Capítulo 572 – A Negociação Rompida, e o Banquete de Ossos
— Aquele ali é o Bīrisu?
『Parece que sim. Os subordinados dele tão dizendo isso』
De distância impossível de perceber do outro lado, usando o [Olho Mágico de Visão Distante], a Honō confirma o homem barbudo entrando na carruagem golem. Sendo noite, fica levemente difícil de ver, mas dá pra ver homem robusto, com barba, uns quarenta anos.
No colarinho da roupa, tava bordado pequena borboleta preta com contorno dourado.
Mesmo sendo a Honō, nessa distância, não dá pra ouvir a voz. Mas, o cachorro preto aos pés dela parece conseguir ouvir de algum jeito.
No fim, perdendo no jokenpo daquela vez, coube à Honō cuidar do Anubisu. E, um humano e um animal, assumiram missão de vigiar o chefe encarregado de fabricação e comércio clandestino da "Borboleta Preta", Bīrisu.
O Bīrisu, montado em carruagem golem, se movia por vários lugares da cidade de Buren. Toda vez, a Honō e o pessoal se movem cuidadosamente pelos telhados, sem serem percebidos pelo povo da cidade.
O "Manto Invisível", equipamento emprestado do serviço de inteligência de Brunhild, é item com função tipo camuflagem óptica, que impede reconhecimento e se funde ao ambiente, mesma tecnologia usada na armadura espelhada da Buryunhirude, Frame Gear pilotada pela Yumina.
Com isso, não deveria ser descoberta tão facilmente, mas, por precaução, a Honō mantinha distância vigiando o alvo.
Mesmo com impedimento de reconhecimento, sempre existe risco de ser suspeitada por alguém com sexto sentido aguçado. Melhor estar alerta.
『Dessa vez é bordel, hein… por que fica se movendo tanto assim de um lado pro outro, afinal? Que trabalho chato…』
— Não sei bem, mas, sendo responsável por fabricação e comércio clandestino, deve ter várias coisas que quer manter em segredo, né?
No telhado, diante do Anubisu resmungando, "butsukubutsu", a Honō responde isso sem tirar os olhos do alvo.
Respondendo displicente, a Honō, na verdade, acerta bem no alvo dessa suposição.
O Bīrisu, apesar de não combinar com o rosto rude, é cauteloso, mudando toda vez o local de negociação. Às vezes, muda até de repente no dia anterior.
Naturalmente, negócio de comércio clandestino não pode ser visto por outros olhos. Também escolhe comprador, e, se sentir mínimo indício de suspeita, retira-se na hora.
O que eles mais temem é ter o local flagrado.
O Império de Garudio, desde que o novo imperador subiu ao trono, seguindo o ideal do imperador anterior, dedica esforço em amizade com países vizinhos. Conforme a relação com países vizinhos melhora, a circulação entre nações aumenta, e, naturalmente, também aumentou o rigor da fiscalização.
Se for isso, é natural que aumente gente fazendo contrabando e comércio clandestino pra obter coisa difícil de conseguir, e, naturalmente, também é natural aumentar quem fiscaliza isso.
Não se sabe onde tá escondido cão do estado. Faz sentido o Bīrisu ficar cauteloso mesmo. Bom, no caso dele, pela própria personalidade, já é operação padrão mesmo.
— Toma, trouxe a quantia deste mês.
A pessoa de manto preto, sentada na cadeira, com crânio de cabra na cabeça, coloca sobre a mesa, "dossari", bolsa de couro do tamanho de cabeça de filhote de cachorro.
O Bīrisu, chefe da "Borboleta Preta", puxa isso, abrindo a boca da bolsa de couro, confirmando o conteúdo.
Dentro da bolsa de couro, tava cheio de pó brilhando dourado-fosco.
Isso é o remédio dourado, virando ultimamente grande fonte de recurso da "Borboleta Preta".
O Bīrisu tentou analisar isso, tentando fazer a mesma coisa, mas nem consegue imaginar qual é o material original, no fim, desistindo.
Considerando quem trouxe isso, não deve ser coisa decente, mas, se consegue vender, se consegue usar, pro Bīrisu não tem problema. Naturalmente, sempre mantém alerta, mas, "por enquanto", tá tudo bem assim.
Quando o Bīrisu fecha a boca da bolsa de couro, o subordinado de pé ao lado coloca sobre a mesa algo tipo maleta, abrindo a tampa.
Dentro dela, tinha vários blocos transparentes tamanho de bola de softball. Na superfície, corriam vários sulcos finos, desenhando padrão geométrico estranho.
— Todos são de máquina antiga individual diferente, né?
— Aa, conforme pedido, nenhum é do mesmo modelo.
Pegando na mão um dos blocos tipo cristal, o velho de crânio de cabra examina cuidadosamente, virando de vários ângulos.
O que tava na maleta era Cristal-Q, digamos, cérebro de golem.
E ainda, parece que todos são de máquina antiga. Se fosse verdade, o valor disso seria incalculável.
Golem se move com o G-Cube, fonte de energia, e o Cristal-Q, cérebro, mas, basicamente, se esses dois estiverem intactos, consegue ressuscitar completamente.
Mas, especialmente importante, muitos técnicos de golem diriam que é mais o Cristal-Q do que o G-Cube.
Afinal, no Cristal-Q, fica preservado conhecimento, experiência, técnica de combate anterior do golem. Sinceramente, se o Cristal-Q estiver intacto, mesmo com desempenho da máquina caindo, dá pra ressuscitar com outro G-Cube.
Ao contrário, mesmo só o G-Cube intacto, se o Cristal-Q for destruído, mesmo com poder e desempenho voltando ao original, a função de operar isso precisa recomeçar tudo do zero.
Sendo Cristal-Q já precioso desse jeito, se for de máquina antiga, o valor sobe ainda mais.
Afinal, máquina antiga é sobrevivente usado na "Grande Guerra Antiga dos Golens". Aquela experiência e conhecimento não é coisa que se obtém fácil mesmo tentando.
Como a "Borboleta Preta" obteve esse Cristal-Q precioso, afinal?
Se for a "Borboleta Preta", controlando mercado negro, mesmo custando dinheiro, obter isso não é tão difícil assim.
Mas, mesmo sem gastar dinheiro, existe método de obter. Isso mesmo, basta roubar do dono.
Matar o contratante, encurralando o golem até disfunção, recebendo o Cristal-Q.
Sem dúvida, é ato criminoso, mas, pra gente da "Borboleta Preta", é só coisa do cotidiano.
— Se quiser, também consigo preparar o G-Cube vinculado.
— Não, esse lado não precisa. Preciso só do Cristal-Q de máquina antiga.
Diante dessa resposta, o Bīrisu franze levemente a sobrancelha. G-Cube e Cristal-Q de máquina antiga, basicamente, são vinculados.
Se colocar Cristal-Q vinculado em máquina de outro G-Cube, o desempenho despenca, e também fica impossível usar habilidade de golem.
Por isso, se for pra fazer novo golem usando esse Cristal-Q, seria estranho não usar o G-Cube vinculado.
O que quer fazer usando só o Cristal-Q, afinal… o Bīrisu não fazia ideia nenhuma.
Melhor evitar mexer em mato desnecessário e fazer cobra sair. Justo quando o Bīrisu decide não investigar mais que isso, do fundo da loja, chega som tipo briga.
Ao mesmo tempo que o guarda-costas ao lado do Bīrisu coloca a mão no cabo da espada, "dobaan!", com força, a porta se abre, e homem robusto de quase dois metros salta pra dentro.
— Ora, vim incomodar.
— Burasu…!
Vendo o homem que de repente invadiu a loja, o Bīrisu franze o rosto.
No rosto desse homem, pele morena, careca, tinha tatuagem cobrindo densamente todo o lado direito, e, do lado esquerdo, marca de cicatriz grande da ponte do nariz até a bochecha.
Mesmo chefe da "Borboleta Preta" que o Bīrisu, homem que domina a unidade operacional, Burasu.
— Agora tô em negociação. Se tem assunto, deixa pra depois.
O Bīrisu, estalando a língua, "chi", encara fixo o Burasu. Não dá pra dizer nem por elogio que Burasu e Bīrisu tenham boa relação. Sem pensar nas consequências, tipo massacre pela força, o Bīrisu despreza o Burasu, e o Burasu xinga o Bīrisu de covarde frouxo, meticuloso e cauteloso demais em tudo.
Ignorando a fala do Bīrisu, o Burasu senta pesado, "dokka", no sofá diagonal ao velho de crânio de cabra — Gurafaito.
— Quem é você, hein?
— Sou o Burasu. Chefe da "Borboleta Preta" mesmo que esse aí. Prazer.
Mostrando sorriso feroz, o Burasu se apresenta ao Gurafaito. Vendo isso, o Bīrisu estala a língua de novo, pequeno.
— Finalmente peguei o rabo, hein. Você é o fornecedor do "remédio dourado", né?
O Burasu arranca a bolsa de couro colocada na mesa, confirmando o conteúdo, mostrando sorriso ainda mais largo.
— "Peguei o rabo", que fala arrogante essa. Do meu lado, não é que estivesse me escondendo especialmente, no entanto.
— Do teu lado, talvez, mas esse aí escondia o parceiro de negócio até de nós. Deu trabalho pra descobrir mesmo, viu.
O Burasu direciona sorriso maldoso pro Bīrisu. O remédio dourado era monopólio do Bīrisu, sem envolvimento dos outros três chefes.
Originalmente, esse remédio dourado circulava em Aizengarudo com propaganda de que curava a "Doença da Flor Dourada".
O Bīrisu, atento ao efeito e particularidade disso, rastreou quem vendia, negociando, expandindo o alcance até este ponto.
Agora, o remédio dourado já virou fonte de recurso considerável, impossível de ignorar, pra "Borboleta Preta".
Sabia que os outros três chefes queriam entrar no negócio também, mas nunca imaginou que justamente o Burasu descobrisse primeiro, o Bīrisu mostra expressão tipo mordendo inseto amargo.
— Direto ao ponto. Entrega pra cá o método de fabricação do remédio dourado.
— Burasu! Pensa em roubar, é!?
Os subordinados do Bīrisu colocam a mão na espada. Igualmente, os subordinados trazidos pelo Burasu também colocam mão na espada, criando atmosfera de confronto iminente.
Dentro do ambiente tenso, "pinipini", ecoa som do Gurafaito batendo com o cetro no chão, "kan".
— Gostaria de não avançar a conversa deixando de lado a parte envolvida. E ainda, aquilo, vocês não conseguiriam fazer.
— De verdade mesmo? Sinto que, se tiver o "inseto dourado", de algum jeito daria certo, no entanto.
"Piku", o Gurafaito para de se mover por um instante.
Inseto dourado é outro nome pra espécie mutante que apareceu neste continente. Sendo que muitos eram tipo inseto, esse apelido se fixou.
O remédio dourado é feito amplificando a maldição do deus maligno contida na espécie mutante, comprimindo, quebrando em pó.
A espécie mutante não desapareceu completamente com a morte do deus maligno. Existem os que entraram em estado de dormência parcial, os selados por barreira e afins, e os "duplicados" pelos apóstolos do deus maligno.
E ainda, raramente, também existe espécie que se transformou em outro indivíduo através de monstro tipo Rōpā ou slime, que absorve e assimila presa.
Conforme a fala do Burasu, usando esses, não estaria completamente errado dizer que a "Borboleta Preta" também conseguiria fazer o remédio dourado.
— Hoo… conseguiu descobrir até esse ponto, hein. Parece que subestimei um pouco vocês.
— Ouvi falar de gente estranha se movendo em Aizengarudo. Tem boato de que golem tipo demônio carregava monstro dourado. Aquilo é a origem do remédio dourado, né?
O Burasu, mostrando sorriso maroto, questiona o Gurafaito.
Essa informação que o Burasu obteve foi ouvida do chefe encarregado de coleta de informação, igual ele e o Bīrisu.
A base principal dos apóstolos do deus maligno é a "Arca", mas, além disso, também existem alguns lugares usados como base.
Aizengarudo virou lugar sem gente frequentando, sendo apropriado pra vários tipos de trabalho, e, como resultado, o Gurafaito suspira internamente, achando que a vigilância acabou ficando frouxa demais.
Mesmo assim, aquele lugar é controlado pela Tanjerin, então, desde o início, esse tipo de cautela já não era esperado mesmo.
— Se for laboratório de Sutorein ou Arento, devem ter deixado um ou dois "insetos dourados" restando. Resta só o método de fabricação.
— Ei, Burasu… você, não pode ser…
Diante da fala e comportamento do Burasu, o Bīrisu franze a sobrancelha. Homem com lema "o que quer obter, obtém à força". Sem dúvida, esse homem tá pensando em capturar o Gurafaito.
O Bīrisu sente que passaram por cima dele, mas, em si, não era contra isso. De qualquer forma, achava que, mais cedo ou mais tarde, precisariam arrancar aquele método de fabricação. Ele mesmo pensava em deixar isso rolar mais um pouco, até conseguir julgar direito se não tinha perigo.
Os guarda-costas ao redor do Burasu desembainham a espada da cintura. Chegando nesse ponto, já não tinha como o Bīrisu parar isso, mesmo querendo.
Estalando a língua, mesmo assim, ele se posiciona pro lado que beneficia a "Borboleta Preta".
— É graças por deixar ganhar até este ponto. Melhor falar dócil. Esse aí, se for pra arrancar informação, usa tortura e soro da verdade com prazer, sabe.
O Bīrisu fala isso pro Gurafaito com olhar tipo pena. Bom, depois de arrancar a informação, sem dúvida, vai ser eliminado mesmo, essa fala, mantém guardada dentro do peito. Se falar honestamente, pelo menos, conseguiria morrer sem sofrer.
— Hohhoho. Obrigado pelo aviso. Achava que conseguiria trabalhar bem com vocês. Que pena. Preciso descartar.
— Ah?
Por um instante, o Burasu acha que ouviu errado. Descartar é o lado deles. Pela fala desse aí, parece que somos nós que vamos ser descartados…
Sem pressa, o Gurafaito tira a pulseira feita de presas de animal enfiadas em fio, jogando na mesa. Caindo com som, "kashan", só com esse impacto, a pulseira se estilhaça em pedaços, espalhando-se pelo quarto.
— O que é isso…?
Ignorando o Bīrisu franzindo a sobrancelha desconfiado, o Gurafaito, "ton", crava o cetro preto-metálico no chão.
— [Trevas venham, o que busco é o guerreiro do osso de dragão, Doragontousu Wōriā]
Quando o Gurafaito canta o encantamento, das presas da pulseira espalhada, num piscar de olhos, nasce guerreiro esqueleto, levantando-se um atrás do outro.
Não é esqueleto comum. A cabeça é crânio tipo réptil, parecido com homem-lagarto, e, na mão, segura escudo redondo dourado-escuro e espada de fio único curvada.
— Magia…!? Você, feiticeiro, é!?
— Percebendo tarde demais, hein.
Neste continente, quase não existe usuário de magia. Mesmo assim, a existência da magia é reconhecida, e, do continente oriental, a tecnologia mágica também vai se espalhando aos poucos.
No continente do outro lado, em local de negociação desse tipo, seria senso comum já preparar pelo menos barreira simples. Mas, neste lugar, não tinha esse tipo de barreira, e, como resultado, a magia de invocação não foi bloqueada.
Os guarda-costas da "Borboleta Preta" avançam cortando o soldado de dente de dragão que apareceu.
Eles são membros da unidade operacional liderada pelo Burasu. Tem habilidade muito melhor que cavaleiro comum meio-boca qualquer. E ainda, usam sem hesitação até truque covarde que cavaleiro nunca usaria, tendo técnica de combate real, focada só em matar o adversário.
Diferente de lutar contra humano, mas, como sempre, a espada dos guarda-costas captura com precisão o ombro do soldado de dente de dragão.
— Nã…!?
Mas, a espada do guarda-costas é bloqueada pela clavícula do soldado de dente de dragão, incapaz de cortar mais que isso.
Diante do homem guarda-costas surpreso, a espada do soldado de dente de dragão é golpeada sem misericórdia.
O homem é cortado em dois, de cima a baixo, na altura da cintura, derramando as entranhas, caindo espetacularmente no local.
— Então, agora que a negociação rompeu, já não preciso mais me conter, né. Vou me divertir um pouco.
De novo, "ton", quando o Gurafaito crava o cetro no chão, do corpo massacrado, vaza miasma, e o corpo do homem cortado em dois, num piscar de olhos, dissolve, "jukujuku", virando só osso.
— Nã…!?
Os ossos que estavam espalhados começam a chacoalhar, "katakata", e, feito atraídos por ímã, se juntam, voltando à forma original, levantando-se devagar.
O esqueleto recém-nascido ataca com essa espada na mão os antigos colegas.
Um dos guarda-costas é cortado por esse esqueleto. Quando o Gurafaito crava mais uma vez o cetro, "ton", igual antes, a carne se dissolve, e mais um novo esqueleto nasce.
Chegando nesse ponto, o Bīrisu entende que fizeram mal-entendido absurdo.
Não é que estavam usando eles. Estavam sendo usados. O outro lado sempre pôde descartar eles a qualquer momento. Até agora não terem feito nada era só capricho do outro lado.
Se soubesse que ia virar assim, deveria ter matado o próprio Burasu quando ele descontrolou. Fazendo isso, se desculpando depois, talvez tivesse se salvado, o Bīrisu se arrepende intensamente, mas já não dá pra voltar o tempo.
— Gufu…!
Diante do próprio Burasu, a espada do soldado de dente de dragão perfura a garganta. Fim miserável, francamente, pra homem que tinha confiança absoluta na violência.
O Burasu cai, e, de novo, ecoa som de bater no chão, "ton".
O homem que era chefe da "Borboleta Preta" renasce como monstro só de osso, e, dessa vez, direciona a lâmina maligna pro Bīrisu.
『Aa, tá barulhento demais lá dentro, hein. Será cliente incômodo, ou…! Honō-nēsan, aquilo!』
No telhado com vista pro bordel onde deveria estar o Bīrisu, a Honō, que tava cochilando, se assusta, "bikutto", com a voz do Anubisu, voltando do mundo dos sonhos.
— Uwaa!? E, e, o que é? O que é?
A Honō esfrega os olhos sonolentos, "goshigoshi", direcionando o olhar pro bordel.
Parece que algo tipo confusão tá ocorrendo, e gente foge do bordel que vigiavam.
O que aconteceu, ativando o [Olho Mágico de Visão Distante], reforça a visão.
— Aquilo é…!
Da entrada do bordel, onde as pessoas fogem desesperadas, vê-se esqueleto com crânio tipo réptil saindo.
O esqueleto de cabeça de dragão corta um atrás do outro, com a espada curvada na mão, quem tenta fugir.
Miasma preto aparecendo de algum lugar se gruda na pessoa cortada, e, num instante, a carne se dissolve, virando só osso, levantando-se como novo soldado esqueleto.
E, esse esqueleto recém-nascido ataca ainda mais gente amedrontada, aterrorizada. Corrente de tragédia.
— Virou esqueleto…!? Como assim, afinal!?
『Não sei… mas isso, é levemente demais pra nós resolvermos sozinhos…!』
Enquanto observa a confusão crescendo cada vez mais, o Anubisu murmura isso, e, nesse timing, chega chamada no smartphone da Honō.
A Honō, apressada, tira o smartphone do bolso. Se for da Vossa Majestade ou da chefe Tsubaki, precisa reportar essa situação.
— Opa?
Vendo o aviso de chamada, a Honō mostra expressão sutil. Não era o senhor nem a chefe, mas era pessoa impossível de não atender.
— Alô…? Eh? Não, agora tô trabalhando… ehm, é que… no Império de Garudio…
Virando as costas pro Anubisu, começa a explicar em voz baixa a situação atual pra pessoa do outro lado.
Já que chegou nesse ponto, a Honō pensa em deixar a chefe ou o senhor ser avisados pelo outro lado mesmo.
— Eh? Ajudar? Parece interessante… m, mas, olha, precisa de permissão de Vossa Majestade, né…! Sem problema? A, tá bem… Sim, sim… aguardando aqui…
"Putsu", desligando o smartphone, a Honō vira, "gigigi", com olhar tipo morto, em direção ao Anubisu.
『O, o que foi, Honō-nēsan…? De quem era o telefonema?』
— Da Eruze-sama…
『Hã?』
A Honō, especialista em técnica corporal, às vezes, é parceira de treino da Eruze. Por isso, no contato da Honō, também tinha o número da Eruze. A chamada de agora há pouco também era pedido pra fazer treino de luta, mas…
— Ela disse que vai vir pra cá agora…
『Hã?』
— Disse que dá pra saber a posição pela Basuteto e o Anubisu, então vai vir com [Teleport]…
— Fiz esperar!
— «Wa!?»
Exatamente num instante, no telhado onde estavam o Anubisu e a Honō, aparece "as" pessoas em questão.
— Oo, tá se soltando bastante, hein.
— Isso não dá pra ignorar, viu. Precisa salvar rápido.
— Vai quebrar o osso…
— Achou que fez piada boa, Sakura?
Atrás da Eruze, tavam de pé a Yae, a Hiruda, a Sakura, a Sū, quatro pessoas. Todas esposas do senhor, ou seja, rainhas. Pessoas que não deveriam estar num lugar desse tipo.
— Como não pude participar da debandada em massa do deserto dias atrás, hoje vou me soltar com força total~!
Batendo, "gangan", as duas mãos equipadas com manopla, a Eruze grita isso com alegria.
Sinto que já mudou o meio pelo objetivo, pensa a Honō, mas decide não colocar isso em palavras. Falar seria em vão mesmo.
De qualquer forma, é reforço poderoso sem dúvida. Mesmo assim, se não avisar sobre essa situação, depois vai virar incômodo, julga a Honō, decidindo ligar pro número da chefe Tsubaki. Julgamento sensato.