Capítulo 501 – A Apresentação de Pai e Filha, e o Circo
Melodia bonita flui pelo quarto todo.
Dedos se movem em ritmo leve, marcando compasso batendo nas teclas.
"Grande Valsa Brilhante". Uma das valsas compostas por Chopin, junto com "Valsa do Cachorrinho", especialmente famosa. Mesmo sendo música criada na juventude, é música charmosa bem à moda de Chopin.
Quem toca isso facilmente, sentada diante do piano, é minha filha com a Sakura, Yoshino.
A Yoshino tem talento não só pro canto, também pra tocar instrumento. Sinceramente, muito superior a mim. "Grande Valsa Brilhante", achava que pra criança, com mão pequena, seria bem difícil de tocar.
Sem mostrar dificuldade nenhuma, a Yoshino toca até o fim, levantando-se da cadeira, curvando com reverência.
Ao mesmo tempo, todo mundo, embriagado pela música, envia aplauso. Eu também elogio de coração, batendo palma com entusiasmo. Minha filha, gênia!
— Música boa. A Yoshino é incrível.
— Ehehe. Kaasama, obrigada.
A Yoshino se agarra com força na Sakura que aplaudia. Aqui do lado, o papai também tá presente, viu. Fico levemente frustrado.
— A Yoshino consegue usar magia através de apresentação musical, sabe.
— Através de apresentação?
Diante da minha pergunta, não entendendo bem a fala da Furei, a Yoshino tira o smartphone, ativando algum aplicativo.
Então, do smartphone, dispara faixa de luz, fixando-se diante dela. Aquilo, tipo vidro semitransparente, era teclado brilhante flutuando no ar.
— Com esse teclado, ativo magia. Se chama "magia de apresentação", dizem que o princípio é igual à "magia de canto" da kaasama. Conforme a música, o efeito muda.
— Incrível, hein… isso, quem deu?
— O irmão Sōsuke me deu.
Nesse timing, "shararan", tocando alaúde, o irmão Sōsuke aparece. Oou. Desde quando…
Feito pelo próprio irmão Sōsuke, deus da música, é? Isso não seria artefato divino? Eh? Não sendo alimentado por poder divino, não é artefato divino? Entendi.
Ou melhor, quem deu isso pra Yoshino deveria ser o irmão Sōsuke do futuro, né. Como esperado, os deuses existem simultaneamente em linhas temporais diferentes? Existindo simultaneamente sem relação com passado, presente, futuro, existindo tipo mesmo clone?
Enquanto penso em algo que dá nó na cabeça, a Yoshino ativa o aplicativo, dessa vez invocando algo tipo flauta brilhante.
— Tem vários outros tipos de instrumento também, sabe.
— Entendi. Ou seja, usa conforme a situação. Igual ao tipo de troca da Furei.
Mas isso, com certeza, tem proteção do deus da música mesmo, hein… provavelmente não é tipo diretamente de combate, mas humano comum deveria ficar incapaz de fazer nada contra isso.
— Mas eu prefiro tocar normalmente do que usar pra combate. Quando eu toco e a kaasama canta, todo mundo fica feliz.
Não, bom, deve ser unidade forte mesmo. Se vender algo tipo CD, será que vende absurdamente.
— Tousama, vamos tocar juntos! Dueto!
— A… se for algo simples…
Nível diferente demais, viu!? Técnica superavançada, impossível, viu!?
Depois disso, tocamos dueto e a Sakura cantou, virando mini-concerto de pai e filha.
Foi divertido, mas fiquei desesperado pra não errar, então fiquei absurdamente exausto…
Com sexta criança já reunida, fica bem animado mesmo.
Criança hospedada no castelo como "parente", mas já se acostumou facilmente com a vida no castelo… não, sendo desde quando nasceram, faz sentido tá acostumada mesmo.
Mais que "casa de outra pessoa acostumada", é "própria casa", afinal.
Agora, cada uma vive conforme a própria vontade. A Kūn sobe pra Babylon, criando algo suspeito com o Doutor e o pessoal, e a Furei brinca alegre girando espada com o pessoal da ordem de cavaleiros.
— Opa… assim?
— Isso mesmo. Então, próximo, nesse ponto…
A Rinze e a Eruna tricotam amigavelmente no salão. Enquanto isso, no campo de treino, a Eruze e a Rinne fazem luta corpo a corpo intensa.
Às vezes, essa dupla de mãe e filha troca combinação, mas às vezes fica mais natural assim mesmo. Deve combinar em personalidade.
A Āshia continua se dedicando testando novos pratos na cozinha como sempre. De vez em quando, parece que vai caçar presa com a irmã Karina. Recebi o comentário de que quer selecionar até o material com cuidado.
A Yoshino sai por aí de vez em quando com [Teleport]. Atualmente, isso é o maior motivo de preocupação. Provisoriamente, pedi pra Ruri acompanhar como supervisora, e avisei pra voltar até a noite não importa o que aconteça, e não ir por conta própria pra outro país.
Se causar problema em outro país, seria ruim, afinal…
Quando reclamo que quem consegue magia de teletransporte é tão incômodo assim, o Kōsaka-san sorriu, "nikkori", dizendo "que bom que entende". Não, isso, sempre causando problema…
Feito fugindo, venho até o "Laboratório" de Babylon.
Parece que terminou a análise daquele homem-peixe que atacou a Ilha de Aroza.
Ao entrar no "Laboratório", no laboratório onde o tal homem-peixe está deitado dentro de cápsula, esperam a gerente do "Laboratório", Tika, e a gerente do "Prédio de Alquimia", Furora.
— Concluindo desde já, esse homem-peixe é "humano".
— Ha?
A Tika, gerente do "Laboratório", diz isso sem introdução. Humano? Esse aí? De qualquer ângulo, parece homem-peixe, viu.
— Precisamente, é "ex" humano, sim. Corpo humano como base, sintetizado com outro ser vivo, tecido reformulado… ou seja, "besta sintética".
— Besta sintética, é?
Diante da palavra dita pela Furora, do "Prédio de Alquimia", sem perceber, solto essa voz.
— Quimera, já ouvi falar, mas…
— Quimera é fera mágica com cabeça de leão e cabra, cauda de serpente. Isso é coisa completamente diferente.
— Esse homem-peixe é monstro nascido sintetizando de algum método humano e fera mágica tipo peixe. Tem característica de peixe, e provavelmente também sabedoria humana, ser vivo de espécie diferente.
Ser vivo de espécie diferente. Quer dizer que criaram novo ser vivo.
Provavelmente, o que deve ser fonte desse poder é aquele cristal azul embutido no homem-peixe.
Tanto pelo poder daquela maldição quanto por isso, é certo que poder de deus maligno agia sobre esse homem-peixe. Digamos, esses aí são tropa de choque dos apóstolos do deus maligno.
— Humano mordido também vira homem-peixe?
— Isso mesmo, é "maldição". Mas não parece se espalhar tipo doença infecciosa. Só quem tem cristal deve ter "maldição", provavelmente.
Fumu. Ou seja, quer dizer que não se espalha em cadeia. Se for demais, eu e a Eruna sozinhos não daríamos conta. Talvez precise preparar item mágico aplicado com [Recovery].
— Mas por que fizeram isso, afinal…
— É suposição, mas. Achamos que o objetivo era extrair "medo", "ansiedade", "desespero" das pessoas através da "maldição".
…Possível mesmo, hein.
Deus maligno transforma em força o sentimento negativo das pessoas. Todo humano tem esse tipo de sentimento, mas a maioria normalmente não expõe isso.
Como método pra extrair isso, "maldição" é técnica sutil mesmo.
"Medo" do desconhecido, "ansiedade" do incompreendido, "desespero" impossível de resolver. Consegue gerar isso em cadeia.
Mais que tudo, isso se propaga até quem não recebeu a "maldição". Conhecido cai por doença de causa desconhecida. "Medo" de que talvez seja a próxima pessoa.
Exatamente o que eles esperam. Será que o objetivo mesmo é ressuscitar o deus maligno, afinal?
— Aliás, mestre. Acho que dessa vez me esforcei bastante, sabe.
— Eh? Bom, é isso mesmo…
De repente, a Tika avança, propondo isso. Eh, o quê? Recebendo demonstração súbita de "me esforcei" assim.
— Você deveria me dar recompensa por isso, mestre. Precisamente, permissão pra convivência nu-com-nu tipo kya-kya-uhuhu no banho com as filhas!
— Recusado, sua idiota.
Com cara completamente séria, o que tá falando!? Como sempre, essa lolicon desastrada!
— Por quêê!? Só eu tenho proibição de contato com as crianças, injusto!
— Faz sentido óbvio, oras! E se, perseguida por pervertida tipo você, ganharem trauma estranho, o que faz!?
— Nesse caso, assumo responsabilidade casando!
— Você tá proibida de sair do "Laboratório".
— Que cruel!
O que é cruel, hein. Isso, sim, é bem cruel. Tenho obrigação como pai de proteger a segurança dos filhos. Não vou deixar pessoa perigosa se aproximar.
Diante da Tika reclamando, "buubuu", dessa vez, dirijo-me à "Oficina" de Babylon. Provavelmente, ali deve tá a Kūn. Espero que não esteja criando algo estranho de novo…
Entrando na "Oficina", a Kūn tava montada em algo incompreensível.
Não, não é incompreensível. Aquilo é igual à máquina pesada de construção civil, Doverugu, desenvolvida pelos anões.
Só que o tamanho tá mais compacto. A parte da cabeça e do peito virou assento exposto, e o motor mágico parece tá na parte das costas. Braço e perna, curtos mas robustos, dois de cada, presos ao corpo.
Numa olhada, parece traje motorizado, mas não cobre as mãos e pés da própria Kūn, então deve ser tipo veículo mesmo.
Usando esse veículo, a Kūn tava empilhando algo tipo bloco.
— O que é isso, hein…
— Experimento de funcionamento de máquina protótipo simples. Achei que, combinando tecnologia de Frame Gear com tecnologia de golem, conseguiria criar máquina de trabalho bípede humanoide mais compacta e de alto desempenho.
Diante da minha voz levemente atônita, o Doutor Babylon se aproxima com cara orgulhosa, "doya". Não, o que tá fazendo minha filha fazer, hein.
— Batizei de "Āmudogia". Era pra ser brinquedo exclusivo da Kūn, mas ficou bem bom, né? Trocando armamento, dá até pra enfrentar uma divisão inteira.
— Não dá brinquedo perigoso sem permissão do pai, viu.
Não importa como eu pense, isso ultrapassa o limite de brinquedo, oras. Francamente… melhor avisar um pouco, hein?
— Ah, papai! Olha isso, por favor! Incrível, né!? Eu que fiz!
— Ooh, incrível mesmo. Fez direitinho! Que legal!
— Fufu, naturalmente!
Mugu. Dita com sorriso tão radiante assim, não consigo retrucar nada mesmo…
Virando-me, o Doutor observava pra cá com sorriso travesso, "niyaniya".
— Típico pai idiota apaixonado pela filha, hein. Que interessante como isso muda a pessoa ao virar pai, francamente.
— Cala boca…
Justamente por ter consciência disso, não consigo retrucar nada. Acho que mimo demais, mas também penso que, pelo menos enquanto estiverem neste mundo, tá tudo bem.
Bom, nossa filha é fofa, não tem jeito mesmo!
Enquanto penso essa desculpa esfarrapada, diante de mim, "shu!", aparece a Yoshino junto com a Ruri escalada como acompanhante.
— Yoshino, não fica se movendo de repente com [Teleport] assim, viu…
— Tousama! Chegou algo interessante! Sakasu! Sakasu!
Sendo que tem histórico de falha com [Teleport], eu tentava avisar a Yoshino, mas, diante da filha com tensão absurdamente alta, fico sem conseguir continuar a fala.
…O que é "sakasu"?
— Ruri?
『É "circo", meu senhor.』
Sem entender o significado, pergunto pra Ruri acompanhando, e ela responde isso.
Circo, hein. Circo chegou, é. Circo, ou seja, trupe de acrobacia.
Neste mundo também existe trupe de circo, viajando de cidade em cidade fazendo apresentação. Uma vez já vi de relance na capital de Belfast, mas nunca entrei pra ver de verdade.
Segundo o que ouvi, tem certa diferença do circo do nosso mundo, também fazem tipo teatro, canto, dança. Ao contrário, mágica ou apresentação com animal parece ser rara. Talvez seja porque, neste mundo, tem magia e criatura invocada.
— E, esse circo, o que tem?
— Parece interessante! Tem vários números, parece divertido! Vamos ver todos juntos! Olha, peguei até o panfleto!
A Yoshino estende diante de mim um panfleto. Deixa eu ver…
『Aplauso mundial! Trupe de circo de fantasia e encanto, Companhia Konpuretto, finalmente chega a Brunhild!』… hein.
"Aplauso mundial!", veio com isso. Sinto cheiro parecido com "América inteira chorou!", mas, sem confiança nisso, não diriam algo assim. Será trupe de circo bem famosa? Nunca ouvi falar.
— Ah, tem circo chegando? Parece interessante.
— Né! Irmã Kūn, vamos junto também!
A Kūn, ouvindo nossa conversa, fala conosco ainda montada no "Āmudogia", de cima.
Circo, hein… bom, eu também nunca vi, então fico levemente curioso.
Talvez desse pra convidar ao castelo, mas melhor ir disfarçado pra ver, talvez.
As crianças também parecem animadas, vamos convidar todo mundo pra ir.
— Circo, é? Parece interessante mesmo.
A Yumina responde isso olhando o panfleto trazido pela Yoshino. Parece que as esposas também estão animadas.
— Yumina já viu circo?
— Só uma vez. Chamei pro castelo de Belfast pra apresentação. Tinha vários números, foi divertido.
Opa, chamou pro castelo, hein. Como esperado, nascida de família real, né. Sua Majestade o Rei de Belfast gosta desse tipo de evento mesmo. Gosta de teatro também.
A Rin, ouvindo nossa conversa, também entra na conversa.
— Eu também já vi uma vez. Em Misumido. Fui junto com Sua Majestade o Rei-fera. Aquele tipo que joga faca e machado no ar, girando vários, foi impressionante.
Malabarismo, hein. Faca ainda vá lá, mas machado, o quê… assustador.
— Também tem teatro, hein. O que vão apresentar? Quero ver algo tipo romance.
— Eu fico curiosa com esse "Levantamento de Peso do Homem Forte". Será que dá pra participar de improviso?
A Rinze e a Eruze também observam animadas o panfleto. Participação de improviso, por favor, não. Considera a posição do homem do levantamento de peso, por favor…
A Eruze, mesmo sem usar [Boost], acho que consegue levantar rocha de cem, duzentos quilos tranquilamente. Usando [Boost], talvez consiga levantar até uma tonelada.
…Só agora percebendo, mas será que a apresentação corporal do circo, pra nossa família, viraria "incrível!" mesmo?
Andar na corda bamba, ou andar sobre bola, será que só pensariam "ah, isso eu também consigo fazer"…
Se for isso, também fico preocupado que a expectativa das crianças suba demais…
Olhando os números, como disse a Rinze, tem teatro, canto, dança também… será tipo musical? Se for isso, acho que dá pra assistir com prazer.
Ah, esse "Homem Contorcionista" deve ser impossível pra nós.
— Melhor não chamar o circo pro castelo, talvez.
— Vai gastar um dia inteiro, né. Também quero que o povo da cidade veja.
Como diz a Rū, em vez de chamar, decidimos ir assistir. Disfarçando a aparência com [Miragem], deve tá tudo bem.
Perguntei agora há pouco ao Kōsaka-san, e parece que o circo vai armar tenda no lugar aberto ao sul da praça central. Naturalmente, já dei autorização.
— Todo mundo, é primeira vez com circo?
— Uhum. Nós não vimos muito teatro. Mas "filme" e "anime", o papai mostrou bastante.
Diante da minha pergunta, a Furei responde. Teatro também? Por que mesmo?
— Fufu. No futuro, os números populares são quase todos histórias sobre o papai, sabe. O papai não gosta e não leva a gente.
Eh, o quê, isso? Primeira vez ouvindo isso!?
Diante do fato contado rindo pela Kūn, sem perceber, congelo. Sobre mim? Eh, isso quer dizer história baseada em mim, tipo "Princesa Yumina e o Herói Tōya" escrita pela princesa escritora de Rīfurīsu!?
— Ah, eu já fui ver escondida uma vez. História de como o papai e a mamãe se conheceram. "A Aventura do Herói Tōya, Episódio 4: A Rebelião do Império".
— «« O que é isso!? »»
Diante da fala da Āshia, grito junto com a Rū sem perceber. "Rebelião do Império", quer dizer aquele incidente do golpe de estado no Império de Regulus!? De fato, encontrei a Rū justamente nessa época, mas!
— Quando o papai desafiou o general que causou a rebelião pra duelo um contra um, a cena final onde derrota o adversário com o golpe secreto Tōyasurasshu foi a melhor cena!
Espera, não conheço esse golpe secreto sem graça, viu!? Naquela hora, enfiei o general na Caixa de Lodo, incomodando até desmaiar! De fato, talvez fosse cena difícil de fazer em teatro, mas!
Como direi, virou algo absurdamente modificado… isso já não é nível de "adaptação", é. Chegando a esse ponto, é coisa completamente diferente, francamente…
Entendo o sentimento do eu futuro de não querer levar os filhos. Faz sentido não gostar mesmo.
— Fico um pouco curiosa em ver isso, hein…
— Não, não é nossa história, viu!? É história inventada, completamente!
Aconselho a Rū, que parece não se importar tanto assim. Deve estar tipo "essa história é ficção. Pessoas, organizações, nomes que aparecem são fictícios, sem relação com fatos reais", né!?
Pela primeira vez, talvez tenha pensado seriamente em querer mudar o futuro… droga.
Depois disso, descobri com desespero que "A Aventura do Herói Tōya" tem até episódio 9.