Capítulo 446 – A Visita da Família, e a Véspera do Casamento
— De, dessa vez, ser convidado pro casamento, é motivo de honra imensurável…!
— Não, umm, já entendi, então por favor levante, tá?
Diante do homem se curvando até se ajoelhar no chão, mais que se curvar, no quarto de hóspedes do castelo, direciono o olhar à mulher ao lado dele, sem saber o que fazer.
— Desculpa, viu. Meu marido é ruim com nobre e figurão desde sempre. Fora isso, é normal, então relevem.
A mulher, tipo mãe corajosa mesmo, ri, "karakara".
O homem se curvando é o Jozefu-san. E, ao lado dele, a esposa, Lana-san. Tio e tia da Eruze e da Rinze.
Além de quem tem família tipo realeza, trouxe todo mundo pro castelo na véspera do casamento pra passar a noite aqui, com [Gate].
Claro, não só o casal, os filhos também vieram junto. A filha mais velha, Ema-san (21), à frente, seguida de Aron (16), Shīna (10), Aren (7), Kurara (6), Kirara (6), Aran (5), Rino (3), todos reunidos.
— Uwaa! O quarto é enorme!
— O tapete é fofinho!
— Essa cadeira dá pra pular bastante!
— Ei, vocês! Comportem-se!
A filha mais velha, Ema-san, repreende as crianças correndo de um lado a outro. De qualquer forma, barulho ao extremo. Rino-chan, pode parar de limpar o nariz no meu casaco?
— Tia Lana… tio Jozefu vai ficar bem? No casamento, vão vir reis de vários países, e também bastante nobreza, viu? Não vai desmaiar não?
— Não precisa forçar… só de ter vindo, já ficamos felizes. Não precisa comparecer à cerimônia…
A Eruze e a Rinze expressam preocupação. Uhum, fico levemente inseguro também. Se tiver crise (?) igual há pouco no meio da cerimônia…
Mas o Jozefu-san ergue o rosto de repente, "gaba", declarando firme diante da Eruze e da Rinze.
— O que tá falando! Não ver o momento de glória de vocês, não teria como encarar suas mães lá no além! Mesmo morrendo, viro zumbi e compareço!
Não, zumbi seria problemático, mas. Mesmo tremendo, "gakugaku", a determinação parece firme. O sentimento de querer celebrar as sobrinhas também chegou até mim.
— Touya, dá pra fazer algo?
— Não é impossível, mas…
Usando magia hipnótica [Hypnosis], talvez dê pra apagar até o trauma, mas será que tá certo fazer isso.
Por precaução, explico a magia à Lana-san, obtendo permissão. Se avisar diretamente ao próprio Jozefu-san que "agora vou aplicar magia hipnótica", pode haver risco de não funcionar, então mantenho em segredo dele.
— Certo, então vamos tentar.
De pé diante do Jozefu-san, concentro mana. Ao redor do Jozefu-san, névoa fina negra se forma.
— [Trevas, convide, memória falsa plantada, Hypnosis]
— Fuhē?
Com voz estranha, os olhos do Jozefu-san ficam turvos, meio sonolentos.
— Consegue me ouvir? Mesmo diante de nobre, você consegue lidar normalmente. Ainda fica um pouco tenso, mas consegue conversar com educação também. Não precisa se preocupar com nada. Tudo bem.
— Nobre… tudo bem…
Se fosse "consegue interagir totalmente tranquilo, igual pessoa comum", pode gerar risco de cometer desrespeito diante de nobre, né. Difícil ajustar o equilíbrio certo.
— Terminou?
— Sim. Deve estar tudo bem agora.
A Eruze bate palma, "pan!", diante do Jozefu-san. Piscando repetidamente, "pachipachi", surpreso, o Jozefu-san.
— Tio, sabe quem é a pessoa na sua frente?
— Eh? Ah, o, o senhor Mochizuki Touya-sama… rei do Principado de Brunhild, né? Nesta ocasião, agradeço imensamente pelo convite, sendo até demais pra mim…
Ainda soa levemente estranho, mas, pelo menos, bem melhor que antes. Sucesso, será?
— Parece que tá tudo bem. Sinto alívio, mas também um pouco de pena, sabe.
Diante da fala da Eruze, o Jozefu-san fica com cara de "hã". De fato, aquela reação era engraçada, mas não deve trazer benefício nenhum pra ele mesmo.
— Obrigada, viu. Com isso, papai também consegue comparecer tranquilo no casamento amanhã.
— Haha. Fico feliz que deu certo. Então, vamos até o quarto. A Eruze e o pessoal guiam vocês.
O grupo do Jozefu-san segue a Eruze e o pessoal em fileira. As crianças, grudadas nelas, fazem várias perguntas sem parar.
Fuu. Com tantas crianças assim, deve ser difícil, hein… sinto respeito profundo pelo Jozefu-san. Ou melhor, eu também logo não serei estranho a isso.
Segundo a "Joia Preciosa da Visão de Futuro" criada pela Doutora Babylon, vou ter até nove filhos, mais que o Jozefu-san mesmo…
— Será que consigo ser "pai" direito igual o Jozefu-san…
— Touya-dono, tava aqui, hein.
Cruzando com o grupo do Jozefu-san saindo, dessa vez chega a família da Yae, o pai Jūbē-san, a mãe Nanae-san, o irmão Jūtarō-san, e a antiga criada da família Kokonoe, agora noiva do Jūtarō-san, Ayane-san, em fileira.
Naturalmente, a família da Yae também vai passar a noite neste castelo, igual o grupo do Jozefu-san. A Yae disse que ia guiar pela cidade, será que já voltaram?
Opa, o Jūtarō-san parece meio sem ânimo, não?
— É que… perdi de novo pra irmã Moroha. E ainda por cima…
— Até pra Yae eu perdi mesmo…
Aah… a Yae treina quase todo dia com a irmã Moroha, afinal. Além de subir de nível rapidamente, provavelmente com a servidão divina somada, deve ter ficado incrivelmente forte.
Faz sentido ser chocante perder pra irmã, a quem antes ensinou espada.
— O Jūbē-san não enfrentou a Yae também?
— Vendo a luta do Jūtarō, entendi claramente que não teria chance nenhuma. Se fosse vinte anos mais jovem, talvez ainda tentasse resistir. Como pai, sou grato por ela ter me superado.
Uhum, será assim mesmo? Do lado do Jūtarō-san, parece que ainda não consegue aceitar de forma tão desapegada assim.
— Touya-dono!
— Uwaa, sim!?
O Jūtarō-san avança de repente diante de mim, ajoelhando, curvando-se profundamente. De novo!? Igual o Jozefu-san, hoje tá cheio de gente se curvando no chão!
— Por favor, deixe este servo permanecer neste país! Neste solo, desejo receber instrução em técnica de espada da irmã Moroha, igual a Yae!
— Eeh!?
Como a irmã disse que ele é "louco por espada", parece que o Jūtarō-san descontrola completamente quando o assunto é espada. Falando isso de repente assim.
— Ah… umm, quer dizer entrar pra nossa ordem de cavaleiros?
— Não! Só sirvo ao senhor Tokugawa Ietasu-sama. Quero morar neste país, e receber treinamento por um tempo…!
Erguendo o rosto de vez, "gaba", direciona o olhar reto pra mim. Uwa. Isso é sério mesmo.
Certo, o que faço, hein. Do lado da irmã Moroha, provavelmente ela diria "tudo bem" facilmente, mas…
Atualmente, ele não ocupa cargo importante, mas ainda é vassalo da família do Ietasu-san. De relance, olho pro Jūbē-san, e ele assente levemente.
— Entendi. Por ora, quero conversar com o Ietasu-san antes de decidir. Se vier pra cá, preparo casa na cidade, então more junto com a Ayane-san.
— Agradeço profundamente!
— A, agradeço muito!
Além do Jūtarō-san curvando-se ainda mais fundo, no estado de curvado no chão, a Ayane-san também se curva. Bom, ele vai virar cunhado, afinal, tudo bem fazer pelo menos isso. E não posso separar noivos também.
— Touya-dono, agradeço.
A Yae sorri. Será que tava mesmo preocupada com isso. Sendo apegada ao irmão, talvez estivesse presa ao sentimento de culpa por tê-lo ferido.
Mas, se o Jūtarō-san e o pessoal vierem morar aqui, o Jūbē-san e a Nanae-san podem sentir falta. Talvez precise abrir [Gate] algumas vezes por semana, ou instalar no espelho da casa do Jūtarō-san espelho com [Gate] aplicado que só permite passagem de duas pessoas.
Noite.
Como sempre, jantar, como sempre, conversa no salão, ou jogo, e cada um volta pro próprio quarto.
Sendo última noite como solteiro, fico deitado em cruz sozinho na cama.
— Amanhã vou casar mesmo, hein… de algum jeito não sinto realidade nisso. Amanhã já vou ser homem casado. Ainda por cima, com nove esposas.
Demais, hein, fico admirado comigo mesmo. Mas todas são existência preciosa pra mim, isso é certo. Do fundo do coração, quero fazê-las felizes.
Depois de vir pra este mundo, conheci várias pessoas. Entre isso, ter encontrado com elas, sem dúvida, foi coisa maravilhosa na minha vida.
Só isso já basta pra achar que valeu a pena ter vindo pra outro mundo.
— Teve tanta coisa, hein…
Tudo até agora passa feito lanterna giratória diante dos olhos… não, não, isso é coisa que se sente antes de morrer, né. Mau agouro.
Certo, tem amanhã também, melhor dormir cedo. Enfio embaixo do cobertor, apagando a luz.
Fico um tempo com os olhos fechados, mas a consciência fica estranhamente lúcida, sem conseguir dormir de jeito nenhum…
Conferindo o horário no smartphone, já passava das 22h. Amanhã preciso acordar às cinco pra fazer vários preparativos. Melhor dormir logo… mas não consigo dormir. Será que tô tenso por causa de amanhã?
— Droga, não consigo dormir.
Chuto o cobertor pra cima, me levantando. Olhando de relance pro canto do quarto, o Kohaku e o pessoal dormiam tranquilos no próprio leito. Que inveja.
Se for assim, aplico [Nuvem do Sono] em mim mesmo?
Mas aquilo não dá pra definir o timing de acordar, né. E acordar tarde demais no dia do casamento seria vergonhoso, além disso, será que magia mental aplicada por mim mesmo funciona em mim mesmo? Existe termo tipo "autossugestão", então talvez funcione.
Droga, tô ficando cada vez mais desperto. Vou olhar internet no smartphone. Talvez fique com sono eventualmente.
Como pretendo ir pra Terra na lua de mel, melhor coletar informação atualizada de lá também.
— Certo, então dá pra ir não só no Japão, mas em outros países também, né?
[Gate] só abre em lugar já visitado. Precisamente falando, precisa conseguir imaginar corretamente o destino do teletransporte.
Se for Terra, mesmo lugar onde nunca fui, tem internet e foto em abundância. Usando isso, dá pra ir até pirâmide do Egito, praia de Waikiki no Havaí, Uluru na Austrália. Idioma, basta usar magia de tradução.
………..Espera aí? Na Terra não tem mana, então magia não funciona, né…?
Não, se não me engano, lembro de terem falado que, usando Ki Divino, funciona de qualquer jeito. Senão, nem [Transporte Interdimensional] funcionaria.
Ou seja, será que a Rinze e a Rin também conseguem usar um pouco de magia por lá? Não, preciso avisar pra não usarem.
Lá não tem magia nenhuma, então causaria alvoroço enorme.
…Mesmo assim, não fico com sono. Quanto mais me apresso, mais desperta a consciência.
— …Vou tomar chá ou algo assim.
Levantando, saio pra varanda pra tomar ar noturno. A lua cheia, igual meu sobrenome "Mochizuki" (lua cheia), flutua brilhante no céu noturno, iluminando a terra.
Sem barulho e brilho de cidade grande, só a pequena luz da cidade abaixo do castelo cintila. Opa?
— Não consegue dormir?
— …É, bom… parece que tô tenso, sim.
Virando pra trás, na mesa da varanda, o Deus do Mundo, sentado, servia chá do bule pra xícara.
Eu, sendo servo do Deus do Mundo, consigo sentir a presença dele descendo. Consigo perceber de algum jeito sensação de "está vindo". A irmã Karen e o pessoal, não conseguindo sentir isso, sempre ficam surpresas com aparecimento repentino, no entanto.
— É chá feito com folha de chá do reino divino. Bebendo, dá pra dormir tranquilo, viu.
— Vou aceitar.
Sentando na cadeira em frente, recebo o chá servido na xícara. Ah, haste de chá em pé. Ah, é mesmo, quando encontrei o Deus do Mundo pela primeira vez, também tinha haste de chá em pé.
— Finalmente amanhã, hein. Eu também tô levemente tenso. É a primeira vez que compareço num casamento desse jeito.
— Haha. Conto com o senhor.
Só essa pessoa consegue conter os "Deusempregados". A irmã Karen e a Suika devem se empolgar demais e causar alvoroço.
— Enviar você pra este mundo foi decisão acertada mesmo. Várias coisas estagnadas parecem ter começado a avançar de novo. O estímulo de outro mundo está indo em boa direção.
Será mesmo? Bom, se serviu pra este mundo, fico feliz.
— Touya-kun, você gosta deste mundo?
— Sim. Pude encontrar todo mundo também.
— É mesmo. Que bom. Sendo Deus do Mundo, precisa administrar inúmeros mundos. Entre eles, tem mundo difícil de lidar, mas isso também é interessante às vezes. Até agora, este mundo era mundo sem nada de especial, digamos. Mundo sem graça, ao ponto dos outros deuses nem terem interesse nele. Eu mesmo deixei abandonado por longo tempo.
Que revelação franca. Resumindo, era mundo comum mesmo, mas, pra mim, foi mais que comum. No mundo original, nem tinha magia nenhuma.
— E isso está virando, de novo, mundo que atrai a atenção dos deuses. Motivo de alegria. Se aqui virar terra de descanso dos deuses, vários tipos de bênção devem trazer. Talvez fique um pouco barulhento, no entanto.
Deuses vivendo como humanos, interagindo com humanos, talvez gere novo fluxo. Isso em si pode ser motivo de alegria, mas, na posição de responsável pela administração deste mundo, prefiro que não causem alvoroço demais.
— Os deuses que descem amanhã, antes da cerimônia, nós levamos pra apresentar. Vamos avisar pra não atrapalhar, então fica tranquilo.
— Conto com o senhor.
Sinceramente falando, quero contar mesmo, com toda seriedade.
— Certo, já é hora de dormir mesmo. Senão vai atrapalhar amanhã.
— É verdade…
Sem perceber, já sinto sono. O chá do reino divino parece ter efeito mesmo. Pálpebra ficando pesada. Até bocejo sai.
— Então, até mais. Até amanhã.
Deixando isso dito, o Deus do Mundo desaparece. Atacado por sono intenso na hora, volto apressado da varanda pro quarto, caindo de vez, "batan", na cama, enfiando dentro do cobertor.
Num piscar de olhos, minha consciência cai dentro do sonho, e a última noite de solteiro chega ao fim.
"Don", "don", grande som de tiro de fogos de artifício ressoa. Sob céu limpo sem nenhuma nuvem, a cidade de Brunhild fica lotada de gente desde a manhã.
É pra ver o casamento do Duque, realizado hoje. Gente reunida das proximidades e de longe, e comerciantes atraídos por eles também se reúnem. Mesmo ainda cedo pra cerimônia começar, comerciantes já dedicados abrem loja, começando a atender clientes que chegam.
Hoje à tarde, também está prevista pequena parada. Mas o que mais atrai o interesse das pessoas que visitam deve ser os gigantes de aço alinhados na entrada da cidade.
Frame Gears alinhados em pose de espada cravada no chão, punho segurando o cabo com as duas mãos — quem vem pela primeira vez a este país com certeza fica pasmo. Claro, tem cavaleiro de segurança presente, então não dá pra se aproximar nem tocar.
Com espírito comercial vigoroso, perto dos Frame Gears alinhados, vendedores ambulantes exibem em fileira as cápsulas de brinquedo da Companhia Sutorando. Diferente da Terra, como pode ter roubo, não fica sem gente vigiando, no entanto.
Não só crianças, até adultos giram a alavanca da cápsula, comprando miniatura de Frame Gear. Nisso, parece que Terra e mundo sombrio não são tão diferentes assim. Quem quer, quer mesmo. Claro, muita gente também compra pra levar de lembrança.
Pessoas vindas de longe observam esse tipo de coisa rara, só vista neste país, esperando ansiosamente o início do casamento. Claro, esse é o mesmo sentimento de quem vive neste país também.
Eventualmente, da torre do relógio mais alta da cidade, ressoa solene o som do sino.
O casamento começa.