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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 57

Chuva de Luz e a Carta Secreta

Capítulo 57 – Chuva de Luz e a Carta Secreta

— A propósito, esses caras de máscara de oni misturados aos soldados inimigos, o que são?

— Não sei. Enquanto não se quebra aquela máscara, leve uma lançada, tenha um braço decepado, não param de se mexer. Como mortos-vivos.

O Jūtarō-san responde balançando a cabeça. Será que são zumbis mesmo.

E, debruçada da muralha, a Leen encarava os soldados mascarados.

— Hmm… Alguma magia de nulo… ou, se não, deve ser um Artefato.

— Artefato?

— Uma relíquia da civilização antiga, um objeto mágico poderoso. Aquele teu negócio aí não é também um Artefato?

Ela apontou pro smartphone na minha mão, e eu, sem querer, disfarcei com um sorriso amarelo.

Um aparelho mágico da civilização antiga, um Artefato, né. Supondo que exista algum tipo de controle que comande cadáveres, aquelas máscaras talvez sejam uma espécie de receptor.

— Bom, de todo jeito, os caras de máscara são um abacaxi. O [Paralyze] também não pega neles, então é melhor exterminar tudo de uma vez mesmo.

— …Como é que é?

Ignorando o Jūtarō-san, que me olhava intrigado, busco no app de mapa do smartphone por "soldados Takeda mascarados". Em volta do forte, na tela, alfinetes despencam num "tó-tó-tó-tó", e, ao tocar num deles, todos os alvos ficam travados.

— O-o que é aquilo…?

Quando volto o olhar pra um murmúrio qualquer, no céu pairavam inúmeros pequenos círculos mágicos irradiando luz. Travamento via [Multiple] concluído.

Ergo a mão pro céu, concentro a energia mágica e libero tudo de uma vez junto com o encantamento.

— Luz, perfure; sacra lança fulgurante: [Shining Javelin]!

Flash! De todos os círculos mágicos, lanças de luz despencam, cada uma rumo ao seu alvo. Como uma chuva de luz.

Dum-dum-dum-dum-dum… o chão troveja, e poeira e partículas de luz estouram feito faíscas. Um cintilar ofuscante e multicor que rebenta e some, rebenta e some.

Quando enfim a chuva de luz cessou, mais da metade das tropas Takeda jazia no chão, sem se mexer.

Em seguida, troco o alvo da busca pra "soldados Takeda" e travo de novo.

— Pronto, e… [Paralyze].

Os soldados comuns restantes também ficam de repente dormentes e desabam no lugar. Alguns, que pelo visto tinham amuletos, escaparam da paralisia; mas, diante do estado de aniquilação das próprias fileiras, dispararam em fuga sem olhar pra trás.

— Pronto, é mais ou menos isso.

O exército Tokugawa do forte ficou um tempo pasmo, mas, conforme a ficha caía, todos ergueram, em uníssono, um brado de vitória. Vozes em que alegria e alívio se misturavam ecoavam de todos os cantos do forte.

— Aquilo agora… foi você que fez…?

O Jūtarō-san pergunta com a voz rouca. Olhava os soldados Takeda caídos em volta do forte com olhos de quem vê algo inacreditável.

— Mais ou menos, sim. Não curto alvoroço, então eu agradeceria se o senhor não saísse espalhando por aí.

Quando respondi isso, a Elsie, ao meu lado, pôs a mão na cintura e soltou um longo suspiro.

— Já tá ficando ridículo a gente se espantar, né.

— …Tenho a sensação de que… já passou da hora.

A Lindsey também concordou com a fala da irmã. Hmm, eu só fui combinando as coisas que dá pra fazer, e deu nisso… É pra tanto assim?

Com uma sensação esquisita, eu observava os soldados do forte fervilhando de vitória.

— Antes de tudo, pela ajuda desta vez, agradeço do fundo do coração.

Na torre principal do forte (que, vá lá, não passa de um salão de tábuas de uns quinze tatames), um homem corpulento de bigodinho, no começo dos quarenta, sentado no lugar de honra, baixou a cabeça bem fundo. Tokugawa Ieyasu. O senhor das terras onde fica este forte, e um dos nove nobres. Ieyasu… soa idêntico ao do meu mundo, só que escrito com outros ideogramas, né.

— Imagine, viemos parar aqui por mero acaso. Não se incomode com isso, por favor.

Quem está sentada à nossa frente, encarando o Ieyasu, é a Yumina. Ela assumiu a posição de princesa de Belfast, e nós ficamos como meros guarda-costas dela. Achamos que assim ficava mais fácil de o pessoal de lá entender; e, toda vez, a desenvoltura social da Yumina é uma mão na roda.

A Yae passou por uma das guarda-costas da Yumina. Por essa ligação, foi assim que demos a entender que viemos ajudar. Como na prática é exatamente isso, não há nada de estranho aí.

— Ainda assim, a Yae como guarda-costas da princesa Yumina… fiquei pasmo, francamente.

O homenzarrão troncudo, lá pelos seus quarenta e muitos, sentado ao lado do Ieyasu, é o Kokonoe Jūbei, pai da Yae. Pelo visto, hoje serve como mestre de esgrima da casa Tokugawa. Como ele disse que, tempos atrás, também foi instrutor na casa do Visconde Swordrick, na capital real, deve conhecer bem as coisas de Belfast.

— E quanto a este… o rapaz que salvou o nosso forte…?

O Ieyasu-san volta o olhar pra mim, postado atrás da Yumina. Será que dá pra parar com esse olhar de curiosidade aguçada?

— Este é o Mochizuki Touya, meu guarda-costas… ou melhor, meu futuro esposo.

"Ai!", e a Yumina cora e se contorce toda. Eeei! Eu não fui avisado disso! Não precisava dizer uma coisa dessas, né?!

— Ôoh — soltam o senhor feudal e o mestre de esgrima, num tom que tanto pode ser admiração quanto espanto. Não, não, não, que reação é essa.

— Ah, faz sentido. Sendo o noivo da princesa de Belfast, dá pra entender aquele feito todo. Realmente esplêndido.

— Sim, eu também me orgulho dele.

Diante do elogio do Ieyasu, a Yumina estufa o peito como se fosse mérito dela. Será que dá pra parar… sinceramente, tô numa saia justa. Me sinto sob tortura psicológica.

— A propósito, gostaria de perguntar uma coisa: o senhor por acaso conhece um lugar chamado "Ruínas de Niruya"? Foi atrás dele que viemos a Ishen…

— Niruya…?

O Ieyasu ficou um tempo pensativo diante da pergunta da Yumina, mas logo, ao se lembrar de algo, deu um tapinha no próprio joelho.

— Ah, deve ser aquelas ruínas onde dizem estar a "relíquia de Niraikanai". Eu não conheço os detalhes… E você, Jūbei?

— Se não me engano… as Ruínas de Niruya ficavam nas terras dos Shimazu. Mas aquilo é no fundo do mar. Acho que nem entrar dá…

— No fundo do mar?!

Que história é essa, é um templo submarino, é? Ou a entrada aparece com a maré?

Bom, de um jeito ou de outro, só indo lá pra saber. Enfim, já que descobrimos o lugar, é partir pra lá agora mesmo… — só que não dá, né.

— Sobre o exército Takeda: o senhor acha que eles vão recuar depois daquilo?

Quando pergunto ao Ieyasu-san, ele cruza os braços e começa a resmungar um "hmm".

— De fato, podem se reorganizar e atacar de novo. Talvez aumentem ainda mais os soldados de máscara de oni e tragam canhões…

Por mais que aumentem os soldados, eu extermino do mesmo jeito. Canhão é um abacaxi, mas destruir não é que seja impossível.

— Mas, seja pelos soldados mascarados desta vez, seja pela invasão repentina, não faz sentido. O senhor dos Takeda, o Shingen-dono, é um brutamontes que comanda os quatro generais conhecidos como os Quatro Reis Celestiais de Takeda; mas esta guerra, de algum modo, não tem a cara do Shingen-dono. Será que aquele boato é verdade mesmo…?

— Boato?

Sem querer, pergunto diante do murmúrio do Ieyasu-san. Quem respondeu foi o Jūbei-san.

— O boato é que o Shingen-dono já está morto. E que quem manipula o cadáver dele e maneja o exército Takeda à própria vontade é o estrategista das trevas, Yamamoto Kansuke.

— Yamamoto Kansuke…

— Olhando aqueles soldados mascarados, não é nada impossível. Talvez seja um usuário de magia especializada em controlar cadáveres, ou de um Artefato.

Ao ouvir o Jūbei-san, a Leen expõe o que pensa. De fato, se controla tantos cadáveres assim, é plausível. Será que ele tomou os Takeda pra, sei lá, unificar Ishen?

Pô, do jeito que está, sem dar um jeito no exército Takeda, a gente não consegue partir sossegado.

— Se a gente capturar esse Yamamoto Kansuke, será que tudo se resolve numa boa?

— Talvez seja, sim… Mas que o Shingen-dono está morto não passa de boato. Além disso, o Kansuke pelo visto fica trancado no quartel-general dos Takeda, no solar de Tsutsujigasaki, e não sai de lá. Não dá pra simplesmente se infiltrar às escondidas e capturá-lo…

Hmm. Era justamente o que eu pretendia, mas será que é maluquice demais? Só pra me infiltrar, acho que dá com [Long Sense] e [Gate]. Pra não ser visto, uma magia que sumisse com o corpo cairia bem… ah.

— Leen. Você esconde as asas das costas com magia de luz, né? Dá pra usar isso pra tornar o corpo inteiro invisível também?

— Dá, sim. É só desviar a luz pra deixar o alvo invisível; mas, se te tocam, te descobrem.

Saquei. Então dá mesmo pra ficar transparente. Nesse caso, a infiltração fica mais fácil, não é?

A essa altura, eu já estava pensando em me infiltrar no quartel-general inimigo. Inimigos ou aliados, é claro que quanto menos baixas além disso, melhor.

— Você pretende se infiltrar?

A Lindsey abre a boca como se lesse os meus pensamentos. Pudera, dá pra perceber.

— Se esse tal de Yamamoto Kansuke for mesmo o mentor por trás de tudo, acho que é o jeito mais simples.

— Isso é verdade, mas…

Ela deve dizer isso por se preocupar comigo, mas vai dar tudo certo, acho. Na pior das hipóteses, é só fugir de [Gate].

— O problema é como chegar até essa Tsutsujigasaki, ou lá como é. Yae, você já foi lá?

— Não, este servo nunca foi. E o senhor, pai?

— Eu também não… Por que a pergunta?

— Se houver alguém que já tenha estado em Tsutsujigasaki, com a magia do Touya-dono dá pra teletransportar num instante.

— Não diga…!

Surpresos, o Jūbei-san e o Ieyasu-san voltam de novo a atenção pra mim. Eu vinha achando que não era bom chamar tanta atenção, mas, assim que resolvermos isso, vamos embora de Ishen mesmo, então decidi relaxar — tanto faz.

— Eu me encarrego de guiá-los até Tsutsujigasaki.

Não se sabe de onde, uma voz ressoa pela sala da torre. Não é a voz de ninguém ali presente. No reflexo, saco a New Model Army e aponto o cano pra galeria com balaustrada que circunda a torre.

— Quem é?!

Opa, roubaram a minha fala. Quem desafiou não fui eu, foi o Jūbei-san.

Da sombra da varanda com balaustrada, surge uma figura.

Uau, um ninja. Aquela roupa preta que se reconhece de cara — só que, em plena luz do dia, isso aí chama é mais atenção, né. Embora a gente, que nem assim percebeu, também não seja grande coisa; será que usava alguma magia de bloqueio de percepção?

Quando tirou o pano preto que cobria o rosto, surgiu uma beldade de traços bem desenhados. É uma kunoichi, é?

— Sou Tsubaki, subordinada ao Kōsaka Masanobu-sama, um dos Quatro Reis Celestiais de Takeda. Trago uma carta secreta endereçada ao Tokugawa Ieyasu-sama.

— Quê, do Kōsaka-dono?!

A kunoichi se ajoelha no chão, tira a carta secreta de dentro do quimono, coloca-a ali e dá um passo atrás. Afinal, é uma inimiga contra quem se lutava até há pouco. Não dá pra baixar a guarda. Sem tirar os olhos da kunoichi, o Jūbei-san pega a carta deixada no chão e a entrega ao Ieyasu-san.

Durante todo esse tempo, mantive o cano apontado pra kunoichi. Bom, por via das dúvidas, pro caso de acontecer algo.

O rosto do Ieyasu-san, conforme abre e lê a carta secreta, vai mudando da surpresa pra uma expressão severa. O que será que está escrito ali?

— Senhor. O que diz a carta?

— Pelo visto, o boato era verdade. O exército Takeda virou, agora, um exército de marionetes.

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