Capítulo 459 – A Irmã, e o Guarda-Costas
— Nn?
— O que houve, Sakura?
A Sakura, conversando com minha mãe, direciona o olhar em direção estranha. Levemente desconfiada, minha mãe também vira o rosto na direção pra onde a Sakura olhava.
Naturalmente, também direciono os olhos pra lá, mas, na direção, só se estende campo de flores infinito, sem ver nada. Ou melhor, neste mundo, não deveria existir nada além de nós.
Mesmo assim, a Sakura coloca a mão na orelha, tentando escutar algo. A Sakura tem "Característica de Servo", "Superaudição". Consegue captar e ouvir até som de frequência que humano não consegue ouvir, ou som distante. Será que tá ouvindo algo?
— Voz estranha… gemido?
— Eh?
Gemido!? O que é isso, assustador! Tipo terror!? Não lembro de ter configurado algo assim!
— …Não, diferente… parece bebê choramingando meio manhoso…
— «« Ah »»
Meu pai e minha mãe, tipo "será que…!", começam a andar apressados. Eh? O quê?
Também corremos apressados atrás dos dois.
Depois de andar alguns minutos, no meio do campo de flores, como se estivesse enterrado, encontramos bebê vestindo roupa de bebê. Rosto prestes a chorar a qualquer momento, choramingando.
— Como imaginei. Ela ela, bonzinho. Que corajoso, não chorou.
— Daua…
Minha mãe ergue o bebê de dentro do campo de flores. Será que essa criança é… não pode ser.
Minha mãe, sorrindo, acalmando o bebê, direciona ele na minha direção.
— Olha, Fuyuka. É o irmão mais velho.
— U?
Faz sentido mesmo. Olhos pretinhos pequenos e redondos se direcionam a mim. Essa criança é minha… irmã nasceu, hein.
Faz sentido, como defini a casa inteira como área de efeito do [Connect], puxei junto até essa criança que estava dormindo pro lado de cá.
— Então era mesmo a Fuyuka-san, hein. Será que veio invadir meu sonho pra ver o Touya-kun?
— No meu sonho, viu. Vindo cumprimentar o irmão, digna da minha filha, sabe ser atenciosa.
— Não, não, Tsuzuri-san. Ela é filha minha também, sabia?
Os dois brincam com o bebê enquanto discutem de forma estranha. Opa, os dois sempre foram assim bobos com filho? Ao contrário, achava que comigo eram do tipo mais deixa-fazer-o-que-quiser. Deixavam tudo com o vovô, afinal.
Sinto leve ciúme, mas, "toma", ao receber a criança da minha mãe, esse sentimento voa longe.
— Dau
— Wa…
A Fuyuka estende em minha direção a mãozinha pequena tipo folha de bordo. Fofa. Não é a primeira vez que seguro bebê no colo, mas será que a mais fofa parece justamente porque é minha irmã?
— Uwaa, uwaa! Que fofa!
— É verdade mesmo!
— Isso é fofo. Garanto.
A Rinze, a Sū, a Sakura me cercam, mas a Fuyuka, sem sinal de choro, observa elas com interesse.
— Se chama "Fuyuka"-chan, então.
— Fiquei em dúvida se lia "Fuyuka" ou "Tōka", mas, sendo menina, achei que ficaria pena se o apelido virasse "Tōchan" (papai), então escolhi essa leitura.
Rindo, "kerakera", minha mãe explica pra Yumina. Esse apelido, quase que colaram em mim na primeira série do ensino fundamental. Meu pai, rindo com sorriso amargo atrás da minha mãe, também deve ter passado por experiência parecida, sem dúvida. Afinal, é "Tōichirō".
— Dau, da
— Opa opa
— Wa
A Fuyuka se retorce, estendendo a mão em direção à Rinze ao lado. Que criança sem medo de estranho, hein. Personalidade bem ativa. …Parecida com minha mãe, será?
— Tudo bem, pode segurar ela.
— Eh, tudo bem mesmo?
— É irmã mais velha, então é óbvio, né. Não precisa se conter.
Diante da fala da minha mãe, entrego a Fuyuka devagar pra Rinze. Enquanto tomo cuidado pra não deixar cair, a Fuyuka mexe as mãos e pés, "jitabata", como se apressasse a Rinze, tipo "rápido, rápido".
— Dau, du
— Prazer, Fuyuka-chan. Sou a irmã Rinze.
— Dau♪
Quando a Rinze fala com ela, a Fuyuka retribui com sorriso animado. Sorriso tipo flor desabrochando, deve ser assim que se chama isso. Ei, esposa, tem anjo aí, viu?
— A, eu também posso segurar?
— Se tomar cuidado pra não deixar cair, tudo bem.
Também querendo segurar, a Eruze pede permissão à minha mãe. Todas as outras também, revezando, seguram a Fuyuka, mostrando sorriso feliz. Que popularidade, minha irmã.
— Que criança que ri bastante, hein.
— Isso contagia a gente também.
A Rū espia a Fuyuka rindo animada, "kyakkya", no colo da Yae.
— Parece ser criança que não estranha muito as pessoas, hein.
— Digna de irmã do querido. Meio que tem sangue frio, digamos, ou o quê… será que vai virar mulher guerreira impressionante no futuro?
— Ei, ei…
Sem querer retruco à conversa da Hiruda e da Rin. O que é mulher guerreira. Passa pela cabeça imagem de Fuyuka crescida derrubando homens um atrás do outro tipo Tomoe Gozen. Bom, se crescer criança gentil, tudo bem também, mas…
Minha mãe bate no meu ombro com dificuldade em decidir a expressão, "pon".
— Bom, a Fuyuka também tem, e a gente tá se divertindo bem, então você não precisa se preocupar, só vira budista direitinho, tá?
— Não, bom… uhum.
Como responder, hein. Ser pedido pelos pais pra "virar budista" mexe bastante comigo, hein…
Como minha mãe e o pessoal, pela memória do esboço que o Hyamura-kun viu, acham que é sonho criado conveniente, não tem jeito.
Chega a passar pela cabeça revelar tudo de verdade, mas, afinal, só estou aqui por conta do treinamento de novo deus, não posso vir livremente pra cá.
Talvez, com permissão do Deus do Mundo, eu conseguisse vir, mas nem o Deus do Mundo consegue me dar tanto privilégio assim sempre. Mesmo sendo servo, seria visto como favoritismo demais.
E ainda por cima, já decidi viver naquele mundo daqui pra frente. Junto com elas, pra sempre daqui pra frente também.
— Quando chegou telefonema da professora do ensino fundamental, fiquei surpresa, viu. Que o Touya, que devia ter saído de casa de manhã, não tinha chegado na escola. Enquanto ficávamos preocupados se era acidente ou sequestro, chegou contato da delegacia de polícia. Sabe o que ele tava fazendo? Descendo o rio de jangada. No meio do caminho, a jangada quebrou, e foi resgatado quase se afogando. Que criança boba, francamente.
— Por que justo jangada…
— Parece que achou que descer o rio de jangada seria mais rápido que ir a pé até a escola. Mesmo conseguindo chegar, o que ele pretendia fazer no dia seguinte…
Já chega, esse assunto…
Nas minhas costas, no campo de flores, minha mãe abre grande festival de exposição das minhas histórias vergonhosas.
Ficando insuportável, me afasto de todo mundo junto com meu pai, comendo comida feita pela Rū guardada no [Storage].
— Que nostalgia, hein. Se não me engano, era segunda série do ensino fundamental?
— …Primeira série, viu.
Afinal, descer o rio de jangada foi ideia inspirada pelo livro "As Aventuras de Tom Sawyer" que meu pai me deu. Dizia que até criança consegue fazer jangada.
Mas, claro, com material descartado e corda velha por ali, e força de criança, não dava pra fazer nada decente. Poucos minutos depois de partir, se desmontou facilmente, afundando no meio do rio. Sinceramente, que bom que não era pleno inverno.
Depois daquilo, fui repreendido por várias pessoas, hein… só o vovô me criticou dizendo "construção fraca demais!", pela falta de habilidade na construção da jangada.
Mesmo assim, talvez por achar que é sonho, minha mãe continua sem se conter contando história obscura minha desde há pouco… não, mesmo achando que não é sonho, ela contaria sem se conter mesmo, aquela pessoa.
Todo mundo também já se soltou bastante, perguntando várias coisas pra minha mãe. Não queria muito que revirassem tanto assim história obscura minha…
— Mas o Touya-kun casar, hein. Mesmo sendo sonho, motivo de celebração. Fico feliz…
— Vai ser difícil de vários jeitos daqui pra frente, mas…
— Touya-kun. Casamento, sabe, quando o homem recua um passo, geralmente as coisas dão mais certo. Se quiser lubrificar a vida conjugal, viu.
Uuun, minhas esposas têm bastante tipo que avança sozinha à frente, sem eu precisar recuar um passo… ao contrário, sou mais puxado com força. Mulheres de outro mundo têm bastante tipo com iniciativa, dizendo claramente o que pensa.
Mesmo a mais quieta (talvez) Rinze, também fala claramente a própria opinião pra mim.
Ao contrário, sendo confiável, sinto que sou patético como homem se ficar dependendo sempre delas.
— Isso, melhor jogar fora rápido. Manter aparência diante da família é inútil. Família é quem te aceita inteiro, incluindo lado sem graça, então aparência ou orgulho de homem não tem sentido nenhum, viu?
…Bom, faz sentido isso mesmo.
Não que ache que, ouvindo história de fracasso antigo, achem "sem graça" e passem a me detestar, viu. Eu também, ouvindo história do passado de todo mundo, não teria como detestar por isso.
— O primeiro amor do Touya foi a Shōko-chan, irmã mais velha da casa vizinha, sabe…
— Isso e vergonha são coisas diferentes, viu!
Ouvindo de costas a história sem parar da minha mãe, como que desesperado, devoro a marmita feita pela Rū. Aah, francamente! Que gostoso, hein!
— U, bu, uaū…
— Ei, Fuyuka? Sonolenta?
Virando pra trás, a Fuyuka no colo da minha mãe solta bocejo pequeno, olhos ficando sonolentos.
Faz sentido mesmo. Enquanto dormia, teve a consciência conectada pelo [Connect] e trazida pra cá. Mesmo sendo bebê, deve ficar cansada mentalmente.
Ou será que, pra proteger a honra do irmão, agiu de forma esperta? Que irmã bem-feita. Irmão fica feliz, viu…
— …Já vou indo daqui a pouco.
— Já?
Guardando a marmita da Rū de volta no [Storage], me levanto. Objetivo cumprido, e, ficando tempo demais, a despedida fica mais difícil. Meu pai olha pra cá com olhar levemente decepcionado.
— Não dá pra ficar muito tempo aqui. A Fuyuka também parece com sono, então já vou voltar.
— Entendi, que pena.
Manter espaço pseudo-artificial com [Connect] consome poder divino. Não aguenta muito tempo. Antes disso, preciso voltar… e também não quero mais expor história obscura minha.
Meu pai também se levanta, e os dois vamos até onde todo mundo está. Quando meu pai elogia sem parar a comida da Rū, ela fica vermelha, feliz. Ao contrário, minha mãe fazia cara séria.
Tanto o vovô quanto meu pai cozinham bem, mas minha mãe não é muito habilidosa nisso. O gosto de mãe pra mim é onigiri e sanduíche. Talvez por especializar só nisso, o onigiri e o sanduíche da minha mãe são extremamente gostosos. Talvez seja só eu que sinta assim. Não, meu pai também deve sentir igual.
Queria comer aquele onigiri e sanduíche de novo, mas…
— Vai?
— Nn. Não posso deixar a Fuyuka virar noite demais também.
— Daū…
No colo da minha mãe, a Fuyuka se retorce. Isso é sinal claro de sono. Melhor liberar ela logo.
— Volta no Obon, viu. Vou fazer cavalo de pepino ou berinjela. Ah, de quebra, arrasta o pai também. Igual você, também nunca aparece no sonho de ninguém. Fala pra pelo menos vir ver o rosto da neta.
— Não, bom, se conseguir encontrar…
Respondo de forma vaga à fala da minha mãe. Não, nem sei onde o vovô está. Será que tá no reino celestial? Não aparecer em sonho, sinto que não é culpa do vovô, no entanto.
Duvidoso se consigo vir no Obon, mas, algum dia, com certeza volto de novo. Quero ver a Fuyuka crescida também.
— Então, já vamos indo. Os dois, cuidem-se bem. Fuyuka, até mais.
— Você também, cuida-se… isso também é estranho de dizer. Bom, se diverte com todo mundo. Não faz elas chorarem, tá?
— Aguardando ansioso poder te ver de novo. Da próxima vez, espero que consiga ficar mais tempo relaxado.
Se meu poder como raça divina crescer, acho que dá pra ficar mais tempo no mundo espiritual também. Preciso me esforçar mais pra isso.
— [Disconnect]
Desativo a conexão com o mundo espiritual. Eventualmente, a visão vai ficando difusa, vaga, e voltamos pro mundo real.
— Nn…
Levanto de cima do tapete. Uhum, a consciência tá clara. É frustrante a visão ter voltado pra posição baixa original, mas.
— Umu…?
— Fuwa…?
Primeiro, a Sū e a Yumina se levantam, e, em seguida, todo mundo também começa a recobrar a consciência.
Todo mundo acordou do sonho, mas minha mãe e o pessoal, adormecidos por [Nuvem do Sono], ainda devem estar dormindo.
— …Nn?
— O que houve, hein?
Certo, hora de recuar, penso, mas, nesse momento, sinto sensação estranha. Não pode ser…
Abrindo a cortina da sala, olhando o jardim, ali estava o Deus do Mundo, de pé. Eh, por que!?
Direcionado a mim, espiando pela janela, acena a mão sob a luz da lua. E, atrás dele, mais uma pessoa, com a cabeça baixa. …Quem é?
Abrindo a janela, "karakara", calçando o chinelo colocado ali, também saio pra fora. Tamanho não bate, difícil de andar…
— Parece que correu bem, hein.
— O que houve, afinal… ah, desculpa. Parece que minha mãe fez algo desrespeitoso…
— Não, bom, aquilo não tem jeito mesmo. Sem dúvida, a culpa é minha mesmo. …Um pouco, ou melhor, bastante assustador, no entanto…
O Deus do Mundo solta risada seca. Ei, espera aí, o que é essa existência capaz de assustar deus, minha mãe…
— E, então, umm… essa pessoa é?
— Umu. Essa aí é deus subordinado.
— Eh!?
— Ah, não, diferente. É deus diferente do deus subordinado que causou tumulto no mundo de vocês, viu.
Aah, assustei. Achei que aquele deus NEET tinha ressuscitado… aliás, diferente daquele deus NEET, é jovem, hein. Ou melhor, é mulher, hein…
O deus NEET era senhor magro, mas esse deus subordinado tem aparência levemente mais velha que a irmã Karen… final dos vinte anos.
Cabelo preto curto, corpo esguio. Atmosfera parecida com a irmã Moroha.
— Essa aí. É deusa subordinada que era instrutora do deus subordinado que você derrotou.
Eh, aquela do deus NEET!? Enquanto fico surpreso, a deusa subordinada que era instrutora dele começa a se desculpar, ainda com a cabeça baixa.
— Nesta ocasião, por minha própria falha, causei enorme incômodo ao mundo de vocês, peço sinceras desculpas. Deveria ter me desculpado imediatamente, mas, sendo ainda sem categoria oficial, não é permitido descer à terra…
— Ah, não, por favor, ergue o rosto. Isso já terminou.
Deus subordinado é, digamos, deus quase virando deus oficial. Mas, entre deus subordinado também, tem de tudo, se aquele que causou tumulto no nosso mundo era o "NEET", essa pessoa parece ser nível quase capaz de contratação provisória decente.
Ou seja, tem relação tipo sênior-júnior até entre deus subordinado, e essa pessoa parece ter sido instrutora daquele deus NEET. Deve ter sofrido bastante, hein…
— Aquele lá, parece que era falta de perseverança, desistindo à toa diante de dificuldade pequena, e sempre relapso em algo… toda vez, eu repreendia, mas nunca mostrava sinal de arrependimento… um dia, de repente sumiu, achei que era de novo matando aula como sempre, mas era algo terrível…
Faz sentido ficar surpresa mesmo. É tipo ver na notícia da manhã o estagiário que instruía até ontem sendo reportado como criminoso.
— Bom, falei que a culpa não era toda dela, mas ela insistiu que precisava reparar o erro pra virar deus inferior… e trouxe até aqui pro Touya-kun.
Isso é diligência, ou o quê, hein… acho que a culpa toda é daquele deus NEET.
— Então, é isso. Essa criança disse que quer virar deusa protetora da sua irmã.
— Haa!?
Deusa protetora, o quê!? Vai possuir minha irmã, isso!?
— Precisamente, não como deus, e sim descendo neste mundo terreno como ser vivente, protegendo discretamente sua irmã… tipo guarda-costas. Naturalmente, não consegue usar poder divino, mas…
— Não, não precisa fazer tanto assim! Sério que não me importo!
— Se não fizer isso, eu não fico em paz! Por favor, permita!
Eee… aai. Essa pessoa é tipo tipo sério, digamos. Tipo comum entre aluno exemplar que não entende brincadeira. Pessoa que não consegue avançar sem resolver o problema direitinho antes. Sendo deus, no entanto.
— Não daria pra permitir? Bom, mesmo acompanhando toda a vida de um humano, pra deus, é tipo sensação de alguns minutos. Se isso deixa essa criança em paz, gostaria que deixasse fazer do jeito dela…
— Uuun…
De fato, antes, cheguei a pensar em fazer criatura invocada de guarda-costas da Fuyuka… mas desisti ao entender que, com pouca mana neste mundo, não conseguiria manter a criatura invocada.
Em vez disso, mesmo sendo categoria mais baixa, deus subordinado, se um deus ficasse de guarda-costas, não haveria segurança maior que isso…
— Mas como? Humanizada?
— Sendo isso, viraria bem complicado, então pensei em virar animal. Pretendo mudar de forma pra bicho de estimação que vocês poderiam criar, protegendo sua irmã.
Deus virar bicho de estimação, que piada é essa… mas a pessoa diante de mim parece falar sério mesmo… pro nosso lado também, é grato, então vou aceitar o pedido.
— Se for isso, cachorro tá bom. Meus pais gostam de cachorro.
— Cachorro… entendido.
Dizendo isso, num instante, a mulher deusa subordinada se transforma em cachorro tipo lobo completamente branco. Ooh, selvagem. Será tipo husky siberiano, ou algo desse tipo?
— «Isso está bom?»
— Não, umm… assim, fico em dúvida se vão criar mesmo…
— «Eeh!?»
Gan! Como se tivesse levado choque, o cachorro abaixa a orelha. Ah, não, é que é selvagem demais. Digo, tipo imagem de lobo solitário, ou tipo aura de "vou viver sozinho"…
Pra ser adotado, primeira impressão deve importar. Ah, é mesmo.
— Consegue virar filhote? Fofo e pequeno deve aumentar a chance de ser adotado.
— «Entendi. Se for isso…»
O cachorro branco brilha, "pika!", e, num piscar de olhos, vira filhote pequeno. Uoh, que fofo. Onde foi parar toda aquela selvageria de antes.
— «E aí, como fica?»
— Perfeito. Agora, se fizer apelo de simpático diante dos dois, deve dar certo. Ah, por favor, não fala nada, viu?
— «Compreendido.»
"Pi", o filhote branco coloca a pata dianteira na lateral da testa, fazendo pose tipo continência. Não, isso é estranho, viu. Será que fica bem assim…
— Desculpa pelo incômodo, hein.
— Não, ao contrário, ficamos gratos. De fato, fico preocupado mesmo.
— Se aquela criança juntar mana, consegue usar até magia de recuperação de estado até certo ponto. Deve conseguir lidar em caso de emergência tipo doença, então fica tranquilo.
Ah, é mesmo, isso é grato. Guarda-costas confiável mesmo.
Aliviado com isso, virando pra trás, o filhote branco estava sendo apertado sem parar pelas minhas esposas.
— Que fofa! Fofinha!
— «Espe, para, a!»
— Branca puro! Que fofa!
Opa, sinto déjà vu de algum jeito. Igual à época do Kohaku. Nostálgico, mas.
…Será que vai ficar tudo bem mesmo, hein.