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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 59

Os Quatro Reis Celestiais e o Resgate

Capítulo 59 – Os Quatro Reis Celestiais e o Resgate

A masmorra ficava dentro de um casarão erguido a oeste do solar, na ponta do recinto. Como nem a Tsubaki-san, mesmo com a credencial, conseguia entrar até ali, pedimos pra Leen lançar o [Invisible] nela também e, os três invisíveis (embora a Leen insistisse que não é "invisibilidade"), nos infiltramos lá dentro.

Atravessamos a sala do guarda de plantão e descemos a escada de pedra que levava ao subterrâneo.

Lá embaixo havia uma cela gradeada de pedra e madeira, e dentro dela um velho, de olhos fechados, sentado em meditação zen. Um homenzarrão de longa barba grisalha, com várias rugas fundas marcadas no rosto.

— Quem está aí?

À voz que ele soltou de repente, ainda sentado em meditação, paramos de susto. Mesmo invisíveis, esse cara nos percebeu só pela presença?

— Baba-sama, é a Tsubaki. Vim resgatá-lo por ordem do Kōsaka-sama. Onde estão o Naitō-sama e o Yamagata-sama?

— Do Kōsaka…? Hunf, então era mentira mesmo que aquele tinha se rendido ao Kansuke. Um sujeito impossível de decifrar.

Erguendo o canto da boca, um dos Quatro Reis Celestiais de Takeda, Baba Nobuharu, abre um sorriso de lado.

— O Naitō e o Yamagata estão na cela lá no fundo. Mais importante: que tal aparecerem de uma vez?

Quando a Leen desfez a magia, o Baba ergueu uma sobrancelha e nos examinou, agora visíveis ao seu campo de visão.

— E esses dois aí, quem são? Nunca vi.

— Estes são convidados do senhor Tokugawa: o Mochizuki Touya-dono e a Leen-dono. O Mochizuki-dono é tão poderoso que, sozinho, derrubou os quinze mil soldados mascarados que invadiram os Tokugawa.

— O quê?!

Os olhos do velho Baba se arregalam. Aliás, eram quinze mil aqueles? Com razão o mapa ficou lotado de alvos.

O velho me olha com cara de incredulidade, mas, por ora, preciso dar um jeito nessa cela. Eu até podia explodir tudo com magia, mas aí com certeza chamaria atenção. Sem jeito.

— [Modeling].

Remodelo as vigas de madeira que formam a grade da cela e abro uma saída do tamanho de uma pessoa. Em cerca de um minuto fica pronta, e o velho Baba sai da cela sem dificuldade nenhuma.

— Você faz cada coisa esquisita, garoto.

"Garoto", né. Bom, é verdade que sou bem mais novo que o senhor. Não que eu vá dizer, mas a garotinha-fada do meu lado é muito mais velha que o senhor, tá.

Levando o velho de língua afiada, sigo pelo corredor dos fundos até outra cela. Ali havia celas dos dois lados.

Na cela à direita, um homem de rosto plácido — meio "lanterna acesa em pleno dia", ou melhor, com cara de assalariado às vésperas de se aposentar — e, na cela à esquerda, do lado oposto, um tiozão coberto de cicatrizes de cima a baixo, de olhar afiado, com toda a pinta de guerreiro veterano de mil batalhas.

— Oh, Baba-dono. Que bom vê-lo com boa saúde.

O tal assalariado de escanteio chama, todo sorridente.

— Parece que a coisa tá ficando interessante, hein, Baba-dono. Se for pra arrebentar, me inclui nessa também.

Este, o homem das cicatrizes, abre um sorriso animado, se levanta e se aproxima da grade. Olhando os dois, o velho Baba solta um suspiro de exasperação.

— Naitō. Tem um pouco mais de noção, vai. Sempre com essa carinha frouxa de sorriso. E você, Yamagata, ao contrário: pensa um pouco mais. Nem tudo se resolve saindo na porrada.

Hum. O assalariado de escanteio é o Naitō Masatoyo, e o tiozão das cicatrizes é o Yamagata Masakage, então.

— Garoto, foi mal, mas tira esses dois daí também, vai.

— Tudo bem, mas… dá pra parar com o "garoto"?

Quando peço a correção, de cara emburrada, a Leen se dirige ao velho.

— Pra constar, esse menino é candidato a próximo rei de Belfast, então é melhor cuidar do jeito de falar com ele, viu?

Diante dessas palavras, não só o velho como os outros dois ficaram sem fala. Não que a Leen esteja errada, mas o jeito que ela coloca me incomoda um pouco. Eu ainda não aceitei isso, viu, pra constar.

— É mesmo? Hmm, mas mudar agora também acho meio feio… Bah, "garoto" tá bom.

Diante da fala do velho Baba, a Leen ri e dá de ombros. Não tem jeito. É do tipo que não escuta nem se a gente falar.

— Eu vou chamá-lo de Touya-dono.

— Então eu chamo de Touya mesmo.

Tanto o tiozão Naitō quanto o tiozão Yamagata começaram a falar cada um o que bem entende. Os Takeda só têm gente folgada, é? Bem que eu queria ter conhecido esse tal de Shingen, que conseguia mandar nesses caras, francamente.

Com [Modeling], liberto os dois da cela do mesmo jeito que ao velho. Depois peço pra Leen lançar o [Invisible] de novo e, todos juntos, subimos a escada, passamos despercebidos pelo guarda e escapamos da masmorra.

— E então, o que pretende fazer agora, vossa futura majestade?

Achando graça, o Naitō-san fala todo sorridente. Para com esse tratamento. Conto, por ora, o que eu tinha pensado.

— A ideia é, depois de tirar vocês pra fora do solar, nós capturarmos o Yamamoto Kansuke.

— Ei, ei, assim não vale. Me leva junto, Touya. A gente tem é muita conta a acertar com aquele desgraçado.

O tiozão Yamagata estala os ossos dos dedos, "crac, crac", e abre um sorriso destemido. Com aquela cara cheia de cicatrizes fazendo isso, dá medo em vários sentidos.

— O Kansuke está cercado de soldados mascarados, e ele mesmo usa magias esquisitas. Aquilo não é humano. Você dá conta de derrotá-lo?

O velho Baba diz uma coisa estranha. Como assim? Como que dando seguimento, o Naitō-san abre a boca.

— Houve um tempo em que o Yamamoto Kansuke servia ao Shingen-sama como estrategista. Um homem notável, inteligente, um estrategista impecável. Mas, certa vez, ele pôs as mãos numa "joia" que abrigava o poder de um demônio. A partir daí, foi aos poucos enlouquecendo. Passou a matar gatos e cães, como quem testa algo, e não demorou pra isso virar gente. E então criou as "máscaras de oni" que controlam corpos mortos, obtendo um poder imenso. Nós não conseguimos detê-lo. Contra o poder daquela "joia", não há a menor chance…

Então o Yamamoto Kansuke enlouqueceu por causa dessa tal "joia". Que abrigava o poder de um demônio… é. Será que é justamente esse o Artefato que controla cadáveres?

— O que você acha, Leen?

— Que ele enlouqueceu por causa dessa tal joia, parece não haver dúvida. Dizem que Artefatos fortes demais, às vezes, chegam a ter vontade própria. Talvez abriguem o rancor ou a obsessão de quem os criou, algo assim.

Rancor… aí já é praticamente um item amaldiçoado, né. Mas, pensando assim, fica mais fácil de entender. O estrategista dos Takeda, Yamamoto Kansuke, teve a consciência tomada por essa joia amaldiçoada e enlouqueceu. Sendo assim, será que, se eu quebrar a joia, dá pra resolver?

Pergunto à Tsubaki-san, que estava ao meu lado.

— E o Kansuke, onde está agora?

— Pelo que imagino, deve estar na mansão do recinto central…

Tiro o smartphone e tento buscar pelo Yamamoto Kansuke, mas não deu nenhum resultado. Hã? Ele não está aqui? Não, não é isso. Pra conferir, tentei buscar pela Leen, e também não deu resultado.

É por causa da barreira. Está bloqueando a interferência do [Search]. Mais incômodo do que eu esperava.

— Tsubaki-san, o recinto central é pra que lado?

— Deixa ver… é naquela direção ali.

Mando a visão com [Long Sense] pra direção que a Tsubaki-san aponta. Achei que isto também sofreria efeito da barreira, mas nada. Deve ser porque é uma magia que lanço em mim mesmo.

Atravessando o jardim amplo, na hora em que eu ia vasculhar o interior da mansão, um homem saiu da mansão pro jardim.

Quimono preto, hakama preta, pele escura e um tapa-olho no olho esquerdo. Este é o Kansuke.

Trago a visão de volta e pergunto à Leen como fazer pra destruir a barreira. Já resgatamos os Reis Celestiais, e, no instante em que nos descobrirem, eu teletransporto pra perto do Kansuke, então não deve ser grande problema.

— Provavelmente há amuletos carregados de energia mágica nos quatro cantos deste solar. Basta destruir um deles.

— Esse lugar eu sei onde é. Por aqui.

Seguimos o tiozão Yamagata, que vai à frente. Graças ao efeito do [Invisible], chegamos ao lugar sem ninguém nos notar no caminho.

Num canto do muro, num pequeno espaço reservado, estava posta uma estátua de Jizō feita de pedra. A altura era mais ou menos a da Paula.

— Não há dúvida. Esta própria estátua de Jizō é um dos amuletos.

Como falavam em amuleto, eu logo imaginei uma coisa tipo um papelzinho de talismã, mas não era. O "amuleto" de que falam aqui tem o sentido de um objeto de proteção, e, pelo visto, não tem uma forma fixa.

— Então eu destruo isto e teletransporto já pra perto do Kansuke, pode ser?

— Opa, peraí, garoto. Desarmados, até pra nós a coisa fica difícil. Não tem alguma arma aí?

Falar é fácil, né. O velho Baba tem razão, mas as únicas armas que tenho comigo são o revólver New Model Army e a espada-arma Brunhild. E nenhuma das duas dá pra emprestar…

— Sem jeito. Vou fabricar.

— Fabricar?? — os três.

Ignorando o olhar de "do que esse cara tá falando" dos Reis Celestiais, tiro do [Storage] o aço que sobrou de quando fiz as bicicletas.

— Lança serve? Ou tem algum pedido especial?

— Hã? Ah, pra mim serve, mas o Naitō ia gostar de duas adagas, e o Yamagata, de um espadão…

— Pode deixar.

Vou remodelando o aço com [Modeling]. Primeiro faço as duas adagas simples. Depois o espadão e, por último, a lança.

Os três recebem, cada um, a arma pronta, e ficam testando, brandindo, girando.

— Fabricar uma coisa dessas num piscar de olhos… Você é impressionante, Touya-san.

— Achei que, com o cabo todo de aço, ia ficar pesada… mas é mais leve do que eu esperava, esta lança. Embora o equilíbrio esteja um pouco esquisito.

É que, pra ficar leve, deixei o cabo oco. É tipo uma cana de ferro com uma ponta de lança. Como mesmo assim é um bloco único de aço, acho que a resistência tá garantida, mas o corte eu não garanto.

— Então, prontos?

À minha conferida, todos assentem com um leve aceno. Saco a New Model Army da cintura e, da pochete, recarrego balas imbuídas de [Explosion] (versão reduzida).

Aponto a arma pra estátua de Jizō à minha frente. Deu uma sensação meio sacrílega, mas que me perdoem por isso. Pensando nisso, puxo o gatilho, e a estátua de Jizō explode em mil pedacinhos.

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