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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 428

A Verdade Revelada, e o País do Fogo Daubān

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Capítulo 428 – A Verdade Revelada, e o País do Fogo Daubān

— Sacrifício? Será que a gente exigiu algo assim? Não lembro.

— Eu também. Afinal, foi há quinhentos anos, antes de renascer…

Diante da minha pergunta, o espírito de fogo torce a cabeça. Do mesmo jeito, o espírito de gelo sentado ao lado também inclina a cabeça.

Vim até o mundo espiritual de propósito pra ouvir a história de novo dos dois, mas, como esperado, a memória parece vaga, sem ficar clara.

— Tem alguém que conhece vocês dois daquela época?

— Aah, se for isso, deve ser a irmã do fogo mesmo. Parece que ela cuidava bem de mim, a versão de antes.

— Eu também, a irmã da água. Parece que ela sempre me escutava.

Espírito do fogo, espírito da água, hein. Sendo grande espírito, o ciclo de renascimento deve ser mais longo, então talvez saibam vários detalhes. Certo, vou lá.

Teletransporto pelo mundo espiritual. O mundo espiritual é espaço brilhando cor branco-leitosa, mas, aqui e ali, tem algo tipo massa parecida com planeta, ou melhor, terra pequena. Estrela pequena com diâmetro de menos de cem metros.

Isso foi ideia que sugeri ao espírito da terra, achando que espaço vazio sem nada era desconfortável. O espírito da terra, aceitando imediatamente, criou várias estrelas pequenas num piscar de olhos. Grande espírito é impressionante mesmo.

Agora, nessas várias estrelas pequenas, os espíritos moram juntos com quem se dá bem.

Entre elas, pouso na grande estrela onde moram os grandes espíritos, e o espírito da terra que criou essa estrela me recebe.

— Bem-vindo, rei que une os espíritos. Vem, por aqui.

O espírito da terra, cabelo verde-esmeralda igual ao do grande espírito da árvore que vive na Grande Floresta, sorri gentilmente e me guia pra dentro da floresta.

Dentro da floresta, tem espaço aberto, com pavilhão simples. Dentro do prédio redondo sem parede, o espírito de fogo e o espírito da água bebem chá animadamente. Fogo e água, mas se dão bem, hein. Aliás, o espírito da luz e o espírito das trevas também pareciam ser tipo irmãs. Será por não ter o que o outro tem, se atraindo?

Bom, de qualquer forma, agora preciso perguntar ao espírito de fogo e ao espírito da água sobre aqueles dois de antes da reencarnação.

Conto a história dos dois países que continuam a briga na terra, explicando que a causa disso parece envolver o espírito de fogo e o espírito de gelo… precisamente, os espíritos de vida anterior deles.

— Sacrifício, hein. Será que aqueles aí fariam algo com gosto tão ruim assim. O fogo de antes também tinha personalidade parecida com o de agora, fácil de perder a paciência, mas.

— Hmm, o gelo também… se for algo tipo perseguição, talvez faça, mas não creio que seja tão maligno assim.

— Que estranho, hein. Será que teve algum mal-entendido…

A resposta do espírito de fogo e do espírito da água só torna a situação ainda mais inexplicável. Então não foi os dois que exigiram sacrifício?

— Ah, será aquilo, será? Uns quinhentos anos atrás, o fogo tava gritando com raiva absurda, dizendo que finalmente tinha encontrado humano com qualidade adequada pra virar servo espiritual, mas foi atrapalhado.

— Servo espiritual?

— É tipo servo terreno do espírito. Vínculo forte com espírito, e, às vezes, possuindo essa pessoa, dá pra conceder o poder do espírito a ela. É posição superior a "usuário de espírito".

Diante da minha dúvida, o espírito da terra responde. Possuir, quer dizer entrar dentro? Ou seja, o espírito possui essa pessoa, e ela consegue usar totalmente esse poder?

— Então, sacrifício era…

— Provavelmente, era pra virar servo espiritual mesmo. Como quem não é usuário de espírito não recebe bem nossas palavras, talvez tenha entendido como "entregue o corpo"… ah, então era isso.

Como se tivesse entendido, o espírito de fogo bate a mão, "pon".

Então, o quê? "Vou te fazer virar servo espiritual, então empresta o corpo de vez em quando" foi entendido como "entregue o corpo como sacrifício"?

— Entendi. Perguntando o motivo de ter sido recusado, mentiram dizendo que tinha sido raptado pelo país rival. Pra nós, que lemos sentimento, mentira não funciona. Sendo debochados, enganados, faz sentido essas garotas ficarem bravas…

O espírito da água também assente levemente. Não sei se foi bondade, mas, achando que ia virar servo espiritual, ficaram bravos por terem recebido mentira boba assim. Deve ter gostado bastante daquele príncipe ou princesa.

Sendo capazes de ler sentimento, talvez também tenham sentido maldade tipo tentar usar o poder do espírito pra prejudicar o país rival. Faz sentido ficar bravo mesmo.

— Se os reis da época tivessem transmitido a vontade direitinho, não teriam mentido isso.

Provavelmente, ficariam felizes de pedir pra virar o próprio filho em servo espiritual.

Ou, se fosse mundo real, onde a cultura mágica era mais desenvolvida, talvez tivesse alguém capaz de falar língua espiritual. No fim, foi mal-entendido, botão trocado desde o início.

Peguei mais ou menos a situação geral. Provavelmente, essa é a verdade. O problema é se, apesar disso, os dois países vão deixar de lutar.

Difícil, hein. Primeiro, a questão é se vão acreditar.

Mesmo acreditando, talvez não aceitem. De qualquer forma, primeiro vou tentar encontrar os reis dos dois países.

País com quem nunca tive contato nenhum. Queria pedir intermediação a algum país.

Aí, escolhi o Reino Sagrado de Arento, vizinho dos dois países.

Chamam espírito de "espírito sagrado", reverenciando como deus, igual os dois países no passado, mas eles nunca tiveram envolvimento direto com grande espírito até agora, então ainda têm imagem mais tranquila.

— Nosso país tem histórico de acolher povo que fugiu daqueles dois países. Por isso, precisamos ser cautelosos no trato com Vossa Excelência o Espírito Sagrado. Mas, Touya-dono, será mesmo possível chamar o grande espírito?

— Dá pra chamar sim. Chamo agora mesmo?

— Não! Tudo bem! Agora não!

Sacudido pela carruagem de golem, o rei sagrado de Arento, sentado à minha frente, empalidece. De fato, espírito, e ainda por cima grande espírito, deve intimidar mesmo. Bom, tanto faz.

A carruagem de golem avança direto rumo à capital real do País do Fogo Daubān, capital do fogo, Bān. Olhando pela janela, deserto, deserto, deserto. Areia até onde a vista alcança. Coisa tipo oásis vista de vez em quando deve ser onde o poder do espírito é fraco.

Essa carruagem de golem que atravessa esse deserto, claro, não é carruagem com roda comum.

É tipo carruagem de golem multípede, igual à que o comerciante Sancho-san, primeiro contato que tive no mundo sombrio, andava. Com várias pernas tipo centopeia, pisa firme no deserto, andando.

Na ponta das pernas, tem algo tipo placa achatada, evitando afundar na areia. Mas, sinceramente, o balanço é forte, incômodo de andar dentro.

Tanto Daubān quanto Zādonia, já visitei de [Fly] (só passando por cima, no entanto). Podia até teletransportar direto até a capital do fogo, Bān, com todo o grupo. Mas, sendo primeira vez neste país, fazer isso poderia trazer vários problemas, então me impediram, e viajamos assim, cambaleante de carruagem, a partir do deserto onde teletransportamos no meio do caminho.

Também acho que isso é tipo formalidade estética, digo pra mim mesmo, mas… urgh. [Refresh]…

— «Tá bem, senhor?»

— «Ah, tô bem, tô bem. Já melhorou.»

Ao meu lado, balançando também, o Kohaku em forma de filhote de tigre parece completamente tranquilo. Ei, você não enjoa de veículo, não?

— Mas, Rei de Brunhild. Como falei outro dia, mesmo nosso país tendo certo relacionamento com Daubān… e Zādonia também, isso não significa de jeito nenhum que sejam países amigos. Não garanto que vão te receber bem, viu?

A carruagem de golem avançava pelo deserto em fileira de cinco, duas na frente e duas atrás, feito caravana. Afinal, mesmo formalmente, é o próprio rei indo até país que decididamente não é amigo. Precisa de certa escolta.

Não só o Kohaku ao meu lado, também trouxe a vice-comandante da ordem, Nikora-san, e mais cinco pessoas. Estão na carruagem de trás, mas fico preocupado se não estão enjoados.

— Contanto que consiga encontrar e conversar com o rei de lá, não me importa se não formos bem recebidos. Depois disso, depende da reação do outro lado. Vou tentar ao máximo não causar incômodo ao Reino Sagrado.

— Bom, você é herói que derrotou o deus maligno. Nessa parte, não me preocupo. Mas não acho que o rei de lá vai deixar isso rolar tranquilamente. Bom, mesmo que dê errado, acho que só Daubān vai ser destruído mesmo.

Que grosseiro. Pretendo me segurar, ao menos. A não ser que façam algo demais comigo.

Mas, de vez em quando, tem rei idiota mesmo, incapaz até de segurar essa coisa "demais". Tipo o rei-porco de Sandra. Espero que não seja desse nível.

Finalmente a carruagem de golem chega à capital do fogo, Bān, atravessando o grande portão, indo direto pro castelo real.

Dentro da cidade, se destacam casas construídas de tijolo de barro seco, igual a Beruju, capital real de Misumido. Mas, comparado a Beruju, o povo da cidade não tem vitalidade. De algum jeito, parecem cansados. Será que a guerra prolongada contra o país vizinho está desgastando a população?

Crianças em roupa esfarrapada, cabisbaixas, sentadas na sombra de prédio. Sinto que país sem sorriso nas crianças não é bom sinal…

O castelo real de Daubān foi construído na margem de um grande lago, dentro da área de oásis onde fica a capital do fogo. Castelo de tijolo antigo, sem torre alta nenhuma, tipo construído com blocos quadrados empilhados. Sem nenhuma pompa, dá impressão sólida, robusta.

Atravessando o portão do castelo, a carruagem de golem avança pra dentro, parando diante do jardim com fonte.

Seguindo o rei sagrado, descemos junto com o Kohaku da carruagem de golem. Que calor! Comparado à carruagem de golem com ar-condicionado, é tipo céu e inferno.

Diferente do calor úmido do Japão, mas calor é calor mesmo. Uso discretamente magia de água [Cooling]. Haa, que alívio.

Nos recebe um homem grande vestindo armadura de couro vermelho, e um senhor idoso vestindo túnica vermelha da mesma cor.

Até a entrada do castelo, soldados de Daubān com lança na mão, e golens de corpo vermelho, alinhados em fileira dos dois lados. De propósito, mostrando ostensivamente. Será tipo demonstração de força?

— Bem-vindo a Daubān. Sua Majestade o rei sagrado de Arento. E… Sua Majestade o Duque de Brunhild, certo?

— Sim. Sou Mochizuki Touya. Obrigado por receber, mesmo com tanta correria hoje.

Cumprimento o senhor idoso de túnica vermelha que falou comigo, e a pessoa parecida com general, de armadura de couro vermelho ao lado dele, arregala os olhos surpresa.

— O que houve?

— Não, é que… achei o senhor rei bem humilde… ah, não, com licença.

— Originalmente sou ex-aventureiro, então não tenho tanta pompa arrogante assim comigo mesmo. Nessa parte, peço que releve.

O general, arregalando os olhos de novo, logo relaxa a expressão. Oh, boa impressão, hein.

Idade beirando os quarenta, talvez? Cabelo preto curto, olhos cor avelã, e cicatriz no queixo. Tem atmosfera de guerreiro veterano. Essa pessoa, não deve ser nobre, será? Deve ter subido de posição vindo do povo.

— De novo, bem-vindo a Daubān. Sou Guren, comandante de dez mil, responsável pela Primeira Divisão de Daubān.

— Prazer, general Guren.

Sem sobrenome. Faz sentido ser plebeu mesmo. O senhor idoso ao lado do general Guren também abaixa a cabeça.

— Sou o primeiro-ministro de Daubān, Rosso Poinikusu. Muito prazer.

O senhor idoso que se apresentou como Rosso ajeita os óculos redondos que quase caíam. Esse aí, parece nobre mesmo. Faz sentido, sendo primeiro-ministro.

Esse senhor idoso não deixa transparecer sentimento. Nunca sorri, parece só cumprir o trabalho de forma monótona.

— Então, por aqui. Sua Majestade o rei está esperando.

Guiados pelo primeiro-ministro Rosso e pelo general Guren, eu, o rei sagrado, e o Kohaku, seguimos.

A Nikora-san e nossos cavaleiros, os cavaleiros sagrados do Reino Sagrado de Arento, e ainda cavaleiros de golem prateado de dois metros que os acompanham, seguem atrás de nós.

Dentro do castelo, igual à aparência externa, não tem pompa, mas construção robusta e sólida. Sem elegância, mas transmite atmosfera calma. Mas, no geral, digamos… precisamente falando, tá bem gasto pelo uso. Dá pra sentir claramente sensação de "usamos reformando aos poucos". Também dá pra dizer que tem tempo de uso acumulado.

Já sentia levemente, mas esse país é pobre? Não, pensando um pouco, faz sentido mesmo. Guerra em pequena escala contínua o ano inteiro, país quase todo deserto, sem relação com país vizinho…

Independente de como for a negociação, pretendo ordenar ao espírito de fogo pra dar um jeito nessa temperatura escaldante, pelo menos.

Diante da porta grande do quarto no fundo, dois golens vermelhos abrem a porta grande. O general Guren parece ficar até aqui, aguardando fora do quarto.

Dentro do quarto amplo, tem grande mesa retangular alongada, decorada com candelabro de prata e flores. Nos dois lados afastados, tem pessoas usando armadura de couro vermelho parecida com a do Guren no corredor, e pessoas parecidas com nobre, alinhadas ao lado das cadeiras. Provavelmente, devem ser os figurões deste país.

No fundo, do lado da janela, tem uma cadeira imponente, e um homem sentado ali.

Idade entre quarenta e cinquenta. Bigode e barba encaracolados na ponta, e, na cabeça, algo tipo pano usado por homens árabes, preso por anel tipo faixa. Aquilo se chama keffiyeh, se não me engano.

Roupa brilhante, folgada, tipo túnica bordada em vermelho e dourado, e, na barriga levemente inchada, tipo faixa de tecido enrolada. Na cintura, adaga dourada.

Sem dúvida, esse homem deve ser o rei de Daubān, Jaharade Bīa Daubān.

E, ao lado dele, sentado, um homem jovem vestindo roupa parecida. Uns vinte anos? Também vestindo keffiyeh, pele morena, olhos pretos. Na cintura, adaga dourada igual à do rei. Deve ser príncipe de Daubān.

— Bem-vindo a Daubān. Rei sagrado de Arento, e Duque de Brunhild. Não temos nada de especial, mas ofereço a hospitalidade mínima.

Ainda sentado na cadeira, o rei de Daubān nos convida a também sentar. Sorria, mas dava pra ver que me observava tipo avaliando. Bom, esse jovem inexperiente virar rei, não deve confiar mesmo. Olhar claramente desconfiado.

Do outro lado da mesa longa, diante do rei de Daubān, eu e o rei sagrado sentamos lado a lado. Que longe, hein…

— Os reis dos dois países virem visitar assim, de propósito. E então? Tem algum assunto importante?

Sem preâmbulo, o rei de Daubān entra direto no assunto. Tipo dizendo, "que motivo teria o rei de país pequeno distante pra vir até aqui".

De qualquer forma, conto a história do "Diário de Jornada de Shurafu", relatando o evento que causou a briga entre este país e o país vizinho, Zādonia.

Enquanto falava, gradualmente, o rosto das pessoas sentadas na cadeira de figurão do outro lado fica sério, e, finalmente, incapaz de aguentar, um general de bigode kaiser bate o punho na mesa.

— Bobagem! Pretende insultar nosso país, Duque de Brunhild!? Quem transformou esta terra em terra amaldiçoada foi Zādonia, tolamente roubando a oferenda que devia ser oferecida a deus!

— Não, por isso, isso é mal-entendido. Pra começo de conversa, o rei da época deste país entendeu errado que deus pedia sacrifício, e…

— Como ousa insultar até o ancestral do meu senhor! Que absurdo, Duque de província rural insignificante…! Não pense que vai sair vivo daqui!

O general de bigode kaiser coloca a mão na espada curva da cintura. Diante do gesto ameaçador, a Nikora-san e os nossos cavaleiros também esticam a mão em direção à espada.

Eu impeço a Nikora-san e o pessoal com a mão, direcionando o olhar de novo ao general já com raiva no ponto máximo.

Tá me encarando, mas eu também tô irritado, viu. Desculpa por ser "província rural insignificante", né.

— Repito de novo, mas. Foi o rei daquela época que confundiu a palavra do espírito, colocando a culpa no país rival, enganando o próprio povo. Não tô culpando vocês nem nada. Zādonia fez a mesma coisa também. Mas, agora que a verdade veio à tona, digo que já não existe mais motivo pra esses dois países brigarem.

— Tá dizendo pra dar as mãos com Zādonia!?

— Não zoa! Por que precisaria dar as mãos com aqueles aí!

— Tá dizendo pra perdoar o país de ladrão!

No meio dos figurões gritando um atrás do outro, devagar, o rei de Daubān se levanta.

— Duque de Brunhild. Foi história bem interessante, mas você se empolgou demais um pouco. Nosso país tem um provérbio assim. "Soldado novato que gosta de fofoca não vive muito tempo." Ou seja, quem fareja e mete o nariz em coisa desnecessária tende a morrer fácil. Em vários sentidos.

Entendo. No Japão, isso se chama "faisão que não canta não é caçado".

— Zādonia é inimigo eterno. Impossível dar as mãos. Só quando nosso país destruir Zādonia, que roubou a oferenda a deus, é que a maldição lançada nesta terra vai se desfazer!

— Isso é quando? Dez anos depois? Cem anos depois? Só vão continuar se desgastando com essas escaramuças por centenas de anos. O futuro disso é só destruição dos dois países.

— Deixando falar demais!

Antes do rei de Daubān, o general de bigode kaiser perde a paciência primeiro, saca a espada, correndo em nossa direção.

— Para! General Jahagiru!

Ignorando a contenção do príncipe, que se levanta apressado, o tal general Jahagiru abate a espada em nossa direção.

— Kohaku

— «Como desejar»

O Kohaku, aos meus pés, num instante volta à forma de tigre grande, rugindo em direção ao general que avança.

— Guhee!?

Com a onda de choque disparada da boca do Kohaku, o general de bigode kaiser é lançado longe pra trás.

Vendo o Kohaku de repente ficar grande, os figurões de Daubān se levantam da cadeira, tremendo, "gatagata".

Ouvindo o som alto, achando que algo aconteceu, o Guren e o pessoal, esperando no corredor, invadem correndo.

— Deixo claro, mas foi vocês que sacaram a espada primeiro, viu. Não pretendo pedir desculpa.

— Foi vocês que insultaram primeiro!

— Pai! Por favor, pare!

Batendo na mesa, o rei de Daubān grita. Mesmo assim, abater a espada, como isso é possível. Ficar zangado momentaneamente e não conseguir se conter às vezes não termina bem. O príncipe ao lado parece entender bem melhor a situação.

— Não tenho intenção de insultar, não. Só falei a verdade. Mesmo supondo que a história do sacrifício de antigamente que contei fosse mentira, esse país continuar brigando com Zādonia pra sempre tem futuro? Falando assim, mas, se o Reino Sagrado de Arento decidisse, um país desses seria facilmente destruído, sabia?

— Ei, ei. Não me arrasta nisso, Duque de Brunhild.

Encolhendo os ombros, o rei sagrado, sentado ao lado, ri amargamente.

É fácil pra Arento destruir Daubān. Basta ir até Zādonia, e propor "vamos destruir Daubān juntos!". E, claro, o contrário também é possível.

Por isso, nem Daubān nem Zādonia podem menosprezar Arento.

Mesmo assim, abater espada contra o rei que é país amigo de Arento. Isso não pode ser interpretado nada mais que desejo de autodestruição.

— Ugh…

Finalmente percebendo o tamanho do que acabou de fazer, dá pra ver ansiedade no rosto do rei de Daubān.

Como já tinha ouvido da Shiruetto-san, do "Gato Preto", esse rei é mais impulsivo do que parece, não pensa nas consequências. Como dizem que trocava xingamentos com o rei de Zādonia, já suspeitava que fosse assim mesmo. Isso significa que o outro lado também deve ser assim, hein.

Chegando a esse ponto, a próxima ação geralmente fica limitada. Se fosse eu, puniria o general que abateu a espada, e me curvaria diante do outro lado pedindo perdão de qualquer jeito. Mas o cúmulo da idiotice é,

— Capturem esses aí!

O rei de Daubān faz exatamente a ação que eu tinha imaginado. Esse "esses aí" inclui até o rei de Arento também, será?

— [Prison]

— Guge!?

— Buha!?

Defletidos pela magia de barreira que ativei, os soldados de Daubān que saltaram pra cima de nós caem no local.

Os cavaleiros sagrados de Arento ficam surpresos com a barreira semitransparente envolvendo o corpo, mas os nossos cavaleiros e a vice-comandante Nikora-san já estavam completamente tranquilos. Uhum, medo de se acostumar mesmo.

— Bom, por ora, pense de novo com calma no que falei. Vamos rumo a Zādonia agora.

— Espera! Vocês pretendem invadir junto Zādonia e Arento!?

— Que idiotice… vamos só contar a mesma história pro outro lado também. Ao invés de gastar força com escaramuça idiota, que tal virar o olhar pras pessoas vivendo no próprio país?

— Grr…! Maldito garotinho…!

Rosto completamente vermelho, o rei de Daubān range os dentes, os dedos da mão tremendo, "wanawana". Pessoa habilidosa, hein.

Vendo isso, o rei sagrado, dando um suspiro, abre a boca.

— Rei de Daubān. Recomendo que você pense bem também. Essa proposta de jeito nenhum vai causar dano a este país. Se, no futuro, você vai ser chamado de rei sábio ou rei tolo… acho que você está justamente nessa encruzilhada.

Levantamos, deixando aquele quarto assim mesmo. O [Prison] só bloqueia humano e golem com hostilidade. Passa até pela porta sem problema.

Ao sair do quarto, o general Guren abaixa a cabeça pra mim. Até neste país tem gente decente. Chega a hora de por fim nessa luta inútil.

Quando voltamos até onde a carruagem de golem estava parada, ouço som de passo de alguém correndo por trás.

— Espera, por favor!

Achando que fosse perseguição, era o príncipe de pele morena que estava ao lado do rei. Atrás dele, também dá pra ver a figura do general Guren.

— O que foi?

— Por favor, perdoe a grosseria de meu pai. Sendo assim, tenho um pedido. Se vocês forem a Zādonia, por favor, me deixem acompanhar também!

— Eh?

Diante do pedido repentino, olho pro rei sagrado ao lado, sem entender o motivo. Sob a perspectiva de Daubān, Zādonia é claramente país inimigo. O que ele iria fazer indo até um lugar desses?

— Príncipe Akīmu. Vamos até Zādonia contar exatamente a mesma história de agora há pouco. Talvez o outro lado reaja da mesma forma que aqui. E, mesmo assim, você, sendo príncipe de Daubān, quer acompanhar?

— Estou ciente disso, Vossa Majestade o rei sagrado. Mas quero parar essa briga. Pra isso, preciso conhecer bem o oponente. Com certeza deve existir, em Zādonia também, alguém que deseja parar essa briga igual eu. Quero criar conexão com essa pessoa.

Hee. Comparado com aquele rei, esse aí é bem decente, hein. Direciono o olhar pro Guren atrás dele, e ele também assente levemente. Parece que é sério mesmo.

— Se te levar, será que não vão dizer que sequestrei o príncipe?

— Só agora que tá preocupado com isso? Isso é praticamente ter recebido declaração de guerra do rei deste país agora mesmo.

O rei sagrado deixa escapar voz de espanto. Faz sentido mesmo. De qualquer forma, não pretendo manter relação amistosa com este país. Por ora. Ao contrário, já foi comprada briga.

— Então, tudo bem. General Guren, também vem como escolta do príncipe?

— Se for eu mesmo, com prazer.

Certo. Então, antes que apareça algum obstáculo estranho, vamos teletransportar junto com a carruagem de golem também. Estalando os dedos, abro [Gate] aos pés de todos os envolvidos.

Depois de leve sensação de flutuação, o que aparece é planície de neve até onde a vista alcança, igual ao deserto que vi algumas horas atrás. Aquele brilho branco infinito enche o campo de visão… espera, que frio!

Diante do frio absurdo, apresso e ativo magia de aquecimento [Warming] em todos.

De escaldante pra frio extremo, de repente. Por ora, deve já ter chegado aviso pra Zādonia com alguns dias de antecedência, então vamos logo montar na carruagem de golem, cambaleando rumo à capital do gelo, Zādo.


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