Capítulo 432 – Os Dois Novos Reis, e o Sequestro para o Reino Divino
— Bugii!
— «« Uoooooooo! »»
Perseguidos por um javali grande de três chifres, os dois homens barbudos, pernas conectadas por corrente, correm pela floresta com toda a força. Como preparei antes um caminho fácil de correr, conseguem chegar até "aquele lugar" antes de serem alcançados. Exatamente conforme planejado.
— Não erra o timing!
— Já sei! Um, dois, três!
Junto com a voz do rei de Zādonia, os dois saltam alto ao mesmo tempo, passando por cima "daquilo". No instante em que o javali que os perseguia pisa "ali", despenca de cabeça pra baixo direto no chão.
— «Guglio!»
— «« Conseguimos! »»
Virando pra trás, os dois soltam grito de vitória vendo o javali caído no buraco de armadilha. Aproximando-se correndo, no fundo do buraco de dois metros, dá pra ver a figura do javali perfurado pelas estacas de madeira afiadas instaladas ali.
Amarrando corda feita de cipó na perna do javali, os dois puxam juntos pra cima. Peso considerável, trabalhoso, mas, pensando na refeição farta que os espera como recompensa, os dois trabalham em silêncio sem reclamar.
Duas semanas desde que foram trazidos pra esta ilha. Já se acostumaram bastante a caçar presa. Graças a ter descoberto lugar com muita pedra afiada caída, conseguiram combinar galho resistente pra fazer lança, ou ponta de flecha pra fazer arco.
Com esforço, atritando madeira, acenderam fogo, e até construíram fogão pra assar ingrediente.
Os dois reis pensavam simplesmente "cooperando, de algum jeito dá certo", sem saber da existência do herói oculto, certo duque, que, nos bastidores, preparava fragmento de obsidiana, ou usava magia discretamente em timing conveniente pra acender fogo. Que despreocupado.
Sendo perseguidos por tartaruga gigante e cobra enormes, ou atacados por dragão azul, sentiram, do próprio ponto de vista, tê-los feito sentir que morreram várias vezes, mas talvez tenham se acostumado aos poucos com isso também.
Os dois voltam arrastando o javali até a base na praia, cortam meio aleatoriamente com faca de obsidiana, assando com osso mesmo no fogo do fogão.
Os dois não têm como saber, mas esse javali se chama Toraiboa, fera demoníaca de carne macia, saborosa até crua, espécie rara que só habita a região sul do Reino de Cavaleiros de Lestia.
Claro, tem alguém que a trouxe usando magia de teletransporte.
— O que fazemos de tarde?
— Vamos pegar peixe. Com lança de pedra, deve dar certo.
— Aliás, você tinha dito que era bom nisso, né.
— Deixa comigo. Vou fazer você comer um peixão.
Mastigando carne colada no osso, os dois riem juntos. Cena que, há apenas duas semanas, seria impensável.
Os dois, barbudos, roupa esfarrapada, não parecem em nada com reis de país nenhum. De qualquer ângulo, parecem náufragos de navio naufragado. Mas, comparados a antes, perderam a aspereza, sorrindo naturalmente agora.
Será porque, sob o ambiente severo desta ilha (na verdade, não tão severo assim, já que o Touya dá suporte discreto), sentiram de verdade a maravilha de estar vivo?
Quando os dois pegam a lança e direcionam o pé pro mar de águas rasas e claras, avistam na praia algo conhecido. Garoto relaxando em espreguiçadeira sob guarda-sol, bebendo bebida tropical.
Nunca esqueceriam, o responsável em pessoa que os sequestrou pra esta ilha.
Instantaneamente com raiva ressurgindo, os dois, com sincronia perfeita de dupla, correm com toda força pela praia em direção ao garoto rei.
— «« Nuoooooooo! Seu desgraaa… »»
Junto com som de "bakyo!", os dois de novo caem no mesmo tipo de buraco de armadilha, despencando embaixo da areia. Igual ao javali de antes.
— «Cair no mesmo truque de novo… será que não tem capacidade de aprender…?»
— Bom, não fala assim, Kohaku. Mesmo assim, mudaram bastante, viu.
— «Será mesmo…?»
Tirando os óculos escuros, de chinelo de dedo e camisa havaiana, o Touya caminha devagar até os dois se debatendo no fundo do buraco.
— Oi, quanto tempo.
— Seu desgraçado! Como ousa fazer isso conosco!
— Desce aqui! Vou te dar um soco!
Ainda na posição estranha da queda, os dois cospem xingamento diante do jovem duque que aparece. Diante desse tipo de fala saindo com naturalidade nessa situação, o Touya, mais que atônito, chega a se impressionar.
— Calma, calma. Vim hoje pra mostrar algo interessante pros dois.
— Algo interessante, diz?
De repente, projeção de algum lugar aparece acima do buraco de armadilha. Campo de batalha. Dois exércitos misturados em luta. Um lado, armadura de couro vermelha. Outro, armadura de escama azul. Exército do Reino de Daubān e exército do Reino de Zādonia.
— Isso é…!
— O que tá acontecendo! Por que a guerra começou!
O próprio país lutando contra o país vizinho. Os dois, que nunca tinham visto isso de forma objetiva até agora, perdem as palavras diante da cena brutal.
Soldados perfurados por lança. Família que perdeu os pais, chorando diante do túmulo. Crianças sofrendo de fome. Mulheres caídas de doença, só esperando a morte.
Entre as cenas de batalha, esse tipo de imagem se intercala, e os dois reis perdem as palavras.
Estando no campo de batalha, mas só dando ordem, sem realmente olhar nada — essa realidade estava agora bem diante deles.
A cena muda, e imagem de dois jovens cruzando espadas passa. Vestem armadura, mas, num relance, os dois reconhecem quem são.
— Akīmu!
— Furosuto!
Os próprios filhos, segurando espada, se matando. Parece que os dois têm força equivalente, buscando o golpe decisivo.
— Por que meu filho está no campo de batalha!
— Parece que os dois acham que o pai foi sequestrado pelo país rival. Ai ai, que amados vocês são, hein.
— Seu…! Demônio!
— Tenha vergonha!
Os dois reis direcionam a ponta da raiva ao garoto rei sorrindo.
— Aqueles dois se odeiam mutuamente, lutando. É o mesmo motivo que o de vocês, né?
— Diferente! Aqueles dois só estão mal-entendidos! Quem tem culpa de verdade é justamente você!
— Que absurdo agora. Quem ficava dizendo "destrua o outro" até agora mesmo? Que bom. Talvez isso resolva de vez. Ó?
Os dois príncipes se encaram, empunhando a espada.
Correndo um em direção ao outro, cruzando de passagem, disparam um golpe de espada.
Sem chocar as espadas, cortam mutuamente a barriga um do outro, sangue jorrando em abundância.
Caindo de joelhos, os dois desabam no local. O sangue se espalha no chão, tingindo tudo ao redor de vermelho vivo.
— Impossível… Akīmu…!
— Furosuto…! Por que isso aconteceu!
— Empate mútuo, hein. Parece que não deu pra decidir.
Diante da voz debochada do Touya, os dois reis direcionam olhos ardendo de ódio a ele.
— Você! A culpa é toda sua! Devolve meu filho!
— Vou te matar! Por que meu filho precisava morrer!
— Eh? Foi graças a eu levar vocês dois que não morreram, viu. Deviam até agradecer.
— O que você…!
Diante dos dois tentando retrucar, o garoto rei libera intenção assassina esmagadora. Presença mais assustadora que qualquer sensação de morte que sentiram nesta ilha até agora. Boca seca, corpo travado feito sapo diante de cobra.
— Para de falar do jeito que quer. Foi vocês que começaram essa guerra. Nunca pensaram que algum dia poderia acontecer isso com vocês também? Achando que, por ser rei, nunca morreriam? Quantas vezes vocês quase morreram nesta ilha? É fácil, sabe, morrer.
Na tela, aparece o povo de Daubān e Zādonia sofrendo de fome. Em seguida, ao contrário, aparecem os dois reis comendo banquete luxuoso, deixando sobra.
Soldados exaustos voltando arrastando os pés pra casa, e os dois reis xingando o país rival, cheios de raiva insatisfeita, são projetados feito slide de comparação.
Pelo contraste, até os dois reis conseguem entender quão idiota foi o que repetiram vezes sem conta.
— Foi tudo culpa nossa…?
— Por que… não antes… Furosuto…
Desabando de joelhos, os dois reis se abatem no fundo do buraco. Junto com soluço, lágrima escorre dos olhos, e palavra de arrependimento sai da boca.
Tristeza de ter perdido filho precioso por teimosia boba, e sensação de perda. Culpa pelo povo arrastado e sofrido nessa guerra egoísta.
Vários sentimentos atacam feito onda gigante, dilacerando o coração dos dois.
E a consciência dos dois se corta subitamente ali.
— Refletiram?
— «Provavelmente.»
Falando com o Kohaku ao lado, discretamente ativo [Nuvem do Sono] em direção aos dois.
Perdendo a consciência facilmente, "korori", os dois adormecem sem resistência.
— E aí, os dois pareciam estar arrependidos demais, viu.
Estalando os dedos, ao liberar [Invisível], dois jovens aparecem diante do buraco de armadilha. Akīmu, príncipe de Daubān, e Furosuto, príncipe de Zādonia.
— Fiquei sem entender por que precisava fazer aquela encenação, mas era isso, hein…
— Meu pai chorando…
Com expressão séria, os dois olham de cima pros pais dormindo no fundo do buraco.
Todas as projeções mostradas até agora eram falsas. Pedi aos dois pra atuarem, fingindo se matarem mutuamente. Com bolsa de sangue escondida na barriga, claro. As outras cenas foram criadas pegando memória das pessoas da cidade.
— Foi meio forçado, mas acho que deu pra entender bastante o outro lado, né? Se, mesmo assim, quiserem continuar a guerra, aí eu já desisto. Pode parecer frio, mas acho que os dois lados podem ir à ruína por conta própria mesmo. O resto da decisão fica com vocês.
— Nunca vamos deixar isso acontecer. Daubān jamais vai repetir esse erro tolo.
— Exatamente. Se for preciso, vamos até prender e destituir meu pai, trazendo paz a Zādonia.
Os dois direcionam olhar cheio de determinação a mim. Bom, com esses dois, não tô preocupado. Se não se derem bem, também perdem a conexão com as princesas de Arento, né.
— Certo. Então vamos ao acabamento final.
Olhando de cima pros dois reis, dormindo com lágrima, ranho e baba escorrendo, rosto triste, "gūsuka", estalo o braço.
— Mu…?
Quando o rei de Daubān desperta, estava na cama. Como sempre, envolto em edredom macio de pluma, acorda ao canto de passarinho.
Como sempre…? Espera? Não devia estar acordando na cama de areia da praia, coberto de capa, ouvindo som de maré?
O pensamento gradualmente clareando, o rei de Daubān chuta o edredom, saltando de vez.
— A, aqui é… meu quarto… né?
Vira pergunta. Sem dúvida, é o próprio quarto do castelo real de Daubān. Mas, sem entender por que voltou, o rei de Daubān olha ao redor, "kyorokyoro".
— Aquilo foi… sonho?
Murmurando sozinho, os olhos dele caem sobre algo colocado na mesa de cabeceira ao lado da cama.
— Isso é…!
Pega aquilo, fazendo som, "jarari". Algema de pé aberta, e corrente cortada no meio. Sem dúvida, era o que estava na sua perna direita.
Levantando o roupão de dormir, na tornozela direita, marca clara de queimadura de sol permanece. Como esperado, aqueles dias naquela ilha não foram sonho. Se for isso…
— Akīmu…!
O rei de Daubān chama o nome do filho, desabando de joelhos, chorando.
Ali, "gachari", a porta do quarto se abre, e, sem cerimônia, aparece o filho que devia estar morto, e o rei de Daubān arregala os olhos surpreso.
— Ah, pai. Já acordou?
— Akīmu…? A, A, ah, Akīmu! Vo, vo, você, tá vivo!?
— Que é isso, do nada assim… fala como se fosse ruim eu estar vivo?
— N, não! Nada disso! Que bom que continua vivo! Que alívio… que alívio, hein…!
Se agarrando ao filho, chorando de novo, o rei de Daubān. Recebendo com gentileza, o príncipe Akīmu explica o que aconteceu no país durante as duas semanas em que o rei ficou desaparecido. Afinal, ele foi só regente enquanto o rei esteve ausente. Com o retorno do rei, todo o poder volta ao normal.
— Enquanto o pai estava ausente, com receio de ataque de Zādonia, pedi trégua temporária, mas o que fazemos agora? Com o retorno do pai, tem nobre gritando por guerra, mas…
O príncipe Akīmu pergunta, observando a reação do rei. Ouvindo isso, o rei de Daubān fica quieto sozinho, pensando algo, mas, sem pressa, ergue o rosto, abrindo a boca pesada em direção ao filho.
— Umu… certo, primeiro, vamos ao local de mediação.
— ………Entendido. Vou avisar a todos.
No rosto do rei de Daubān, assentindo à fala do filho, se via sorriso ousado e enigmático.
Alguns dias depois.
A Planície de Rezaria, na fronteira entre o Reino de Daubān e o Reino de Zādonia, é terra com relativamente pouca variação climática. Mesmo assim, avançando alguns quilômetros no território do outro lado, o rastro de escaldante ou frio extremo ainda atinge.
No acampamento montado ali, as figuras principais de Daubān e Zādonia se reúnem cara a cara. Entre eles, também estão presentes o príncipe Akīmu e o príncipe Furosuto.
Eventualmente, das duas tendas, aparecem os reis dos dois lados. Em silêncio, sentam na cadeira da mesa central de frente um pro outro.
Encarando um ao outro por um momento, o rei de Daubān abre a boca primeiro.
— Ha, sobreviveu teimosamente, hein, seu desgraçado glacial.
— Você também, essa boca insistente não muda até morrer mesmo, hein, seu louco do deserto.
Os reis se xingam mutuamente, e os dois lados ficam num clima tenso, "pishi!".
"Gata, gatan", os dois reis se levantam da cadeira, continuando a se encarar do lado da mesa.
"Um toque e explode" — bem nesse momento, exatamente quando as pessoas ao redor pensavam isso, uma mudança acontece nos dois reis.
— Ku… pu…
— Kukkukku…
Vem voz tentando conter algo, e os altos funcionários ao redor inclinam a cabeça.
— Gahhaha! Tá vivo, seu desgraçado!
— Kakkakka! Você também! Seu quase-morto!
Os dois começam a rir alto, tipo achando algo engraçado do fundo do estômago. Diante do desenrolar repentino e cena inacreditável, os súditos ao redor ficam boquiabertos, sem palavras.
— De novo, tive vários sonhos com aquela ilha depois disso! Não, foi inferno!
— Eu também! Que bom que os dois sobrevivemos, hein!
Cutucando o corpo um do outro, conversando, os dois, de qualquer ângulo que se olhe, só parecem amigos de longa data. Serão mesmo esses dois que antes eram chamados de cão e gato — as pessoas ao redor se entreolham. Não conseguem acreditar no próprio olho.
— Vim aqui hoje porque tenho um relatório pra dar.
— Eu também. Hahan, você também, é?
Os dois sorrindo maliciosamente, dizem aos súditos alinhados no acampamento o que pensaram sem parar desde que despertaram daquele pesadelo.
— Vou ceder o trono ao meu filho, Akīmu. Que a nova negociação seja feita pelo novo rei, Akīmu.
— Eu também vou ceder o trono ao Furosuto igualmente. Você decide o futuro deste Zādonia.
Os dois reis declaram abdicação, ambos os lados. Ali estavam os homens outrora reis, agora já não mais, com rosto radiante.
— E aí, como ficou?
— Em Daubān, o príncipe Akīmu assumiu o trono, e em Zādonia, o príncipe Furosuto assumiu o trono, virando reis. Os dois países se deram as mãos, e, a partir de agora, dizem que vão começar relação como países amigos.
Respondendo isso à Yumina, me recosto no encosto pra descansar.
Aquilo lá finalmente teve uma pausa. Achei que ia demorar um pouco mais, na verdade. Adulto, quando envelhece, não fica fácil ser sincero, hein.
Os dois países se deram bem, mas os dois ex-reis parecem meio ressentidos comigo. Não chegaram a dizer "não se relacione com Brunhild!", então parece que reconhecem como rancor pessoal mesmo.
— E as princesas de Arento, como ficaram?
— Ah, isso também tá indo bem. Em breve, deve ser anunciado o noivado entre o rei Akīmu de Daubān e a princesa Retishia do Reino Sagrado de Arento, e o rei Furosuto de Zādonia com a princesa Ariati.
— Nossa! Que bom!
A Rū, erguendo o rosto do documento, se alegra como se fosse ela mesma.
Eu não consigo ficar feliz assim de forma sincera como ela. É motivo de celebração, e fico feliz, mas foi tudo exatamente como o rei sagrado, avô daquelas princesas, planejou. Sinto que fui manipulado na palma da mão dele.
Não é presente de noivado nem nada, mas ordenei ao espírito de fogo e ao espírito de gelo que revertessem a mudança climática, tipo maldição, nos dois países. Com isso, ao longo de algumas dezenas de anos, deve mudar devagar pra terra mais habitável.
A Hiruda, rindo baixinho, "kusu", coloca a caneta que segurava na mesa.
— Que bom que uma preocupação a menos desapareceu. Depois de finalmente o mundo ter recuperado a calma, guerra é algo que ainda assim não quero mesmo.
— É verdade. Mas ainda tem várias coisas pra fazer…
Barreira do mundo ainda rompida, problema de fera gigante, reconstrução de vilas e cidades esmagadas pelos mutantes, e agora, diante de mim, monte de papel colocado de uma vez…
Pego uma folha desse monte, lendo o conteúdo.
— Esse "Conde Dāreuin", de onde é, quem é?
— Ah, isso é eu. Conde do Império Regulus. Hmm, é a família pra onde a irmã do meu bisavô se casou.
— Relação como família, atualmente?
— Agora, não tanto. Mas, como corre sangue imperial, tem direito de sucessão ao trono, mesmo que baixo.
— Se for isso, então aqui…
Coloco o papel com o nome "Conde Dāreuin" escrito na caixa dividida por rank. Essa é a triagem usada como referência pra decidir a ordem de assento na cerimônia de casamento, entre outras coisas.
Afinal, três das minhas noivas são princesas de um país. Naturalmente, tem muita gente que precisa convidar, tipo parente e alto funcionário. Essa confirmação, agora, faço junto com as três princesas, Yumina, Rū, Hiruda.
Claramente falando, a Sū e a Sakura também seriam, mas a Sū é da mesma família da Yumina, e a Sakura, sendo filha ilegítima do Rei Demônio, não tem tanta relação assim.
Eu mesmo não quero fazer ranking nem nada, mas, socialmente, parece que a Yumina vira primeira esposa, a Rū segunda esposa, a Hiruda terceira esposa.
Quarta é a Sū, quinta a Rin, sexta a Sakura, e a Rinze, a Eruze, a Yae seguem como sétima, oitava, nona.
A ordem da Rinze e do pessoal parece ser conforme a ordem que fui declarado. "Parece" porque essa ordem depois da Sū foi decidida por conta própria delas.
É só coisa em documento, ou melhor, formalidade pública, sendo que "nove igualmente", incluindo eu, é a opinião de todo mundo.
Que trabalhoso, hein, aparência social… graças a isso, preciso ter cuidado até na seleção de convidados.
Mas, jogado no meio de tanta realeza e nobreza assim, será que a família da Yae, e a família do tio da Eruze e da Rinze, não vão passar aperto? Aliás, o tio delas não era tipo fóbico de nobreza? Será que não vai desmaiar?
— Umm, esse "Marquês Pauron"…
— Ah, é o equivalente a ministro das finanças de Lestia. Braço direito desde a geração do meu pai…
— Então aqui…
No instante em que, ouvindo a fala da Hiruda, tento colocar o papel numa caixa diferente da anterior, de repente, bem ao meu lado, aparece a irmã Karen.
— Touya-kun!
— Waa!?
Essa pessoa, imprevisível como sempre, já nem se importa mais em se esconder na frente da Yumina e do pessoal, teletransportando sem cerimônia. Para de teletransportar tão perto assim, assusta!
— Espe, irmã Karen! Já falei várias vezes pra não aparecer de repente assim…!
— Não é hora pra isso, não! Vem aqui rapidinho!
Puxando meu braço, a irmã Karen me faz levantar da cadeira sentada. Eee? Espera aí, o quê? Mais coisa incômoda?
— Espe, espe, espe, espe. Onde pretende me levar?
— É o Reino Divino! Yumina-chan, vou pegar o Touya-kun emprestado um pouquinho! Agora vai ter reunião de decisão da família!
— Eh, ah, sim. Se cuida…
Diante da força da irmã Karen, a Yumina assente levemente, meio encolhida.
Hã!? O que é essa reunião de "decisão" da família!? Sem entender nada direito, sou sequestrado pra dentro do Reino Divino pela mão da irmã Karen.
Oh my god.