Capítulo 530 – O Leilão, e a Pedra Mágica Artificial
No Museu Central de Ferusen, local do leilão, tinha grande salão pro leilão.
Surpreendentemente (dizer isso pode ser falta de respeito), a entrada de clientes é bastante grande, já sentados cada um no assento marcado do salão. Todos esses são participantes, é. Todos parecem ricos, hein…
— Deixa eu ver, nosso assento é…
"Kuikui", a Furei ao lado puxa minha manga. Nn, é ali?
— Papai, ali tá Sua Majestade o Rei de Ferusen, viu.
— Eh?
Direciono o olhar pra onde a Furei aponta, e a pessoa que provavelmente deve ser o Rei de Ferusen acena a mão em nossa direção.
Provavelmente, é porque ele tava usando máscara dominó. Deve ser porque veio disfarçado, escondendo a identidade.
Queria ir cumprimentar, mas tá razoavelmente distante, e, tendo se dado ao trabalho de esconder a identidade, poderia ser descoberto que é rei, então só faço aceno leve de cabeça.
Terminando o leilão, vou cumprimentar de novo. Antes disso, preciso achar nosso assento. Se ficar enrolando, o leilão vai começar.
Observando com cuidado, igual ao Rei de Ferusen, vejo de relance algumas pessoas parecendo nobres usando máscara. Provavelmente, deve ser gente que ficaria em apuros se descobrissem que arrematou. Tipo marido com carteira controlada pela esposa.
Nosso assento era lugar próximo ao centro, perto do palco. Assento razoavelmente bom. Ali dá pra ver bem os itens exibidos no leilão. No assento, tava colocado número de placa igual ao número do assento. Isso deve ser pra levantar mostrando intenção de dar lance. Não parece diferir tanto assim do leilão da Terra.
Sentando ao lado da Furei, abro de novo o catálogo do leilão entregue.
Nesse leilão, além de item mágico e artefato, também parecem exibir obra de arte e antiguidade.
Numa olhada rápida, não tem nada que eu especialmente queira.
No catálogo, só tá escrito imagem detalhada do produto e origem, sem indicar de quanto começa o lance. Parece que o expositor tem valor mínimo desejado, e, se não atingir isso, não dá pra arrematar.
— Ou melhor, será que vai mesmo arrematar isso, afinal…?
Observo de novo a "Armadura do Herói Dāmueru" listada no catálogo. Armadura de gosto ruim mesmo, francamente… parece amaldiçoada. Não, é amaldiçoada mesmo.
— Bom, o lado da maldição dá pra remover com magia de desencantamento, mas…
— Não pode! Se desencantar, o valor cai! É porque mantém exatamente o estado original daquela época que tem sentido!
— Eeer…
Não entendo o que a filha quer dizer. Normalmente, maldição seria assustador, né. Não entendo o desejo de quem quer algo assim, mas, sendo filha de verdade, o que fazer, francamente.
Folheando o catálogo, a Furei ergue voz repentinamente.
— Ah!? A adaga do Matorakku também tá sendo exibida, sabe! Ukuku…! Também quero isso, mas… dinheiro… dinheiro…! O que faço!
Por que fica olhando de relance pra cá, hein? Bom, mais ou menos entendo o que quer dizer, mas.
— …Não pode ser algo tão caro assim, viu.
— Papai, amo você!
Aa, isso, com certeza, vou levar bronca da Hiruda, hein… apesar de tanto avisada. Bronca de "mimando demais a filha".
Enquanto fico melancólico pensando no depois de voltar, chega o representante do leilão, começando o evento.
Primeiro produto é vaso sem entender bem o que é. Parece ser obra de arte de uns três mil anos atrás. Segundo explicação do leiloeiro, era item possuído pelo rei de um país já extinto, e, por causa desse vaso, ocorreu guerra, resultando na destruição desse país, história com histórico.
Quem quer coisa de má sorte assim, afinal? Enquanto duvido, sem me importar, um atrás do outro os participantes levantam a placa, e, num piscar de olhos, é arrematado por valor absurdamente alto. …Não consigo entender.
Depois disso, vários itens raros são exibidos, e o lance esquenta cada vez mais.
Nesse leilão, parece que só dá pra aumentar em unidade de moeda de ouro. No sentimento da Terra, seria unidade mínima de cem mil ienes. Bom, ficaria incômodo se fosse feito minuciosamente em unidade de prata mesmo.
Graças a isso, o valor sobe rápido demais.
No meio, alguns itens receberam valor absurdo, a ponto de duvidar se o senso monetário das pessoas presentes ali tá errado. Dizem que hobby custa dinheiro, mas, se aprofundar, vira assim mesmo, hein.
— Papai! Próximo! O próximo é a adaga do Matorakku! Precisa arrematar com certeza!
…Será que minha filha vai ficar bem, hein.
Enquanto sinto certa ansiedade, o próximo produto é trazido pro salão.
É adaga. No centro, tem fenda, com lâmina direita e esquerda separadas. Formato tipo garfo bifurcado pra espetar fruta. Isso é a "Adaga do Matorakku"?
O leiloeiro no palco, com item mágico tipo megafone, começa a falar.
『O antigo reino mercenário Katān, que prosperou antigamente. Naquele Katān, tinha o valente general Matorakku, chamado até de braço direito do rei. Essa é a adaga que dizem ter sido dada por esse Matorakku ao filho pequeno. A lâmina é mitrilo, a decoração usa orichalcum. Mesmo depois de mais de mil anos, esse brilho não se perdeu nem um pouco. Que valor terá isso, afinal! Então, vamos começar o leilão!』
— Cem moedas!
Bu!? Cem moedas de ouro!? Vai pagar dez milhões de ienes numa adaga dessas!?
Diante do valor disparado de repente, fico atônito. Inacreditável… até eu poderia fazer algo assim, no entanto…
— Cento e dez moedas!
— Aqui é cento e vinte!
— Cento e vinte e cinco moedas!
Eee…!? O valor tá subindo cada vez mais…? Alguém quer tanto assim isso?
— Papai, papai! Rápido, precisa levantar a placa!
— Não, disse que não pode ser algo caro demais…
— A adaga do Matorakku, partindo de cem moedas de ouro, já é preço razoável, sabe! Rápido, senão alguém pega antes!
…Será mesmo? Não entendo bem, mas, se a Furei diz, talvez seja mesmo.
Na realidade, o valor que a Furei conseguiu derrotando dragão de mana também é acima disso. Talvez isso ainda seja considerado barato.
— Deixa eu ver, então… cento e trin,
— Cento e trinta e cinco moedas!
Antes de eu terminar de falar o valor, outro cliente interrompe. O nobre gordo que ergueu a placa olha pra cá sorrindo, "niyari". Mu… quer disputar, é?
— Cento e quarenta moedas
— Cento e cinquenta moedas!
— Cento e sessenta moedas
— C, cento e sessenta e cinco moedas!
— Cento e setenta moedas
— Cento e sete… duas moedas!
O ímpeto do nobre gordo vai caindo. Provavelmente, deve estar perto do valor limite. Sem perceber, quem disputava já era só eu e o nobre gordo. Vou pra cima decidindo isso de vez agora.
— Duzentas moedas
— Ku…!
O nobre gordo, sem erguer a placa, senta na cadeira irritado. Fu, comprei. Não, ganhei.
『Então, com duzentas moedas, arrematado pelo número sessenta e cinco!』
"Kaan!", som do martelo de leilão ecoa pelo salão.
— Consegui! Arrematei!
…Droga. Empolgado, sem perceber, acabei disputando. Nunca imaginei que fosse comprar pelo dobro do valor.
A Furei tá feliz, mas isso, com certeza, vou levar bronca da Hiruda mesmo… imagino a figura da esposa brigando sorrindo, tremendo sem perceber.
Pensando bem, o Rei de Ferusen, maníaco por arma igual, não disputou. Por quê, hein?
— Sua Majestade o Rei de Ferusen não tem tanto interesse assim, exceto arma ou proteção que herói ou pessoa valente usava. A adaga do Matorakku não é algo que o próprio Matorakku usou…
Ah, é isso, tinha essa explicação, né. Deu de presente pro filho pequeno. Por isso, hein. Bom, o item em si deve ser bom mesmo.
De qualquer forma, uma adaga por vinte milhões de ienes… ah, não, é meio que valor além de "levemente" demais. Isso, não posso contestar mesmo se disserem que sou permissivo com a filha, francamente…
Mas essa criança, se realmente quiser, consegue ganhar mais que isso normalmente mesmo, hein… nós também não damos mesada.
Nossa casa também tá com senso monetário bem estranho mesmo, hein. Não posso criticar essas pessoas aqui.
Depois disso, vários lances de valor surpreendente continuam, e dentro de mim começa a levantar pensamento perverso, "leilão não seria lucrativo…?".
Dentro do meu [Storage] e do "Depósito" de Babylon, tem montanha de item mágico e material sem uso, empoeirados. Se colocar isso à venda, talvez virasse valor considerável, penso.
Só eu não tenho interesse, mas acho que tem gente que quer razoavelmente. Formato leilão talvez rendesse valor inesperado.
Da próxima reunião mundial, será que dá pra fazer negócio com os reis, hein?
『Então, vamos pro próximo produto. Pedra mágica artificial usada na antiga civilização mágica. Tamanho assim não foi descoberto até agora. Infelizmente, a mana já se esgotou, mas o valor como joia também é considerável』
Dizendo isso, o que o leiloeiro traz é grande pedra cristalina vermelha, tamanho de bola de exercício.
Pedra mágica artificial? Se não me engano, é pedra mágica artificial fabricada na civilização mágica antiga, né?
Pedra mágica é capaz de acumular, amplificar e liberar mana. Usando isso, aumenta poder de magia, ou usa como fonte de energia de item mágico, mas, mesmo na era do reino mágico, pedra mágica natural era difícil de encontrar, tendo alto valor.
Por isso, foi criada em substituição a pedra mágica artificial. Só que a pedra mágica artificial tem uma desvantagem: fora a mana imbuída no momento da fabricação, não consegue acumular mais.
Ou seja, é descartável. A pedra mágica artificial não consegue acumular mana. Por isso, mesmo encontrada em ruína, se não tiver mana restante, não serve pra nada.
…Bom, na verdade, o Doutor da minha casa já fez pedra mágica artificial capaz de acumular também. Aquelas são usadas na "Torre", servindo como fonte de energia de Babylon.
Melhorando ainda mais a pedra mágica artificial feita pelo Doutor, parece virar algo próximo do G-Cube do golem. Absorvendo mana do ar ou luz, amplificando, transformando em força motriz. O material cristalino das Phrase também tem efeito parecido.
Aquela pedra mágica artificial absurdamente grande deve ser algo usado em alguma fábrica ou instalação especial. Sem mana, é só pedra bonita, mas deve ter certo valor mesmo assim.
『Então, vamos começar o leilão!』
— Mil e setecentas!
Bu!? Vai começar de cento e setenta milhões de ienes!? Isso já não serve mais pra nada, e nem é pedra preciosa natural, viu! Falando abertamente, é só pedra bonita e grande! Deve ter algum valor histórico, mas…
Mas, surpreendentemente, de novo, o valor vai subindo cada vez mais.
Disseram que também tem valor considerável como joia, mas, de fato, tamanho assim não deve ser tão raro assim mesmo em pedra mágica artificial.
Pra mim, é só bola de vidro, mas, vendo esse entusiasmo, provavelmente o expositor deve entender melhor o valor da coisa do que eu, com certeza. Valor da coisa deve ser raridade e demanda mesmo, hein.
— Mil e oitocentas e oitenta!
— Aqui é mil e oitocentas e oitenta e cinco!
— Dois mil
Diante do valor definido de um salto, o salão fica em polvorosa. Virando-me, do nosso assento, diagonal direita, razoavelmente atrás, um nobre com máscara dominó azul erguia a placa.
Duas mil moedas de ouro. Duzentos milhões de ienes. Que generoso, hein.
— Dois mil… cem moedas!
Diante da voz esprimida pelo homem parecendo comerciante de dente saltado chamativo na diagonal oposta, "ooh~", de novo o salão fica em polvorosa.
O comerciante, parecendo ter bastante dinheiro, deixa aparecer no rosto satisfação diante do grito de torcida se elevando no salão.
— Três mil
Diante do valor disparado sem intervalo pelo nobre mascarado, a agitação do salão aumenta ainda mais. O comerciante de dente saltado, tremendo de raiva, senta com força na própria cadeira, jogando fora a placa frustrado.
『Então, com três mil moedas de ouro, arrematado pelo número noventa e oito!』
"Kaan!", som do martelo de madeira ecoa.
Três mil moedas de ouro. Trezentos milhões de ienes, é. Deve ser o maior valor de hoje. Se tivesse mana acumulada, teria virado valor absurdo, provavelmente.
Mas, mesmo assim, tem até joia de trezentos milhões de ienes na Terra também, então talvez não seja algo tão surpreendente assim. Dinheiro existe onde existe mesmo, hein.
— Inacreditável dar tanta moeda de ouro assim por algo desse tipo, francamente.
— É, será que não tem espelho aqui.
Queria devolver exatamente a mesma fala que a Furei murmura com ar atônito.
De relance, olhando pra trás, o nobre com máscara dominó azul, levando junto o acompanhante, já saía do salão. Parece que o objetivo dele era só aquela pedra mágica artificial, sem interesse pelo resto. Bom, sendo normal, gastando trezentos milhões de ienes, não deveria conseguir participar mais mesmo.
O comerciante de dente saltado, que disputou, também saiu. Será que mirava só a pedra, também?
Depois disso, o leilão continua, mas não tinha muito item que despertasse meu interesse. Colar de conjunto de cinco também pensei em dar de presente pras esposas, mas, no meu caso, precisaria de nove.
『Então, por fim, resta a lendária armadura envolta pelo herói Dāmueru! Armadura que carrega maldição corroendo o próprio corpo! Armadura mágica dando sofrimento e concedendo grande poder a quem a veste!』
No salão, é trazida armadura sinistra azul-escuro-preta. É essa a armadura do herói Dāmueru, hein. Vendo de perto, é sinistra mesmo. Realmente vou arrematar isso…?
— Papai! Não pode perder pra Sua Majestade o Rei de Ferusen!
— Não, esse produto vai ser arrematado do dinheiro da Furei, então, se ultrapassar o limite, não dá, viu?
O valor que a Furei conseguiu caçando dragão de mana também tem limite. Se aparecer valor além disso, não tem jeito.
Se disparar de uma vez o valor máximo do dinheiro que tem, e não tiver comprador rival, talvez consiga arrematar, mas, pra conseguir mais barato possível, acho melhor subir aos poucos.
『Então, vamos começar o leilão!』
— Quinhentas!
Quinhentas moedas!? Vai começar de cinquenta milhões de ienes, hein. Custa bastante, hein…
— Quinhentas e dez moedas!
Logo aumenta dez moedas. Confirmando quem ergueu a placa, era mesmo Sua Majestade o Rei de Ferusen.
O outro lado também veio com estratégia de subir aos poucos, é? Fico em dúvida se unidade de um milhão de ienes seria "aos poucos", mas.
— Quinhentas e vinte moedas!
— Quinhentas e trinta, é!
Opa? Achando que fosse só eu, o Rei de Ferusen, e a filha maníaca por arma que quisessem essa armadura de gosto ruim, parece que tem mais algumas pessoas querendo também. Será que semelhante atrai semelhante mesmo, hein…
— Papai! Rápido, sobe! Vão pegar antes!
— Já entendi, oras… quinhentas e quarenta!
Eu também vou aumentando dez em dez. O dinheiro da Furei é oito moedas de ouro real. Em moeda de ouro, seria oitocentas moedas, oitenta milhões de ienes.
Não acho que vá subir tanto assim, mas…
— Seiscentas moedas!
Um dos que erguia a placa aumenta de uma vez. Droga, fazendo isso, os outros também vão aumentar, oras!
— Seiscentas e trinta!
— Seiscentas e setenta moedas
Vejam só. Não sei se é verdade real, mas veio atacando com postura tipo "ainda tenho folga, viu?".
— Setecentas e cinquenta moedas!
Enquanto fico internamente apreensivo, Sua Majestade o Rei de Ferusen de repente dispara o valor. Espe, tá tudo bem mesmo!? Gastando tanto assim, depois não vai levar bronca do primeiro-ministro ou algo assim?
Com o disparo repentino, algumas placas descem. Desistiram. Opa, se não aumentar mais, também vão pensar que eu desisti.
— Setecentas e sessenta moedas!
De novo dez moedas, é! Parece que isso deve ecoar. Já vou de uma vez, "oitocentas moedas!", dizer, e, se conseguir arrematar, tá bem, se aumentar ainda mais, desistir, esse método também existe, mas…
— Setecentas e setenta!
Mu? Sua Majestade o Rei de Ferusen também aumentou dez. Provavelmente, o outro lado também deve estar perto do limite. Aqui, vou apostar tudo ou nada!
— Oitocentas moedas!
— N, gu…!
Sua Majestade o Rei de Ferusen olha pra cá com olhar tipo "sério mesmo?". Eventualmente, ele, feito decidido, ergue ainda mais a placa, gritando.
— Oitocentas e cinquenta moedas!
Mu, gu. Como esperado, isso… no campo de visão, dá pra ver o rosto orgulhoso, "doya", de Sua Majestade o Rei de Ferusen. Uu…
De relance, olhando pro lado da Furei, ela balança a cabeça de lado desanimada. Como esperado, mais que isso…
Eu também poderia dar a diferença, mas, tem também aquele assunto da adaga, e, se apoiar demais a Furei, levaria bronca séria da Hiruda.
Dou suspiro junto com desistência, abaixando a placa.
『Então, com oitocentas e cinquenta moedas de ouro, arrematado pelo número vinte e cinco!』
"Kaan!", martelo de madeira ecoa pelo salão. Apesar de ter arrematado, o rosto de Sua Majestade o Rei de Ferusen muda de orgulhoso pra sorriso contraído. Deve ter forçado bastante, aquilo…ao redor, os acompanhantes conversam com pressa apreensiva, será que, por acaso, o valor não é suficiente, hein.
Sendo provisoriamente rei de um país, não deveria virar incapaz de pagar, mas, sem dúvida, deve ter ultrapassado o valor planejado mesmo.
— Uu~… se soubesse que ia ser assim, deveria ter me contido com a adaga do Matorakku, francamente…
Nn… bom, se não fosse aquilo, teria conseguido subir mais. Diferença entre a Furei, que se desviou pra outro item, e Sua Majestade o Rei de Ferusen, que mirava só aquilo, com determinação.
Vendo o rei com o rosto pálido, sinto que a determinação dele também é duvidosa, mas.
Bom, pelo menos conseguiu a adaga. Isso já é bom, né.
Terminando o ciclo do leilão, os clientes começam a sair do salão. Depois, quem arrematou vai até o local de negociação, pagar dinheiro, receber o produto.
Certo, então, vamos buscar a adaga do Matorakku também.
O trio de homens saindo do local do leilão começa a caminhar carregando o produto conseguido.
O produto é caixa grande de segurar com as duas mãos, envolto cuidadosamente com material protetor. Entre os três, o homem grande de altura quase dois metros carrega isso com cuidado.
— Não precisava pagar trinta moedas de ouro real por isso, né? Bastava invadir o local e roubar, oras.
O garoto de cabelo cinza reclama com o jovem de olhos estreitos indo na frente. O jovem, que até agora escondia o rosto com máscara dominó, vira-se com olhar atônito.
— Se invadir o local e, por acaso, isso danificar, o que faz. E ainda, aqui é Ferusen, chamado reino mágico. Não sei que tipo de item mágico foi aplicado no local ou no item exibido. Achei que método legítimo seria mais garantido.
O jovem à frente, cabelo castanho, olhos estreitos, responde dando suspiro pro companheiro impulsivo. Esse garoto é impulsivo demais mesmo. Espero que isso não atrapalhe.
— E ainda, naquele local, tinha pessoa levemente incômoda também, sabe.
Príncipe-Rei de Brunhild, Mochizuki Touya. Mediador do mundo herdeiro do legado da civilização antiga. E inimigo natural dos apóstolos do deus maligno.
O jovem de olhos estreitos, Indigo, sente alívio internamente por ter conseguido terminar a missão sem incidente. Se, ali, a identidade fosse descoberta, entrando em combate, com certeza não conseguiria essa pedra mágica artificial, só restaria recuar.
Se isso acontecesse, não teria como encarar a Sukāretto, e o plano precisaria ser refeito.
— Não parecia tão forte assim. Né, Hēzeru?
— O, ode, carne, corto?
— Não precisa cortar, não. Segura firme isso, por favor. Sem deixar cair de jeito nenhum.
— Entendido.
O homem grande chamado Hēzeru segura de novo firme a grande caixa de madeira.
Diante dos três, tentando teletransportar de beco sem gente por perto, bloqueiam o caminho alguns homens. Diante do Indigo observando com desconfiança, era o comerciante de dente saltado que disputou com eles pela pedra mágica artificial, e homens robustos parecendo guarda-costas segurando arma.
O comerciante de dente saltado ergue o canto da boca, rindo malicioso.
— Entrega essa caixa pacificamente. Se não quiser sofrer.
Sem perceber, também aparecem atrás homens segurando arma, e os três ficam cercados.
— O que é isso, esses aí?
— Provavelmente, devem estar tentando matar a gente e roubar a pedra mágica. Pensamento raso típico de escória. Mesmo explicando que isso não é pedra mágica artificial, deve ser inútil mesmo.
O jovem de olhos estreitos responde ao garoto de cabelo cinza. Diante dessa fala, o garoto, sorrindo satisfeito, desembainha da cintura a lança curta. Num instante, a lança curta se estica, virando lança metálica roxa.
— Quer dizer que dá pra acabar com eles, é? Tipo "legítima defesa"? Tentar roubar coisa alheia é coisa ruim, né?
— O, ode, também, corto?
— Você segura essa caixa. De novo, digo, sem deixar cair. Vou deixar a limpeza do lixo com o Ōkiddo.
Diante dos três indiferentes mesmo cercados por homens armados, o comerciante de dente saltado perde a calma.
— Matem esses caras e roubem a pedra mágica!
Os homens cercando os três atacam de uma vez. Mas, no instante seguinte, várias espadas já voavam no ar.
O garoto segurando a lança, com movimento rápido feito relâmpago, desviou todas as armas dos homens de uma vez.
No peito de um dos homens, sem entender o que aconteceu, crava-se fundo a lança metálica roxa.
— O quê!?
— Guhu…!?
— Certo, um.
O garoto murmura isso com expressão de prazer, fazendo a lança brilhar de novo. Vários rastros de luz roxa correm pelo beco.
Depois disso, na capital do Reino de Ferusen, Farrma, ecoam pelo beco vários gritos de agonia, mas ninguém percebe isso.