Capítulo 504 – O Príncipe do Palco, e o Príncipe Errante
『O quê!? Perdeu aquela carta, você diz!?』
『Perdão! Provavelmente, alguém dentro do castelo deve ter levado embora…』
Sua Majestade o Rei, com rosto pálido, aperta o primeiro-ministro. Faz sentido, a carta que o primeiro-ministro perdeu é carta de amor que Sua Majestade escreveu endereçada à cantora mais famosa do reino.
Pra entregar em segredo à cantora, o primeiro-ministro, recebendo a carta, sem querer, esqueceu no salão. Correndo de volta apressado, mas a carta já tinha sumido sem deixar vestígio.
『Se por acaso essa carta caísse na mão de Sua Majestade a Rainha…』
『T, terrível o que tá dizendo! Eu ainda não quero morrer, viu! P, precisamos encontrar essa carta de qualquer jeito…!』
O rei, apavorado, sai do quarto junto com o primeiro-ministro. No caminho, batendo apressado o pé na cadeira, pulando com dor num pé só. Da figura fugindo tropeçando, ecoa risada da plateia.
— Se tem tanto medo assim, melhor não trair, né.
— Por que faz esse tipo de coisa, hein?
Ouço voz da Kūn e da Furei atrás de mim. Não deveria ter nada suspeito, mas por que fico com o coração disparado sem motivo, hein. Será porque também sou rei?
Ou melhor, será que tá certo mostrar isso pras crianças?
A peça começada da tarde, "Crônica da Confusão da Corte", é história tendo como protagonista uma garota plebeia que, por acaso, veio a trabalhar como criada do palácio real.
Ela pegar a carta mencionada agora há pouco desenha comédia caótica das pessoas vivendo no palácio real.
Rei apaixonado pela cantora, rainha querendo se intrometer nos casos amorosos alheios. Primeiro-ministro de olho em dinheiro, capitão da ordem de cavaleiros fanático por espada que não lê o ambiente. Chef desastrado, e chefe das criadas vaidosa, cada personagem tem individualidade, e o desfecho da ação de uma pessoa acaba tendo grande influência nas outras.
Ou melhor, será que tá tudo bem com esse tipo de gente, esse país…
Sem se importar com minha preocupação, no palco, o rei, tendo trocado com dificuldade a carta que a protagonista tinha, dá risada alta e idiota.
『Consegui! Finalmente recuperei! Com isso… o, o que é isso!? Não é fatura de taberna, oras!』
『Parece que trocou em algum lugar, senhor』
『Uhnu!』
O rei geme frustrado com a fala do primeiro-ministro. O chef desastrado que colidiu com a protagonista mais cedo levou junto por engano, confundindo com a própria carta (fatura).
Nesse tipo de padrão, toda vez que a carta desejada vai daqui pra ali, as pessoas do palácio real correm de um lado pro outro. Diante desse desespero, toda vez ecoa risada da plateia.
— De fato, isso é crônica de confusão mesmo.
— Todos os personagens são sérios, mas, visto de fora, é comédia mesmo, né.
Vendo a figura dos atores correndo desesperados em perseguição caótica, a Rū murmura isso.
"A vida, vista de perto, é tragédia, mas, vista de longe, é comédia", palavra do rei da comédia, Charlie Chaplin, mas, sinceramente, é isso mesmo, hein.
— Ah, é o príncipe!
Diante da fala da Yoshino, volto o olhar pro palco, e tinha jovem loiro belo e brilhante estendendo a mão pra garota protagonista que caiu. Entendi, de fato, é príncipe mesmo.
『Tá bem? Consegue se levantar?』
『S, sim! Consigo!』
Segurando a mão, ajudando a garota se levantar, essa figura era exatamente o príncipe, sem falha nenhuma.
Eu também, por posição, já vi vários tipos de príncipe, mas nenhum deve ter ficado tão bem assim no papel de príncipe. Ao redor, a plateia (principalmente lado feminino) também direciona olhar apaixonado derretendo. Claro, o pessoal feminino da nossa família é exceção. Em certo sentido, já tão acostumadas com isso de tanto ver em festa, afinal.
Mas aquele príncipe, em algum lugar…?
— Ah!?
— O, o que foi, papai?
— Ah, não, nada. Desculpa.
Peço desculpa à Āshia que fiquei assustando. Descobri a identidade dessa sensação de déjà vu.
Aquele príncipe, não é o Shiatoro-san!? Inacreditável. Como esperado do deus do teatro, transformação impressionante mesmo.
Mudança impossível de imaginar daquela figura afeminada tipo punk rocker falso.
Sendo teatro, deve estar atuando… mas, mudança tão real assim. Isso deveria se chamar "ator camaleão"?
O papel do Shiatoro-san é o príncipe ideal. Gentil com qualquer um, exímio em valentia, príncipe confiado pelas pessoas.
— Bem diferente do nosso príncipe, hein.
A Yoshino murmura isso baixinho. Nn? Nosso príncipe?
— O irmão mais novo não é do tipo firme, então não tem jeito, viu.
— Aquele menino é relaxado demais, sabe. Sempre matando treino também.
Diante do murmúrio da Yoshino, a Kūn e a Furei reagem. Espera aí, esse príncipe é… quer dizer, meu filho?
— Pra Arisu, deve ser príncipe mesmo, mas…
— Eh, é príncipe sim!? É gentil, e é bonito, sabe!?
Diante da fala da Eruna, a Arisu contesta. Se não me engano, a Arisu gosta do meu filho, né.
Atrás da Arisu, o Ende olha feio pra mim. Sei lá, oras.
— Queria que o Kuon viesse logo pra cá, hein~
— Sendo aquele menino, deve tá relaxado cercado por adultos conhecidos, sendo mimado.
— Kuon!?
Diante da fala da Rinne e da Āshia, solto voz de surpresa sem perceber.
A Rinne se vira, "ah!?", tapando a boca. Mas, aquele nome que ela soltou por descuido, eu já tinha ouvido antes. Nome familiar, muito próximo.
A Rinze, sentada ao lado da Rinne, chama minha atenção, surpresa comigo.
— O, o que foi, Touya-san?
— N, não, isso… o nome "Kuon"… é o nome do meu vovô.
— Eh!?
Diante da minha confissão, todo mundo fica surpreso, mas eu também tô surpreso. …Entendi. Dei ao meu filho o nome do vovô, é.
Mochizuki Kuon.
De fato, combina bem. Faz sentido, sendo nome do vovô real, afinal.
Se tiver preocupação, é se a personalidade dele não vira tipo imprevisível igual ao vovô. Dizem "o nome representa o corpo", hein…
Aqui, será que se apresenta como Kuon Brunhild? Diplomaticamente, deve ser mais fácil de entender assim, mas.
— Vem, vem, se não assistir direito o palco, não vai entender a história, viu? Chega de conversa desnecessária.
— Táaa
Quando tento perguntar mais sobre o Kuon pras crianças, entra o freio da irmã Karen. Droga.
Sendo mais novo que a Rinne, sétima filha, quer dizer que é o oitavo ou nono filho… cinco ou seis anos, é.
Mesmo sendo menino, será que tá tudo bem, hein… dizem que tem força de rank ouro-prata como aventureiro, mas fico preocupado.
Preocupado com o paradeiro do filho, cujo nome finalmente descobri, fico incapaz de me concentrar direito na peça no palco.
A capital real Surāniēn, no leste do Reino de Erufurau. Bem afastada dali, existia a cidade de Tseretsunī.
Não sendo tão grande, mas também não sendo pequena. Cidade tipo ponto de conexão, prosperando entre grande cidade e grande cidade.
Fora da muralha que cerca a cidade, coberto de muita neve, mas dentro da cidade tem surpreendentemente pouca neve. Isso é porque a cidade toda é protegida por barreira que mantém calor.
Na cidade de Erufurau, geralmente essa barreira é estendida, e, dentro da cidade, não fica tão frio assim. Mas, mesmo assim, ainda continua frio, então os moradores todos vestem roupa de inverno, mas aquele garoto de uns cinco, seis anos, tava com roupa tipo indo passear no campo na primavera.
A costura da própria roupa é boa. De qualquer ângulo, parece filhinho de família boa. Mas, definitivamente, não é roupa pra passear numa cidade nevando.
Os moradores ao redor não chamavam, mas dava pra ver que olhavam com olhar estranho.
— Ei, garotinho. Não tá com frio não?
— Tô com frio.
Talvez incapaz de suportar essa cena, o dono da barraca perguntou sem querer, e o garoto respondeu sem hesitação nenhuma.
— Então por que tá vestido assim?
— Tem circunstância inevitável. Ah, é, tem alguma loja vendendo roupa por aqui?
— Roupa? Tem loja vendendo roupa um pouco adiante nessa rua, sim.
— Entendi. Muito obrigado.
Curvando a cabeça, "pekori", o garoto começa a andar de novo. Diante dessa figura educada, o dono da barraca pensa consigo mesmo, "deve ser mesmo filhinho de nobre, hein".
Seguindo reto pela rua, eventualmente aparece placa desenhada com armadura. Provavelmente, aquela deve ser a loja que o dono da barraca mencionou. Mais que loja de roupa, parece ser loja de equipamento de proteção.
Tocando a sineta da porta, "karankoron", entrando, de fato, sendo loja de proteção, tem vários tipos de armadura, elmo, luva, alinhados sem espaço.
Entre eles, também tinha casaco grosso, capa, bota que parecia quentinha.
Dentro, tinha alguns clientes anteriores, mas, como o balcão tava vazio, chama a atenção da pessoa parecendo dono da loja.
— Com licença.
— Ooh, bem-vindo. Roupa bem fresca, hein, garoto.
De novo, disseram algo parecido com o dono da barraca do lado de fora. Tanto assim era a roupa que ele vestia, deslocada nesse lugar.
— Na verdade, quero roupa de proteção contra o frio, mas, infelizmente, não tenho dinheiro.
— Sem dinheiro, com certeza não dá pra vender, hein. Aqui também é negócio, afinal.
— Sim, entendo. Por isso, será que dá pra vender por isto aqui?
O garoto tira o abotoadura preso na manga da própria roupa, oferecendo ao dono. Pegando isso com desconfiança, o olho do dono se abre de repente.
— Ei, isso…! Não pode ser, orichalcum!?
— Isso mesmo. Mesmo desse tamanho, deve valer não menos que trinta moedas de ouro.
Parece que não é loja de proteção à toa, o dono entende na hora o valor daquele abotoadura.
Metal lendário orichalcum. Raramente circula, sendo quase todo administrado por país. O dono, por um instante, pensou que fosse falso, mas percebe que é exatamente igual à característica do orichalcum que viu uma vez na juventude. Independente da origem, sem dúvida é autêntico.
O garoto diz trinta moedas de ouro, mas o dono calcula que vale mais que o dobro disso. Se conseguir fazer proteção revestida com esse orichalcum, viraria valor absurdo.
— Não… isso foi surpresa mesmo… nossa roupa de proteção e isso não fica nem perto de equivalente. Mas, com certeza, quero comprar isso. Vou pegar dinheiro do cofre da loja, espera um pouco, pode ser?
— Sim. E também vou comprar mais algumas outras coisas além disso.
— Entendido. Então seleciona a roupa que quer comprar. As lá do fundo têm aplicação de magia, viu.
Dizendo isso, o dono se retira pro quarto do fundo.
O garoto, conforme instruído, direciona os pés pro canto de roupa de proteção contra o frio.
Quase tudo era voltado pra adulto, mas tinha também alguns de tamanho infantil. Aventureiro viajando com filho não é raridade. Deve ser coisa voltada pra esse tipo de criança.
Sendo pouca quantidade, o garoto pensa que é difícil achar exatamente do gosto.
— Bom, se for pra escolher forçado, seria essa… parece ter aplicação de resistência frio-calor. Mas coincide com o casaco do pai.
Uuun, o garoto se preocupa levemente. Como resultado da preocupação, decide pegar mesmo casaco, mas cor preta.
— A Arisu talvez elogiasse, mas as irmãs devem dizer que não tenho senso.
O garoto ri um pouco lembrando da amiga de infância e das irmãs.
Será que elas também já chegaram nessa era? Se, igual a mim, não tivesse perdido o smartphone, deveria dar pra contatar a família dessa era na hora.
— Mas, daqui, como será que vou até Brunhild, hein…
Nessa era, ainda não deve existir trem mágico entre Erufurau e Brunhild. Pensando normalmente, seria carruagem ou a pé.
O Sunorauurufu que carregou até aqui, se despediu, porque viraria confusão. Por sorte, de Erufurau, atravessando Regulus, é terra contínua, então talvez consiga chegar em torno de um mês.
— …Bom, vou devagar então.
O garoto decide isso tranquilamente. Não adianta se apressar. Não tenho magia de teletransporte igual à irmã mais velha ou à quarta irmã. Isso não tem jeito mesmo, uhum…, convencendo a si mesmo, assente sozinho.
— O casaco, tá bem assim, então, luva e bota também precisam até sair de Erufurau, talvez.
Não sendo coisa tão boa assim, mas ambos tinham suficiente pra suportar o frio. Se conseguisse usar magia [Warming] pra se aquecer, seria desnecessário, mas, infelizmente, o garoto não tinha aptidão de atributo fogo.
Irmãos e irmãs, todos têm magia de atributo nulo, mas só quatro têm aptidão pras magias dos seis atributos.
Tendo perdido o smartphone, não consegue usar [Storage]. Precisa de mochila pra guardar bagagem também. Se tivesse "cartão de storage" à venda, seria bom, mas, nesse período, no continente oriental, ainda deve ser antes da popularização.
O smartphone perdido tem trava, então ninguém além dele consegue ativar, mas, dentro do [Storage], também tem coisa importante. Assim que voltar a Brunhild, o garoto pensa em pedir pro pai encontrar logo.
Selecionando luva, bota, e mochila e itens miúdos, eventualmente o dono volta do fundo da loja.
— Decidiu?
— Sim, vou levar essas aqui.
Descontando do dinheiro da venda do abotoadura o valor da roupa de proteção contra o frio e o resto, o garoto consegue quantia considerável de dinheiro de viagem. Aproveitando, guarda isso dentro da carteira também comprada. Carteira, mas é tipo saco simples de couro de cavalo curtido, com cordão.
Amarrando isso na cintura, troca de roupa logo com o que comprou, saindo pra fora.
— Uhum, sem frio. Com isso, deve dar pra viajar de algum jeito. Então, o próximo é…
Guuuuuu…, feito afirmando a própria existência, a barriga do garoto ronca.
— Barriga vazia…
Pensando bem, desde que veio pra essa era, não comeu nada ainda. Se tivesse smartphone, teria alguns lanches dentro do [Storage].
Mas o garoto tem dinheiro na mão. Vamos comer algo gostoso com isso, e, dirigindo-se ao centro da cidade, três homens bloqueiam o caminho na direção de avanço.
— Ei, garotinho. Não dá pra dividir com a gente o que tá no bolso, hein?
Mostrando sorriso malicioso, "nitanita", os homens falam com o garoto. Os três, jovens, mas de aparência mal-intencionada, com aparência tipo aventureiro fracassado. Olhando com cuidado, um deles era um dos clientes daquela loja de proteção mais cedo. Parece que ouviu escondido a conversa com o dono.
Deve ter chamado companheiro, adiantado, esperando de emboscada.
— Se não quer sofrer, entrega todo o conteúdo da carteira.
— Recuso. Não tenho obrigação de obedecer bandido.
O garoto, sem se intimidar, pronuncia palavra de recusa firme. Por outro lado, os três, tratados como bandido por criança, ficam com veia saltada, gritando furiosos.
— Quem é bandido aqui!? Falando besteira sendo moleque!
— Exibir força, ameaçar, roubar dinheiro e bem. Qual a diferença de bandido? O que fazem é a mesma coisa, né? Até criança entenderia isso… a cabeça, tá bem?
— Seu moleque desgraçado!
Um deles corre em direção ao garoto, erguendo grande a perna pra chutar de lado.
— [Slip]
— Uwa!? Ga!?
O homem que tentava chutar escorrega o pé de apoio, batendo a nuca com força no chão. Parece ter batido bem forte, se contorcendo segurando a cabeça. O garoto nem olha pro homem caído.
— Chi, o que fez!?
Dos dois restantes, um deles estende a mão tentando segurar o peito do garoto. Mas essa mão é rebatida, "pan!", pela mão pequena do garoto.
— [Paralyze]
— Guga!?
"Dou!", com a mão rebatida, o homem cai de bruços com a cabeça pra frente no chão. O corpo convulsiona levemente. Numa olhada, dá pra saber que é anomalia de estado. Os homens não conseguem entender o que aconteceu, afinal.
— Eu, diferente das minhas irmãs, não sou bom em confusão física. Não sei fazer moderação, então, com licença.
Dizendo isso, o garoto toca também no homem que se contorcia segurando a cabeça.
Igualmente, esse homem também convulsiona levemente, parando de se mover.
Vendo os companheiros caídos sem se mover, o último direciona olhar apavorado. O que é isso? Ameaçar moleque rico, receber a carteira. Deveria ser assunto simples. Mas por que dois caíram, e ele tá encurralado!?
— Ah, se for extermínio de bandido, será que sai recompensa, hein? Vocês, senhores, são procurados?
— Ku!
— Ah
O homem restante vira as costas pro garoto, começando a correr. O homem sentiu por instinto. Esse moleque é perigoso. Não, esse não é moleque nenhum. É algo de identidade desconhecida.
— Não vou deixar escapar, viu.
— O quê!?
O olho direito do garoto muda pra cor dourada. Dourado, mas cor chamada amarelo-dourado, próximo do amarelo.
No instante em que esse olhar captura o homem fugindo, o corpo do homem congela feito virasse pedra.
Consegue respirar. O olho também consegue mover a duras penas. Mas o corpo não se move nem um pouco. Não, não é que o corpo não se move. Se fosse só não se mover, não conseguiria manter essa postura inclinada pra frente correndo.
Feito tempo parado, o homem tava congelado ali mesmo.
— Se piscar, quebra, então, aqui também, [Paralyze].
— Guha!?
Igualmente, o terceiro homem também cai no chão. Em poucos minutos, três homens foram completamente neutralizados por garoto de uns cinco, seis anos.
— Certo. E agora, o que faço com esses bandidos, hein?
Normalmente, nesse caso, seria comum contatar o posto da ordem de cavaleiros pra prender eles.
Mas, se for até o posto da ordem de cavaleiros, com certeza vai virar problema, sendo questionado várias coisas. Mesmo contando a própria identidade real, duvido que acreditariam.
E ainda, o garoto tá com muita fome. Não quer nem um pouco perder tempo com esse tipo de coisa insignificante. Uhum, não quer mesmo.
Dentro do garoto, decide deixar os bandidos assim mesmo, indo embora.
— Antes disso, deixa eu ver.
Arrastando os três, empurrando pra sombra da árvore na rua, tira a carteira do corpo deles. Não é que queira pra si mesmo. É tipo pequena maldade.
— Tão com bastante, hein. …Sendo assim, por que tentaram roubar a carteira alheia, hein.
Dizendo isso, o garoto espalha grandiosamente o conteúdo da carteira dos três na rua diante deles. A maioria era moeda de cobre, mas tinha também algumas moedas de prata misturadas.
Os três caídos na sombra da árvore soltam grito sem forma de voz.
— Se for pessoa gentil, deve entregar o dinheiro direitinho pra ordem de cavaleiros, penso. Quando conseguirem se mover, espero que o dinheiro ainda esteja lá, viu?
Sorriso demoníaco tipo anjo, o garoto — Mochizuki Kuon — sorri, "nikkori".
Bandido não tem direito humano. Isso é o que pai e mãe ensinaram. Se as irmãs estivessem aqui, provavelmente diriam "muito leniente", mas.
Guuuuuu…, de novo, a barriga do Kuon ronca. Já tá quase no limite.
— Mesmo não sendo tanto quanto a mãe Rū, espero que tenha algo gostoso, hein.
Reajustando a mochila desalinhada nas costas, o garoto começa a andar olhando de relance pra neve caindo.