Capítulo 519 – A Cidade Subterrânea, e o Gigante
— Cidade dos Homens-Máquina Agaruta?
— Sim. Cidade subterrânea criada por povo fugido do antigo Reino de Dānashia, que prosperou antigamente ao norte daqui.
Essa mulher de cabelo prateado envolta em toga branca pura responde educadamente à minha pergunta, sorrindo.
— O que é o antigo Reino de Dānashia?
— Um dos dois reinos antigos que disputaram supremacia antigamente neste continente.
Dessa vez, a Kūn explica. Desculpa mesmo, sem saber nada.
Se não me engano, antigamente, dois reinos lideraram uma guerra, investindo golem em massa, causando dano absurdo ao mundo. "Grande Guerra dos Golem Antigos", era isso?
Aquela guerra fez o mundo acabar uma vez, e, dali, reconstruiu virando a civilização atual.
Isso deveria ser a história na perspectiva do continente ocidental.
— Na época da grande guerra, nem todos queriam lutar. As pessoas que negaram a luta, fugindo do reino, encontraram por acaso essa instalação subterrânea, escondendo-se aqui, esperando o momento em que a guerra terminasse. Mas, mesmo depois de dezenas de anos, a guerra não terminava, e, eventualmente, passaram a viver nesta terra como segunda pátria.
— Se não me engano, dizem que a Grande Guerra dos Golem Antigos durou mais de trezentos anos, então faz sentido acontecer isso…
A Kūn dá explicação apoiando a fala da mulher de toga. Mais de trezentos anos, hein.
Na Terra também, teve tipo "Guerra dos Trezentos e Trinta e Cinco Anos", se não me engano.
Mas essa, o outro lado se rendeu em um ano decidindo o desfecho, mas parece que não fizeram declaração de fim nem tratado de paz.
Historiador de era posterior notou "ei, isso, essa guerra não terminou não?", e, passados trezentos e trinta e cinco anos desde o início, finalmente firmaram tratado de paz. História bem estranha, francamente.
Foi dita a guerra mais pacífica do mundo, terminando sem um único disparo.
— Quer dizer que você é descendente dos antigos que se estabeleceram aqui… isso?
Diante da fala da Rin, a mulher de toga balança a cabeça de lado. Opa, diferente?
— As pessoas que se estabeleceram nesta terra, aos poucos, foram diminuindo em número, e, em torno de duzentos anos, todos faleceram. No subterrâneo sem entrada de luz solar, era difícil pras pessoas sobreviverem.
Luz solar… falta de luz solar, é. De fato, ficar reclusa não deve ser bom pra saúde mesmo.
— Deve ser aquilo, "deficiência de vitamina D". Fica mais suscetível a infecção, e vira osteoporose, dizem.
— Que detalhada, hein…
— Tava num livro que trouxe da Terra.
Sem perceber, minha esposa absorveu conhecimento da Terra mais que eu. A Rin comprou até livro relacionado a medicina, hein.
…Espera um pouco. Se, dois séculos depois da grande guerra, os humanos desta cidade se extinguiram, então essa mulher diante de nós, afinal, o que é? Se não me engano, a Grande Guerra dos Golem Antigos foi uns cinco mil anos atrás, né? Quer dizer que…
Enquanto fico pensativo, a Kūn, ao lado, bate palma, "pon".
— Entendi. Você é golem de tipo antropomórfico, né?
— Sim. Número de modelo PERU-42, série "Perurajiōne", golem médico de enfermagem, chamada Perurūshika.
Apresentando-se elegantemente como Perurūshika, o golem antropomórfico curva a cabeça pra nós.
Golem antropomórfico, é. Como sempre, sendo "máquina antiga", difícil de distinguir mesmo. Olhando com cuidado, a íris dos dois olhos parece levemente diferente de humano.
Comparado até com a Shesuka e as Irmãs Babylon, não parece ficar tão atrás assim.
A Rin fala com a Perurūshika.
— Mesmo sendo médica de enfermagem, não percebeu a mudança na saúde das pessoas daqui?
— Percebi sim. Mas, conforme mudavam as gerações, o medo delas em relação à superfície ia aumentando, e a maioria não tentava sair desta terra. Diziam que a superfície era mundo da morte. Que, deixando esta terra, seria impossível sobreviver.
Uuun, será que aceitaram assim, exatamente igual, o que a geração dos pais ensinou. Faz sentido não querer deixar filho ir pra lugar cheio de robôs assassinos mesmo.
— Então você continuou protegendo essa cidade subterrânea que ficou sem morador, hein?
— Sim. Mesmo depois de ficar sem pessoas, virando "cidade dos homens-máquina" só de golem, repetimos estado de hibernação, passando longo tempo aqui. Como vigilantes de "Gigantesu".
— "Gigantesu"?
A Perurūshika ergue a mão delicada, apontando pra além da escuridão. Com a luz vaga emitida pela cidade, difícil de ver bem, mas, ainda acima da construção tipo pirâmide, dá pra ver de relance algo tipo gigante. …O que é?
— [Luz venha, brilho grandioso, Megaburaito]
A Rin dispara magia de iluminação superior naquela direção.
Acima da pirâmide, feito acendendo lâmpada grande, é criada esfera de luz grande.
Atrás da construção tipo pirâmide flutuando.
Semi-enterrado na parede, existia ali algo tipo grande corpo. Massa metálica humanoide absurdamente gigante enterrada ali.
Espera um pouco… sinto que já vi algo parecido com aquilo antes…!
— "Hekatonkeiru"…!
É isso, aquela arma de batalha decisiva ancestral que o rei mágico daquele Aizengarudo ressuscitou. Parece com aquilo.
— "Hekatonkeiru"? "Hekatonkeiru" é a arma de batalha decisiva que destruiu Aizengarudo, que papai e o pessoal derrotaram!?
— Conhece a arma de batalha decisiva, hein. Isso mesmo, aquilo é uma das armas de batalha decisiva. Legado negativo deixado aqui…
A instalação subterrânea que o povo fugido do Reino de Dānashia encontrou parece ter sido fábrica pra construir arma de batalha decisiva de algum país.
No momento da descoberta, todas as pessoas na instalação subterrânea já estavam mortas. Dizem que todos morreram com expressão de agonia.
Não sabe se foi algum acidente… ou se algo tipo gás venenoso foi espalhado.
O povo fugido de Dānashia decidiu usar essa instalação subterrânea, escondendo-se. Porque, na superfície, em qualquer lugar, a segurança era ameaçada.
Eventualmente, investigando a arma de batalha decisiva "Gigantesu" a partir dos poucos registros restantes, as pessoas percebem fato assustador.
Que essa arma de batalha decisiva já tá completa. Que agora só tá em estado de hibernação.
— O "Gigantesu" tá em estado de hibernação forçada. Se reiniciar, vai começar a agir pra cumprir a ordem inserida nele. A única ordem, "destruir o inimigo".
— Inimigo?
— Todos os golem não pertencentes ao próprio país.
Então, o quê? Se se mover, esse cara vai começar a destruir golem do mundo inteiro? Que tipo de ordem absurda foi imbuída nesse cara.
— A ordem inserida nesse "Gigantesu" é tipo instinto, ou razão de existência dessa golem. Mesmo sem contratante, essa golem deve tentar executar isso fielmente até ficar bobo. Por isso, legado negativo. Quando ele despertar, o mundo acaba.
Se não me engano, o velho rei mágico dizia que, no final da Grande Guerra dos Golem Antigos, vários países construíam arma de batalha decisiva competindo entre si. Isso também é uma delas, hein. Talvez tenha sido construída competindo com o país que fez o Hekatonkeiru.
— O mundo acaba, hein… querido, o que faz com isso?
— Uuun, pessoalmente, é irritante, então quero destruir mas…
— Destruir!? Que desperdício! …A, não, entendo que não dá pra trocar pela paz do mundo, mas…
A voz da Kūn, encarada com olhar afiado pelos pais, vai murchando.
Mas, hein. Sendo aqui outro país provisoriamente, será que tá certo destruir sem consultar o rei do aço de Gandirisu.
Essa arma de batalha decisiva, sendo achada por nós, teria direito de propriedade nosso, ou, originalmente estava nesta terra, teria direito de propriedade deste país.
Bom, mesmo se reivindicarem direito de propriedade, de qualquer forma, vou impedir isso de ativar.
— Por ora, dá pra deixar dar uma olhada nisso?
— …Se não for ataque que desperte o Gigantesu, tá tudo bem. Mas, por favor, com máximo cuidado.
Golem sem contratante igual elas parece ser feito pra obedecer, na medida do possível, humano, contanto que a ordem não envolva perigo próprio. Meu pedido deve ser risco considerável pra elas, mas, de algum jeito, parecem ter aceitado.
Faz sentido, se aquilo ativar, quem seria atacado primeiro seriam os golem daqui, afinal. Entendo o sentimento de não querer estimular.
Guiados pela Perurūshika, avançamos em direção ao Gigantesu enterrado na parede.
Mais que enterrado na parede, é sensação tipo entorno da caverna desmoronado e enterrando ele.
Chegando exatamente na altura dos pés, a Perurūshika instrui pra parar.
— Não avancem mais que isso. Por favor, observem.
Quando a Perurūshika joga pedra que tava por ali pra frente, dispara de pequenas plataformas de artilharia instaladas em várias partes do corpo algo tipo laser, e, "chun!", perfura a pedra.
A Kūn ergue o olhar pro lado do joelho do Gigantesu, de onde o laser foi disparado, abrindo a boca.
— O sistema de interceptação automática ainda tá funcionando, hein.
— Sim. Aquilo é sistema independente do Gigantesu. Mira em qualquer coisa em movimento dentro do alcance de ataque.
Entendi. Coisa tão perigosa assim, achei que teria sido melhor destruir, mas foi por causa desse sistema que o povo de Agaruta não conseguia tocar no Gigantesu, hein.
— O que vocês querem fazer?
— Nós somos golem. Feitas pra obedecer a intenção humana. Não vamos desafiar a decisão de vocês, humanos. Mas queremos que o desejo do povo de Agaruta que viveu aqui seja realizado. Remover o Gigantesu, e trazer verdadeira paz pra esta cidade.
Vivendo com medo da guerra entre o Gigantesu e a superfície, o povo desta cidade deve ter passado duzentos anos aqui. Pensando nesse sentimento, acho que o desejo da Perurūshika não é irracional.
— Pai. [Prison], por favor.
— Táta
Sinto que minha filha me usa a bel-prazer, mas, chegando a esse ponto, tanto faz.
Estendendo [Prison], como precaução, dou um passo à frente, e, de novo, o laser desce feito chuva sobre minha cabeça.
Diante da barreira de defesa absoluta do [Prison], a Perurūshika arregala os olhos. Mesmo sendo antropomórfico, é golem bem elaborado, hein. Sendo médico de enfermagem, talvez precise de expressão rica pra lidar com paciente.
Diante do ataque persistente descendo, penso até se não seria melhor destruir logo aquela parte de artilharia, mas ficaria em apuros se, por causa disso, o Gigantesu ativasse. Que incômodo, francamente.
Incluindo a Perurūshika, chegamos aos pés do Gigantesu, e a Kūn observa fixamente de perto essa golem.
— Como esperado, tem gravura mágica aplicada, hein. Linha de éter tá estendida até a superfície da armadura. Provavelmente, isso deve exercer papel de barreira de defesa protegendo o corpo do impacto, dispersando até bala mágica…
Ah, ruim. A Kūn começou a murmurar, "butsubutsu". Se isso continuar, vai demorar, essa criança.
— Explica de forma fácil de entender. "Isso" dá pra destruir? Ou não dá?
— Deixa eu ver, essa gravura mágica aplicada nessa armadura exerce papel igual pele humana. Ou seja, se der estímulo, o nervo transmite isso pro cérebro. Se não for algo tipo destruir esse corpo em pedaços num instante, com certeza o Gigantesu vai ativar, provavelmente.
Ou seja, quer dizer "perigoso tocar". Só cavando túnel, e desenterrei bomba absurda mesmo, francamente.
— Uuun… difícil, mas talvez não seja impossível processar. Se abrir [Gate] embaixo dos pés do Gigantesu, e deixar cair numa cratera de vulcão…
— Se derreter em lava, seria bom, mas. Parece conseguir estender barreira de defesa, então talvez consiga sair rastejando da cratera.
Proposta que ocorreu é recusada pela Rin. Mumu. De fato, essa possibilidade não dá pra descartar. Sendo caso sério assim, não posso apostar numa cartada só, né? Se, com isso, o vulcão explodir, também ficaria em apuros.
— Mas talvez não seja ruim teletransportar pra outro lugar. Move pra lugar sem afetar dano, e todos nós golpeamos com Frame Gear, talvez seja opção viável.
Entendi. Se for isso, será que dá certo? Mesmo sendo arma de batalha decisiva, não deve ser mais forte que deus maligno. Se contar com a força de todo mundo, acho que dá.
Se for isso, ainda mais preciso conversar com o rei do aço. O outro lado já deve ter saído do castelo, então, agora, não dá mais pra ir buscar com [Gate].
Deve levar em torno de uma hora, então vamos visitar a cidade subterrânea enquanto esperamos.
Nos afastamos por um momento do Gigantesu, e, guiados pela Perurūshika, percorremos observando a cidade subterrânea.
Originalmente sendo fábrica de fabricação do Gigantesu, parece ter tecnologia antiga usada em todo lugar, então a Kūn ficava com tensão elevada o tempo todo.
Num piscar de olhos, o tempo passa, e, atravessando o túnel que cavamos, a comitiva do rei do aço aparece, uma hora depois.
— Nunca imaginei que existisse ruína desse tipo em nosso país…
A comitiva de Gandirisu observa com olhar surpreso a cidade subterrânea e o Gigantesu.
Apresento a Perurūshika, contando o problema que essa cidade carrega. Bom, é sobre o que fazer com esse Gigantesu, mas…
— Arma de batalha decisiva… nunca imaginei que existisse em nosso país também, igual em Aizengarudo… esse é problema difícil mesmo…
O rei do aço segura a cabeça, preocupado. Arma de batalha decisiva é aglomerado de tecnologia antiga. Pra Gandirisu, com muitos técnicos, seria montanha de tesouro. Mas, se errar no manuseio, o país é destruído.
— Vossa Majestade, essa pode ser oportunidade única. Se investigar essa arma de batalha decisiva, talvez consiga até ressuscitar a tecnologia antiga perdida…
— E, então, seguir o mesmo caminho de Aizengarudo? Transformar esta terra em terreno plano? A balança tá desequilibrada demais.
Diante da fala do cavaleiro subordinado, o rei do aço responde segurando a cabeça.
Eventualmente, o rei do aço solta suspiro grande, erguendo o rosto.
— A tecnologia antiga é preciosa, mas não posso trocar pela paz do meu povo. Vou seguir a proposta do Príncipe-Rei de Brunhild. Mas, ficaria feliz se, depois do Gigantesu parar de funcionar, deixarem nós investigarmos também.
— Claro que sim. Vou mandar também a técnica Eruka e alguns assistentes dela.
Nesse caso, assistente seria o Doutor Babylon e o pessoal, mas será que o Professor também vem? De alguma forma, sinto que ele vai vir mesmo.
— Então, teletransportamos esse Gigantesu pra lugar sem afetar dano, e golpeamos…
Preciso avisar todo mundo… isso, com certeza, as crianças também vão dizer que querem vir…
— Ah, será possível nós também assistirmos ao momento de derrotar isso?
— Nós também gostaríamos de testemunhar esse desfecho.
Diante da fala do rei do aço, a Perurūshika pronuncia desejo parecido. A Perurūshika, tendo vigiado esse cara por milhares de anos. Não é irracional querer ver esse desfecho. Se conseguir organizar o sentimento com isso, do meu lado, não tem problema, mas…
— Uuun, bom, acho que tá tudo bem.
Se tiver algo tipo canhão de partícula carregada de Phrase de espécie superior, seria perigoso, então vou pedir pra assistirem por monitor de retransmissão. As crianças também, vou mostrar assim.
Não é espetáculo, mas, francamente.
— Grande, hein… sinto que é maior que aquele que enfrentamos em Aizengarudo, viu.
A Yae murmura isso, erguendo o olhar pro Gigantesu.
Naquela vez, derrotamos com três unidades, meu Reginreivu, o Shuveruto Raite da Yae, e o Jīkurūne da Hiruda.
Se esse cara for igual em força ao Hekatonkeiru, não deveria precisar de todo mundo lutando, mas a força ainda é desconhecida. País de fabricação parece ser diferente… pode ser força excessiva, mas melhor tomar precaução redobrada.
— Então, pra onde pretende teletransportar isso?
— Pensei em Aizengarudo ou Yūron, mas, pensando na possibilidade de algo dar errado, acho melhor Aizengarudo, hein.
Respondo isso à pergunta da Rinze.
Yūron, mesmo devagar, já começou a formar vila e cidade. Se não souber que tipo de ataque vem, Aizengarudo, virado terreno plano pelo deus maligno, deve ser mais seguro ainda.
— Então, todo mundo vai enfrentar isso?
— Provisoriamente, era essa a intenção mas…
Respondendo isso à fala da Yumina, quem reage não é ela, mas minha pequena filha e a amiga dela.
— Eu eu eu! Papai, eu também quero lutar!
— Vossa Majestade Vossa Majestade! Eu também! Eu também quero lutar!
A Rinne e a Arisu erguem a mão, até se esticando na ponta dos pés. Ou melhor, por que a Arisu também tá aqui.
Primeiro, teletransportei pra Brunhild, trazendo a Yakumo pra cá, depois, nós dois, dividindo, trouxemos todo mundo que tava espalhado, mas, por algum motivo, a Arisu também veio junto.
Atrás dela, naturalmente, também tá a figura do Ende.
— Não, tem possibilidade de perigo também, então melhor todo mundo assistir por monitor…
— Tá tudo bem! Nós também sabemos usar Frame Gear direitinho!
Uuun, de fato, sei que a Rinne e a Arisu conseguem montar Frame Gear, mas… mesmo assim, tem dispositivo de escape de teletransporte, então acho que não é tão perigoso assim…
…Opa? Essa presença é…
— Tá tudo bem. Se acontecer algo, eu ajudo.
Enquanto hesito, atrás da Rinne e do pessoal, aparece a vovó Tokie.
Quanto tempo, hein. Talvez ocupada, não apareceu recentemente. Parece que foi pro Reino Divino, será que aconteceu algo?
A vovó Tokie é deusa do tempo-espaço. Parar o tempo, teletransportar instantaneamente, é trivial pra ela. Fazer escapar uma ou duas crianças não deve ser problema nenhum.
Diante da fala da vovó Tokie, a Rinne e a Arisu me olham com olhar cheio de expectativa. Uu…
— A Rinze e o Ende, tá tudo bem assim?
— Eu confio na Rinne e na vovó Tokie.
— Eu queria parar se pudesse mas… acho que falar não adianta nada…
A Rinze responde sorrindo, "nikkori", e o Ende responde desanimado.
— Se for isso, Rinne, empresto meu Geruhirude. Acho que combina mais com o jeito de lutar da Rinne do que o Herumuvīge da Rinze.
— Consegui! Obrigada, mamãe Eruze!
A Rinne abraça a Eruze, tia dela e também uma das mães. De fato, se for pra socar ou chutar, acho que o Geruhirude é melhor mesmo, mas… isso, vai socar?
Erguendo o olhar de relance pro Gigantesu de várias dezenas de metros, penso esse tipo de coisa.
— E a Arisu, como faz? Tá bem com o Cavaleiro Dragão do Ende?
— Uuun, o Cavaleiro Dragão do papai é fraco pra levar golpe, hein…
— Uuu!?
Ah, o Ende afundou. O Cavaleiro Dragão do Ende é tipo leve, com foco em mobilidade, afinal. Igual à Rinne, pro tipo de luta da Arisu, de soco e chute, talvez seja difícil de usar. Originalmente, o Ende também é desse tipo, mas ele é habilidoso, então consegue usar bem.
Já é hora do Cavaleiro Dragão também precisar de atualização de versão, talvez?
Mas a Arisu consegue fazer o Frame Gear vestir [Armamento de Cristal], armadura exclusiva de Phrase. Por isso, acho que consegue lutar de algum jeito.
Enquanto penso esse tipo de coisa, a Arisu abre a boca timidamente.
— Ehm, eu, queria tentar montar no Orutorinde… tá tudo bem?
— Nn? Do meu?
A Sū fica pasma.
Fumu. De fato, se for ataque tipo socar e chutar, depois do Geruhirude da Eruze, deve ser o Orutorinde Ōbārōdo da Sū mesmo. Sendo o de maior defesa também.
— Meu Orutorinde é diferente do Cavaleiro Dragão, o movimento é lento, viu? Mesmo assim, se tiver tudo bem, tá certo, mas…
— Sim! Muito obrigada!
A Arisu, recebendo permissão da Sū, ergue a mão feliz. O Ende ainda continua afundado.
A Yakumo, a Furei, a Kūn, a Yoshino, a Āshia, a Eruna, seis, obediente, ficaram só de observadoras por monitor. A Kūn ainda parece ter reticência de que seria desperdício destruir o Gigantesu.
Provisoriamente, decidimos: Yumina, Rū, Sakura, Rin, apoio traseiro, Rinne, Arisu, Yae, Hiruda, linha de frente, Rinze, Ende, e eu, atacante de suporte conforme a situação.
Colocamos o monitor de observação na praça da cidade subterrânea, pedindo pra retransmissão os súditos do Kōgyoku.
Certo, então, vamos começar o trabalho de desmontagem dessa sucata incômoda.