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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 435

A Princesa de Nokia, e as Intenções Ocultas

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Capítulo 435 – A Princesa de Nokia, e as Intenções Ocultas

Cabelo castanho cortado curto, olhos rasgados, e boca com sorriso cheio de confiança. Rosto mais tipo bonita do que fofa.

A garota que se apresentou como Pafia Rada Nokia, Segunda Princesa do Reino de Nokia, direciona o olhar a mim sem hesitar. Olhar tipo me avaliando. Não parece olhar de desprezo, então não sinto repulsa, mas também não é sensação muito agradável.

— Ouvi sua fala. Vossa Alteza Princesa Pafia. Mas, sobre isso especificamente, não é algo que Sua Excelência o Duque pode decidir sozinho. Precisa do consentimento de nós, as nove noivas.

Quem abre a boca sorrindo é a Rin, que estava ao meu lado. Modo diplomático, hein, jeito de falar diferente do normal.

— Perdão, mas quem seria a senhorita? Pelo jeito de falar, presumo ser uma das noivas de Sua Excelência o Duque.

— Que falta de educação minha. Sou Rin, ex-líder do povo fada, Maga da Corte líder do Principado de Brunhild, e noiva de Sua Excelência o Duque.

Com elegância, a Rin segura a ponta da saia, fazendo cortesia. Maga da Corte líder, mas, por ora, só tem a Rin mesmo.

— Rin-sama. Como já mencionei, por favor, considere me aceitar no último posto. Nunca causarei prejuízo a este país.

— Vejamos… mesmo dizendo que não vai causar prejuízo, pra começo de conversa, Sua Excelência o Duque não pretende se casar conosco pensando em ganho ou perda… fico sem saber como responder.

— Então, com qual critério decide o parceiro? Letras, armas, aparência, linhagem — em nenhum desses me considero inferior.

— Ah, é mesmo. Parece ter muita confiança em si mesma, hein. Mas ouço dizer que o Reino de Nokia quase não tem intercâmbio com o exterior. O mundo talvez seja mais amplo do que Vossa Alteza imagina.

Eh, o que é essa troca de farpas? Desde há pouco, dá pra ver faísca voando entre a Rin e a princesa Pafia.

— …Diante de proposta tão repentina, não conseguimos responder de imediato. Gostaríamos de um tempo… o que acha, embaixador Yanche?

O Kōsaka-san fala com o embaixador, que estava com olhar ansioso, confuso, diante da troca entre a Rin e a princesa Pafia. Como se fosse tábua de salvação, o embaixador Yanche balança a cabeça verticalmente, "bunbun".

— C, cla, claro! Por favor, pensem com calma! Aguardaremos resposta favorável!

— Governanta-chefe, guie o embaixador e as princesas até o quarto de hóspedes.

— Sim. Por aqui, por favor.

A governanta-chefe Rapisu-san, que aguardava, se aproxima, conduzindo os três.

Ao seguir a Rapisu-san saindo, a princesa Pafia direciona de relance o olhar pra cá, mas naqueles olhos senti tipo brilho de determinação.

Depois que os três se retiram, dou um suspiro grande. Aah, que cansaço.

— O que foi, afinal, era proposta de casamento político…

— Foi surpreendente sim, digamos.

O Kōsaka-san murmura acariciando a barba do queixo. Bom, é mesmo. Até agora, nenhum país com quem já temos relação propôs algo assim.

— Isso deve ser mais atrás do meu poder do que de Brunhild em si, né…

— Bom, normalmente seria isso mesmo. Aventureiro rank ouro, herói que salvou o mundo. Controlando centenas de golens gigantes, mediador que fez amizade com vários reinos… socialmente falando, não existe quem não deseje esse poder.

Como o Kōsaka-san diz, faz sentido pensar normalmente que é casamento visando meu poder mesmo. Devem pensar que, virando parente, conseguem usar esse poder, ou algo assim.

— Isso aí que me incomoda, viu. O Reino de Nokia é país praticamente fechado, né? Só tem leve intercâmbio com o Reino Demônio de Zenoas, e nem participou dos vários encontros mundiais. Mesmo na luta contra os mutantes, ficou em silêncio total. Por que um país desses decidiu de repente ter intercâmbio com o exterior? E por que justo com Brunhild?

A Rin murmura tipo falando sozinha, cruzando os braços. Ei, tá mais calma do que eu esperava, hein.

— Acha que não esperávamos esse tipo de desenrolar? Já pensava que algum dia teria esse tipo de estratégia sedutora.

— Estratégia sedutora. Não lembro de ter sido seduzido.

— Pode ser daqui pra frente. Na hora de dormir, tranca bem a porta do quarto, pra não ser visitado de noite. Podem usar magia ou item mágico de teletransporte, então reforça bem a barreira de bloqueio também. Se realmente machucarem uma princesa, fica difícil recusar.

Que tipo de desenrolar é esse!? Por que já parte do pressuposto de que vou ser atacado e perder!?

— Não, não, não. Não vou tomar iniciativa, e, mesmo que venham ao quarto, consigo neutralizar.

— Nesse caso, a realidade não importa. Só o fato de estar no quarto do "querido" de madrugada já faz o mundo achar que ela virou "sua", entende? Claro, aquele embaixador também. Só isso já é fatal. Como é conhecido que o "querido" consegue usar magia de teletransporte, vão achar, de qualquer ângulo que se olhe, que foi você quem chamou a princesa.

— Que assustador!?

Isso é absurdo demais. Por mais idiotice que seja, não faria algo desse tipo… né?

— Bom, se realmente fizerem isso, viro a mesa, transformando o outro lado em agressor. Basta colocar uma faca na mão dela, e vira assassina visando o Duque.

— Que assustador!?

— Por causa desse risco também, acho que chance de visita noturna é baixa. Só por precaução, cuidado, tá? Item mágico de sedução tem também, então chance de você realmente atacar não é zero.

Não, mesmo eu já sendo semi-divino, acho que esse tipo de poder não funciona comigo, mas sinto certa inquietação, hein…

Por ora, melhor colocar [Prison] no quarto. Sem item divino, é impossível entrar, então, mesmo que venham com essa intenção, não vão conseguir fazer nada.

— Aliás, o que o "querido" achou dela, vendo assim?

— Hmm… achei ela bonita sim. Mas, sinceramente, o coração não se moveu. Aquele olhar não parecia direcionado a mim mesmo, mas majoritariamente à posição e poder, também senti isso. Não é "quero casar por afeto por mim", né. Não gosto também da parte dela se vender feito ferramenta.

Acho que a essência dela não é só isso, mas não tive impressão muito boa. Pelo menos, não foi amor à primeira vista.

No caso da Rū ou da Hiruda, senti claramente afeto delas. Isso não era direcionado ao meu cargo ou título, mas a mim mesmo. Diferente dela.

E, como dizer… antes de falar de amor ou paixão, senti nela algo tipo sentimento de missão ou responsabilidade. Não parece pessoa má.

— Eu senti a mesma coisa. Essa garota não preenche a condição mínima pra virar nossa colega, que é "considerar Mochizuki Touya como precioso". Nesse ponto, já é reprovada. Desculpa, mas não posso aprovar.

Dizendo isso, a Rin tira o smartphone, começando a digitar mensagem com movimento rápido de dedo. O que tá fazendo?

— Nós também precisamos ter nossa própria reunião, né.

Reunião, será aquilo? "Reunião das Noivas", que aconteceu quando a Pamu, da Grande Floresta, veio antes?

Deve ser aquela reunião que recusou a Pamu, que queria ter filho comigo, provavelmente. Naquela época, a Rin ainda não estava presente, no entanto.

Deixando a Rin digitando mensagem de lado, chamo a Tsubaki-san com um aceno de mão.

— Por ora, quero informação. Dá pra ir investigar um pouco sobre o Reino de Nokia?

— Sim. Vou mandar alguns imediatamente.

Respondendo isso, ela desaparece do local, "fu".

Ao time de inteligência da ordem de cavaleiros, liderado pela Tsubaki-san, empresto vários itens mágicos, incluindo teletransporte. Usando isso, não deve levar nem dois dias pra ir e voltar de Nokia.

Por mais que seja terra de risco natural extremo, o caminho deles, treinados pela irmã Moroha e o tio Buryu, não é algo que consiga bloquear. Com certeza vão trazer alguma informação de volta.

Bom, "trazer de volta" talvez nem seja necessário, basta um telefonema mesmo.

Recusar a proposta de casamento é fácil, mas tem algo que me incomoda um pouco. Melhor eu também coletar informação.

"Desculpa, mas não sei. Realmente temos pouca relação com Nokia. Mesmo que tenha acontecido alguma mudança política lá, a não ser que o próprio lado deles fale, não temos como saber. Sinceramente falando, nosso lado também não tinha interesse nenhum em Nokia."

— Entendi…

Liguei pra Sua Majestade o Rei Demônio do Reino Demônio de Zenoas, mas a resposta que voltou foi exatamente como esperava.

Mesmo Nokia sendo país vizinho de terra contígua, só uma pequena parte de território encosta, e, basicamente, os dois são países quase fechados. Faz sentido acabarem indiferentes um ao outro mesmo.

"Um tempo atrás, quando mandei convite pra Conferência dos Dois Mundos, responderam algo tipo 'temos um pequeno alvoroço interno, ocupados lidando com isso, então declinamos'…"

— Será que teve golpe de estado ou algo assim?

"Isso não é coisa de 'pequeno' alvoroço, né… só que, com a queda de Eurono, alguns dos habitantes de Eurono se espalharam pros países vizinhos. Ouço dizer que Nokia, sendo terra severa igual Zenoas, e o povo de Nokia detestando o povo de Eurono, não deve ter recebido tanta gente assim, mas provavelmente não é zero. É possível que essas pessoas de Eurono que foram parar em Nokia tenham causado algum tipo de alvoroço."

Hmm… não dá pra descartar de vez essa possibilidade, hein.

De qualquer forma, o povo de Eurono tem tendência de exagerar as coisas. Falam mil como se fosse dez mil, dez mil como se fosse cem mil, causando alvoroço. Dizem até que, se pessoa de Eurono fala um número, é bom achar que é um décimo daquilo.

Se essas pessoas de Eurono se infiltraram em Nokia, que não sabe nada do que acontece fora, espalhando boato sem fundamento, faz sentido que o país entre em certo pânico, mesmo que pequeno… será?

— Também chegou um pouco em Zenoas, né?

"De fato, também chegaram boatos estranhos até nós, mas se apagaram rápido. Basicamente, assim que percebemos que a fonte é gente de Eurono, o povo demônio não acredita mesmo."

Sem crédito nenhum, hein. Bom, também penso assim.

Leste do continente oriental… exceto Ishen, em Zenoas, Hanokku, Ferusen, Horn, Lestia e afins, o problema é quase sempre relacionado a Eurono. O que devo acreditar, afinal.

Mas Nokia tem histórico de ter sido fundado justamente por se rebelar contra a tirania de Eurono. Ou seja, é o país que mais odeia Eurono. Não acho que se deixariam enganar tão facilmente por boato assim.

Bom, por ora, não dá pra julgar nada definitivo.

Encerrando o assunto de Nokia por aqui, dessa vez o incômodo Rei Demônio começa a perguntar detalhadamente sobre a situação atual da filha, a Sakura, respondo de qualquer jeito e desligo.

Parece que não está bloqueada, mas as ligações são cortadas no meio pela própria Sakura.

"Oh, Farunēze. Tudo bem…"

"Tudo bem."

"A Fiana também…"

"Mamãe também tá bem."

"Da próxima vez, junto…"

"Ocupada. Impossível. Até mais."

E, "putsun", corta assim. A Sakura continua sem dó nenhum com o Rei Demônio como sempre… bom, dá até pra dizer que é progresso ela atender a ligação.

A Sakura trabalha na escola onde a Fiana-san é diretora, tipo funcionária temporária. Bom, resumindo, ensina música e instrumento pras crianças. Como escolta, também está junto a Supika-san, elfa negra membro da ordem de cavaleiros.

Isso mesmo. Normalmente, nesse horário, a Sakura estaria com a Supika-san na escola.

Mas hoje não está. Porque, agora, deve estar em "reunião" com todo mundo.

— Bom, sendo situação parecida com a da Pamu, acho que vai virar recusa mesmo…

Aquela garota, com certeza não tem sentimento amoroso nenhum por mim. Isso dá pra afirmar com certeza.

Por quê? Porque, se tivesse, a deusa do amor, que costuma vir voando animada na frente pra esse tipo de coisa, não estaria aqui.

Será que, por acaso, ela foi pra "Reunião das Noivas"… tipo mediadora ou algo assim. Se virar complicado, prefiro que não vá mesmo.

Enquanto penso essas coisas, chega ligação da Rin.

— Alô?

"Ah, querido? Por ora, decidimos que amanhã todo mundo se encontra com a princesa Pafia. Além de mim, ninguém conversou diretamente com ela, então falta decisão pra julgar. Melhor decidir depois de encontrar de verdade, né."

— Sinto que já tá quase noventa por cento decidido, mas…

"Mesmo assim, se não encontrar e conversar direitinho, pode faltar cortesia, né. Afinal, a própria princesa veio até aqui em pessoa."

Bom, faz sentido. Como resposta, seria falha mesmo. Se não fosse se importar com isso, bastava recusar de cara na sala de audiência.

"De qualquer forma, até amanhã, não tenha contato com aquela garota, querido. Pode virar vários tipos de problema. À noite, melhor ficar com alguém junto… fufu, quer vir pro quarto de alguma de nós?"

— IesoRea

Diante da voz debochada da Rin, mesmo com o coração disparando, forço a voz a sair de algum jeito.

De fato, se passasse a noite toda no quarto de alguma noiva, aquela estratégia sedutora estranha seria em vão mesmo.

— Bom, por ora, tenho um jeito de resolver isso também.

Desligo a ligação com a Rin, e ligo pra alguém dos "Contatos".

— Opa, pego esse pon.

Pego o "um myriad" descartado por Sua Majestade o Imperador de Regulus. Certo, falta pouco pro "seiroutou".

— Mas quem diria que era convite pra mahjong, hein… bom, tava sem o que fazer, então caiu bem.

Sua Majestade o Rei-fera de Misumido puxa da parede, descartando. Ao redor da mesa, estão eu, o Imperador de Regulus, o Rei de Misumido, e o Imperador-rei de Rīfurīsu. Sua Majestade o Rei de Belfast recusou dizendo que precisava cuidar do príncipe Yamato. Ainda chora de noite, será?

— Às vezes, aceita minha companhia também. Hoje à noite não vou conseguir voltar pra casa direito.

— O quê? Deixou a Rūshia e o pessoal bravas ou algo assim?

— Não é bom isso, hein. No casamento, o começo é essencial. Se não deixar claro logo no início, vai acabar sempre observando a reação delas.

Ainda nem casei, viu. Falando isso, mas sei muito bem que até o Imperador-rei de Rīfurīsu não consegue erguer a cabeça diante da Rainha Zeruda. Ah, será fala vinda de experiência própria?

Como não posso deixar Sua Majestade o Imperador de Regulus, também pai da Rū, preocupado, conto de forma simples a situação atual.

— Nokia fez esse tipo de jogada, hein. Surpreendente.

— Sem quase fazer diplomacia nenhuma, aparecer de repente desse jeito, parece que tem algo por trás mesmo.

— Outra realeza de país se aproximar através de casamento não é nada estranho em si…

Ah, é mesmo, se não me engano, o príncipe Ridisu de Rīfurīsu e a princesa Tia de Misumido ficaram noivos recentemente, né? Então o Imperador-rei e o Rei-fera viram parentes.

Beastfolk, que antes era alvo de discriminação, já vira coisa do passado, aos poucos. Especialmente o Império de Rīfurīsu é bem notável nisso, parece que quase não acontece ato discriminatório naquele país. Será porque tem muita gente animada?

— Touya-dono não pretende aceitar? Já que são nove ou dez, não faz tanta diferença assim, né?

— Não, não. Pelo menos por ora, não. Casamento imposto à força só traz infelicidade mútua mesmo.

— Será mesmo? Ir conhecendo aos poucos o parceiro depois de casar também não é ruim, sabe.

Será assim mesmo, hein. Não sinto muito isso na fala do Rei-fera de Misumido, mas esse tipo de coisa varia de pessoa pra pessoa mesmo.

— Preciso avaliar o que o outro lado tá pensando… aí, esse pon.

O Imperador-rei de Rīfurīsu chama o "um pin" descartado.

— Mu, será "seiroutou"?

Como esperado, vai ser percebido, hein. Só resta puxar da parede mesmo. Descarto o "três pin" desnecessário da mão.

— Opa, chamando e saindo bafo… rong. Suanko tanki.

— Ge!?

— Uoh, Sua Majestade Imperador tá sem piedade, hein!

— Perigoso, perigoso. Eu tinha o três pin. Que alívio.

Ku… como esperado, é difícil ler espera de par único. Bom, tanto faz, a noite é longa.

Desculpa aos cavaleiros escolta de cada país, de pé atrás dos reis, mas hoje vou fazer companhia até de manhã. Já coloquei [Prison] no meu quarto, e, com testemunhas de álibi assim, não deve acontecer nada estranho.

Pago a pontuação ao Imperador, mudando o foco pro próximo jogo.

Amanhã, as noivas encontram a princesa Pafia. Por ora, primeiro isso.

Enquanto organizo as peças na mão distribuídas, dou um suspiro profundo.


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