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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 429

O País do Gelo Zādonia, e os Dois Príncipes

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Capítulo 429 – O País do Gelo Zādonia, e os Dois Príncipes

— Guhee!?

Com a onda de choque disparada da boca do Kohaku, o general careca é lançado longe pra trás.

Recebendo reação exatamente igual até aqui, chego a pensar que, sem querer, esses dois países talvez conseguissem se dar bem.

— Homem alçado do nada! Ousa se opor a nós, Zādonia!

O rei de Zādonia, magro, grita alto. Cabelo branco, bigode fino, capa grossa bordada em azul e prata, e, na cintura, floreta fina.

Ao lado dele, com cara amarga, também está o príncipe de Zādonia. Cabelo prateado, olhos rasgados, homem jovem de pele pálida, vestindo capa azul e prata igual ao pai — príncipe de verdade, mas de tipo diferente do príncipe de calção estufado do Reino de Panachès.

Quem nos guiou até esta sala de reunião foi justamente esse príncipe Furosuto.

Diante do príncipe Akīmu, apresentado como príncipe de Daubān, ele apertou a mão sem demonstrar nenhum desprazer. Rapaz decente. O general Guren ao lado dele ficou surpreso, no entanto.

Perguntei o motivo no caminho até a sala de reunião, e ele também, igual ao príncipe Akīmu, parece pensar em como resolver a situação do próprio país se desgastando.

Parece que, mesmo propondo ao pai rei que era hora de por fim na briga com Daubān, nunca era ouvido, sempre virando briga gritada.

Faz sentido pai e filho assim terem cara amarga mesmo. Vieram como mediador de outro país tentando fazer as pazes, e o próprio general do país deles avança pra cima de nós, e o pai rei ainda xinga o filho. Óbvio que a cara fica torta mesmo.

— Pai! Devemos fazer as pazes com Daubān! Não é só a nobreza antiga que deseja a guerra! Por orgulho fútil, o povo passa fome, se machuca, congela! Mesmo que ganhemos de Daubān, nesse ritmo, Zādonia vai à ruína algum dia!

— Bobagem! Você não tem orgulho de ser príncipe de Zādonia! Não sente vergonha diante dos ancestrais!

— Se a história do Duque de Brunhild for verdadeira, é justamente por causa desses ancestrais que o povo é forçado a viver assim tão sofrido! Não é o senhor que devia sentir vergonha do povo!?

— Seu…! Enganado por invenção absurda dessas!

Uou. Que briga de pai e filho intensa. Aliás, não foi invenção, viu?

Igual em Daubān, parece que o rei de Zādonia também tem paciência curta, segurando o colarinho do filho com a mão esquerda, erguendo o punho direito. O príncipe, também não fecha os olhos, tipo "bate se quiser".

Talvez terceiro não devesse se intrometer, mas também não dá pra ficar quieto assistindo.

— [Teletransporte]

— Nugaa!?

Com o filho à frente desaparecendo, o rei de Zādonia, dando soco no vazio com toda força, cambaleia.

O príncipe Furosuto, aparecendo do meu lado, ficava sem entender nada, cara de "hã".

[Teletransporte] é magia que basicamente só afeta a mim mesmo, mas, se for objeto sem movimento agitado, dentro do alcance visual, consigo mover de algum jeito. Bom, é limitado a curta distância, e só dá pra mover um objeto por vez.

Provavelmente é porque despertei pra divindade. Não tenho outra explicação pra isso.

— Negociação com Zādonia também rompida, hein. Bom, já achava que ia dar nisso.

— Não, ainda não deu pra dizer que…

Tento retrucar ao rei sagrado ao lado, que suspira, mas, pensando bem, deve ser mesmo impossível, e minha voz fica baixa.

— Acho que é impossível mesmo. Aqueles dois reis, não é história de ancestrais, tem antipatia pessoal um pelo outro. Vem desde jovens, colidindo.

Queria que o "detestar o rei do outro lado" e "detestar o próprio país do outro lado" fossem pensados de forma separada, mas.

Devem se detestar profundamente mesmo. Ou querem vencer o outro a qualquer custo. Parece que a escaramuça aumentou bastante justamente na geração desses dois. Um pouco… não, bem problemático mesmo, hein. Isso se chama relação de cão e gato mesmo.

— Tipo o Kohaku e o Ruri, hein.

— «Prefiro não ser comparado com aquilo, obrigado.»

Diante da minha murmura pequena, chega protesto por telepatia do Kohaku. Desculpa por isso.

De fato, com o rei de Zādonia diante de nós parecendo em crise histérica, não dá pra conversar. Então, melhor mudar pra geração seguinte mesmo.

— Príncipe Akīmu, príncipe Furosuto. Que tal conversarem bem entre vocês sobre o futuro de Daubān e Zādonia? Ofereço o local.

Diante da minha fala, os dois príncipes se entreolham, assentindo levemente.

— «« Com prazer »»

Certo, decidido isso, não tem motivo pra ficar mais tempo aqui. O general e golens de Zādonia batendo espada continuamente no [Prison] que expandi, também tá incômodo. Barulhento.

— Espera! O que pretende fazer com o Furosuto! Vender pra Daubān!

— Pai. O senhor não consegue negociar. Eu vou abrir o novo caminho de Zādonia.

— Não permito atitude arbitrária! Você só precisa escutar calado o que eu digo!

— Para de me tratar como criança pra sempre!

De novo pai e filho se gritam. Umm, questionar se pai deve ficar mandando em filho já adulto, mas talvez, pra pai, filho seja sempre criança mesmo.

— Não adianta conversar. Duque, Rei Sagrado, vamos!

Ignorando a gente, o príncipe Furosuto avança em direção à porta da sala de reunião. Ei, ei, esse aí também tem paciência curta, hein. Faz sentido, é filho mesmo, parecido.

— Kōrudi, você também acompanha.

— Sim

O príncipe Furosuto fala com o homem de armadura azul-prata parado diante da porta.

Sem mover nem uma sobrancelha, curvando-se, é o Kōrudi-san, cavaleiro escolta do príncipe Furosuto. Ele também nos guiou até aqui há pouco.

Senhor de aparência quieta, uns quarenta anos… não, tipo "senhor" mesmo, mas, segundo o general Guren, que acompanha o príncipe Akīmu, parece ser espadachim tão hábil a ponto de ser chamado de "Espada de Gelo de Zādonia".

Sinto que esse aí é mais fiel ao príncipe do que ao rei, hein.

Levando o cavaleiro Kōrudi, o príncipe Furosuto sai da sala.

Nós também seguimos o príncipe Furosuto, saindo da sala de reunião. Como seria incômodo se nos perseguissem, assim que saímos da sala, liberamos nosso [Prison] e, ao contrário, cercamos a sala inteira com [Prison].

Essa magia ser útil tanto pra barreira de defesa quanto pra prisão é conveniente mesmo.

Bloqueados pela barreira azul-esbranquiçada, os golens de Zādonia são lançados de volta, sem conseguir sair da sala. Em dez minutos se desativa, então fica quieto até lá.

Olhando pra trás, o príncipe Akīmu chama a atenção do príncipe Furosuto.

— Tudo bem isso?

— Tudo bem. Meu pai movimenta o país por sentimento extremamente pessoal, "odeio o rei de Daubān". Isso não pode. Ninguém consegue ser feliz.

Diante da fala do príncipe Furosuto, andando lado a lado, o príncipe Akīmu ri baixinho.

— Tem algo engraçado?

Diante do príncipe Furosuto encarando levemente irritado, o príncipe Akīmu balança a mão apressado.

— Não, desculpa. Achei que era igual conosco. Meu pai também é homem cujo motor é "odeio o rei de Zādonia".

— É mesmo… os dois sofremos, hein.

Falando isso, os dois riem juntos. Pais são cão e gato, mas os filhos parecem que vão se dar bem.

Mesmo assim, não dá pra deixar a situação atual assim até eles assumirem o trono.

Voltando até onde a carruagem de golem estava parada, o rei sagrado puxa conversa.

— Falou que ofereceria o local agora há pouco, vai levar pra Brunhild?

— Isso mesmo. Acho que é o mais fácil. Nem Daubān nem Zādonia conseguem fazer nada lá, então é seguro. Se abrir a sala de recreação e eles se derem bem…

— Desculpa, Duque de Brunhild. Se for isso, tenho um pedido…

Cochichado no ouvido pelo rei sagrado de Arento, fico levemente espantado com a esperteza desse velho. Não, talvez precise ser assim mesmo pra ser rei.

— Esse biscoito tá gostoso! Irmã Aria, experimenta!

— Isso não é jeito de falar, Reti. …Ara, é gostoso mesmo.

Comendo os biscoitos feitos pela Rū, com o rosto se abrindo em sorriso, são as irmãs Ariati Tisu Arento e Retishia Tisu Arento. Netas do rei sagrado Garaudo Zesu Arento.

A irmã mais velha, Aria, ou seja, Ariati, tem dezoito, e a irmã caçula, Reti, ou seja, Retishia, tem dezessete. O pai delas é filho de Sua Majestade o rei sagrado, correspondendo ao atual príncipe herdeiro.

A irmã mais velha, Aria, tem cabelo loiro cacheado solto, temperamento tranquilo, vestindo vestido verde claro.

Olhando pro colar de pérolas brilhante no pescoço dela, quase desvio o olhar pra baixo dele, coisa bem imponente, mas, na frente da Eruze e do pessoal, preciso me conter… é grande demais mesmo, hein…

Ao contrário, a irmã caçula, mais modesta, Reti, é tipo irmã caçula ativa, cabelo loiro curto. Veste vestido rosa claro, mas saia mais curta que a irmã, mais fácil de se mover. Comparada com a irmã, menos tranquila. Mostra interesse em várias coisas, parece cheia de curiosidade.

O pedido do rei sagrado era convidar, além do príncipe Akīmu e do príncipe Furosuto, também essas duas netas pra Brunhild.

Antes, na conferência dos dois mundos, quando o rei sagrado contou sobre comida e instalação de lazer nunca vista aqui, parece que as duas ficaram bem interessadas.

Parece que sempre pediram pra serem trazidas se tivesse oportunidade.

Claro, o rei sagrado também não pediu isso só por amor às netas.

Felizmente, digamos assim, tanto o príncipe Akīmu quanto o príncipe Furosuto não têm noiva. Não, "tiveram noiva decidida à força", mas se opuseram, brigaram feio e romperam o noivado, dizem. Os dois príncipes. Quanto gostam de briga de pai e filho, afinal.

— Princesa Ariati, esse "kuriimu sōda" também é gostoso, viu.

— Nossa! Que gelado e doce!

— Princesa Retishia, o que é isso?

— É, "chokoreito", dizem. Um pouco amargo, mas isso também é gostoso!

Os quatro sentam na mesa redonda, saboreando doce e bebida colocados no centro. Já ficaram bem íntimos, hein.

Observando isso de canto de olho, na mesa separada, tomamos chá. Na frente, o rei sagrado, satisfeito.

— De algum jeitooo, sinto que fui manipulado pra atender a conveniência do rei sagrado, hein.

— Não é ruim, né? Se der certo, talvez a relação entre Daubān, Zādonia, Arento fique bem resolvida, hein?

Que velho comilão. De fato, não é jogada ruim, mas esse tipo de coisa depende do sentimento mútuo mesmo, né.

— O príncipe Akīmu parece gostar da princesa Retishia.

— O príncipe Furosuto também parece ter afeição pela princesa Ariati. Faz tempo que não vejo um príncipe tão alegre.

Nos dois lados do rei sagrado, o general Guren e o cavaleiro Kōrudi bebem chá observando a mesa do outro lado.

Príncipe Furosuto e princesa Ariati, príncipe Akīmu e princesa Retishia, hein. Ainda bem que não deu conflito. Se virasse rivalidade amorosa, e ficassem em atrito igual os pais, seria dose demais.

— Fufun. Que interessante, hein. Não é amor à primeira vista, mas afeto leve começando a brotar. "Sem perceber, quando dá conta…" é esse padrão mesmo.

De repente, ouvindo essa voz, seguro a cabeça sem querer. Diretamente de relance, encontro os olhos da irmã Karen com sorriso maroto.

Óbvio que falar desse tipo de assunto invoca a irmã Karen. Gato com erva-de-gato, mariposa com lâmpada armadilha, irmã Karen com assunto de amor.

— Não me compara com gato e mariposa, francamente!

— Aitá!

O tapa da irmã Karen cai na minha cabeça. Não lê mente, francamente!

Deixando eu segurando a cabeça, a irmã Karen se aproxima cantarolando até a mesa dos quatro. Ah, isso, virou alvo travado. Já que a irmã Karen se meteu, não vai terminar numa relação morna qualquer. Ou realiza o amor, ou fracassa. Uma das duas.

Bom, sendo aquela irmã, deve resolver bem mesmo. Mais que isso.

— Sobre os príncipes, tudo bem, mas o que fazemos com os pais, hein.

— O mais fácil seria fazer aqueles dois príncipes assumirem o trono agora mesmo, mas…

O rei sagrado tece as palavras, mas acho difícil mesmo. Não deve ser fácil assim ceder o trono aqueles dois reis. Se fizer errado, podem até até deserdar os próprios filhos antes disso, ou pior, morrer no cargo sem ceder.

— Tanto em Daubān quanto em Zādonia, só tem esse único príncipe cada, então isso não deve… acho, mas é comum colocar outra pessoa da linhagem real quando julgam o herdeiro "não qualificado".

Cruzando os braços, o rei sagrado resmunga. Quero acreditar que os dois não são idiotas a esse ponto.

— Antes disso, será que dá pra colocar os poderes reais na mão dos príncipes… opa, desculpa. Esse tipo de assunto pode ser problemático na frente do Guren-san e do Kōrudi-san.

— Não. Eu também acredito que o príncipe vai mudar Daubān. Na verdade, quem tá empolgado gritando "precisamos disputar hegemonia com Zādonia" é só Sua Majestade o rei e parte da nobreza antiga. Nobreza baixa e povo já tão fartos. Antigamente, tinha ódio e rancor por pai ou filho morto por Zādonia, lutando por isso, mas agora esse ódio já se volta pro próprio país, que força essa luta. Sem parar, gente fugindo pro Reino Sagrado também…

O Guren-san fala com sorriso amargo, direcionando o olhar pra xícara na mão.

Vendo isso, o Kōrudi-san também abre a boca.

— Nossa Zādonia também é igual. Pra começo de conversa, mesmo vencendo, não teríamos como viver na terra de Daubān. Então, pelo que estamos lutando, afinal. Um passo além da fronteira, tem terra com clima mais confortável, pacífico, que o próprio país. Não tem jeito o povo cansado se dirigir a Arento mesmo.

— Nosso país também não aceita de bom grado, viu. Muitos vêm de vocês, sem dinheiro pra comer, virando bandido de montanha e afins no nosso país. Sinceramente, é incômodo. Especialmente desde a geração do rei atual, piorou muito.

Do ponto de vista de Arento, deve pensar "melhor esses dois países sumirem" mesmo. Mas, se sumirem, os refugiados sem amarras devem invadir Arento numa avalanche de uma vez só. Situação difícil mesmo, hein.

— Ou seja, do ponto de vista do povo dos dois países, mesmo se o rei atual abdicasse, não teria problema… ou melhor, na verdade, torcem por abdicação rápida?

— Sendo plebeu, sinceramente, prefiro o príncipe Akīmu mesmo.

— Pensando no país, seria melhor que o príncipe Furosuto assumisse imediatamente.

O Guren-san foi vago, e o Kōrudi-san falou claro e direto.

Será que dá pra fazer até golpe de estado? Não, isso é exagero demais. Troca de poder por força militar gera vários tipos de distorção.

Certo, como resolver isso, hein… Suspiro observando os quatro homem-mulher conversando animadamente, tema puxado pela irmã Karen. Será que os reis de Daubān e Zādonia também não conseguem se dar bem desse jeito.

— No fim, só resta "sequestrar e efeito ponte suspensa", hein…?

— Não sei bem o que isso significa, mas sinto ressonância perigosa nisso…

Diante da minha murmura, o rei sagrado recua um pouco, mas vou ignorar.

Peço à Doutora pra preparar… se não me engano, tinha algo usável no "Armazém"… uhum, dá pra usar.

— Cara de maldade de novo, hein…

— Sempre foi assim mesmo.

— Operação normal, né.

Ouço a voz da Yae, da Eruze e da Hiruda vindo da mesa ao lado. Não, fui insultado à beça, chamado de "país pequeno rural" e afins, sabe. Um pouco de vingança tudo bem, né? Né?


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