Capítulo 447 – O Passado, e o Episódio Extra
■Mochizuki Touya (história de um amigo da época do ensino fundamental 2)
Tive um sonho. Da época do ensino fundamental 2.
Da época em que sempre andava junto com o Touya.
— Ei, Touya. Por mais que seja, isso não foi longe demais?
— Será? Bom, fiquei um pouco irritado, então talvez tenha exagerado um pouquinho.
— Um pouquinho… hein…
Olhando o homem de cabelo loiro comprido, completamente nu, desmaiado no chão, sinto pena indescritível.
Esse homem é líder bastante conhecido de gangue de motoqueiros por aqui. O estopim de tudo isso foi ele ter repetido comportamento tipo stalker, quase ameaçador, contra certa garota.
Aquela garota tinha namorado, e, ao descobrir o stalking, o namorado foi negociar diretamente pra ele parar de persegui-la. Cara corajoso.
Mas esse tipo de gente jamais daria ouvidos a esse tipo de advertência. Ele foi linchado pelo líder e os subordinados, indo parar no hospital.
E esse "ele" era justamente um dos nossos colegas de classe.
Indo visitá-lo, vimos ele dormindo na cama do hospital sendo cuidado, e a garota, chorando, repetindo sem parar "a culpa é minha".
O Touya, conseguindo tirar a situação da garota de algum jeito, saiu imediatamente do hospital e começou a ligar pro smartphone pra vários lugares.
— Ah, é o senhor Fulano? Quanto tempo. Aqui é o Touya. Sim, neto do Mochizuki. Tenho um pedido pequeno…
— Eh, sequestrar com a rapaziada mais nova? Não, não, não precisa incomodar o senhor Chefe assim. Sim, só o local mesmo. Hahaha, minha avô diria algo assim mesmo.
— Parece ser líder de gangue chamada Fulano de Tal. Sem problema? Que bom. Não, não, embrulhar em esteira e afundar no mar, que era isso, que época? Vou fazer de forma mais elegante.
Ei, Touya? Onde você tá ligando!? Isso tá dando medo, viu! O conteúdo também!
Depois de um tempo, chega contato de vários lugares, e, a partir daí, foi tudo muito rápido.
O Touya descobriu o paradeiro do líder, separou habilmente os capangas da guarda pessoal, levando a situação pra um confronto um contra um. Precisamente, tinha eu junto também, então era um contra dois.
O Touya provocou com palavras que até eu, assistindo do lado, recuei, e o líder, enraivecido, caiu na armadilha, se autodestruindo. Nem chegamos a colocar a mão nele. Ele mesmo se autodestruiu e desmaiou.
Ele veio atacar com cano de ferro e canivete, então foi legítima defesa… será isso? Isso.
E, arrancando toda a roupa do líder, deixando completamente nu, o Touya tira foto, "pashapasha", com o próprio smartphone dele.
— Certo, enviado, e…
— Enviado pra onde?
— Pro vice-líder da equipe onde esse aí pertence. Segundo ouvi, os dois se dão bastante mal, então, conseguindo item desses, deve perseguir ele com alegria.
— Uwaa…
Diante do Touya rindo com rosto malvado, "kukkuk", jurei no coração jamais irritar esse cara. Aparência, pé no chão, comum estudante de ensino fundamental, mas o interior é absurdo demais, francamente. Normalmente é cara quieto, discreto, sério, mas…
Depois disso, aquele líder foi expulso da equipe, ficou impossível de morar nesta cidade, sumindo pra algum lugar. Claro, o stalking dele também parou, mas o Touya nunca contou pra ninguém que foi ele quem fez isso.
— Não precisa contar mesmo. Fiz por conta própria. Simples autossatisfação. Só fiz porque quis fazer.
— Normalmente, dá pra hesitar mais, né.
— Porque não quero que, hesitando, vire situação irreversível depois. "Faz quando dá pra fazer". Vovô sempre dizia isso.
Por que será, sinto que ouço "mata quando dá pra matar". Jurei de novo, no coração, jamais fazer algo que irrite o Touya.
— Foi assim, aconteceu isso no passado.
— Aah~… faz sentido mesmo fazer isso. Aquele garoto recebeu influência total do avô…
Tirando a mão da página em que estava fazendo o traço à caneta, o pai do Touya solta suspiro. Não, sensei.
— Naquela época, justo era época que o avô dele tinha falecido, então tava um pouco descontrolado, sabe…
Um pouco…? Quero jogar bastante questionamento nisso, mas melhor ficar quieto. Volto o olhar pra página que fazia sombreamento diante de mim.
— A gente tem esse tipo de trabalho, né? Quem cuidava do Touya-kun era principalmente o avô dele. Parece que levava ele pra vários lugares, ensinava técnicas estranhas e afins.
O pai do Touya, o sensei, é mangaká, e a mãe é ilustradora de livro infantil. Sempre em casa, mas, quando o trabalho fica corrido, deve ter bastante vezes que não conseguem cuidar do filho. Aí, era o avô quem cuidava dele, hein.
— Como era o avô do Touya, afinal?
— O sogro? Umm… como dizer, era pessoa com contato amplo demais. Tinha conhecido e amigo no mundo inteiro. Do mundo do entretenimento até o submundo, e até o mundo político. Tem até foto do Touya bebê sendo carregado no colo de quem já foi primeiro-ministro.
— Sério mesmo…?
— Também ouvi que derrotou urso com as mãos nuas, encontrou alienígena, e até destruiu máfia.
— Sério mesmo!?
— Se é verdade, não sei.
"Hahaha", o pai ri, mas eu não conseguia rir. É o avô que criou aquele cara. Sinto que senso comum não deve funcionar muito bem nele…
— Certo, vamos com mais força. Terminei o traço, então preciso do sombreamento aí também.
— Sim. Parece que vai dar tempo de algum jeito.
Recebo nova página do sensei. Já dá pra ver o fim. Certo, reta final. Vamos com energia.