Capítulo 440 – A Passagem Subterrânea, e o Palácio Real de Nokia
Só mulheres, um grupo de doze pessoas, avançam pela estrada noturna em fileira, conteendo a respiração.
Felizmente, ou infelizmente, hoje à noite tem luar, então não está tão escuro assim. Mesmo assim, se não avançar com cuidado, pode até tropeçar.
Conseguem se infiltrar sem dificuldade na mina de propriedade da família real, ao norte da capital de Nokia. Afinal, essa mina já extraiu todo o minério de valor, praticamente sem uso atualmente.
— É por aqui. Deve ter aqui a entrada que leva à ruína embaixo do palácio real.
Seguindo a orientação da princesa Pafia, avançando, num canto da mina aparece algo tipo túnel, perfurando a rocha, endurecido com magia de terra.
A altura do túnel é de uns três metros, se estendendo descendo pro subsolo. Naturalmente, o fundo é completamente escuro, sem ver nada.
— [Que a luz venha, pequena iluminação, Light]
A Rinze gera pequena esfera de luz na palma da mão. Guiadas por essa luz, descendo a ladeira irregular, mas suave, chegam a galeria um pouco mais ampla.
O caminho se divide em T, continuando pra esquerda e direita. Justamente nesse ponto de cruzamento, o pé da Pafia para.
— Deve ser aqui… A passagem subterrânea deve estar mais à frente daqui. Parece que não dá pra entrar por este lado.
— Passagem mais à frente daqui? Só parece parede de rocha normal, viu…
Tocando a parede de rocha repetidamente, "hitahita", a Yae murmura. Igualmente, a Rin também toca a parede, batendo, "konkon".
— Não parece ser ilusão fazendo parecer parede de rocha tipo [Miragem]. Será que precisa quebrar mesmo pra avançar?
— Parece que, do outro lado da passagem, tem pedra mágica que reage à mana da família real, e isso serve de chave, mecanismo que abre a porta daqui…
— Aah, entendi. Ou seja, usa magia de terra.
A Rin assente levemente, como se tivesse entendido. Desde os tempos antigos, esse tipo de armadilha ou mecanismo usando magia de terra é comum em ruína subterrânea ou masmorra assim. Deve ser um desses também.
— O que fazemos? Quebra?
— Explodimos com [Explosion]?
Irmã cerrando o punho, e irmã tentando ativar magia. Será por serem gêmeas que o pensamento é parecido?
— Quebrar aqui pode não ser bom. Deixa vestígio de que alguém invadiu.
Enquanto a Yumina responde com sorriso amargo à ação das gêmeas, a Sakura pega pedra caída no chão, começando a bater na parede de rocha.
— O que tá fazendo?
— Batendo na rocha.
— Não, isso dá pra ver…
— Tem diferença no som que ressoa. Espessura não passa de cinquenta centímetros. Com isso, dá pra "pular". [Teletransporte]
A figura da Sakura desaparece, "fu".
— Ah!
Enquanto todo mundo, exceto a Tokie, fica surpreso, alguns segundos depois, a Sakura reaparece de volta no lugar original.
— Tudo bem. Mais à frente daqui é passagem de masmorra. Não parece ter fera mágica nem nada, então dá pra pular levando duas pessoas de cada vez.
— Eh? Opa, Sakura-dono!?
— Sakura-san!?
— [Teletransporte]
Com som "shun!", a Sakura, segurando a mão da Yae e da Hiruda, desaparece de novo. Escolheu essas duas primeiro pra garantir, caso tivesse algo no destino do teletransporte.
Voltando, a Sakura, dessa vez, segura a mão da Rin e da Rū, teletransportando de novo.
A Pafia e a Rishia, a Yumina e a Sū, a Eruze e a Rinze — depois disso, a Sakura teletransporta todo mundo, um atrás do outro, pro outro lado da parede. A Tokie teletransportou sozinha, no entanto.
— …Cansei.
Apesar de dizer isso, a Sakura não parece cansada assim. De fato, não está tão cansada. O gasto de mana do [Teletransporte] é determinado pela distância. Também é influenciado pelo número de pessoas levadas junto, mas todo mundo sabia que teletransporte instantâneo de menos de um metro não consome tanta mana assim. A fala de "cansei" da Sakura deve ser mais sobre o cansaço mental vindo do controle detalhado de coordenada.
— Hmm. De fato, parece mesmo ruína tipo masmorra, hein.
A Sū olha ao redor, "kyorokyoro", comentando a impressão. Na parede de beco sem saída, tem incrustada pedra mágica de atributo terra. Fluindo mana nisso, deve fazer a parede de rocha abrir.
A passagem subterrânea era idêntica à masmorra da ilha isolada de propriedade de Brunhild. Parede e chão de pedra, claramente objeto artificial feito com magia de terra. Mesmo sem a luz do [Light] da Rinze, luz fraca emana da própria pedra.
— Será que combinaram magia de luz na hora de criar a pedra com magia de terra…?
— Magia composta, hein. Da era, imagino, coisa da civilização de magia antiga.
Tocando a parede de pedra, a Rinze e a Rin analisam. A passagem subterrânea se estende reta, virando pra direita.
Com a Yae e a Hiruda na frente, avançam pela passagem de pedra, "kotsukotsu". A largura e a altura da passagem são de uns quatro metros, formato quadrado, não é estreita a ponto de não conseguir balançar arma.
A Yumina pergunta à princesa Pafia caminhando à frente.
— Essa passagem subterrânea era originalmente parte da ruína, né?
— Precisamente falando, parte da masmorra. Tem entrada do subsolo do palácio real pra dentro da masmorra da ruína.
— Masmorra conectada com o palácio real…? Tá tudo bem isso? Fera mágica e afins invadindo o palácio real…
— Tudo bem. Do lado do palácio real, tem várias camadas de barreira, sem deixar fera mágica se aproximar. Nesta passagem aparece fera mágica, mas só fraca tipo slime.
"Fica tranquila, né?" — como se dissesse isso, a Pafia sorri, e as quatro, Yumina, Eruze, Rinze, Yae, param de repente, "bikun".
— Slime, assim que encontrar, esmagamos…
— É verdade. Completamente.
— Sem sobrar nem um, tá.
— Ver inimigo é matar na hora, hein.
Os olhos das quatro, murmurando, "butsubutsu", estavam completamente fixos.
Essas quatro têm experiência amarga com slime no passado, e, desde então, detestam profundamente slime.
Sem saber dessa circunstância, a princesa Pafia, diante da mudança repentina de atmosfera das quatro, mostra sorriso contraído, recuando levemente.
— Ah, tem slime.
— [Que o gelo perfure, agulha pontiaguda gélida, Ice Needle]
No mesmo instante em que a Sū encontra o slime verde à frente, a Rinze dispara agulha de gelo. Num piscar de olhos, o slime, virado feito porco-espinho, tem o núcleo perfurado ali mesmo, morrendo facilmente.
— Assustador, hein…
— Slime verde é inimigo das mulheres. Igual o Kanaza.
— Das mulheres?
— Slime verde adora comer fibra tipo roupa. Inimigo natural de aventureira mulher.
Diante da Sū torcendo a cabeça, a Rin explica. Como se tivesse entendido, a Sū assente, correndo até alcançar todo mundo à frente.
Depois disso, subindo escada, com alguns bifurcações, quase sem se perder, a Yumina e o pessoal avançam pelo caminho até o palácio real.
Um dos motivos disso é que a princesa Pafia lembrava bem esse caminho.
Foi ensinada repetidamente pela irmã Refia, que já considerava essa possibilidade eventual. Nunca imaginou que isso viraria rota de invasão pra derrotar o Kanaza, em vez de rota de fuga.
— Bifurcação…
— Umm… esquerda. Por aquele lado.
A resposta atrasada da Hiruda, na frente, é porque o caminho decorado está invertido. Seguindo a instrução da Pafia, todo mundo vira pro corredor esquerdo.
— Tá bem longo, hein. Já achei que tínhamos avançado bastante…
— Já falta pouco. Já deve ter chegado ao subsolo do palácio real.
— É, mesmo… então, daqui em diante, melhor avançar com bastante cuidado, né.
A Rinze, com resistência física relativamente baixa, se recompõe ouvindo a resposta da Pafia. De fato, já faz tempo que não aparece slime nem fera mágica nenhuma. Deve ser efeito da barreira instalada no palácio real já se manifestando.
Depois de um tempo, a Yae e a Hiruda, avançando na frente, param.
— O que houve?
A Rū, atrás delas, espia por cima do ombro da Yae. À frente, uma escada se estende, mas desaparece no meio, batendo no teto.
— Será ponto final, hein?
Subindo a escada, a Yae bate no teto.
— Som diferente. Esse teto, provavelmente é fino.
Diante da voz da Sakura, a Yae examina bem o teto, e tinha algo tipo junção fina em formato quadrado. A Pafia, atrás, abre a boca.
— Em cima disso deve levar a um quarto do palácio real não usado atualmente.
— Entendi. Então basta erguer isso, né? …Fununu!
Quando a Yae coloca a mão no teto, forçando, a pedra quadrada se desloca levemente, erguendo pra cima. Mas, mesmo fina, pedra é pedra. Deve ser bem pesada, e a Yae, rosto completamente vermelho, tenta erguer de qualquer jeito, mas não sobe fácil.
— Funununuuwoooo…!
— Ya, Yae-san? Seu rosto tá ficando num estado impossível de mostrar!
— Buha!
Perdendo força com a voz da Hiruda, a Yae dobra o joelho. Vendo isso, quem avança balançando o braço é a Eruze.
— Deixa esse tipo de coisa comigo. Vou erguer de uma vez.
— Nuu. Que pena, hein.
Trocando de posição levemente com a Eruze, a Yae desce da escada.
Igual à Yae, colocando a mão na pedra do teto, a Eruze solta um suspiro.
— [Boost]!
"Gagogo!", som de pedra se deslocando, e, de uma vez, a pedra acima da cabeça da Eruze se ergue.
Erguendo a pedra, o que a Eruze, de pé, viu foi o interior de um quarto escuro.
Baixando a pedra erguida à frente, a Eruze sai rastejando pelo buraco. Só ao virar pra trás percebeu que tinha saído de dentro de uma lareira.
De fato, parece quarto não usado, quase sem mobília nenhuma. Dentro da lareira também estava vazia.
Examinando ao redor com cuidado, confirma que não tem ninguém por perto.
— Parece que tá tudo bem. Podem subir.
— [Que o vento bloqueie, a visita do silêncio, Mute]
Respondendo à voz da Eruze, a magia da Rin é disparada do subsolo. Com isso, o barulho do quarto não ecoa pra fora.
É magia de vento com efeito parecido ao [Silence], magia sem atributo que o Touya usa, encontrada na "Biblioteca" de Babylon.
De dentro da lareira, todo mundo sai rastejando um atrás do outro. Só a Sakura e a Tokie teletransportaram, no entanto.
— De algum jeito, conseguimos invadir, né.
— O que fazemos agora?
— Contamos a situação pro papai e a irmã Refia, e pedimos pra evacuarem pra algum lugar. E o Kanaza, com estas próprias mãos…!
"Gu", a Pafia cerra o punho. Nos olhos dela, chama de raiva turbilhona.
— E, onde fica o quarto de Sua Majestade o Rei?
— O quarto de dormir é no terceiro andar, no fundo. Umm…
Respondendo à Eruze, correndo pelo quarto escuro, a Pafia vai até a janela. Abre levemente a cortina fechada.
— Olha, dá pra ver daqui. Aquele quarto no fundo do terceiro andar.
Na janela à frente de onde a Pafia está, o pátio interno se estende iluminado pelo luar, e ela aponta com o dedo o prédio na diagonal superior esquerda.
— Surpreendentemente perto, hein.
— Se estiver no alcance visual, dá pra pular com [Teletransporte].
A Sakura espia pela janela o quarto de dormir do rei, confirmando a distância. Diferente do [Gate], [Teletransporte] não interfere no destino, então não sofre bloqueio de talismã e afins. O problema é se tem alguém além do rei ali…
— Provavelmente tá tudo bem. Mesmo os confidentes de confiança do meu pai, e até as criadas, por ordem do Kanaza, não podem se aproximar. Só nós, irmãs, e o médico particular, podíamos entrar. Claro, o médico particular também era marionete do Kanaza, mas…
Se o médico particular é marionete, significa que podem matar o rei a qualquer momento. Ou talvez estejam mantendo essa situação desesperadora, esperando o coração do rei enfraquecer.
— Então, a Sakura-san teletransporta com a Pafia-san e… a Rin-san. Depois de teletransportar, aplica [Mute] igual aqui.
— Sim. Entendido.
A Sakura segura a mão da Pafia e da Rin. De quebra, a Pōra também se agarra firme na perna da Rin. Confirmam bem o quarto de dormir do rei visível pela janela.
— [Teletransporte]
Num instante, as três se teletransportam pra outro quarto. Igualmente escuro que o quarto anterior. Parece ter teletransportado num canto do quarto, atrás uma parede, e à frente, cama grande com dossel.
— [Que o vento bloqueie, a visita do silêncio, Mute]
Rapidamente, a Rin ativa magia de bloqueio. Quem reage a essa ação não é nem a Sakura nem a Pafia, mas outra pessoa.
— Quem é!?
Junto com som de "gatan", alguém que parecia estar ao lado da cama se levanta, questionando em direção a cá.
Não é o rei. Voz de mulher. Parece que tinha outra pessoa no quarto, além do rei que dorme na cama.
Antes que a Rin tentasse neutralizar com magia, a Pafia salta pra frente ao lado dela.
— Irmã Refia!
— Pafia…? É a Pafia mesmo!? Aah, que bom que tá bem…!
Do lado da Rin, só dá pra ver embaçado, mas parece ser mesmo a irmã da Pafia, a Primeira Princesa Refia.
A Refia abraça com força a Pafia que se joga em seu peito. Reencontro depois de três meses.
Três meses atrás, quando o Kanaza forjou corpo falso dizendo que a Pafia tinha morrido, a Refia não se abalou nem um pouco. Por mais parecida que fosse, jamais confundiria a irmã com outra pessoa. Sem o corpo da própria irmã, sempre acreditou que isso significava que a irmã ainda estava viva.
Como esperado, a irmã estava viva mesmo — abraça o precioso tesouro dentro do próprio peito.
Iluminada pelo luar, a Primeira Princesa do Reino de Nokia, Refia, tem traços de rosto bem parecidos com a Pafia.
Idade em torno de vinte e poucos anos, vestindo roupa tradicional de Nokia com base branca, cabelo castanho longo igual à Pafia, se estendendo até a cintura. O olhar não é tão afiado quanto o da Pafia, mas parece mulher de coração firme.
— Parece que tá tudo bem mesmo. Deixo isso aqui com você e trago o pessoal.
— N
Diante da fala da Rin, a Sakura assente levemente, e só ela desaparece do quarto.
Antes de trinta segundos, dessa vez, a Sakura reaparece trazendo a Eruze e a Rinze, e, de novo, só ela desaparece. Vendo as figuras desconhecidas aparecendo um atrás do outro no quarto de dormir do rei, a Refia arregala os olhos.
— Pafia… es, essas pessoas são…?
— São as noivas de Sua Excelência o Duque de Brunhild, nossos colaboradores.
— Eeh!? Até aquela pessoa de idade avançada também!?
— Ah, não, aquela é a avó de Sua Excelência o Duque, e…
Vendo a Tokie, que teletransportou sozinha sem perceber, a Refia arregala os olhos, e a Pafia corrige apressada. Talvez seja meio distraída.
Vendo o total de nove noivas, tirando a Tokie e a dama de companhia da Pafia, a Rishia, a Refia quase perde as palavras diante do número.
Desde a destruição de Eurono, informação do mundo exterior começou a chegar aos poucos, mas o assunto mais comentado, sem dúvida, é sobre o Principado de Brunhild, que destruiu (segundo se acredita) o odiado Império Celestial Eurono. Entre isso, os episódios sobre o Duque não têm fim.
"Sozinho, derrotou demônio gigante", "liderando poucos soldados, derrotou bando de dragões", "raptou a princesa do Reino Demônio", "esmagou grande potência militar do novo continente", e por aí vai — difícil julgar quanto é verdade e quanto é mentira.
Mas, entre esses, o boato mais ouvido é "o Duque é homem de gosto insuperável por mulheres". Dizem que "herói ama beleza", mas, por causa do caso do Kanaza, a Refia não tinha impressão muito boa do Duque de Brunhild.
Diferente do Kanaza, só apreciava o fato de que o Duque, aparentemente, mostrava intenção clara de receber a noiva formalmente, tratando com carinho.
— Você é a Refia-sama, certo?
— Ah, sim.
— O Ministro Militar Kanaza do seu país usou criatura invocada em nosso país, mirando a noiva de Sua Excelência o Duque. Portanto, o Ministro Militar Kanaza vai receber a devida punição por isso… isso é a versão oficial. A Pafia-sama parecia em dificuldade, então viemos ajudar.
A Yumina fala com a Refia com tom levemente descontraído. Ouvindo isso, a Refia se curva profundamente. Declaração de derrubar o Kanaza, entendendo completamente a situação de Nokia. Não existe aliado mais forte que esse.
— Muito obrigada…! Como princesa de Nokia, agradeço a todos vocês, e a Brunhild…!
— «Brunhild… atrapalhando o caminho do senhor Kanaza-… imperdoável… imperdoável, aaaaaah!»
De repente, voz que parece ressoar do fundo da terra ecoa ao redor. O quarto está sob efeito de [Mute]. Ou seja, isso significa que a voz está sendo gerada dentro do quarto mesmo.
— Ali!
No lugar apontado pela Yumina, da boca do rei deitado na cama, algo tipo névoa branca se erguia.
A névoa gradualmente cresce, e, dentro dela, flutuam dois olhos tipo brilho dourado. Aquela figura tinha exatamente o mesmo formato do espírito maligno que causou tumulto em Brunhild.