Capítulo 448 – A Marcha Nupcial, e a Entrada dos Noivos
— E aí? Não tá estranho?
— «Está muito elegante, senhor.»
— «Umu. Combina muito bem.»
— «Ficou mais galante, viu.»
Diante das palavras do Kohaku, da Sango, e do Kokuyō, fico levemente envergonhado. No espelho grande diante de mim, estava eu, vestindo smoking branco puro, feito sob medida especialmente pra este dia.
Sensação bem estranha. Na casa de botão do paletó, tem rosa branca decorando como flor de lapela. Sinto que não combina muito comigo, mas talvez seja permitido pelo menos uma vez na vida.
— Haa… Fico tenso mesmo, hein.
— «Até o senhor fica tenso, hein.»
— Fico sim. Afinal, é grande evento da vida.
Sutilmente grosseiro, Ruri.
Haa… sinceramente falando, chego a pensar que bastaria pular a cerimônia toda e mandar só um cartão-postal dizendo "casamos". Mas, sendo rei formal de um país, isso não seria permitido, e também quero ver a figura radiante única na vida de todas elas. Quero dar às vidas delas o colorido chamado casamento.
Fugir não é permitido. Isso, ninguém pode fazer no meu lugar.
O casamento deste mundo, na maioria dos casos, se resolve com festa reunindo as duas famílias. Não costuma ter aquele negócio de "fazer juramento diante de deus".Ocasionalmente, fazem juramento diante de espírito, dizem.
Eu também poderia fazer juramento diante de deus (o Deus do Mundo), mas o deus que eu reverencio necessariamente seria o mesmo deus do Estado Religioso de Ramisshu. Dependendo da interpretação, poderia virar assunto tipo "Brunhild sob domínio do Estado Religioso de Ramisshu", então desisti disso.
Em vez disso, decidimos chamar os grandes espíritos pra servirem de testemunha. Só que, sendo eu o Rei dos Espíritos que une todos eles, virou situação meio sem sentido, tipo fazer juramento de casamento pros próprios subordinados… bom, melhor não pensar demais nisso.
"Con, con", batem na porta do quarto, e, "gachari", abrindo, entra o mordomo Raimu-san.
— Majestade. O senhor Kamunosuke chegou.
— Ah, por favor, deixe entrar.
Guiado pelo Raimu-san, atrás do Deus do Mundo, várias pessoas entram no quarto em fileira. Serão os deuses que desceram, dos quais falou ontem?
Ou melhor, Deus do Mundo, tá de haori e hakama? Como sempre usa quimono, combina perfeitamente, mas, ainda por cima, o brasão de família é o dos Mochizuki. Brasão das nove estrelas. Não, faz sentido, sendo meu papel de avô, mas.
Depois de curvar-se, o Raimu-san sai do quarto, e o Deus do Mundo, olhando minha figura, aperta os olhos.
— Hohhoh, ficou muito bem, hein. Quase não reconheci.
— Sinto que não fico tão sereno assim, hein.
"Quase não reconheci" me deixa curioso sobre como normalmente pareço, mas, mesmo assim, ser elogiado não é ruim.
— Por ora, deixa eu apresentar. Estes são os deuses que desceram… da direita, deus da dança, deus da força, deus do artesanato, deus dos óculos, deus do teatro, deus das bonecas, deus do vagar, deusa das flores, deus das joias. Hoje vão participar do casamento como convidados amigos, então conto com vocês.
— Muito prazer. Sou Mochizuki Touya. Hoje conto com todos.
Seguindo a apresentação do Deus do Mundo, troco cumprimento com cada um. Já tinha recebido a lista dos deuses que descem, mas, ouvindo de novo pessoalmente, tem muita coisa questionável demais. Deus dos óculos, que negócio é esse. Não, deve ser deus dos óculos mesmo, mas.
De aparência, todos estão vestidos adequadamente pra comparecer numa festa. Só o deus da força parece com roupa quase estourando de tão apertada. Músculo impressionante como sempre.
Entre os dez (?) deuses, o deus da dança, a deusa das flores, e a deusa das joias eram deusas. O resto, naturalmente, são deuses homens, mas só o deus do teatro é, digamos… meio termo. Parece semelhante ao Kokuyō.
Apesar de bastante bonito e parecer ter sucesso com mulher, se move de forma estranhamente sinuosa, falando com jeito feminino. Melhor não questionar fundo demais. Já não tenho tempo pra isso.
— Depois do casamento, eles vão explorar o mundo livremente conforme quiserem. Já avisei pra evitarem causar problema ao Touya-kun, então fica tranquilo.
Ali, queria que dissesse "absolutamente proibido" em vez de "evitem", mas. Parece que, sem aprender certo grau do senso comum deste mundo, não recebem permissão pra descer à terra, então quero acreditar que não vão partir pra comportamento estranho demais.
— Então, nós já vamos indo. Se esforça, viu.
— Ah, sim. Obrigado.
Talvez por consideração, os deuses que desceram só cumprimentaram e se retiraram. Sinceramente, sendo apresentado dez pessoas de uma vez, difícil lembrar todos. Só o deus da força e o deus do teatro lembro por causa do impacto.
Mas ter quase vinte deuses no local do evento já é meio estranho, hein…
No momento em que dou mais um dos vários suspiros, da janela aberta, o Kōgyoku retorna, "basabasa".
— Bem-vindo. Como foi?
— «Sim. Os convidados já estão se reunindo aos poucos. Não parece ter problema.»
Pedi ao Kōgyoku pra checar a situação do local da cerimônia. Local da cerimônia, mas não é dentro do castelo, e sim parte do pátio interno reformada, virando palco do nosso casamento. Ou seja, casamento no jardim.
Motivo: nem a sala de audiência do castelo comportaria todo mundo, e, parece que, neste mundo, é costume comum realizar casamento ao ar livre, então ficou assim.
O pátio interno virando local da cerimônia é o local que a Sheska, gerente do "Jardim" de Babylon, e o jardineiro Furio-san, prepararam com dedicação total. Pátio interno comum se transformou em belo jardim florido, com várias flores desabrochando em profusão, cem flores num só lugar, criando atmosfera vibrante.
Sinceramente falando, quem diria que aquela criada tarada tinha esse tipo de talento. Sendo, digamos, gerente do "Jardim", talvez seja natural, mas ainda assim não consigo aceitar direito. O rosto orgulhoso, "doya", que ela fez ao terminar foi especialmente irritante… bom, por ora, agradeço mesmo assim.
Só hoje, todas as Irmãs de Babylon desceram, comparecendo no local. Claro, a Doutora Babylon, a engenheira Elka, e o Fenrir também.
Da Ilha de Dorakurifu, também vieram o dragão de prata Hakugin, e os três golens criados, Rubī, Safa, Emera, trabalhando sob comando do mordomo Raimu-san.
Afinal, falta mão de obra. Entre os membros da ordem de cavaleiros, principalmente as mulheres, estão trabalhando como criadas temporárias no local. Claro, pretendo dar bônus generoso depois. As três kunoichi subordinadas da Tsubaki-san, hoje, só hoje, também são criadas.
"Con, con", ouço som de batida na porta.
Respondendo, o Raimu-san abre a porta de novo, entrando.
— Majestade, chegou a hora.
— …Sim, entendido.
Certo, vamos! Pra reunir coragem, tento bater as duas mãos nas duas bochechas, mas paro no último instante. Se o noivo tiver marca de mão vermelha nas duas bochechas, pode virar boato estranho. Perigoso, perigoso.
Respiro fundo, expirando devagar. Acalmando, sigo os passos do Raimu-san acompanhado do Kohaku e o pessoal. …Que, que estranho, difícil de andar.
— «Senhor. Mão direita e pé direito estão saindo juntos.»
— Ah
Diante da fala do Kohaku, paro de repente sem querer. Perigo. Não tô nada tranquilo mesmo.
— Parece que tô mais tenso do que pensava.
— Todo mundo fica assim mesmo. Até Sua Majestade o Rei de Belfast ficou tenso o tempo todo no dia do casamento dele, bebendo água repetidas vezes antes de entrar no local.
— Hee
— Por causa disso, precisou ir ao banheiro com frequência, e passou a cerimônia inteira segurando, dizem. Graças a isso, mal lembra das palavras de felicitação recebidas.
Ah, é mesmo, o Raimu-san era originalmente encarregado de cuidar de Sua Majestade o Rei de Belfast, afinal. Deve lembrar até detalhes do casamento dele também.
Mas até rei fica tenso no casamento mesmo, hein. Sinto certa proximidade.
— Sua Majestade o Rei de Belfast sempre contava essa história diante dos súditos, dizendo que ficar tenso demais nunca traz coisa boa. Dizia sempre pra relaxar os ombros e ser natural, não importa a situação. Que assim dá pra lidar com qualquer situação melhor.
Natural, hein… …….será que fiquei tenso demais pensando que precisava mostrar um "eu" diferente do normal, sendo cerimônia especial? Basta ser eu mesmo de sempre mesmo, né. Uhum.
— Diminuiu um pouco a tensão?
— Sim. Obrigado pela consideração.
— De nada. É só história de recordação de um velho.
O Raimu-san volta a andar. De fato, sinto o coração mais leve que antes. Já tá tudo bem. …Acho.
Eventualmente, chegamos diante da porta que sai pro local do casamento no jardim, construído no pátio interno. Pra abrir a porta, dos dois lados, estão as vice-comandantes da ordem, Nikora-san e Norue-san. As duas, hoje, claro, não estão de armadura, e sim traje formal de festa.
Do lado de fora da porta, através dos alto-falantes instalados pela Doutora Babylon, música começa a tocar. Afinal, não temos coisa chique tipo orquestra.
A música, claro, é a mais clássica das clássicas, composta por Mendelssohn, "Marcha Nupcial". Falando "Marcha Nupcial", também existe a de Wagner, mas eu sou do time Mendelssohn. Fanfarra de trompete vibrante, e ritmo saltitante que eleva o ânimo.
E, ainda por cima, a de Wagner é originalmente peça de ópera chamada "Lohengrin", e essa história termina em desfecho trágico. A de Mendelssohn também é baseada na obra de Shakespeare "Sonho de uma Noite de Verão", mas essa história alcança final feliz harmonioso.
Não que esteja apostando em sorte, mas eu também, se possível, prefiro final feliz.
Junto com a fanfarra chegando ao clímax, as duas vice-comandantes abrem a porta.
No caminho até o altar visível à frente, os convidados alinhados em fileira nos recebem batendo palmas. Normalmente, casamento de rei deveria ser mais solene, mas, no nosso caso, conversamos com todo mundo e decidimos deliberadamente por cerimônia mais descontraída. Achei que assim os convidados também aproveitariam melhor.
Como referência, mostrei vídeo de casamento da Terra, e todo mundo pediu pra incorporar esse ritual de caminhar pelo corredor. Parece que existe formato parecido aqui também. Aqui, normalmente, o noivo avança com a mãe e a noiva com o pai, de lados opostos, se encontram, e então só o casal avança sozinho até o altar, mas decidimos por estilo misturando o formato terreno e o formato deste mundo.
Entre confete de flor caindo de algum lugar, começo a andar levando o Kohaku e o pessoal.
Avanço devagar em direção ao altar pelo caminho chamado, na Terra, de "caminho da virgem". Falando "altar", é só palco amplo montado um pouco mais alto, mas, em cima dele, a Sheska decorou em formato de cúpula com flores coloridas variadas. Altar de cem flores.
Paro diante da pequena escada que sobe pro altar, me deslocando pro lado. Aqui é onde espero pela noiva.
Eventualmente, a porta se abre de novo, e três pessoas, homem e mulheres, aparecem ali. No centro, o Jozefu-san, libertado do trauma ontem… ou melhor, com o trauma selado. E, dos dois lados, escoltadas de braços dados, estão as sobrinhas dele, Eruze e Rinze.
— Ooh! Isso é…!
— Nossa! Que lindo…!
Voz de admiração escapa dos convidados.
Já tinha visto o vestido de noiva em si, mas é a primeira vez vendo elas vestindo. Tanto a Eruze quanto a Rinze usam vestido chamado linha princesa, que se espalha suavemente da cintura pra baixo em direção à barra. Sendo gêmeas, talvez por isso, parecem ter escolhido modelo parecido. A diferença é só a cor do buquê que seguram. As duas, lindas, fazendo as duas brilharem.
Personalidades diferentes, mas as duas são garotas atraentes. Lembro como se fosse ontem de tê-las conhecido no beco de Rifuretto. Naquela época, nunca imaginei que fosse casar com as duas.
A Eruze, apesar de personalidade competitiva, no fundo, é garota sensível. Tende a guardar preocupação pra dentro. Não consegue mostrar fraqueza. Quero ser apoio pra ela.
A Rinze, ao contrário, parece quieta, mas tem essência forte. Séria, esforçada, e tem gentileza de colocar os outros em primeiro lugar. Sinto respeito profundo pela dedicação dela. Quero valorizar esse sentimento sincero.
Envolvidas em vestido branco puro, o Jozefu-san avança devagar. Ainda parece tenso, mas muito melhor comparado a antes. A Eruze e a Rinze, dos dois lados, também parecem tensas, mas o véu de noiva esconde isso.
Eventualmente, chegando até o altar, o Jozefu-san se curva diante de mim.
— C, cuidem shas duash com carinhu!
— Vou fazer as duas felizes com certeza.
Provavelmente por excesso de tensão, o Jozefu-san erra a fala de forma notável, e me curvo igualmente. Primeiro, seguro a mão da Eruze, subindo até o altar.
Em seguida, segurando a mão da Rinze, mando ela subir igualmente.
Quando o Jozefu-san desaparece pela esquerda embaixo do altar, a porta se abre de novo, e, dessa vez, a Yae e o pai dela, Jūbē-san, aparecem, igual à Eruze e o pessoal.
Sinto certa estranheza da Yae vestindo vestido de noiva, enquanto o Jūbē-san veste haori e hakama, mas, bom, é detalhe pequeno.
A propósito, a ordem de entrada segue a ordem em que as conheci. A Yae, conheci durante a viagem inicial com a Eruze e a Rinze, no caminho. Naquela época, vendo ela derrubando homens sem parar, achei "que garota incrível".
Surpreendentemente ingênua e distraída às vezes, mas logo percebi que era garota gentil, apegada à família. Sempre sou ajudado pela personalidade generosa dela. O sorriso alegre dela sempre traz felicidade a todos.
Nervoso diante da Yae, diferente do traje japonês de sempre, seguro a mão dela.
— Cuido bem da minha filha, por favor.
— Sim. Pode deixar comigo.
Curvando-se, o Jūbē-san também se afasta, e, igual à Eruze e o pessoal, faço a Yae subir ao altar.
Em seguida, a Sū aparece com Sua Excelência o Duque Orutorinde.
Conhecemos a Sū logo depois de conhecer a Yae. Se não a tivéssemos conhecido, também não teria conhecido a Yumina, e, se não tivesse conhecido a Yumina, talvez nem tivesse virado rei de um país assim.
A Sū, que parecia só criança quando a conheci, cresceu um pouco em altura, ficando mais feminina. Ela é a mais jovem, com doze anos, e ainda hoje penso se está certo casar nessa idade. Mas sempre pretendi torná-la esposa algum dia mesmo, e adiar o casamento só dela sozinha pareceria excluí-la, o que não queria. Ainda bem que conseguimos fazer a cerimônia juntas assim.
Essa criança, curiosa e cheia de iniciativa, sempre me surpreende. Tem lado teimoso também, mas isso também é parte da fofura dela.
Segurando a mão dessa pequena Sū, guio até o altar.
— É criança que preocupa em vários sentidos, mas… conto com você.
— Tudo bem. A Sū é bem responsável, sabe.
O Duque Orutorinde se curva com sorriso amargo, se afastando. A Sū, com leve bico, "a papai se preocupa demais", sobe ao altar.
A porta se abre, e a quinta, Yumina, aparece com Sua Majestade o Rei de Belfast.
Com iniciativa quase ousada, veio até mim sem hesitar, e, sem perceber, virou normal ela estar ao meu lado. Realmente, sem perceber, virou existência que não consigo mais tirar os olhos. Fico realmente feliz de ter conseguido aceitar o sentimento da Yumina agora.
Dizem que, quando me conheceu, ela já previa que isso aconteceria, agindo pra direcionar pro melhor caminho possível. Às vezes sinto que fui bem manipulado na palma da mão dela, mas acho que isso também é parte do charme da Yumina.
As duas avançam calmamente pelo caminho, parando diante de mim.
— Touya-dono… conto com você.
— Sim.
Respondendo curto a Sua Majestade o Rei de Belfast, seguro a mão da Yumina. Devagar, ela sobe ao altar.
No caso da Rin, próxima da vez, não sendo bem "casa dela", já que os pais dela partiram pro reino das fadas, onde passam os últimos momentos, veio acompanhada por Sua Majestade o Rei-fera de Misumido como substituto. Só hoje, a Pōra está sentada entre os convidados.
Vestindo vestido de noiva vibrante, ela parece levemente tímida de algum jeito. Sendo a única mais velha que eu, tem lado infantil às vezes, gosta de pregar peça. Mas, incluindo esses aspectos, ela é a garota chamada Rin. Idade não importa.
Se não tivesse recebido o empurrão dela, provavelmente nunca teria buscado Babylon, nunca teria obtido Frame Gear, e o mundo talvez tivesse sido pisoteado pelos Phrase. Pensando nisso, dá pra dizer que, no fim, a curiosidade dela salvou o mundo.
Seguro a mão dessa salvadora do mundo.
— Faça nossa aliada feliz, Touya-dono.
— Entendido. Com certeza.
Sorrindo, "ni", Sua Majestade o Rei-fera se curva, virando as costas.
No lugar da Rin que sobe ao altar, dessa vez, a Rū vem escoltada por Sua Majestade o Imperador de Regulus até mim.
Sua Majestade o Imperador de Regulus, que já esteve à beira da morte uma vez, ficou bem mais saudável. Parece que, em breve, vai ceder o trono pro príncipe herdeiro, irmão da Rū, se aposentando.
Conhecer a Rū foi durante o golpe de estado que aconteceu em Regulus. Naquela hora… se eu tivesse chegado um pouco mais tarde, a Rū teria sido perfurada no peito, talvez morrendo.
A Rū, ao vir pra cá, floresceu o talento pra culinária. Mas, por trás disso, sei que ela repetiu esforço até sangrar. Ela é competitiva, não gosta de exibir esse esforço. Uma vez definida a meta, vai direto. Quero seguir esse exemplo de dedicação também.
Vendo a Rū caminhar até mim, Sua Majestade o Imperador se curva levemente.
— Cuido bem da minha filha, por favor.
— Claro que sim.
Recebendo a Rū igualmente, subindo ao altar, quando a porta se abre e aparecem os dois seguintes, não consigo evitar um sorriso amargo.
Segurando (arrastando) o Rei Demônio de Zenoas, chorando copiosamente, mesmo difícil de ver por causa do véu, a Sakura aparece com cara de completo cansaço.
Parece que a Sakura queria muito que a mãe, a Fiona-san, fizesse o papel de escolta, mas o Rei Demônio implorou tanto, até se ajoelhando no chão, que a Fiona-san acabou consentindo, aceitando isso, e a Sakura, relutante, também aceitou.
O passo da Sakura, avançando com pressa, é notavelmente rápido. Dá pra entender bem o pensamento de "vamos terminar isso logo". Será que ainda não estão bem entrosados, esses dois…
A Sakura, quando a conheci pela primeira vez, tinha perdido a memória. Quase morta, atacada por assassino de Eurono, estava em estado crítico. Se não fosse pela tecnologia de Babylon, não sei o que teria acontecido.
Normalmente quieta, sem mostrar muita emoção, a Sakura, quando ouve música ou canta, mostra outro rosto, de outra pessoa. Essa voz cantada, com certeza, vai continuar trazendo alegria e felicidade às pessoas de agora em diante. Ao lado dela, quero ajudá-la também.
A Sakura, chegando até mim antes de todo mundo, sobe direto ao altar rapidamente.
Enquanto fico admirado, achando "que a cara da Sakura mesmo", com força, o Rei Demônio agarra meu ombro.
— Mu, minha filha, se não fizer feliz, não perdoo, viu!
— E, esforço.
O que é isso, assustador. Para, não aproxima o rosto! Lágrima e ranho! Meu smoking branco de propósito vai sujar!
Vendo o Rei Demônio saindo correndo chorando, sinto insegurança passageira se conseguiria conviver bem com esse sogro. Como rei, é pessoa de dignidade, sabe…
No timing em que fico levemente relaxado, por último, a Hiruda aparece com o ex-rei de Lestia.
A ordem de casamento da Hiruda é sétima, mas, em ordem de quando a conheci, é a última.
Como sempre, mostra postura firme dedicada ao espírito da cavalaria, mas, só hoje, a delicadeza fala mais alto que a firmeza. No lugar da espada, segura pequeno buquê, e, no lugar da armadura, veste vestido de noiva branco puro, avançando devagar até mim.
Respeito profundamente o senso de responsabilidade forte e a postura sempre sincera dela. Só que, às vezes, ela força demais pra cumprir essa responsabilidade. Isso também é bem digno da Hiruda, mas. Incluindo esse lado também, quero apoiá-la.
— Cuido bem da minha filha, por favor. Que os dois sejam felizes.
— Muito obrigado.
Recebendo a mão da Hiruda de Sua Majestade o antigo Rei de Lestia, subo ao altar. Com isso, as nove noivas estão reunidas no altar.
Depois de Sua Majestade o antigo Rei se retirar, curvo-me a todos, subindo ao altar também. A "Marcha Nupcial", que tocava sem parar, finalmente termina, e ao redor se instala silêncio.
— [Em nome do Rei dos Espíritos. Venham, espíritos]
Com voz baixa, uso a língua espiritual, invocando os grandes espíritos. Agora tem várias pessoas no local capazes de entender língua espiritual, então seria problema se ouvissem.
Imediatamente, coluna gigante de fogo se ergue acima do altar. Em seguida, ergue-se coluna de água, e tornado se forma no ar. Montado nesse vento, areia e pedra se erguem no ar, e, por último, aparecem esfera de luz e massa de trevas.
— Ooh…!
— Nossa…! Olha, aquilo!
Enquanto os convidados ficam surpresos, igual ao aparecimento repentino, fogo, água, tudo se dissipa feito poeira num instante. E, depois de tudo desaparecer, aparecem seis garotas não-humanas, flutuando no ar.
Elas são justamente os seis grandes espíritos: espírito de fogo, espírito da água, espírito do vento, espírito da terra, espírito da luz, espírito das trevas.