Capítulo 456 – O Zoológico, e os Animais
Da cidade onde fica a casa do vovô até o centro urbano grande, trinta minutos balançando de trem. Dali, trocando pro metrô, mais alguns minutos, chegamos na estação em frente ao zoológico, destino de hoje.
Até chegar no centro urbano, todo mundo aproveitava animada olhando a paisagem passando pela primeira vez de trem, segurando na alça pendurada dentro do vagão balançando, mas, assim que trocamos pro metrô, o túnel completamente escuro e o barulho, "goo", deixaram expressão levemente ansiosa. Só a Yumina observava com interesse.
— Fazer correr por baixo da terra é ideia interessante, hein. Assim, não tem ataque de fera mágica nem bandido, e, em certo sentido, talvez seja o mais seguro. Se tiver dezenas de usuários de magia de terra, talvez desse pra construir até lá.
Metrô em outro mundo? Ainda tá na fase de fazer funcionar o trem mágico construído em Ferusen. Essa princesa parece absorver várias coisas deste mundo.
Descendo do metrô, subindo escada longa, saímos pra superfície. Dali, andando alguns minutos, chega no zoológico de destino.
Nem grande demais, nem pequeno demais. Não é o mais moderno, mas também não é antiquado. Esse tipo de zoológico.
Certo, na bilheteria, vamos comprar ingresso. Adulto quinhentos ienes, ensino fundamental/médio cento e cinquenta.
— Deixa eu ver, cinco adultos e cinco de ensino fundamental/médio… será?
A Yae, a Hiruda, a Eruze, a Rinze com certeza parecem ensino médio. A Sakura também tem dezesseis anos, então, bom, dá pra passar. A Yumina e a Rū, será difícil insistir que são ensino médio? Bom, com quinze anos, dá pra chamar de ensino médio também.
Bom, pro zoológico, é melhor receber ingresso de valor maior, então não devem recusar.
A Rin e a Sū claramente parecem ensino fundamental, e eu, sem dúvida nenhuma, só pareço ensino fundamental primário…
Como não alcanço o balcão da bilheteria, entrego dinheiro à Yae, pedindo pra comprar os ingressos. Junto com o ingresso, recebemos panfleto pequeno.
— Ah, isso é mapa, né.
— Uau, tem vários tipos de animal.
Diante da voz das irmãs gêmeas, abro o panfleto também, e ali estava desenhado o mapa deste zoológico. Ilustração de animais espalhada por todo lugar. Entendi, basta seguir isso.
Entrando no parque, tinha árvore alta também, dando sensação de zoológico construído dentro da natureza.
Talvez por ser dia de semana, não tem tanta gente. Tem família com criança pequena, e também alguns que parecem estudantes de ensino fundamental 2. Será excursão ou aula extracurricular?
No lugar tipo área de descanso com alguns bancos, em frente à entrada, tem vários pombos se aglomerando, mas isso não deve ser animal do zoológico.
Devem ter vindo por conta própria de algum lugar, deduzo.
— Ooh! Tem pássaro branco puro!
A Sū sai correndo. Só pássaro, alguém pode pensar, mas, morando no castelo, quase não se vê pássaro grande. Se pedir ao Kōgyoku, dava pra ver quantos quisesse, no entanto.
Primeiro, do lago cercado por cerca, vários pássaros nos recebem. Ao lado da cerca, tem placa com explicação do animal.
— Cisne-cantor, cisne-menor, ganso-das-neves, pato-real…
Ganso, pato, cisne, hein. Alguns deles, "kwa, kwa", cantam no pequeno lago construído dentro da cerca.
É primeira vez vendo cisne de verdade. Mesmo já tendo visto várias vezes na televisão, vendo ao vivo, sinto certa animação.
De relance, aqueles pombos de antes comiam sobra de comida dos cisnes. Entendi, é por isso que vieram.
— Touya-sama, esse ali também é pássaro?
— Eh? Opa! Pinguim, hein!
Onde a Hiruda apontou com o dedo, na cerca ao lado dos cisnes, tinha pinguim mesmo. Isso também é minha primeira vez vendo. Fiquei ainda mais animado.
Parece que tô mais animado que todo mundo, hein. Em aparência, seria natural criança se animando, mas.
Na placa, tá escrito Pinguim-de-Humboldt. Alguns pinguins andavam bamboleando, "yochiyochi", ao lado de piscina pequena.
Na placa, tinha nome individual escrito, mas eu não consigo distinguir. O tratador deve conseguir, provavelmente.
— Que fofos, hein.
— Isso, quero levar de volta…
A Yumina e a Rū ficam derretidas com os pinguins andando bamboleando. De fato, pinguim é fofo, mas, pra mim, as duas ficando ternurentas com isso são ainda mais fofas.
Com relutância de deixar os pinguins, seguindo o caminho à direita, tinha algumas lhamas. …O que era lhama mesmo?
Confiro a placa. O quê, o quê… ah, parente do camelo. Camelo sem corcova dos Andes.
Todo mundo se anima com a lhama que se aproxima. Observando de canto de olho, continuo lendo o texto de explicação.
— Deixa eu ver, quando fica com raiva ou excitada, cospe conteúdo estomacal extremamente fedorento pra atacar o oponente…?
Diante da minha voz lendo a placa, todo mundo, ainda sorrindo, dá um passo pra trás. Desde há pouco sentia certo cheiro estranho, será isso?
A lhama move a boca, "kucchakuccha", tipo aquecimento. Nós nos afastamos rapidamente da frente da lhama.
Ao lado, tinha camelo-bactriano. Primeira vez vendo, grande mesmo. Tem duas corcovas mesmo. Parece fácil de montar.
Antigamente, montavam nisso pra atravessar deserto, hein… camelo consegue se mover dias sem beber água. Dizem que, pra atravessar deserto, seria quase impossível com animal de carga que não fosse camelo. Humano só conseguiu atravessar grande deserto tendo o camelo como parceiro.
Mas fica olhando fixo pra cá. Nem se move um pouco. Ah, se moveu um pouquinho.
— Não se move tanto assim, né. Será do tipo tranquilo?
— Parece que tem até corrida de camelo, então deve ser rápido, mas, nesse espaço, não faz sentido correr mesmo.
O lugar cercado onde fica o camelo, cercado por cerca e fosso, não é tão grande assim. Sem inimigo também, sem motivo pra pressa, faz sentido ficar tranquilo mesmo.
Nos despedindo do camelo-bactriano parado, avançamos pro próximo lugar.
Depois do camelo-bactriano, é panda-vermelho. Surpreendentemente grande. E fofo.
Por algum motivo, fica dando volta em círculo ao redor da cerca sem parar. De vez em quando direciona o olhar pra cá, mas não fica de pé nas patas traseiras como visto na televisão.
Depois disso, seguindo o caminho, vemos macaco-japonês brincando no playground, urso-negro-asiático rolando, "gorogoro", javali-japonês cochilando ao sol.
— Pequenininho e fofo.
Dentro da placa acrílica transparente onde a Sakura espia, tinha algumas Cachorro-da-pradaria-de-cauda-preta. Sendo "cauda preta", deve ser por isso "Ogurô" no nome japonês.
Perto da toca, de pé, usam a patinha dianteira pequena pra comer comida. Aquilo, se não me engano, é tipo vigia, fazendo guarda?
— Ah, tão abraçadas!
Diante da Hiruda, duas cachorros-da-pradaria se abraçam de frente. Não só isso, até se beijam. Aquilo parece ser cumprimento da espécie. Com sentimento levemente aquecido, avançamos pra próxima área.
— "Recinto de feras ferozes"…? Quer dizer animal perigoso, será? …Não parece tanto assim.
A Rin inclina a cabeça diante do texto escrito no painel de orientação. Bom, entendo esse sentimento.
O rei das feras, leão, visível através do vidro reforçado, estava com corpo inteiro esparramado, "gute", dormindo em cima da pedra.
Que descuido… nem um pouco de masculinidade. Parece gato grande.
O leão continua sem se mover nem um pouco, deitado. …Não morreu, né?
Indo até a jaula do tigre ao lado, o tigre-de-sumatra estava deitado igual ao leão. Um senhor com câmera grande fotografava esse tigre, mas o tigre, sem reagir nem um pouco, continuava entregue ao sono preguiçoso.
— Igual o Kohaku vadiando no castelo, hein…
A Yae murmura baixinho olhando o tigre. Não, bom. O Kohaku também comanda os animais da cidade, e faz ronda dentro do castelo. …Provavelmente.
Deixando a jaula do tigre, entrando em túnel construído tipo caverna, chegamos num lugar com parede inteira coberta de vidro reforçado. Do outro lado do vidro, tem água acumulada, e a superfície da água é mais alta que a altura da Yae. Parece exibição tipo aquário, mas que animal será? Foca, talvez?
De repente, dentro dessa água, algo branco enorme mergulha de uma vez. Uowa!?
— Q, o que é, o que é, o que é!?
— Urso! Urso branco puro!
A Eruze prepara o punho contra o urso polar aparecendo do outro lado do vidro. Espe, espera! Não soca! O vidro quebra!
A Eruze também deve ter percebido isso, abaixando o punho rapidamente. Não sei quanto suporta esse vidro reforçado, mas, se ela desse um golpe de verdade, provavelmente quebraria facilmente.
— Ué, não é urso… assustou à toa…
Olho a placa. Urso-polar, hein. Ah, é mesmo, recinto de feras ferozes. Faz sentido não ser foca mesmo.
O urso polar nada devagar dentro d'água. Que hábil pra nadar, hein.
O urso polar tira só o rosto acima da superfície, ficando de pé olhando pra nós através do vidro.
— Fufu. Lembra a Pōra, hein. Será que ela tá bem?
A Rin encosta a mão no vidro, olhando pra cima o urso polar. Mas o urso polar logo desvia o olhar, indo nadar embora.
— Ara. Será que fui rejeitada.
A Rin ri baixinho, "kusuri", observando o urso polar se afastando.
Passando a caverna do urso polar, o que aparece diante de nós é área de ave de rapina tipo falcão, coruja, águia. Dentro de tela de arame alta, pousado no galho como se estivesse encarando de cima, olhando pra baixo pra gente. Talvez por ter ficado mais baixinho, já me acostumei a ser olhado de cima, hein…
Dando a volta pelo lado leste do parque, dessa vez vamos em direção ao lado oeste.
Passando pelas jaulas com lêmure-de-cauda-anelada, gibão-de-crista-branca, macaco-leão, chimpanzé, subimos ladeira suave, indo pra cima. Parece que o lado oeste fica em cima de uma subida. Dá pra ver embaixo os cisnes que visitamos antes.
Bastante família com criança cruzando conosco. Não, nós também somos com criança… também vejo casal de idosos aqui e ali. Deve ser ponto de lazer da vizinhança.
— Que pássaro bonito, hein.
— Pavão-indiano.
A Sū fica atraída pelos dois pavões andando dentro da jaula. Cor colorida azul e verde, então esses dois devem ser macho. A fêmea deve ser de cor mais discreta, se não me engano. Fêmea não aparece, será que está escondida atrás de alguma pedra?
Esperando um pouco pra ver a figura com a plumagem aberta, nenhum dos dois abre. Aquilo, se não me engano, abre na hora de comportamento de acasalamento e afins, então talvez seja natural não abrir sem fêmea presente.
— Talvez abram até entre machos, viu?
— Uhum, bom, dizem que às vezes abrem pra intimidar o oponente.
Por que será, sinto que a fala da Rinze soa com outro sentido.
— Ooh, marid… Touya-dono, ali tem lugar de refeição, viu!
Onde a Yae aponta, tinha restaurante dentro do parque. Tem várias mesas de terraço, dá pra comer fora também. Ainda não é horário de almoço, então não tem tanta gente ainda.
— Um pouco cedo, mas vamos almoçar…
Antes de eu dizer isso, a Yae, a Rū, a Sū, a Sakura, as quatro, já começam a andar apressadas na frente. Viva o comilão.
Atrás das quatro, passamos pela porta automática da loja. "Bem-vindos!", voz animada da atendente vem voando.
— Uau… loja com atmosfera legal, hein.
A Rinze solta voz de alegria olhando ao redor da loja. Interior de madeira, atmosfera clara e elegante, sensação espaçosa e aberta. Do outro lado da porta de vidro, tem terraço com sol quente caindo, sensação bem agradável.
A Hiruda direciona o olhar pra máquina ao lado da entrada. Máquina de venda de ticket, né.
— Touya-sama, isso é "jidouhanbaiki"?
— Máquina de bilhete, isso. Coloca dinheiro nisso e compra o ticket da comida que quer comer. Olha, tem foto colada ali.
Parece que aqui escolhe a comida na máquina de bilhete. Do outro lado, no painel acrílico, tem foto de várias comidas coladas. Isso deve ser o cardápio.
— Ah, fofo.
— Ara, verdade mesmo.
A Eruze e a Rin sorrem olhando a foto da comida. De fato, comida fofa mesmo.
Hambúrguer deformado tipo pata de urso, com queijo em cima simulando almofadinha de pata. O arroz do lado também tem formato de cabeça de urso.
Fora isso, tem curry com arroz servido em silhueta de elefante, ou parfait com biscoito de cabra ou coelho em cima, vários pratos decorados com animais espalhados. Claro, também tem espaguete, pizza, omelete de arroz comum.
Cada um decide o que vai comer, compra o ticket na máquina, levando até o balcão.
Recebendo a comida, já que estamos aqui, decidimos comer no terraço. Sol quente também, dia bom pra passeio mesmo.
Como não tem lugar pra dez sentarem no terraço, dividimos em cinco e cinco. …Espera um pouco, Yae. Não precisa dessa cadeira infantil.
— Nn. Bem gostoso. Passou.
— Fofo, e gostoso também, hein. Vou pedir pra Kurea fazer lá.
A Sakura e a Sū pediram o mesmo prato chamado "prato ursinho". Aquele com hambúrguer de urso e arroz. Fora isso, também tem camarão empanado, salada, batata frita junto. Bem farto, hein.
Acho que a Rū ou a chefe de cozinha Kurea-san conseguiriam fazer normalmente. Deve agradar criança, e esse tipo de comida também deve ser necessário. Afinal, eventualmente vamos ter nove filhos também…
Na nossa mesa, sentam a Sū, a Sakura, a Yae, a Rū. Talvez por isso, na mesa, tem bastante comida disposta sem folga nenhuma. Outros clientes também passam olhando de lado com cara de espanto.
— …Hmm hmm. A massa espessa e macia cria textura elástica interessante, hein. A acidez e doçura do tomate, com a intensidade do queijo, criam combinação sutil…
A Rū come pizza murmurando. Quase toda a comida dessa mesa é pedido dela, mas quem mais come é justamente a Yae. Enquanto a Rū come um pedaço de pizza, três já desapareceram no estômago da Yae. Estão dividindo?
— Nnn! Aah, gostoso, viu!
A Rū consegue comer vários tipos de comida, e a Yae consegue comer bastante, ganha-ganha entre elas, será? Bom, as duas parecem felizes, então tá bom.
Eu também decido comer o bolonhesa diante de mim. Uhum, gostoso.
— Rei, depois disso, vamos pra onde?
— O lado leste já visitamos, então lado oeste. Deixa eu ver, dá pra ver elefante, gorila, rinoceronte, zebra e afins.
— Ooh, zebra, hein! Isso sim é motivo pra ansiedade!
Fora isso, também tem avestruz, girafa, flamingo. A área daqui em diante parece ser área da África.
— Mas os animais daqui são bem dóceis, hein. Achei que, presos em jaula assim, seriam bem mais ferozes.
— Não, tigre e leão geralmente são perigosos, viu? Não pode usar Kohaku como referência.
Bom, mesmo o tigre e o leão daqui continuarem dormindo o tempo todo, sem parecer perigosos. Mesmo assim, fera feroz é fera feroz.
Se fosse formato de criação solta, tipo Safári Park, observando os animais de dentro de carro seguro, talvez desse pra ver lado mais selvagem.
— Mesmo assim, precisar desse tipo de formato pra ver animal, hein. Indo pra floresta ou montanha, não dava pra ver vários tipos?
— Nn~, no Japão, quase não tem animal grande. No máximo urso, talvez. E, mesmo esse, não é fácil de ver assim tão facilmente. É perigoso também.
Fora isso, tem javali e outros animais perigosos também. Macaco selvagem e afins também são animal incômodo.
Diferente de outro mundo, não é tipo, entrando na floresta, encontrar lobo, com taxa de encontro alta assim. Nem cachorro vadio se vê tanto assim.
Pra humano, deve ser mundo confortável de viver, mas, pros animais, será como é?
No outro mundo, tem fera gigante e dragão, criatura que humano quase não consegue vencer, afinal. Precisa conviver junto, não tem jeito.
Se aqui também tivesse dragão normalmente, será que daria pra ver em zoológico? Jaula de dragão grande tipo o Ruri, deve ser bem trabalhoso. E ainda por cima voa.
Ou melhor, cospe fogo, então perigoso, né. Na Terra, não tem zoológico de dragão. Uhum, não tem.
— Certo, vamos indo daqui a pouco.
Depois de comer bem a sobremesa, terminando a refeição, começamos a andar de novo pelo parque.
Tirando o panfleto do bolso, olho o mapa. Daqui em diante é área da África e… casa de répteis?