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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 53

Visitante e uma Má Notícia

Capítulo 53 – Visitante e uma Má Notícia

— É, ficou muito bom em você.

— S-será.

Erguendo de leve a saia do uniforme de maid novo, a Rene gira no lugar. O pingente no pescoço balança junto.

— Esse pingente atrapalha o trabalho, melhor guardar por dentro da roupa.

— Ah, é mesmo. Entendi, moço Touya.

De fato atrapalha o trabalho, mas, por via das dúvidas, pra ele não ser roubado, melhor não deixá-lo à mostra.

O Lime-san, ao meu lado, fita a Rene firme.

— Rene. A partir de agora você é empregada desta casa. Diante de visitas, não "moço Touya", mas "patrão".

— A-ã, sim. Lime-san.

— Muito bem. Seu trabalho é dar apoio aos empregados daqui. Por ora, antes das refeições, aprenda com a Claire; no resto, com a Lapis e companhia.

— Enten… entendi.

A Rene responde com firmeza. Será que vai dar certo… Fico meio inseguro.

— Então, Rene, vamos~?

— Uhum. Já vou, moço Tou… patrão.

— Boa sorte~.

Levada pela Cecile-san, a Rene sai do refeitório. Bom, é ir se acostumando aos poucos.

— Não precisa se preocupar, vai dar certo.

— …Eu também acho.

Tomando o chá pós-café, as gêmeas dão o aval. Ontem expliquei a todas a história de ter contratado a Rene.

— É uma menina de fibra, e do tipo que pensa por si, aquela ali.

Diz a Yae, ainda comendo o café da manhã. Come bem como sempre! Quantos croissants já, hein.

Gáten, a porta abre e a Yumina entra no refeitório. Na mão, balançando, um papelzinho.

— É do meu pai. Pede que, se o Touya-san estiver livre hoje, apareça no palácio.

O [Gate Mirror] de correspondência com o palácio está no quarto da Yumina. A carta deve ter vindo por ele. Até o palácio dá uns 30 minutos a pé, mas prático é prático.

— O rei? O que será que ele quer?

— Outro dia ele disse que o tio se gabou da bicicleta; deve ser isso, não?

A Yumina responde com um sorriso amarelo. Ah, ele também ficou querendo……

Então faço uma e levo. De quebra, queria conversar sobre a Rene.

Vou ao jardim, uso o [Storage] e tiro o material da bicicleta. Já fiz tantas que em uns 10 minutos uma fica pronta. E a guardo de novo com [Storage]. Prática mesmo, essa magia.

— Bom, vou indo.

— Eu o acompanho.

Diz a Yumina, vindo ao jardim. Bom, sem ela não dá pra andar livre pelo castelo, então é bem-vinda.

— Ah, espera. Eu vou também. Quero treinar com o general.

Com as manoplas assimétricas na cintura, a Elsie vem correndo. Ela e o General Leon, comandante-geral do exército, já treinaram várias vezes; agora é quase uma relação de mestre e aluna.

Aliás, este país tem dois corpos: o "exército" e a "ordem de cavaleiros". Qual a diferença? Guarda externa e interna? Ou a ordem de cavaleiros é a guarda pessoal do rei? Nunca conheci o chefe da ordem.

Pensando nisso, abro a [Gate].

— É, é o seguinte, Al… digo, o Duque Ortlinde, me mostrou um veículo curioso, e soube que é coisa feita por você, Touya. Será que… você arranjava um pra mim também……

Com ar atrapalhado, o rei puxa o assunto. Era isso mesmo.

Num quartinho do palácio conversávamos. A Elsie foi pro general, a Yumina pra rainha, então é só nós dois.

— Imaginei, fiz uma e trouxe.

— Ôo! Que ótimo! E, onde está?!

Com [Storage], abro um círculo no quarto. Tiro a bicicleta que fiz.

— Você é fora de padrão, como sempre, Touya. Isto não é a [Gate]?

— Esta é magia de armazenamento. Guarda várias coisas, é uma mão na roda.

O rei solta uma voz exasperada, mas os olhos estão grudados na bicicleta. Olha de vários ângulos, toca pra sentir.

— O duque deixou o senhor andar?

— Sim, mas eu não consegui. O Al disse que precisa treinar; quanto tempo leva?

— O duque levou um dia, mas a minha maid aprendeu em três horas. No máximo, em três dias você anda.

O rei também não tem tempo sobrando. Não pode treinar bicicleta o dia todo. Ainda assim, treinando, uma hora ele aprende.

Bom, ao rei que monta feliz no selim, agora deixa ele me ouvir.

— Então, é o seguinte. Da minha parte também tenho um pedido, ou melhor, uma conversa……

— Ora? Da sua parte é raro.

Ao rei, com cara meio espantada, conto sobre a Rene. Ele ouve calado e, logo, abre a boca, grave.

— Crime é crime. Tem que ser expiado. Mas, considerando a situação da menina, há margem pra atenuante. Se você se responsabilizar por vigiá-la e recuperá-la, desta vez fica só em multa alta e advertência. Mas não há segunda vez. Deixe isso bem claro pra ela.

Às palavras do rei, fico aliviado. Eu temia um "e se…", e nesse caso ia proteger a Rene de todo jeito. Que bom que é um rei sensato, penso de coração.

Mas o rei caiu num silêncio pensativo. Aconteceu algo ruim?

— Hmm… não me cai bem.

— O quê?

— Haver tantos meninos de rua. Ao orfanato da Capital eu destino verba suficiente. Isto talvez seja……

Pá-pá, o rei bate as mãos, e do forro do teto desce, sem ruído, um vulto de máscara branca, todo de preto. Uou, que susto!

Por um instante achei que fosse a Lapis-san ou a Cecile-san, da minha casa, mas o brasão na testa da máscara é outro. Lapis-san é hexágono, Cecile-san é oval. Este é pentágono. Deve ser um da Espion, a inteligência do rei a que as duas pertencem.

— De quem era a gestão do fundo do orfanato?

— …Do Barão Sebek, acho. Há alguns anos corre o boato de que ele anda estranhamente próspero.

— Investiguem a fundo o fluxo do dinheiro e, se houver desvio, prendam-no de imediato.

— Sim.

Como surgiu, num instante some pro forro de novo. Ninja, sério.

— Desculpe. Talvez a situação da menina que você acolheu tenha sido falha nossa. Perdoe.

E o rei baixa a cabeça. Sei, o dinheiro que devia ir ao orfanato podia estar sendo desviado por quem o gerencia. Por isso o orfanato não funcionava direito e não dava conta dos órfãos.

É, existe mesmo. Esse tipo que engorda os próprios bolsos e se aproveita.

— Não é fácil, ser rei.

— Pois é. Quero logo passar pra alguém e me aposentar.

Com um sorrisinho, o rei. Está insinuando o casamento com a Yumina, isto. Mesmo casando, rei eu não viro. Tenho que arranjar com o chefe da cozinha do castelo uma receita revigorante e fazer o rei caprichar num segundo filho. Alho, inhame, tartaruga… será que tem por aqui. Preciso providenciar com urgência.

— Cheguei.

Pela [Gate], saio com a Yumina na entrada de casa. A Elsie, quando terminar o treino, volta a pé.

Abro a porta, entro no saguão, e o Lime-san me recebe.

— Bem-vindo, patrão.

— Cheguei, Lime-san. A da Rene ficou resolvida.

— Que ótimo. Ah, o patrão tem visita.

— Visita?

Por cima do Lime-san, dou uma olhada no corredor, e algo vem andando aos trotinhos na minha direção.

Uns 50 centímetros. Pelo cinza, uma fita vermelha no pescoço. Olhos redondinhos. Um urso de pelúcia.

— Paula?!

Chamado pelo nome, o urso, shtá, ergue a pata direita num oi. Pego a Paula, que veio aos trotes, e a ergo no colo.

— Você não veio andando de Mismede sozinha, veio?

— Claro que não. Ela veio como minha companhia.

A porta da sala de visitas abre, e uma menina de cabelo branco em maria-chiquinha, na roupa gothloli preta, aparece.

— Leen?! Por que aqui?!

Bom, com a Paula aqui, a dona dela, a Leen, estar aqui não é nada de mais.

— Vim pesquisar umas coisas. E dar um cocão na Charlotte, vamos dizer. Já dei, aliás.

Guarda mágoa pra valer… Com mais de 600 anos e sem maturidade nenhuma…

Enquanto eu olho a Leen, exasperado, a Yumina me puxa a manga.

— Touya-san? Quem é esta?

— Ah, a Yumina não conhecia. É a chefe do povo das fadas de Mismede, a Leen. Mesmo assim, é muito mais velha que a gente.

— Povo das fadas…? Mas……

A Yumina olha a Leen com cara desconfiada. Ué? As asas de fada que deviam sair das costas dela não estão. Não me diga que ela cortou.

— Ah, as asas eu deixo invisíveis com magia de luz. Neste país dão na vista.

Desfez a magia, e aos poucos as asas semitransparentes aparecem nas costas. Brilham à luz do sol pela janela. Não que importe, mas será que o povo das fadas e o povo alado não se incomodam com as asas pra dormir.

— Mas por que vir aqui? Como achou a gente?

— Soube pela Charlotte. E tem uma coisa que quero te perguntar. Sobre o "monstro de cristal" que você derrotou há uns meses.

— …Como é que é?

Monstro de cristal. Isso só pode ser aquele. O monstro misterioso que surgiu das ruínas subterrâneas da antiga Capital — espada não pega, absorve magia, e ainda se regenera.

— Em Mismede também apareceu. Esse monstro de cristal.

Às palavras da Leen, senti, com o espanto, um arrepio difícil de descrever.

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