Capítulo 457 – A Área da África, e as Lembranças
Olhando de cima, dois elefantes caminhavam tranquilos.
Parece que esse formato de ver o animal separado por fosso, tipo esse, se chama formato "moat". De fato, comparado a formato cercado por jaula, esse não bloqueia a visão, e dá pra ver figura mais natural dos animais. É pena ter certa distância, no entanto.
— Razoavelmente grande, hein. Deve ser trabalhoso pra abater.
— Parece ter bastante carne pra comer, hein.
Espera aí. O olhar da Rū e da Yae pro elefante tá meio diferente.
Não, isso, como assim… espera, opa? Mas mamute e afins, se não me engano, também eram comidos, né.
Pesquisando, parece que, na África e afins, existe caça ilegal de elefante visando marfim, e a carne circula no mercado, sendo vendida.
Talvez por ter caçado e comido dragão lá, saber disso desperta curiosidade sobre o gosto. …Será gostoso? Não, não vou comer, viu.
Será que esse pensamento se transmitiu, o elefante se afasta de diante de nós. Será impressão minha achar que o passo dele ficou levemente apressado?
Deixando a área do elefante, nos movemos pra área do avestruz ao lado. Igualmente separado por fosso, ali também tinha dois avestruzes parados.
— Parece com o Grande Pássaro-Corredor de Misumido, hein.
A Rin murmura isso olhando o avestruz. Parece que, no sul de Misumido, existe pássaro bem parecido com esse avestruz. Numa tribo beastfolk de Misumido, parece que domesticam esse Grande Pássaro-Corredor, montando como transporte no lugar de cavalo. Também parece usarem pra puxar carroça.
— Se não me engano, come em Misumido também, né?
— Sabe bastante, hein. Eu já comi, tem pouca gordura, sabor leve tipo carne de cavalo.
— Parece gostoso, hein…
A Rū e a Yae se juntam na nossa conversa. Vocês, afastem-se daí.
Sendo espécie de vida longa, a Rin já comeu vários tipos de coisa. Originalmente curiosa, parece não conseguir evitar provar quando vê comida rara.
Tinha amigo assim também. Sempre experimenta suco de lançamento novo suspeito. Depois de beber, dizia "ruim!" ou "isso até dá pra aceitar", mas nunca ouvi ele dizer "gostoso" nem uma vez.
Talvez tenha percebido de novo o olhar tipo mirando presa da Yae e do pessoal, os avestruzes correm se afastando. Ai ai.
— Ooh! Zebra!
A Sū, avistando zebra de longe, sai correndo. Seguindo isso, todo mundo também se dirige com passo apressado até onde fica a zebra.
Do outro lado da cerca, a zebra caminha tranquila dentro da área, sem nem olhar pra cá. Entre a zebra e nós, flui algo tipo rio artificial, separando a distância.
Mais além da zebra, dá pra ver os elefantes de antes. Será mesma área? Separado por algo tipo lago, no entanto.
— Mu. Queria ter montado.
A Sakura solta voz decepcionada. Não, parece que existe zoológico assim também, mas aqui não é esse tipo. E ainda por cima, ouço que zebra tem temperamento bem agressivo, viu.
— Ah, tem filhote!
De trás da pedra apontada pela Yumina, filhotinho pequeno de zebra aparece de repente. Anda dando voltinha ao redor da zebra adulta, "chokochoko".
— Deve estar se apegando à mãe, né?
— Então quer dizer que aquela deitada ali é o pai, talvez?
No lugar apontado pela Rinze e pela Eruze, tinha outra zebra deitada de barriga pra baixo. Será família?
…Espera aí, aquela deitada pode ser a mãe, e essa pode ser o pai. Por um instante, imagem de senhora largando o filho com o marido, deitada vendo novela na televisão, passa pela cabeça. Uu. Força, pai zebra…
Relaxados com a zebra (principalmente o potrinho), avançamos pra próxima área.
— Fuwa…
— Pescoço longo, hein…
A Yae e a Hiruda ficam de boca aberta olhando pra cima aquilo. Além da tela de arame alta, estava de pé a girafa, animal mais alto da Terra. Por um instante, achei que fosse objeto artificial, de tão parada. Dócil, hein.
— Não se move nem um pouco, hein…
— Ah, piscou os olhos.
Como diz a Eruze, a girafa fecha os olhos devagar, abrindo de novo. Depois disso, não se move mais. Tá viva mesmo?
Deve estar cansada… bom, até animal deve ter algum tipo de stress e preocupação.
Queria que viesse mais pra cá, mas, pra não atrapalhar o descanso da senhora girafa, nos afastamos silenciosamente do local.
Na próxima área, tem lugar aquático construído por toda parte, e algo tipo rio também fluindo. Zona úmida na África… que animal será?
Bem quando penso isso, de dentro d'água, aquilo sobe pra terra devagar, "noso".
— Hipopótamo, hein.
Primeira vez vendo, grande mesmo. Deixa eu ver… na terra, é o animal mais pesado depois do elefante? 1,5 a 3 toneladas… pesado.
Temperamento feroz…? Especialmente antes do parto, e durante criação dos filhotes, a fêmea fica particularmente agressiva pra proteger o filhote… não tenho essa impressão. Bom, mãe é forte mesmo, dizem.
Nem contra minha mãe eu achava que teria chance. Sendo filha do vovô, afinal… em termos de medo, é mais assustadora até que o vovô.
Ser repreendido pela minha mãe a sério, prefiro até entrar na jaula do leão. Antes também…
— O que houve?
— Não… um pouco… lembrei de algo desagradável…
A Yumina fala preocupada comigo agachado. Flashback de quando fui muito repreendido por travessura no ensino fundamental 2. Até hoje, sinto que não consigo desviar daquele tapa…
Passando a área do hipopótamo, chegamos num lugar com ponte de madeira construída sobre o lago. No lago, vários flamingos descansam a asa. …Tem um só com tom de cor mais intenso. Só ele tão vibrante assim. Chama atenção.
— Parece bonito igual o cabelo da Sakura-chan, né.
— Nn
A Rinze sorri olhando o flamingo, e a Sakura, elogiada, toca o próprio cabelo timidamente.
— Por que tem cor tão rara assim?
— Se não me engano, é porque ingerem alimento com pigmento vermelho, então ficam com essa cor.
— Hee
Diante da minha resposta à dúvida da Eruze, ela assente admirada. Deve ser isso mesmo.
Vou até o painel de explicação do flamingo, conferindo. Uhum, é isso mesmo. Hee, isso se chama flamingo-europeu.
Ah. Achei que era tipo a Yae, comilona, só um flamingo tão vermelho assim, mas parece que é espécie diferente, flamingo-de-cor-viva. Desculpa.
Em seguida, fomos até a área do gorila, mas, infelizmente, o gorila parecia com saúde debilitada, mantido num quarto atrás do recinto. Deu pra ver a figura através do vidro reforçado, mas, de fato, parecia sem ânimo. Melhoras.
Certo, com isso, praticamente já percorremos esse zoológico, mas ainda falta um lugar.
— Aqui é a casa de répteis, hein…
Nos dois lados da entrada desse prédio, tinha estátua entalhada em madeira de cobra grande e dragão. Cobra entendo, mas dragão não deve ter aqui dentro, né? Se fosse mundo de outro mundo, talvez tivesse, mas.
— Uwa
Empurrando a porta pesada, ao entrar, calor abafado nos ataca de repente. Comparado com fora, a temperatura interna é alta. Deve ser configuração de temperatura adequada pra réptil.
Do outro lado da parede separada por placa acrílica transparente, tem vários tipos de cobra, cada uma na própria seção.
Cobra-rajada, Cobra-verde-japonesa, Píton, Sucuri…
Uwaaa… que será, hein, deveria estar acostumado por causa do Kokuyō, mas, sem conseguir comunicação, a sensação sinistra não desaparece.
— Nenhuma se move, né.
— Bom, sem presa também, talvez não tenham necessidade de se mover rápido.
A Hiruda espia a caixa da Cobra-verde-japonesa, inclinando a cabeça. De fato, enroladas, as cobras quase não se moviam desde há pouco mesmo.
Como esperado, essas garotas, que lutam até contra fera mágica, não mostram nenhum sinal de medo de cobra. Mas também não sentem "fofura" nenhuma, então não ficam animadas como com os outros animais.
Seguindo o corredor, espio um por um os répteis expostos na parede.
Cobra, cobra, tartaruga, tartaruga… ooh, jacaré. Jacaré-de-óculos. Segundo jacaré mais pequeno do mundo, hein.
— Tinha algo parecido na Grande Floresta. Principalmente pra comer.
Diante da fala repentina da Rin, as duas de sempre pulam imediatamente.
— Hoo hoo. Isso é gostoso?
— Como se prepara? Nas tribos da Grande Floresta, é assado inteiro?
— O sabor é próximo de frango. Bem elástico, mas gostoso. Não sei bem o modo de preparo, mas era assado.
Ai ai. Fico com pena da Rin, respondendo com paciência às duas. Vou levar bronca se disser "surpreendentemente", mas ela é atenciosa. Só não mostra isso abertamente.
Direcionando o olhar embaixo da cerca à frente, tartaruga grande caminhava devagar, "nosonoso".
Tartaruga-esporão-africana, hein. Comparado à cobra, dá certa calma, hein. Se disser isso, o Kokuyō deve lamentar "discriminação!".
Além de cobra e tartaruga, tem lagarto também, hein. Lagarto-japonês, Lagarto-monitor-chinês, Leopardo-gecko… esses também não se movem muito.
Dentro do prédio, também tem alguns bancos, construído tipo lugar de descanso. Talvez seja difícil relaxar vendo cobra e jacaré, mas, pra quem gosta, deve ser irresistível.
Bom, olhando com atenção assim, até a cobra tem padrão e cor bem diferentes, interessante. O Kokuyō é completamente preto, afinal. Brilhoso feito obsidiana mesmo, isso também é bonito à sua maneira.
Saindo da casa de répteis por saída diferente da entrada, vento fresco nos recebe. Aah, que sensação boa. Finalmente conseguimos escapar do ambiente quente e úmido.
Enquanto me embriago com o vento agradável, a Yumina ao lado aponta com o dedo na direção da frente à direita. Ali tinha prédio de dois andares, relativamente novo.
— Touya-san, o que é aquilo ali?
— Nn? Deixa eu ver… prédio de exposição junto com área de descanso… parece. Parece ter espécime empalhado e esqueleto e material de animal expostos ali. Ah, tem loja de lembrança também, hein.
Respondo à Yumina olhando o panfleto.
— Lembrança, é? Quero comprar sem dúvida.
— É verdade.
— Ei, Touya! Vamos!
— Ei, espera, calma, não puxa!
Puxado pela Hiruda, a Yae, a Eruze, sou obrigado a correr até o prédio de exposição. Por isso, nossa passada de perna é diferente…
Passando a porta automática do prédio de exposição, logo ao lado, tinha exposto o urso polar empalhado que vimos há pouco. Ooh, mais impactante do que pensava.
O que é isso, hein… uau. O pelo do urso polar não é branco, e sim transparente. Reflexo da pele preta embaixo, ou dispersão da luz solar faz parecer branco.
E ainda por cima, o pelo do urso polar não tem núcleo tipo macarrão, e esse espaço vazio cria efeito de isolamento térmico, evitando perda de calor… hein. Evoluiu adaptado ao ambiente, hein.
— Tem várias coisas expostas, né.
Como diz a Rinze, também tem vários outros animais empalhados e esqueletos expostos sem folga no salão comprido. Na parede, tem até pele completa da zebra que causou alvoroço há pouco pendurada, gerando sentimento levemente desconfortável.
— Vendo desse jeito, dá pra entender vários tipos de diferença. Interessante.
A Rin compara esqueleto de animal herbívoro e carnívoro. Deixa eu ver, esse é esqueleto de elefante? Faz sentido não ter osso no nariz mesmo. Sem isso, muda a imagem, hein… ah, tem empalhado só do nariz também.
Fora isso, também tem empalhado de urso-negro, de gamo, de javali, de marta-japonesa, alinhados, e, no teto, maquete de pássaro formando esquadrão. Elaborado em vários aspectos, hein.
— Eu prefiro animal vivo mesmo…
— Concordo. Mas serve de aprendizado.
Parece que a Sū e a Sakura não têm tanto interesse nesse lado. Ao contrário, a Rin, a Rinze, a Yumina, observam com admiração a explicação do que tá exposto.
Opa? Surpreendentemente, a Yae e a Eruze observam com dedicação o esqueleto.
— Então, basta quebrar justamente este osso…
— É mesmo. Desse lado, girando e torcendo assim, de uma vez, "boquiri"…
Uhum. Diferente. Conversando algo perigoso, hein.
— Ah, é a girafa-san de antes!
Onde a Rinze correu, "kotebashi", tinha esqueleto da girafa de pé. Vendo dessa distância, com certeza é bem alto mesmo. Ou será que sinto isso porque minha altura encolheu? Deve ter uns quatro, cinco metros…
— Onde vende as lembrança, será…?
A Hiruda olha ao redor, "kyorokyoro", mas não encontra loja parecida.
Ah, tem seta escrita na parede. É por aqui.
Seguindo a seta, além da porta automática de vidro, tinha loja ampla.
Parede unificada em cor quente, iluminação clara ilumina o interior da loja. Piso de madeira cria atmosfera natural.
Na prateleira e mesa baixa, vários produtos de animal alinhados sem folga. Almofada e louça com estampa de animal, figura pequena de animal, bicho de pelúcia, mochila em formato de animal também tinha.
— Yumina-san, Yumina-san! Não acha isso fofo!
— Que bom! Ah, Rū-san, isso ali também é fofo!
— Nee-chan, essa mochila, o que acha?
— Wa, que legal. Eu também quero, talvez…
Assim que entramos na loja, todo mundo se espalha correndo pra cantinho de interesse. Bom, aqui não é tão amplo que gera risco de se perder igual no shopping center, então tudo bem.
Mas tem bastante coisa mesmo, hein. Chaveiro, guardanapo, até marmita… vou comprar lembrança pra todo mundo do castelo também. Pro mordomo Raimu-san, que tal gravata? Tem uma estampada com ovelha… ovelha pro mordomo… não, não.
Moletom com orelha de animal, luva de almofadinha, chinelo de almofadinha… isso, se todo mundo vestir, deve ser destruidor de poder impressionante. …Vou comprar pra todo mundo. Uhum, vira lembrança. Sem segunda intenção.
Essa figura de animal também tem vários tipos, hein. Coletar tudo deve ser trabalhoso. O bicho de pelúcia também tem variedade de tamanho grande, médio, pequeno, e tipo.
— Zebra é indispensável mesmo, hein.
— Vai levar essa?
— Umu! Vou dar de lembrança pro Edo!
A Sū responde com sorriso radiante. Lembrança pro irmão caçula Edowādo-kun, hein. Mesmo sendo bebê, é presente da irmã mais velha. Com certeza vai ficar feliz.
A Yumina também parece levar bicho de pelúcia pro irmão caçula, príncipe Yamato. Aquele é leão, né. Presente pro futuro rei, rei das feras, digamos.
Depois disso, compramos quantidade de lembrança que deixou levemente surpresa até a vendedora da loja. Quase tudo era bicho de pelúcia e doce, no entanto.
Com dez pessoas, dá pra carregar, mesmo sendo bastante. Saindo do parque, basta guardar discretamente no [Storage].
Passeio pelo zoológico decidido meio sem pensar muito, mas foi divertido, hein. Fico em dúvida se zoológico como lua de mel é meio estranho, mas ainda é só o segundo dia.
Certo, hoje à noite, espera a maior missão. Missão que pode se dizer o próprio objetivo desta viagem: apresentar todo mundo aos meus pais.
Por ora, pretendo disfarçar com magia como se fosse sonho. Meu pai e minha mãe devem me reconhecer mesmo nesta aparência, mas, mesmo assim, melhor transformar de volta pra forma original com [Miragem].
Mesmo achando que é sonho, quero transmitir aos dois que estou vivendo bem.
Nove esposas deve gerar comentário intenso, imagino… ou será que vão ficar atônitos?
Bom, o que tiver que ser, será.