Capítulo 450 – Depois do Casamento, e a Primeira Noite de Núpcias
Depois do lançamento de buquê, montado em golem de transporte grande construído no "Ateliê", desfilamos pela cidade junto com todas as noivas. Sendo cidade pequena, sinceramente acho que veículo tão grande assim nem era necessário.
O que avança pela cidade é golem multípede, com corpo tipo ônibus de dois andares, com várias pernas. Obra de colaboração entre a engenheira Elka e a Doutora Babylon. De novo criaram algo chamativo. A propósito, quem dirige é a Rozetta.
O golem-ônibus avança devagar, dando volta na cidade, seguindo rota de volta pro castelo.
Originalmente, isso é modificação de veículo automotor grande que estava no "Hangar". Subindo no segundo andar sem teto, dá pra ver a gente mesmo em meio à multidão. Parece desfile de campeão de algo. Não, é desfile mesmo, mas.
Acenamos de volta pras pessoas na rua acenando. Metade, mais ou menos, são pessoas conhecidas. Quem não reconheço deve ser turista ou viajante.
Misturado nisso, também dá pra ver, aqui e ali, figuras de aventureiros.
— Nn?
Entre eles, encontro pessoa com comportamento estranho. De trás de um homem, direcionando palavras de felicitação pra cá, mão discreta se infiltra na bolsa pendurada no ombro dele. Batedor de carteira?
Quando tento aplicar [Paralyze] através do smartphone, o homem batedor de carteira de repente desaba no lugar. Opa?
Olhando bem, atrás do homem, tá o Nyantarō empunhando florete. A propósito, aquele florete, a pedido do Nyantarō, apliquei [Paralyze], então o homem batedor de carteira deve estar ileso.
O Nyantarō ergue só o polegar em minha direção. Habilidoso, hein…
Quando gente se reúne, crime aumenta na mesma proporção. Mas, no nosso caso, o esquadrão gato liderado pelo Nyantarō (quatro Cait Sith e vários gatos) sempre vigia pessoas suspeitas, então não deixamos criminoso escapar. Em certo sentido, dá pra dizer que é o melhor esquadrão de segurança.
Aceno pro Nyantarō pra agradecer. Depois mando bebida de erva-de-gato ou algo assim.
O golem-ônibus, depois de dar volta na cidade, avança devagar de volta pro castelo. A propósito, esse golem-ônibus tem pneu na lateral das pernas, e, virando modo de roda, avança sem balançar. Durante o desfile até agora, estava em modo de roda. "Se é assim, coloca roda normal desde o início!", penso, mas, saindo da cidade, tem bastante caminho ruim e trilha de montanha. Nesse caso, deve ser mais conveniente ter perna múltipla mesmo.
Voltando ao castelo, corremos imediatamente pro quarto de troca de roupa. Em seguida, é recepção. Conectando com porta aplicada com [Gate], o pátio interno onde fizemos o casamento, o salão maior do castelo, e a sala de recreação, deixamos os convidados aproveitarem. Recepção, mas é mais tipo segunda festa, não precisa ser formal igual a cerimônia.
Separando de todo mundo, entro no quarto de troca de roupa, e o Raimu-san, já esperando, imediatamente traz outra roupa pra vestir na recepção. Tiro o smoking branco, vestindo essa nova roupa.
Sobre camisa branca, colete casual cinza, e gravata azul-marinho. E, terno completo, cima e baixo, cinza-escuro. Diferente da cerimônia, roupa com sensação mais tranquila.
Mesmo sendo recepção, não tem serviço de vela nem corte de bolo tipo Terra, é principalmente pra receber os convidados, deixando eles beberem, comerem, brincarem à vontade. Comparado à cerimônia de há pouco, é bem mais tranquilo.
O Raimu-san ajusta minha gravata, e saio apressado do quarto. Durante o desfile de há pouco, os convidados já devem estar aproveitando comida ou brincando na sala de recreação.
Não precisa correr, mas também não dá pra ficar relaxado. Como as noivas demoram pra trocar de roupa, pelo menos eu preciso ir na frente primeiro.
Levando o Kohaku e o pessoal, teletransporto com [Teletransporte] até diante da porta que leva ao salão maior.
Diante de nós aparecendo de repente, os cavaleiros de segurança na porta ficam surpresos, mas, reconhecendo que sou eu, abrem a porta imediatamente. Desculpando pelo susto, ao passar a porta, todos os convidados no salão maior direcionam atenção pra mim de uma vez.
— Opa! Chegou o protagonista de hoje!
Junto com a voz de Sua Majestade o Rei-fera de Misumido, aplauso intenso é direcionado a mim pelos convidados.
No salão maior, várias mesas alinhadas, cobertas com toalha branca, tem vários pratos de comida e doce dispostos sem folga nenhuma. Convidados usam prato individual, pegando o que quiserem daqui. Digamos, formato tipo buffet.
Inicialmente, pensei em fazer ordem de assento adequada, chegando a criar lista pra isso, mas, considerando figurões de vários países, nobreza, posição política e relação mútua, julguei impossível decidir isso direito, então virou desse jeito. Não dava pra fazer mesa redonda gigante também.
Nesse formato, não precisa se preocupar com ordem de assento, e dá pra conversar até entre desconhecidos. Ao contrário, se tiver relação ruim, basta não se aproximar.
— Parabéns por hoje, Touya-dono. Já comecei antes.
— Obrigado, Ietasu-san. Aproveite bastante.
O Ietasu-san, rosto levemente corado bebendo vinho produzido em Rīfurīsu, me cumprimenta.
De Ishen, foram convidados não só a família e parentes da Yae, mas também os altos funcionários da casa Tokugawa, incluindo o Ietasu-san, e até a Imperatriz de Ishen, Shirahime-san.
Afastando-me do Ietasu-san, quem fala comigo em seguida é o Rei de Iguretto, vestindo traje tradicional tipo nativo americano. Pele bronzeada, treinada, e tatuagem como sempre, mas o adorno de pena na cabeça tá mais vívido que o normal hoje.
— Ei, Duque de Brunhild. Finalmente você também virou homem casado, hein. …Nunca faça nada que irrite suas esposas, viu.
— …Vou gravar isso no coração, Sua Majestade o Rei de Iguretto.
Recebo palavra grata de Sua Majestade o Rei que governa o reino do mar do sul, Iguretto.
Esse rei também tem sete esposas. Vou ouvir com atenção o conselho de veterano. Iguretto, depois do incidente do tentáculo, parece ter começado pesca de lula. Ouvi que tá indo bem, virando possível produto famoso de Iguretto.
Eventualmente, deve começar a circular até lula seca produzida em Iguretto.
— Duque, parabéns pelo casamento nesta ocasião.
— Parabéns.
— Obrigado. Agora é a vez de vocês dois.
Quem vem cumprimentar em seguida são o Príncipe Herdeiro Rūfeusu do Império Sagrado de Toriharan, e a Princesa Beruriette do Reino de Sutorein.
Os dois, virados noivos oficialmente depois daquela corrida de veículo mágico, devem realizar o próprio casamento em breve.
— Por favor, venham também ao nosso casamento. Vamos fazer desfile com o veículo mágico mais recente!
— Ultimamente, discutimos bastante sobre a manutenção do Beru…
— Ara, é porque você reclama da peça que eu instalei.
— Não é reclamar, é considerando o lado da segurança que…!
— Calma, calma.
Se começarem briga aqui, fico em apuros, então acalmo os dois. Será isso aquele negócio de "brigando, mas se dão bem"? Melhor fazer isso do outro lado.
Enquanto fico exausto, dos convidados no salão maior, vem voz de "ooh!".
A porta grande do salão maior se abre, e minhas noivas, trocadas de roupa depois do vestido de noiva, entram no salão.
Todas vestem vestido branco de tecido rendado parecido com o vestido de noiva, mas design geral simplificado. Saia fofa vai até abaixo do joelho, e, do peito pra cima, do ombro até o cotovelo, a renda desenha linha vívida.
Vestido onde a fofura fala mais alto que a beleza.
— Ei, vai buscar sua esposa logo.
Quem bate nas minhas costas rindo é o velho Baba, ex-um dos Quatro Reis Celestiais de Takeda. Dos dois lados dele, o Yamagata e o senhor Naitō também riem. A propósito, o Kōsaka-san tá circulando cumprimentando os altos funcionários de outros países.
Quando avanço com passo levemente inseguro até todo mundo, a primeira a saltar em cima de mim é a Sū.
— Ei, ei, já virou esposa, não é apropriado pular assim.
— O que tá falando. Justamente por ser esposa, dá pra abraçar sem se importar com ninguém, né. Já não precisa se conter, Touya. Nós somos casal, afinal.
Uun, veio com essa. Não é que eu esteja me contendo, é que simplesmente fico envergonhado.
Talvez estimulada pela Sū, até a Yumina cruza o braço no meu. Sū no braço direito, Yumina no braço esquerdo, cercado de flores dos dois lados, mas sinto pressão misteriosa vindo com sorriso das outras sete flores.
De relance erguendo o olhar, o Rei de Iguretto, com quem conversei há pouco, olha pra cá com olhar de compaixão. Para com isso.
Com todo mundo reunido, cumprimentamos de novo os convidados. Falando com os reis de vários países conversando refrescando à noite no pátio interno, recebendo com gratidão conselho sobre vida de casado das rainhas saboreando comida de vários países no salão maior, e mostrando o rosto aos nobres brincando na sala de recreação.
Eventualmente, a noite avança. Os convidados que voltam levando o catálogo de presente e comida embrulhada de lembrança, a vovó Tokie vai entregar de volta com magia de teletransporte. E, quem vai se hospedar, fica no quarto de hóspedes do castelo.
O resto fica a cargo do Kōsaka-san e da governanta-chefe Rapisu-san. Fazemos a última saudação, deixando o salão.
— Fuaa~… que cansaço~…
Afrouxando a gravata, deixo o corpo cair no sofá da sala. Todo mundo também voltou pro próprio quarto, e, finalmente libertos de tensão sobre tensão, cansaço pesado ataca o corpo todo.
— Bom trabalho hoje.
— Ah, uhum…
O mordomo Raimu-san traz água gelada, e viro tudo de uma vez. Hoje quase não bebi líquido. Pra não precisar ir muito ao banheiro. Só água mesmo já tá deliciosa demais.
O Raimu-san serve de novo água no copo, do jarro.
— Foi um casamento maravilhoso. Os convidados também devem estar satisfeitos.
— Espero que sim, hein.
Diante da fala levemente exagerada do Raimu-san, respondo com sorriso amargo, bebendo água de novo, "gokugoku".
— Agora resta o herdeiro.
— Bufo!?
Gehogeho! Água entra na traqueia, engasgo com força. Herdeiro, o quê! Não tá cedo demais!?
Diante de mim apressado, o Raimu-san continua a conversa com naturalidade.
— Pra família real, deixar linhagem também é um dos deveres, acho. No caso de Sua Majestade o Rei de Belfast, como a rainha era só uma, ficaram aflitos até nascer a Yumina-sama, mas, no caso de Sua Excelência o Duque, são nove pessoas. Simplesmente calculando, é nove vezes. A probabilidade de acertar também deve ser nove vezes…
— Para com isso, é crú demais, esse jeito de falar.
Não, bom. Casei, então acho que isso também faz parte de ser casal.
Por egoísmo meu de esperar idade de casamento da Terra, fiz todas esperarem até dezoito, mas, mesmo assim, a mais jovem, Sū, tem doze. Mesmo neste mundo, ser reconhecido como adulto geralmente é a partir de mais ou menos quinze, então acho melhor esperar mais alguns anos pra esse tipo de ato.
O senhor de guerra do período Sengoku, Maeda Toshiie, casou com a esposa principal, Matsu, aos vinte e um anos, e, naquela época, ela tinha doze anos. Coincidentemente, mesma idade da Sū. E ainda por cima, a Matsu deu à luz filho no ano seguinte.
Mas não significa que eu precise seguir esse exemplo.
Estranhamente falando, na reunião prévia das esposas (da qual eu não participei), já ficou decidida a ordem de "aquilo".
Isso é simplesmente conforme "ordem em que fizemos o noivado". Ou seja, ordem: Yumina, Rinze, Eruze, Yae, Rū, Sū, Hiruda, Rin, Sakura.
Então, agora preciso ir até o quarto da Yumina…
Diferente da hora do casamento, sinto tensão estranha correndo. Ei, ei. Já devia ter tomado coragem, né.
Mas, mesmo depois do Raimu-san sair do quarto, continuo um tempo bebendo só água sozinho. Som do relógio ressoa estranhamente alto.
Não adianta ficar hesitando pra sempre. Certo, vamos!
Contendo o coração batendo acelerado, "dokidoki", no momento em que tento me levantar, ouço som de batida na porta.
— Fuha, sim!?
— Com licença.
"Gachari", a porta se abre, e a Sheska entra no quarto.
Numa bandeja de prata numa mão, tem alguns frasquinhos de vidro colocados. O que é isso? Não me diga que trouxe bebida pra dar ânimo ou algo assim.
— É presente de casamento da Doutora Babylon.
— O que é isso?
Ergo em direção ao lustre o frasco pequeno com líquido colorido brilhando tipo rubi ou safira, colocado na mesa. Cor parecendo xarope de raspadinha diluído. Bonito, mas parece fazer mal pro corpo.
— O vermelho é estimulante de energia vital, o azul é remédio de recuperação de desejo sexual, o verde é tônico fortificante.
— Leva isso de volta!
Presente de casamento, mas direto demais!
— É especial da Furōra, do "Pavilhão de Alquimia". Sem efeito colateral.
— Não preciso, não. Vou resolver por conta própria.
Não, tendo [Refresh], acho que não vou ficar sem energia física. Não, não é questão de fazer até esgotar a energia física.
"Sutt", a Sheska segura minha mão, colocando o polegar no pulso.
— Hmm. Comparado ao normal, pulso e pressão elevados, e até respiração levemente irregular. Tá tenso, Mestre.
— Foi mal mesmo.
Não é estranho ficar tenso, né. Tô mais tenso que quando lutei contra o deus maligno.
— Parece que muita gente vira trauma por não conseguir fazer bem na primeira vez. Nesse caso, antes de duelar com a esposa, acho que testar comigo primeiro é o melhor. Então, vamos logo. Vem, vem, vem.
— Espe!
"Guii", a Sheska me empurra deitado no sofá, começando a desabotoar minha camisa. Essa aí, força continua absurda como sempre!
— Não vou machucar. Se contar as manchas do teto, já acaba rapidinho.
— Te, [Teletransporte]!
— Mugyu
Escapo teletransportando de repente do sofá. Droga, não posso ficar num lugar desses! Vamos logo pro quarto da Yumina!
Abrindo a porta, ajeitando o botão desabotoado, começo a andar apressado pelo corredor.
— «Como foi?»
— Exatamente como a Doutora previu, ficou enrolando bastante. Realmente, dá trabalho ter mestre covarde.
Sentada no sofá, a Sheska continua conversa com a Doutora Babylon pelo smartphone. Do smartphone, vem som de risada, "ketaketa".
— «Calma, calma. Comparado a falso confiante ou lixo que vê mulher só como objeto de desejo sexual, é muito melhor. E, pra ele se acostumar com esse tipo de coisa também, senão nunca vai investir em nós.»
— Eu ainda tenho possibilidade, mas a Doutora, quase impossível, né?
Sendo humanoides artificiais, as Irmãs de Babylon não crescem mais. O corpo da Doutora também deve continuar assim pra sempre.
— «Umm, isso aí, com ajuda de bebida também, né. Com certeza a deusa do saquê também vai emprestar força.»
— Que blasfêmia, hein.
Aquela deusa do saquê tem aparência ainda mais jovem que a Doutora. E, antes disso, o Touya, já divinizado, quase nunca fica bêbado com bebida comum. As antigas mestre e serva, sem saber nada disso, celebravam do próprio jeito o futuro do garoto recém-casado covarde.
— [Prison]
— A, o quê… o que é isso?
Ignorando a Yumina com cara de "hã", ativo [Prison] no quarto dela. Com isso, não dá pra espiar de fora, e também não dá pra invadir.
Não, ainda não posso ficar tranquilo. Sendo aquela Doutora, não seria estranho ter instalado escuta ou câmera escondida em algum lugar.
Expando [Search], investigando, mas não encontro nada. Umm… será que to pensando demais… até aquela Doutora não faria algo tão baixo assim, né. Foi mal desconfiar.
Dando suspiro de alívio, "fuu", a Yumina, vestindo pijama branco adorável, começa a resmungar, "muu", sentada na cama.
— Touya-san? Não acha que tá deixando a esposa de lado tempo demais desde há pouco?
— Ah, não, não era essa intenção…
Perigo. Levemente de mau humor. Enquanto me desculpo apressado com todo esforço, de algum jeito consigo melhorar o humor dela. Fuu.
Aliviado, a Yumina senta em posição formal, "seiza", na cama, curvando-se profundamente com as três pontas dos dedos apoiadas. Eh, onde aprendeu isso!? Da Yae!?
— Sendo pessoa inexperiente, mas conto com o senhor por longo tempo.
— Ah, não, isso, igualmente, conto com você também.
Diante da ação repentina da Yumina, eu também subo na cama igualmente, sentando em posição formal, curvando-me profundamente.
Erguendo o rosto, nos entreolhamos, e acabamos rindo juntos. A tensão de até agora, sem perceber, desaparece pra algum lugar.
Vou viver a partir de agora com essas garotas como companheiras. Nesse sentimento, já não tenho mais hesitação.
Segurando a mão dela, trocamos beijo nos lábios, coisa que não conseguimos fazer no casamento.
Iluminados pela luz gentil e redonda da lua, eventualmente, nossas sombras devagar se sobrepõem.
A partir daquele dia, por nove dias, foi bem difícil — só acrescento isso.