Capítulo 444 – A Melancolia Pré-Casamento, e a Lista do Catálogo
— Convite tá pronto agora… certo.
— Então, envio via [Espelho-Gate]. Pras pessoas dentro do castelo, entrego diretamente através da ordem de cavaleiros.
— Conto com o senhor.
Segurando o maço espesso de envelopes, o mordomo Raimu-san se curva profundamente. Haa, o ombro dói. Primeira vez que carimbo lacre tanto assim de uma vez. Isso não dá pra resolver só com e-mail mesmo.
No plano original, seria receber resposta de comparecimento ou ausência através desse convite, e, no dia, eu abriria [Gate] até cada país ou pessoa. Mas, não precisando ser o próprio noivo a fazer isso, a vovó Tokie se ofereceu pra fazer no meu lugar. Sendo relacionado a teletransporte espacial, ela é superior a mim, e não teria pessoa mais adequada que ela. Que sorte.
Tiro o smartphone do peito, puxando aquela lista de verificação.
— O que falta é… presente de agradecimento, né?
Neste mundo não tem costume de "presente de agradecimento pro convidado do casamento". Mas parece que existe cultura local de entregar algo pequeno como agradecimento, então decidimos deliberadamente incorporar isso. No Japão, é normal, afinal.
Mesmo assim, presente de agradecimento, o que distribuir, afinal. Presentear prato ou caneca com nossa foto provavelmente ninguém usaria, e sinto que só viraria tipo assédio.
— Presente de… agra… hmm… ah, existe também o negócio de "presente por catálogo".
Pesquisando no smartphone, aparecem vários sites de apresentação de catálogo.
Talvez seja surpreendentemente bom. Deixa escolher pelo catálogo, e cada um decide o que quer.
Só que, como o convidado tem muita realeza, nobreza, e gente rica, mesmo colocando bolsa ou louça comum no catálogo, talvez não desejem tanto assim.
Se for isso, melhor selecionar item raro pra colocar. Cadeira de massagem, quem sabe?
Comida também seria opção. …Curry pronto… não, curry pronto como presente de agradecimento, será que fica certo. Ah, carne de dragão talvez agrade.
Ou será que espada ou armadura agradaria mais? Ou acessório com magia aplicada? Pra gente de status, item mágico com desintoxicação ou proteção aplicada deve ser desejado mesmo.
Uuun, não consigo organizar as ideias.
— Vou dar uma volta pra clarear a mente.
Guardo o smartphone de volta no peito, saindo do quarto. Ando displicente pelo castelo assim mesmo. Alguém talvez me questionasse "não tem trabalho pra fazer?", mas, por ora, não tenho nada urgente. Sendo país pequeno desde o início, e com pessoal talentoso reunido, dá pra relaxar.
Cumprimentando as criadas limpando o corredor, saio pra fora. Como sempre, na área de treino, o pessoal da ordem de cavaleiros continua se dedicando ao treinamento. Uns cruzando espada de madeira, outros treinando força muscular calados, outros confirmando técnica individual, todo mundo se esforçando.
— Opa?
Num canto da área de treino, sentada sozinha no banco, olhando o céu vazio, tem uma garota. É a Eruze. Ao lado do banco, tem cantil e manopla colocados. Será que tá em intervalo?
Como ela parece não ter percebido minha presença de jeito nenhum, decido dar a volta por trás do banco discretamente pra surpreender.
Aproximando-me devagar, tento tapar os olhos da Eruze por trás.
— Quem é…? Gufu!?
— Eh!? Opa, Touya!?
O contra-golpe da Eruze atinge de cheio meu rosto, quando tento tapar os olhos dela. Som de "pan!" alto! Será que o nariz quebrou?
— De, desculpa! Foi reflexo sem querer…! Não, não foi de propósito, viu!?
— Entendo… a culpa é minha…
Desenvolvimento tipo casal apaixonado, "kyakkya ufufu", jamais deveria ter esperado. Ah, tá sangrando pelo nariz… quanto tempo faz que não vejo o próprio sangue. Achei que já tinha ficado bem resistente…
— [Que a luz venha, cura tranquila, Cure Heal]…
Acabar usando magia de cura no próprio rosto. Da próxima vez, cuidado ao surpreender a Eruze.
— Nn, parou. Desculpa.
— Não, culpa foi minha por tentar surpreender. Parecia meio distraída. Aconteceu algo?
— "Aconteceu algo"… nem é bem isso, mas… pensei, "ah, vou casar mesmo", aí, vários pensamentos, sabe…
A Eruze dá suspiro grande, rindo com sorriso amargo. Sentando ao lado dela, sinto sobressalto por dentro.
I, isso é aquele tal de "melancolia pré-casamento" que sempre ouço falar…!?
Pessoa prestes a casar sente ansiedade ou melancolia sobre a vida de casada, e, no pior caso, dizem que pode até levar à ruptura do noivado…!
O, o, o, o que fazer nesse caso!?
— A, tem algo te deixando ansiosa…?
— Ansiosa? Isso tem bastante coisa, viu.
Bastante coisa!? Droga, tá saindo suor estranho.
— Mesmo sendo formalidade, vou carregar título de rainha. Preciso evitar ação que traga vergonha. Além disso, se… nascer filho, precisa educar direitinho como príncipe ou princesa, né… será que consigo fazer isso, penso. Pensando em vários pontos, sinto a ansiedade crescendo cada vez mais…
— To
— Aitá!?
Dou tapa leve na cabeça da Eruze.
— Pensando demais. Não precisa se pressionar por ser rainha. O rei sou eu, viu? Por que precisaria fingir esse tipo de coisa até agora? A Eruze só precisa virar rainha do jeito Eruze mesmo. Filho também, você não vai criar sozinha. Eu tô aqui, e ainda tem mais oito mães. Não precisa se preocupar com nada. Tudo bem. Tudo vai dar certo. Com certeza vamos ficar felizes. Isso tem aval de vários deuses.
A Eruze, atingida na cabeça, fica boquiaberta por um tempo, mas logo começa a rir baixinho.
— Fufu, o que é isso. Trazendo deus assim, não dá pra ficar ansiosa mais. Que injusto, Touya.
Injusto, tudo bem. Se dá pra apagar a ansiedade da garota que gosto, até deus perdoa.
Quero que a Eruze sempre esteja rindo alegre. Esse sorriso é o que empurra minhas costas.
— De qualquer forma, não sofra sozinha. Daqui pra frente, vamos fazer tudo juntos pra sempre.
— É verdade, né. De algum jeito, me libertei disso. Basta agir do jeito Eruze mesmo, né. Se for todo mundo junto, nada assusta.
A Eruze se levanta do banco, alongando o corpo grande. Virando pra trás, me mostra o sorriso que eu queria ver.
— Obrigada, Touya.
— Ouvir a preocupação da esposa também é dever do marido, né. Se resolve com isso, não é nada demais.
— E, esposa, diz…!? Q, que tá falando! Ainda não casamos, então tá errado! Ai!
Rosto completamente vermelho, a Eruze vira as costas de repente, se afastando com passo apressado. Ops, será que me empolguei demais.
Bom, não deve estar brava, então deve tá tudo bem.
— Ah, devia ter aproveitado pra consultar sobre presente de agradecimento. Droga…
Refletindo no banco, pensando "que falha", diante de mim aparecem a Yae e a Hiruda, com espada de madeira nas mãos.
— Oro? Touya-dono. Tomando sol?
— De fato, e ao redor da coordenação combinam sim. Parece que vieram treinar juntas.
Já que tô nisso, aproveito pra perguntar às duas também se tem algo que as preocupa sobre o casamento.
— Coisa que te deixa ansiosa sobre o casamento…
— É?
As duas se entreolham, "hmm", pensando um pouco. Não, se não tiver, tudo bem também, viu, gente.
Pensando por um tempo, eventualmente a Yae bate a mão, "pon".
— Ah, é mesmo, tem uma coisa que me incomoda.
— Eh, o, o quê?
— A comida servida no casamento… será que a noiva não consegue comer?
Era isso, hein. Bom, faz sentido pra Yae mesmo.
Em seguida, a Hiruda solta pequeno "ah".
— E, eu, isso, se… tivermos filho, durante a gravidez, não posso fazer exercício intenso, né, então fico preocupada se o corpo vai enrijecer…
Ainda tá cedo pra isso. De fato, gostaria que evitasse exercício intenso, mas.
Bom, essas duas não parecem tão preocupadas quanto a Eruze. Fico um pouco aliviado.
— Mas por que perguntando isso de repente?
— Antes de casar, parece que a gente pensa em várias coisas mesmo. Achei que, se tivesse algum problema, melhor resolver enquanto dá tempo.
— Sobre casamento, é a partir de agora mesmo. Provavelmente, várias dificuldades e sofrimentos ainda virão nos atacar. Mas, com o poder do amor e coração forte, acredito que dá pra superar tudo.
— É, é verdade.
Bufando com nariz cheio de energia, "funsu", a Hiruda brilha os olhos. Essa garota é tipo que se acende mais com desafio ou adversidade mesmo. Talvez seja imune à melancolia pré-casamento.
— Este servo confia em todo mundo. Com certeza, qualquer problema, todo mundo consegue resolver junto.
A ideia da Yae parece igual à minha. Essa garota, mais que qualquer coisa, valoriza harmonia entre as pessoas. Dentro dela, já deve existir a certeza de que já somos nova família. Sempre natural. Isso é o ponto bom da Yae.
Assim sendo, como será a irmã gêmea da Eruze, hein. Fico um pouco curioso.
— Onde tá a Rinze agora?
— Rinze-dono? Ultimamente costuma ficar bastante junto com a Tokie-dono.
Ah, é mesmo, sempre aprendendo tricô na varanda.
Como atrapalharia o treino das duas, e fico curioso sobre a Rinze também, uso [Teletransporte], pulando até a varanda de sempre.
Ali estava a figura da Rinze, sentada na cadeira, continuando tricô com dedicação total.
Concentração tão intensa que nem percebe minha presença tão perto assim. Que concentração impressionante, hein.
Sem conseguir chamar atenção dela, fico um tempo encantado observando a Rinze se dedicando ao tricô. Vendo alguém se esforçando de verdade em algo, por algum motivo, senti que era bonito.
— …? Ah, Touya-san? Desde quando?
— Ah, desculpa. Não consegui achar o timing certo pra falar…
Não consigo dizer "fiquei encantado", incapaz, respondo de forma vaga à Rinze, que percebeu minha presença.
Sentando na cadeira em frente à mesa onde a Rinze está, ela inclina levemente a cabeça.
— Aconteceu algo?
— Ah, não, nada demais…
Não, talvez fosse algo importante mesmo. Pergunto direto se ela sente algum tipo de ansiedade com o casamento.
— Ansiedade, hein. Tem várias, mas, agora, sinto que o sentimento de empolgação é mais forte, sabe.
— Empolgação?
— Sim. Formar de verdade uma família com o Touya-san e o pessoal, e, quando nascerem crianças, todo mundo criar várias memórias juntos… empolgação pro futuro.
Ou seja, a expectativa pro futuro é maior que a ansiedade, é isso.
— Mas por que de repente? …Ah, foi a irmã, né?
— Eh? Espera, como você…
— Ultimamente, estava meio distraída. Quando minha irmã fica pensativa, demora bastante. Mas, uma vez decidido, não fica indo e voltando, então tudo bem.
Digno de irmã gêmea. Parece entender bem a irmã mesmo.
Aliás, desde há pouco, fico curioso com algo. Aquilo empilhado na mesa, e o que continua tricotando agora, será que é…
— Ah, sim. Isso aqui é aquecedor de perna, e isso é gorro de tricô, viu.
Pego o gorro pequeno que estava na mesa. Tecido com fio macio e agradável ao toque, é claramente pra bebê. Além disso, tem tipo macacão, meia, babador de bebê, tricô de bebê, bastante coisa, hein!?
— É pra nove pessoas.
— Não, não. Mesmo assim, tá cedo demais…
— Acho que quanto mais cedo, melhor, né?
Não, ainda nem "fizemos aquilo", viu… e nem vai nascer todo mundo ao mesmo tempo, né.
Que estranho. No caso da Rinze, parece que pulou de "noiva" direto pra "mãe". Instinto materno já em atividade total? Sinto que já tá ativo demais até.
Bom, não é coisa ruim, mas.
Ah, é mesmo. Aproveito pra perguntar à Rinze sobre presente de agradecimento também.
— Presente de agradecimento…? Presente que se distribui ao convidado? O tipo de coisa, mesmo perguntando… doce, talvez?
Doce, hein… acho meio simples, mas, bom, também é opção. Bolo suntuoso feito com ingrediente de alta qualidade talvez agrade.
— Que tipo de coisa mais seria bom?
— Hmm… ah, hoje é dia de dormir junta com a Sū, né? Nessa hora, que tal perguntar pra todo mundo?
A Rinze bate palma como se tivesse ideia excelente. Hmm… então vamos fazer assim.
Já me acostumei bastante com dormir junto com todo mundo num quarto só. Bom, só eu sempre durmo no sofá, no entanto. Até casar, pretendo manter esse estilo. Ria quem quiser me chamar de covarde. Beijo de boa noite, dou em todas direitinho, então, pessoalmente, já fico satisfeito.
Por ora, vou ouvir a opinião de todo mundo, montando a lista de catálogo. Quanto ao valor, quanto seria bom, hein… isso preciso perguntar ao Kōsaka-san. Que trabalheira. Casamento é difícil mesmo, hein…
— Que tal item mágico simples? Olha, tipo aplicar só função de música do smartphone numa caixinha de música?
— Isso é bom. Acho que vão querer.
Diante da fala da Rin, de pijama preto, a Sakura, de pijama rosa, concorda. Reprodutor de música, digamos. Deve agradar nobreza? Não, talvez nobreza que já tenha própria orquestra em casa não deseje tanto assim. Por ora, anoto no smartphone.
Sem mudar de sempre, continuamos a conversa em cima da cama gigante. A propósito, embaixo da cama, o Kohaku, a Sango e o Kokuyō, o Kōgyoku, o Ruri, a Pōra, e a comitiva de servos do Albus, jogam o jogo de tabuleiro terrestre que criei pra eles. O Nyantarō, sendo escolta da mãe da Sakura, a Fiona-san, não está presente.
— «Nu!? Ruri! Você, esse terreno era o que eu mirava!»
— «Sei lá. É de quem chega primeiro. Então, vou construir vila aqui, e…»
Jogo pra grande número de pessoas, onde desenvolve ilha, construindo vila e cidade, e quem acumular pontos primeiro vence, e parece que estão bem acesos. Mas rolam dado com bastante destreza, hein.
Vou colocar isso na lista de catálogo também.
A melancolia pré-casamento que começou com a Eruze, felizmente, só a Sū também parece ter ficado levemente com saudade de casa, sem mais ninguém afetado.
Mais que saudade de casa, é que, ao casar, vai se separar dos pais, o casal Duque Orutorinde, do irmão caçula recém-nascido Edowādo, e ainda do mordomo Reimu-san, que sempre cuidou dela, e ela sente que vai ficar sozinha.
Já contei que pode voltar pra casa a qualquer momento pelo portão de teletransporte, então parece que não é ansiedade tão intensa assim.
— Vou formar nova família com todo mundo. Não vou ficar sozinha nem um pouco.
Dizendo isso mesmo com força, a Sū fica extremamente querida, e sem querer a abraço. Não vou deixar essa criança se sentir sozinha nunca. Sinto até que devo desculpas ao Duque Orutorinde.
— Eu queria um kit de cozinha luxuoso, viu.
— Umm, mas isso não é algo que o chefe de cozinha desejaria mais?
A Rū e a Yumina conversam sobre isso. De fato, acho que é raro nobreza ou realeza ter culinária como hobby. Mas, no nosso casamento, convidamos não só nobreza, mas também gente comum… por exemplo, a Mika-san e o Doran-san da "Lua de Prata", o Bararu-san da "Loja de Armas Kumahachi", a Aeru-san da cafeteria "Parento" também.
Essas pessoas, alta chance de desejar. Prático, e talvez até usem no trabalho. Por ora, vou incluir.
— A propósito, na "Terra", que tipo de coisa se distribui?
— Hn? Quer ver?
Diante da pergunta da Rinze, projeto no ar parte do catálogo pesquisado no smartphone.
Principalmente flutuam comida e ingrediente. Naturalmente, quem reage a isso é a Yae e a Rū.
— Oooh. Esse prato de carne parece gostoso, hein…
— É verdade mesmo! Quero experimentar uma vez!
— Quando formos na lua de mel, comemos lá.
Já tenho permissão do Deus do Mundo. Mesmo mantendo a fachada de viagem de treinamento do novo deus e do servo dele.
Naquela noite, até tarde, continuamos conversando sobre a lista de catálogo de presente. Como forma de passar a noite com as noivas, dá pra negar que faltou um pouco de romantismo.
Talvez devesse ter sido um pouco mais carinhoso, hein. Refletindo levemente sobre isso.