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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 510

A Viagem de Trem, e a Viagem de Carruagem

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Capítulo 510 – A Viagem de Trem, e a Viagem de Carruagem

O trem mágico atravessa o planalto, entrando na região montanhosa.

As montanhas verdes aparecem e desaparecem toda vez que passa por um túnel, e os passageiros pareciam aproveitar essa paisagem.

— É rápido igual ao trem que peguei na Terra, né.

— É mesmo. Impressionante.

Troco esse tipo de conversa com a Yumina sentada ao lado. Segundo o Doutor, o trem mágico da civilização mágica antiga era ainda mais rápido que esse, o que surpreende. Será que rodava algo tipo shinkansen?

— Ah, tem dragão voador voando.

Diante da fala da Rinne, direciono o olhar pra fora da janela, e, de fato, dois dragões voadores voavam no céu.

— Mu, tão vindo pra cá.

O Duque Orutorinde ergue voz de alerta, olhando pra cima pela janela.

Provavelmente, achando que o trem mágico fosse presa rara, os dois dragões voadores abrem a garra das duas patas, descendo reto em nossa direção.

Mas, ao chegar na posição a poucos metros do trem, feito repelidos por força invisível, os dragões voadores de repente perdem o equilíbrio.

『Gyaoa!?』

Os dragões voadores, parecendo ter recebido dano considerável, caem no chão. Os dois dragões caídos ficam largados, sem se mover.

Deixando esses dois pra trás, o trem mágico nos carregando continua correndo sem incidente.

— Nesse trem correndo em velocidade constante, tá estendida barreira de proteção, não aceitando ataque de fera mágica ou monstro. Se tentar tocar à força, é repelido igual isso agora, recebendo choque de [Paralyze]. Fera mágica também não é idiota, então, depois de levar isso algumas vezes, acaba não se aproximando mais.

— Entendi. Se for isso, fico tranquilo.

Deixando de lado fera mágica terrestre, a voadora é incômoda mesmo. Dá até pra matar, mas ficaria em apuros se os arredores da linha virassem só cadáver. Paralisar com [Paralyze], fazendo aprender que "aquilo não pode mexer", é o mais prudente.

Bom, tem também possibilidade do dragão voador caído ser atacado por outra fera mágica… mas, isso, digamos que é mundo de sobrevivência do mais forte mesmo.

— Bom, depois disso, os trens mágicos de novo modelo vão ter sistema de interceptação embutido. E, alguns anos depois, aparece trem golem, com mais segurança…

— Depois disso? Alguns anos depois?

Diante do murmúrio da Kūn, o Duque Orutorinde mostra cara confusa. A Sū, que acalmava o irmão Edo-kun, puxa apressada a manga do pai.

— P, pai, o Edo tá quase manhoso. Assume por mim!

— Mu? Ooh. Deixa eu ver, deixa eu ver. Oo, isso, isso. Tá tudo bem, o dragão voador já foi embora, viu.

O Duque Orutorinde senta ao lado da Eren-san, acalmando o Edo-kun. Atrás dele, a Sū segura a Kūn, "gurigurigurigurii" apertando as têmporas com as duas mãos.

Diante da Kūn olhando pra mim tipo "socorro, papai!", medeio a situação sem outra escolha.

— Não é só nós, então cuidado com o que fala, viu.

— Sem perceber… vou tomar cuidado.

A Kūn responde sem força, segurando as têmporas.

As crianças e a Sū têm idade próxima. Com a mais velha, a Furei, tem só três anos de diferença, afinal. Até a Kūn, quatro. Por isso, esse tipo de troca sem reservas como agora acontece com frequência.

Talvez porque a própria criança ainda não chegou, a Sū parece ter tendência de querer se envolver com as outras crianças.

Atravessando a região montanhosa, dessa vez, começa a aparecer floresta grande. Quando o trem passa correndo pelo viaduto instalado acima da floresta, os pássaros assustados voam todos de uma vez pro céu.

Branco, preto, vermelho, azul, verde, pássaros de várias cores se espalham pra vários lados.

— Uwaa! Incrível, né, mamãe!

— Uhum. Incrível, Rinne.

— Ah, mamãe. Aquilo é pássaro Kerokero.

— Eh, qual, qual?

A dupla de mãe e filha Rinze e Rinne, Eruze e Eruna, olham pela mesma janela, sorrindo vendo os pássaros voando. …Que será o "pássaro Kerokero", hein.

— Touya-dono, onde estamos agora?

Depois de um tempo, diante da pergunta da Yae, projeto o mapa no ar pelo smartphone. Ainda dentro de Belfast. Daqui até dentro de Rīfurīsu, no norte, ainda tem distância.

— Logo, logo, chega na primeira estação.

— A capital do território de Parames, Parameia, né. Terra governada pelo Conde Parames. Território rico em natureza, com planalto, floresta densa, terra agrícola se estendendo. Também famosa como local de veraneio, sabe.

A Yumina explica isso. Local de veraneio, hein. Será algo tipo Karuizawa, no Japão?

O trem mágico, reduzindo velocidade, avança em direção à capital territorial, Parameia.

Aos poucos, na janela, começam a aparecer casas espalhadas, eventualmente correndo dentro da cidade. Hee. A parte central se desenvolveu tanto quanto a capital do reino, hein. Bem tipo urbano, mas será que o local de veraneio fica nos arredores?

O trem mágico para aqui por uns dez minutos. De forma simplificada, mas o governante local, Conde Parames, vem até a estação cumprimentar. Sendo que o Duque Orutorinde, irmão do rei, também tá embarcado, faz sentido mesmo.

Descer de propósito pra receber cumprimento, deve ser trabalhoso pro duque também, hein.

— Do que tá falando. Você também é rei, oras.

— Ah, é mesmo. Eu também preciso descer, é?

Dita pela Rin com ar atônito, lembro que sou rei também. Sendo o vagão só de esposas e crianças, fiquei com sensação de viagem em família. Isso é trabalho oficial, isso é trabalho oficial.

Reduzindo a velocidade, virando ritmo devagar, o trem mágico para na plataforma da Estação Parameia. Ao mesmo tempo, liberando o éter acumulado na atmosfera, algo brilhante tipo vapor se espalha pela plataforma.

Com som, "pushuu!", tipo ar saindo, o trem para completamente.

— Deixa eu ver. Vamos então, Touya-dono. Não, Príncipe-Rei.

— Haa… isso também é trabalho oficial mesmo, hein.

— Boa viageeem.

Acompanhado do Duque Orutorinde, ao levantar do assento, ecoa voz de incentivo vinda da Furei. Uhum, papai vai se esforçar.

— Bem-vindo a Parameia, Vossa Majestade Príncipe-Rei de Brunhild, Vossa Excelência Duque Orutorinde.

Ao descer do trem mágico, cavalheiro robusto nos recebe. Esse deve ser o Conde Parames, hein. Rosto que já vi no baile de Belfast. Então esse era o território dele, hein.

— Desculpa incomodar pela estadia curta, conde.

— De jeito nenhum. Grande projeto nacional, como não poderia acompanhar com meus próprios olhos? Com esse trem, minha Parameia também deve conseguir atrair muitos turistas de Rīfurīsu. Agradeço muito.

Sorrindo, "nikoniko", o Conde Parames assente. De fato, de Rīfurīsu até Parameia, em algumas horas de trem mágico, chega. A capital que precisava de vários dias balançando em carruagem, agora dá pra ir e voltar no mesmo dia. Eventualmente, turista também deve começar a vir.

Correndo paralelo à linha do trem mágico que embarcamos, se estende outra linha parecida.

Como devem imaginar, é linha saindo de Rīfurīsu, indo pra Belfast.

Nesse dia, no mesmo horário, saindo de Rīfurīsu também, igualmente, outro trem mágico parte.

O Conde Parames precisa receber, algumas horas depois, o trem vindo de Rīfurīsu também. Francamente, é trabalhoso mesmo, hein…

Alguns passageiros descem do trem, e, ao contrário, tem também passageiro embarcando de Parameia.

Nessa cerimônia de inauguração dessa vez, também embarcaram passageiros comuns reunidos por sorteio público. Claro, separado do vagão VIP onde a nobreza embarca.

O destino do bilhete sorteado no sorteio público é fixo, de qual estação até qual estação, e o mais curto termina justamente aqui em Parameia. Claro, como o bilhete sorteado é ida e volta, dá pra pegar o trem saindo de Rīfurīsu e voltar pra capital.

— Opa, também não tem muito tempo. Isso é conjunto de especialidades do nosso território. Se não se importar, aceite, por favor.

— Ah, isso, desculpa incomodar.

Guardo no [Storage] a caixa entregue pelo Conde Parames. Até receber presente. Não, será amostra de propaganda? De fato, isso é efetivo mesmo.

— Bentō. Que tal um bentō pra acompanhar a viagem? Também tem bebida, viu.

— Eh?

Diante dessa voz, viro-me, e, com caixa de venda ambulante de bentō pendurada no pescoço com cordão, tipo prancheta, o vendedor de bentō vendia pela janela do trem.

Até tem vendedor de bentō, hein. Ah, é mesmo, se não me engano, cheguei a comentar esse tipo de proposta diante de Sua Majestade o Rei de Belfast e Sua Majestade o Imperador de Rīfurīsu… nem imaginei que realmente fossem incorporar.

Talvez por curiosidade, muitos clientes estendem a mão pela janela do vagão de passageiros, recebendo o bentō. Talvez seja porque, não tendo venda dentro do trem, pensam em comprar enquanto dá.

— Rū-dono, quero que pegue aquele bentō também, por favor!

— Mãe Rū, eu quero aquele sanduíche de frango empanado, sabe!

— Mãe! Rápido, o dinheiro! Ah, aquela pessoa ali! Vou pegar aquele bentō também!

— Espera um pouco! Por que só eu preciso fazer tudo, oras!?

Do vagão número um também, ecoa voz barulhenta. Principalmente voz de gente fiel ao próprio apetite.

Será que vão comprar da porção de todo mundo? A Yae e a Furei devem comer porção de várias pessoas, então mais de vinte…?

Ou melhor, se tiver fome, dentro do [Storage] deve ter bastante comida, no entanto. Será que bentō de estação é coisa diferente disso mesmo?

— Já quase na hora da partida, hein. Então, conde, com licença.

— Obrigado pelo presente. Então, até mais.

— Boa viagem.

Eu e o Duque Orutorinde voltamos de novo pro vagão de passageiros.

"Piririririri", ecoa som de apito na plataforma, e a porta se fecha. Deixando resíduo de éter, devagar, o trem mágico começa a correr de novo.

Acenando de volta pras pessoas acenando na plataforma através da janela, partimos da Estação Parameia.

Voltando pro assento, já todo mundo abria o bentō na mesa central, saboreando. Que rápido!

— Aqui. É a sua parte, Touya-san.

— Ah, sim. Obrigado, Yumina.

Recebo o bentō da Yumina. Abrindo a caixa feita de papelão grosso, tinha algo tipo hambúrguer, com pão recheado de carne e vegetal.

O de todo mundo também era tipo sanduíche ou hot dog. Sendo cultura de pão, deve virar esse tipo de bentō mesmo.

Mordendo o hambúrguer recebido, se espalha na boca sabor suculento de carne macia e vegetal tipo tomate.

Será carne de frango, isso? Não sei qual pássaro, no entanto. Hambúrguer de frango, é. Não, sem saber se é frango mesmo, mas.

Bom, se for gostoso, tá certo. Uhum, é bom.

— Papai, me dá aquela fruta.

— Essa aqui? Tá bem, toma.

No canto do assento, a Arisu recebe do Ende algo tipo morango.

Ele, provisoriamente, hoje seria tipo guarda desse vagão, mas.

Mesmo assim, não vou falar coisa chata tipo "trabalha" enquanto come com a Arisu. Acho natural ter pausa pra refeição também. Aqui não é empresa exploradora, viu.

— Kaasama, ponte!

— Nn. Incrível.

Com sanduíche numa mão, a Yoshino grita. Olhando pela janela do trem, viaduto se estende atravessando pequeno lago. Atravessou reto sem desviar, hein.

Se for magia de terra, não deveria ser difícil de fazer, mas, se fosse construir isso normalmente na Terra, quanto tempo e dinheiro levaria, hein. Tecnologia relacionada a obra civil, esse outro mundo em parte é superior mesmo. Graças à magia mesmo.

A Yumina pergunta observando a ponte.

— A linha de Belfast até Misumido também tá sendo construída, né?

— Uhum. Outro dia, construí ponte no rio grande de Gau. Talvez inaugure daqui uns meses. Belfast e Regulus também vai inaugurar, e Ferusen e Resutia também vai conectar. Os países da aliança mundial devem ficar quase todos conectados eventualmente.

Tem parte difícil também, no entanto. Tipo País Mágico de Zenoasu e Reino de Nokia. Aquela área tem a região de Yūron.

Entre Zenoasu e Nokia não tem problema, mas, se tentar estender linha pros outros países, inevitavelmente precisa passar pelo território do antigo Yūron.

Bom, já o país Império Celestial Yūron já desmoronou, então, tecnicamente, tanto faz construir linha lá, mas as pessoas de Yūron ainda vivem ali, e devem considerar essa terra como território deles.

Se outro país construir linha ali, deve gerar antipatia, e é visível que vira problema. Nenhum país deve querer construir linha nesse tipo de lugar.

No pior caso, penso até em fazer rodar por cima do mar, igual conectamos os quatro países Resutia, Rōdomea, Rairu, Ferusen por ponte.

— Também tá chegando tecnologia de navio voador do continente ocidental, então tem esse método também, mas.

— Mas, como esperado, capacidade de transporte de trem é muito superior mesmo. Navio voador também depende do clima.

De fato. Dessa vez, só puxamos vagão de passageiros, mas, eventualmente, deve puxar também vagão de carga transportando mercadoria. Não dá pra comparar com capacidade de transporte de navio voador.

Se a distribuição se desenvolver mais, a vida das pessoas também fica mais fácil. É pra isso o trem mágico.

— Vai construir estação em Brunhild também?

— Se for construir, deve ser na linha de Belfast até Regulus. Acho que fica bem no meio da capital do reino até a capital imperial.

— Vai vir bastante turista, né.

Se vier demais, também ficaria em apuros, no entanto. Sinceramente, o tamanho da capital (?) de Brunhild é só tipo cidade um pouco grande. Se vier muito turista pra lá, nem instalação de hospedagem seria suficiente.

Também precisaria de mão de obra pra checagem de entrada no país, pra evitar gente estranha entrando.

— Mas será que a nossa terra tem lugar pra turismo mesmo, hein?

Uuun, cruzando os braços, inclino a cabeça.

Se for capital imperial de Rīfurīsu, tem mar bonito e cidade de parede branca, e se for capital de Belfast, tem castelo branco erguido às costas da cascata do Lago Paretto, mas, na nossa terra, não tem nada tipo ponto turístico famoso especial…

— Tem a torre do relógio, viu?

— Torre do relógio, hein. Bom, se for chamar de ponto turístico, seria ponto turístico…?

— Depois disso… tipo Frame Gear?

— Isso seria ponto turístico… será?

Ponto sutil, isso. De fato, Frame Gear não existe em outros países, no entanto.

Achando estranho fazer robô virar ponto turístico, mas, até no Japão, tem lugar que fez réplica em tamanho real de anime de robô, então será que dá pra considerar assim?

Geralmente, quando fala ponto turístico, pensa em marco tipo Torre de Tóquio ou Tokyo Skytree, templo e santuário, ruína histórica, parque de diversão grande, mas…

Atualmente, em Brunhild, tá em construção parque de diversão. Se isso ficar pronto, acho que turista também deve aparecer em massa.

Ah, é mesmo, tem a Ilha da Dungeon também. Esquecendo, sem sensação de que fosse ponto turístico.

Até agora, só vinha aventureiro das proximidades, mas, daqui pra frente, talvez comecem a vir aventureiros distantes também de trem. Bom, sendo tarifa de passagem razoavelmente cara, talvez não venham fácil assim.

Como esperado, ampliação de instalação de hospedagem é urgente mesmo. Vou construir a terceira filial "Lua de Prata" de Brunhild.

De qualquer forma, falta mão de obra. Logo, logo, vou precisar abrir recrutamento pra ordem de cavaleiros de novo, hein.

— Pensando bem… no futuro, parece que tem algo chamado golem cavaleiro sendo implementado, a Kūn falou… parece ser organização subordinada da ordem de cavaleiros, mas, pensando nisso, talvez não precise recrutar tanto assim, hein…

— Fufu, mesmo em viagem, só pensa em trabalho mesmo, hein. Não seria melhor esquecer um pouco?

— Queria fazer isso, mas…

Diante da fala da Yumina, dou um suspiro. Essa pequena viagem também é parte do trabalho, afinal. Bom, tô aproveitando de certa forma também, mas.

────Por outro lado, nessa mesma época. Perto da fronteira entre o Reino de Erufurau e o Império de Regulus.

— Vem, daqui é o Império de Regulus.

Apontando pra placa fixada na estrada perto da fronteira, o homem companheiro de viagem avisa isso.

Balançado por dias na carruagem coletiva do Reino de Erufurau, finalmente o garoto põe o pé no Império de Regulus.

Mochizuki Kuon, seis anos. Tá em viagem de retorno pra terra natal (era diferente, mas) Brunhild.

Entrando em Regulus, já não tem mais aquele frio congelante. Mesmo assim, ainda no norte de Regulus, ainda faz frio, então o Kuon ainda usava o casaco preto comprado em Erufurau.

— Ah, achei.

— De novo? Cocheiro, para aqui. O garoto achou de novo.

O homem embarcado no vagão da carruagem coberta chama atenção do cocheiro. Antes mesmo do cocheiro parar o cavalo, o Kuon já pula da carruagem, apontando o arco na mão em direção ao bosque, disparando rápido a flecha.

— Gyue!?

Ecoa grito curto, e, "dosa!", som de algo pesado caindo vem de dentro do bosque. Eventualmente, entrando no bosque, o Kuon aparece arrastando grande cervo com a testa perfurada pela flecha.

— Opa, não é Regurusuōjika? Gostoso, esse aí.

Um dos homens desce da carruagem com faca na mão. Os outros passageiros também descem da carruagem pra ver o cervo derrubado pelo Kuon.

— Dá pra fazer o processamento, por favor?

— Ooh, deixa comigo. Em troca, deixa eu comprar isso também.

Com mão habilidosa, o homem processa o cervo. Esse homem é dono de açougue, dizem que tá voltando do casamento da filha.

Basicamente, refeição de viagem de carruagem é comida simples. Comida de viagem tipo carne seca, ou processar presa capturada no local. Normalmente, não deveria ser tão fácil encontrar presa durante a viagem, mas os passageiros dessa carruagem, esses últimos dias, encontram presa quase todo dia.

O motivo é esse garoto misterioso. Ao encontrar presa por perto, derruba com certeza. Esteja na sombra do bosque, esteja no alto da árvore, de qualquer ângulo, derruba facilmente com arco barato.

Graças a isso, os passageiros conseguem fazer refeição luxuosa mesmo em pleno vazio da viagem.

— Graças ao garoto, por um tempo, não vamos ter problema com suprimento. Obrigado, viu.

— De nada. Também fico feliz de aumentar dinheiro de viagem.

Na realidade, só com o dinheiro da venda do abotoadura de orichalcum, por mais que se esforçasse, o Kuon pensava que não chegaria em Brunhild. Mas, de algum jeito, dá pra ir até a capital imperial de Regulus, Gararia. Melhor ter mais dinheiro de viagem possível.

A carruagem coletiva, carregando a presa processada, avança pro sul de Regulus, chegando na cidade de Jonsuto. É o ponto final da carruagem coletiva do Reino de Erufurau que o garoto embarcou.

A cidade de Jonsuto não é nem grande nem pequena, cidade completamente comum. Uma das cidades governadas por marquês de fronteira de Regulus, localizada perto da fronteira com o Reino de Erufurau.

O garoto que desceu nessa cidade de fronteira decide procurar logo carruagem pro próximo destino. Se possível, quer carruagem indo reto pra capital imperial.

Ele confirma o quadro de horários afixado diante da estação de carruagem coletiva, dando um suspiro.

— Aa… acabou de sair agora mesmo, hein…

No timing errado, a carruagem oficial pra capital imperial tinha acabado de sair agora mesmo. A próxima só é daqui a dois dias.

— O que faço, hein. Mesmo que seja só até a próxima cidade, será que consigo pegar carona em outra carruagem…

O horário já passou bastante da tarde. Já tá perto do entardecer. Se sair agora, com certeza vai virar acampamento no meio do caminho. Tendo acampado esses últimos dias balançado na carruagem, o Kuon pensa que quer, ao menos hoje e amanhã, dormir em pousada de verdade.

— Certo, decidido. Vou ficar na pousada.

Decidindo isso, o Kuon reajusta a mochila nas costas, começando a caminhar pela cidade.

Mesmo sendo um pouco caro, quer ficar em pousada boa, se possível. Aventureiro em dificuldade financeira que fica em pousada barata costuma ter muito problema. Melhor evitar incômodo.

Se for isso, seria bom pousada que mercador comum usa como habitual. Pensando isso, o Kuon segue atrás de pessoa parecendo mercador vista na estação de carruagem.

Eventualmente, chegando na esquina de rua não tão longe da estação, o mercador entra numa pousada ali.

— "Pousada da Pequena Asa Prata", hein.

Erguendo o olhar pra placa desenhada com asa prateada, o Kuon murmura sozinho. Fachada razoavelmente elegante, mas não parece ser loja tão luxuosa assim. "Acertei", talvez, pensa o Kuon, aliviado.

Certo, daqui em diante é o momento decisivo. O Kuon ajusta a respiração, abrindo a porta de vaivém, entrando sozinho.

— Bem-vindo, seja bem-vindo à "Pequena Asa Prata". Ara? Garoto sozinho?

No balcão de recepção, uma mulher de vinte e poucos anos. Ao lado dela, dá pra ver o funcionário da pousada e o mercador de agora há pouco subindo a escada.

— Queria pedir quarto por duas noites, por favor. Tem vaga?

— Eh? Ehm, garoto. Aqui, sozinho, criança não…

Diante da funcionária mostrando expressão confusa, o Kuon direciona o olhar. O olho direito do Kuon muda pra cor dourada com tom roxo, e a pupila roxo-dourado perfura o olhar da funcionária.

— …A, ara? A, desculpa. Ehm, tá com vaga sim. Quarto duplo tá bem?

A funcionária, vendo o homem de trinta e poucos anos que, sem perceber, tava de pé atrás do garoto, atende, mesmo surpresa, seu próprio trabalho.

— Sim. Então, assim, por favor.

— Então, duas noites fica duas moedas de prata. Assinatura aqui, por favor.

No livro de hóspedes, o Kuon assina rapidamente, "sarasara". A funcionária, achando que a assinatura seria feita não pela criança, mas pelo homem atrás parecendo pai, fica levemente surpresa, mas não demonstra no rosto.

— Então, vou guiar até o quarto.

Guiado pela funcionária, o Kuon é levado até o quarto do segundo andar. Duas camas, mesa e cadeira, guarda-roupa, lâmpada de pedra mágica, quarto simples mas com charme.

— Refeição é de manhã, tarde e noite, no restaurante embaixo. Ao sair, por favor, deixe a chave no balcão, viu.

— Entendido. Muito obrigado.

A funcionária, ouvindo a palavra de agradecimento do garoto, fecha a porta silenciosamente.

— …Aquele pai, não falou nem uma palavra, hein. Será quieto?

Murmurando esse tipo de coisa, a funcionária, inclinando a cabeça, se afasta do quarto, descendo a escada.

Dentro daquele quarto, o Kuon, soltando suspiro de alívio sozinho, relaxado, tava prestes a mergulhar na cama.

— Aa, que cansaço… criança sozinha nem em pousada consegue ficar. Mas também não gosto de pousada barata, sabe…

Se for pousada só de pernoite sem refeição, não deve ser tão rigoroso assim, então talvez até criança conseguisse ficar.

O Kuon, desde o Reino de Erufurau até aqui, sempre ficou em pousada dessa forma.

O que usou foi o "Olho Mágico da Ilusão". Habilidade capaz de mostrar ilusão pro outro lado, um dos Sete Olhos Mágicos que o Kuon possui.

Sendo só pra mostrar ilusão, a ilusão não fala. Por isso, fez a ilusão atuar como pai quieto.

Sem fazer esse tipo de coisa trabalhosa, poderia pensar em só se fazer parecer adulto, mas, nesse caso, a voz continuaria a do Kuon pequeno, e, sendo altura diferente também, nem caneta conseguiria segurar direito, gerando muita inconsistência.

No fim, esse método é o mais tranquilo mesmo. Precisa pagar taxa de hospedagem de duas pessoas, então gasta dinheiro, mas.

— Aa, faz tempo que não durmo em edredom de verdade…

Deve ter acabado de secar e recolher. Mergulhando no edredom com cheiro de sol, o Kuon cai devagar no sono leve.


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