Capítulo 505 – A Festa de Encerramento, e a Reunião das Crianças
— Então, celebrando o sucesso do palco neste país, —
『Saúde!』
Ao sinal do Shiatoro-san, todos os membros da trupe erguem o copo na mão.
Pra local da festa de encerramento da trupe de circo, Companhia Konpuretto, que terminou a apresentação de uma semana, liberei a sala de jogos do nosso castelo. Claro, incluindo comida e bebida.
Os três deuses descidos à terra, deus do teatro, deus da força, deusa da dança — Shiatoro-san, Pawā-ossan, Purima-san — junto com o diretor e todos os membros abaixo dele, todos reunidos no local.
Fico levemente em dúvida se álcool assim em plena tarde tá certo, mas, sendo também sentido de agradecimento, ofereci vários presentes da minha parte.
— C, com relação a Vossa Majestade o Príncipe-Rei, por nos conceder ocasião assim, sinceramente sem palavras pra agradecer…
— Não precisa se preocupar. É agradecimento por terem divertido nosso povo. Espero que voltem da próxima vez também.
O Pawā-ossan chama atenção do diretor curvando profundamente a cabeça pra mim.
— O outro lado tá dizendo que tá bem. Não precisa se conter, oras. Bebe e come sem parar, diretor. Sendo de graça, se não comer, é perda.
— O, oi, você, falando coisa desrespeitosa assim…!
Diante da fala impertinente do Pawā-ossan, o diretor mostra cor de aflição, mas, nesse momento, o Shiatoro-san, tendo terminado o brinde, se aproxima.
— Não precisa se preocupar~. O Touya-chan e a gente somos tipo parente, sabe. Não é mesmo?
— Bom, é isso… será?
Parente, hein. Bom, não sendo irmão nem irmã, tá tudo bem também. Sensação tipo nem certo nem errado.
O diretor ficou meio pasmo, "pokan", com o tratamento "Touya-chan" do Shiatoro-san por um instante, mas, eventualmente, aceitando de algum jeito a situação, curva a cabeça pra mim de novo, indo beber junto com os membros.
A propósito, nesse local, além da Yumina e o pessoal das rainhas, a irmã Karen e a raça divina, também estão presentes os principais ministros nossos, mas as crianças não estão. Levar pra local bebendo álcool, sendo assim, seria demais.
Bem ali no balcão, o deus do álcool disfarçado de criança bebe desde há pouco.
— Nyahahaha! Que gostosooo! O que bebo em seguida, hein~!
Bebendo sem cerimônia mesmo, hein. Não é festa pra você, viu?
Ao lado da Suika, a Purima-san, deusa da dança, inclina calmamente a taça de vinho.
Vendo esses dois, o Shiatoro-san abre a boca sorrindo.
— Todo mundo parece tá se divertindo também. Nunca imaginei que ia poder encontrar assim na terra.
— Como tá sendo vir pra terra?
— Ótimo mesmo~. Passando de forma bem proveitosa a folga depois de dezenas de milhares de anos. A ponto de fazer questão de gabar quando voltar pro Reino Divino.
Dezenas de milhares de anos, hein. Trabalhando demais, oras. Não, esses deuses talvez nem tenham consciência de "trabalhar", né. Não tem salário, afinal. Até a própria existência tem algo tipo função mesmo.
— Devia ter trazido também os filhos do Touya-chan. Queria encontrar~.
— Se fosse festa só íntima, tudo bem, mas, num local desse tipo, talvez causasse incômodo. Vou apresentar na hora da despedida, sim.
Parece que a Companhia Konpuretto vai passar o dia de amanhã inteiro desmontando e removendo a tenda, e vai partir pro próximo local de apresentação depois de amanhã.
O próximo parece ser a capital de Belfast. Queria mostrar pro príncipe Yamato, irmão mais novo da Yumina, também. Ainda tendo só um ano, será que não vai entender?
— Mas você também deve tá em apuros, hein. Sendo deus novo, receber o mundo de repente assim.
— Eu mesmo não entendo bem também, sabe… a irmã Karen e o pessoal me ajudam, então, bom, de algum jeito.
Na realidade, o que fazer pra este mundo, não entendo bem mesmo. Antigamente, achava que derrotar as Phrase que atacavam já era pro bem do mundo.
— Se esse mundo acabar sendo destruído, nossa terra de descanso, com tanto esforço conseguida, vai desaparecer, sabe. Se esforça, viu.
— Vou gravar isso na memória…
Uu. Não queria pressão tanto assim.
— Parece que de novo tem algo estranho se movendo escondido também, né. Toma cuidado, viu?
— Estranho?
— Resto do deus maligno. Devem estar tramando algo maligno, mas… esse lado, a gente não toca, viu.
Apóstolos do deus maligno, hein. De fato, mesmo sendo raça divina, isso não tem relação com o Shiatoro-san e o pessoal. Isso, nós precisamos resolver. É igual limpar o lixo espalhado, como disse o Deus do Mundo.
— Bom, se algo me chamar atenção durante a viagem, aviso, então, esse lado também, se esforça, viu.
Acenando a mão, "hirahira", o Shiatoro-san volta pro grupo de todo mundo.
O incidente do roubo da "Arca" e os homens-peixe que atacaram a Ilha de Aroza… nos dois casos, os apóstolos do deus maligno agem nos bastidores. O que esses caras tão tentando fazer, afinal?
Como imaginei, será que o objetivo é ressurreição do deus maligno, ou nascimento de novo deus maligno?
Com tanto esforço, conseguiu paz, e vão bagunçar o mundo de novo, isso não vou permitir. Com certeza vou esmagar.
…Mesmo assim, atualmente, quase não tem nada que eu possa fazer, no entanto.
— Touya
— Touya-san
Enquanto eu, "uuun", encaro o vazio, pensativo, a Eruze e a Rinze, com mãos livres, se aproximam.
— Bom trabalho. O pessoal do seu lado, tá tudo bem?
— Mais tranquilo que lidar com rainha ou princesa. Melhor se fosse sempre assim, mas.
A Eruze não gosta tanto assim de festa. Não, não é que não goste de festa, é que não é boa com local formal.
Em local tipo reunião mundial onde as lideranças de cada país se reúnem, precisa lidar como rainha carregando o peso da bandeira "Brunhild". Deve ser essa tensão que ela não é boa.
A Rinze parece já bem acostumada. Originalmente tímida, mas, ao contrário, sinto que, nesse tipo de local, atua diferente de si mesma. Si mesma como "rainha de Brunhild".
Bom, isso também é parte dela, sem dúvida.
— Queria ter trazido as crianças também, né.
— Não, mesmo sendo dia, local com tanto bêbado assim… faz mal pra educação.
Olhando pro canto já formado, bebendo de tanto virar, "abazuke", respondo isso à Rinze.
Neste mundo, geralmente com quinze anos já é permitido beber. E se, trazendo as crianças aqui, se interessassem por álcool, o que fazer? Não tenho intenção de fazer minhas filhas virarem bebedoras, viu.
Por sorte, minhas esposas não mostram tanto interesse por álcool assim. Talvez a Rin e a Rū. A Rin só aprecia vinho levemente, e a Rū só experimenta na hora de encontrar bebida combinando com a comida.
— Será que aquelas crianças tão quietinhas, hein.
— Deve tá tudo bem. O Kokuyō e o pessoal tão de olho.
O cuidado das crianças fica com os beasts divinos, o Kokuyō e o pessoal, e a Arubusu. Se acontecer algo, deve chegar contato por telepatia.
— Onde mesmo elas disseram que iam?
— Pro "Parento". Comer bolo, algo assim, dei dinheiro pra elas.
O café da Aeru-san, "Parento", hein. Bom, ali, mesmo só com as crianças, não deve ter problema.
…Espero que não façam bagunça demais incomodando outros clientes.
Como esperado, fico levemente preocupado, hein. Desculpa ao Shiatoro-san e o pessoal, mas melhor sair mais cedo e ir buscar elas.
— A irmã Yakumo e o Kuon, mas até a Sutefu também tá atrasada, hein.
Sugando com canudo, "zuzu", o pouco suco restante, a Rinne murmura isso.
— A Sutefu, naquela hora, tava onde mesmo?
— Nn, acho que tava do lado do Kuon? Não sei bem.
Diante da fala da Kūn, a Yoshino responde, beliscando batata frita.
A Sutefu é a irmã mais nova entre elas. Tem exatamente cinco anos.
— Se for isso, não seria estranho os dois já terem chegado nessa era também, né. Poderiam ao menos contatar.
— Talvez tenha perdido o smartphone. Nós também caímos no rio, então…
A Eruna responde parecendo apoiar o desabafo da Āshia. Quando chegaram nessa era, a Eruna e a Rinne deixaram cair o smartphone no rio grande de Gau. Sem aquilo, ficaram impossibilitadas de contatar Brunhild e o resto dos irmãos.
Se fosse igual à Yakumo e à Yoshino, capaz de usar magia de teletransporte, não teria problema, mas.
— A irmã Yakumo não tenho preocupação, mas o problema é o Kuon e a Sutefu mesmo, hein…
— O Kuon não seria sem problema? Aquele menino é bem esperto, e só na aparência é bom, viu?
A Āshia joga palavra afiada contra o próprio irmão mais novo. Diante disso, ninguém contesta nada, e isso é bem típico dessa família de irmãos.
— Que ingênua. O Kuon, igual ao papai, tem constituição de atrair problema. Aquilo que o papai chama de "criador de encrenca". Mesmo sem intenção própria, coisa estranha se aproxima ao redor dele. Feito peixe atraído pela isca de pesca.
— Aa… de fato.
Diante do apontamento da Kūn, a Āshia assente. O irmão parece completamente inofensivo, mas, na realidade, entre os irmãos, é o que tem maior probabilidade de encontrar esse tipo de problema. Já foi quase sequestrado não uma nem duas vezes, e já exagerou não uma nem duas vezes também.
— Bom, mesmo assim, não acho que algo vá acontecer de verdade com o Kuon.
— Se tivesse aquele "Sete Olhos Mágicos", daria pra resolver de algum jeito. Se tiver sorte, deve chegar por aqui logo. Se for isso, o problema mesmo é a Sutefu, hein. Aquela criança não fica quieta, então fico preocupada.
Diante da Rinne se fazendo de irmã mais velha, olhar levemente morno se direciona de todo mundo. Pra Rinne, sétima filha, o irmão mais novo é mais novo que ela, mas, pras outras irmãs, parece pouco diferente. "Quem não fica quieta é você também", pensam.
— Aliás… já dá pra entrar na conversa, irmã Furei? E Arisu também.
— Mogo?
— Fe?
A Kūn direciona olhar de reprovação pra Furei e Arisu, que desafiavam o parfait jumbo especial do "Parento" ao lado dela. As duas com o rosto todo coberto de creme de leite, devorando o parfait.
— Tá tudo bem, tudo bem. O Kuon e a Sutefu tão salvos. Fazer algo com nossa família, sem ser deus, seria impossível, viu.
— Justamente por ter gente com esse poder de deus é que fico preocupada, no entanto.
Apóstolos do deus maligno. Gente herdando o poder do deus maligno derrotado pelo pai tramam algo nessa era.
Segundo a vovó Tokie, deusa do tempo-espaço, o fluxo do tempo originalmente tem vários afluentes, cada um com futuro diferente.
Mas, o fluxo do tempo deste mundo onde elas, tendo pedido emprestado o poder do espírito do tempo, estão, parece firmemente fixado. O que quer que façam nessa era, é alterado pelo poder do espírito do tempo pra não afetar o futuro de onde vieram originalmente.
Do jeito que tá, deveriam voltar normalmente pro futuro, pro tempo original, pro mundo original.
Mas, se adicionar esse fator incerto chamado apóstolos do deus maligno, não dá pra saber como o fluxo do tempo vai mudar. O poder do espírito do tempo não vence poder de deus. Se o fluxo do tempo mudar mesmo que um pouco, existe possibilidade de não conseguirem chegar ao futuro onde elas estavam. No pior caso, até a própria existência delas…
— Certo, para. Sei o que a Kūn-chan tá pensando, mas pensar isso é só perda de tempo, sabe.
— Mas…
— O papai e a mamãe tão aqui, viu? Tudo bem, tudo bem. Sem se preocupar com isso, come o parfait. Vem, aaan.
Diante da colher estendida, a Kūn fica levemente pasma, mas, conforme instruído pela irmã, coloca isso na boca sem hesitar. Dentro da boca, se espalha doçura densa do creme de leite.
— Haa… conversando com a irmã Furei, fico achando bobagem tanto pensamento assim…
— A Kūn-chan que pensa demais, sabe. Basicamente, é só esmagar isso dos apóstolos do deus maligno, viu. Simples.
— Bom, isso é verdade, mas.
Sendo dita isso por essa irmã que parece descuidada mas é afiada, estranhamente parece coisa simples mesmo.
— Ao menos, se a "Arca" do Kuromu Ranshesu não tivesse sido roubada, se estivesse em nossas mãos, seria bom, mas.
A Kūn direciona olhar de relance pra Coroa "Branca" sentada na mesa ao lado delas, a Iruminati Arubusu.
Enquanto o Kokuyō, a Ruri, a Sango, junto com o Kokuyō e o Kōgyoku, devoram doce pedido junto com elas, a Arubusu, sem função de comer, apenas senta na cadeira sem propósito.
A Kūn fala com essa Arubusu.
— Arubusu. Perguntando de novo, mas dá pra considerar que o outro lado conseguiu a "Coroa"?
『Afirmativo. Provavelmente "Ouro" ou "Prata"』
— Esse "Ouro" e "Prata" também têm habilidade especial de Coroa igual a vocês?
『Desconhecido. "Ouro" e "Prata" estão incompletos. Probabilidade de ter habilidade é baixa, mas não é zero』
Incompleto. Se for simplesmente golem da série Coroa, seria só chave pra mover a "Arca". Se for isso, tá bem. Mas, se por acaso, esse golem tiver habilidade de Coroa?
Em troca de exigir "compensação" do contratante, concede poder absoluto, "Coroa".
Mesmo incompleto, o outro lado deve ter o técnico que criou aquele golem remendado de quatro braços. Não dá pra descartar que esse técnico golem consiga regenerar "Ouro" e "Prata".
— Quero um pouco mais de informação, hein… informação do mundo todo… se fosse futuro, daria pra reunir por rede social, aita!?
Diante do chope repentino disparado pela Furei, a Kūn segura a cabeça.
— Daii! Não fica pensando com cara séria! Agora, é só ficar tranquila esperando. Esperando todo mundo se reunir.
— Não, mas…
— Nn?
— E, entendi.
Com a colher ainda na boca, diante da irmã com sorriso gentil erguendo o golpe de mão, a Kūn recua. Entende bem que essa irmã, quando fica brava, é a mais assustadora.
Igualmente entendendo isso, as irmãs mais novas também se concentram no doce diante de si pra não pegar a raiva de tabela.
Pra mudar esse tipo de clima, a Eruna decide propor outro assunto.
— D, depois disso, o que fazemos?
— Ah, eu quero ir na Guilda de Aventureiros!
— Ah, eu também!
A Arisu concorda com a fala da Rinne. Diante disso, a Āshia e a Yoshino mostram cara pouco animada.
A magia de atributo nulo que essas duas têm não é muito voltada pra combate. A Āshia tem [Apport] e [Search], e a Yoshino tem [Teleport], [Absorb], [Reflection], alinhando magias principalmente defensivas. Além disso, elas mesmas não gostam tanto assim de lutar.
Mesmo assim, como ingrediente, a Āshia também caça fera mágica, e a Yoshino também consegue usar magia de atributo fogo e vento. Bem mais forte que aventureiro comum por ali.
— Ir na Guilda de Aventureiros, pra fazer o quê. Com nossa idade, não dá pra registrar, viu?
A Kūn menciona motivo que a Rinne também deve saber. No registro da Guilda de Aventureiros, provisoriamente, não tem limite de idade. Mas, sendo baixa demais, é recusada já no atendimento. A Guilda também não faz o tipo de coisa de mandar criança pra morte sabendo.
Mesmo assim, se demonstrar habilidade, às vezes conseguem fazer o registro.
— Não é registro, é venda, irmã Kūn. Da caça de outro dia, no [Storage] da irmã Furei, tem bastante fera mágica derrotada guardada, né?
— Ah! Esqueci disso. É mesmo, converter em dinheiro dá pra fazer mesmo sem ser aventureiro.
A Furei bate palma como se lembrasse.
Basicamente, o dinheiro livre das crianças não é tanto assim. Mesmo pequena, sendo princesa de um país, não passa necessidade na vida, e o realmente necessário é fornecido, mas isso não é igual a receber dinheiro.
A política da família Mochizuki é autossuficiência, então, se querem dinheiro, precisam ganhar por conta própria. Isso é tipo mesada recebida ajudando família ou parente, mas, entre isso, a renda da Guilda de Aventureiros é a maior.
Como uso do dinheiro, a Furei gasta em coleção de arma rara, a Kūn em despesa de desenvolvimento de item mágico próprio, a Āshia em compra de ingrediente de luxo, vários tipos, mas todas têm patrimônio pessoal razoável.
Mas, por ordem do pai, todas guardam na Guilda, então quase não trouxeram pra esta era.
— Então, depois de comer, vamos na Guilda de Aventureiros.
— Nesse caso, aqui é por conta da irmã Furei, tá?
— Ugu… b, bom, tá bem. Vou pagar, sim, sendo a irmã mais velha agora.
Diante da fala da Yoshino, a Furei se retrai por um instante, mas, diante das irmãs mais novas, mostra folga.
Quem foi caçar foram a Furei, a Rinne, e a Arisu, três. Como esperado, sendo a Arisu que não é da família e a Rinne, mais nova da família, não dá pra fazer elas pagarem.
Terminando o pagamento, o dinheiro que cada mãe deu de mesada por comer no "Parento" desaparece completamente só da parte da Furei.
Mas, no [Storage] dela, deve tá dormindo material com valor superior a isso, então não deve tá tão prejudicada assim.
Ao contrário, talvez porque descobriu fonte de renda, caminha sorrindo, "nikoniko", pelo caminho pra Guilda de Aventureiros.
— Faz tempo que não pego dinheirão assim, hein. Vou comprar alguma arma diferente, sim.
— Francamente, a irmã Furei mesmo… não seria melhor parar de gastar à toa?
— Nã, não é gasto à toa! É despesa necessária, viu!
Despesa de que, afinal. A Āshia solta suspiro tipo atônita. Vendo isso, a Kūn também dá de ombros.
Eventualmente, as crianças chegam na Guilda de Aventureiros, dirigindo-se ao balcão de atendimento com atitude natural de quem já conhece bem o lugar.
Ao contrário, os aventureiros ao redor mostram no rosto a dúvida "por que tanta criança assim?".
Isso também é igual pra atendente da Guilda.
— Eeer, tem algum assunto?
A Mīsha, atendente beastfolk gato, esconde levemente o abalo, atendendo com sorriso. Criança vindo na Guilda é raro, mas não é zero. Tem aventureiro com filho junto, e às vezes até criança de recado traz pedido no lugar de outra pessoa.
A Mīsha julgou que talvez fosse esse último caso.
— Queria pedir compra de material, viu.
— Eh? Compra?
Diante da fala contrária à expectativa, a Mīsha fica pasma. De fato, também fazem compra de material, mas criança trazer isso é quase inexistente.
Mas, o que criança consegue caçar, no máximo seria coelho selvagem ou pássaro selvagem. Se for isso, açougue paga mais caro. Será que erraram o lugar de venda, talvez?
— Ei, vejam bem, aqui só compramos se for fera mágica ou algo assim. Coelho ou pássaro, —
— É fera mágica, viu. King Bear, Buraddigōto, ah, só a cauda, mas tem até Nīzuheggu também.
— ……….Ha?
A sobrancelha da Mīsha se franze. Tanto King Bear quanto Buraddigōto são alvo de extermínio rank vermelho. E ainda, Nīzuheggu não seria dragão de mana? Absurdo demais.
— Ei, vejam bem, garotinhas. Se querem brincar, em outro lugar, —
— Irmã Furei, mostrar é mais rápido.
— Isso mesmo também. Yotto.
"Dozun!", de repente, cabra gigante de pelo vermelho aparece em cima do balcão de compra construído amplo. É a Buraddigōto.
Diante do corpo repentino de fera mágica aparecendo, o ar dentro da Guilda congela. Alvo de extermínio rank vermelho ser trazido não é tão comum assim em Brunhild, então todo mundo fica surpreso sem voz por isso.
A Mīsha, por sua vez, fica surpresa com outra coisa. O que acabou de acontecer, sem dúvida, é magia de armazenamento. Essa magia lembra imediatamente certa pessoa.
Quando a Mīsha volta o olhar da Buraddigōto pras crianças, aos pés delas, um filhote de tigre branco já visto antes fazia asseio despreocupado no pelo.
— N, não pode ser… relacionado a Sua Majestade…? U, um momento, por favor!
A Mīsha, com rosto pálido, corre subindo a escada do fundo do balcão. As pessoas presentes ficavam pasmas, direcionando o olhar entre a escada por onde a Mīsha correu e a Buraddigōto.
— Irmã Furei, sangue. Tá pingando sangue.
— Aya? Aaa, ruim.
Diante do apontamento da Eruna, a Furei guarda de novo a Buraddigōto no [Storage].
O que entra no [Storage] tem o tempo parado. A Buraddigōto tava exatamente como no momento de ser derrotada, então ainda não tinha sido drenado o sangue, sujando o balcão de recebimento com sangue.
Igual quando apareceu, a Buraddigōto some de repente, e as outras atendentes ficam com a boca aberta, "pokan", perdendo as palavras. Os aventureiros presentes também igualmente.
— Que clima estranho, hein.
— Uhum. Todo mundo ficou quieto de repente, o que será que aconteceu?
Diante da fala da Āshia, a Yoshino responde. Na Guilda de Aventureiros do futuro, as crianças são presença conhecida assim, mesmo causando surpresa, não chegava a esse ponto. Elas sentiram isso como estranheza.
Todo mundo não tem muita consciência de que são diferentes de crianças comuns. Não entendem bem com o que estão se surpreendendo.
— Ei ei, o que são essas pirralhas aqui?
No meio disso, homem entrando pela porta da Guilda solta voz ameaçadora.
Corpo gigante quase alcançando dois metros. Cabelo estilo moicano de galo, na cintura, machado de batalha bem usado, jaqueta de couro sem manga com ombreira, tipo homem que o Príncipe-Rei deste país diria "gangster de fim de século", seguido por homens de roupa parecida entrando em fila dentro da Guilda.
Com olhar ameaçador, o homem moicano da frente encara as crianças alinhadas no balcão de compra. Olhar capaz de fazer criança comum fugir ou tremer.
Mas nenhuma das crianças se abala diante desse olhar, ao contrário, encaram o grupo de fim de século com olhar curioso.
— Cabeça estranha.
Diante da fala solta casualmente pela Rinne, o ar do local congela.