Capítulo 442 – A Aniquilação do Espírito Maligno, e o Carma
"Dragão Blindado" é artefato de combate criado há cinco mil anos pela artesã mágica Doutora Debora Erukusu.
Baseado em dragão de alta capacidade de combate, tendo a própria vontade retirada, lavagem cerebral, e reforçado repetidamente, é arma biológica. Sendo justamente pra combater Phrase, tem poder suficiente pra despedaçar até o corpo resistente de Phrase.
O que o Kanaza invocou é um desses "Dragões Blindados" criados pela Doutora Debora. E, nesse corpo, agora, o servo do Kanaza, Zebēta, transferiu a possessão.
— «Deixa eu ver»
Em direção à parede do castelo ao lado, o Dragão Blindado Zebēta estende a pata dianteira esquerda, e, junto com som de explosão, a mão esquerda dispara, despedaçando a parede do castelo.
— Oooh!
Enquanto o Kanaza solta grito de júbilo, a mão esquerda que voou é puxada de volta num instante pelo cabo de arame conectado.
— «Parece não ter problema de uso. Então»
O Zebēta decide o primeiro alvo entre as nove diante dele. Nesse tipo de situação, primeiro reduz o número. Direciona à quem parece mais fraca, e cuja eliminação geraria mais abalo nos restantes, disparando a garra ejetável da mão direita, "Garra de Ataque".
A garra disparada avança em direção à Sū, que estava parada, sem defesa aparente.
No instante em que a garra afiada tenta perfurar o peito da Sū, como se não fosse nada, ela simplesmente torce o corpo pro lado, desviando.
— «O quê!?»
Diante do ataque, que garota criança nenhuma deveria conseguir desviar, sendo desviado com tranquilidade, sai voz de surpresa do Zebēta.
— Lenta, hein. Comparado com a espada da irmã Moroha, isso pararia até mosca.
Alvo de comparação errado, pensaram todas as outras oito, mas nenhuma disse em voz alta. De fato, as outras oito também conseguiram ver o ataque de garra disparado, e realmente acharam lento também.
— «Ku… então, que tal isso!»
Dos dois ombros, algo tipo lâmina em crescente é disparado continuamente. Cortador tipo shuriken feito de mithril, giro em alta velocidade, movimento irregular, avança em direção às garotas.
Mas a Yae e a Hiruda, à frente de todo mundo, derrubam todos aqueles cortadores em crescente. Não cortaram em pedaços porque, se despedaçados, o estilhaço voando seria incômodo.
— Brinquedo com bastante arma de disparo, hein.
— Se levar de volta pra casa, a Doutora talvez fique feliz.
A Hiruda ri baixinho, "kusu", respondendo à Yae, mas, na verdade, a Doutora Babylon já viu esse "Dragão Blindado" há cinco mil anos. Ainda por cima, chamando de "obra fracassada", debochou tanto que a Doutora Erukusu ficou furiosa com ela, então dificilmente ficaria feliz.
Um dos motivos da Doutora Babylon avaliar o "Dragão Blindado" como fracasso é a baixa capacidade de produção em massa. Como a base é dragão, naturalmente não dá pra ter quantidade. E, de quebra, sem dúvida faz inimizade com a raça dos dragões. Se fosse dragão fora do bando que causa dano a humanos, ainda vá lá, mas capturar e modificar outros dragões é basicamente fazer inimizade com toda a raça draconiana. Antes mesmo de ser destruído por Phrase, o país seria destruído atacado pelos dragões. De fato, exatamente como a Doutora Babylon temia, o projeto "Dragão Blindado" foi paralisado por ter atraído a fúria dos dragões.
Quem está diante delas agora é justamente um sobrevivente desse "Dragão Blindado".
— [Que a água venha, espuma do impacto, Bubble Bomb]
Ao redor do Zebēta fundido com o Dragão Blindado, inúmeras bolhas de sabão flutuam. As bolhas flutuantes disparadas pela Rinze explodem repetidamente feito mina, toda vez que o Zebēta encosta.
— «Ku, gu! Você é boa nisso…!»
O Zebēta dispara em direção às bolhas ao redor os espinhos tipo lâmina alinhados da nuca até a ponta da cauda. Junto com os espinhos, as bolhas explodem e desaparecem.
E, nesse timing, ele gira o corpo inteiro uma vez, tentando bater na Yumina e o pessoal de lado com a cauda longa girando. Se receber o golpe da cauda grossa coberta de armadura metálica, uma ou duas garotas com certeza morreriam na hora.
Mas essa jogada do Zebēta se desfaz facilmente.
Uma garota, equipando manopla nas duas mãos, aguenta o golpe da cauda.
— «O, o quê!?»
— Percebi recentemente, mas parece que minha "Característica de Servo" é tipo "resistência a impacto"… Não sinto nada.
A Eruze murmura sozinha, segurando a cauda mais grossa que tronco de árvore. "Característica de Servo" concedida a servo divino. Por ora, as que já começaram a despertar são a "Visão de Futuro" da Yumina, a "Superaudição" da Sakura, o "Paladar Absoluto" da Rū.
No caso da Eruze, precisamente falando, não é "resistência a impacto", e sim "Característica de Servo" que envolve todo o corpo em ki de combate misturado com Ki Divino, tipo versão simplificada do "Liberação de Autoridade Divina" que os deuses, incluindo o Touya, usam. Poderia chamar de "Manto de Ki de Combate Divino".
— Hoho. Muito digno da Eruze-dono, digamos.
— Sinto que tem algo incomodando nesse jeito de falar… É parecido com [Boost], então tá fácil de usar, sim!
— «Guo!?»
Segurando a ponta da cauda, a Eruze torce, e, com som "bakiri", quebra facilmente. Assim mesmo, chuta longe a parte da cauda com a ponta quebrada dobrada. O Zebēta, perdendo o equilíbrio, cambaleia.
— O que são aquelas mulheres! Droga, o que tá acontecendo!? Faz algo! Zebēta!
O Kanaza grita furioso com a incompetência do Zebēta.
Mas, antes que o Zebēta obedecesse a esse comando, a Hiruda salta num pulo só até perto dele, disparando um golpe de espada.
— Estilo de Espada de Lestia, Terceira Forma, Corte de Ferro
— «Não pode ser…!»
O pescoço do "Dragão Blindado" é decepado num instante, "zupan", pela espada da Hiruda. O pescoço grande coberto de armadura rola pelo pátio interno, "gorogoro".
Ao mesmo tempo, o corpo principal, tendo perdido a cabeça, também desaba no chão sem força, como se o fio da marionete tivesse sido cortado.
— Ooh. Com isso, a Hiruda também vira matadora de dragão, hein.
— Chamar isso de dragão é um pouco desrespeitoso pra raça dos dragões.
A Sakura responde no seu próprio ritmo à murmura da Sū. De fato, seria difícil aceitar como pertencente à espécie mais forte, o dragão, uma existência cujo pescoço decepado nem solta uma gota de sangue.
— «Mu…!»
Do corpo do dragão caído, algo tipo névoa turva se eleva. O Zebēta, abandonando o corpo do Dragão Blindado que deixou de funcionar, voa até o Kanaza.
— Você! O que é essa incompetência! Ser derrotado por meras garotinhas! Inútil!
— «…O número 3.»
— O quê!?
— «Do "Legado de Erukusu", o número 3. Por favor, rápido.»
— N, número 3?
Diante da voz sem entonação do Zebēta, mesmo apressado, o Kanaza bate no chão a esfera marcada "3" tirada da caixa pequena, quebrando.
No mesmo instante em que os fragmentos despedaçados desaparecem, aparece armadura parecida com a dos cavaleiros negros. Mas essa armadura não é preta, e sim armadura transparente tipo cristal.
— Mu?
— Aquilo é…
A Yae e o pessoal param de se mover. Todas têm familiaridade com aquela armadura, precisamente com aquele material.
A armadura de cristal, flutuando no ar, vai se equipando um atrás do outro no corpo do Kanaza, que joga fora a longa túnica.
Da manopla até antebraço, cotovelo, braço superior, ombro, equipa nos dois braços, em seguida bota, caneleira, joelheira, coxa, cobre as duas pernas. E depois cintura, abdômen, peito, protetor de pescoço, e, por último, ao equipar o capacete, ali estava o Kanaza vestindo armadura de cristal por todo o corpo.
— O, ooh…! Isso é…!
— É a armadura suprema, feita a partir do demônio de cristal. Não deixa passar nenhuma lâmina, nenhuma magia funciona nela, a armadura definitiva. É a armadura de Kanaza-sama.
A figura do Kanaza equipado com armadura de cristal por todo o corpo, mais que cavaleiro vestindo armadura, parece soldado vestindo tipo powered suit.
Aparência de infantaria pesada, corpo todo protegido, mas, talvez com magia de redução de peso aplicada, o Kanaza quase não sente peso.
Na cintura, espada equipada, nas costas, escudo, e, ao segurar, até a espada fica leve tipo espada de madeira.
— Ooh! Que beleza…!
Quando o Kanaza balança a espada uma, duas vezes em direção à muralha do castelo, a muralha é cortada em pedaços feito papel rasgado.
— Fu… Fuhahahaha! Maravilhoso! Com isso, não existe ninguém neste mundo capaz de me impedir!
Originalmente, o Kanaza era mero soldado a serviço deste Reino de Nokia. Naturalmente, tem motivo pra ele ter subido até Ministro Militar em poucos anos.
É justamente o "Legado de Erukusu". O Kanaza encontrar isso numa ruína localizada ao norte de Nokia foi pura coincidência.
Ao deixar cair por engano, quebrando, a esfera de armazenamento número 1 dentro da caixa contida naquele "Legado de Erukusu", o destino do Kanaza mudou completamente.
O que aparece da esfera de armazenamento com selo desfeito é um espírito maligno que se apresenta como Zebēta.
Criatura invocada selada por cinco mil anos, servo destinado a ensinar o uso do "Legado de Erukusu".
Desde então, o Kanaza aprendeu técnica de possessão do Zebēta, manipulando as pessoas do castelo um atrás do outro à sua conveniência. Usa até o limite quem é útil, elimina existência que atrapalha.
Sem perceber, ele passou a se achar existência escolhida. Existência que guia o povo tolo, sem poder.
Eventualmente, vai dominar este país, atacando e destruindo o país vizinho arrogante no mundo exterior. E, sendo possuidor, tornar-se o grande rei do mundo — obcecado por essa ilusão delirante.
Esse rei não pode tropeçar num lugar desses. Precisa dispersar essas garotinhas e fazê-las pagar por terem se rebelado contra o rei do mundo.
O Kanaza empunha espada e escudo, se voltando de frente às garotas.
— Vou perguntar de novo uma última vez. Onde está a Pafia? Se responder honestamente e implorar por perdão, deixo você viver como escrava.
— Antes disso, você deveria olhar seu próprio reflexo no espelho uma vez, viu? Armadura transparente, ficou bem sem graça.
A Rin solta palavra cortante. Até o Touya, quando decidiu fazer armadura da ordem de cavaleiros de Brunhild, escolheu mithril em vez de material cristal justamente por isso. Armadura totalmente transparente por todo o corpo dá impressão bem sem graça. Se fosse completamente invisível sem mostrar armadura nenhuma, ou semitransparente, talvez não fosse tão ruim assim.
— E mais uma coisa. Seus olhos parecem furo vazio, hein.
— Não, deve ser tipo que, ao ficar exaltado, perde a visão do que está ao redor?
— Não é tipo adequado pra governante.
— E parece metido demais também.
— Ou seja, idiota.
— Sakura-san, isso é…
Toda vez que as garotas dizem coisas livremente, mais veias saltam na têmpora do Kanaza.
— Vocês! Estejam preparadas, viuuuuu!
O Kanaza ergue a espada, avançando reto em direção às garotas.
— De fato, parece furo vazio mesmo, hein.
— É. Será que não consegue perceber olhando nossas armas?
A Yae e a Hiruda reajustam o "material cristal" transparente na mão. Deveria ser óbvio de relance que esse é o mesmo material. Deve estar bem transtornado mesmo.
A espada do Kanaza que avança é bloqueada pela espada da Hiruda. Não, não conseguiu bloquear. Foi porque a espada do Kanaza foi cortada em dois pela espada da Hiruda.
— O quê!?
Diante do Kanaza olhando com olhos incrédulos a própria espada cortada facilmente, a Yae, segurando a katana favorita, "Tōka", se aproxima com urgência.
— Estilo Kokonoe Shinmei, Técnica Secreta, Impacto Voador Furioso
Vários rastros de luz cortam diante dos olhos do Kanaza. No instante seguinte, a armadura de cristal se despedaça, caindo no chão com som surdo.
Só a armadura vestida pelo Kanaza é cortada pela katana da Yae. Mesmo sendo mesmo material cristal de Phrase, a quantidade de mana investida entre a arma do Kanaza e das garotas é fundamentalmente diferente. Resistência e afiação são de outro nível.
— I, impossível, isso…!
Perdendo a armadura de Phrase, o Kanaza solta sem força o cabo da espada na mão.
Ali, a Eruze, avançando de salto, dispara o soco direito de baixo pra cima no corpo do Kanaza, inclinado pra frente.
— Voa longe!
— Gobueee!?
Contendo a força pra não estourar órgão interno, mas, recebendo o golpe da Eruze, o Kanaza sobe voando alto pelo ar, sendo lançado a mais de dez metros de altura.
No ar, com o rosto torcido pela dor aguda que atinge o abdômen, na borda da visão dele, dá pra ver alguém de pé na varanda de terceiro andar, onde fica o quarto de dormir do rei.
— O ressentimento das pessoas manipuladas por você… sente na pele!
— Pa, Pafia…!?
— [Venha, tempestade cortante, tufão de choque elétrico, Tempestade de Plasma]!
Contra o Kanaza indefeso, é disparada a magia composta da princesa Pafia. O Kanaza grita, direcionando a voz ao seu único aliado visível dali, no chão.
— Ze, Zebēta! R, rápido, me salva!
— «Sinto muito, mas recuso.»
— Não pode ser…!?
Diante da rejeição do próprio servo absoluto, o Kanaza duvida dos próprios ouvidos. No instante seguinte, relâmpago estourando e vento tempestuoso assustador o atacam.
— Fuguwaaaaaaaaaaaaaaa!
Em rotação intensa tipo saca-rolhas, o Kanaza se choca contra a parede do lado oposto.
Assim mesmo, o homem que era Ministro Militar deste país cai no chão feito trapo velho. Ainda vivo, mas já sem consciência.
Talvez tenha se quebrado ao cair no chão, da veste dele salta caixa quebrada, e a esfera de conteúdo dentro dela também salta pra fora.
— Perfeito. Pafia-san, Tokie-sama.
A Yumina desliga a ligação do smartphone. Nos olhos da Yumina, alguns segundos antes, já se via o futuro do Kanaza sendo lançado ao céu. É habilidade da "Característica de Servo", "Visão de Futuro".
Ali, ela ligou pra Tokie dentro da barreira, pedindo pra a Pafia ficar de prontidão. O golpe final, afinal, deve ser dado por alguém que ama este país mesmo.
— Bom, o castigo desse aí a gente vê depois…
Olhando de relance o Kanaza soltando fumaça queimada, "busubusu", a katana da Yae se direciona ao Zebēta.
— Abandonar o próprio mestre não é algo muito admirável, hein.
— «Peço que não me confunda. Meu verdadeiro mestre não é esse homem ali.»
— O quê?
Criatura invocada, basicamente, tem como mestre quem a invocou. Seguindo o contrato, deveria obedecer fielmente enquanto o contrato não for quebrado.
O Kanaza também deveria ter contratado e comandado esse espectro chamado Zebēta. Mas, diante da fala do Zebēta negando isso, a Yumina e o pessoal inclinam a cabeça.
— «Meu verdadeiro mestre é apenas Debora Erukusu. Por ordem de Debora, eu só obedecia a esse aí…»
— Debora Erukusu? Sinto que já ouvi em algum lugar…
— Se não me engano, era a artesã mágica que criou item mágico chamado "Agulha de Ressonância de Domínio"… espera um pouco, essa é pessoa de cinco mil anos atrás?
Lembrando o nome ouvido antes da Sheska e o pessoal, a Rin mostra expressão surpresa.
— «Fui ordenado a servir quem herdasse o "Legado de Erukusu"… mas parece que já é hora de encerrar isso…»
Flutuando levemente, o espectro não mostra emoção, mas as garotas sentem certo cansaço nele.
— «Melhor tirar a pulseira dourada que ele usa. Assim, as pessoas possuídas devem ser libertadas…»
A Pōra corre até o Kanaza caído, "sutatatata", e, agarrando o braço rapidamente, arranca a pulseira dourada com um puxão firme. No instante seguinte, da boca dos cavaleiros negros caídos, jorra algo tipo gás turvo, e, soltando gemido, se dissipam.
"Hiiiiii", tremendo, a Pōra volta correndo pra Rin, se agarrando na perna dela.
A Rin pega a pulseira dourada da mão da Pōra, apertando os olhos. Item mágico. A Rin conseguiu identificar intuitivamente que tipo de item mágico era isso.
A raça fada tem muitos com esse tipo de olho, mas a Rin percebia que essa sensação estava ficando gradualmente mais aguçada. E que isso é a "Característica de Servo" dela. Poderia chamar de habilidade de "Olho de Avaliação".
— Entendi. Isso é a fonte de mana. Suprindo mana da criatura invocada a partir daqui, é isso. Como foi tirado, ficou incapaz de manter a criatura invocada.
— «Exatamente. Esse homem tinha certo talento como possuidor. Item mágico pra aproveitar isso.»
Os espectros contratados pelo Kanaza, com o fornecimento de mana cortado, todos são enviados de volta.
A mana que mantém o Zebēta é suprida a partir da caixa onde o "Legado de Erukusu" estava guardado, então não tem relação direta. Mas essa caixa também se quebrou no peito do Kanaza caído, perdendo o poder. Era só questão de tempo até o Zebēta ser enviado de volta também.
Finalmente vai ser libertado. O Zebēta ficou preso naquela caixa igual gênio de lâmpada, passando cinco mil anos. Ao despertar, foi usado por um homem tipo criança, forçado a fazer várias tarefas bobas. Queria pelo menos falar palavra de rancor à Debora, que o chamou e prendeu naquela caixa, mas isso também não é possível.
— «Tem mulheres presas no porão da mansão do Kanaza. Melhor libertá-las. Bem, então, com isso…»
Incapaz de manter mais a própria existência, o Zebēta se dissipa no vento noturno. Libertação da maldição que o prendia por cinco mil anos.
Quando o vento noturno se acalma, ali já não existia mais a presença do Zebēta.
— …Falou o que queria e desapareceu à vontade, hein.
— Sinto algo meio inconcluso, hein…
— Bom, o pior mal já foi removido, então tá bom, né?
A Eruze direciona o olhar ao Kanaza caído. Esse homem já não tem mais poder nenhum. A nobreza manipulada também deve voltar ao normal, e Sua Majestade o Rei também deve acordar eventualmente. Pena capital é inevitável, mas, antes disso, esse homem precisa pagar pelos vários crimes cometidos contra as mulheres.
Pensando nas mulheres tornadas infelizes, mesmo assim, talvez digam que isso é generoso demais.
Quando o Kanaza desperta, estava dentro da escuridão fraca. Olhando ao redor, percebe que ali é o leito de uma masmorra subterrânea.
Sem o adorno de jade no pescoço, evidente que foi destituído da posição e preso.
— Zebēta! Sai daí, Zebēta!
Nenhuma resposta vem à voz do Kanaza. Estalando a língua, "chi", tentando chamar a criatura invocada, percebe que não consegue usar magia. É masmorra pra prender prisioneiro. Naturalmente, tem medida antimagia aplicada.
— Droga! Aquelas desgraçadas de Brunhild! Vão ver! Da próxima vez que encontrar, vou matar sofrendo…!
Sem julgar direito a própria situação, o Kanaza xinga sozinho. Talvez a raiva esteja impedindo a cabeça de funcionar direito. Ou será que sempre foi assim mesmo.
Nesse ouvido do Kanaza, chega som estranho. "Bikun", o corpo se enrijece.
Som de respiração de animal, "bufu", "bufu".
Tem algo. Eventualmente, o Kanaza percebe que, num canto da masmorra, tem criatura grande.
— U, cavalo…?
A silhueta visível na luz fraca parece mesmo cavalo. Mas não tem chifre se estendendo da testa de cavalo. Diferente. Não é cavalo. Chifre curto, mas é unicórnio.
— Por que unicórnio…!?
Tomado por medo, o Kanaza sem querer se levanta. É que unicórnio, sendo fera mágica dócil e obediente com virgem, mostra agressividade feroz contra homem.
Mas o unicórnio não se agita, apenas encara fixo o Kanaza. Por algum motivo, o Kanaza sente desconforto nesse olhar.
Devagar, o unicórnio se aproxima do Kanaza. Mesmo querendo fugir, dentro de masmorra não tem jeito, e o Kanaza é encurralado contra a parede.
— Hii!?
"Dan!", o casco da pata dianteira bate ao lado do rosto do Kanaza. Golpe de mão na parede. Golpe de mão de unicórnio raramente se vê. Normalmente não faz isso.
— «Preferia um pouco mais de músculo, sinceramente… bom, tanto faz. Isso também não é ruim…»
— Fa, fala…!?
Enquanto o Kanaza fica surpreso, o unicórnio morde a gola dele, rasgando a roupa de uma vez. A parte superior do corpo do Kanaza fica exposta.
— «Oho, corpo até que bom pra surpresa. Tipo que emagrece com roupa? Bom, bom, tô empolgando!»
— Hiiiiii!?
Lambendo o peito, "perori". O Kanaza percebe que o unicórnio diante dele tem algo estranho. O que é isso? O que é isso, afinal!?
Num piscar de olhos, calça e roupa íntima também são rasgadas junto, e, pela primeira vez, o Kanaza sente perigo real pra própria vida.
— Fi, fica longe! Para! Para com isso!
— «Fica tranquilo, tranquilo. Não dói, não. Já acaba rapidinho.»
— O que é isso!?
O unicórnio encurrala o Kanaza fugindo completamente nu. Dá pra perceber que a respiração fica cada vez mais ofegante. Sem dúvida, esse cavalo está se excitando.
— Zebēta!? Zebēta! Sai daí, aparece, Zebētaaaaaa!
— «Quem é esse? Fico meio enciumado, sabe. …Vou fazer esquecer.»
— Pa…!
Naquele dia, os gritos que ecoaram o dia inteiro da masmorra de Nokia foram todos ignorados, silenciados…