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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 427

O Pós-Guerra, e o Diário de Shurafu

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Capítulo 427 – O Pós-Guerra, e o Diário de Shurafu

O dano dos mutantes que apareceram em cada país não chegou a ser devastador, mas foi bastante considerável. Especialmente a remoção de edifícios destruídos leva tempo.

Nisso, quem mostrou grande atuação foi o maquinário mágico de obra civil criado pelos anões, o "Dovelugu". Com Frame Gear, se movimentar e falhar gera dano grande demais, então precisa de treino com Frame Unit, mas o pequeno Dovelugu dá pra aprender técnica de pilotagem direto na prática. E ainda é mais fácil de manusear.

E ainda por cima, diferente de Frame Gear, dá pra comprar, então pedidos de Dovelugu vindos de cada país despencaram de uma vez na Companhia Sutorando, que ficou responsável pela venda exclusiva do Dovelugu pros anões, na pessoa do Oruba-san.

Deve ter previsto essa situação, o Oruba-san já tinha produzido Dovelugu em massa, mas mesmo assim os pedidos ultrapassaram e muito.

— Ai ai, se devo ficar feliz ou não. Sensação estranha, sabe.

Assim falava o Oruba-san, mas as orelhas de raposa e o rabo com fio de cabelo grisalho balançavam, "pikopiko", então deve estar lucrando bastante.

Daqui a pouco, quem sabe até apareça Dovelugu na série de brinquedo de cápsula.

Claro, no mundo sombrio… continente oeste, o golem gigante de fábrica também está com bastante atuação.

Visitando o "Hangar" de Babylon, observo os Frame Gears alinhados em fileira no hangar.

— Talvez não use mais essas máquinas.

— Nyaa, isso não é bem verdade.

Enquanto sinto certo sentimentalismo, aparece a Doutora Babylon, com cigarro de éter na boca, arrastando o jaleco branco.

— Como assim?

— Pra explicar isso, criei essa aqui.

O que a Doutora tira é uma placa fina transparente, tamanho de caderno. São duas, uma pintada com pontos vermelhos e outra com pontos azuis, de vários tamanhos.

De relance, parece placa de vidro com bolinhas irregulares tipo poá. O que é isso, afinal?

— Aqui é nosso mundo. Aqui é o mundo onde estava a engenheira Elka e o Fenrir. Bom, tanto faz qual é qual. Essa parte pintada, considera como sendo o mapa de distribuição de mana. Se sobrepor isso…

A Doutora sobrepõe as duas placas de vidro. Então, se separa em quatro cores: parte vermelha, parte azul, parte transparente, e parte roxa. O que é isso… ah.

— Isso mesmo. Essa parte roxa é onde a mana está concentrada. Ou seja, "poço de mana". Neste mundo agora unificado, tem bastante "poço de mana".

— Fera gigante, hein…

Fera gigante. Fera demoníaca e afins que crescem no "poço de mana" concentrado, apresentando crescimento anormal e virando gigante.

Normalmente, "poço de mana" costuma se acumular em parte profunda de floresta, mar profundo, ou monte sagrado íngreme, então fera gigante raramente causa dano diretamente aos humanos.

Mas, uma vez que fera gigante apareça em cidade, o dano vira nível de desastre.

Antigamente, a Ilha de Parerius, chamada de "Ilha Sem Retorno", era ilha cheia de fera gigante, e uma grande muralha alta impedia a invasão delas.

E aqueles "poços de mana" que geram fera gigante estão por todo canto agora, hein.

— Bom, mesmo assim, não é que fera gigante vá aparecer amanhã ou depois. "Poço de mana" que já existia antes do mundo se sobrepor já virou fera gigante, e, pra nascer desse novo "poço de mana", deve levar uns anos. Fera gigante também se destroem entre si. Acho que só precisa ir eliminando quando aparecer, sem problema.

Claro, fera gigante que nasce de "poço de mana" não é só uma. Nesse caso, sendo geralmente da mesma espécie, se destroem entre si por disputa de território, e, como resultado, o número de fera gigante diminui. Também dá pra dizer que o indivíduo mais forte sobrevive.

— Ou seja, melhor manter pronto pra sair a qualquer momento, é isso?

— Isso mesmo. E ainda por cima, aquela tal "barreira do mundo" ainda não foi consertada, né? Não tem garantia de que invasor de outro mundo tipo Phrase não vai voltar de novo.

Fala coisa desagradável, hein.

Na verdade, parece que não é impossível consertar com meu poder divinizado, mas as irmãs falaram que, se fizer errado, pode piorar ainda mais. Dessa vez, como envolve deus maligno, tá tudo bem os deuses consertarem a barreira, dizem. Até agora, não tinha deus que administrasse este mundo, então não tinha jeito, mas, já que fui reconhecido pelo Deus do Mundo como esse administrador, agora sim é diferente.

Eu mesmo não consigo consertar, mas pedir "por favor, conserte" a outro deus não tem problema.

Só que o problema é não ter nenhum deus conhecido que pareça conseguir consertar isso, hein…

A irmã Moroha, a irmã Karina, o tio Buryu, fora de cogitação. A irmã Karen e a Suika também devem não conseguir. Restam o tio Kōsuke e o irmão Sōsuke, mas parece que isso também não é a área deles.

Pra começo de conversa, deus inferior é, digamos, especialista naquela área específica. Ao contrário, isso significa que, fora daquilo, a maioria dos deuses não entende nada.

O Deus do Mundo disse que eventualmente vai mandar alguém adequado… por favor, que seja um deus decente.

Voltando de Babylon, chega ligação no smartphone. Hn? Da Shiruetto-san do "Gato Preto"? Que assunto será?

Parece que tem algo pra conversar, então teletransporto direto pra cidade comercial de Kantāre, no Reino de Strain, onde fica a sede do "Gato Preto".

No distrito de entretenimento de Kantāre, segunda maior cidade depois da capital real, ali fica a "Casa da Luz da Lua", sede do "Gato Preto".

De dia, o neon não brilha, mas continua sendo lugar chamativo como sempre, hein… bom, sendo casa de prostituição, não tem jeito mesmo.

— Que assunto será afinal?

— Não deve ser assunto suspeito, viu…

Nos meus dois lados, a dupla espadachim, Yae e Hiruda, protegiam firmemente os flancos.

Sendo o lugar que é, criaram regra de que preciso vir sempre acompanhado de alguma noiva.

De fato, ao chegar aqui, não dá pra negar que fico com comportamento meio suspeito. Afinal, tem cheiro e atmosfera cheios de elementos que fazem o coração disparar. De vez em quando tem até senhora seminua no corredor…

Na entrada, o segurança, rapaz de rosto carrancudo, se curva profundamente ao me reconhecer. Ser reconhecido de cara em casa de prostituição, mesmo sendo rei, será que tá certo?

Da próxima vez que encontrar a Shiruetto-san, melhor pedir pra ser em outro lugar. Se virar boato de rei frequentador de casa de prostituição, vou chorar. Nesse sentido, ter trazido a Yae e o pessoal foi acerto.

Como sempre, guiado até a sala privada da Shiruetto-san no andar mais alto, o gato preto e a pantera preta nos recebem.

A pantera preta tem coleira com medalha no pescoço, é criatura invocada da Shiruetto-san. Fera que manipula relâmpago chamada "Pantera Relâmpago".

— «Por aqui, por favor, Duque.»

A Pantera Relâmpago… (se não me engano, era chamada de Sheido) guia a gente pro fundo da sala. O Sheido é criatura invocada capaz de conversar, então consegue se comunicar até com alguém além da própria dona, a Shiruetto-san.

No fundo da sala, a Shiruetto-san mesma preparava o chá.

— Bem-vindo. Ara, hoje veio com garotas diferentes das últimas vezes. Que ativo, hein.

Diante do sorriso da Shiruetto-san, a Yae e a Hiruda mostram leve retração. Depois vira trabalhoso, então melhor não me provocar tanto assim.

Sentando no sofá como indicado, recebendo o chá, entro direto no assunto.

— Na verdade, o "Gato Preto" também tá pensando em expandir pra outro país.

— Outro país… vocês já atuam bem amplamente até agora, né?

— Ah, não daqui… continente oeste, e sim continente leste, do lado de vocês.

Na verdade, o fluxo de pessoas entre continente oeste e continente leste é esmagadoramente maior do lado oeste indo pro leste. Isso é porque, do leste pro oeste, só tem navio (navio rápido com mago de vento a bordo), enquanto do oeste pro leste, além disso, também tem aeronave.

E, imaginando por conta própria, contra cultura mágica e cultura mágico-tecnológica, o povo do oeste, buscando o desconhecido chamado magia, sinto que o povo do leste tem certa cautela contra o desconhecido chamado magi-tecnologia. Golem, afinal, é item mágico completamente de civilização antiga.

É como se o mundo ocidental buscasse amizade ativamente, e o mundo oriental ficasse confuso com isso.

Sem exceção a essa tendência, a Shiruetto-san também quer expandir pro leste, é isso.

— Quer abrir casa de prostituição no continente leste, é isso?

— Isso, e também pousada honesta comum. Nosso comércio, sendo esse tipo de comércio, é um pouco complicado. Queria que os figurões do país nos ajudassem um pouco nessa parte. Sinceramente, não fico feliz de ser incomodada por gente tipo o Zabitto.

Zabitto…? Ah, aquele que era executivo do "Borboleta Negra", predecessor do "Gato Preto", que fazia várias perseguições tentando dominar o poder da Shiruetto-san.

Depois disso, vi ele uma vez na capital sagrada do Estado Religioso de Arento, Aren. Tentando fazer especulação imobiliária de orfanato, mas saiu correndo desesperado ao me ver.

De fato, ser incomodado por gente que domina esse tipo de sociedade das sombras é problemático. Só de ser casa de prostituição, já fica alvo fácil. Deve ter bastante gente idiota falando coisa tipo "vira nossa subordinada".

— Concretamente, o quê?

— Se possível, queria autorização do estado. Pousada, sem problema, mas casa de prostituição deve ser difícil, né.

Bom, tem histórico de pousada de fundo de quintal tratando escravo tipo penhora de dívida, ou mulher sequestrada. No caso da Shiruetto-san, sendo casa de prostituição de alto padrão, é mais o contrário, as próprias mulheres da casa têm posição mais forte que o cliente. Se causar problema aqui, deve virar entrada proibida.

Na verdade, também surgiu conversa de construir casa de prostituição em Brunhild… mal necessário, digamos, ou dizem que, se não tiver, pode até gerar crime relacionado a isso.

O que faço, hein.

— Sobre pousada, acho que não tem problema. Mas casa de prostituição depende do país mesmo, acho. No Estado Religioso de Ramisshu, por exemplo, deve ser praticamente impossível.

— Bom, isso aí a gente resolve por conta própria. Aliás, agora vem o assunto principal.

Eh? Não era pedido de autorização do estado o pedido? Agora vem o assunto principal?

— Sendo organização que se separou originalmente da "Borboleta Negra", ainda temos leve conexão com o mercado negro. E, aí, encontrei uma coisa interessante.

A Shiruetto-san coloca na mesa livro antigo escrito em pergaminho. Que livro velho, hein.

— Isso se chama livro "Diário de Jornada de Shurafu". Tá escrito a autobiografia de Shurafu Saikusu, que antigamente era sacerdote em Daubān. Nele, tá escrito a causa do conflito entre o País do Fogo Daubān e o País do Gelo Zādonia.

— Eh? Descobriram a causa da briga dos dois países?

País do Fogo Daubān e País do Gelo Zādonia, dizem que são cão e gato. Brigam sem que a razão fique clara. Essa razão está nesse livro?

— Direto ao ponto: eles achavam que o sacrifício ao deus reverenciado tinha sido roubado pelo rival. Na verdade, não foi roubado nada.

Então a "oferenda ao deus" era sacrifício mesmo, hein.

Segundo o registro do sacerdote Shurafu, há muitíssimo tempo, o deus do fogo (na verdade, deve ser espírito) reverenciado por Daubān exigiu que oferecessem como sacrifício o filho do rei. Mas o rei da época, por amor ao próprio filho, mentiu dizendo que o filho tinha sido raptado pelo país rival, tentando fazer parecer que "não aconteceu" o sacrifício ao deus.

— Culpou o país rival por não conseguir entregar o sacrifício?

— Talvez tenha pensado que, se o sacrifício destinado a ele foi roubado pelo país rival, a raiva do deus cairia sobre Zādonia. Mas, do outro lado, o deus do gelo também exigia filho do rei como sacrifício. E o rei de Zādonia tomou exatamente a mesma atitude do rei de Daubān, e foi o início da desgraça.

Nunca imaginaram nem em sonho que o país rival tava fazendo exatamente a mesma coisa. Os dois lados culparam o rival, dizendo que o próprio filho/filha, que seria sacrifício, tinha sido raptado. Que motivo mais idiota, hein.

— No fim, a raiva de cada deus caiu sobre o próprio país, transformando Daubān em terra escaldante, e Zādonia em terra de frio extremo, e os deuses os abandonaram, indo embora. Claro, isso só um pequeno grupo do alto escalão sabia. Não dá pra expor a irresponsabilidade do rei, né. O Shurafu, sendo sacerdote de Daubān, deve ter sofrido bastante angústia. Afinal, por causa da mentira dos dois lados, a briga continuou por anos, décadas. Talvez tenha escrito o "Diário de Jornada de Shurafu" justamente porque era doloroso demais ficar calado.

O povo comum, achando que a raiva do deus foi culpa do país rival, carrega ódio mútuo, e, por causa disso, briga há centenas de anos. Faz sentido o sacerdote sofrer de dor de estômago mesmo.

Ou melhor, exigir sacrifício, que negócio é esse. Talvez perguntar de novo ao espírito de fogo e ao espírito de gelo atuais seja inútil, mas talvez precise perguntar de novo mesmo assim.

— O problema é que a razão já nem importa mais. O "Diário de Jornada de Shurafu" foi encontrado numa antiga igreja de espírito sagrado do Estado Religioso. O conteúdo está escrito em letra espiritual antiga secreta, quase ninguém consegue ler. Provavelmente, nem a própria família real deve saber disso.

Bom, diário secreto mesmo. Faz sentido escrever em letra difícil de ler. Ou melhor, se tivesse escrito em letra mais fácil de entender, talvez a briga dos dois países tivesse terminado mais cedo. Bom, entendo que, se fosse descoberto, seria ruína total, então não tinha jeito.

— Mas por que um livro desses justo agora?

— O livro em si já tinha sido conseguido há tempos. Mas a decodificação não avançava nada. Só que, sabe, teve aquela chance outro dia, né?

— Eh? Ah… entendi…

Vendo a Shiruetto-san rindo com segundas intenções, entendo num instante por que conseguiram decodificar esse livro.

Aplicativo "Mochizuki Touya". De fato, com aquilo, dava pra usar até magia de tradução [Reading]. Coloquei na descrição do aplicativo a lista de magia disponível também.

Já expirou o prazo e terminou o serviço, mas foi bem esperta, hein. Não, sinto que outros reis também devem ter usado pra algo assim…

— E aí, o que vocês querem que eu faça com os dois países?

— Se possível, queria que você, chamado de "Mediador", parasse a briga. Entre as garotas que vêm parar na "Casa da Luz da Lua", muitas são de Daubān e Zādonia. Crianças passam fome, difícil até sobreviver, e, mesmo sobrevivendo, são arrastadas pra guerra sem sentido. Ser por motivo tão bobo assim é insuportável.

— De fato… se nem os reis souberem mais essa causa, isso é tragédia mesmo, né…

A Hiruda fica com expressão dolorosa. Ela também é da família real. Deve ter algo a pensar sobre isso.

Como rei de um país, interferir na briga de outro país não é algo elogiável. Como administrador do mundo também, se não for pra causar destruição do mundo, deixar seguir o curso natural talvez seja o melhor.

Mas este mundo vai virar terra de descanso dos deuses. Fico pensando se é bom os países desse mundo brigando desse jeito.

O Deus do Mundo disse pra eu me esforçar pra, quando este mundo terminar, conseguir dizer aos outros deuses que foi mundo maravilhoso. Isso não deve significar ignorar essa briga como se não fosse comigo.

— Entendido. Vou tentar fazer o que dá. No mínimo, deve dar pra libertar da maldição de calor escaldante e frio extremo causada pelo espírito.

— Digno de você, Touya-dono!

— Que bom… com isso, já podemos ficar tranquilas!

Os rostos da Yae e da Hiruda se abrem em sorriso. Ah, ainda é cedo pra comemorar, viu.

O problema é se os reis dos dois países vão acreditar nesse "Diário de Jornada de Shurafu"… afinal, significa admitir a idiotice do próprio país, ou melhor, do próprio ancestral.

Recusar sacrifício não é idiotice. Pelo contrário, acho que exige coragem, resistir contra o que se acredita ser deus.

Mas, temendo a raiva do deus, tentar colocar a culpa em outro país, e, no fim, acabar amaldiçoando o próprio país, isso não é bom. E ainda por cima, encobrir isso, colocando a culpa no país rival, é simplesmente idiotice.

Chegando a esse ponto, já não dá mais pra voltar atrás, e a guerra pantanosa continua. De fato, mesmo depois de centenas de anos, ainda continua…

Por ora, vou conversar de novo com o espírito de fogo e o espírito de gelo. No pior caso, talvez dê pra resolver de algum jeito se os dois descerem pra terra. De qualquer forma, no passado, eram deuses (falsos, mas) reverenciados pelo país inteiro.

— Se conseguir dar um jeito, ajuda bastante. Só que… como aqueles dois reis se dão muito mal, fico preocupada. Parece que se encontram toda vez que há acordo de trégua, mas, toda vez, começam troca de xingamentos, sem controle nenhum.

Criança, hein. Ouvindo isso, fico bem inseguro. Sequestro os dois de uma vez e faço socar um ao outro até o fim?

Idoso às vezes não consegue mudar de pensamento tão facilmente, então talvez seja melhor levar o assunto até o príncipe/princesa, geração seguinte.

Certo. Então, em nome do "Mediador", vou dar um jeito nos dois países que brigam por motivo bobo.

Primeiro, preciso ir pro mundo espiritual.

Nos despedimos da Shiruetto-san, deixando a "Casa da Luz da Lua".


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