devem conseguir ir até Eisengard.
De verdade, queria colocar a irmã Moroha e a irmã Karina logo de cara, mas, mesmo purificado em parte, mandar pra local ainda cheio de veneno numa área de dezenas de metros também.
Eu mesmo também poderia ir, mas, sem estar bem purificado, fico inseguro sobre que tipo de efeito posso sofrer. Se eu desmaiar antes da batalha decisiva, viraria piada sem graça.
Primeiro, vou pedir pro grupo que parece sofrer menos efeito: Norun, Nia, Robēru… grupo de "Coroa". Mesmo sem Overgear, devem conseguir lutar razoavelmente bem. Bom, basicamente, só precisam servir de ponte até a irmã Moroha e o pessoal poderem entrar.
Saindo da casa do Ende e do pessoal, primeiro contato o príncipe de calção estufado, o Robēru, conseguindo fechar a colaboração. Esse aí é estranho, mas a personalidade é honesta mesmo. Se ajeitasse aquele senso de moda e aquela irritação de alta empolgação, seria príncipe perfeito, que desperdício.
Do lado da Norun, deixo com a irmã dela, a engenheira Elka, pra pedir. Estando em dívida com a irmã, mesmo relutante, deve aceitar.
O problema é a Nia e o pessoal, hein. Elas, do bando justiceiro "Gato Vermelho", claro, tão suspendendo a atividade principal aqui. Não deixo cometer crime neste país. Mesmo sendo bando justiceiro.
Por isso, atualmente estão trabalhando como aventureiras. Mergulham em masmorra, encontrando bastante tesouro, dizem.
Já vira quase tipo pequeno bando de mercenários. Também têm alguns golens, tipo a Rūju vermelha da Nia, e a Akagane da Esuto-san.
— Se fosse só a Nia, seria moleza, mas, se tiver a Esuto-san, não tem como fazer trabalho de graça…
Espero conseguir barganhar o mais barato possível. Pra negociar com elas (ou melhor, com a Esuto-san), direciono o passo pra pousada onde costumam se hospedar, o "Lua Prateada".