Capítulo 538 – A Cidade Fortificada, e o Foguete
Atravessando a Cordilheira Daora, por um tempo, continua terreno selvagem sem nada. Vejo de relance estrada e cidade, mas pouca gente circulando. Este lado é do Reino de Purimura, afinal. Do ponto de vista do Reino de Refan, deve ser região remota mesmo.
Entre o Reino de Purimura e o Reino de Refan, tem a Cordilheira Daora, então só existem duas estradas litorâneas conectando os dois países, uma ao norte e outra ao sul.
Mesmo essa estrada, acho que não deve ter tanto trânsito assim. Do lado do povo de Purimura, não devem querer ir muito pro país perigoso em guerra civil, e, do lado do Reino de Refan, ouço que o senhor feudal que governa a região remota fiscaliza pra evitar refugiados.
É praticamente estado de isolamento nacional mesmo, hein. Espero que consigam se unir de algum jeito…
— E aí, patrão. Entramos no Reino de Refan, mas pra onde vamos?
A Monica, sentada no assento de comando da Gungunīru, se vira, perguntando. Projeto o mapa flutuante do smartphone diante da Monica, apontando o local piscando.
— Aqui. Vamos pra cá.
— Deixa eu ver, cidade fortificada Asshira? Daqui, bem mais pra leste, hein.
— Quanto tempo demora?
— Não menospreza barcaça voadora de alta velocidade, não. Nem trinta minutos.
A Monica fala com confiança absoluta, mas, sinceramente falando, se eu voasse com a magia [Fly], seria mais rápido às vezes.
Bom, não vou estragar o clima. Quando tem acompanhante, essa forma é mais confortável mesmo, com certeza.
Continuando voando pro leste em modo stealth, encontramos algo tipo comitiva militar de repente.
Peço pra Monica parar brevemente no ar, observando a situação abaixo.
Montados em animal parecido com cavalo, mas não cavalo exatamente, soldados vestindo armadura caminham em direção ao leste.
Esse tipo de exército é raro do nosso lado, hein. No continente ocidental, geralmente é tropa de golem, afinal.
Mas tem alguns vestindo algo tipo armadura motorizada. Aquilo é golem tipo equipamento, né? Sendo país com mitrilo bastante exposto na superfície, achei que não funcionasse direito, mas.
— Mitrilo influenciar golem é porque o sistema de comando do contratante é bloqueado, sabe. Tenta fazer coisa não ordenada, ou obedece de forma incompleta, esse tipo de coisa. No golem tipo equipamento, o comando do contratante é transmitido direto pela mana e Linha de Éter, então não sofre tanta influência assim, sabe.
Entendi. Por isso, vira predominantemente golem tipo equipamento, é. Mas isso, mais que golem, não seria a própria armadura motorizada?
Se tiver vontade autônoma, seria armadura motorizada com IA embarcada, será…? Teve isso em filme de herói, esse tipo de coisa.
— Ei, Touya! Já chega, né! Rápido, vamos até onde tá a Sutefu!
— Opa, desculpa.
Diante da nossa conversa, chega grito impaciente da Sū.
Fico levemente curioso com aquele exército indo na mesma direção que a gente, mas, agora, tem coisa mais importante pra fazer.
De novo, a Gungunīru começa a correr pelo céu em aceleração total.
Eventualmente, no alto de morro levemente elevado, aparece cidade fortificada com muralha construída em várias camadas. Aquilo é a capital de Asshira, é.
— Então, Touya, onde tá o golem dourado?
— Espera, agora vou ampliar… aa, como imaginei, é daquele castelo grande no centro.
Ampliando o smartphone, expandindo o mapa da cidade fortificada, a luz piscando era emitida do prédio tipo castelo no centro da cidade.
Sendo posição de conselheira próxima da rainha, achava que seria isso mesmo, mas…
— Certo, então, vamos entrar de uma vez!
— Espera espera espera. Esposa, espera aí.
Sendo que a Sū fala coisa perigosa assim, contenho com toda força. Aqui é outro país, afinal. Não pode entrar assim de uma vez na propriedade da rainha de país sem relação nenhuma conosco.
— Do que tá falando. O Touya também já fez coisa parecida várias vezes até agora, né. Por que estranhar isso agora.
Uu. Sendo dito isso, não consigo contra-argumentar. Sendo dito por pessoa da própria família, sinto que levei bumerangue de tamanho extra.
Mesmo assim, entrar de uma vez seria problema mesmo. Mais que tudo, nós ainda nem confirmamos a figura da Sutefu. Só seguimos o golem dourado confiando no boato.
Se, por um milagre, for pessoa completamente sem relação com a Sutefu, perdemos justificativa. Viraríamos meros invasores.
— Se for isso, aquela técnica favorita do rei de "invadir escondido"?
— Para de falar de mim tipo ladrão de galinha, por favor.
Isso também eu costumo fazer bastante! De fato, é favorita minha, mas!
Bom, isso também é opção válida, mas… no continente ocidental, contra medida de invasor, além de guarda no portão e ronda, também tem segurança com vários sensores. Detecção de calor, infravermelho e afins. Tem também golem tipo autônomo equipado com esse tipo de coisa.
Por isso, mesmo apagando a figura com [Invisible], existe possibilidade de ser descoberto.
Aqui, em vez de invadirmos diretamente, melhor enviar pessoal apropriado pra isso.
Por ora, paro a Gungunīru em modo stealth no ar, e eu, a Sū, a Sakura e a Yoshino teletransportamos com [Teleport] até beco deserto da cidade fortificada Asshira.
E, com técnica de invocação, chamo o Kohaku em estado de filhote de tigre.
『Chamou, patrão?』
— Uhum, quero emprestar um pouco a ajuda do Kohaku.
O Kohaku é besta divina, rei das feras. Vou pedir pra ele ordenar rato e outros pequenos animais pra investigar dentro daquele castelo.
『Como desejar. Só um momento.』
O Kohaku, latindo uma vez em direção ao céu, "wai to bijesu ni", ratos se reúnem em massa no beco.
— Hii
— T, tá meio demais assim, não, hein.
A Sakura e a Sū, assustadas com os ratos reunidos aos pés, se agarram em mim. Do outro lado, a Yoshino parece tranquila.
O Kohaku ordena algo em voz que não conseguimos ouvir, e, na hora, os ratos desaparecem todos juntos do beco.
『Em uma ou duas horas, deve dar pra saber a rota de infiltração daquele castelo.』
Se essa quantidade de ratos se esgueirar de todos os lados, deve dar pra saber bem onde é seguro e onde é perigoso. Também dá pra fazer planta do castelo. Deve dar pra infiltrar com segurança.
Também vou pedir pros ratos confirmarem se a Sutefu realmente tá ali.
— Vamos esperar até então? Se o Touya mudar a aparência de todo mundo com [Mirage], mesmo entrando à força no castelo pra raptar a Sutefu, Brunhild não seria criticado, né?
— Sū. Não fala pra fazer invasão assim na frente de criança, por favor. É má influência educacional.
— U, desculpa…
Diante do leve olhar de reprovação da Sakura, a Sū se desculpa. Não, de qualquer forma, vamos entrar escondido, então já é má influência educacional mesmo, mas. A Yoshino parece não se importar tanto assim, no entanto.
Pensando bem, essa menina consegue usar [Teleport], né… quer dizer que já pode invadir sem permissão à vontade normalmente… talvez já seja tarde demais pra ensinar "não pode invadir escondido".
Bom, pensando na hipótese de sermos descobertos por um milagre qualquer, talvez seja melhor aplicar [Mirage] mesmo.
De qualquer forma, primeiro, preciso confirmar se a Sutefu realmente tá naquele castelo.
— Uuun, ficar esperando aqui parado é penoso, hein…
— Se for isso, mãe Sū, vamos comer! "Barriga vazia não faz guerra", a mãe Yae falou, viu.
A Yoshino puxa a mão da Sū gemendo, saindo do beco em direção à rua principal de Asshira. Sendo que concordo com essa opinião, sigo os dois.
A capital de Asshira, digna do nome cidade fortificada, tem casas alinhadas de construção sólida e robusta. Prédios feitos de madeira e tijolo de pedra sem enfeite transmitem sensação de longa história.
Naturalmente, pra ser continente ocidental, não vejo figura de golem por lá. O que corre pela cidade também não é carruagem de golem, mas carruagem normal. Mas o que puxava não era cavalo, no entanto.
No rosto das pessoas andando pela cidade, dá pra ver leve sombra. Digamos, esse país tá em guerra civil. E ainda, a rainha, topo do país, foi expulsa da capital. Faz sentido ficar sombrio mesmo.
Certo, onde comer, hein. Sendo que também tem o Kohaku, talvez seja melhor evitar lugar tipo restaurante.
— Papai, aqui! Quero comer aquilo!
O que a Yoshino encontrou era barraca com cheiro tipo doce.
Coisa pequena e redondinha vendida empilhada em montanha. O que será, takoyaki? Não, diferente. Castela de bebê, talvez.
— Senhor, me dá um saco grande, por favor!
— Aí vai!
O senhor da barraca enche o saco de papel com montes do que parece ser castela de bebê, "dosadosa". Cobra por saco, é.
Pago o valor, decidindo comer numa espécie de praça perto dali.
Justo tinha banco, então sentamos todos ali.
— Toma, papai.
— Obrigado. Opa, ainda tá quente, hein…
A castela de bebê entregue pela Yoshino tava levemente quente. Coloco na boca fazendo tipo malabarismo. Fu fu fu.
Uhum, realmente é castela de bebê mesmo, isso.
— O Kohaku também quer?
『…Não, agora não. Vou comer depois de esfriar.』
A Yoshino oferece uma pra ele, mas o Kohaku recusa com cara séria. Yoshino, o Kohaku não gosta de comida quente.
Esfriando de algum jeito, a Sakura e a Sū também começam a comer castela de bebê, "pakupaku".
— Bem gostoso mesmo. O doce moderado tá na medida certa.
— Uhum. Touya, vamos comprar pros outros também levar de presente.
Parece que os dois também gostaram de castela de bebê. A Yoshino também, sem perder, tira do saco comendo, "pakupaku". Como consegue comer tanto assim, hein… comendo rápido, castela não entala na garganta?
E, pensando isso, exatamente como imaginado, a Yoshino parece ter entalado na garganta, batendo no peito, "dondon". Toma, suco de laranja.
Tirando do [Storage], entregando copo com suco de laranja, a Yoshino bebe tudo de uma vez, "gui", soltando suspiro de alívio.
E, ao mesmo tempo, as mães dos dois lados, esquerda e direita, também parecem ter entalado na garganta, batendo no peito igualmente, "dondon". Ei.
Metade impressionado, metade caçoando, entrego copo de suco de laranja pras duas também. Ai ai.
Por enquanto, como diz a Sū, volto até a barraca de agora há pouco, comprando mais alguns sacos pra levar de presente pros outros. Preciso preparar bebida direito na hora de comer.
…Espero que dê pra comer junto com a Sutefu também.
『Mu. Patrão, parece que o batedor voltou.』
O Kohaku, comendo castela de bebê já esfriada, avisa isso.
Olhando, na entrada da praça, tinha um rato, direcionando olhar fixo pra cá.
『Parece que criança parecida com a Vossa Excelência Sutefu, com certeza, tava dentro do castelo. E, ao lado, também tinha golem pequeno dourado.』
Ergo levemente a sobrancelha diante do relatório do Kohaku. "Golem pequeno dourado"? Como imaginei, é a "Coroa" "Dourada", é?
Mas achava que a "Coroa" "Dourada" estava do lado dos "apóstolos do deus maligno"… não pode ser, será que tem apóstolo do deus maligno perto da Sutefu?
— Parece que melhor resolver isso rápido logo. Vamos invadir aquele castelo.
— Como desejar. Informação do interior da fortaleza obtida dos ratos já tá toda na minha cabeça. Pode ficar tranquilo.
— Umu! Vamos buscar a Sutefu!
— É assim que se fala, Rei. Digno do Rei Invasor.
Para, esse apelido. Não tenho memória de ter virado rei ladrão de galinha.
Sendo que confirmamos que existência "parecida" com a Sutefu tá lá, dirigimo-nos de uma vez pra fortaleza de pé no centro da cidade. No meio do caminho, uso [Invisible], apagando a figura, tentando infiltrar no castelo.
— Bem alto, hein.
A Sū solta essa fala olhando pra cima pra muralha da fortaleza erguida. Sendo dia, deve ter bastante gente, mas, com [Invisible], nossa figura não deveria ser vista, então não tem problema.
— Certo, então, vamos.
Levantando a Sū, a Sakura, e a Yoshino carregando o Kohaku, três pessoas, com [Levitation], uso [Fly], atravessando a muralha pelo céu, infiltrando sem dificuldade dentro do muro.
Como esperado de mim mesmo, bem experiente. Uuun, talvez o nome de Rei Invasor não seja mentira completa, hein.
Tinha guarda de pé na entrada continuando até o interior da fortaleza, mas passamos bem ao lado sem fazer barulho.
— Sakura, se vier golem, avisa, por favor.
— Okay.
O ouvido da Sakura capta até levíssimo som de motor de golem. Entre vários sons emitidos por todo lugar, consegue distinguir e ouvir só aquilo.
Atravessando corredor de tapete vermelho, o Kohaku, confiando na informação obtida dos ratos, guia até o local onde parece estar a Sutefu.
Corredor razoavelmente complexo, hein. Não, sendo fortaleza, faz sentido ser labiríntico mesmo, sendo mais fácil de defender quando atacado.
Aqui, se for invadida, vira último bastião. Não seria estranho ter armadilha alguma. Não tem teto suspenso que cai, né…?
— Rei, na frente daquela curva, tem golem. Vindo pra cá.
Enquanto olho de relance o teto do corredor, chega esse aviso da Sakura.
Mu, o que fazer. Sendo que tô com [Invisible] ativo, a figura não deveria ser vista, mas, se o adversário for golem, existe possibilidade de ser descoberto por calor ou som.
Se for golem barato de baixa performance feito em fábrica, talvez até passe direto, mas, sendo que tá estacionado nessa fortaleza, melhor abandonar essa esperança.
O corredor é formato L, sem lugar pra desviar pro lado. Certo, o que fazer.
— Sakura, quantos golem tão vindo pra cá?
— Só um.
Só um, é. Se for isso, melhor parar a função antes de chamar reforço.
Do outro lado, até virar a curva, mesmo percebendo que tem alguém adiante, deve julgar que é gente do próprio castelo.
Emboscada, pegando desprevenido, uso [Cracking] pra fechar a Linha de Éter, parando a função… certo, vamos com isso.
Peço pra todo mundo se afastar um pouco, só eu me aproximo da parede, esperando o golem chegar.
No momento em que vejo a sombra do golem na frente da curva, teletransporto num instante com [Teleport] até atrás desse golem.
— [Crac]…! !?
— Mu
Prestes a tocar esse golem por trás, hesito por um instante.
Porque essa máquina era máquina parecida com aquela que conheço bem.
Corpo pequeno de três cabeças de altura. Máquina antiga, uma das séries chamadas "Coroa". Preto, branco, vermelho, roxo, prateado, cinco unidades no nosso país.
E a cor da máquina diante dos olhos é dourada. Sem dúvida, isso é a "Coroa" "Dourada".
Mas, mesmo sendo Coroa, essa deveria estar conectada aos apóstolos do deus maligno. Não tem motivo pra não derrotar.
— [Cracking]!
Toco a "Coroa" "Dourada", ativando [Cracking].
Mas meu [Cracking] é repelido por algo tipo barreira invisível, terminando sem efeito. Isso é…!
Feito repelida, a "Coroa" "Dourada" pula pra trás, desembainhando espada equipada na cintura.
Espada levemente curta igual a que o "Preto" Nowāru segura, mas, igual à máquina, brilhava dourada. E são duas. Estilo duas espadas, empunhando com ambas as mãos?
A "Coroa" "Dourada" também tem forma e aparência bem parecida com a Nowāru. Mas essa aqui tem sensação mais de cavaleiro. Tem peça tipo viseira também, e também tá vestindo algo tipo manto.
『Aviso ao invasor sem forma. Se render docilmente, aceito a rendição.』
Naturalmente, fui descoberto. Aplico [Mirage] pra vestir ilusão, e, depois, desativo [Invisible].
Sendo que já foi revelado o fato de que existe invasor, preciso de invasor que não seja eu.
[Mirage] é magia que cria ilusão. Não é que interfiro no cérebro do adversário mostrando alucinação. Essa imagem existe realmente aqui, então dá pra tirar foto, e também dá pra gravar.
Mesmo golem, deve estar obtendo imagem pela câmera no olho. No Q-Crystal da "Coroa" "Dourada", deve estar gravado homem diferente de mim.
Mais que isso, é.
Aquela "barreira" de agora há pouco que bloqueou meu [Cracking].
Aquilo, sem dúvida──.
— Rei! Tá vindo alguém do outro lado! Absurdamente rápido!
Chega voz da Sakura voando. No meu olho, virando-me, entra correndo com velocidade inacreditável em nossa direção, garotinha pequena de cabelo dourado.
— E────i!
— Guffu!?
A criança vindo direto de frente vem voando na minha direção com a cabeça, tipo foguete. Literalmente, veio voando mesmo.
Dor indescritível golpeando o peito. Recebendo impacto tipo sendo golpeado por martelo de aço, rolo pelo corredor, "gorogoro", voando longe.
— Vilão! Não maltrata o Gōrudo!
Postando-se ereta, feito Ni-ō, feito protegendo o "Dourado" de mim, garotinha de uns cinco anos.
Cabelo dourado comprido ondulado igual à mãe, olho verde-esmeralda. Olho erguido, "kitto", encarando direto pra mim.
Vestido azul-marinho, bolero de gola branca por cima. Meia branca, sapato preto tipo Mary Jane.
Sem dúvida. Essa criança é a Sutefu.
Aquela barreira de agora há pouco que repeliu [Cracking]. Aquilo, sem dúvida, era [Prison].
Provavelmente, aquele "Dourado" deve ter sido configurado com antecedência pra não receber ataque mágico.
E aquela investida de agora há pouco. Ataque corpo a corpo envolto de [Prison] partindo de [Accel]. O que as crianças chamam "Foguete da Sutefu".
De fato, aquilo é intenso. Enquanto penso "não quero levar isso de novo nunca mais", em minha direção, a Sutefu de novo pega impulso com [Accel], saltando.
— Espe!?
— [Prison]!
Igual à Sutefu, do meu lado também, expando [Prison]. A designação de bloqueio é [Prison].
Meu [Prison] bloqueia, conforme especificado, o [Prison] da Sutefu.
"Gakin!", som de barreira colidindo, e, na hora, "paan!", ambos [Prison] se anulam desaparecendo.
— Eh!?
A Sutefu arregala os olhos. Cancelamento mútuo de magia não é nada raro. É só que usuário de [Prison] é raro mesmo.
A Sutefu, surpresa, mas, de novo, vestindo [Prison], começa a correr, dessa vez com força total.
— Waa!? Espera espera! Para, para, Sutefu!
— Sutefu! Para com isso!
A Sutefu, prestes a saltar sobre mim com [Accel] em potência máxima, para diante da voz dos dois.
A pessoa em si foi encontrada. Não adianta mais continuar mudando a aparência. Sobre a invasão, depois vou pedir desculpa de algum jeito.
Desfaço [Mirage], e também desfaço [Invisible] da Sū e do pessoal.
— Pa-pai…?
— Vim buscar você, Sutefu.
Quando chamo, o rosto surpreso muda num piscar de olhos pra sorriso, e, com corrida total, colide comigo.
— É o papai! Papai! Papaiiii!
— Guffu!?
No fim, recebo de novo a investida da Sutefu. Mas, dessa vez, não é impacto duro, e sim algo macio, cheio de calor.
Tentando abraçar a Sutefu que se agarrou, ela desliza escapando por entre meus braços, "surori", terminando num golpe no vazio, "sukaa". Ehh?
— Mãe!
— Sutefu!
Deixando de lado eu, que dei golpe no vazio, a Sū e a Sutefu compartilham juntas a alegria do reencontro, abraçadas. Não, tá tudo bem, mas…