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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 434

O Tricô, e a Enviada de Nokia

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Capítulo 434 – O Tricô, e a Enviada de Nokia

Ao levar a vovó Tokie até o castelo de Brunhild, como esperado, todo mundo ficou surpreso. Principalmente todas as noivas.

Como elas conhecem a situação ao meu redor, parece que perceberam rapidamente a verdadeira identidade da vovó Tokie.

A propósito, o Deus do Mundo não desceu. De um jeito ou de outro, parece estar ocupado.

Os outros deuses escolhidos por sorteio também ainda não desceram. Só a vovó Tokie desceu primeiro. Pra restaurar a barreira deste mundo, que estava completamente esfarrapada.

Sentada na cadeira na varanda do castelo, a vovó Tokie estende algo em cima da mesa.

— O que é isso?

— Isso aqui é a "barreira" deste mundo, visualizada de forma fácil de entender. Bem danificada, cheia de buraco, né?

Uhum, de fato, tá cheia de buraco, e num estado horrível, esfarrapada.

Mas por que suéter?

De cor cinza geral, com padrões desenhados em várias cores por cima, estava um suéter em cima da mesa. Aqui e ali, tinha buraco tipo comido por traça, e, nas partes piores, buraco do tamanho de punho fechado.

— Por que suéter…?

— Não precisa ser suéter especificamente, mas achei mais fácil de entender assim. Ficaria complicado se não soubesse onde já consertou, né? Ao restaurar isso, a barreira também vai se consertando ao mesmo tempo. Dá pra ver de relance quanto já foi consertado. Bom, também é porque gosto de tricô.

Entendi. Esse suéter é tipo tabela de progresso, então. Ao terminar o suéter, a restauração da barreira também termina junto.

Parece que, se usasse o poder divino original, consertaria num instante, mas, no estado humanizado, é assim mesmo. Mesmo assim, já é impressionante bastante.

— A partir de hoje, todo dia vou consertar um pouco. Se não fizer com cuidado, rápido abre buraco de novo.

— Conto com a senhora.

— Que formal. É sua própria avó, pode ficar mais à vontade.

Diante de mim me curvando, a vovó Tokie me repreende. Bom, sendo eu quem pediu, e sendo superior tanto como deus quanto como pessoa, fiquei com cuidado, mas.

— Entendi. Então conto com a senhora mesmo.

— Sim. Deixa comigo.

A vovó Tokie assente levemente, sorrindo. A partir desse dia, aquele lugar na varanda virou o ponto fixo da vovó Tokie.

— Aí é assim… isso, isso mesmo. Se pegar o jeito, se acostuma rápido.

— Sim!

Diante da fala da vovó Tokie, a Rinze responde animada. Diante das quatro mulheres tricotando na varanda, sinto sensação bem estranha.

Na mesa da varanda, com a vovó Tokie no centro, a Rinze, a Meru, e a Nei, três pessoas, movem agulha de tricô. Que combinação é essa, hein… humano, deusa, rainha de Phrase, e escolta dela.

— A Rinze-san parece ter interesse em tricô desde antes, sabe~. A Meru-san também parece ser sua única área de habilidade. A Nei-san acho que só veio grudada na Meru-san, mas~.

Enquanto serve chá preto nessa mesa, a criada Seshiru-san me conta. Então era isso.

— A Meru aprendeu sozinha quando estava no Mundo Cristalino, sabe. Por minha causa. Esse cachecol também é feito à mão por ela.

Sentado à minha frente, o Ende mostra o próprio cachecol como se estivesse se gabando. Esse desgraçado, alfinetada de casal? Não vou ficar com inveja.

…Espero que aquele que a Rinze tá tricotando seja meu…

Deixando dito "com calma, viu~" com voz arrastada, a Seshiru-san sai, e o Ende se inclina pra frente, falando baixinho.

— E aí, ser sua avó quer dizer que aquela pessoa também não é comum, né?

— Esse jeito de falar me incomoda um pouco… bom, é verdade mesmo. É deusa do tempo-espaço.

— Como imaginei. Andar com você faz eu perder a noção do que é senso comum.

O Ende se recosta na cadeira, dando suspiro grande. Fico levemente irritado.

— Ei. Pensando bem, isso é culpa do lado de vocês, viu? Ela veio consertar o rasgo na barreira que os Phrase abriram aos montes. Não é culpa minha.

— Não, isso fala com a Nei e o pessoal. Precisamente, é culpa do idiota do Yura, na verdade. Se ele não tivesse mirado na Meru, isso não teria acontecido.

Não, isso não é porque você fugiu com a Meru pra começo de conversa? Bom, discutir responsabilidade aqui não adianta nada.

— E aí, o que vocês pretendem fazer daqui pra frente?

Já não tem mais perseguidor nenhum. Devem conseguir viver sem se preocupar com ninguém. Bebendo chá, espero a resposta do Ende.

— Isso, né… eu queria que a Meru viesse pro meu mundo. No Mundo Cristalino, a Meru não consegue viver livremente. Pra nós ficarmos juntos, a Meru precisava evoluir pra existência de posição mais alta. Pra isso, virando estado de núcleo, atravessando mundos acumulando vários poderes, subindo a escada dos mundos, eventualmente indo junto comigo pro meu mundo… era pra ser assim, mas…

Aí, o Ende deixa cair os ombros, desanimado. O que foi, o que aconteceu.

— Na verdade, meu mundo também tem quase nenhum interesse por coisa chamada "comida", igual o mundo da Meru. Sinceramente falando, se for falar de comida, é quase só coisa fluida tipo bebida. Como a Meru nunca colocou comida na boca até agora, nunca expliquei isso, mas, quando contei, ela ficou com nojo de ir…

— Eh, por causa disso?

— Não, entendo o sentimento dela. Eu também, ao sair do meu mundo, só passei a ter interesse por essa coisa chamada "comida" depois. Tinha bastante mundo sem comida também, mas esse tipo de mundo geralmente é sem graça, então logo atravessei pra outro.

Aliás, agora que penso, a primeira vez que encontrei esse cara, ele também estava tentando comer crepe.

— Ou seja, resumindo, como não vai conseguir comer coisa gostosa, a Meru não quer ir com você.

— Não fala tão claro assim, francamente. Parece que fui derrotado por comida…

— Não, é exatamente isso mesmo, né.

Então até o rei dos Phrase não conseguiu vencer contra comida. Que situação, hein.

— Por ora, vou relaxar por um tempo neste mundo. E, de algum jeito, vou aprender a cozinhar…

Tentando fisgar com isca? Bom, acho melhor aprender a cozinhar mesmo. Especialmente no seu grupo, tem muita gente que come bastante.

Olho de canto de olho, de relance, pra Meru na varanda. Sorrindo animada, conversando com todo mundo, parece garota comum.

— …Ficou rindo bastante, hein.

— …É. Depois de tudo que aconteceu, mas sou grato ao Touya. Obrigado.

— O que foi, do nada assim. Para, é estranho.

Sendo dito isso de novo por esse cara, sinto formigamento nas costas sem saber por quê. Não que seja pra esconder vergonha, mas, terminando de beber todo o chá restante na xícara, exatamente nesse timing, a porta do quarto se abre, e a Sheska entra.

— Trouxe a segunda dose de cha. Mestre BL.

— Ei, espera aí, sua empregada idiota. Não entende errado desse jeito estranho.

Retruco à criada que solta veneno com cara serena, mas, sentindo presença estranha, viro pra trás, e, da varanda, a Rinze, rosto vermelho, encara fixamente aqui. Espera, não é isso!

— Enviado especial do Reino de Nokia?

— Sim. Deseja audiência com Sua Excelência o Duque.

Ouvindo essa história inesperada do primeiro-ministro Kōsaka-san, fico levemente surpreso.

O Reino de Nokia é reino localizado a leste da região de Eurono. Este país nunca teve relação formal com nenhum país, tendo só leve contato com o Reino Demônio de Zenoas.

Parecido com o Reino de Horn, que só tinha relação com o Reino Mágico de Ferusen, país vizinho, mas, ainda mais extremo, é país em estado de isolamento total.

A causa disso, igual ao Reino de Horn, está no já extinto Império Celestial Eurono.

O Reino de Nokia é país originalmente fundado por pessoas que se rebelaram contra o governo tirânico de Eurono. Fecharam-se numa região montanhosa de acesso extremamente difícil, fugindo da invasão de Eurono, esse é o histórico.

Por isso, poucos visitam Nokia, e também são poucos os que vêm de Nokia.

Mesmo diante do tumulto em escala mundial dos últimos anos, com Phrase e mutantes, foi país que manteve postura de "não é da nossa conta" o tempo todo.

Sendo assim, é natural eu ficar surpreso com enviado especial vindo desse país. Que vento estranho é esse, afinal.

Dizendo isso, mas nosso país é país pequeno. Não temos produto especial marcante, e não consigo imaginar motivo pra alguém vir de tão longe. Será relacionado à Aliança Mundial? Se fosse isso, achava que passariam pelo Reino Demônio de Zenoas, com quem ainda têm certa relação.

— Não sei o assunto, mas, por ora, vamos encontrar.

— Então, providencio isso.

Decidido encontrar em uma hora, troco pra roupa formal. Não costumo usar esse tipo de roupa, mas dizem que, pelo menos na hora de audiência como representante do país, preciso usar.

Ou melhor, quando encontro os reis da Aliança Mundial, uso roupa bem mais casual, hein.

Como roupa, é terno formal. Não é do meu gosto ficar decorado demais com bordado dourado ou pele. É peça sob medida, feita na loja do Zanakku-san.

Essa roupa, feita de fio de fera mágica com elasticidade, é confortável, e a respirabilidade também é excelente. E, por cima disso, visto casaco preto diferente do de sempre.

Com isso, se colocar cartola, ficaria tipo cavalheiro britânico. Onde, óbvio que seria Reino Unido.

Guiado pela governanta-chefe Rapisu-san, que veio me chamar, vou até a sala de audiência.

Claro, o enviado ainda não estava lá, e, em vez disso, na sala de audiência, tá reunida a comandante da ordem, Rein-san, junto com a vice-comandante Nikora-san e a Norue-san, o Kōsaka-san, o velho Baba, o Yamagata, o senhor Naitō, e ainda a Tsubaki-san do time de inteligência, e a Rin, maga da corte, todos presentes.

Por ora, são os figurões de Brunhild mesmo. Como aparência também importa, os cavaleiros de segurança do castelo também estão alinhados em fileira.

— Chamativo, hein.

— Não sabemos como o outro lado vai reagir, né. Melhor fazer pelo menos até esse ponto. Ser menosprezado também não é bom.

Enquanto penso "não seria exagero demais", sento no trono, e a Rin, de pé à minha esquerda, retruca isso. Será mesmo?

Eventualmente, três pessoas aparecem na sala de audiência. Na frente, um homem de uns vinte e cinco anos, aparência de capa e túnica coloridas, mas simples, em tons foscos de vermelho e amarelo. Cabelo castanho cortado curto. Falando isso, com todo respeito, mas não chama muita atenção. De algum jeito, parece nervoso também. Bom, faz sentido, cercado por cavaleiros completamente equipados desse jeito.

Atrás dele, seguem duas pessoas. Estas estão cobertas de corpo inteiro em capa verde simples, e, como escondem até o rosto, difícil julgar se são homem ou mulher. Cor de cabelo, castanho e preto. Não muito longo, mas sinto que é mulher.

Os três avançam até diante de mim, ajoelhando com um joelho.

— É, é uma honra conhecê-lo, Excelência Duque. Sou Faro Yanche, diplomata do Reino de Nokia.

— Por favor, levante-se, embaixador Yanche. Bem-vindo a Brunhild. Sou Mochizuki Touya, Duque do Principado.

Falo com ele ainda sentado no trono. Normalmente, gostaria de me aproximar e apertar a mão, mas o Kōsaka-san me impediu. Disse que, se eu fosse amigável demais desde o início, viraria incômodo pra ambas as posições.

— Então, embaixador Yanche. Qual seria o motivo desta visita?

— É… na verdade, isso…

Sem muita introdução, o Kōsaka-san entra direto no assunto, mas, diante disso, o embaixador Yanche solta resposta vaga e hesitante.

"Eee…" ou "isso, né, quer dizer…" — demora bastante pra dizer o assunto. Essa pessoa, será que tem problema como diplomata mesmo…

— A, ah! Sua Excelência o Duque, soube que em breve vai se casar! Pa, parabéns!

— Ha… obrigado…?

Eh, o que? Veio dar parabéns pelo casamento? Não precisava mandar enviado de propósito, bastava carta ou algo assim.

Todo mundo ao redor também fica com cara meio sem graça. Será que o povo de Nokia quase não faz diplomacia, então nem entende esse tipo de coisa? Não pode ser.

— A, a noiva do senhor sendo nove pessoas, essa magnitude chegou até Nokia! Co, como esperado de homem de sorte lendária com mulheres…!

— Hahaha… é mesmo…

Meu sorriso forçado, e, ao meu lado, a Rin segurando o riso. Os outros também tapam a boca, alguns tremendo, "puruputuru", segurando o riso.

Ei, o que é isso. Por que preciso passar por esse tipo de constrangimento. Esse aí veio brigar comigo?

— …O assunto, por favor. Embaixador Yanche.

— Ah, perdão. En, então…

Pigarreando uma vez, o Kōsaka-san instiga o embaixador Yanche.

Faz sentido. Com certeza não é só pra dar parabéns de casamento que veio.

— Sua Excelência o Duque, viemos correndo pensando se o senhor consideraria tomar uma décima esposa, isso mesmo, com certeza!

— Eh?

O ar do local congela. Pelo menos, foi assim que senti. Não que tenha sentido frio de verdade vazando do lado.

Olhando de relance de canto de olho pra Rin, o sorriso alegre de até então desaparece, mudando pra expressão séria, tipo pensando algo. A Pōra, aos pés dela, recua devagar pra trás do trono. Ei, não foge.

— O que isso significa, embaixador Yanche?

— Se seria possível considerar o matrimônio com a Segunda Princesa do Reino de Nokia, Pafia Rada Nokia, é o que viemos, com todo respeito, pedir…

Uwaa. Era aquele problema de arranjar noiva (ser forçado a arranjar) que eu achava que ia aparecer algum dia. Na maioria dos países, ao saber que já tenho nove noivas, e quase metade delas é realeza, costumam desistir sem nem propor. Talvez não saibam disso.

— C, claro, não estamos falando de esposa principal. Se fosse possível adicioná-la ao último posto entre as concubinas… a Princesa Pafia é talentosa em letras e armas, de aparência bela, e certamente jamais seria peso pro senhor, Excelência Duque.

— Sinto muito, mas já tenho noivas em número mais que suficiente pra mim, então, além disso…

Tentando recusar com delicadeza, digo isso, mas, atrás do embaixador Yanche, a pessoa de cabelo castanho se levanta sem pressa, erguendo o rosto. Mulher mesmo. Idade não deve ser tão diferente da minha. Garota de dezesseis, dezessete anos. Cabelo curto balança suavemente.

— Vossa Excelência só precisa pensar que ganhou uma vassala excelente. Por favor, me aceite no último posto entre as esposas.

— Eh… não pode ser…

Quando a capa simples cai, "pasari", aparece por baixo dela roupa tradicional decorada colorida, com base em vermelho e branco. Parecida com traje tradicional da região do Tibete. Não tão colorida quanto aquela, mas.

— Desculpe a demora em me apresentar. Sou Pafia Rada Nokia, Segunda Princesa do Reino de Nokia. É uma honra conhecê-lo, Excelência Duque de Brunhild.

A garota, olhos com brilho desafiador, fala isso, curvando-se levemente.


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