Capítulo 573 – O Corte Dimensional, e o Reforço Demoníaco
A cidade portuária Buren tava envolta em alvoroço de gritos infernais. Porque um bando de esqueletos, aparecendo de algum lugar, atacava as pessoas.
Na verdade, no continente ocidental, monstro tipo morto-vivo é raro. No continente ocidental, basicamente, predomina cremação, então quase não se vê monstro tipo zumbi, ghoul.
Isso é diferente do continente oriental, onde a magia se desenvolveu, porque o conceito de "ressurreição dos mortos" quase não existe no cidadão comum. Dizem que é porque fogo é sagrado, afastando monstro, e existe lenda de que a alma sobe ao céu através dele.
Entre família real e nobreza, na alta sociedade, restam parcialmente lendas tipo "elixir de ressuscitação" ou "método secreto de ressurreição", então também tem bastante caso de enterro no solo, mas, geralmente, é cremado, enterrando o osso no túmulo.
Por isso, no continente ocidental, quando se fala em morto-vivo, muita gente imagina esqueleto, só osso, com o corpo já queimado.
Morto-vivo é monstro onde a alma do morto não consegue voltar pro céu, fixando no corpo. Incapaz de subir pro céu original, vira monstro vagando por este mundo.
Mas isso, originalmente, é coisa que muda ao longo de anos. Igual acontecendo em Buren, virar esqueleto logo depois de morto, isso não deveria acontecer.
Não importa quem veja, é situação anormal, sendo inevitável o povo entrar em pânico.
O esqueleto mata pessoa, e a pessoa morta renasce em esqueleto.
O número de esqueletos vai aumentando cada vez mais, e, já, mesmo a guarda de Buren, tá ficando difícil de conter.
— Hii!?
No momento que um dos esqueletos tenta golpear a mulher caída, socando de repente, aparecendo de algum lugar, o punho direito da garota, explode no núcleo do esqueleto, acima do esterno.
— Esmagar!
Não só o núcleo, mas todos os ossos do corpo inteiro são quebrados, e o esqueleto voa em pedaços.
A Eruze, derrotando o esqueleto, gira o corpo na hora, disparando chute giratório de trás em outro esqueleto.
O calcanhar da grevas acerta com precisão o núcleo. Atacando de forma precisa, abate muitos inimigos com pouca força. Diante do bando de esqueletos se aglomerando, a Eruze dispara técnica com alegria.
— Vamos lá, sem hesitar, venham mais!
— Se divertindo bastante, hein.
— Ultimamente, não tinha oportunidade de lutar com corpo mesmo.
Dizendo isso, a Yae e a Hiruda também cortam um atrás do outro os esqueletos atacando.
Katana e espada feitas de material cristalino cortam facilmente, feito tofu, até o soldado de dente de dragão nascido de presa de dragão.
Mais que mirar cortando o núcleo, cortar em pedaços pequenos, depois pisar esmagando o núcleo caído no chão, é mais fácil.
Vendo as três derrotando com cantarolar leve os esqueletos atacando um atrás do outro, as três kunoichi entendem de novo a diferença de habilidade delas mesmas.
— Sinto que a cidade que a gente visita sempre tem esqueleto aparecendo, né…
— Né~
— Ainda é a segunda vez… não fala como se fosse culpa nossa toda vez que aparece.
As três kunoichi trocam esse tipo de conversa casual enquanto cortam o núcleo dos esqueletos. Antes, em missão na cidade de Asutaru, região de Sandora, também apareceram esqueletos de cristal.
Será que tem algum tipo de conexão com esqueleto, hein… pensando isso desnecessário, a Honō corta o esqueleto diante dela, feito dizendo "não quero esse tipo de conexão".
Nesse timing, de repente, voz sonora e clara ecoa pela cidade inteira. Canto absorvente derrama do céu, e as pessoas veem luz ali.
Virando-se, a Honō vê a Sakura cantando com dedicação total no telhado onde estavam agora há pouco. Graças à magia de atributo nulo [Speaker] aplicada no smartphone, até acompanhamento musical tocava direitinho.
Não, atrás do telhado, também tava a figura do Mochizuki Sōsuke tocando piano. Várias coisas fora do normal.
Como conseguiram colocar piano de cauda em cima do telhado, afinal…? Ignorando essa preocupação da Honō, de repente, o ritmo da música acelera, e, eventualmente, começa a fluir canto cheio de alma.
Recebendo essa música, o movimento dos esqueletos fica de repente desajeitado, e a reação fica lenta.
Se o duque de Brunhild estivesse aqui, teria soltado voz de compreensão, "bom, é morto-vivo mesmo, afinal".
A música que a Sakura canta é originalmente um dos hinos religiosos famosos, mas, em anos posteriores, foi arranjado como canção gospel.
É usada como música de inserção do clímax na sequência de filme de Hollywood que retrata alvoroço causado por freira falsa não-convencional.
Afaste a escuridão, encha-se de luz.
Conforme a canção, o poder dos esqueletos enfraquece, e o poder da Honō e o pessoal aumenta. Esse tipo de canto mágico de apoio ressoa ao redor.
— [Luz venha, cura de regeneração, Rijenerēshon]
Sobrepondo à voz da Sakura, a magia de luz disparada pela Sū envolve a área ao redor.
O homem que teve o braço cortado por esqueleto ao proteger a esposa, ao receber essa luz, num instante, o braço se regenera, condensando a luz.
Igualmente, o homem que teve a perna amputada ao deixar a criança fugir também volta ao corpo completo original.
Magia de recuperação de perda de membro pertence à magia antiga, magia de nível extremamente alto.
Não deveria ser possível usar magia desse tipo na idade da Sū, mas ela parece ter talento pra magia de luz, e, assim que leu o livro de magia da "Biblioteca" de Babylon, logo conseguiu usar.
Dizem que até a Rīn, que tem opinião própria sobre magia, ficou pasma sem palavra diante disso.
Vendo pela primeira vez o usuário de magia, quase inexistente no continente ocidental, e ainda por cima magia de recuperação de perda de membro, o povo chora de alegria, achando que milagre aconteceu.
— Isso também, isso também é fora do padrão comum, hein…
As esposas de Vossa Majestade nosso rei, todas, tem algo estranho, engole a Honō essa fala que poderia virar crime de lesa-majestade.
Não sabe se ficaram estranhas por virarem esposa, ou se, por serem estranhas, viraram esposa, mas.
— Mesmo assim, o que será que aconteceu, afinal…? Não deve ser debandada em massa, né…
Enquanto varre esqueleto atacando, a Shizuku dispara essa dúvida.
Basicamente, morto-vivo não participa de debandada em massa. Porque não possui descontrole por emoção nem medo diante de senso de crise.
Mas não é que morto-vivo nunca ataque em grupo. Existe caso de mortos ressuscitados com rancor profundo comum, atacando vivos como exército de mortos.
Segundo a história da Honō, os esqueletos pareciam ter transbordado do bordel onde o chefe da Borboleta Preta tinha entrado. Se for isso, sem dúvida, a Borboleta Preta deve estar envolvida nessa confusão, mas…
Feito respondendo essa dúvida da Shizuku, o bordel em questão explode espetacularmente.
— !?
O que se ergue devagar de dentro do bordel, virado escombros num instante, era dragão feito só de osso, com asa grande e quatro patas.
— Dragão de Osso…!
Diante do aparecimento do dragão de osso, verdadeiro símbolo da morte, a voz da Shizuku fica rouca.
Dragão é conhecido como criatura mais forte, mas, se ressuscitar como morto-vivo, vira ainda mais incômodo.
Zumbi-Dragão tem certa lentidão pela carne apodrecida no corpo, mas o Dragão de Osso, sendo só osso, é mais ágil do que se imagina.
E ainda, mesmo em estado só de osso, voa no céu, e também cospe sopro. Isso é porque tanto a capacidade de voo quanto o sopro do dragão não são gerados pelo corpo físico, e sim magia através de mana.
E ainda, sendo morto-vivo, não conhece cansaço, nem dorme. Permanece pra sempre neste mundo até cumprir o objetivo.
O Dragão de Osso, destruindo a paisagem urbana de Buren, persegue as pessoas fugindo desesperadas.
Mas, enquanto todos fogem, uma pessoa se posiciona bloqueando o caminho.
— Que bom ser morto-vivo que dá pra socar.
A Eruze veste luta em todo o corpo. Com esse ki de luta misturado com poder divino, parece que a Eruze tava vestida de luz cor platina.
Característica de subordinado divino, [Vestimenta de Luta do Deus da Guerra]. Falando de forma simples, é versão simplificada do [Liberação da Autoridade Divina] que o Tōya usa.
É habilidade capaz de elevar a capacidade física ao limite extremo, gerando armadura robusta de ki de luta, mas, no caso da Eruze, artista marcial, isso equivale a obter escudo divino e lança divina.
Feito flecha disparada, a Eruze avança em velocidade absurda em direção ao Dragão de Osso.
A Eruze chuta o chão com força pernas potencializadas pelo dobro pela própria magia de atributo nulo [Boost], saltando dançando pro ar.
O Dragão de Osso, reagindo agilmente à Eruze, abre a boca, "kuwa", cuspindo sopro tipo lança-chamas em direção ao ar.
Dizem que, se receber o sopro de dragão diretamente, nem osso resta.
Os cidadãos de Buren, observando a luta, soltam voz de desespero, mas, feito rindo disso, do meio da chama, aparece a Eruze erguendo o punho, explodindo golpe direto de direita com força total entre os olhos do Dragão de Osso.
— Quebra logo, oras.
Junto com som de impacto absurdo, o Dragão de Osso se estilhaça, "sarasara", feito areia.
Originalmente, pro morto-vivo, poder divino, poder de deus, já é só veneno mortal. Literalmente, penetrando até a medula do osso, o Dragão de Osso desaparece deste mundo.
Vendo o Dragão de Osso, símbolo do desespero, sendo derrotado tão facilmente assim, as três kunoichi renovam o reconhecimento de que "como imaginei, nossas rainhas são estranhas mesmo".
— Fumu. Achando que estava tendo dificuldade, é gente rebelde de Brunhild, é.
Sem perceber quando, em cima dos escombros do bordel, tava de pé pessoa presumível idosa, com manto preto e crânio de cabra.
Cravando o cetro preto-metálico, com olhos brilhando luz vermelha, observa em nossa direção.
— Que coincidência bizarra, encontrar em cidade portuária devastada dessa forma. Não, será orientação do deus maligno? Será que tá me dizendo pra desabafar o rancor?
— Se for isso, é orientação bem inútil, hein. Orientação de deus maligno só espera destruição mesmo.
A Eruze retruca isso pro portador do cetro, apóstolo do deus maligno, Gurafaito. Diante disso, o Gurafaito, sem mostrar raiva nenhuma, ri feito achando engraçado.
— Sem dúvida. Mas isso não seria justamente a verdade? Pra homem e mulher, pra idoso e jovem, pra rico e pobre, pra diligente e preguiçoso, o fim vem igual pra todos. Se for isso, não acha que oferecer isso já é salvação pra gente sofrendo da disparidade?
— Isso só soa argumento tolo mesmo.
— É diferença de opinião mesmo, hein. "Morte" é coisa maravilhosa sempre rolando bem ao lado. Vocês também, experimentando morrer uma vez, talvez a visão mude.
— Recuso.
A Eruze pisa forte no chão, avançando com força total em direção ao Gurafaito.
Mas, antes do punho da Eruze alcançar o Gurafaito, o soldado de dente de dragão que salta diante dela recebe o punho da Eruze, estilhaçando em pedaços.
A cabeça do soldado de dente de dragão que defendeu o golpe com o corpo abre grande a boca, "gwatto", mordendo feito jacaré.
Desviando por pouco isso com passo pra trás no momento certo, a Eruze, dessa vez, tem flecha de arqueiro esqueleto voando de todos os lados.
— Mu
Diante disso, quando a Eruze ergue o punho esquerdo pro céu, tornado se forma ao redor dela, afastando todas as flechas que caíam.
— Como esperado da Princesa Guerreira de Brunhild. Não é fácil assim, hein.
O Gurafaito arranca o colar de joias enfileiradas pendurado no pescoço, jogando no chão, erguendo o cetro real pro céu.
Miasma preto vazando do cetro real envolve as joias espalhadas no chão, e, das joias, rastejam pra fora espíritos de mulher azul-esbranquiçados, sofrendo.
— Hii…
A Eruze, até agora com total tranquilidade, no instante que vê o espírito de mulher, congela feito gelada, "kachin".
Entre os morto-vivos, a Eruze tem fraqueza especial contra tipo espírito. Monstro de corpo espiritual é adversário pesado psicologicamente pra ela.
Nas luvas dela, também tem aplicado atributo de luz, então não é adversário impossível de socar, mas o preconceito de longos anos não desaparece tão facilmente assim.
No momento que a Eruze recua inconscientemente um passo, os espíritos de mulher começam a chorar com grito estridente absurdo.
Aquilo passa desespero intenso e sensação de desespero irremediável pras pessoas ao redor, voz capaz até de fazer alguém pensar em tirar a própria vida.
— "Fada do Lamento"…!
Fada maligna que, com esse choro assustador, empurra quem tá por perto pro abismo do desespero. Originalmente, banshee é fada inofensiva que só anuncia a morte, mas, raramente, também existe indivíduo caindo na escuridão, virando fada maligna.
A Eruze consegue resistir a essa voz, mas as pessoas ao redor, não.
As pessoas que ouviram a voz da banshee soltam grito, derramam lágrima, distorcem o rosto, se contorcendo em sofrimento. Assim continuando, no fim do lamento, vão acabar tirando a própria vida.
Se acontecer isso, igual às pessoas até agora, talvez virem esqueleto também.
Não vou deixar isso acontecer, e, no momento que a Eruze avança um passo tentando resistir contra a pressão da voz das banshees, de trás, ecoa a voz da Sakura, feito anulando isso.
É a versão em alemão do hino religioso, origem da música que a Sakura cantava agora há pouco.
A canção de alegria da Sakura, contra a canção de lamento das banshees, acende esperança no coração das pessoas.
『Oooooo…!』
As banshees se intimidam diante da canção da Sakura.
Aproveitando essa brecha, saltando dos dois lados da Eruze, a Yae e a Hiruda cortam as banshees num só golpe.
Normalmente, não dá pra cortar corpo espiritual tipo banshee. Mas, diante da katana e espada com vários encantamentos aplicados, isso não é problema nenhum.
A banshee cortada desaparece lamentando a própria morte. No local, entra rachadura, "pishiri", na joia caída no chão.
— Há tempo não fazia extermínio de fantasma, hein.
— Yae-san, não é fantasma, não. É provisoriamente fada.
Fada também tem existência de tipo espiritual, então, mesmo chamando de fantasma, não deveria estar errado.
Bom, tanto faz, pensa a Yae, balançando a espada de cristal, cortando o que seria fantasma ou fada.
— Mu?
A Yae para a katana que cortou a banshee, inclinando a cabeça.
— O que foi? Yae-san
— Não… sinto que consegui cortar não só a banshee da frente, mas também a de trás, sabe…
Achou que o corte tinha virado onda de choque, cortando também a banshee de trás, mas parece diferente disso.
A Yae sente poder misterioso vazando de dentro do corpo, "jiwari", e chega a uma conclusão.
Aa, entendi, é essa sensação, é, ela pensa.
Quando a Yae balança levemente a katana em direção à banshee razoavelmente distante, essa banshee é cortada verticalmente ao meio. Não só a banshee, mas também a parede de pedra do prédio atrás dela é cortada junto.
— Fumu. Isso é característica de subordinado divino meu, é.
Faz o corte saltar pra onde pensou. Não é disparar tipo onda de choque. É fazer saltar atravessando o espaço. E, corta o objeto junto com o espaço.
Esse poder, digno de ser chamado [Corte Dimensional], a Yae dispara em direção a todas as banshees. "Supapatto!", som leve sobreposto ecoa.
No momento que a Yae guarda a katana na bainha, todas as banshees presentes no local já tinham desaparecido.
Diante dessa cena, a Hiruda, congelada por um instante, se reativa feito lembrando de algo.
— Yae-san! Despertou a característica de subordinado divino, né!? Que injustiça!
— Não, mesmo dizendo injustiça, sabe…
Vendo a habilidade sem precedentes da Yae, a Hiruda, entendendo tudo, se aproxima frustrada da Yae.
Mesmo recebendo explicação de que isso depende de diferença individual, não tem jeito, ainda assim, parece que frustração é frustração mesmo.
Diante desse poder capaz de cortar o próprio espaço, provavelmente, teoricamente, não deve existir nada impossível de cortar. O problema é a dificuldade de especificar o alcance. Sente perigo de acabar cortando até coisa que não precisava cortar. A Yae pensa que precisa de controle preciso.
— E ainda, cansa razoavelmente, sabe…
— Aa, é isso mesmo. Eu também, quando comecei a usar, era assim. Tá tudo bem, com o tempo, vai se acostumando.
Soltando ar de veterana, a Eruze fala isso pra Yae. A Hiruda, balançando a espada sem sentido, também torcia pra despertar a própria característica.
— Faz sentido o Indigo dizer que é inimigo natural. Vocês precisam ser esmagados de qualquer jeito mesmo, parece.
— Será que consigo, hein.
A Yae dispara um corte de katana em direção ao Gurafaito. Pelo [Corte Dimensional], sem dúvida, deveria ter cortado, mas o Gurafaito permanece de pé no local com rosto tranquilo.
— Mu?
Inclinando a cabeça desconfiada, a Yae dispara em seguida segundo, terceiro corte.
— Não corta…?
— Não, tá cortando, viu. Não sei como funciona, mas, corte impressionante mesmo. Sendo cortado tão limpo assim, a regeneração é rápida demais, parecendo que não corta, só isso.
Diante da explicação vinda de quem foi cortado, inesperadamente, a Yae franze a sobrancelha. Dizem que, se cortar levemente dedo com lâmina afiada, o tecido gruda fácil, curando rápido. Entendendo que deve ser algo parecido com isso.
Aquele homem de máscara de ferro, companheiro deles, também tinha capacidade de regeneração, capaz até de fazer o braço crescer de volta mesmo cortado fora. Provavelmente, esse velho de crânio de cabra também deve ser do mesmo tipo.
— Mesmo assim, roupa corta, então gostaria que parasse com isso, viu.
Quando o Gurafaito sacode braço e perna, cai flutuando pedaço rasgado do manto preto. A parte do manto abaixo do peito também rasga, "berorон", mostrando costela emagrecida. Se não estivesse amarrado com cordão na cintura, talvez até a parte de baixo aparecesse. A Yae sente leve alívio por não ter cortado na vertical.
Se for isso, se cortar em pedaços pequenos demais pra regeneração acompanhar, depois estourando com onda de choque, esfacelando tudo… pensa a Yae, posicionando a espada querida na cintura.
Do fundo do corpo, transbordando força misteriosa diferente de mana, luz cor platina cobre o corpo da Yae.
Com isso, sem dúvida, consigo esfacelar o adversário, tendo essa convicção, no momento que tenta desembainhar a lâmina da bainha, de lado, mão aperta levemente, "pon", o cabo, segurando.
— Sim, até aí. Tá bom mesmo.
— Irmã Karen!?
Sem perceber quando apareceu, a deusa do amor, Karen, com sorriso tranquilo e feliz de sempre, tinha parado o ataque da Yae bem no último instante. Balançando o dedo, "chicchicchi", estala a língua.
— Yae-chan e o pessoal são subordinados do Tōya-kun, então não pode derrotar aquele aí usando poder divino, tá? Isso vai contra a regra dos deuses, então o deus destruidor vem, "don!", virando aquilo, tá?
— Don…
— É "Don" mesmo, é…
Diante da explicação grosseira da Karen, a Eruze e a Hiruda também mostram expressão sutil.
Aquela explicação já tinha recebido do marido Tōya, mas, dessa vez, sentiu parecer coisa levemente leve demais.
Bom, do ponto de vista dos deuses, talvez até um mundo desaparecer se resolva com "Don!" mesmo, mas…
— De qualquer forma, ataque usando poder divino é proibido, tá? Entendido?
— Mu… entendi, sim…
— A conversa já acabou?
O Gurafaito, apoiando as duas mãos no cetro cravado no chão, fala isso feito descansando um pouco.
— Parece que fiz esperar, hein.
— Que nada. Do meu lado, queria ganhar um pouco de tempo também, afinal. Graças a isso, parece que chegou a tempo.
Quando o Gurafaito mostra sorriso malicioso, de algum lugar, ecoa som de destruição, "dogan!".
A Sakura, sensível a som, logo identifica a direção da origem desse som.
O que se via do telhado era o farol do porto quebrando pela base, "pokkiri", caindo dentro do mar.
E, esse farol caído é esmagado por braço dourado gigante estendido de dentro do mar.
Golem gigante de olho único, Kyukuropusu, começava a desembarcar do porto pra cidade, um atrás do outro. Nos pés dele, também parece ter homem-peixe, golem de quatro braços, gigante de pedra.
A Eruze, subindo no mesmo telhado que a Sakura, encontra ainda mais atrás sombra familiar flutuando.
Cabeça de cabra, asa de morcego, torso musculoso, e parte inferior tipo coruja.
Era o demônio, Demonzurōdo, com quem o Tōya lutou antigamente no incidente de golpe de estado no Império de Regurusu.
Mas tem parte bem diferente daquele Demonzurōdo daquela vez.
O corpo inteiro tá mecanizado. Não, não é que tudo seja máquina. É figura tipo fusão de máquina com ser vivo. E, atrás dele, flutuava também no ar bando de demônio igualmente parecendo fundido com máquina.
O demônio mecânico Demonzurōdo e o bando de demônios subordinados começam a atacar o porto de Buren.
— Então, vamos recomeçar do zero, né.
O Gurafaito bate, "katsun", o cetro preto-metálico no chão.