Capítulo 452 – A Partida da Viagem, e a Terra Natal
Naturalmente, todo mundo no castelo ficou curioso, "por que ficou com essa aparência?". Como já era comum mudar aparência com [Miragem] e afins, isso em si não foi questionado, mas "por que aparência infantil?" acabou sendo questionado mesmo.
No fim, disfarcei o motivo de forma vaga. Não dá pra dizer "virei criança pelo poder de deus", né.
— Melhor se o Deus do Mundo tivesse me transformado antes de partir, hein…
Como fiquei pequeno, na hora de aproveitar as compras de todo mundo, comprei também na loja do Zanakku-san pijama infantil, trocando de roupa. Diante do reflexo de mim mesmo no espelho do quarto, sinto sentimento indescritível.
— Não daria pra preparar roupa de troca bem em cima da partida, viu. Talvez tenha considerado isso.
— Uwaa!?
A Yae de novo me ergue no colo. Ku, se pelo menos fosse quinto, sexto ano do fundamental, teria peso razoável… com a Yae, não importa o peso mesmo…
Mas, ser erguido com tanta facilidade assim, sinto sentimento patético como homem. Não, sendo estado de criança, não tem jeito, mas.
— Mas que fofo, hein~. Será que, se nascesse filho, ficaria assim?
— …Na loja do Zanakku-san, vocês até me vestiram de menina, hein.
— Não só filho, queria ver versão filha também. Sem segunda intenção.
Mesmo assim, hein… encaro a Sakura, que responde sem constrangimento nenhum. Sinto que perdi algo importante…
— Aliás, e a asa da Rin, como fica? Sem conseguir usar [Invisível], não dá pra esconder, né? Lá não tem gente tipo povo fada, né?
Na cama grande, a Eruze, penteando o cabelo, pergunta desfazendo o rabo de cavalo duplo, direcionando a dúvida pra Rin. Ah, é mesmo, verdade.
— Sem problema. Essa asa reflete pigmento específico reagindo à concentração de mana… bom, resumindo, sem certo grau de mana no ar, não fica visível claramente, então, num mundo tão fraco em mana que nem magia funciona, deve ficar tudo bem. E, se precisar mesmo, ajustando bem juntinho ao corpo, dá pra esconder até debaixo da roupa.
Enquanto responde, a Rin dobra a asa nas costas pra ajustar ao corpo. Pensei em pedir pro deus apagar, mas parece que não precisa.
— A chifre da Sakura-chan também vai ficar tudo bem?
A Rinze direciona pergunta parecida olhando pra Sakura.
— O meu, se encolher, esconde no cabelo, e, exceto na hora de esticar ou encolher, não uso mana, então sem problema. Garanto.
Entendi. Se ficar encolhido o tempo todo, tudo bem então. O chifre da Sakura é "Chifre Real". Parece ser parte da pele, tipo unha humana, que se estende livremente por mana. Será tipo queratina endurecida como chifre de animal? Ouço dizer que a raça vampira também consegue esticar e encolher unha até certo ponto livremente, será igual a isso?
Fora isso, sendo demônio, a Sakura tem orelha levemente pontuda, mas isso deve ficar tudo bem. Se perguntarem, respondendo "é moda", deve passar.
— Mesmo assim, o mundo do Touya é incrível, hein. Até de noite, brilha cintilante feito estrela.
A Sū murmura olhando a imagem da Terra projetada no ar do quarto pelo meu smartphone. Diante da Sū, flutua a paisagem noturna de Tóquio.
O lugar pra onde vamos não é tão urbano assim, no entanto.
— Tem vários tipos de veículo mágico circulando, viu.
— Se não me engano, azul desse "sinal" significa "avança", vermelho significa "para", né.
A Rū e a Yumina revisam as regras de lá que ensinei antecipadamente. Melhor que explicar detalhadamente cada coisa que elas não entendem lá, já que tenho essa ferramenta útil, decidi mostrar antes e fazer estudar até certo ponto.
Usando a magia de transferência de memória [Recall], dá pra compartilhar conhecimento até certo ponto. Assim, evita a Yae e o pessoal verem televisão lá e falarem tipo "que caixa estranha e maligna!", igual samurai que fez viagem no tempo, numa esquete. Sabendo com antecedência, dá pra aceitar pensando "então é assim mesmo".
Bom, já mostrei filme e afins antes, então não devem se surpreender tanto com televisão nem nada.
— Mas fico um pouco inquieta que lá não podemos portar espada. Lutar sem arma nenhuma…
— De fato, mesmo uma adaga curta ser proibida. Vamos precisar lidar só com técnica corporal.
A Hiruda murmura franzindo levemente a sobrancelha, e a Yae assente concordando.
Por isso que eu… primeiro, quase não vai ter situação de luta, e, mesmo que aconteça, lá quase ninguém carrega arma. Mesmo que tivesse faca ou algo assim, vocês venceriam com folga.
Não sei se elas mesmas percebem, mas essas nove são, sinceramente falando, fortes. Mesmo sem usar magia, um homem qualquer comum não seria páreo. Provavelmente, até a Sū, talvez a mais fraca, nem um grupo de aventureiros robustos conseguiria vencer.
A Yae, a Hiruda, a Eruze, a Rū, grupo da linha de frente, treinam diariamente, e a Yumina, a Rinze, a Rin, a Sakura, grupo de magas de retaguarda, também recebem treinamento periódico da irmã Moroha e do tio Buryu. A Sū e a Sakura também aprendem técnica furtiva com a Rapisu-san e a Tsubaki-san.
E ainda por cima, tem bênção e servidão das irmãs somadas em cima disso. Homens de lá não seriam páreo nenhum. Ao contrário, fico preocupado se não vão machucar demais o oponente.
Bom, só espero que esse tipo de encrenca não aconteça mesmo.
— Certo, amanhã é cedo, então melhor dormir logo.
A Yumina bate o travesseiro, "ponpon". Até agora, mesmo dormindo junto, eu dormia no sofá ou na ponta da cama, por certa consideração, mas, já sendo casados, não precisa mais se conter, podendo dormir no mesmo futon sem se importar com ninguém.
Bom, sinceramente falando, virando criança, hoje só resta dormir no sentido literal mesmo… guardo leve rancor do Deus do Mundo.
— O Touya dorme do meu lado! Vou abraçar do jeito contrário do normal!
— Waa!?
A Sū se agarra com força por trás, "gyuu", mergulhando direto na cama assim mesmo.
— Mu. Injustiça, Sū. Eu também.
Dessa vez, a Sakura se agarra do lado oposto, virando estado sanduíche. Que estranho, devia ser situação bem feliz, mas, sendo estado de criança, sinto que vou ser esmagado, e a sensação de sufoco fala mais alto.
— Mugugu…
— As duas, chega por aí. O Touya-sama tá sofrendo, viu?
Calmamente, a Rū separa as duas. Que alívio… a Sū e a Sakura ficam com bico, mas.
Curioso que quem sempre disputa com a Sū assim é justamente a Sakura. Em idade, a Sakura é mais velha que a Rū e a Yumina, no entanto.
— Tudo bem, Touya-sama?
— Ah, tudo bem. Obrigado, Rū.
— De nada. Certo, hoje melhor dormir cedo.
— Eh?
Dessa vez, sou abraçado pela Rū, e caio direto na cama assim mesmo. Opa!? Isso é igual à hora da Sū, viu!?
— Ei, espera, Rū-san! Isso é injusto!
Dessa vez, a Yumina se agarra do lado oposto. Aproveitando isso, a Sū e a Sakura pulam de novo. Por isso, tô sufoc…!
— Nununu. Devo entrar na disputa também?
— Ficar quieta observando também incomoda, né.
— Co, como fazemos, nee-chan?
— É, é verdade… nós também já somos esposas, não precisa mais nos conter…!
— Certo, chega por aí. Entendo que vocês estão animadas com o marido diferente do de sempre, mas vocês pretendem continuar fazendo isso todo dia até voltar da viagem? Vamos decidir isso de forma justa aqui.
Dizendo isso, o que a Rin traz da mesa de cabeceira ao lado da cama é caixa com blocos retangulares dentro. Ela monta rapidamente, "tekipaki", completando uma torre.
A torre, no total, tem cinquenta e quatro blocos retangulares, montados alternando três em cada direção, vertical e horizontal.
Exceto o andar mais alto, retirar um bloco de baixo, empilhando em cima, e quem perder o equilíbrio derrubando é o perdedor — jogo de festa popular até no Japão.
Aquilo é resto do protótipo entregue ao Oruba-san, da Companhia Sutorando.
— Entendi, decidir por isso? Que interessante.
— Quem derrubar é eliminado, é isso?
A Eruze e a Rinze assentem levemente. Por ora, todo mundo já experimentou esse jogo antes. Não deve ter tanta diferença de habilidade assim.
— Certo! Então vamos começar!
A Sū começa a arregaçar a manga, animada. Todas as outras também, tipo "ficou interessante…!", participam do jogo. Não, acho melhor não ficar acordado até tarde, dormir logo mesmo…
Depois disso, sinto ter ouvido algumas vezes o som de bloco desabando, "gasham!", mas, sozinho deixado na cama, acabei dormindo assim mesmo, então não sei bem o resultado da disputa.
Naquela noite, tive pesadelo sendo capturado por bando de tentáculos.
Acordando de madrugada por sensação de sufoco insuportável, por algum motivo, meus braços e pernas estavam presos por todo mundo, sem conseguir me mover. Escapei com [Teletransporte], mas.
Faz sentido ter esse tipo de sonho…
Afastando-me da cama onde todo mundo dorme, usando o Kohaku em forma de filhote de tigre dormindo confortavelmente no sofá como travesseiro, caio no sono pela segunda vez.
Graças a isso, não tive mais pesadelo de tentáculo, mas parece que tive pesadelo do Kohaku sendo esmagado. Desculpa.
— Certo, tá tudo pronto?
O Deus do Mundo fala conosco.
O local é o "Jardim" de Babylon. Além da irmã Karen e o pessoal do time dos deuses, a Doutora Babylon, a Sheska e o pessoal, até o Ende e a Meru vieram nos despedir.
Vendo minha aparência, o Ende ficou rindo alto o tempo todo. Não vai ter presente de lembrança pra você. Desgraçado.
A Yumina e o pessoal já trocaram de roupa terrena. De qualquer ângulo que se olhe, parecem garotas comuns. Claro, com nota de "extremamente bonita" a mais.
Só de aparência, exceto a Yae, todas parecem estrangeiras. Bom, assim talvez até evite ser abordada de forma estranha. De qualquer jeito, chamar atenção é certeza mesmo.
Se pensassem que "irmãos japoneses (Yae e eu) estão guiando crianças estrangeiras em intercâmbio de hospedagem"… seria forçar demais.
A propósito, exceto o smartphone, não levamos bagagem nenhuma de mão. Usando Ki Divino através do smartphone, mesmo cansando, parece dar pra usar [Storage], então guardei tudo necessário lá dentro. Roupa de troca de todo mundo, e o dinheiro que ganhei do Deus do Mundo, também.
Coisa que se move por poder mágico… por exemplo, Frame Gear ou veículo mágico, mesmo tirando lá, não funciona, no entanto.
O Brunhild também não deve conseguir transformar pra modo lâmina lá. Ou melhor, antes disso, se tiver algo assim, seria preso.
— Então, agora vou mandar todo mundo pro outro mundo. Se for item divino do Touya-kun, consigo entrar em contato até comigo, então, na hora de voltar, liga. Mando alguém buscar.
— Entendido.
— Então, até mais. Boa viagem.
O Deus do Mundo estende a mão em nossa direção, e, no mesmo instante, flash de luz tipo explosão ataca minha visão. Ofuscante!?
Abrindo os olhos ofuscados, com cautela, a visão completamente branca gradualmente volta ao normal.
Ali já não era mais o "Jardim" de Babylon, e sim estrada única no meio da floresta.
— J, já chegamos?
A Rinze olha ao redor, "kyorokyoro". No meio da floresta densa, cheia de árvores, a estrada se estendia reto. De cima, luz do sol filtrada, verde esmeralda, cai em cascata.
— Ei, isso aqui é mesmo a "Terra"? Pra mim parece floresta comum…
— …Não, sem dúvida aqui não é nosso mundo. Olha, vê só.
Diante da Eruze inclinando a cabeça, a Rin vira as costas. Normalmente, deveria estar ali, mas a pequena asa emitindo fosforescência dela tinha desaparecido. Não, olhando fixo, o contorno parece meio visível, meio não… olhando normal, não daria pra perceber.
— Então quer dizer que aqui é mesmo a "Terra", hein. …Mas, onde é?
Ouço a voz confusa da Yae, mas só eu consigo responder isso.
Aqui é…
— Ah, Touya-sama!?
Deixando a voz da Rū pra trás, saio correndo. A estrada se estendendo pela floresta vai ficando gradualmente mais estreita, a inclinação sobe, virando ladeira subindo.
E, no topo da ladeira, aparecem telhado vermelho e cata-vento saudoso.
Olhando pra cima esse prédio, paro. Diante de mim, se ergue casa ocidental pequena e antiga, feita de tijolo. Se não me engano, disseram que foi construída na era Taishō.
Todo mundo, que veio correndo atrás, também olha pra cima a casa ocidental igualmente.
— Essa casa é… será, por acaso, a casa do Touya-san?
Diante da fala da Rinze, balanço levemente a cabeça. Aqui não é minha casa. Minha casa fica, a partir dessa cidade onde tem essa casa ocidental, mais algumas estações adiante de trem. Mas essa casa também sinto quase igual nostalgia que minha casa de verdade. Porque aqui é…
— Não é minha casa. Aqui é… a casa onde meu vovô morava.
Desde que o vovô faleceu no ensino fundamental, quase não vinha aqui, mas continua completamente igual. Se não me engano, minha mãe deveria cuidar disso, mas o jardim tá bem cuidado… …estranho.
Minha mãe é filha do vovô. Apesar de ser ilustradora de livro infantil, é pessoa bem despreocupada de vários jeitos. Não parece do tipo que cuidaria de casa desse jeito…
Enquanto sinto sentimento levemente incompreensível, o smartphone no bolso da calça começa a vibrar. É do Deus do Mundo.
— Alô?
— «Ooh, parece que chegou bem.»
— Ah, sim. Umm, por que aqui?
— «Achei que precisaria de uma base pra se mover por aí. Deixei água e eletricidade utilizáveis. Aí você já deve conhecer bem, né?»
Não, é verdade, mas. Fico com dúvida se dá pra usar sem permissão. Com bando de crianças, hospedar em hotel seria duvidoso, e, se denunciarem, viraria complicado mesmo.
— Mas tá tudo bem usar sem permissão?
— «É só alguns dias, deve tá tudo bem. Sendo filho, não deve ter problema, acho.»
Problema tem, né? Já morri lá, e ainda por cima, tô em forma de criança.
Sendo casa isolada no topo do monte, quase ninguém deve vir aqui mesmo. Foi por isso que minha mãe também jogou a toalha dizendo "quem consegue morar num lugar incômodo desses!".
…Uhum, na hora de aparecer em sonho, melhor pedir desculpa.
— Nn? A chave tá aberta? Que perigo, hein.
Enquanto encerro a ligação com o Deus do Mundo, a Sū abre a porta da entrada, "gachari". Abre sem hesitar nenhuma, hein…
Enquanto fico atônito, aos meus pés, cai junto com luz uma chave antiga, "potori". Isso também é consideração do Deus do Mundo?
Ou melhor, será que a porta destrancada foi o Deus do Mundo deixando aberta, ou minha mãe esqueceu de trancar, qual dos dois? Se for o segundo, espero que não more nenhum suspeito aqui dentro… espera, o suspeito somos nós.
Pego a chave num estado próximo de resignação. Vou incomodar por alguns dias, vovô.