Capítulo 546 – A Futura Princesa Consorte, e o Pai Dela
— Nugu…! Isso, kuoooo!?
A Rinne e a Furei observam de longe eu soltando grito estranho de sofrimento. Nas minhas duas mãos, tinha bloco redondo de luz do tamanho de bola de vôlei.
— Papai, cara estranha, o que tá fazendo?
— Bom… a conduta excêntrica do papai não é coisa de agora, não.
Chega aos meus ouvidos a voz da Rinne e da Furei. "Conduta excêntrica", que isso. Isso também é etapa importante pra fazer artefato divino, sabe…! Ah!?
No instante em que a concentração se desvia levemente, feito visado, a esfera de luz estilhaça, virando partícula de luz brilhante, "kirakira", caindo derramada ao redor.
— De novo falhei, hein…
Além de vigor físico, até mana e poder divino roubados, desabo sentado no local, sem forças.
— Não entendi bem, mas, isso, falhou?
— É isso mesmo…
Respondo sem força pra Rinne, inclinando levemente a cabeça.
O que eu tava fazendo agora era produção do que se chama "núcleo divino", elemento mais importante na hora de fazer artefato divino.
Isso é o que se poderia chamar origem do poder de um artefato divino, digamos, seria tipo bateria mesmo.
Concentrando ao extremo meu próprio poder divino, transformando em núcleo pequeno, mas isso é extremamente difícil.
Sendo subordinado do deus do mundo, tenho status divino praticamente igual a deus de alto escalão, então a densidade do poder divino é alta.
Na sensação, é feito ser mandado dobrar ao meio, incansavelmente, um papel grande.
No começo, dobra fácil, mas, aos poucos, vai ficando difícil de dobrar.
Se não me engano, vi na TV ou algo assim que, se conseguir dobrar vinte e seis vezes papel de 0,1mm de espessura, ultrapassa o Monte Fuji, mas isso não é impossível, não…?
De qualquer forma, controlar a força é difícil. Se pressiono aqui, sobra ali, se pressiono ali, agora sobra acolá, não conseguindo concentrar o poder divino de forma equilibrada.
Primeiro, preciso conseguir fazer isso, senão nem começa, disse o Kurafuto-san, deus da arte, dando essa tarefa.
O Kurafuto-san disse pra decidir o "recipiente" que vira artefato divino, mas isso também, na verdade, ainda não decidi.
Não sei se aquele que aquele homem de roupa de mergulho usa é magia de teletransporte, ou técnica de teletransporte usando poder divino do deus maligno.
Por isso, aqui, pensei em fazer artefato divino com efeito "bloquear teletransporte" mesmo, pra jogar seguro.
Mas, "recipiente" apropriado pra bloquear teletransporte, o que seria? O pensamento para.
Por exemplo, se fosse "arco", "quem receber a flecha disparada fica incapaz de teletransportar", esse tipo de artefato divino, precisaria de pessoa com habilidade de acertar a flecha com certeza, e ainda, se o outro lado teletransportar antes da flecha acertar, não adianta nada. Também existe possibilidade de estar embarcado no Kyukuropusu.
Se for isso, que tal acessório ou joia com efeito "bloquear teletransporte num certo alcance"? Pensei nisso, mas parece que, com meu poder atual, é impossível fazer artefato divino cobrindo alcance tão amplo assim, sendo no máximo uns dez metros.
Uhum, com essa distância, não seria melhor atacar direto mesmo? Isso é o que vira, hein…
Não poder usar o artefato divino eu mesmo também é frustrante. Se fizer adaga com "quem for perfurado fica incapaz de teletransportar", e usar [Teleport] pra perfurar antes de teletransportarem, seria vitória fácil, penso.
Existe um cálculo errado: sendo eu de raça divina, não posso usar artefato divino. A Yumina e o pessoal das esposas também, virando subordinados dos deuses igual anjo, ficam impossibilitadas de usar.
Por isso, pensei em pedir pro Ende usar, mas o Ende também, sendo subordinado do tio Buryū, deus da guerra, também não pode.
Chegando nesse ponto, fica restrito quem confiar o artefato divino. Do meu lado, sou contra, mas quem seria mais apropriado é…
Direciono olhar de relance pras crianças.
Elas, sendo semideus, mas pertencem à superfície, não sendo meus subordinados.
Sendo pessoas ideais pra receber artefato divino, mas, como pai, penso se tá certo envolvê-las na luta contra os apóstolos do deus maligno.
— O que foi, papai?
— Não, nada não.
Acaricio a cabeça da Rinne, inclinando levemente a cabeça, levantando-me.
Sinto que a Meru, a Nei, e a Rise, grupo das Phrase, também dariam conta, mas, tratando-se de manejar poder divino, as crianças, sendo semideus, devem ser mais apropriadas mesmo…
O artefato divino que eu faço, parece que vira coisa de nível de deus de alto escalão, então parece que a sobrecarga é grande demais pra humano comum.
Normalmente, dizem que ajustam pra humano também conseguir usar, mas, sendo eu iniciante, não consigo fazer esse tipo de ajuste fino…
Nesse ponto, as crianças, além de serem semideus, têm compatibilidade perfeita com meu poder divino. Naturalmente, sendo que herdam meu próprio sangue.
Bom, de qualquer forma, por ora, preciso treinar pra conseguir fazer o "núcleo divino" mais que o "recipiente".
— Certo, vamos tentar de novo!
Retomo o ânimo, começando de novo a concentrar poder divino.
— Nugugu…, isso, funununu…!
— De novo, cara estranha.
Ferido pela fala sem malícia da Rinne, de novo faço meu poder divino estourar ao redor.
Como esperado, já é o limite. Vigor não aguenta mais…
— Haa, cansei… deixa eu descansar um pouco…
Sentando no banco do pátio interno do castelo, apoio nas costas do banco, desabando, "gude".
Achando estranho ficar com postura tão desleixada assim na frente das crianças, mas já é tarde demais pra se recompor agora.
De qualquer forma, sinto que, no futuro, elas já viram parte ainda mais desleixada minha.
Sendo eu subordinado do deus do mundo, meu poder divino não diminui facilmente assim, mas, de qualquer forma, fazer "núcleo divino" cansa absurdamente tanto físico quanto vigor.
Desde que virei raça divina, essa é a primeira vez que sinto cansaço tão intenso assim.
Sendo cansaço causado pelo uso de poder divino, será por isso que nem [Refresh] funciona, hein…
Enquanto curo o cansaço, a Rinne e a Furei, talvez enjoadas de observar, foram embora pra algum lugar. Papai, sozinho, sofrendo…
Enquanto pego brisa por um tempo sentado assim no banco, a Yumina, passando pelo pátio interno, corre apressada em minha direção. Aconteceu algo?
— Tōya-san, Tōya-san, é grave! O Kuon…!
— Eh, o Kuon!? Aconteceu algo!?
Desde de manhã não tinha visto o Kuon, o que aconteceu, afinal!? Sem perceber, ergo o corpo do banco.
— Hoje parece que tem encontro!
— Eh? …Aa, é isso mesmo, hein…
Diante da Yumina falando isso sorrindo, meu ânimo esvazia, e volto a sentar no banco. Que isso, fiquei assustado à toa…
— De novo com a Arisu?
— Parece que sim. Como imaginei, será que aqueles dois se gostam mutuamente, hein?
A Yumina senta ao meu lado alegremente. Se gostam mutuamente… hein. Sinto que é mais a Arisu se aproximando unilateralmente, mas.
— O que acha da Arisu? Como noiva do Kuon.
— Que precipitado, hein. Ainda são seis anos, sabe?
Sendo, mesmo provisoriamente, príncipe de um país, e que eventualmente vai herdar o país, acho importante escolher princesa consorte, mas… na realidade, ainda nem nasceu, sabe?
— É melhor decidir cedo o noivado do herdeiro do trono. Faz com que o próprio noivo tome consciência, e possibilita fazer educação de princesa consorte desde cedo.
— O que fala faz sentido, mas…
De fato, princesa consorte, companheira do rei, especialmente esposa principal, exige certo nível de educação, etiqueta, sociabilidade.
No meu caso também, se não fosse a Yumina, acho que teria sido bem complicado. A Hiruda e a Rū receberam esse tipo de educação desde pequenas, então tá tudo bem, mas a Sū, criada de forma bem livre, e a Yae, a Eruze, a Rinze, acho que também têm dificuldade nisso. Até hoje, ainda não gostam de festa de outro país, afinal.
— Ou melhor, primeiro, a Arisu ser esposa principal tá certo mesmo? Sendo completamente plebeia, no entanto.
— O Tōya-san, que se casou com princesa sendo plebeu, fala isso?
Opa, veio bumerangue voando. Não, eu também, sabe, acho que status social não importa, mas foi pra confirmar mesmo.
— Se precisar mesmo de status social, seria só tornar o Ende-san nobre de Brunhild. Se for jovem nobre do nosso próprio país, não teria problema, né?
— Que força bruta, hein…
Virar o Ende nobre, hein… será que aceitaria? Não querendo dar a filha em casamento, sinto que ia dizer "não vou virar nobre, nada disso!".
— Se for isso, seria só virar a Meru-san nobre feminina mesmo.
— Que força bruta, hein…
De fato, se a Meru, mãe da Arisu, virasse nobre, a Arisu viraria jovem nobre. Mas, primeiro, dá pra ensinar etiqueta de nobreza e afins pra Arisu, afinal? Não seria pérola aos porcos?
— Por isso, é melhor fazer ela tomar consciência desde já mesmo, não? Bom, se a Arisu concordar em ser esposa secundária, acho que não precisa insistir tanto assim.
Uuun, basicamente, no meu caso, todas são esposas principais, sem existir posição de esposa secundária. Espero que a família real de Brunhild continue essa tradição (?), mas, se todas as esposas forem iguais, isso também aumenta a possibilidade de disputa pela sucessão.
Acho que dá pra seguir basicamente o costume geral mundial de "primeiro filho herda", mas, se for irmão mais velho medíocre e irmão mais novo sábio, pode até levar o país à ruína, complicado.
— Não seria que ainda não sabemos se o Kuon vai ter esposa secundária?
— Não! Sendo tão bonito, inteligente, extremamente gentil, digno de príncipe entre príncipes, o Kuon, impossível não fazer sucesso! Com certeza, vai cativar meninas do mundo inteiro! Talvez até traga esposa melhor que o Tōya-san…!
Opa, achando que fosse brincadeira, isso é sério mesmo. O olho da Yumina tá brilhando, "rankou". Bom, de fato, meu filho é bonito mesmo, mas.
Mesmo assim, ter bastante esposa também é difícil, várias coisas… vendo de perto, acho que o Kuon também entende isso.
— Como sogra, preciso me dar bem com as noras. Com certeza, vão nascer bastante criança. São nossos netos! Acho que todos vão ser fofos!
— Não não não. Muito precipitado, precipitado demais.
Neto, que isso. Nem o filho nasceu ainda. Ultimamente, a Yumina, quando o assunto é Kuon, tá ficando meio biruta. Eu também, ultimamente, sou chamado de pai bobo, mas, visto de fora, será que fico assim também? Reflexão levemente necessária.
Bom, deixando de lado neto, pessoalmente, não tenho intenção de decidir apressadamente noiva do Kuon.
Se possível, quero que seja casamento por amor, não casamento arranjado, e o que vai acontecer daqui em diante, só a vovó Tokie, deusa do tempo, deve saber.
Também existe possibilidade da Arisu gostar de outra pessoa, e também existe possibilidade do Kuon considerar preciosa só uma pessoa diferente.
Se, por um milagre, virar situação de cancelamento de noivado, existe possibilidade de ambos os lados se machucarem.
Ou melhor, se acontecer isso, sem dúvida, aquele pai vai vir fazer ataque suicida. Se fizer errado, o país pode até ser destruído.
Bom, sou a favor de educação de dama pra Arisu. Acho bom incluir ela junto com nossos filhos brincando de forma casual. Se explicar direito pra Meru, mãe dela, acho que vai aceitar docilmente.
O eu do futuro também deve pensar de forma parecida. Provavelmente.
— Ei ei, Kuon, olha isso! Que fofo!
— Estatueta de gato entalhada em madeira, é. Feitura detalhada, acabamento cuidadoso. Boa obra.
Diante da estatueta de gato que a Arisu pega e mostra, o Kuon solta essa impressão.
Talvez por também ser do tipo que faz coisa tipo diorama, o Kuon julga qualidade de objeto do ponto de vista de quem produz. Diferente da Arisu, não julga se é fofo ou não fofo.
— Jovenzinho, tem bom olho mesmo, hein. Esse aqui é obra de artesão de madeira que ganhou destaque recentemente em Misumido. Agora tá nesse preço, mas acho que, eventualmente, o valor vai subir mesmo.
O funcionário da Companhia Sutorando fala com os dois. Sendo funcionário beastfolk de cachorro, mostra pro Kuon vários artesanatos de madeira do mesmo autor. Aos olhos do Kuon também, todos parecem obra de artesão de primeira linha, ou até acima disso. Não deve ser mentira que o valor vai subir eventualmente.
— Esse urso entalhado em madeira, particularmente, é bem realista. Nível divino…
Na realidade, essas são obras do deus da arte, Kurafuto, então a impressão do Kuon acertou exatamente na mosca.
Mesmo assim, sendo coisa feita à toa como passatempo, deve ser vários níveis inferior comparado à obra feita a sério.
— Quero, esse urso…
— Por que não compra? A mesada que ganhou do Vossa Majestade dia desses, ainda tem, né?
Essa "dia desses" se refere à época em que derrotaram a fera mágica de espécie extinta, Marukoshiasu, aparecida atravessando o tempo.
Pedindo pro pai, Tōya, o procedimento do leilão, em troca disso, foi dada mesada de uma moeda de ouro.
Valor de cem mil ienes convertido pra valor da Terra, quantia absurda pra criança ter, mas, sendo que no futuro possuem patrimônio ainda maior que isso, sente sutilmente que é pouco.
Mesmo assim, comprar essa estatueta de urso não seria nada, mas o Kuon, com o ensinamento incutido pela mãe Yumina de "não desperdiçar dinheiro", balança a balança do coração.
— Uuun…
— Se for isso, eu compro. Tio, me dá esse urso de madeira, por favor!
— Eh?
— Sim. Muito obrigado sempre.
Antes do Kuon dizer algo, a Arisu já tinha levado rapidamente a estatueta de urso até o balcão, pagando.
A Arisu estende diante do Kuon, boquiaberto, o saco de papel com a estatueta de urso comprada.
— Toma, presente!
— E, isso, o, obrigado…?
Recebendo isso oferecido naturalmente pela Arisu, o Kuon sem perceber recebe.
A Arisu, sorrindo levemente, direciona o olhar de relance pra estatueta de gato que observava agora há pouco.
Ah, é isso, hein, pensa o Kuon, levando a estatueta de gato até o balcão, comprando com o próprio dinheiro.
Entrega isso dentro do saco de papel, dessa vez, pra Arisu.
— Toma, Arisu. É presente.
— Obrigada, Kuon!
Isso é presente. Não é que usou dinheiro pra si mesmo. Coisa comprada pra fazer o presenteado feliz não se chama desperdício.
O Kuon fica admirado com a Arisu, que percebeu na hora sua hesitação, colocando em ação imediatamente.
A amiga de infância dele tem esse tipo de sensibilidade aguçada pra perceber esse tipo de nuance sutil. Não sabe se isso é calculado ou instinto selvagem.
— Muito obrigado mesmo!
Os dois saem juntos da Companhia Sutorando. A estatueta comprada é guardada no [Storage] do smartphone.
— Certo, pra onde vamos em seguida?
— Já que a espada idiota não tá junto, seria bom lugar tranquilo, né~
A "espada idiota" que a Arisu se refere é a "Coroa" "Prata", Silvā.
Ele, atualmente, sob pretexto de troca de informação e manutenção com o "Dourado", Gōrudo, tá com a técnica Eruka, no "Laboratório" de Babylon.
"Dourado" e "Prata" sendo feitos no mesmo período, parecem estar tentando verificação de partes semelhantes, e reprodução de memória através de escaneamento sincronizado.
Pra Arisu, aproveitando ao máximo essa chance sem o inseto incômodo e barulhento, queria aproveitar o encontro com o Kuon até se satisfazer.
O Kuon também, sentindo levemente incômodo com a Silvā e a Arisu sempre começando discussão por coisa pequena, achava que hoje conseguiria passar o dia com calma tranquila. …Mas.
Desde agora há pouco, o Kuon sentia sem parar olhar forte observando na direção deles.
Da sombra de prédio no meio da cidade, olhar carregado de sentimento indescritível, diferente de rancor ou ciúme, atravessa o Kuon.
O olhar não tá direcionado à Arisu, e, atualmente, parece que só ele mesmo percebeu isso.
O Kuon, discretamente, olha de relance na direção de onde vem o olhar.
Depois de olhar, o Kuon cobre o rosto com grande suspiro. Porque percebeu que, sem dúvida, vai virar coisa incômoda.
— O que foi, Kuon?
— Não…
Enquanto o Kuon pensa como responder, olha de relance na direção do olhar direcionado a si mesmo, e, puxado por isso, o olhar da Arisu também se vira pra lá.
— Opa? Papai?
— Y, yaa, Arisu! Que coincidência!
Da sombra de prédio, jovem com cabelo branco e cachecol aparece meio artificialmente demais.
Desde que saiu da loja, seguindo o tempo todo, dizer "coincidência" não faz sentido nenhum, pensa o Kuon, mas não deixa isso transparecer no rosto. Por ser incômodo.
Provisoriamente, o Kuon também cumprimenta.
— Boa tarde, Ende-san.
— Yaa, boa tarde.
Mesmo diante da resposta afável, vendo o olho do Ende não sorrindo nem um pouco, o Kuon não se abala especialmente. Esse "pai" também, no futuro, é sempre assim mesmo, então já é normal.
— O que foi, Endemyuon. Tava aqui, é? Mu, não é a Arisu? O que houve?
— Mãe Nei!
Vindo do meio da multidão, chega a Nei, uma das mães da Arisu. Na mão, tem saco de papel com fruta dentro.
O Ende veio fazer compra junto com a Nei. No meio do caminho, encontrando os dois entrando animados na Companhia Sutorando, esperou até saírem da loja, seguindo assim mesmo. Um passo em falso, e até pai vira stalker.
— Boa tarde, Nei-san.
— Umu, boa tarde. É isso mesmo, então tava passeando com o Kuon, é? Arisu, tá se divertindo?
— Uhum!
Quem conhecesse a Nei de antes de vir pra este mundo, sem dúvida, acharia que é outra pessoa, mostrando sorriso assim, acariciando a cabeça da filha amada.
— É isso, Kuon. Se não se importar, quer almoçar na nossa casa?
— Eh? Almoço, é?
— Umu. De vez em quando, também queremos receber convidado em casa, afinal. A Rise e a Meru-sama também disseram que queriam conversar com calma com você.
Recebendo convite inesperado da Nei, o Kuon arregala os olhos.
De fato, já passou do meio-dia. O Kuon pensava em voltar uma vez pro castelo junto com a Arisu pra comer o almoço atrasado.
Sendo que já tão no meio da cidade, poderia pensar em entrar numa cafeteria ou refeitório, mas, sendo só duas crianças, inevitavelmente chamaria atenção das pessoas, e também existe possibilidade de serem incomodados por gente inconveniente, então o Kuon já tinha excluído essas opções.
— Vem, Kuon. Daqui, nossa casa é mais perto.
— Uuun…
Pensando "não é que se importe em ir comer", mas o Kuon direciona o olhar pro lado do Ende. Ele mantinha rosto normal, mas o Kuon confirma que a sobrancelha franzia levemente.
Não chegando a ponto de ser odiado, mas o Kuon também percebe que o Ende carrega certa hostilidade estranha contra ele.
Naturalmente, também percebe que isso vem de característica típica de pai homem, amando demais a filha.
Pra ameaçar meninos se aproximando da irmã mais velha e irmãs mais novas, quantas vezes já foi feito usar [Olho Mágico do Discernimento]. Bom, o Kuon também não tinha intenção de deixar aproximar as irmãs rapaz com segundas intenções, então cooperava de bom grado.
Achando "que incômodo", mas decide não recusar especialmente.
— …Se for isso, aceito a gentileza.
Preocupado com o Ende, mas, reconsiderando que já é tarde demais pra isso agora, o Kuon aceita o convite da Nei.