Capítulo 480 – A Habilidade da Furei, e os Tios
— Matoo! Matooo!
Raça oga de corpo enorme, pele bronzeada tipo cobre, avança em nossa direção girando tronco de árvore, "bunbun". Que força absurda. Se levar aquilo, com certeza não sai ileso.
Se acertar, no entanto.
— Yoisho
Desviando suavemente, "hyoi", do tronco derrubado, a Furei corre pelo braço grande dele acima, cravando a grande espada na nuca do oga.
— Ugue!?
O oga desaba pra frente. Não cortou o pescoço. A grande espada parece estar em modo sem fio.
— Moleque! Achando que tá com moral!
O lobisomem empunhando lança avança golpe furioso em direção à Furei.
Sem se alarmar diante disso, a Furei joga fora a grande espada na mão.
A grande espada jogada é armazenada em [Storage], e, sem intervalo algum, através de novo [Storage] disparado da mão colocada na cintura, outra arma cabe na mão dela.
É katana samurai de textura bonita brilhante. A Furei desembainha isso de uma vez, cortando ao meio de baixo pra cima a lança do lobisomem.
— O quê!?
— Não tô com moral nenhuma, não.
Na nuca do lobisomem de olhos arregalados, a katana da Furei desce. Por um instante, achei que o pescoço tinha caído dessa vez, mas parece que trocou pro modo sem fio no instante certo. Domina bem a arma, hein…
O lobisomem, perdendo consciência, desaba no chão.
Guardando de novo a katana em [Storage], dessa vez, no lugar dela, saltando pra fora, segura arco prateado e flecha, retesando rápido, disparando, "hyun", pra cima da árvore.
— Guha!?
O elfo negro que estava em cima da árvore cai de cabeça pra baixo. Aquilo é… flecha aplicada com [Paralyze]? A Furei também usa arco. Provavelmente, não, com certeza, treinada pela irmã Karina.
Guardando de novo o arco em [Storage], dessa vez segurando machado-lança, a Furei avança contra o centauro.
— O que é esse uso de [Storage]… consegue guardar e tirar tão rápido assim?
Fico atônito com o uso de [Storage] da Furei. [Storage] deveria ter procedimento de armazenar e tirar, e não deveria conseguir tirar tão rápido assim.
— As armas da irmã Furei têm [Apport] aplicado. A arma mesma que dispara.
— Ah, entendi. Existia esse tipo de criação, hein… ou melhor, quem fez essa arma foi eu do futuro, hein…
Enquanto fico boquiaberto, a Kūn ao lado me conta esse segredo.
Falando, a Kūn também, com duas pistolas mágicas, não pistolas comuns, na mão, derruba harpias com choque elétrico.
Ao lado, a Pāla também pula, "pyonpyon", paralisando sátiros com garra elétrica. Aquela também se sai bem, hein…
— Estilo Espada Lestia, Fórmula Um, Lâmina do Vento!
— Estilo Espada Lestia, Fórmula Cinco, Espiral!
Voltando o olhar de repente pra frente, a espada da Furei e da Hiruda explodem contra golem grande.
A lâmina de vento disparada corta o pescoço do golem, e a estocada mortal girando abre buraco no ventre. Ooh, primeira colaboração de mãe e filha.
Faz sentido, a Furei também usar Estilo Espada Lestia mesmo.
— Trajetória de espada bonita. Parece que tá aprimorando bem os estudos.
— Ehehe, fui elogiada pela mamãe!
Envergonhada, mas a mão dela não para, e, a cada golpe da Furei, bandidos vão caindo. Feito brincadeira leve, "hyoihyoi", desvia espada do adversário, esquiva, dispara, golpeia.
Ei, o que é esse martelo enorme!?
— Dokaaan!
O golem, recebendo golpe de arma superpesada no ventre, é arremessado até a muralha da fortaleza, se despedaçando.
Diferente. Achava que era porque a arma tinha [Gravity] aplicada que ela manejava a grande espada com facilidade, mas é diferente isso.
Isso é [Power Rise]. Magia de atributo nulo que eleva a força física do usuário. A Furei tem [Storage] e [Power Rise], hein.
De fato, o espírito pode ser de cavaleira, mas, se me perguntarem se o estilo de luta é cavaleiresco, fico em dúvida… qual o nome dessa arma tipo dois meia-luas curtos unidos pelo cabo?
— Morre!
— Opa
Distraído, fui atacado por bandido tipo tigre-lobo. Ops, ops, tô em combate. Salto pra trás desviando a espada, e disparo bala paralisante com a Brunhild desembainhada.
— Gafu!?
Com um golpe, o lobisomem cai no lugar com a língua de fora. No fim, será que a metade dos bandidos já foi reduzida? Quase não fiz nada.
Deixar esposa e filha lutando enquanto fico só observando de cima, não é isso. Certo, papai também vai se esforçar.
Pensando isso, destruindo a muralha da fortaleza, aparece golem tipo montável com dois machados grandes nas mãos. Por um instante, achei que fosse cópia de Frame Gear, cavaleiro de aço, mas essa aí tem acabamento melhor.
— Quem são vocês!? Gente do Rei Demônio!?
Quem monta o golem tipo montável sem pescoço, exposto, era homem de pele pálida azulada, olhos vermelhos. Vampiro… talvez. Não pode ser, esse é o líder?
— Sem relação com o Rei Demônio, mas fica tranquilo, o Rei Demônio também vem pra cá em breve.
Antes de atacar direitinho, já avisei disso através de [Espelho-Gate]. Não posso causar tumulto dentro do país por conta própria mesmo. Chegou resposta de que vem logo com tropa de extermínio, mas acho que resolvemos sozinhos mesmo. Já recebi autorização pra exterminar bandido, então não deve ter problema mesmo se exterminarmos.
— Droga! Ser derrotado por moleques tipo vocês!
Moleque, será que também inclui eu e a Hiruda. Sendo casados, e tecnicamente com filho aqui… mesmo sendo criança vinda do futuro.
Bom, pra vampiro, tanto eu quanto a Hiruda devemos parecer criança mesmo.
"Zushinzushin", o golem avança com tremor de chão, erguendo o machado em nossa direção. Lento.
— Estilo Espada Lestia, Fórmula Três, Corte de Aço!
A espada da Hiruda, saltando, corta do cotovelo pra baixo o braço do golem montado pelo vampiro. O braço direito grosso segurando machado cai, "dogon", no chão.
— O quê!?
Diante do vampiro surpreso, a Furei se posiciona ergendo grande lança de investida.
— Tei
No estilo de arremesso de lança, a Furei joga com toda força a lança de investida. Aquilo, acho que não é o uso correto dela…
A lança de investida jogada crava no ventre do golem montável, e o vampiro montado é arremessado longe pro chão.
— Gu…!
— Sim, bom trabalho.
— Guaaa!?
Contra o vampiro tentando se levantar, a arma mágica da Kūn dispara choque elétrico sem piedade. O vampiro desaba, "patari", no chão. Opa, não fiz nada de novo…
— O, o chefe foi derrotado!?
— F, foge!
— Não deixo fugir.
— Não deixo fugirrrr.
Com o chefe derrotado, a Furei e a Hiruda derrubam um atrás do outro os bandidos que tentam fugir desesperados.
Não demorou muito até todo o bando de bandidos ficar incapaz de se mover.
— Duque de Brunhild. A ajuda dessa vez, agradeço sinceramente.
— Não, ao contrário, desculpa pela ação por conta própria.
Pouco depois, o Rei Demônio chegou liderando tropa. O Rei Demônio, rei do Reino Demônio de Herugaia, é senhor vampiro.
Senhor vampiro, como diz o nome, é monarca dos vampiros, espécie superior de vampiro que já viveu mais de mil anos. O chefe do bando de bandidos parece ser vampiro também, mas a categoria é diferente.
— Aquele aí era nobre do nosso país originalmente, mas caiu em desgraça. Nunca imaginei que se rebaixaria a bandido.
O Rei Demônio dá suspiro vendo o chefe do bando de bandidos sendo escoltado pelos soldados. Não é que, sendo vampiro, não pode desafiar senhor vampiro, hein.
Diferente de filme ou romance, não parece que os vampiros daqui têm habilidade de subjugar quem tem o sangue sugado.
— Entre raça demônio, tem vários tipos também. No passado, muitos foram oprimidos por humanos. Por isso, tem quem não deseje intercâmbio com humano. Tem também quem diga pra atacar e destruir. Especialmente entre os mais idosos. Ele também é um desses. Não me importo com quem odeia humano. Mas, odiando humano, direcionar isso contra o próprio semelhante, isso não perdoo.
Bom, é. Pra pessoal da vila, isso não importa nada. "Lutamos contra humano por causa de vocês, então nos dê dinheiro e comida", isso é chantagem, nada mais.
— A entrada de Herugaia na aliança ainda é difícil?
— Não, com o intercâmbio com Iguretto, tá se encaminhando pra direção de entrar na aliança. Ainda tem alguns mostrando relutância, mas logo devem ceder.
Isso é bom. Se entrar na aliança, ajuda de vários jeitos. Passo à frente, talvez.
— Aliás, essa criança… é parente de sua esposa?
O Rei Demônio compara a Hiruda e a Furei, dizendo isso. Bom, sendo parecidas, faz sentido pensar que é irmã ou parente mesmo.
— B, bom, mais ou menos isso.
Como não posso explicar em detalhe, respondo assim por ora.
A Furei quase reage "diferente, é minha filha, viu", mas a Kūn tapa a boca dela com a mão. Ótimo trabalho.
De qualquer forma, capturamos todo o bando de bandidos, entregando a Herugaia. Parece que tem recompensa, mas recuso, pedindo que usem na reconstrução da vila atacada. Em compensação, digamos, recebi peças aproveitáveis dos golems quebrados dos bandidos.
Aguardando ansioso a notícia de entrada na aliança de Herugaia eventualmente, voltamos pra Brunhild.
— Gostoso! Como esperado, comida da mamãe Rū é a melhor!
— Você é boa criança!
No refeitório dentro da "Muralha" de Babylon, a Rū, com sorriso radiante, acaricia a cabeça da Furei devorando omelete de arroz caseiro. Que gostoso de comer, hein. O jeito de comer parece com o da Yae. Será que, convivendo junto, acabam se parecendo em algo?
— Muu… invejo a Hiruda-dono, hein…
— A Yae ainda vá lá, a filha já veio a essa era. É luxo, viu.
Diante do resmungo da Yae, a Eruze faz bico. Isso, nesse quesito mesmo. Concentrar as mais velhas aparecendo, será que tem alguma regra na ordem?
— Não, mesmo tendo vindo, sem conseguir encontrar não tem muito sentido, ou melhor, fico só preocupada demais e…
— Opa? A irmã Yakumo ainda não veio?
Enquanto mastiga o omelete, "mogumogu", a Furei pergunta.
Provisoriamente, já chegou, mas, segundo eu explico, dizendo que é viagem de treino guerreiro, percorre vários países, e a Furei dá suspiro grande.
— Aa, bem típico da irmã mesmo. Mas seria melhor vir aqui cumprimentar primeiro pelo menos uma vez, né. Francamente, irmã sem jeito mesmo. Rū-mamãe, mais, por favor!
A Furei, mesmo levemente irritada, continua comendo omelete sem parar, terminando facilmente, pedindo mais. Comemos o mesmo omelete, mas a velocidade é completamente diferente. Não é filha da Yae, né?
— Aliás, quantos anos a Furei tem?
— Nn? Eu tenho onze, sabe. Mesma idade da irmã Yakumo.
A Furei responde à pergunta da Rinze, limpando a boca com guardanapo.
Mesma idade que a Yakumo, hein. Quer dizer que a Yakumo nasceu só alguns meses antes?
Tendo várias esposas, já esperava essa possibilidade, mas…
A Yae e a Hiruda dando à luz no mesmo ano, hein. Deve ser difícil…
Enquanto minha consciência viaja pro futuro por um momento, a Yumina fala comigo.
— Aliás, Touya-san. Sobre a Furei-chan e a Kūn-chan, como vamos explicar pro pessoal do castelo?
— Ah, isso mesmo. Como fazer, hein…
Na verdade, ainda não apresentei direito a Kūn e o pessoal pra todo mundo do castelo.
A Kūn frequentava a cidade abaixo do castelo, mas, desde o primeiro dia, passa a maior parte do tempo em Babylon, e a Furei também trouxe primeiro pra Babylon.
Achei em passar como minha irmã pela idade, mas…
— Vai ser descoberto, né?
— Vai ser descoberto mesmo, hein…
Olhando a Hiruda e a Furei, a Rin e a Kūn, dá pra saber sem dúvida que têm parentesco. Melhor até dizer que são irmãs delas.
Mas, deixando a Rin de lado, a Hiruda é ex-princesa de Lestia, afinal. Mesmo dizendo que é irmã dela, desde quando existiria segunda princesa de Sua Majestade o antepenúltimo Rei de Lestia?
Pode virar até escândalo tipo "não pode ser, filha secreta do antepenúltimo Rei de Lestia!?".
— No fim, não tem jeito a não ser disfarçar com item mágico aplicado com [Miragem]?
— É verdade. Dizendo que é "parente" do Touya-san, deve conseguir aceitação apesar de alguma bagunça, acho.
Nn? Sinto que tem algo estranho nisso, esposa? Isso "bagunçado" também são seus filhos, sabe?
…Bom, tanto faz. Como a Kūn consegue usar [Miragem] sozinha, tá tranquilo, e entrego pra Furei o broche formato de estrela usado no festival pra disfarce.
Naturalmente, configurei pra não fazer efeito conosco. Seria triste conviver com garota desconhecida envolta em ilusão o tempo todo, afinal.
Depois de aproveitar o omelete caseiro da Rū, a Furei logo pede pra ir ao campo de treino da ordem de cavaleiros dentro do castelo.
Nesse tipo de coisa, sinto que é a educação da Hiruda funcionando bem mesmo.
Levando a Furei com broche colocado, descendo pra terra, no campo de treino, como sempre, nossos cavaleiros se dedicavam ao treino. Claro, quem orienta é a Deusa da Espada, irmã Moroha.
— Oro? É o irmão.
— Eh?
A Yae, que veio junto com a Hiruda e o pessoal, solta esse tipo de voz. Olhando, misturado entre o pessoal da ordem, o irmão da Yae, Jūtarō-san, segurava espada de madeira, treinando com a irmã Moroha.
O irmão da Yae, Jūtarō-san, atualmente, pra treino de espada, está hospedado em Brunhild junto com a noiva Ayane-san. Assim, quase todo dia recebe orientação da irmã Moroha.
Como direi, vendo o Jūtarō-san, faz sentido a Yakumo não voltar do treinamento mesmo… loucura por espada é sangue da família Kuju mesmo, hein… ah, foi derrubado.
— Ei, todo mundo tá reunido. Nn? Essa criança é… não pode ser, você é a Furei da Hiruda?! Veio pra cá, hein.
Mesmo com o broche disfarçado colocado, a irmã Moroha reconhece a verdadeira identidade dela com facilidade. Faz sentido, não funciona em raça divina mesmo.
— Ehehe. Cheguei, irmã Moroha.
— Irmã Moroha?
Diante da fala da Furei, fico levemente incomodado. "Irmã", quer dizer o quê? Pela posição, deveria virar "tia Moroha", afinal.
— Nn, é que a irmã Karen disse pra nunca chamar de "tia", tá? Por isso, chamo a irmã Moroha também de irmã Moroha.
Culpa da irmã Karen, hein. Insiste em coisa estranha mesmo… os dois são raça divina, então não vão envelhecer mais… não, talvez seja justamente por não envelhecer que ser chamada de "tia" seja motivo de medo mesmo. Na verdade, é "tia" mesmo, no entanto.
— Quero participar do treino também! Quero fazer combate com a mamãe! Papai, pode!?
Direcionando o olhar em minha direção com olhos brilhantes. Não, isso, será que tá bem… direciono olhar de relance à Hiruda, e ela também assente levemente.
Igual à Arisu do Ende, igual essa criança, por que gostam tanto de lutar contra os pais, hein…
— Sendo treino com espada de madeira, não dá pra trocar de arma usando [Storage], viu?
— Se for isso, tá tudo bem. Tenho bastante arma pra combate também, sabe. Olha!
Quando a Furei balança o braço, na mão dela aparece grande lança com ponta tipo borracha. Entendi. Usando esse tipo de arma de treino, deve treinar aquele estilo de combate.
— Se for isso, deve tá tudo bem… ah, mas não faz nada perigoso, tá?
— Tá bem. Certo, vamos lá.
Com voz arrastada, pulando suavemente, "hyoi", a cerca do campo de treino, a Furei se dirige até a irmã Moroha.
A Hiruda também recebe espada de madeira de um dos cavaleiros, indo na mesma direção até a irmã Moroha.
O irmão Jūtarō-san, derrubado, se levanta, se afastando pra não atrapalhar o combate das duas, vindo em nossa direção. Opa? Falaram algo pra ele.
O irmão Jūtarō-san, virando o pescoço, vem andando até mim e a Yae.
— O que foi?
— Não… aquela criança, será que encontrei em algum lugar antes…? Foi chamada nominalmente "olha bem, tio Jūtarō!".
Tentando lembrar, o irmão Jūtarō-san vira o pescoço de novo.
Aah, é mesmo. Sendo irmão da Yae, mesma mãe que a Hiruda, o irmão Jūtarō-san também vira, tecnicamente, "tio Jūtarō" pra Furei.
— Tio… tio… eu ainda tenho vinte e três anos, viu… será que pareço tão velho assim, hein…?
Talvez chocado com o tratamento de "tio", o irmão Jūtarō-san parece meio abatido. Entendo o sentimento.
— N, não se importa com coisa pequena assim, irmão. Vai ficar careca.
— Ha, careca!? Não, ainda não tô careca, não!?
Com o comentário da Yae, deixamos esse assunto de lado meio incerto. Tudo bem ficar careca, Jūtarō-san. Tem bom remédio pra crescer cabelo em Babylon.
Enquanto conversamos essa bobagem, começa o combate de mãe e filha.