Capítulo 571 – A Cidade Sombria, e as Manobras Secretas de Cada Um
— É esse aí?
— Isso mesmo. Olha, aqui no braço…
Um dos homens vestidos completamente de preto ergue a manga do mendigo deitado no beco. O mendigo só solta pequeno gemido, sem resistir nem um pouco.
— Entendi. Já começou, hein.
No braço do mendigo, grudava algo tipo escama cinza-fosca.
— Levem ele. Sinceramente, se mutar na frente de todo mundo, vira incômodo.
— Que trabalho chato, francamente… aqui mesmo já não daria pra resolver, irmão?
— Ordem de cima. Sendo pra não matar, não tem jeito.
Enquanto observa os homens subordinados carregando arrastado, "zuru", pelas pernas o mendigo, o homem chamado de irmão acende um cigarro.
"Fuu…", a fumaça exalada se dispersa no vento frio da noite.
— Deixar vivo esse tipo de gente, que vantagem tem nisso, hein?
— Sei lá. Deve ser usado pra algum tipo de experimento, né? Deve ser pra usar até o fim mesmo.
O homem que respondeu com pouco interesse joga fora o cigarro terminado, pisando com o sapato.
— Vamos.
— Sim.
Os homens vão embora do beco. Sem perceber nem um pouco que um gato preto e um cachorro preto observavam essa cena inteira do telhado, camuflados na escuridão da noite.
No bar da cidade portuária Buren, sul do bairro, "Casa do Tubarão Prateado", hoje também homens rudes se embriagavam com bebida barata.
Dentro do bar, pescadores trabalhando no mar, carpinteiros navais mal-humorados, viajantes com cara de segredo, comerciantes suspeitos, todo tipo de gente se reúne bebendo.
Mas, se pergunta se é bebida alegre, não é bem isso, mais pra tipo assento de bebida pra desabafar reclamação, insatisfação e raiva.
— Aa!? Repete de novo, seu desgraçado!
— Repito quantas vezes for preciso, seu babaca!
Junto com essa voz, começa de novo hoje briga de socos. Os clientes ao redor só franzem levemente o rosto, "de novo isso", sem intenção nenhuma de parar. Só os funcionários ficam apressados, ansiosos, incomodados com confusão dentro da loja.
Conforme a briga vai se intensificando, como esperado, começa a incomodar os clientes ao redor.
Talvez incapaz de aguentar mais, um garoto pequeno se levanta, avançando diante dos dois brigando.
— Barulhento, senhores.
Sorrindo, quando o garoto dispara golpe de mão espalmada empurrando os dois pra direita e esquerda, os dois homens robustos que brigavam voam com força, "gorogoro", rolando pra fora da entrada da loja.
Cliente que não viu esse instante fica confuso, "o que aconteceu?", e cliente que testemunhou arregala os olhos, "mentira, né?".
O garoto, feito nada tivesse acontecido, volta ao assento, falando com o comerciante suspeito à frente dele.
— Desculpa. Até onde tinha chegado mesmo?
— A, aa, sobre a estrutura organizacional da Borboleta Preta, né…
O comerciante reconhece de novo que o garoto diante dele não é pessoa comum. Precisamente, não é garoto, e sim garota.
A espiã de Brunhild, Honō, tinha focado num comerciante de fala relativamente solta presente no bar, tentando coletar informação.
Sendo barulhento demais, acabou intervindo na briga, chamando atenção, mas, como resultado, sentindo que a boca do comerciante ficou ainda mais solta, então Honō pensa que não teve problema.
— Abaixo do líder tem várias dezenas de chefes, mas quem gerencia esses é quatro chefes superiores. Cada um desses parece cuidar respectivamente de unidade operacional, negociação secreta, coleta de informação, e fabricação-comércio clandestino.
— Unidade operacional é o quê?
— Guarda-costas, extorsão, cobrança de agiotagem… trabalho geral que precisa de força bruta. Bom, além disso, também corre boato de que aceitam até pedido tipo assassinato dependendo do dinheiro.
Existe também boato de que o senhor feudal anterior foi assassinado pela Borboleta Preta. Provavelmente, isso deve ser fato mesmo, pensa a Honō.
No ofício ninja também existe área de assassinato. Por sorte, a Honō nunca recebeu esse tipo de trabalho, mas já ouviu história de ninja mais velho dizendo que, antigamente em Ishen, também existia esse tipo de trabalho sombrio.
Só que, ouviu também que aceitar pedido de assassinato traz risco considerável.
Não é risco do próprio trabalho de assassinato. É risco de ser alvo por parte de quem fez o pedido.
Se o assassinato tiver sucesso, quem sabe disso é só o cliente e o executor. Pra quem fez o pedido, isso também pode ser visto como "segurar ponto fraco meu".
Se for isso, é melhor eliminar de vez… e existe bastante história de ninja que terminou o assassinato ser morto pelo cliente.
Não sabe como funciona na Borboleta Preta, mas, se for assassinato problemático demais pra vir à tona, existe possibilidade do executor ser eliminado.
A Honō pensa que ela mesma nunca aceitaria esse tipo de pedido, mas, logo, sorri diante da própria preocupação inútil, achando que seu senhor tranquilo demais nunca mandaria fazer assassinato desse tipo, afinal.
— O remédio dourado, qual parte deles tá espalhando isso?
— …Você, por que pergunta esse tipo de coisa, hein? Não falo coisa ruim, mas para de meter o nariz em assunto desnecessário. Por mais forte que você seja, se for alvo desses caras, não tem vida suficiente que baste.
Surpreendentemente, esse comerciante parece ser homem gentil. A Honō, pensando descuidadamente "que injusto ele parecer suspeito só pela aparência", diante desse comerciante suspeito de aparência que, olhando de qualquer ângulo, se preocupa com ela.
Diante desse comerciante suspeito assim, a Honō coloca sobre a mesa, "pachiri", uma moeda de prata.
— …Não sei bem, mas acho que é o Deroria, que comanda a negociação secreta, ou o Bīrisu, encarregado da fabricação-comércio clandestino.
Dizendo isso, o comerciante puxa a moeda de prata, bebendo de um gole a cerveja já morna. Provavelmente, esse homem também deve ter algum tipo de relação com a Borboleta Preta.
Nesta cidade, não existe ninguém capaz de fazer negócio sem se envolver com a Borboleta Preta. Até esse bar, provavelmente, deve estar pagando pra Borboleta Preta algum tipo de taxa de proteção. Senão, já teria sido destruído há muito tempo.
— Deroria da negociação secreta, e Bīrisu da fabricação e comércio clandestino, é…
Pensando em negociação com os apóstolos do deus maligno, o alvo principal seria negociação secreta, mas, pensando em quem vende o remédio dourado, talvez seja o lado de fabricação e comércio clandestino, pensa a Honō.
— Valeu, tio. Ajudou bastante.
A Honō coloca mais uma moeda de prata sobre a mesa, "pachiri", levantando-se do assento. Isso inclui também o próprio custo da refeição.
Obtendo ganho razoável, a Honō sai de bom humor pra fora do bar.
Saindo pra fora, andando um pouco, de algum lugar aparecem homens robustos, cercando a Honō ao redor.
Não é a Borboleta Preta. Entre os que cercaram, tava o rosto dos dois homens que a Honō tinha lançado longe do bar.
— É essa mocinha! Essa pirralha fez coisa ridícula com a gente!
— Ei, vocês! Segurem essa aí!
Parece que trouxeram companheiros pra vingança. Os homens ao redor avançam todos juntos pra atacar a Honō.
Mas, no instante seguinte, "dodododododon!", som surdo ecoa ritmicamente, e os homens que atacaram caem no local com olhos revirados de branco.
— "Que…!?"
Só os dois que causaram esse alvoroço, sem atacar, ficam sem palavra diante dessa cena. O que aconteceu, afinal, nada foi visto pelos olhos deles.
— Uuun, se querem me derrotar, precisam trazer dez vezes essa quantidade, hein.
Dizendo isso, a Honō avança num instante pro espaço dos dois, disparando o golpe de mão espalmada de agora há pouco, mas "dessa vez sem economizar força".
Os homens voam lançados longe do local, derrubando cerca e balde d'água do estábulo próximo, mergulhando na pilha de esterco de cavalo.
Vários curiosos se reúnem vindos do bar diante do barulho grande, e encontram os homens caídos e os dois enterrados no esterco de cavalo, mas, nesse momento, a figura da Honō já tinha desaparecido na escuridão da noite.
— Você não é meio idiota, não?
— Uwa! Duro, hein!
Foi essa a primeira fala da Shizuku diante do relatório da Honō. A Honō, chamada de idiota assim de repente, se joga pra trás segurando o peito exageradamente.
— Não fica chamando atenção assim. Escreve dez mil vezes a palavra "shinobi", você.
— Iaa, isso foi tipo força maior, sabe…
— Podia só ignorar quem tava fazendo barulho no bar, oras. Não é que estava sendo envolvida nem nada, né.
— É isso mesmo, mas…
A voz do comerciante à frente dela era barulhenta demais pra ouvir, então a Honō acabou agindo sem pensar. Ouvindo isso da Shizuku, achando "de fato, foi levemente precipitado", a voz de contra-argumento vai ficando pequena.
— Bom, o mérito de ter conseguido informação direitinho, isso reconheço, no entanto…
No quarto do hotel, só tem presente a Honō, a Shizuku, e a Nagi. A Basuteto e o Anubisu ainda não voltaram.
— Do lado da Nagi, como foi?
— Eu fui pro distrito de diversão, sabe, cruzei com algumas pessoas suspeitas~
— Suspeitas? Membro da Borboleta Preta?
— Não é esse lado, é do lado da droga~. Andando cambaleando, olho vazio, "droga, droga, droga…", murmurando, "butsubutsu", vagando pela cidade~
As pessoas que a Nagi viu, provavelmente usuárias do remédio dourado, eram quatro pessoas. Ela sentiu que estava mais espalhado do que imaginava.
Se gastar todo o dinheiro pra comprar o remédio, provavelmente, deveriam partir pro crime. Aquele remédio também tem efeito de embotar o freio da razão.
— Pensei até em dar antídoto pra elas, mas~
Pra essa missão, as três receberam certa quantidade de antídoto. Sabendo que é coisa que nem cada país recebeu mais que algumas dezenas de doses, entendiam bem o quão precioso isso é.
— Melhor não fazer isso mesmo. Se fosse sintoma terminal com risco de vida, ainda entenderia, mas não dá pra usar tão fácil antídoto precioso assim. E ainda, mesmo curando, se não cortar a raiz, existe possibilidade de recair de novo.
— É mesmo, né~…
Diante da Shizuku falando esse raciocínio correto pra Nagi, ela mesma também sentia algo indigesto.
Consegue salvar, mas não salva. Enquanto pensa "por enquanto, é o certo mesmo", a dúvida "será que realmente tá certo isso?" ergue a cabeça, "kamashi".
A Shizuku balança a cabeça, afastando pensamento desnecessário. Agora tá em missão. Só pensa em cumprir fielmente o trabalho diante dos olhos.
Diante do som batendo, "kotsukotsu", na janela, erguendo o rosto, aparece a figura do gato preto e do cachorro preto, camuflados feito fundidos com a escuridão da noite. Sem perceber, parecem ter voltado pelos telhados.
Quando a Nagi abre a janela, os dois entram sem som pra dentro do quarto.
『Iaa, cansei, hein. Aqueles caras ficam se movendo pra cá e pra lá, afinal』
O Anubisu comenta isso estendendo a pata dianteira. Será que até golem cansa? Inclinando a cabeça, a Honō pensa, mas decide não questionar isso especificamente.
『A Borboleta Preta não só distribui o remédio dourado, mas também tá coletando os viciados que já avançaram pro sintoma terminal』
— Eh? Isso não seria pra tratamento… né?
Diante da fala da Shizuku, o gato preto assente pequeno.
『Quando a maldição avança pelo remédio dourado, começa a mutação física. Se chegar nesse ponto, já perde a razão, sem saber nem mais quem é. Com o antídoto que carregamos, ainda dá pra salvar, mas…』
— Coletando esse tipo de gente humana, a Borboleta Preta faz o quê, afinal…?
『Em indivíduo com mutação completamente terminada, forma-se dentro do corpo dele cristal em formato de octaedro regular chamado "pedra amaldiçoada". A gente da Borboleta Preta tava extraindo isso』
Diante do relatório da Basuteto, o rosto das três garotas se enrijece. Extraído de dentro do corpo… quer dizer que essa pessoa já não deve estar mais viva.
『Essa "pedra amaldiçoada" vira substituta do G-Cube de golem. Núcleo de golem mais forte e mais excelente, obtido sem esforço nenhum… com certeza, a Borboleta Preta deve estar tendo lucro bem gostoso』
Sendo explorado de verdade até morrer, ou melhor, até depois de morrer também. Diante desse método desumano, todo mundo presente aqui deixa raiva transparecer no rosto.
— A mutação, não é todo mundo que muta, né?
『O Doutor disse que gente com resistência mágica, ou gente que ainda mantém esperança no coração, tem menos tendência a mutar. Quer dizer que quanto mais forte a energia negativa dentro do coração, mais fácil de cair na maldição… isso, né』
Diante da pergunta da Nagi, a Basuteto responde assim.
Mas, será mesmo fácil manter esperança dentro de ambiente desse tipo, hein, pensa a Nagi. Na cidade controlada pela Borboleta Preta, esperança é quase inexistente.
— De qualquer forma, primeiro precisamos investigar a origem do remédio dourado, né. Se seguirmos o Deroria da negociação secreta, e o Bīrisu da fabricação-comércio clandestino, os dois chefes, talvez descubramos algo. Pra perseguir, a Basuteto e o Anubisu seriam ideal, mas, dessa vez, vamos precisar dividir.
Diante da fala da Shizuku, a Honō franze a sobrancelha, direcionando olhar pro cachorro preto ao lado.
— Eh, sem a Basuteto, tá tudo bem mesmo, esse cachorro idiota…?
『Opa!? Falar assim de mim, que não perco pra ninguém em atuação de cachorro, isso é bem rude, hein!』
Atuação de cachorro, nada, o teu comportamento já é literalmente cachorro mesmo, pensam as três garotas, mas não colocam isso em palavras.
— Só o Anubisu sozinho deixa ansiosa, então talvez seja preciso alguém de nós acompanhar…
Diante da fala da Shizuku, e da Honō, da Nagi, os olhares se cruzam. Sem dúvida, isso é bilhete premiado ruim. Que trabalho incômodo.
— «Jaaaan-keeeen…!»
『Meu tratamento é tão cruel assim』
Diante das três garotas começando pedra-papel-tesoura intenso, o Anubisu murmura isso baixinho.
No bairro norte da cidade portuária Buren, existe rua onde se alinham lojas de luxo, incompatíveis com essa cidade.
Na escuridão da noite, néon de pedra de luz mágica brilha, atraindo hoje também cliente com bastante dinheiro, feito lâmpada atraindo mariposa. Diferença enorme comparado ao bar barato do bairro sul.
A maioria dessas lojas tem conexão com a "Borboleta Preta". São lojas pra receber parceiro de negócio da "Borboleta Preta", e também lugar pra fazer negociação secreta impossível de mostrar publicamente.
Numa dessas lojas, bordel com letreiro "Naitomea", vê-se figura de homens fazendo negociação suspeita.
Por mais que a "Borboleta Preta" tenha até o senhor feudal desta cidade nas mãos, fazendo o que bem entende, se a Ordem de Cavaleiros da capital imperial pegasse evidência desse tipo de negociação, seria o fim de tudo.
Numa situação onde não se sabe onde tem investigador infiltrado na cidade, lugar pra esse tipo de negociação é essencial pra eles.
— Aqui tá o combinado. Por favor, receba.
— Confirmado. Então, o pagamento é isto…
Caixa contendo cristal em formato de octaedro regular azul-escuro fosco, e bolsa de couro pesada, contendo aparentemente bastante moeda de ouro, são trocados em cima da mesa.
Terminando a negociação, apressado, o outro lado sai do quarto abraçando a caixa contendo o cristal.
Depois disso, logo, por outra porta, aparece homem robusto, bigodudo, mordendo charuto.
O homem magro de olhos finos que entregou a caixa se levanta do sofá, curvando a cabeça.
O homem barbudo senta pesadamente, "dokka", no lugar onde tava sentado o parceiro de negócio, apaga no cinzeiro o charuto já fumado, ergue a bolsa de couro colocada na mesa, confirmando o peso pesado dela.
— Que absurdo, hein, gastar tanto dinheiro assim com pedra desse tipo.
— Pra técnico de golem, é coisa que quer pagar qualquer preço mesmo… também é material desconhecido até pra pesquisador.
— Ha. Ganância, hein. Bom, graças a isso, nosso lado tá prosperando mesmo, no entanto.
O homem barbudo joga, "jara!", a bolsa de couro sobre a mesa, tirando charuto do estojo de charuto. Cortando a ponta com cortador de charuto, o funcionário ao lado acende, respeitosamente, o fogo.
— Então, aquela coisa, como tá indo?
— Aqui.
O homem de olhos finos diante do homem barbudo coloca sobre a mesa pequena caixa. Abrindo a tampa, dentro tinha uma dúzia de recipientes de vidro tipo tubo de ensaio.
Dentro dos tubos de ensaio tinha líquido dourado-escuro, e o homem barbudo, tirando um deles, ergue contra o lustre de pedra de luz mágica no teto.
— É produto adicionando fator de fera mágica especial ao remédio dourado, concentrado. Fazendo experimento humano, injetando no corpo, conseguimos mutação forçada, mas a razão se perdeu completamente, e também não se formou núcleo.
— Falhou, é.
— O humano que recebeu a injeção obteve força física superando até golem, e parecia não sentir dor. Não posso dizer que foi falha completa.
— Mas, se perdeu a razão, não serve como soldado, né. Se ao menos formasse núcleo, serviria como semente pra algo, mas…
O homem barbudo devolve o tubo de ensaio pra caixa. O homem de olhos finos fecha a tampa dessa caixa, continuando a fala.
— Não, não, por exemplo, em festa de nobreza real e afins, se injetar isso discretamente num dos convidados…
— De repente aparece monstro, virando bagunça a festa, é. …Entendi, se der certo, elimina alguém incômodo morrendo, é?
— Bom, certeza é baixa, mas, resumindo, depende do modo de uso.
Fumu, o homem barbudo — um dos chefes superiores da "Borboleta Preta", encarregado de fabricação e comércio clandestino, Bīrisu — pensa, refletindo.
De fato, certeza é baixa, mas conseguir criar bala perdida na hora parece ter grande mérito também. Ele mesmo, sem levantar suspeita, consegue causar dano no local. Problema é se, quem recebeu a injeção, atacando sem escolher, não acabaria envolvendo ele mesmo.
— Ainda tem espaço pra melhorar, né?
— Sim. Se reduzir o nível de concentração, acho que consigo manter a razão de algum jeito.
— Então, continua.
— Sim.
Quando o homem de olhos finos curva respeitosamente a cabeça, um dos funcionários avisa a chegada de um cliente.
— Chegou, hein.
O objetivo do Bīrisu de vir até essa loja não é receber relatório do novo remédio diante dele. É pra fazer negócio com a pessoa que acabou de chegar.
O homem de olhos finos recolhe a bolsa de couro cheia de ouro e a caixa do remédio, e, terminando de organizar a mesa, o funcionário guia até lá a pessoa que aparece.
— Vim incomodar.
Alguns dos funcionários que viram essa pessoa pela primeira vez mostram expressão de choque. Faz sentido mesmo. Era anormal demais.
Envolto em manto preto, com crânio de cabra na cabeça, homem sinistro.
Nas mãos desse homem, previsto ser idoso pela voz, tá segurado cetro real preto-metálico.
Um dos apóstolos do deus maligno, Gurafaito, sob o crânio de cabra, mostra sorriso, "nii".