Capítulo 465 – O Salão de Dança, e a Máscara Negra
Quando a melodia suave começa a tocar, os homens e mulheres no salão de dança começam a dançar devagar. Sendo baile onde a maioria já é filha de nobre desde o início, quem não sabe dançar é minoria. A maioria dos participantes de Brunhild não é filha de nobre, mas fiz treinar pelo menos o básico pra saber dançar.
Falando "baile", dançar ou não é livre, não precisa dançar necessariamente. Só que, se não souber dançar quando convidado, não consegue aproveitar, e ainda envergonha o parceiro… como a Yumina e a Rū disseram, então fiz nossos participantes aprenderem pelo menos dança de nível mínimo.
Quem dança agora são alguns filhos de nobre habilidosos em dança de cada país, que pedi pra dançar primeiro. Além disso, a maioria dos outros participantes está ao redor do salão ou no jardim, ainda observando a situação, provavelmente.
Como usam máscara, só conversando com o outro é que começa alguma coisa, afinal. Se combinar, pode convidar pra dançar, ou passear pelo jardim.
Mas, primeiro, parece que se aglomeram entre gente do mesmo país. Bom, não tem jeito mesmo, talvez.
— Mesmo assim, tem alguns conversando aqui e ali. Ah, aquele é da nossa gente.
O Rei de Rīnie ao meu lado espiava lá embaixo através de binóculo de ópera com cabo, do segundo andar do salão de dança. Não só Rīnie, outros países também parecem ter marcado algo nos próprios participantes. Broche combinando, ou botão de punho.
— Sua Majestade Kuraudo… será que tá certo ficar espionando tanto assim? Todo mundo tá se esforçando pra encontrar parceiro de vida, sabe.
— Ah, não, não era essa intenção. Fiquei só um pouco curioso.
Chamado atenção pela noiva do outro lado de mim, o Rei de Rīnie, Kuraudo, devolve apressado o binóculo de ópera que segurava.
Primeira Princesa do Reino de Parūfu, Ryushienu Dia Parūfu. É irmã do atual Rei de Parūfu, o jovem rei Erunesuto, e, daqui alguns meses, vira Rainha de Rīnie. Mulher gentil, tranquila, sem tanta ostentação.
Mesmo a Princesa Ryushienu falando isso, na verdade, igual ao Rei de Rīnie, algumas pessoas observavam o salão de dança abaixo desse corredor do segundo andar.
Entre os participantes, tem muitos com filho, filha, irmão, irmã presentes. Pedir pra não se importar seria impossível.
Voltando o olhar pro segundo andar, no salão grande no fundo do corredor, os altos funcionários de cada país cumprimentavam segurando champanhe. Nós, grupo de reis, também já trocamos apresentação e cumprimento leve há pouco.
Tem gente que ainda tem relação rasa com representantes do mundo sombrio… continente oeste. Quem tem mais relação com o continente oeste, sem dúvida, sou eu. Precisei intermediar entre eles, circulando pra facilitar cumprimento mútuo. Sinceramente, é incômodo… mas isso também é trabalho. Fiz direitinho.
Bom, por ora, o cumprimento geral já terminou, então tava descansando um pouco.
A Princesa Ryushienu direciona o olhar pro salão grande.
— Depois de tempo, o Erunesuto também parece se divertir misturado com crianças da mesma idade.
— Normalmente fica misturado com adultos, né. Talvez consiga conversar sem tanta pressão com gente daquele lado mesmo, comparado a nós.
No alvo do olhar da Princesa Ryushienu, o jovem rei de Parūfu, irmão caçula dela, e a noiva dele, Reicheru, o Primeiro Príncipe Remuza e o Segundo Príncipe Aruba de Misumido, a Primeira Princesa Rairakku e a Segunda Princesa Miruneia do Reino de Hanokku, e o antigo Primeiro Príncipe do Império de Garudio… agora Barão de Rēve, o jovem Rukureshion, conversavam.
Todos meninos e meninas de uns dez anos. Faz sentido conversar mais fácil com gente da mesma idade mesmo, o novo rei do País do Fogo Daubān, Akīmu, e igualmente o novo rei do País do Gelo Zādonia, Furosuto, conversavam com o irmão Rainharuto, Rei Cavaleiro de Lestia. Colegas de reis novos, hein. Bom, eu também, e o Rei de Rīnie ao lado, somos reis novos, mas.
A Yumina e o pessoal também se misturam entre as rainhas, conversando animadas. Talvez estejam ouvindo tipo ensinamento sobre postura de rainha. A Eruze, a Rinze, a Yae, a Sakura, ainda não acostumadas com esse tipo de ocasião, tinham sorriso claramente forçado, mas. Bom, por ora, não tem jeito mesmo. Eventualmente devem conseguir agir naturalmente.
Os reis de cada país também parecem estar divididos em alguns grupos, aproveitando conversa animada. Esse lado parece que vai correr sem problema. Certo, como tá o outro lado, hein.
Depois de algumas músicas terminarem, separo-me do Rei de Rīnie e do pessoal, direcionando-me pra varanda.
Da varanda, dá pra ver os participantes conversando no jardim abaixo. Homem gaguejando tentando conversar com mulher, ou mulheres aproveitando chá na mesa colocada ao ar livre, cada um parece aproveitar do próprio jeito. Esse lado também parece bem, hein.
Bom, isso à parte.
Talvez seja falta de educação dizer isso, mas. Surpreendentemente, o Rei-fera de Misumido, o Rei Mágico de Ferusen, o Rei Guerreiro do Reino Guerreiro de Rāze, o Rei do Sol do Reino de Iguretto, reis fortes em artes marciais, estão todos reunidos nessa varanda. Acho que são tipo sem tanto interesse em assunto amoroso dos outros.
Desde há pouco, observavam animados os participantes lá embaixo. …Não estarão planejando algo, será?
— Opa. O Duque também veio ver, hein?
— Ver?
Quando entro na varanda, o Rei-fera de Misumido me recebe segurando champanhe.
Ver, o quê. Não deveria ter nenhuma apresentação programada. Bom, se ver rumo do amor, talvez seja "ver" mesmo.
Olhando ao redor, por algum motivo, tem médicos de recuperação de Rīfurīsu na varanda. Será que alguém passou mal?
— Umm, aconteceu algo?
— "Aconteceu algo", ou melhor, "pode acontecer daqui a pouco", digamos.
O Rei Mágico de Ferusen troca olhar com o Rei-fera de Misumido, com sorriso amargo.
— Coisa que sempre acontece nesse tipo de ocasião. Achando que já deve tá quase na hora.
Sem entender nada. Enquanto inclino a cabeça, o Rei de Iguretto bate no meu ombro, "pon". Diferente do traje tradicional nativo americano de sempre, traje elegante de smoking é aparência bem rara. Fica muito bem. Sendo naturalmente bonito, deve combinar com qualquer coisa que vestir. Faz sentido ter sete esposas mesmo.
— Duque, na época de solteiro, talvez não tenha tanta experiência participando desse tipo de festa?
— Bom, era aventureiro, afinal… participei sim em festa entre família ou aliança, mas…
— Eles são jovens. Justamente por serem jovens, não cedem a si mesmos. Entre quem não cede, às vezes as próprias reivindicações colidem. Por isso…
Interrompendo a fala do Rei de Iguretto, vem do jardim voz de discussão. O quê?
— Opa, já começou, hein.
— Começou?
Junto com o Rei de Iguretto, olhando pra baixo do jardim da varanda, dois homens, ainda com máscara, se encaram. Os dois com atmosfera de "explosão iminente", e as pessoas ao redor observam de longe.
— Briga?
— Bom, isso mesmo. Coisa comum nesse tipo de ocasião. Na maioria dos casos, o pai ou o senhor interfere pra acalmar, mas tem caso onde não é assim também. Tipo duelo.
— Duelo!?
Espe, duelo é luta de morte, viu!? Isso seria problema mesmo!
— Calma. Claro, não deixamos chegar a ponto de trocar vida. Nesse tipo de caso, só decidem regra e fazem competição. Com condição de que, seja quem ganhar ou perder, não guarde rancor. Se quebrar isso, vira alvo de zombaria por falta de dignidade.
— Decidem regra? …Isso pode ser tipo corrida, então?
— Uumu, isso não ouço muito, mas… já ouvi história de competição de velocidade a cavalo. E aí, pacífico, né?
De fato, duelo bem pacífico, hein… bom, muito melhor que trocar vida… entendo que resolver esse tipo de conflito só entre os envolvidos é o melhor mesmo. Se resolver por competição pacífica, ainda melhor.
— Na maioria dos casos, é luta de soco.
— Pacífico é o quê, afinal…?
Não pode! Extremamente violento, oras! Sem perceber, o Rei Mágico de Ferusen, ao lado, ri, "karakara".
— Quando jovem, esse tipo de coisa é melhor mesmo. Melhor que reprimir estranhamente, é bom deixar liberar. Por isso mesmo que temos médicos de recuperação prontos.
Era por isso! Por que tinha eles num lugar desses…! Preparado demais, francamente… será que é acontecimento cotidiano nesse tipo de festa? Faz sentido conflito aumentar quando gente se reúne, mas…
— Aquela máscara não sai fácil assim, né?
— Eh? Ah, é isso mesmo. Se sair batendo, seria contraproducente, então, a não ser que fale palavra pré-definida, não sai.
— Ou seja, seja príncipe ou terceiro filho de nobre, não importa status social, dá pra fazer isso, é isso. Normalmente, se não for status igual, entra mediação e acaba, afinal.
— Umu. Luta entre homens não precisa de status social. Só avançar no caminho que acredita com o próprio punho.
O Rei-fera de Misumido e o Rei Guerreiro de Rāze sorriem, olhando pra baixo os dois. Será que tá certo assim…
Depois disso, entra mediador entre os dois, e, achando que ia começar a briga, os dois desaparecem em direção ao fundo do jardim, junto com o mediador. Nisso, alguns espectadores também seguem atrás.
— Faz sentido, perceberam que incomodariam ao redor. Parece que vão mudar de lugar. Certo, vamos também.
— No fim, é só curiosidade, né…
— Hahaha! O que devemos ver hoje não é romance, e sim disputa de orgulho entre homens!
Diante de mim atônito, os reis cérebro-musculoso se afastam feito vento. Não, romance deveria ser o foco de hoje, oras…
— Francamente…
Parece ter participantes indo ver como curiosos igual esses aí, mas a maioria fica no jardim, aproveitando conversa. Muitos já parecem estar agindo com alvo já definido.
Tem grupo onde uma mulher atende vários homens, ou ao contrário, um homem atende várias mulheres. Aparência não deveria dar pra saber por causa do efeito da máscara, mas será que quem faz sucesso transborda algum elemento de sucesso mesmo?
Conteúdo da conversa, gesto, postura, resposta à situação… esse tipo de coisa deve revelar a personalidade da pessoa mesmo.
— …Opa?
De repente, o olhar para numa pessoa no jardim abaixo. Separada das pessoas aproveitando a festa, essa mulher, sozinha, encostada na árvore do jardim, cabeça baixa.
Só isso, teria achado que era tipo "flor de parede", mulher passiva incapaz de se mover por conta própria numa festa.
Mas essa pessoa, com certeza, não se encaixa nisso.
Porque o olhar dela, cabisbaixa, está direcionado ao smartphone na mão, murmurando algo, digitando em velocidade absurda.
Poucas pessoas têm o smartphone produzido em massa criado pela Doutora. Limitado ao topo de país aliado e altos funcionários, mais meus amigos. Se for participante da festa, exceto pessoal de Brunhild, seria contável nos dedos.
Ou melhor, isso, sem dúvida nenhuma, é a Princesa Ririeru…
Emanando aura tipo intensidade extrema, sem parar, o dedo dela continua dançando no smartphone. Não, é lá que devia dançar. Sem dúvida, tá escrevendo rascunho…
Se o Imperador de Rīfurīsu ver isso num lugar desses, vai confiscar de novo. Não refletiu nada mesmo, francamente.
— Opa. Tava aqui, hein, Touya-dono.
— Opa!?
— Opa?
Falando do diabo, entrada do pai. Virando-me, ali estava, segurando taça, o Imperador de Rīfurīsu, junto com o Rei de Belfast e a Rainha Erufurau.
— F, finalmente começou, hein! Aai, que divertido!
— Nn? Ah, bom, se tão aproveitando, que bom…
Rindo pra disfarçar, avanço apressado. Afinal, é o pai. Vendo aquela figura, mesmo com máscara, saberia que é a Princesa Ririeru. Até eu percebi.
— Umm, ah, se, se não me engano, o Príncipe Ridisu, onde tá?
— Ah, se for o Ridisu, tá ali…
— Ali!? Ah, quero dar presente de noivado, será que dá pra me levar até lá!?
Mesmo achando que sou insistente demais, preciso afastar Sua Majestade o Imperador daqui de qualquer jeito. Anúncio de noivado do Príncipe Ridisu, irmão da Princesa Ririeru, com a Princesa Tia de Misumido, foi há tempos, mas ainda não mandei presente. Como país, já mandei, mas, como pessoa individual, ainda não.
— Hoo. Presente do Touya-dono, hein? De novo deve ser algo diferente, né?
— Sim, claro. É item raro que comprei na lua de mel. Deve fazer o Príncipe Ridisu feliz também.
Assentindo à voz vindo de lado do Rei de Belfast, guio de novo os três de volta pro corredor.
Aai, por que estou dando esse tipo de suporte, hein…
Logo encontro o Príncipe Ridisu e a Princesa Tia, então tiro do [Storage] o item alvo entre as várias lembranças compradas na Terra.
— Isso é…!
— Waa! Bonito…!
O que tiro, dentro de algo tipo esfera de cristal, tinha miniatura de casinha e rena junto com líquido, e pedacinho brilhante caindo dentro tipo neve.
Isso é "snow globe", chamado "globo de neve" no Japão. Que bom ter comprado vários vendidos na loja de lembranças.
Entregando o globo de neve aos dois, ficaram muito felizes. Virando de cabeça pra baixo, observam a paisagem brilhante caindo dentro.
— Isso é lembrança de Erufurau?
— Ah, umm, não, é de outro país.
Não posso dizer "é de outro mundo", então desvio de forma vaga a pergunta de Sua Majestade o Rei de Belfast. Também entrego aos dois um aplicado com magia [Program], fazendo a neve dançar dentro mesmo sem virar de cabeça pra baixo.
— Hmm… de fato, isso é coisa maravilhosa, hein. Expressa bem a beleza da terra de neve. Isso é… vendável, hein.
Os olhos da Rainha Erufurau, que observava o globo de neve mais que os dois que receberam, brilham, "kiran". Essa expressão parece muito com a da sobrinha dela, a Mestra da Guilda, Reisha-san.
Depois disso, tive pressentimento de que o globo de neve viraria produto famoso do Reino de Erufurau.
— Aaah, francamente, por que preciso participar desse tipo de evento justo agora…!
Enquanto digitava letra no smartphone, escapa reclamação em voz baixa. Prazo é até amanhã de manhã. Preciso terminar hoje mesmo de qualquer jeito, e entregar de manhã cedo pro responsável o rascunho impresso pelo item mágico colocado no quarto.
Sem tempo. Já perdi tempo demais com o smartphone confiscado. E ainda por cima, consumindo tempo precioso com prova de traje da festa e cumprimento a nobres de Rīfurīsu.
Só pressa, aumentando erro de digitação. Toda vez, corrijo e confiro de novo se não tem erro. Sinto o próprio sentimento ficando cada vez mais irritado, mas não tem jeito.
— Desculpa, tá sozinha?
— …Sozinha, sim, algum problema?
De novo. Erguendo o rosto de relance, homem usando máscara dourada estava de pé segurando taça de champanhe.
Essa é a quarta vez sendo abordada. Justamente porque tava incomodada com isso que me mudei do salão pra cá. Mesmo usando máscara, por que insistem em falar comigo em vez de outra pessoa.
— Se não se importar, gostaria de conversar.
— Já tenho companhia. Vá pra outro lugar, por favor.
— Haha, que fria.
Os três anteriores consegui espantar assim, mas esse homem se aproxima com intimidade sem se afastar. E ainda espia na minha direção. Ai ai, o que é isso.
— Isso é o item mágico feito em Brunhild, né? Por acaso, você é de Brunhild?
— Não é. Isso é… ah.
Percebi tarde demais. Dono do smartphone criado pelo Duque de Brunhild é limitado, se não for envolvido, realeza de outro país, ou alto funcionário dele. Isso já é praticamente revelar a própria identidade sozinha.
Ah, entendi, então os homens que já abordaram até agora também viram o smartphone e se aproximaram.
— Já chega, né? Poderia ir pra outro lugar?
— Não fala assim. Tem bebida gostosa lá. Vamos beber junto lá?
Cansada da insistência persistente do homem, desligo o smartphone, colocando no bolso do vestido. Se o outro lado não sai, então saio eu. Pensando isso, ao tentar andar, a mão do homem segura firme meu braço sem cerimônia.
— Para! Solta!
— Se soltar, bebe comigo? Só um copo! Só um copo já basta──
Vendo o homem sorrindo, "niyari", sensação intensa de desconforto percorre todo o meu corpo. Não dá pra ver bem a expressão direta com a máscara cobrindo a metade superior do rosto, mas, por isso mesmo, sinto que a segunda intenção e ambição por baixo transparecem ainda mais.
Medo. O braço segurado com violência treme. Se revelasse a identidade aqui e pedisse ajuda a alguém, talvez desse pra resolver sem problema. Mas isso significaria arruinar essa festa. Poderia até manchar a honra do meu pai, organizador.
— De qualquer forma, aqui não dá, vamos pra lá. Fica tranquila, não vou fazer nada.
— Não…!
Diante da força puxando com violência, não consigo resistir, sendo levada. Para! Solta!
— Essa pessoa parece estar incomodada, hein.
— Ah?
Diante da voz repentina, eu e o homem de máscara dourada olhamos pra frente. Ali estava um homem com máscara preta simples, vestindo smoking preto.
— O que é você…? Não atrapalha.
— Não, não pretendia atrapalhar. Só que essa mulher parecia incomodada. Fui excesso de zelo?
Direcionando-se a mim, o homem de máscara preta pergunta. Balanço a cabeça horizontalmente com força, "bunbunbun", e, sacudindo desesperadamente a mão do homem que me segurava, corro em direção ao homem de máscara preta.
— Tudo bem?
— S, sim…
Ainda com a mão tremendo, incapaz de dizer "tudo bem" de verdade, mas, por ora, consegui responder isso.
— Essa pessoa parece estar se sentindo mal, então, por favor, se retire. Acho melhor convidar outra pessoa, não acha?
— Aparecendo do nada e falando o que quer! Seu…! Gu!?
Igual comigo, a mão do homem de máscara dourada se estende com violência. Mas o homem de máscara preta desvia isso suavemente, segura o braço, gira pras costas dele, torcendo. Movimento habituado. Será cavaleiro?
— …Se continuar mais que isso, vou lidar a sério, tá bom?
— Ku, so…! Solta, desgraçado!
Diante da fala do homem de máscara dourada, o homem de máscara preta solta a mão, "pat". Liberado, o homem de máscara dourada, esfregando o braço, estala a língua alto, "chi!", afastando-se.
Sentindo alívio profundo por o homem ter ido embora, temi que fosse começar disputa tipo duelo, igual aos homens que causaram alvoroço há pouco.
Aliviada, de repente perco força do corpo.
— Opa
— A…
O homem de máscara preta me apoia, prestes a desabar no chão. Mesmo sendo segurada pelo braço igualmente, não sinto o mesmo tipo de repulsa que senti com o outro homem. Ao contrário, sinto sensação estranha de alívio. O que é esse sentimento, hein.
Sentando no banco próximo, acalmo o sentimento.
— Tudo bem? Trago água gelada?
— N, não. Tô bem. Obrigada por ter me ajudado…
Agradecendo de novo, senti que o homem de máscara preta sorriu levemente. Um pouco frustrante não conseguir ver esse sorriso por causa da máscara. …Por quê?
— Então, com licença. Vou indo.
— A, espera! Será que… poderia ficar mais um pouquinho aqui…? É que, aquela pessoa de antes, talvez volte…
Diante do homem de máscara preta se curvando e tentando se retirar, sem perceber, chamo apressada. Por causa da pressa, minha voz sai estranhamente esganiçada, ficando envergonhada.
— É verdade. Então, mais um pouquinho.
— S, sim! Obrigada!
Dizendo isso, o homem de máscara preta senta ao meu lado.
Silêncio por um tempo. Sentindo que preciso falar algo, mas nada vem à cabeça. Sendo escritora, ao menos, deveria ter algum assunto, procuro desesperadamente palavras, mas só vem coisa que definitivamente não é assunto pra conversar com homem que conheci agora.
— H, hoje tá quente!
— É verdade mesmo.
Droga…! Assunto do tempo! Isso é o mais sem graça que existe!
P, próximo! Próximo assunto, algo… nada vem, nada vem. Cabeça girando, ficando sem entender nada. Por que eu tô num lugar desses, mesmo?
Não conseguir nem conversar normalmente… que patético. …Sinto lágrima vindo diante da própria falta de jeito.
Diante de mim assim, um lenço branco puro é oferecido de lado.
— Não precisa se forçar. Fico aqui até você se acalmar.
— De, desculpa…
Provavelmente, deve ter achado que eu chorava por causa do homem de antes. Sem vontade de corrigir isso, enxugo a lágrima com o lenço emprestado.
Eventualmente, o sentimento se acalma, e, mesmo depois do homem de máscara preta se retirar, continuo sozinha nesse banco, olhando o céu azul.