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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 55

Oedo e o Avanço das Tropas Takeda

Capítulo 55 – Oedo e o Avanço das Tropas Takeda

Voltamos pra casa, esperamos a Elsie chegar, nos preparamos e cruzamos de novo pra Ishen.

O grupo: a Yae, eu, as gêmeas Elsie e Lindsey, a Yumina e o Kohaku, mais a Leen e a Paula.

Guiados pela Yae, atravessamos um bosque denso; quando a luz começou a se infiltrar entre as folhas, de repente o campo de visão se abriu.

— Ôo……

Sem querer, soltei a voz. Do alto de uma colina, a paisagem se abria numa cidade cercada de arrozais. Aquilo lá construído é um castelo, né. Não um castelo ocidental — um castelo japonês, tipo o de Himeji ou o de Osaka. Parece um tanto menor, mas.

— Esta é a terra natal deste servo, Oedo.

Ôo, uma Oedo que não é bem a velha Edo. À primeira vista, deu pra ver que a construção da cidade era bem diferente da que eu via nos dramas de época.

Primeiro: aquela cidade era uma cidade-fortaleza. Um longo fosso a cercava por inteiro, e muralhas altas e brancas barravam a entrada. No alto das muralhas, sentinelas; e nas torres erguidas aqui e ali ficavam arqueiros, pelo que diziam. Em volta dos arrozais também havia casas espalhadas, mas dentro das muralhas as construções pareciam bem mais adensadas.

Ishen não é, de modo algum, um país grande. Em tese há um rei, mas hoje isso é só no nome; quem manda à vontade são os senhores de cada região, pelo que parece.

Nove senhores principais governam as regiões e — embora vez ou outra haja escaramuças — de algum jeito, no papel, com o rei no topo, o país se sustenta.

Os nove senhores são: Shimazu, Mōri, Chōsokabe, Hashiba, Oda, Takeda, Tokugawa, Uesugi, Date… peraí, ei.

Nomes conhecidos demais; quase soltei um "tá de sacanagem".

Será que… Ishen tá na era Sengoku? Perguntei pra Yae, e não — pelo visto, guerra de grande porte não rola por aqui há décadas.

Mera coincidência. …Será coincidência?

Oedo, onde fica a casa da família da Yae, fica no leste de Ishen, em terras governadas pela casa Tokugawa. Um senhor razoavelmente próspero e gentil com o povo, pelo que dizem.

— E aí, essas ruínas antigas que a Leen quer visitar, ficam onde?

Por menor que seja, Ishen tem seu tamanho. Não dá pra sair procurando às cegas.

— O lugar eu não sei. Só sei que se chamam "Ruínas de Niruya".

— Yae, você conhece?

— Niruya…? Tenho a impressão de já ter ouvido, ou talvez não… Meu pai talvez saiba.

Por ora, com a Yae à frente, seguimos a pé até a cidade. Atravessamos a ponte de madeira sobre o grande fosso e entramos no recinto das muralhas.

Lá dentro, o mundo era o mais próximo possível do estilo japonês. As construções eram quase todas de madeira, térreas, com telhas de cerâmica no teto. Portas forradas de shōji, e nas lojas, noren pendurados. (Embora os caracteres escritos nos noren não fossem japoneses.)

As pessoas que iam e vinham vestiam trajes de samurai e quimonos; havia gente de aparência plebeia, e até rōnin desempregados de kimono solto. Pena que ninguém usava a testa raspada com o coque de samurai; todos só prendiam o cabelo num rabo de cavalo.

— Uáá, o que é aquilo? Tem gente carregando uma coisa nos ombros!

A Elsie estava de olhos grudados numa dupla que vinha do outro lado da rua, carregando uma liteira num "eita, eita".

— Aquilo são carregadores de liteira. Você paga e anda ali em cima. É o substituto da carruagem de aluguel.

Quando respondi, a Elsie e as outras continuaram de olhos arregalados, acompanhando a liteira que passava na frente. É, lá do outro lado não deve existir esse tipo de costume mesmo.

— …Mas por que, logo, fazer pessoas carregarem? A carruagem é mais cômoda e mais rápida…

A Lindsey tem toda razão. Pensando bem, por quê, né? Só posso atribuir à diferença cultural…

— Em Ishen as estradas não são tão bem cuidadas quanto em Belfast, este servo lhe diz. Além disso, há muito terreno acidentado, e subir e descer essas vias de carruagem é um custo. E, por aqui, cavalo é coisa bastante valiosa, sabe.

Saquei, tem essa razão por trás. Tem terreno que combina e terreno que não combina com cada coisa, né.

— Touya-san, aquela pessoa ali, está usando sapatos de madeira?

— Sapatos de madeira? Ah, são geta.

— E por que naquela torre ali tem um sino daquele pendurado?

— Aquilo é uma torre de vigia de incêndio, e o sino se chama hanshō, é o…

— …Que som bonito… aquilo ali, o que é que vendem?

— É um furin. Um sininho de vento, pra curtir o som que o vento faz…

— …Mesmo sem ter nascido em Ishen, como o senhor entende disso, Touya-dono.

Pudera. Por influência do vovô, eu assistia bastante drama de época.

Mas… sei lá. Tenho a impressão de que o povo da cidade não está muito alegre. Como se temesse alguma coisa, ou estivesse tomado de inquietação…

Guiados pela Yae, cruzamos o torii de um santuário, atravessamos um caminho de bambuzal e, num descampado, surgiu uma grande propriedade cercada por muros.

Passamos pelo portão grande e imponente, de onde pendia uma placa em que se lia "Dojô de Esgrima Kokonoe Shinmei-ryū — Pavilhão Kuyō", e, ao chegar à entrada da casa, a Yae ergueu a voz.

— Tem alguém aí?!

Depois de um instante, vindo do fundo com passos apressados, surgiu uma criada de uns vinte e poucos anos, de cabelo preto preso atrás num rabo só.

— Já vai, já vai, um momento… Ah! Yae-sama!

— Ayane! Quanto tempo!

A criada chamada Ayane, surpresa mas sorrindo, correu até a Yae e lhe tomou as mãos.

— Bem-vinda de volta, Yae-sama! Nanae-sama! A Yae-sama voltou!

Quando Ayane chamou para o interior, de novo passos apressados ecoaram, e surgiu uma mulher de ar gentil, lá pelos seus trinta e muitos anos, num quimono lilás-claro. De algum jeito, parecida com a Yae.

— Mãe! Cheguei agora mesmo!

— Yae… que bom que está bem… seja bem-vinda.

É, era a mãe da Yae mesmo. No reencontro depois de tanto tempo, a mãe puxou a filha para um abraço firme. Nos olhos, brilhavam lágrimas leves.

— Yae, e estas pessoas?

— Ah, são os companheiros deste servo. Pessoas a quem este servo deve muitíssimo.

— Ah, ora, ora… Muito obrigada por cuidarem da minha filha, eu lhes sou grata de coração.

— N-não, não é nada de mais… nós também devemos muito a ela, então, por favor, levante a cabeça.

A mãe da Yae se sentou no chão e baixou a cabeça bem fundo; nós, atrapalhados, nos apressamos a falar. Deve ser isso o que chamam de coração de mãe que zela pelo filho. Daquela postura, dava pra sentir o sentimento da Nanae-san.

— A propósito, mãe, onde está o pai? Foi para o castelo, por acaso?

Diante das palavras da Yae, Nanae-san e Ayane-san se entreolharam, e seus rostos se ensombraram. Logo Nanae-san se levantou, virou-se para a Yae e, devagar, abriu a boca.

— O pai não está aqui. Foi para o campo de batalha junto com o senhor… com o Ieyasu-sama.

— Batalha?!

A Yae, de tão surpresa, ergueu a voz e encarou a mãe. "Batalha" não é nada tranquilo. Não era pra esse país estar unido sob o rei?

— Mas batalha contra quem?!

— Contra os Takeda. Dias atrás, tomaram Katsunuma, a noroeste, num ataque-surpresa, e agora avançam dali em direção a Kawagoe, ao que dizem. Para conter esse avanço, o patrão e o Jūtarō-sama foram para o forte de Kawagoe.

No lugar da Nanae-san, foi a Ayane-san quem respondeu à pergunta da Yae. Pelo visto, o senhor de uma terra vizinha atacou de repente.

— Então o meu irmão também foi pra guerra… Mas não entendo. Por que os Takeda começaram uma invasão dessas…? Não imagino que o Shingen-dono, senhor dos Takeda, cometesse tamanha tolice…

— Dizem que, há pouco, um estrategista esquisito se juntou ao senhor dos Takeda. Um tal de Yamamoto, ao que consta. Pele escura, um olho só, e que usa magias estranhas… Pode ser que esse homem lhe tenha enfiado ideias esquisitas na cabeça.

Enquanto ouvia o que a Nanae-san contava, minha cabeça embaralhou um pouco. Estrategista dos Takeda, de sobrenome Yamamoto… isso só pode ser aquele cara, né. Yamamoto Kansuke. Um dos Vinte e Quatro Generais de Takeda. Se for como a Nanae-san diz, virou uma espécie de mago suspeito. Bom, melhor não confundir com o personagem do meu mundo. Embora talvez tenha partes em comum.

— E como está a situação da guerra?

A Leen, que até então ouvia calada, lançou a pergunta. A Paula, a seus pés, inclinava de leve a cabecinha. O Kohaku, ao lado, ao ver aquilo, inclinou a cabeça do mesmo jeito. Que fofo. Opa, não era hora pra isso.

— Como foi tudo muito repentino, não deu pra reunir tropas suficientes; do jeito que está, dizem que é só questão de tempo até o forte de Kawagoe cair.

— Então o pai e o meu irmão…!

Diante do quadro que escapou da boca da Ayane-san, a Yae ficou pasma. Mas, num instante, o medo e a aflição sumiram de seus olhos, e em seu lugar surgiu uma determinação ardente. Que a Yae não é o tipo de garota que assiste calada ao perigo se aproximando da família querida — disso nós sabíamos bem.

— Touya-dono! O desfiladeiro perto do forte de Kawagoe, este servo já esteve lá! Por favor…!

— Entendi. Vamos.

— Touya-dono…!

Segurei a mão da Yae e disse, claramente, o que pensava. Quando olhei para os outros, a Elsie, a Lindsey e a Yumina assentiram com um pequeno aceno.

— Quem diria que a gente ia acabar indo pra um campo de batalha. Bom, eu entendo o sentimento, então eu também vou junto.

A Leen deu de ombros e soltou uma risadinha. A parceira dela, a Paula, num ânimo de quem está a mil, começou a fazer shadowboxing. Será que até esses movimentos vêm do [Program]?

— Yae, imagine esse desfiladeiro na cabeça.

— Entendido.

Segurei as duas mãos da Yae e encostei de leve minha testa na dela, que estava de olhos fechados. Como a situação era a que era, estranhamente não houve aquela vergonha de antes.

— [Recall].

Uma paisagem aflora na minha cabeça. Um grande cedro solitário se erguia, e ao longe via-se um castelo… não, um forte. Aquilo deve ser o forte de Kawagoe.

Solto as mãos da Yae e abro a [Gate] diante da entrada da casa. A Yae é a primeira a se lançar nela, e a Elsie e as outras entram na [Gate] uma após a outra, sumindo.

Para as duas da casa Kokonoe, que olhavam aquela cena estupefatas, eu, o último que restou, dirijo a palavra.

— Vou trazer de volta o seu marido e o irmão da Yae, sem falta. Todos nós voltaremos em segurança, então não se preocupem.

— Quem é você, afinal…?

Sem saber o que responder à pergunta da Nanae-san, disfarcei com um sorriso e também atravessei a [Gate].

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