Capítulo 486 – A Posição do Pai, e o Remédio Dourado
— Ah, é o papai.
Opa, reação mais leve do que imaginava, hein… com a Rinze, foi reencontro em lágrimas.
Assim que me vê, a Rinne corre em minha direção. Depois, gira ao redor de mim, da Eruze, da Sakura e da Sū, direcionando olhar fixo sem nenhuma cerimônia.
— O, o que foi…?
— Uuun, exceto a mamãe Sū, quase ninguém mudou muito, hein. Todo mundo só levemente mais jovem. Chato.
— "Chato"…
— Quer dizer não envelheceu muito? Isso deveria alegrar, será?
Enquanto nos entreolhamos, a Rinne infla a bochecha levemente irritada, "puu". Que aparência você tava imaginando, afinal.
— Rinne! E, eu mudei, né!? A eu do futuro é adulta!?
— Eh? É adulta, sim…
Diante da fala da Rinne, a Sū morde a isca. Bom, sendo futuro, faz sentido virar adulta mesmo. Já deu à luz filho, afinal.
— Ou seja, quer dizer que a eu futura ficou boa de corpo!?
— …Aa, sim, talvez. Uhum, deve ser mesmo…
— Assim, hein!
Deu uma força! Agora com certeza essa criança deu uma força! Vendo a Rinne desviando o olhar devagar da Sū, acaricio de leve a cabeça dela. Você é boa criança… sem dúvida.
— Mesmo assim, achei que todo mundo ficasse mais surpreso vendo eu, sabe.
— Não, encontramos a Eruna primeiro, e, incluindo vocês, já é quarta pessoa, viu. No castelo, tem a Kūn e a Furei. Na cidade, a Arisu também veio.
— Ah, a irmã Furei e a irmã Kūn já vieram, hein. A Arisu também? Curioso a irmã Āshia não ter vindo ainda.
Āshia… filha da Rū, né. Vindo assim tão rápido um atrás do outro, papai também tá tendo trabalho, viu.
Enquanto mostro sorriso contraído, a barriga da Rinne ronca, "gururuu…".
— Mamãe, tô com fome…
— Eh? Ah, a Rinne ainda não almoçou? Umm… tem algo que quer comer?
— Quero comer repolho recheado que a mamãe faz! Grande!
Quando fui à Terra, a Rū comprou vários livros de receita do mundo inteiro na livraria. Graças a isso, quase tudo já dá pra comer em Brunhild. Isso também é fruto do esforço incansável dela, mas a Rinze também ajuda bastante, então já consegue fazer coisas até certo ponto.
— Repolho recheado demora tempo, então melhor deixar pra quando voltarmos. Por ora, come isso aqui, pelo menos.
Tiro do [Storage] bolinho de arroz grande, entregando pra Rinne.
— Wa! Papai, obrigada! Vou comer!
Animada, abrindo bem a boca, "baku", a Rinne devora o bolinho de arroz. Que gostoso de comer, hein.
Enquanto a Rinne mastiga, "mogumogu", a Rinze tira o grão de arroz grudado na bochecha dela. …Como direi, aconchegante.
Na aparência, mini-Rinze, então, vendo isso, só parece irmãs mesmo.
— Rei, por ora, vamos voltar. Todo mundo também esperando.
— Opa, é mesmo.
Incentivado pela Sakura, abro [Gate] pra Brunhild. Depois mando e-mail de desculpa pro Rei-fera e pro Gurātsu-san.
— Então vamos todos voltar. A Kūn e a Furei com certeza também esperando────
— Ah, papai. Nosso smartphone caiu no Grande Rio Gau. …Consegue recuperar pra gente?
— Ah, uhum… tá bem…
— Obrigada! Mamãe, vamos!
Puxando a mão da Rinze, a Rinne atravessa [Gate]. Com sorriso contraído, a Eruze e a Eruna mãe e filha também seguem, e a Sakura e a Sū também partem.
— Bom, tanto faz… já pensava em recuperar mesmo, então não tem problema…
Abro de novo [Gate] conectando ao Grande Rio Gau.
Finalmente encontrando os dois smartphones no fundo do rio, voltando ao castelo, as duas filhas recém-chegadas dormiam com respiração leve no colo das respectivas mães.
— As duas dormiram?
— Sim. Devem estar cansadas mesmo…
— Faz sentido. Mesmo sendo só dois, três dias, ficaram sozinhas só as duas crianças o tempo todo. Com certeza estavam ansiosas.
Na mesa onde provavelmente comeram repolho recheado, sentadas cada uma em sofá comprido diferente, dormiam igualmente a Eruna e a Rinne. No colo, dormindo as filhas, a Eruze e a Rinze acariciam com carinho o cabelo delas.
Parece que a Eruna e a Rinne tinham carteira mesmo, então se hospedaram normalmente na pousada. Precisamente, a Rinne não tinha, mas a Eruna carregava. Bom, que bom não ter tido problema grave.
— Estranho, hein… estar assim com criança que ainda nem dei à luz. Não só na aparência, sinto do coração que essa criança é minha filha mesmo.
— Uhum… é tesouro… muito precioso, hein, irmã.
"Fufu", as duas mães se entreolham sorrindo.
— Certo, do jeito que tá, podem pegar resfriado, então vamos levar as duas pra cama. [Levitation]
Flutuando suavemente, "fuwatto", a uma altura de um metro, a Eruna e a Rinne são levadas até o quarto. Sendo duas crianças, deve tá tudo bem numa cama só.
— Touya-san, não pro quarto de lá, será que dá pra levar pra cá? Isso, também queremos dormir junto…
Eh? Ah, se for isso, tá bem então… aquele lado é cama bem grande, então, mesmo dormindo os quatro enfileirados, deve tá tudo bem. Mãe e filha, enfileiradas… não, sendo quatro, não fica em fileira de rio, né.
Deito a Eruna e a Rinne na cama grande conectada. As duas parecem trocar pro pijama e dormir assim mesmo.
— Então, boa noite.
— Uhum, boa noite.
— Boa noite
Diante das duas sorrindo felizes, dou o cumprimento de despedida, saindo do quarto. É mesmo, ainda nunca dormi junto com os filhos, hein. Pensando isso, fecho a porta, "batan".
— Rinne!
— Arisu!
"Dadada!", correndo, e, pensei que fossem se abraçar, de repente começa troca de socos. As duas rindo, então deve ser alegria do reencontro, diversão, mas fico com o coração apertado assim mesmo. Vocês, o que tão fazendo diante do portão do castelo, hein. Os cavaleiros guardas do portão tão atônitos, viu…
— Espe, Touya!? Que educação você deu pro seu filho, hein!?
— Nem quero ouvir isso de você. É parecido, né…
Enquanto o Ende se apega a mim desesperado, as três mães da Arisu observam a filha em silêncio, tranquilas.
— Ai ai, que divertido, hein.
— Fumu. Força parecida com a da Arisu. Mas a Arisu é mais fofa.
— Concordo fortemente.
Ei ei, espera um pouco. Minha filha é mais fofa, com certeza. Esses olhos são furos vazios? Justamente quando penso em reclamar, o Ende se apega de novo.
— T, tá tudo bem, né!? Não vai se machucar, né?
— Fica tranquilo. Se machucar, cura direitinho. No futuro, parece que era rotina diária mesmo. Treinar assim as duas. Né, Eruna?
Direciono o olhar à Eruna, trazida junto pra encontrar a Arisu.
— Uhum. As duas têm estilo de combate parecido, então… sempre competiam assim. E o tio Ende sempre ficava desesperado desse jeito também.
— Tio Ende…
Talvez chocado com a palavra "tio", o movimento do Ende para. Atrás, "puf", as três, Meru e o pessoal, continham riso prestes a explodir.
Sendo pai da amiga, "tio" é correto mesmo, né. …A Arisu me chama de "Majestade" pelo menos, então isso ajuda.
Enquanto respiro aliviado sozinho, cruzo o olhar com a Eruna puxando minha manga, "kuikui".
— Papai, acho melhor parar logo. Aquelas duas não desistem nenhuma delas, então continua sem fim, viu?
— Opa, é mesmo. [Gelo, cerca ao redor, grande estalactite, Pilar de Gelo]
— Wa!?
— Hya!?
Ao redor da Rinne e da Arisu, um atrás do outro, pilares de gelo se erguem do chão, cercando as duas. Com o movimento bloqueado, tentam quebrar a soco, mas, do lugar quebrado, outro pilar de gelo cresce de novo, e, eventualmente, desistindo, ergem a voz.
— Papaaai! Isso atrapalhaaa!
— Chega por aí. Vai ver a cidade abaixo do castelo, né? O tempo de brincar vai acabar, viu?
— Verdade mesmo…
Que bom entender. Cancelo a magia [Pilar de Gelo].
Ao mesmo tempo, do lado do castelo, chegam a Eruze e a Rinze.
— Mãe
— Mamãeee!
A Eruna e a Rinne correm cada uma até a própria mãe.
— Desculpa, deixamos esperando.
— Desculpa, desculpa, atrasei um pouco.
Segurando a mão das filhas, as duas pedem desculpa pra Arisu e Meru e o pessoal. Hoje tá decidido que todo mundo vai sair junto. Bom, mas eu e o Ende ficamos cuidando da casa.
Parece que tem muito assunto pra conversar entre as mães. Será que pais devem conversar entre pais?
— Volto até o entardecer. Contamos com vocês.
— Então, Touya-san, vou indo.
— Vou indo, papai.
— Papai, então tchau!
— Vamos, Arisu.
— Uhum! Eu, sabe, quero comer parfait!
— Endimyon, faz caril no jantar.
— Kariē… não, kariē com katsu… não, kariē de dragão.
Dizem que quando três mulheres se juntam, vira barulho, mas, incluindo crianças, sendo oito, é absurdo. Bom, sempre sinto isso na pele, no entanto.
— «« Bom passeio… »»
Junto com o Ende, mando todo mundo embora diante do portão do castelo. Depois que todo mundo desaparece de vista, ambos, sem combinar, soltamos suspiro.
— Como direi… comparado à mãe, o pai não tá sendo tratado meio levianamente, hein?
— Aai, bom, sinto isso também… sendo filha, não tem jeito, né? Ainda bem que não é odiado, penso.
Sentimento indescritível pros dois, mas, bom, só resta aceitar que é assim mesmo. No fim das contas, pai não consegue vencer a mãe mesmo.
— Certo, preciso voltar pra casa e preparar o kariē…
— Você tá parecendo tão de casado, hein…
Sendo que vai casar, talvez não seja estranho, mas achei que fosse coisa do lado da esposa.
— Touya, se tiver carne de dragão, vende pra mim. Não quero sair pra caçar de propósito.
— Não, tenho sim, mas. Por que você não tem? Você também caça bastante dragão, né?
Esse aí, mesmo assim, é aventureiro rank ouro igual a mim. Deve ter recebido pedido nominal de dragão-menor, tipo dragão terrestre ou dragão voador, várias vezes.
— Hahaha. Carne de dragão que levo pra casa, como sobraria. Some no mesmo dia.
— Aah, entendi…
O Ende olha longe com riso seco. Aquelas três comem mais que a Yae, hein… o coeficiente de gasto com comida da casa dele deve ser absurdo.
Sentindo algo tipo pena, cedo carne de dragão por preço bem baixo.
O Ende foi até a cidade procurar ingrediente pro kariē, então eu também decido fazer meu trabalho de rei.
Ontem, larguei o trabalho da tarde e fui pra Misumido… o Kōsaka-san me deu um leve sermão.
Que bom que foi depois dos filhos dormirem. Quase perdi a dignidade de pai. Não sei se existe algo assim mesmo.
Desde que os filhos chegaram, tomo cuidado à minha maneira pra não mostrar figura estranha. Tecnicamente, sou rei e pai, afinal. Será que o eu futuro também sofre com esse tipo de coisa…
Três dias se passaram desde isso.
— Aizengarudo?
— Sim. Bastante conturbado. Faz sentido, sem o pilar que era o Rei Mágico, deve ter grande impacto.
Recebo esse relatório da Tsubaki-san, chefe do time de inteligência, na sala de trabalho.
Aquele país, pra bem ou pra mal, era país sustentado pelo rei ditador chamado Rei Mágico. Bom, se a própria pessoa tinha sentimento admirável tipo "pelo bem do país", isso é duvidoso, mas é fato que o país prosperava graças a essa força técnica.
Quando o rei, cérebro daquele país, caiu, Aizengarudo não tinha sucessor. Não, aquele velho ciborgue provavelmente pretendia viver pra sempre, então não faria sentido criar sucessor mesmo.
Aizengarudo se separou do continente devido ao efeito da chuva de meteoros caída na fusão dos mundos. Até o Império de Garudio e o Reino Guerreiro de Rāze, conectados por terra, viraram continente separado por mar.
Pra bem ou pra mal, talvez porque não precisasse mais considerar invasão de outros países, igual à época de Eurono, Aizengarudo se dividiu em algumas facções. Diferente da época de Eurono, ninguém mirou o lugar do sucessor do Rei Mágico.
Diferente de Eurono, que disputou o trono imperial pra unificar o país, Aizengarudo estava se formando pacificamente como algumas cidades-estados, mas, quando a Yura fez surgir a grande árvore dourada, começou a transformar os moradores de Aizengarudo em espécie variante.
Com a destruição da grande árvore por nós, a situação se acalmou, mas a região norte de Aizengarudo, onde muita gente virou variante, parece ter ficado bem conturbada.
— Nesse meio tempo, parece que, no sopé da Árvore Sagrada onde espíritos se reúnem, está se formando nova cidade. Como quem tá lá não pega a mutação… localmente, chamada de "Doença da Flor Dourada", mas…
"Doença da Flor Dourada"? Aah, deve ser porque, quando pessoa que recebeu esporo da árvore gigante variante morre, ao virar variante, floresce flor dourada na cabeça.
De fato, aquela Árvore Sagrada tem poder de purificação, incluindo veneno divino-demoníaco, mas, agora que o deus maligno foi derrotado, não tem mais essa preocupação, então não faz sentido mesmo.
— Aproveitando isso, parece que remédio dizendo que evita pegar a Doença da Flor Dourada está circulando na região sul. Segundo dizem, é feito triturando galho da Árvore Sagrada, e, bebendo regularmente, tem efeito de purificação.
— Triturar a Árvore Sagrada? Ah, isso é golpe. Os espíritos que vivem ali não deixariam isso acontecer.
Como direi, sinto que depois de desastre, sempre surge esse tipo de golpe. Deve ter muita gente aproveitando a ansiedade das pessoas pra ganhar dinheiro.
Já que não vai mais acontecer mutação de novo, será que a situação facilita esconder que o remédio é falso?
— Por favor, espalhe informação na região sul de Aizengarudo de que "ninguém consegue machucar a Árvore Sagrada protegida pelos espíritos". Que esse remédio é golpe. Se ninguém mais comprar, deve se acalmar.
— Entendido.
Diferente da época de Eurono ou Sandra, não parece ter turma agindo nas sombras com rancor contra mim.
Bom, no caso de Aizengarudo, deve ser que, livre do jugo da política de terror digamos ditatorial do Rei Mágico, o continente inteiro tá em confusão, sem tempo pra isso.
Naturalmente, comparado a antes, a segurança tá pior, e tipo bandido ou salteador aumentou, dizem. Faz sentido golpe também prosperar.
Depois de terminar o relatório, a Tsubaki-san sai da sala de trabalho, e chega som de bater na porta.
— Sim, entra
Erguendo o olhar dos documentos, direciono o olhar à porta, e a Eruna, hesitante, "mojimoji", espia pela fresta da porta.
— Isso, papai, será que posso incomodar um pouco?
— Pode sim. O que foi?
Hesitante, a Eruna entra na sala de trabalho. Essa criança, diferente da mãe Eruze, tem lado levemente retraído. Nesse aspecto, parece com a Rinze mesmo. Na aparência, é mini-Eruze, no entanto.
— Isso, a arma que a mamãe Rinze usou no torneio de artes marciais dias atrás, isso, aquilo, eu também queria…
— Arma? Ah, aquele bastão, hein.
Quando a Rinze e a Rinne lutaram, o bastão curto em formato de estrela entregue à Rinze. Quer aquilo, hein.
— Contra monstro que não sofre efeito de magia, eu fico sem conseguir fazer nada… mas também tenho medo de lutar avançando… com aquilo, deve dar certo, achei…
Entendi. Mas aquilo, pra Rinze usar, tá tudo bem, mas talvez seja levemente grande demais pra Eruna.
Fumu, aqui, papai vai presentear novo bastão, hein.
— Certo, então vamos criar novo especial pra Eruna. Que tipo de design gosta?
— O, obrigada, papai!
Sorrindo radiante, "paaa!", a Eruna. Fofa. Nossas filhas são anjos, será? Idiota apaixonado por filha também vira assim mesmo. Como não virar seria estranho mesmo.
Tiro do [Storage] material pra criar bastão pra Eruna.
Conversando isso e aquilo, entramos no trabalho de criação, passando um tempo de pai e filha a sós.
— Essa moleque desgraçada! Não atrapalha, oras!
A faca segurada pelo bandido avança em direção à garota. Esquivando por um triz, a garota agarra a mão estendida do bandido, torcendo até o limite, arremessando o adversário no chão só com um braço.
— Guee!?
A garota, postura digna, bate as mãos. Vestindo hakama vermelho vinho, kimono estampado violeta, botas de cadarço, garota tipo estudante do estilo era Taishō da Terra, mas, na cintura, tem espadas curta e longa perigosas.
O cabelo é longo até a cintura, franja alinhada bonita acima das sobrancelhas. Olhos pretos, cabelo preto. Aqui, em Aizengarudo, cor quase nunca vista.
— Com isso aprendendo a lição, para de fazer negócio tipo golpe, sabe… para. Aproveitar da ansiedade das pessoas pra ganhar dinheiro é ato mais baixo que existe.
— Gu…!
O homem levantado recua cambaleante, fugindo em disparada feito coelho. Não esquece nem a fala de despedida típica de vagabundo.
— Vou lembrar de você!
— Infelizmente, não pretendo lembrar, não.
Olhando de relance o homem fugindo de forma patética, a garota pega um dos envelopes de remédio espalhados no chão. É remédio falso que o homem de agora há pouco vendia.
— Remédio triturado da Árvore Sagrada, viu… pensando um pouco, dava pra perceber. Não, será que nessa era, ainda não é tão conhecido assim sobre a Árvore Sagrada?
A garota, por curiosidade, abre o envelope de remédio. Dentro do papel de embrulho de remédio, tinha o que parecia pó de remédio, e, vendo isso, a testa da garota franze levemente.
— Remédio dourado…?
Dentro do papel de embrulho de remédio, tinha pó dourado brilhante, tipo pó de ouro, não, tipo pó de ouro fino, na quantidade de uma colher de chá.
De fato, se dissessem "isso é galho triturado da Árvore Sagrada", teria atmosfera preciosa suficiente pra acreditar.
Mas a garota sente algo perturbador no brilho desse pó. Intuição, pode-se dizer. Sentiu suspeita nesse remédio.
— Se fosse o pai, analisaria na hora, mas.
Lembrando do pai que tem magia de análise, a garota guarda de volta o papel de embrulho de remédio, recolhendo os que caíram, colocando no bolso interno.
— Melhor investigar um pouco, digo… kohon, vamos ver.
Contendo o sotaque natural que escapa quando descuidada, a garota começa a seguir o homem que fugiu agora há pouco.