Capítulo 454 – O Elevador, e a Escada Rolante
Mesmo separadas, a Yumina e o pessoal também são minhas servas. Se eu conseguisse usar plenamente o poder divino, saberia até detalhes de onde elas estão, mas, no meu estado atual, só consigo saber direção e distância aproximadas.
Se elas estivessem em perigo iminente, essa sensação dispararia, mas, como isso não acontece, por ora, parece que nenhuma está em situação de crise. Não, tampouco seria fácil cair em crise num lugar desses.
— Achei que, por um pouco, não teria problema me afastar. Desculpa.
— Não, bom, a culpa também foi minha por desviar os olhos. Mais que isso, vamos logo nos juntar a todo mundo.
Aqui não tem perigo, mas pode surgir incômodo. Por ora, levo a Eruze comigo, saindo da loja. Pra não nos separarmos de novo, damos as mãos, e, na outra mão dela, ela segura a sacola de papel com a roupa recém-comprada.
— Parece que não tá no primeiro andar…
Usando magia de busca separada por andar, sei quem está onde. Mesmo sendo grande, digamos, tem tamanho parecido com o castelo de Brunhild. Procurando, deve achar rápido.
Mas, que coisa, se espalharam perfeitamente por todos os andares… aai, que trabalho. Vamos pegando de cima pra baixo em ordem. De qualquer forma, por último vamos até o setor de alimentos no subsolo mesmo. Deixa isso por último.
A propósito, no setor de alimentos, olhando o resultado da busca, estão a Yae e a Rū. Como esperado, digamos.
— Opa? Não vai pegar a "esukareitaa"?
— Sendo quinto andar, vamos direto de elevador. É por aqui.
Puxando a mão da Eruze, passamos direto pela escada rolante. Indo até o elevador logo ali, aperto o botão "△".
O botão "△" começando a acender chama a atenção curiosa da Eruze. Eventualmente, o elevador chega no primeiro andar, a porta abre, e desce um casal com criança.
Entrando, aperto o botão "abrir".
— Vem, entra.
— Eh? Ah, tá.
Chamo com gesto a Eruze, que seguia com o olhar o casal descendo. Levemente receosa, confirmo que a Eruze entrou no elevador, e aperto o botão "fechar".
— F, fechou!?
— Sem problema. Logo abre. Certo, então…
— Hya!?
Ao apertar o botão do quinto andar, o elevador começa a se mover, e a Eruze, com rosto ansioso, se agarra em mim. Faz sentido essa sensação surpreender mesmo.
— Tudo bem. Só a caixa onde entramos tá sendo puxada pra cima. Logo chega no quinto andar.
— J, já sei disso, viu. Vi "erebeeta" também no filme que você mostrou. Só me surpreendi com a sensação.
Deixando a Eruze de lado, mostrando fingida resistência, olho pro indicador de andar do elevador. Por que sempre acabo olhando isso, hein.
A lâmpada do quinto andar acende, e a porta abre devagar. Mesmo sabendo que é andar diferente do de antes, a Eruze olha ao redor, "kyorokyoro", talvez ainda surpresa.
No quinto andar, tá a Sū. Pelo indicador, parece estar numa loja mais ao fundo.
Puxando a mão da Eruze, chegamos ao lugar, que era tipo cantinho de entretenimento, cheio de máquina de garra, videogame, cabine de foto adesiva.
— O que é isso aqui? Lugar meio barulhento, hein…
Enquanto a Eruze franze a sobrancelha, procuro a Sū. Igual à Eruze, aquele cabelo loiro deve chamar atenção rápido… achei.
A Sū observava a montanha de doce dentro da máquina de garra pequena semi-esférica, colando o rosto no vidro acrílico. O que tá fazendo, afinal…?
— Sū
— Ooh, o Touya e a Eruze! Essa "kikai" por algum motivo não funciona… apertando o botão igual as outras pessoas fizeram, não se move nem um pouco. Será que sou detestada, será…?
A Sū franze a testa, "mumumu", apertando o botão, "kachakacha". Não, provavelmente não colocou dinheiro. Não distribuí pra elas também…
Pagar em loja pra comprar algo é igual ao mundo delas, mas talvez não tenha tanta familiaridade com coisa tipo máquina automática de colocar moeda. No máximo, tipo brinquedo de cápsula que criei na loja do Oruba-san?
Coloco na máquina de garra em que a Sū tava colada uma moeda de cem ienes tirada da carteira. Ao apertar o botão, naturalmente, dessa vez a garra se move direitinho, mergulhando a ponta na montanha de doce.
— Ooh! Se moveu!
"Guguu", a garra ergue balinha de ramune. Pelo impacto de erguer, a maioria cai espalhada, mas consigo pegar umas três.
— E, bom, assim é que se pega.
— Eu também! Touya, eu também!
Cedo o lugar pra Sū. Aqui, com cem ienes, dá pra fazer três vezes, então ainda restam duas.
Enquanto observo a Sū manipulando a garra animada, alguém bate no meu ombro por trás. Virando pra trás, era a Eruze com sorriso, estendendo a mão direita. …Você também vai fazer, hein.
Recebendo dinheiro, a Eruze também se dedica à máquina de garra, e, quando as duas gastam uns quinhentos ienes juntas, encerramos. Ou melhor, fiz encerrar. Não dava pra ficar fazendo isso pra sempre.
Colocando chocolate, bala, e balinha de ramune conquistados na sacola plástica presa na máquina de garra, entrego pra Sū. Como conseguiu doce, a Sū fica com cara satisfeita. Com quinhentos ienes, dava pra comprar doce ainda melhor normalmente, mas melhor não falar isso.
Certo, próximo é quarto andar.
Os três, pegamos a escada rolante, descendo pro andar de baixo.
Descendo, logo achamos a Sakura. Diante da loja de CD, observando videoclipe de grupo idol, cantarolando baixinho a mesma música.
A Sakura, com a cor do cabelo também, tem aparência que chama atenção. Vendo o clipe de idol cantando junto, dá até certa fofura, mas talvez seja difícil de se aproximar também. Parece que ninguém chamou ela.
— Sakura
— Rei. Essa música é muito boa. Quero.
A Sakura se aproxima com respiração ofegante. Tá bom, tá bom, se acalma.
Se não me engano, na casa do vovô também deve ter toca-CD, então, comprando e levando pra casa, dá pra ouvir. Ou melhor, se baixar, dá pra ouvir na hora, mas melhor comprar pagando aqui mesmo. Talvez vire lembrança pra Sakura também.
— Gostou bastante mesmo, hein.
— Uhum. Já decorei a letra também. Canta?
— Ah, não. Vou ouvir em casa mesmo.
Se a Sakura cantar de verdade num lugar desses, com certeza vira alvoroço. Sem microfone da Doutora, e, antes disso, sem mana, magia de canto não deve ativar, mas, tirando isso, a voz da Sakura cativa as pessoas. Impossível não chamar atenção.
Levando a Sakura com o CD comprado, saímos da loja. No quarto andar, faltam duas: Rinze e Rin.
As duas parecem estar no mesmo lugar… a livraria. Pelo mapa, parece loja bem grande, com vários livros. Parte também tem papelaria misturada, hein.
— Touya, ali tá a Rin.
— Eh?
Procurando dentro da livraria, a Sū encontra a Rin rapidinho. No canto "mitologia/lendas", diante dela lendo em pé, tem vários livros empilhados. De mitologia grega até nórdica, indiana, japonesa, vários tipos.
Talvez tenha percebido minha aproximação por efeito de servidão, a Rin, sem se surpreender conosco, sorri, fechando o livro que lia.
— Querido, que bom que apareceu. Posso comprar esse livro?
— Não, bom, tudo bem, mas… mitologia daqui é interessante de ler?
— Uhum. Vários pontos como história. No nosso mundo também tem saga heroica parecida, então é interessante.
Ah, é mesmo. Do ponto de vista de gente de outro mundo, deve ser assim mesmo… Nesse caso, não deve ter "qual é original" também, provavelmente.
Segundo o Deus do Mundo, meu mundo e o mundo delas são completamente diferentes, mas compartilham partes parecidas aos poucos. Tem bastante coisa parecida em história, nome, regra. Foi justamente por isso que o Deus do Mundo me mandou pra aquele mundo.
Certo, por ora achei a Rin, mas onde tá a Rinze?
— Aquela criança deveria estar procurando algum romance.
Romance? Se for isso… por aqui.
Avanço pela loja guiado pela etiqueta de gênero colada na prateleira. Terror, história, mistério, ficção científica, fantasia — atravessando as prateleiras divididas por gênero, mas não vejo a figura da Rinze. Sensorialmente, sinto que está perto, no entanto.
— Acho que a Rinze deve estar do lado de romance amoroso. Falou que queria ler obra daqui também.
Seguindo a instrução da irmã gêmea, direciono os pés pra lá, e logo encontro a Rinze absorta lendo livro.
…De fato, é o canto de romance amoroso mesmo.
Por algum motivo, na capa que a Rinze segura, tem rapaz jovem adorável ruborizado sendo abraçado por trás por jovem estilo frio com óculos.
— Fuwaaaaaa…!
Talvez absorta demais, a Rinze não parece ter percebido nossa presença. Respiração ofegante, virando página com velocidade intensa. Uuun, sinto que não é bom continuar expondo essa figura em público assim… como esperado, chama atenção mesmo.
Sentindo constrangimento, chamo a atenção dela.
— …Isso, vamos comprar?
— Eh? Fuwa!? T, Touya-san!? Ah, todo mundo também!?
Apressada, a Rinze vira, "wataawata", fecha o livro, escondendo atrás das costas. Não, já é tarde demais. Tá com a prateleira daquele gênero atrás como cenário.
— Compra e lê em casa. Ler de pé incomoda outros clientes, viu.
— Ah, s, sim, é verdade mesmo! Vou fazer isso!
— Tem mais algo que quer comprar?
— Ah, sim. Umm, isso, e isso, e isso e… ah, isso também. Essa série parece interessante também. E também…
Muito, muito, muito demais! A Rinze tira livro atropelado da prateleira, empilhando em cima da mesa de lançamento novo abaixo. Não, não é que não dê pra comprar, mas!
Todo mundo se divide pra segurar os livros, empilhando no caixa. A vendedora fica levemente surpresa, mas, sem problema nenhum, terminamos o pagamento, colocando os livros na sacola de papel, saindo da loja.
Próximo é terceiro andar… antes disso, primeiro vamos ao banheiro. Não é que precise, é pra guardar a bagagem pesada, sem ninguém ver, dentro do banheiro individual, abrindo [Storage].
Entrando no banheiro masculino, o homem lavando a mão fica surpreso ao me ver. Faz sentido surpreender ver criança carregando várias sacolas de papel grandes entrando no banheiro individual.
Entrando, trancando a porta, espero o homem sair, e guardo a roupa da Eruze, o doce da Sū, o CD da Sakura, os livros da Rin e da Rinze no [Storage] com Ki Divino fluindo. Pronto, assim. Fuu, ficou leve.
Voltando pra este mundo, sinto de novo como magia é conveniente. Difícil não ser visto, no entanto.
Saindo, me junto a todo mundo esperando fora. Dessa vez, todas estão presentes direitinho. Faz sentido, avisei firmemente pra não se moverem.
— No terceiro andar, quem tá?
— Umm… é a Hiruda, né. Logo ao descer.
Respondendo à pergunta da Rinze, olho o painel de orientação ao lado da escada rolante. Ali estava escrito "↑ Quinto andar ■Entretenimento ■Café ■Tudo a Cem ■Decoração ■Roupa de Cama Comum" e "↓ Terceiro andar ■Roupa Infantil ■Artigo Esportivo ■Quimono ■Artigo de Bebê ■Brinquedo".
Descendo de escada rolante pro terceiro andar, logo encontramos a Hiruda. Não tão longe da entrada da loja, com produto na mão, expressão séria.
— Mumumu…
— …O que tá fazendo?
— Ah, Touya-sama. Não, esse cavaleiro de armadura completa, vendo que várias bonecas e armas imitação são vendidas assim, será que é pessoa bem famosa por aqui?
— Uhum, bom… famoso, digamos que é famoso mesmo…
Mas isso não é armadura completa, não. É traje de tokusatsu.
Olhando a boneca do herói de transformação que a Hiruda segura, fico um pouco em apuros sobre como explicar.
Na seção de brinquedo, tá cheio de produto do herói de transformação. Cinto, espada, arma, vários tipos.
— Se gostou, compra?
— É mesmo. Sendo pessoa tão famosa assim, pra recordação, um.
Bom, infelizmente, ano que vem, deve ser substituído por outro novo, no entanto.
— Ooh, até tem coisa parecida com a Pōra vendida.
— Ara, é verdade mesmo. Querido, vamos comprar um também. Vira boa lembrança pra Pōra.
Não, bicho de pelúcia de urso pra bicho de pelúcia de urso como lembrança, como fica isso… será noiva da Pōra? Se aplicar [Program], talvez vire igual a Pōra… aliás, aquele aí é macho? Fêmea?
— Aqui tem miniatura de veículo mágico alinhada, viu.
— Fueee… que quantidade incrível, nee-chan.
As irmãs Eruze e Rinze ficam surpresas com o carrinho de miniatura, mas aquilo ali é só parte pequena daquela série.
— Rei. Isso, interessante. Quero.
Direcionando o olhar de relance pra Sakura, ela segurava algo tipo bastão de garota mágica que emite som. Não, vocês conseguem usar magia mesmo sem isso, né…
Perigo, se ficar tempo demais nesse lugar, posso acabar comprando várias outras coisas. Melhor escapar rápido.
Levo a boneca do herói de transformação, o bicho de pelúcia de urso, e o bastão mágico até o caixa, pagando rápido. Com certeza a vendedora deve ter achado que eu ganhei esses brinquedos. Não é isso, viu?
Como achamos a Hiruda rápido, decidimos descer pro próximo andar. No segundo andar, deve estar a Yumina. Só falta a Yae e a Rū no subsolo.
— Umm… é por aqui.
O segundo andar era piso principalmente feminino, com bolsa de mão, cosmético, artigo de mulher. Sinto sensação de deslocado nesse tipo de andar. Bom, sendo estado de criança agora, talvez não precise me importar tanto, mas.
Não tão longe da escada rolante, logo achamos a Yumina numa loja de acessório. Segurando broche exposto na frente da loja, observando.
— Ah, Touya-san. Vocês todos também.
A Rin, percebendo, espia rapidamente na mão da Yumina. Ali estava segurado broche de coelho com relógio. Será baseado em "Alice no País das Maravilhas"?
— Ara, broche bem legal, hein.
— Fofo, né? É pena que o acabamento é meio grosseiro.
Yumina-san, isso pode ser ouvido pela vendedora, viu, então será que dá pra não falar tão claramente que o acabamento é grosseiro.
Parece que aqui não é loja de acessório de luxo, e sim loja de preço acessível. Faz sentido não ter nível que satisfaça o olho de princesa mesmo…
— Ah, esse pingente também é fofo, né.
— Eu gostei desse prendedor de cabelo aqui.
Aproveitando o momento da Yumina, a Sū e a Rinze também parecem ter esperto encontrado o que queriam. Minhas esposas invadem a loja, animadas, "kyaikyai".
Aah, tempo de compra de novo, hein… será que ouviram minha voz de "precisamos ir buscar a Yae e a Rū depois disso, então se apressem"?
Não que seja de propósito, mas eu também compro acessório pra Yae e Rū. Pra Yae, prendedor de cabelo estilo pente ornamental, e pra Rū, pulseira decorada com bola de vidro verde clara. Espero que gostem.
Pagando pela parte de todo mundo também, saímos da loja. Com isso, finalmente dá pra fazer a compra do objetivo principal, o jantar.
Descendo de elevador direto até o subsolo. Deveria ser o típico setor de alimentos, mas, por algum motivo, tá levemente barulhento. O que será? O que aconteceu!?