Capítulo 441 – O Combate Caótico, e o Dragão Blindado
— «Meu nome é Garaberamu. Servo do senhor Kanaza…»
— Não pode ser…! Já estava possuindo meu pai desde antes…!
— «Não conseguia tomar completamente o corpo, mas, por ordem do senhor Kanaza-sama, estava lentamente cortando a vida dele… pra poder matar a qualquer momento…!»
Diante da voz de surpresa da Refia, o espectro responde com escárnio. Essa criatura maligna também é criatura invocada do Kanaza.
Pra manipular várias criaturas invocadas, precisa contratar com aquele que seria líder delas. Mesmo entre espírito maligno, existe espírito central que representa esse grupo. O Kanaza contrata com esse espírito, manipulando os subordinados dele também.
— Por ora, sai daí de dentro. [Que a luz venha, o banimento do brilho, Banish]
— «Nuguuuuuu!?»
Recebendo a magia de luz disparada pela Rin, o Garaberamu é arrancado de dentro de Sua Majestade o Rei. O corpo principal, tipo fumaça turva, se afasta do rei.
— «Você…! É usuária de magia de luz! Garotinha insolente!»
— Quem é garotinha? Provavelmente sou mais velha que você, viu.
A Rin, encarando o espectro flutuando perto do teto, começa a recitar magia. De cada um dos cinco dedos que ela ergue, cinco flechas de luz são disparadas ao mesmo tempo.
— [Que a luz venha, disparo múltiplo brilhante, Light Arrow]
— «Uguguya!?»
As flechas brilhantes acertam todas no espectro, e o corpo principal em estado gasoso, com buraco aberto, se dissipa se despedaçando. Espectro subalterno desses não é páreo pra Rin.
— Hunf. Só sabe se esconder dentro dos outros, e ainda por cima fica se achando.
Vendo o Garaberamu completamente desaparecido, as irmãs Refia e Pafia, voltando a si de repente, correm até o pai que dorme na cama.
— Pai! Consegue me ouvir! Pai!
— Ah, melhor não mover ele. Como o corpo foi desgastado pelo espectro, não pode forçar.
A Tokie impede as duas que se agarram ao pai. Toca a testa do rei de Nokia, que continua dormindo.
— A resistência física caiu, mas o corpo não parece ter problema. Acho que a consciência volta em alguns dias.
— Que bom… pai…!
Ao contrário das irmãs que suspiram aliviadas com os olhos marejados, a expressão da Yumina e do pessoal fica séria. A Sakura, com audição aguçada, já percebe que o palácio real começa a ficar agitado. A magia [Mute] bloqueia o som de dentro vazar pra fora, mas isso não significa que fica surda ao som de fora.
— Se aquele espectro também é criatura invocada do Kanaza…
— Nossa infiltração cuidadosa também deve ter sido descoberta, digo eu.
— Devem estar vindo pra cá agora, trazendo vários subordinados… imagino.
Dava até pra enfrentar aqui, mas, afinal, é dentro de um quarto. E ainda por cima, tem Sua Majestade o Rei, as irmãs Refia e Pafia, e até a dama de companhia Rishia. Difícil lutar sem envolver eles.
— Não tem jeito. Aqui eu cuido, então vocês podem lutar à vontade. Não vou deixar ninguém tocar nessas crianças.
Como se tivesse lido a mente de todo mundo, a Tokie fala. O que a Tokie governa é tempo e espaço. Técnica de barreira, profundamente relacionada a espaço, ela também manipula com facilidade. Se quisesse, conseguiria criar barreira ainda mais resistente que o [Prison] do Touya.
— Com a vovó aqui, fico tranquila.
— Então não há mais preocupação. Vamos, é hora de exterminar demônio.
— Vem bastante som de passo. Cuidado.
Como diz a Sakura, do outro lado da porta, chega som de vários passos correndo.
A Yae e a Hiruda ficam na frente, sacando katana e espada. A Eruze também equipa manopla nas duas mãos.
Atrás, a Tokie murmura algo, e, ao redor da cama, se forma barreira azul-esbranquiçada, igual ao [Prison] do Touya. Deve ser barreira pra proteger de ataque.
— De quebra, vamos também tornar invisível.
"Suu", desaparecem a figura da Tokie, do rei de Nokia, das irmãs Refia e Pafia, e da Rishia. Vendo que o rei de Nokia, que devia estar na cama, desaparece, e o cobertor fica plano, parece não ser magia de transparência, mas magia de ilusão de visão.
— Como esperado, hein.
— Fufufu. Elogiar não vai render nada, viu?
Diante da Rinze admirada, a voz da Tokie retorna de algum lugar.
Nesse meio, "doban!", a porta se abre com violência, e vários soldados armados invadem o quarto em avalanche.
— Primeiro, vamos pra um lugar mais fácil de lutar! Yae-san, Hiruda-san, Eruze-san, aqui é ataque frontal!
— Entendido!
— Compreendido!
— Deixa comigo!
Seguindo a instrução da Yumina, a Yae e o pessoal avançam em direção aos soldados invasores.
A katana da Yae e a espada da Hiruda são feitas de material cristal, tendo naturalmente afiação capaz de cortar até ferro com facilidade. Ainda por cima, com [Modeling] do Touya aplicado, dá pra deixar sem fio, por vontade do dono. Ou seja, dá pra escolher cortar ou não cortar, conforme a vontade do dono.
Cortar facilmente soldados de outro país, com certeza, vai causar problema pro rei de Nokia depois. Julgando isso, a Yae e a Hiruda deixam sem fio a lâmina, com objetivo apenas de tirar a capacidade de combate do oponente. Claro, talvez algum osso quebre no processo.
— Guha!?
— Ugo!?
— Buhe!?
Derrubando um atrás do outro os soldados que invadiram o quarto, as três saltam pro corredor.
O corredor diante do quarto de dormir do rei de Nokia fica em local afastado, sem rota de fuga. Da frente direita, saindo da porta, vêm soldados em fileira. À esquerda, é parede, e além dela, o pátio interno.
Enfrentando os soldados que vêm de frente, a Yae e a Hiruda respondem, e a Eruze fica de costas com elas, encarando a parede atrás.
— Eruze-dono!
— Deixa comigo! [Boost]!
Explode um soco direto com força na cintura, e a parede à frente é despedaçada num único golpe.
Da parede desmoronando, "garagara", dá pra ver o pátio interno amplo lá embaixo. Vento noturno frio entra soprando no corredor de altura de terceiro andar.
— [Que o gelo venha, muralha de defesa gelada, Ice Wall]!
Sem hesitar, a Rinze, saindo correndo do quarto de dormir do rei de Nokia, dispara magia em direção ao buraco aberto pela irmã.
Muralha de gelo espessa aparece do buraco aberto pela Eruze em direção ao pátio interno, feito escorregador. Nas mãos de maga habilidosa, dá pra deformar o [Ice Wall] até certo ponto.
A Eruze desce o escorregador construído pela irmã, ainda de pé, pousando com leveza no pátio interno.
Em seguida, a Rinze, a Yumina, a Sakura, a Sū, a Rin com a Pōra, a Rū, descem o escorregador, e a Hiruda e a Yae, que seguravam os soldados, descem por último.
Naturalmente, os soldados que avançavam também correm em direção ao escorregador de gelo.
Nesse timing, a Yumina, já no pátio interno, ativa uma magia.
— [Que a terra venha, muralha de defesa em terraplenagem, Earth Wall]
Destruindo o escorregador de gelo feito pela Rinze, dessa vez, muralha de terra emergindo do chão cobre todo o buraco aberto pela Eruze. A muralha de terra, se estendendo do chão até o terceiro andar, tapa exatamente o buraco na parede.
Percebendo que não conseguem destruir a muralha, os soldados, decidindo dar a volta, começam a correr em direção ao pátio interno.
— Aqui, mesmo lutando um pouco, não deve ter problema, né.
Sacando a dupla espada da cintura, a Rū murmura. Pela janela do corredor de terceiro andar onde estavam há pouco, dá pra ver os soldados correndo apressados.
Dá pra ver o grupo separado correndo em direção ao pátio interno. Vendo isso, de repente, a Yumina sente sensação estranha.
Os soldados de Nokia são principalmente armadura leve, equipando armadura de couro e luva de mão sobre roupa leve. Mas os que vêm em direção a cá vestem armadura tipo cavaleiro, completamente equipados.
E ainda por cima, o design da armadura é nunca visto antes, completamente preta. Como a viseira do capacete está erguida, dá pra ver o rosto de quem usa, mas, claramente, aquele rosto parece ter perdido toda a emoção.
— Serão pessoas possuídas? Rinze-dono, [Banish], por favor.
— Entendido. [Que a luz venha, o banimento do brilho, Banish]!
No círculo mágico brilhante que aparece no chão, os cavaleiros negros são envolvidos. Mas a armadura preta repele as partículas de luz, apagando o círculo mágico num instante.
— Não funciona!?
— Não é armadura comum. Item mágico… e ainda por cima, item antigo da era do Reino Mágico Antigo…
— Exatamente. Item mágico da era do Reino Mágico Antigo, "Armadura Anti-Magia". Tem capacidade de defesa excelente contra magia. Magia de atributo luz de vocês não serve de nada.
Quem responde à análise da Rin aparece de trás dos cavaleiros negros. Homem alto, cabelo vermelho, vestindo longa túnica preta, com vários adornos de jade pendurados no pescoço. É o Ministro Militar do Reino de Nokia, Kanaza Nōtorisu.
— As fêmeas de Brunhild vieram em bando, hein. Onde está a Pafia? Responde.
Com atitude arrogante, o Kanaza olha as garotas de cima, exigindo resposta. Pra ele, mulher é existência que deve se curvar diante dele, ferramenta trocável à vontade. Essa natureza distorcida se manifesta nesse comportamento.
— Han. Você é o Kanaza? Olha, Rinze, falei mesmo, né? Como esperado, tem cara de sovina, tipo que não faz sucesso com mulher.
— Nee-chan… eu também acho isso, mas falar tão claro assim, será que tá certo… acho que nem parece rosto de gente, viu? Bom, esse aí a personalidade também deve ser péssima, mas.
A irmã, criticando o oponente pela primeira vez, e a irmã caçula, chamando atenção dela, também fala sem papas na língua. De um jeito ou de outro, gêmeas com sensibilidade parecida.
Por outro lado, o Kanaza, sendo debochado, encara a Eruze e o pessoal com o músculo do nariz se contraindo.
— Vocês…! Estão me tratando com desprezo?
— "Eu"! Puha, disse "eu"! Ouviu isso, Hiruda-dono! Como se achando!
— Yae-san, isso é falta de educação, viu. Puhu, de fato é meio patético, mas…
A Yae dá tapinhas nos ombros da Hiruda repetidamente, "bashibashi". Ao contrário das duas segurando o riso, talvez tocadas em ponto sensível, na têmpora do Kanaza, várias veias saltam.
— …O…! …! Muito bem. Vou capturar vocês e fazer vocês falarem onde está a Pafia. Vou dar dor e humilhação a ponto de fazer desejarem a morte…!
— …Que sorte a sua, tal de Kanaza. Se Touya-sama estivesse presente aqui, com certeza o punho dele já teria acertado seu rosto sem dúvida.
— Aaa… deve fazer mesmo, o Touya-san. Mais que sobre si mesmo, é quando debocham de nós que ele fica realmente furioso…
— Mas também um pouco feliz.
Assentindo à fala da Rū, a Yumina e a Sakura tecem as palavras. Bajulação? Ouvindo isso, as veias na têmpora do Kanaza aumentam ainda mais.
Sendo Ministro Militar, nunca foi tão humilhado assim até agora. Homem originalmente de paciência curta. Ainda por cima, jamais recebeu insulto desse nível vindo de mulher, que ele sempre menospreza no dia a dia. A raiva já estava prestes a explodir. Igual vulcão prestes a entrar em erupção.
O fato de ainda não ter demonstrado a raiva era orgulho mesquinho, tentando exibir compostura de forte. Resumindo, gritar contra mulher que menospreza é vergonhoso pra alguém forte, ele pensava. Mesmo já estando estampado no rosto, sendo inútil isso.
Nos olhos desse Kanaza, entra a figura da Sū, inclinando a cabeça levemente.
— Você tá meio careca, hein.
━━━━ Puchin.
— Capturem essas aíííí!
Junto com o comando do Kanaza, com raiva no ponto máximo, os cavaleiros negros avançam de uma vez, armas em punho, contra a Yumina e o pessoal.
— Chegou, chegou. Então vamos exterminar praga.
Lambendo os lábios secos, "perori", a Eruze encurta a distância de um golpe, numa trajetória baixa, capturando o queixo de um cavaleiro negro com upper tipo relâmpago.
O cavaleiro negro lançado longe voa pelo ar, caindo no chão sem mais se mover.
Mesmo sendo manipulado por possessão de espectro, o corpo é humano. Recebendo dano, o movimento fica lento, e, se sofrer concussão, até o próprio espectro tem dificuldade de mover o corpo. Comparando, é tipo cavaleiro que manipula cavalo — se o cavalo cai, não tem jeito.
O próprio espectro não move o corpo diretamente, mas ordena ao dono do corpo pra se mover.
— «Maldiiito…!»
— Vocês são idiotas mesmo, né? Criatura invocada parece com o contratante, será?
A Eruze dispara soco direto contra o espectro rastejando pra fora feito ectoplasma da boca do cavaleiro caído. Claro, envolto em mana de atributo luz.
— «Ugyaoooooo!?»
— Se sair da armadura pra fora, derrotar vocês é mais fácil até que slime.
Perfurado pelo punho da Eruze, o espectro solta grito agonizante, se despedaçando. De trás dessa Eruze, outro cavaleiro negro ergue a espada, tentando atacar. Mas o pé que tenta avançar não se move. Sem perceber, percebe que as duas pernas estão presas ao chão por gelo. Foi o [Ice Bind] disparado pela Rinze. Infelizmente, elas conhecem de sobra como lidar com oponente sem afetar diretamente pela magia.
— Agora, nee-chan!
— Valeu, Rinze!
Diante do cavaleiro negro imóvel, o chute da Eruze, meia-volta no ar, acerta em cheio. Imitação da técnica do guerreiro com máscara de tigre que o Touya mostrou antes.
O cavaleiro negro, peitoral da armadura amassado, cai no local. Talvez tenha visto o fim do espectro anterior, ectoplasma nenhum saiu da armadura. Criatura invocada covarde, essa.
— Só a magia não funcionar, isso já vira igual soldado normal mesmo, hein.
— Pelo menos não disparam nada estranho igual Phrase, isso já ajuda.
— Nem regeneram também.
A Yae, a Rū, a Hiruda derrubam os cavaleiros negros um atrás do outro, sem perder pra Eruze.
— [Que a terra perfure, abismo dos tolos, Pitfall]
— [Que a água venha, corrente pura, Waterfall]
— [Que o raio venha, lança relâmpago de lótus branco, Thunder Spear]
A Yumina afunda o chão sob os pés dos cavaleiros negros com magia de terra, fazendo cair no buraco. Ali, a magia de água da Sakura despeja grande quantidade de água, e, como golpe final, a lança de raio disparada pela Rin se crava não no cavaleiro negro, mas na superfície da água.
Se atacar diretamente o corpo principal, o dano pode ser anulado, mas, indiretamente, não tem problema. Os cavaleiros negros eletrocutados dentro do buraco ficam moles, sem mais se mover.
Alguns viram estado de ectoplasma, com espectro saltando pra fora do corpo, mas todos são perfurados pelo [Shining Javelin] da Sū, que já esperava pronta.
Vendo os cavaleiros negros sendo derrotados um atrás do outro, a raiva do Kanaza aquece cada vez mais.
— Zebēta!
— «Sim. Presente.»
Quando o Kanaza levanta a voz, de trás dele aparece um homenzinho de costas curvadas vestindo túnica azul.
— O que tá acontecendo! Aquela armadura não deveria fortalecer os soldados!?
— «Não, aquela armadura serve pra anular magia de luz, nosso ponto fraco, mas a capacidade de combate básica não muda. Pra começo de conversa, humano possuído por espectro tem força muscular dobrada em relação ao normal…»
— Aai, chega de explicação! Faz algo!
— «Sim. Então, do "Legado de Erukusu", o número 8.»
Diante da voz do Zebēta, o Kanaza tira algo tipo caixa pequena do peito da roupa. Abrindo a tampa, dela, tira esfera de uns quatro centímetros de diâmetro, marcada com número "8".
— É isso mesmo.
O Kanaza bate isso com toda força no chão, quebrando em pedaços. Não é ataque de raiva. Essa esfera é item mágico com magia de armazenamento aplicada, e precisa quebrar pra tirar o conteúdo de dentro.
No mesmo instante em que os fragmentos despedaçados desaparecem, ali, num instante, aparece dragão gigante.
— I, isso é…!
— «É o "Dragão Blindado".»
Dragão sendo dragão, mas não é dragão de carne comum. Dragão fundido com máquina de aço em todo o corpo. Digamos, dragão ciborgue. Também parece dragão usando armadura.
Tamanho de uns quinze metros de comprimento. Sem asa, tipo entra na categoria de dragão terrestre. Mãos e pés com quatro garras, cauda longa. Da nuca até a ponta da cauda, espinho afiado se estende. Na boca grande, presas afiadas alinhadas em fileira, e os dois olhos emitem brilho fosco.
— «Então, com licença.»
Da boca do homenzinho de costas curvadas, algo tipo ectoplasma é expelido. Depois de expelir tudo, o homenzinho revira os olhos, caindo desmaiado no local. A névoa turva vai entrando pra dentro do corpo do dragão mecânico através da boca.
Algo tipo ventilador instalado nas costas começa a girar devagar, gradualmente passando pra rotação alta. Absorvendo mana do ar, o dragão começa a se mover.
O tal Dragão Blindado ergue a cabeça, e, dos dois olhos, disparando luz vermelha maligna, solta rugido tipo trovão intenso em direção ao céu.
Da boca, expele algo tipo vapor de fumaça. Ser criatura viva e também máquina, talvez tenha parte em comum com a Sheska e o pessoal, os "Números de Babylon".
— «Bom, senhoritas. Então, esta Zebēta vai fazer companhia.»
O que é expelido junto com vapor da boca do Dragão Blindado é a mesma voz que o homenzinho de antes emitia.
"Dragão Blindado". Disparando "Agulha de Ressonância de Domínio" que manipula fera mágica no cérebro de dragão terrestre, fundindo com máquina mágico-industrial, dotando ainda mais poder imenso ao corpo — legado do Reino Mágico Antigo.
Foi a "Aeronave de Combate Anti-Phrase" criada pela artesã mágica, Doutora Debora Erukusu.