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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 545

A Contramedida de Teletransporte, e a Criação de Artefato Divino

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Capítulo 545 – A Contramedida de Teletransporte, e a Criação de Artefato Divino

— Fun, tá se esforçando bastante, mas, comparado ao meu Frame Gear, ainda tá bem longe.

Terminando de investigar os destroços do golem de olho único recuperados, o Doutor solta isso com pose de superioridade.

Bom, do nosso lado, dano zero, e o outro lado, destruição total, então acho que não tá exatamente errado.

Dano zero é mentira, é. Entre os Cavaleiros Pesados que lutaram, tem algum corpo com dano até certo ponto.

Mas, mesmo descontando isso, acho que foi vitória esmagadora nossa mesmo.

— O pessoal do outro lado chamava isso de "Kyukuropusu".

— Kyukuropusu? Aa, é Ciclope, é. Na era mágica antiga, chamavam Ciclope assim mesmo. Senso de nomenclatura sem torção nenhuma, hein.

Que desprezo profundo, hein. Frame Gear também não parece ter senso tão elaborado assim, não?

— Mesmo assim, é obra razoavelmente desafiadora mesmo. Olha, essa magia de gravação da articulação tá bem feita. Com e sem isso, o movimento deve diferir uma vez e meia, mais ou menos.

— Impermeabilidade e resistência à água também tão firmes. Nunca imaginei que fossem usar membrana de slime desse jeito. Com isso, acho que consegue movimento até certo ponto embaixo d'água também.

Diante da fala do Professor e da técnica Eruka, que investigavam igualmente os destroços do Kyukuropusu, o Doutor murmura "bom, isso eu reconheço" com cara de desagrado.

Ah, pensando bem, tinha algo que queria perguntar.

— Existe método de bloquear magia de teletransporte… ou seria de não deixar ativar, afinal?

— Bloquear magia de teletransporte? Não seria bom expandir barreira?

— Isso é o tipo que impede quem tá teletransportando de entrar, né? Não é isso, e sim, mais tipo não deixar fugir…

— Ah, é aquele apóstolo do deus maligno, é. Uuun… mesmo provisoriamente se autodenominando apóstolo de deus, considerar isso magia de teletransporte comum seria perigoso, né? O [Gate] do Tōya-kun também, se quiser, consegue atravessar barreira, né?

Bom, isso é isso mesmo, mas. Se usar poder divino, dá pra fazer isso. E ainda, se usar [Teletransporte Dimensional], não existe lugar impossível de ir.

— Vitória do primeiro golpe, abater antes de usarem, não tem jeito, é?

— Uuun… com um, dois segundos, acho que dá pra fugir, então deve ser difícil…

Acho que, contanto que não seja morte instantânea, consegue teletransportar e fugir. Como imaginei, incômodo, hein.

Mesmo colocando algo tipo transmissor, se fugir pra "Arca", não deve dar pra rastrear mesmo.

— Bom, a imagem daquele cara ficou gravada no Cavaleiro Negro que o Tōya-kun pilotava, então, depois, incluindo o local, vou investigar. Talvez descubra algo.

— Deve dar trabalho, mas peço, por favor.

Espero que consiga encontrar algum tipo de vestígio de teletransporte.

Deixando isso a cargo do Doutor, decido ir buscar outro conselho que talvez consiga.

— Selar magia de teletransporte? Acho que dá pra selar usando algo tipo [Prison] com poder divino, mas…

Jogando a pergunta pra irmã Karen, que fazia sessão de chá na varanda do castelo com a irmã Moroha, recebo essa resposta.

— Também pensei nesse método, mas, se o outro lado também tiver poder divino do deus maligno, não conseguiria quebrar o [Prison]?

— A qualidade do poder divino é incomparável entre existência que se autodenomina deus falsamente, e ainda mais abaixo disso, apóstolo, e o Tōya-kun, subordinado do deus supremo, deus do mundo.

— É tipo louva-a-deus enfrentando escudo de orichalcum, hein.

A irmã Moroha também, rindo, afirma a fala da irmã Karen. Aquilo do machado de louva-a-deus, é.

— Mas, se usar ataque com poder divino contra adversário na superfície, isso viola regra do mundo espiritual, viu. O Tōya-kun já se juntou completamente como membro dos deuses, então não pode usar poder divino diretamente.

Droga. Esqueci disso completamente. Com [Prison] não reforçado com poder divino, seria destruído por eles.

O outro lado consegue usar poder divino (do deus maligno), e nós não podemos usar, isso não é injusto?

Em termos de sentimento, seria tipo viatura policial, que deveria fiscalizar carro descontrolado furando sinal, respeitando fielmente o sinal, incapaz de capturar de jeito nenhum, esse tipo de sensação. Não daria pra ser tratado como emergência, igual viatura de verdade, viu?

— Opa? Mas eu já usei várias vezes [Search] incluindo poder divino, viu…

— Precisamente, é proibido "usar poder divino causando grande influência na superfície", sabe. Fora desse alcance, bom, deixam passar. "Derrotar os apóstolos do deus maligno" causaria influência considerável, então usar poder divino diretamente pra isso deve ser inaceitável.

Se for isso, quer dizer que preciso derrotar apóstolo do deus maligno sem poder divino, é. Não é impossível… acho, mas doeu não poder mais usar força bruta.

— Bom, também tem um truque, sabe…

— Truque? Se tiver ideia boa, deixa eu ouvir.

A irmã Karen, mostrando comportamento levemente pensativo, abre a boca.

— É só deixar alguém da superfície usar artefato divino com poder divino embutido, "que bloqueia magia de teletransporte".

— Artefato divino que bloqueia magia de teletransporte? Existe algo assim?

— Provavelmente, deve ter algo parecido no depósito de tesouro do mundo espiritual, né? Mas esse método é levemente difícil, viu. Tem várias condições.

Cruzando os braços, inclinando a cabeça, a irmã Moroha também concorda com o pensamento da irmã Karen.

Várias condições? Sendo que tá guardado no depósito de tesouro, achava que não iam emprestar assim tão facilmente, mas.

— Não, dependendo do objeto, acho que emprestariam, sabe. O depósito de tesouro do mundo espiritual, sabe, desde tempos imemoriais, tem coisa que os deuses fizeram dedicando corpo e alma, até coisa feita de brincadeira meio de passatempo, largada depois de enjoar, tudo misturado jogado dentro. De qualquer forma, sendo quantidade grande demais, primeiro, leva tempo pra buscar. Quem administra é o deus do mundo, mas não tá organizado nem arrumado, então…

— Leva tempo? Quanto?

— Acho que leva mil anos, hein.

— Milll…!?

Só pra buscar, mil anos!? Como vou ficar buscando isso!? Quantos objetos tem, afinal!?

— Dizendo depósito de tesouro, mas, sinceramente falando, é depósito de coisa inútil mesmo, viu. "Já não uso mais, então vamos guardar", esse tipo de coisa. Se fosse coisa realmente importante, guardariam com eles mesmos.

Os deuses também, igual meu [Storage], conseguem guardar posse própria em outra dimensão, afinal… normalmente, faria assim mesmo, né.

Mas que apuro, hein, não tenho folga pra gastar esse tipo de tempo. Ah, se buscar com [Search], não seria fácil de encontrar?

— O próprio depósito de tesouro é armazém pra selar artefato divino, afinal. Acho que magia de exploração deve ser bloqueada.

— Droga.

Bom, faz sentido mesmo. Não sabendo se é mundo espiritual ou mundo celestial, mas, na superfície, seria objeto de nível perigoso mesmo. Mesmo sendo coisa desnecessária, deve estar guardado com rigor mesmo.

— Como imaginei, não tem jeito além de vitória do primeiro golpe mesmo…

— Isso também não é bem assim, viu. Se não tiver artefato divino, é só fazer.

Ha? O que tá dizendo tipo Maria Antonieta, essa senhora?

Não, parece que a fala "se não tem pão…" da Maria Antonieta não é fala dela própria mesmo, no entanto.

— O Tōya-kun também já foi reconhecido como membro dos deuses, então, mesmo fazendo artefato divino por conta própria, não tem problema, viu. Claro, usar isso pessoalmente é proibido, mas.

— E ainda, depois de fazer, precisa administrar com responsabilidade, viu. Se deixar abandonado na superfície, pode até nascer novo deus maligno, afinal.

— Artefato divino… fazer? Eu?

Eh, isso é permitido? Se der pra fazer isso, seria ótimo.

— Que tá dizendo. O Tōya-kun já derrotou deus maligno usando [Criação de Artefato Divino], né?

— Ah! Isso mesmo…!

— Só que aquilo é artefato divino improvisado, tipo dizendo, feito às pressas, descartável, no local. Não é objeto que humano comum consiga usar. Se for fazer, precisa fazer artefato divino comum, capaz de humano também usar.

Artefato divino comum, hein… mesmo dizendo isso, não entendo bem o método de fazer artefato divino. Na hora da luta contra o deus maligno, tava completamente absorto, sabe…

— Bom, se for fazer artefato divino direito, melhor aprender diretamente com alguém, penso. Infelizmente, eu e a irmã Karen não somos deus desse tipo de área relacionada à produção, então não conseguimos ensinar, mas.

Deus relacionado à produção? Se for isso, seria o tio Kōsuke, deus da agricultura? Não pode ser, será do lado da Suika, deusa do saquê, né?

— A palavra ficou ruim, hein. Mais que produção, talvez fosse melhor dizer deus relacionado à fabricação.

Fabricação…? Quer dizer deus que faz algo, é? Mas tem algum deus conhecido assim?

— Tem, né. Na época do casamento, entre os deuses que desceram até a superfície, tinha um perfeito pra isso.

— …Deixa eu ver, ah. Deus da Arte?

— Acertou.

Já foi decidido que este mundo será usado como local de descanso pros deuses. Como equipe de avanço pra isso, dez deuses tinham descido antecipadamente pra superfície.

Deus da Dança, Deus da Força Bruta, Deus da Arte, Deus dos Óculos, Deus do Teatro, Deus das Bonecas, Deus do Nomadismo, Deus das Flores, Deus das Joias, e, somando a vovó Tokie, Deusa do Tempo, dez pessoas.

O Deus da Arte, se não me engano, era… homem deus com uns quarenta anos, cabelo grisalho preso atrás, bigode. Roupa tipo japonesa, tipo roupa de trabalho, com atmosfera de artesão mesmo.

— Deus dos Óculos e Deus das Bonecas também dariam conta, acho, mas aqueles dois têm personalidade forte demais…

A irmã Karen fala isso com olhar distante. Isso mesmo, o Deus dos Óculos tem paixão extraordinária por óculos, e o Deus das Bonecas, que fala com ventriloquismo, era levemente assustador. Se possível, quero pedir pro Deus da Arte mesmo.

— Se aprender com o Deus da Arte, consigo fazer artefato divino?

— Mesmo assim, não é objeto que consegue fazer em dois, três dias, mas deve ser mais rápido que remexer no depósito de tesouro, né?

Não vai ser aquela piada de "não é mil anos, mas leva novecentos e noventa e nove anos", né…?

Opa? Mas, se for isso, não seria melhor pedir pro Deus da Arte fazer diretamente o artefato divino de bloqueio de teletransporte?

— Se for isso, o responsável pela administração desse artefato divino vira o Deus da Arte, viu. Como esperado, mesmo achando que impor responsabilidade posterior desse artefato divino também seria estranho.

— Bom, acho que, depois de terminar de usar, se jogar dentro do depósito de tesouro do mundo espiritual, não teria problema, mas. Mesmo assim, sendo oportunidade rara de aprender a fazer artefato divino, acho que não teria perda em virar discípulo, viu.

O que as irmãs dizem faz sentido. Pedir levianamente "faz rapidinho, por favor. E cuida da administração depois também, tá?" seria irresponsável demais.

Parece que, se transferir formalmente, o responsável pelo artefato divino também muda, mas, sendo artefato divino necessário por uso pessoal, reconsidero que deveria fazer eu mesmo.

— Mesmo pedindo pra ensinar o método de fazer artefato divino, onde tá o Deus da Arte, afinal?

— Eh? Isso, normalmente, não seria buscar com [Search] mesmo?

— Ah, é isso…

Faz sentido mesmo. Já me encontrei uma vez, então normalmente dá pra buscar com [Search] mesmo. Pergunta idiota.

Evitando o olhar levemente resignado da irmã Karen, busco o Deus da Arte no mapa.

— Deixa eu ver… eh? Tá no Reino de Misumido, capital. Tava bem perto assim, hein.

Confirmando o mapa, na capital do Reino de Misumido, Beruju, tem reação do Deus da Arte. Fora do centro, mas, sem dúvida, é capital.

— Ah, Misumido tem fácil acesso a terra, minério e madeira de boa qualidade, afinal. Deve ser lugar fácil de se estabelecer pro Deus da Arte.

Entendi. Madeira e afins, sendo perto da Grande Selva, afinal. Talvez seja fácil conseguir madeira boa mesmo.

Bom, de qualquer forma, ajudou. Se for aqui, dá pra ir normalmente com [Gate]. Vamos logo encontrar.

— Se for isso, eu também vou junto!

— Uwo!? Não aparece de repente assim!

Diante da Suika, aparecendo de repente ao lado, sobressalto. Não me assusta! Já enchi de aparição imprevisível assim, sabe!

— …Qual seu objetivo?

— Quero um pouco da bebida de Misumido, sabe… e também o jarro e copinho feitos pelo Deus da Arte?

Jarro e copinho? Faz até esse tipo de coisa? Sendo cerâmica e laca também um tipo de artesanato, faz sentido conseguir fazer mesmo.

De qualquer forma, deve ser deus habilidoso em fazer coisas mesmo. Só que, na minha pobre imaginação, ceramista e afins, só consigo imaginar tipo pessoa de temperamento difícil, dizendo "isso aí, não!" e quebrando prato malfeito no chão, mas…

— Bom, de qualquer forma, vamos encontrar.

Abro [Gate] conectando até a capital do Reino de Misumido, Beruju.

Pra não chamar atenção, quando saio pelo [Gate] aberto no beco, forte luz solar nos ataca.

— Como sempre, quente, hein…

Misumido tem temperatura mais alta que Brunhild. Quente, é quente, mas, diferente do Japão, não é calor abafado e úmido, e sim calor seco, então dá pra dizer que é confortável de aguentar.

Observando de relance o castelo real parecido com Taj Mahal, começamos a caminhar em meio ao movimento da multidão.

Sendo país de beastfolk, vários tipos de raça de beastfolk circulam. No ano que vem, também vai passar trem mágico em Misumido, então deve ficar ainda mais movimentado.

— Primeiro, é a loja de bebida, viu~

— Espera um pouco, por que virou isso?

Repreendo a Suika, começando a caminhar feito pulando. Antes da loja do Deus da Arte, primeiro loja de bebida?

A Suika, virando-se pra mim, solta suspiro, "haa…", tipo "yare yare".

Sinto algo levemente irritante, hein…

— O irmão Tōya não entende nada. Sem levar nem um mimo, indo diretamente pedir "ensina, por favor", acha que vão ensinar mesmo?

Ugu. Coisa razoavelmente sensata pra Suika falar…

De fato, ir de mãos vazias pedir ensinamento talvez seja falta de educação mesmo. Deveria ter preparado ao menos uma caixa de doce, né.

— E-n-t-ã-o. Vamos levar de presente saquê local de Misumido, e saquê da Terra dormindo no [Storage] do irmão Tōya. O Deus da Arte também gosta de bebida, então, com certeza, vai ficar feliz e ensinar~

O verdadeiro motivo é que você quer beber, né… o saquê guardado no meu [Storage], secreto do meu avô, tem quantidade limitada, sabe? Bom, um frasco deve tá tudo bem, mas…

Mesmo assim, como diz a Suika, se ele gosta de bebida, melhor seguir ela mesmo.

Mesmo estragada, é deusa do saquê. Intuição pra encontrar bebida boa deve ser divina mesmo. Ou melhor, isso, é a única habilidade que ela tem, então vou deixar ela ajudar aqui.

— Sinto que fui menosprezado, viu.

— Deve ser impressão sua.

Ignorando a Suika de intuição afiada, entramos na grande loja de bebida bem perto dali.

Digno de capital mesmo, tinha vários tipos de bebida vendidos.

Hee, dependendo da raça, o saquê fabricado também varia bastante, hein. Vinho de mel do beastfolk urso… que tal esse aqui?

— Não, não, o Deus da Arte gosta de seco, então vamos escolher outro. Aqui, deixa comigo. O irmão Tōya só precisa pagar mesmo.

Dizendo isso, a Suika sai correndo, "tatetete", pra conferir os produtos da loja.

Ser tratado tipo carteira é levemente chato, mas, sendo que eu mesmo não consigo avaliar bebida, não tem jeito além de seguir. Mesmo casado, ainda sou menor de idade, afinal.

Neste mundo, já sou considerado adulto, então, dizendo "pode beber", pode, mas, uma vez decidido, decidi não beber até completar vinte anos.

Bom, na realidade, já bebi algumas vezes, no entanto… as esposas também bebem quando bebem.

No fim, a Suika alinha vários frascos de bebida no balcão, e eu pago.

Ou melhor, mais da metade não é bebida de presente, e sim bebida pra beber à noite da própria Suika, né. Dizendo isso ou aquilo, também comprou vinho de mel.

— Muito obrigado!

Recebendo a voz do dono da loja de bebida nas costas, saímos da loja.

— Certo, então, vamos até o Deus da…

— Próximo é petisco, viu!

— Ei

Paro a Suika, prestes a comprar mais coisa tipo acompanhamento pra bebida. Petisco desse tipo, tem bastante dentro do [Storage], então não precisa se preocupar.

Arrastando a Suika relutante, dirijo-me pra uma casa nos arredores da capital.

Essa casa fica construída em lugar levemente elevado, e, ao lado da casa térrea, tem árvore grande de pé.

Diante da entrada dessa casa, num banco feito de madeira, um homem senta, cortando material de madeira com algo tipo faca.

— Chegou, hein.

— Deus da Arte, há quanto tempo!

Erguendo o rosto, o Deus da Arte, vendo o rosto da Suika, mostra sorriso, "fu".

Parece que já sabia que viríamos. Será que percebeu o [Search]?

— Há quanto tempo, Deus da Arte.

— Aqui, chamam de Kurafuto. Chama de Kurafuto. Novo deus.

— Se for isso, eu também sou Tōya.

— Entendido, Tōya-kun.

Enquanto cumprimentamos, a mão do Deus da Arte segurando a faca não para. O material de madeira, que era só forma vaga, num piscar de olhos, transforma-se em figura de urso segurando salmão.

Ah, isso, tinha na casa do meu avô.

— Isso é?

— Passatempo levinho. Rende dinheiro razoável.

"Poi", jogando na minha direção o urso entalhado em madeira, o Deus da Arte… não, o Kurafuto-san.

Impressionantemente realista, hein… e ainda, apesar de acabado só com faca, a superfície tá surpreendentemente lisa. Como consegue entalhar pra ficar assim, hein. Mesmo observando, não entendo nada.

— Bom, entra. Deve ter algum assunto comigo, né?

Dentro da casa do Kurafuto-san, onde fomos convidados a entrar, tava transbordando de objeto variado. Provavelmente, torno usado em cerâmica, faca de escultura usada em entalhe, e tubo de sopro usado em vidraria, tudo ferramenta relacionada a artesanato. Até tem tear. Até onde essa pessoa expande a área de atuação, afinal.

Enquanto alinhamos na mesa a bebida trazida como presente, explicamos a situação atual.

— Entendi, artefato divino, é. Bom, ensinar não é problema. Você também é subordinado do deus do mundo, e, contanto que pegue o jeito, deve conseguir fazer rápido. Claro, mesmo dizendo rápido, acho que leva uns dois, três meses.

Ooh. Parece que vai dar pra ensinar. Dois, três meses, hein. Leva um tempo considerável mesmo.

— Normalmente, se novo deus de primeiro ano de baixo escalão tentar fazer artefato divino, leva cem anos. Comparado a isso, acho que é diferença absurda.

Cem… isso é diferença considerável mesmo, hein…

Sendo posição de novo deus iniciante, mas, sendo subordinado do deus do mundo, parece que tenho status divino praticamente igual a deus de alto escalão.

Também parece que isso influencia bastante na fabricação de artefato divino, encurtando o tempo de aprendizado. Sinto certa sensação de trapaça, mas, nesta situação, vou aceitar essa vantagem.

— Mas, mesmo dizendo que consegue fazer, naturalmente, não dá pra fazer artefato divino que ultrapasse seu próprio poder. Não dá pra conceder ao artefato divino poder que você mesmo não consegue. Afinal, artefato divino é ferramenta pra humano conseguir usar poder de deus.

Muu. Achei que seria fácil se conseguisse fazer "artefato divino capaz de encontrar apóstolo do deus maligno", mas parece impossível.

Mesmo conseguindo fazer, deve ficar só igual ao meu, com alcance de exploração limitado. Talvez desse pra fazer produzindo em massa, mas isso levaria quantos anos, afinal.

— Bom, vou explicar isso também aos poucos.

— Por favor.

Abrindo a tampa da bebida que compramos, o Kurafuto-san serve devagar em copo, provavelmente feito por ele mesmo. Do lado, "nyu", o copo da Suika é estendido, e nele também vai sendo enchido de bebida. Essa pessoa… veio só pra beber mesmo, né?

— Se for fazer artefato divino, primeiro, precisa decidir o "recipiente".

— "Recipiente"?

— Algo que abriga o poder divino. Seja espada, seja jarro, seja anel. Esse tipo de "recipiente", sabe.

Entendi, quer dizer que é ferramenta onde se derrama o poder divino, é?

— Dependendo do tipo de poder que colocar dentro, precisa escolher recipiente apropriado pra isso. Por exemplo, "absurdamente afiada", "espada" é apropriado, mas "absurdamente afiada", "urso de madeira", não faria sentido, né?

— Não faz sentido mesmo.

O que seria "urso de madeira absurdamente afiado", afinal? Se pegar na mão, corta profundamente, esse tipo de coisa?

— "Aplica barreira", "urso de madeira", tudo bem também?

— Isso mesmo. Isso ainda dá pra imaginar melhor. Por isso, no seu caso, precisa escolher "recipiente" apropriado pra "bloquear magia de teletransporte" ou algo assim. "Bloquear magia de teletransporte", "urso de madeira" também serve, mas não seria o mais adequado, né.

Bom, não precisa ser urso de madeira necessariamente mesmo. Objeto ornamental diferente também deve ser possível. Eu também, mais que urso de madeira, acho melhor tipo estátua de deusa, por exemplo.

— Além disso, também precisa examinar se o efeito a conceder deveria mesmo ser "bloquear magia de teletransporte". Afinal, também é suspeito se aquilo é magia de teletransporte mesmo. Se for feito com esforço, mas não fizer efeito no adversário, teria feito artefato divino inútil à toa.

De fato. Igual o Doutor também disse, aquilo, mais parece parte do poder do deus maligno parecido com magia de teletransporte.

Como imaginei, melhor usar algo tipo [Prison] reforçado com poder divino, capaz de prender o adversário, será?

Sendo que não sou eu quem vai usar esse artefato divino, afinal. Parece que preciso pensar em várias coisas.

Uuun. Isso mesmo. Não é impossível esse artefato divino ser usado, mas.


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