Capítulo 455 – A Degustação, e a Refeição de Verdade
— Nn! Isso também é gostoso! Depois da mordida crocante, vem o sabor umami da carne se espalhando, ótimo demais!
— Né! Não tem salsicha tão gostosa assim por aí não! Menina, você entende bem, hein!
— Ei menina, prova isso também! Sabor de cair o queixo, viu!
— Então, sem me conter… fuoh! Esse pêssego também é suculento, gostoso mesmo, hein! Isso deve viciar…!
O que é isso, afinal.
O que vemos, descendo da escada rolante, é a figura da Yae, cercada por senhoras de degustação no setor de alimentos do subsolo.
Não, precisamente, ao redor delas, ainda tem formado um círculo de clientes. Essas pessoas, apontando pro que a Yae comia, colocam na cesta de compra vindo do setor de alimentos. Eh, o que é isso? A Yae tá ajudando promoção de venda?
— Parece gostoso, hein… por que a Yae tá sendo tão bem tratada assim?
— Não, acho que não é bem "sendo bem tratada"…
Mais tipo, "sendo utilizada"?
A Yae é exagerada demais. Vendo comer com essa cara de tão gostoso, dá vontade de comer também. Pras senhoras de degustação, ela deve ser ótima atração pra atrair cliente.
A Yae não é tão exigente com sabor assim. Quase não tem preferência, come qualquer coisa animada. Chego a pensar que, na categoria de comida dela, só existem duas: "gostoso" e "extremamente gostoso".
Não é que tenha paladar ruim, viu. Pela honra dela, garanto isso. Só que a reação é exagerada tipo celebridade de televisão.
Sinto pena das senhoras, mas não dá pra continuar assim pra sempre. Igual a filhote de pássaro recebendo comida da mãe, direcionamos os pés até a Yae.
— Aa! Yae onee-chan, tava aqui!
— Ooh, marid…mugu…!
Mesmo chamando de propósito de forma infantil, a Hiruda tapa rapidamente a boca da Yae, que ia responder "marido". Ótimo.
— Não pode fazer isso, viu. A mamãe tava procurando. Vamos voltar logo.
Falo tentando fingir ser criança comum, mesmo sentindo formigamento na garganta com o próprio jeito de falar. Já vi antes anime onde ensino médio vira criança, e é essa sensação mesmo… de fato, dói discretamente. Vergonhoso, e sinto certo vazio também.
— Mamãe? Não, minha mãe tá em Ishen…
Sem perceber meu sentimento, a Yae é cutucada pelo cotovelo da Hiruda. Aí sim, parece que finalmente percebeu, "ah".
— O, ooh. Isso mesmo. Então vamos voltar.
— O que foi, menina, já vai?
— Perdão. Tenho um assunto, então, com licença.
Diante das senhoras, a Yae se desculpa com sorriso levemente contrariado.
Tentamos sair do local, mas, "já que estamos aqui, que tal comprar o que degustou?", pressionadas pelas senhoras insistentes, acabamos derrotados, e vários itens são jogados na cesta de compra.
Bom, tanto faz, ia precisar comprar comida mesmo… precisava achar a Rū também, então gastar tempo com as senhoras…
— Não, a comida daqui é diferente, mas realmente gostosa, hein.
— Que bom que gostou. Mas, antes de comprar, primeiro preciso encontrar a Rū.
Deixa eu ver… por aqui.
Seguindo a indicação do smartphone, avançamos, e logo aparece o canto com panela e frigideira alinhadas. Setor de utensílios de cozinha. Faz sentido.
Nesse canto, encontro minha esposa observando com olhos sérios, virando e revirando, curiosa, frigideira quadrada.
— Rū
— ……………
— Ei, Rū.
— Eh? Ha! Ah, Touya-sama. Desculpa, acabei ficando absorta pensando…
A Rū finalmente tira o olhar da frigideira, virando pra cá. O que será que tinha tanto pra pensar assim. À primeira vista, parece frigideira comum. Só o formato quadrado.
— Não. É que, por que só essa tem formato diferente. As outras são quase todas redondas…
— Ah, deve ser pra fazer omelete enrolado bonito, provavelmente.
Se não me engano, ouvi que cozinheiro profissional tem frigideira exclusiva pra omelete enrolado. Como o cheiro gruda se usar pra outra comida, nunca usam pra outra coisa. Ah, é mesmo, no exterior quase não tem frigideira quadrada, né.
— Exclusiva pra omelete enrolado, hein… incrível. Umm…
— Compra uma de lembrança… não, compra também pra chefe de cozinha Kurea-san. Ela vai ficar feliz com certeza.
— Sim! Sem dúvida!
A Rū segura a frigideira quadrada, direcionando sorriso pra mim. A Kurea-san é mestra de culinária da Rū. Aprendendo tudo do zero com ela, construíram relação de mestre-discípula que ultrapassa status social. Com certeza vai ficar feliz recebendo presente da discípula.
Virando pra colocar a frigideira na cesta de compra da Hiruda, ela e a Yae seguravam faca dentro de embalagem transparente pendurada no gancho da prateleira, encarando com olhar sério igual à Rū de há pouco.
— Acabamento simples, hein… o fio deve lascar rápido.
— É verdade. E ainda por cima, sinto que não tem alma incorporada nisso. Sem colocar coração, mesmo faca só, o que devia cortar não corta.
Não, isso não deve ser produzido em fábrica…? Deve ter diferença entre produção por prensa e forjamento artesanal, mas ouço dizer que a técnica recente melhorou bastante, viu? Bom, aquela faca em específico parece não prestar mesmo.
— Certo, com isso, todo mundo reunido. E aí? O que pretende fazer pro jantar?
— Isso!
Diante da pergunta da Rin, a Rū abre em leque as cartas que segurava na mão. O que é isso?
Olhando bem, na frente tem foto de comida, e atrás, ingrediente e modo de preparo escritos.
— Tava colocado na entrada aqui. Como disseram que podia pegar de graça, peguei sem me conter. Ficou detalhadamente escrito quantidade de ingrediente, sequência de preparo, ponto de atenção a seguir, fiquei surpresa!
Ah, cartão de receita de distribuição gratuita, hein. Mas quantidade impressionante que ela trouxe…
— Tudo parece gostoso… tô ansiosa!
Ooh. A Rū tá empolgada. Até agora, ensinei receita deste mundo através do smartphone pra Rū, mas, claro, o ingrediente sempre era do mundo delas. Digamos, era tipo fazer imitação. Agora, poder fazer usando ingrediente de verdade daqui, faz sentido ficar animada.
Mas não vai querer fazer tudo isso, né?
— Vou fazer, viu?
Diante da minha dúvida em voz alta, resposta serena volta. Não, princesa? Mesmo fazendo tanto assim, não vai dar pra comer tudo, né. Será tipo fazer dividido em vários dias?
— Tem a Yae-san.
— …Faz sentido mesmo.
Dizendo isso, não tenho o que retrucar.
Por ora, todo mundo em fileira, percorremos o setor de alimentos do subsolo. A Rū fala o ingrediente que quer, e eu guio até o lugar.
Nunca vim aqui, mas, no Japão, setor de alimentos assim geralmente tem disposição parecida, então é conveniente saber isso até certo ponto.
Legume, carne, peixe fresco ficam na área mais externa. Bento também.
A Sū de novo compra várias coisas no canto de doces, a Rinze e a Sakura colocam vários tipos de sorvete atropelados na cesta no canto de sorvetes, teve alguns desvios de rota, mas conseguimos comprar todos os ingredientes que a Rū queria. O arroz foi meio pesado. E vocês compraram sobremesa demais.
Aliás, na hora de pagar, sem querer prendi a respiração diante do valor exibido.
No outro mundo, virei razoavelmente rico, mas parece que a noção de dinheiro daqui ainda restava em mim…
Sendo nove pessoas, será que isso é normal? Mãe japonesa de família grande deve ser difícil mesmo… não, mas tem a Yae, então… na real, deve ser metade disso ou menos.
Ao contrário, sendo nove pessoas, mesmo comprando tanto, dá pra dividir e carregar entre todo mundo. Enchendo várias sacolas grandes de compra com ingrediente, deixamos o subsolo.
Num canto do estacionamento de bicicleta, esperando não ter ninguém, por precaução, com todo mundo fazendo tipo barreira ao redor, abro discretamente [Storage] pelo smartphone.
Guardando todo o produto comprado, dá pra voltar de mãos livres. Magia é realmente conveniente mesmo.
Por isso, tinha opção de ir até lugar sem gente e voltar de [Gate] a partir de lá, mas decidimos voltar normalmente de bicicleta. Todo mundo também queria ver mais deste mundo, então ficou bom assim.
No caminho de volta, encontrando pequena boutique, compramos mais roupa e acessório pra todo mundo, e, com alguns desvios, ao chegar na casa do vovô, já era horário próximo do entardecer.
— Certo! Vamos fazer! Rinze-san, Sū-san, ajudem, por favor!
— Ah, uhum, entendi.
— Entendido!
A Rū vai animada pra cozinha. A Rinze e a Sū seguem atrás. As duas escolhidas como assistente é porque as outras não servem de assistente.
A Yumina e a Hiruda, sendo realeza, quase não cozinham por conta própria. A Yae é especialista em comer (deve conseguir fazer um pouco, mas). A Rin e a Sakura, sem interesse. A Eruze tem habilidade de transformar tudo que faz em comida picante extrema.
A Rinze sabe cozinhar desde antes, e a Sū também deve ter aprendido um pouco com treinamento de noiva e afins.
A Yae também fez sanduíche antes, então deve saber fazer até certo ponto, mas talvez a Rū não a tenha escolhido por medo de ela beliscar a comida enquanto cozinha.
— Touya-sama! Por favor, tire os ingredientes!
— Ah, sim, sim.
Chamo o ingrediente do [Storage] pra mesa da cozinha. O vovô morava sozinho, mas culinária era hobby dele, e recebia bastante visita, então a geladeira era grande.
Mesmo sendo pra comer hoje, priorizo guardar primeiro o ingrediente que estraga mais rápido. Mesmo assim, o que não coube, deixo na mesa mesmo. Sendo legume e afins, acho que não estraga tão rápido assim. E, conforme a comida vai ficando pronta, a geladeira também vai abrindo espaço.
Enquanto esperamos a comida, passamos o tempo relaxados vendo televisão.
Como todo mundo pergunta detalhadamente sobre qualquer coisa que aparece na tela, viro tipo máquina de responder perguntas.
Eventualmente, quando começa a vir cheiro gostoso da cozinha, quem assistia televisão fica distraído, e as perguntas disparadas diminuem. Só a Rin continua perguntando de vez em quando, no entanto.
— Ficou prontooo!
Diante da voz da Rinze, todo mundo se move animado pro cômodo. Na sala de jantar da casa do vovô, tinha mesa grande, dá pra comer com bastante gente. Mesmo assim, é quatro de cada lado, total oito assentos, mas, trazendo cadeira de outros cômodos, dá pra acomodar até dez.
— Uwaa, que incrível, hein!
— Isso é bem luxuoso, hein!
Entrando na sala de jantar, na mesa, vários tipos de comida disposta sem folga nenhuma.
Salmão salteado com molho tártaro, salada de repolho com maçã, peixe-espada grelhado com molho de limão, batata e acelga cozida com creme, paelha de amêijoa com sobrecoxa de frango, gyoza com asa, macarrão frito grande, e vários outros pratos pequenos variados.
Como conseguiu fazer tanto assim… ou melhor, a Rū, já dominando micro-ondas e grill, é impressionante. Só ensinei um pouquinho.
— Certo, por favor, sentem-se!
Apressados pela Rū, sorridente e satisfeita, cada um senta no próprio lugar. Diante de todo mundo, tem prato individual, palito e garfo colocados.
— Então, vamos comer.
— «« «« «« «« «« Vamos comer! »» »» »» »» »»
A comida feita pela Rū e o pessoal era toda gostosa mesmo. Infelizmente, igual à hora do restaurante familiar, meu estômago também ficou pequeno, então não consegui comer tanto assim.
Mesmo assim, sinto sabor diferente usando ingrediente daqui. Ou será só porque sinto nostalgia, achando gostoso? Efeito de correção de memória, digamos.
Depois de comer basicamente o jantar, a Rinze e o pessoal trazem do congelador vários tipos de sorvete. E não só isso, junto com bolo, pudim, gelatina, doce japonês também. …Vão comer de novo?
Fico preocupado se as esposas não vão engordar nessa lua de mel. Se for "gordinha da felicidade", ainda recebo de braços abertos. Bom, mesmo mudando o corpo, não me importo.
…Ou melhor, sendo servo divino, isso também não muda mais, será?
Pensando isso num canto da cabeça, mordisco o sorvete que a Rinze e o pessoal compraram. …Gostoso. Esse sorvete também, quanto tempo. Sinto nostalgia do sorvete envolto em massa mochi. Gostava disso.
— O que fazemos amanhã?
A Yae pergunta, mastigando algum tipo de bolinho japonês, já perdi a conta de quantos.
— Mesmo aparecendo em sonho pro papai e mamãe, sendo de dia, não dá pra fazer nada. Não faz sentido ficar trancado em casa até de noite, então vamos sair pra passear algum lugar.
Já que é lua de mel tão especial, quero criar várias lembranças com todo mundo.
— Se for isso, Touya-san, eu queria andar naquilo chamado trem.
— Que bom! Irmã Yumina, eu também concordo!
Trem, hein. Bom, por aqui, exceto horário de pico manhã e noite, não fica tão cheio assim, e, dessa vez, se levarem o smartphone direitinho, deve ficar tudo bem.
Só andar de trem não seria tão divertido assim. Melhor ir pra algum lugar mesmo, mas, certo, aonde ir, hein.
Tiro o smartphone, pesquisando a linha de trem. Museu de arte, museu… sem conhecer bem a história daqui, talvez não aproveitem tanto assim. Eu mesmo também, mesmo mostrado arma de herói e afins no outro mundo, não entendi bem.
Cinema… também, sempre assisto filme projetado pelo smartphone mesmo. Cinema tem força e atmosfera única que só se sente lá, no entanto.
Parque de diversões é longe demais. Se for isso, zoológico ou aquário, talvez. Não demora nem uma hora de trem.
— "Doubutsuen"… quer dizer, lugar onde dá pra ver vários animais?
A Yumina pergunta, inclinando levemente a cabeça. No mundo delas, não só animal, até fera mágica anda por aí normalmente, então não devem ter visto muito zoológico. Jardim botânico ou jardim de rosas tem dentro do palácio real, no entanto.
— Tem vários tipos de animal!? "Shimauma" também!?
— Ah, deve ter zebra também, sim…
A Sū fica animada, mas zebra não é animal da África ou algo assim?
Pensando isso, pesquisando no site do zoológico, tinha normalmente. Zebra-de-Grant. Zebra bem comum, vista até em zoológico nacional. Não sabia disso.
— Parece que tem sim.
— Ooh!
Leão, tigre, canguru, camelo, urso, chimpanzé, gorila, hipopótamo, elefante… bastante variedade, hein.
— Como fica a comida?
— Parece que dá pra comer dentro do parque, então acho que tudo bem.
Respondo com sorriso amargo à pergunta da Sakura comendo torta de queijo. Já preocupada com a comida de amanhã, hein.
A Rū parecia levemente decepcionada, talvez quisesse fazer bento, mas nem o vovô teria dez marmitas (talvez tivesse caixa de camadas empilhadas). E, guardando em [Storage] e tirando lá, é gente demais pra fazer isso. Não dá pra ficar indo discretamente ao banheiro tirar comida e trazer também.
A Eruze, parando de comer pudim, pergunta.
— Aqui não tem fera mágica, né? Só animal comum? Não tem perigo?
— Todos ficam dentro de jaula, ou vistos de local seguro, então tá tudo bem.
— Se atacar, posso bater?
— Não! Prefiro que resolva com calma…! B, bom, se for realmente perigoso, não tem jeito, mas…
Acho impossível, mas se tigre ou leão escapasse e atacasse visitante, penso que não teria jeito mesmo. Mas, se for ovelha, cabra, panda-vermelho, prefiro que só capturem.
Mais que qualquer animal do zoológico, a garota diante de mim é muito mais forte, sabe… mesmo sem [Boost], acho que venceria gorila e elefante…
— Você não pensou algo desrespeitoso agora?
— Uhn!? Nada!
— Tá. Se for isso, tudo bem. Ah, Rinze, eu tinha visto aquilo primeiro, viu!
— Ganha quem chegar primeiro!
As irmãs gêmeas disputam bolo com cobertura de chantilly abundante. Vocês, esse é o quantos já? Na hora da sobremesa, todo mundo vira igual a Yae, hein…
— Sinto que pensaram algo desrespeitoso sobre este servo…
— Esposa, não se preocupe, continue comendo sem se conter!
— ? Claro, sem me conter mesmo.
A Yae, inclinando a cabeça, estende a mão pro bolo castella.
Fuu… depois de casar, muitas vezes minha mente parece transparente pras esposas. Será que isso é tipo telepatia se construindo? Igual telepatia com o Kohaku e o pessoal.
Ou talvez seja só que a intuição de todo mundo ficou aguçada pela servidão. De qualquer jeito, melhor tomar cuidado.