Capítulo 605 – Movimento Temporal, e o Ajuste do Tempo
A batalha final em Aizengarudo virou vitória nossa.
Parece que todos os apóstolos do deus maligno também desapareceram. Tem dois que não consigo confirmar, mas, segundo a fala do Gorudo que o Kuon ouviu, foram feitos sacrifício pra abrir o túnel do tempo. Realmente, virou situação sem escolha mesmo, hein…
Bom, do ponto de vista do Gorudo, já que tava tentando voltar cinco mil anos atrás, o que aconteceria com essa época daqui deve ter sido "que se dane" mesmo.
Por favor, chega de "na verdade, ainda tem apóstolo do deus maligno sobrevivente" desse tipo.
Terminando o pós-processamento em Aizengarudo, voltando pra Brunhild, imediatamente, abro reunião de emergência de líderes da Aliança Mundial, explicando o que aconteceu até agora.
Não dá pra falar até os detalhes, mas, resumindo, foi invasão mundial por golem com memória de antigo engenheiro mágico-tecnológico transplantada, e pelos apóstolos do deus maligno.
Parece que todo mundo ficou aliviado por ter conseguido conter isso na beira do abismo.
Mas ainda tem um problema.
É o "Remédio Dourado" espalhado pelo mundo todo pelos apóstolos do deus maligno.
Quantidade considerável foi espalhada pelo mundo todo, sendo trabalhoso recolher isso.
Primeiro, uso [Search] em cada país, identificando posição aproximada, e faço prisão em massa de quem possui isso. Recolho o remédio dourado que a pessoa possui, purificando e descartando.
Sendo probabilidade extremamente baixa, mas, se pessoa que continuar consumindo o remédio dourado, mutando, ainda assim, mantivesse mente capaz de manter o próprio ego, existe possibilidade não-zero de nascer novo apóstolo do deus maligno.
Por isso, precisa processar isso completamente aqui.
Já tinha algumas pessoas com mutação avançada demais, incurável nem com poção de cura nem com [Recovery].
Lamentável, mas, se chegar nesse ponto, só resta matar mesmo. Sendo existência que, deixando vivo, só faz mal… reservo prece pela paz da alma, mesmo que talvez seja inútil pra quem nem a alma volta pra roda da reencarnação.
O meio-peixe, golem de quatro braços, gigante de pedra, subordinados dos apóstolos do deus maligno que perderam o comando, viraram existência não diferente de monstro comum.
Como a força deles não é tanta assim, deixo isso a cargo dos aventureiros. O meio-peixe, originalmente era humano, mas, se for falar isso, zumbi e esqueleto também são, então os aventureiros não fazem piedade nenhuma.
Deixando de qualquer forma o pós-processamento detalhado a cargo dos figurões de cada país, finalmente, fico livre.
Aa, foi cansativo demais…
— Já que é boa oportunidade, que tal treinar [Teletransporte Interdimensional] até conseguir ir sozinho pra Terra?
— Eh…?
E, indo pro reino divino pedir pra Sua Excelência o Deus Supremo do Mundo sobre a viagem em família, logo de cara, ele fala isso.
— Treino, é?
— Mesmo com o corpo estando na terra, virando deus, precisa conseguir atravessar mundo livremente pelo menos. Mundo desconhecido deve ser impossível, mas, se for o mundo onde nasceu, acho que não deve ser tão difícil assim.
Pelo menos um mundo, ele fala. Mas o Ende também consegue fazer isso, então será que não é técnica tão difícil assim…?
Mas, se conseguir ir pra Terra com meu próprio poder, será que dá pra encontrar livremente com a família de lá também daqui pra frente?
— Não é coisa pra falar agora, mas você já morreu naquele mundo. Isso reviver seria contra a regra daquele mundo. Por isso, quando mandei você pra Terra antes, transformei você em criança…
O quê? Sua Excelência o Deus Supremo do Mundo tá movendo o olhar inquieto, "kyorokyoro", com dificuldade de falar.
Bom, quem me matou por engano foi Sua Excelência o Deus Supremo do Mundo mesmo… deve ser constrangedor mesmo.
— Forma de criança… ou forma que não dá pra reconhecer como sendo eu, quer dizer que, se for isso, tá tudo bem ir pra Terra?
— Não, se for mundo reconhecido como área de descanso dos deuses, igual o seu mundo, tudo bem, mas, deus descer arbitrariamente em outro mundo sem permissão, ainda é problema mesmo. Bom, se tiver permissão de mim, que sou o Deus Supremo do Mundo, sem problema, no entanto…
Ah, é mesmo, quando aprendi [Teletransporte Interdimensional] antes, circulei por vários mundos com a irmã Karen. Aquilo era mundo com permissão, é.
Tinha bastante mundo com civilização baixa, será que esse motivo também tá incluso?
— Problema não é isso… aquele, difícil de falar, mas…
Sua Excelência o Deus Supremo do Mundo começa de novo a mover o olhar inquieto, "sowasowa". Será que vai surgir algum problema por eu ir pra Terra?
Se for forma de criança, mesmo achando que parece comigo, ninguém vai imaginar que seja a mesma pessoa, então acho que não tem problema, no entanto…
— Seus pais, provavelmente, devem estar percebendo que você tá vivo.
— Eh!?
Papai e mamãe!? Por quê!? Teve algum elemento que revelou!? Deveria ter feito eles pensarem que era sonho!?
— Olha, tinha aquela casa que vocês usavam como base quando estavam no Japão, né. A sua mãe foi lá. E encontrou várias coisas estranhas.
Segundo o que ouço de Sua Excelência o Deus Supremo do Mundo, depois daquilo, minha mãe foi fazer limpeza na casa do vovô, depois de tanto tempo.
Limpando, o que aparece é cabelo longo loiro, prateado, e, pra completar, até cabelo cor rosa-sakura. Como esperado, mesmo minha mãe sendo meio distraída, isso deve ter batido o estalo.
Achaa… dentro do sonho, minha mãe encontrou até a Sakura, afinal…
Tendo certeza da existência das minhas esposas, minha mãe deve ter percebido que aquilo não foi sonho.
Depois disso, virou a casa toda de cabeça pra baixo, percebendo que o saquê guardado do vovô tinha sumido, que faltava um álbum de fotos, vestígio de algo guardado na geladeira.
E ainda mais, contando isso pro meu pai também, usando detetive conhecido dele, descobriram que a Yumina e o pessoal tinham ido no shopping e restaurante familiar perto. E, simultaneamente, também que levavam um garoto pequeno junto.
Mostrando foto minha de infância, o funcionário do restaurante familiar confirmou, dizendo com certeza que era essa criança que tava junto.
— Mesmo sendo minha mãe, que capacidade de ação…
— E, ali, todo santo dia, toda noite, ela manda pensamento pra mim dentro do sonho, "manda o Tōya, manda o Tōya"… eu, tô ficando levemente com medo…
— Minha mãe, sinto muito mesmo…
Curvo profundamente a cabeça diante de Sua Excelência o Deus Supremo do Mundo, exausto. Não ameace deus, viu, minha mãe…
— Melhor conversar direito quando for pra lá, hein.
— É, aquele… tá tudo bem? Vai acabar revelando sobre deus e outro mundo, mas…
— Também é possível apagar a memória… mas, como esperado, isso, hein. Quem tirou você dos seus pais, sem dúvida, fui eu mesmo…
De alguma forma, Sua Excelência o Deus Supremo do Mundo parece ter sentimento de culpa em relação aos meus pais. Queria falar "não precisa se preocupar tanto assim"… mas será impossível, hein.
— Naturalmente, peça pra manter sigilo, não contar pra fora. Seus pais não parecem ser do tipo que age de forma leviana, mas, se acontecer isso, aí sim vou precisar apagar a memória de verdade.
— Entendi.
Do meu lado também, mais que ser pensado como morto pelos pais, mesmo sendo longe demais pra ir, prefiro que pensem que tô vivo mesmo, direitinho.
— Opa? Se for isso, se eu conseguir ir sozinho pra Terra com [Teletransporte Interdimensional], quer dizer que consigo encontrar papai e mamãe a qualquer momento? Aa, claro, com permissão de Sua Excelência o Deus Supremo do Mundo, no entanto.
— É isso mesmo. Não posso dar permissão toda hora assim… mas, umas uma vez por ano, deve tá tudo bem.
Oo! Quer dizer que consigo voltar pra casa uma vez por ano? Isso é bom demais. Com isso, consigo ver com meus próprios olhos o crescimento da Fuyuka!
— Isso é medida especial só pra você, meu subordinado. Pensa como recompensa especial pelo trabalho de administrar aquele mundo, área de descanso dos deuses.
— Entendi. Quer dizer que é tipo bônus.
— Estritamente falando, é diferente… mas, bom, vamos considerar assim.
Uhum, tendo esse tipo de recompensa, dá pra se esforçar no trabalho também mesmo.
…Trabalho? Opa? Mas isso, será que é adiantamento do trabalho difícil de, daqui pra frente, cada vez mais deuses virem pra aquele mundo, causando vários problemas, e eu precisar resolver isso…? Mais que recompensa, é armadilha doce pra me fazer trabalhar…?
Olhando de relance pra Sua Excelência o Deus Supremo do Mundo, ele desvia o olhar, assobiando. Não faz esse disfarce antiquado, viu. Isso é acerto mesmo, hein…
Bom, de qualquer forma, é coisa que precisa fazer mesmo, e ter recompensa é melhor que não ter, com certeza. Aqui, vou aceitar honestamente mesmo.
— Então, imediatamente, vamos entrar no treino.
— Eh!? Agora mesmo!?
— Tá tudo bem. Vou colocar navegador direitinho.
Ao lado de Sua Excelência o Deus Supremo do Mundo, "shu!", aparece a vovó Tokie. Navegador seria a vovó Tokie?
— Afinal, é deusa do espaço-tempo. Coisa desse tipo, é nível de mão divina.
Uwa. Lá vem, piada de deus… Bom, mão divina, com certeza, não deve estar errado, mas…
— Mas a vovó Tokie tava reparando o tremor dimensional…
— A causa já foi eliminada. Fazer com calma, sem problema. Pro Tōya-kun também, deve ser melhor assim, né?
— Isso, bom…
Se terminar isso facilmente, o tempo final com as crianças vai acabar diminuindo, afinal… nisso, gostaria que fosse avançando o mais devagar possível, dentro do limite.
Se for assim, sem hesitação, vou pedir orientação mesmo. Oportunidade de aprender sobre [Teletransporte Interdimensional] com deusa do espaço-tempo não deve ser fácil de conseguir de novo.
— Não precisa se preocupar com o período de treino também. Não importa quantos anos se passem, vamos voltar pra esse tempo.
— Espera aí um pouco! Vai levar vários anos!?
— É modo de dizer. Se restringir a um mundo… deixa eu ver, um mês mais ou menos, será?
Mesmo assim, leva um mês, hein.
Se der pra voltar pra esse tempo, talvez não precise se preocupar com o tempo, mas isso quer dizer que é trabalhoso mesmo.
Se falassem que leva dez mil anos, talvez meu coração quebrasse.
De qualquer forma, aqui só resta fazer mesmo. Também pra futuro. Se conseguir voltar pra casa, vai ser conveniente de várias formas.
— Então, primeiro, movimento temporal, viu.
— Eh!? Movimento temporal!?
Fico surpreso com a fala repentina da vovó Tokie. A vovó Tokie, sendo deusa do espaço-tempo, governa tempo e espaço.
Dentre isso, magia que move espaço é magia de teletransporte, e o que uso, [Gate] e [Teleport], correspondem a isso.
[Teletransporte Interdimensional] também atravessa espaço, então achava que ia treinar isso mesmo…
— Mundo diferente tem avanço de tempo diferente. Por exemplo, entre o mundo original do Tōya-kun e o mundo onde você tá agora, o mundo onde você tá agora avança tempo mais rápido. Por isso, sem fazer ajuste de tempo, indo pro "Japão", passando alguns dias, voltando pra esse mundo, vai ter se passado vários anos.
Ee…? Sério mesmo…? Atravessando mundo, funciona esse tipo de efeito Urashima?
Opa? Não pode ser, será que a história do Urashima Tarō tem teoria de ter sido convidado pra outro mundo, voltando? Achava que a teoria de ter sido levado pro espaço era a origem do efeito Urashima, no entanto… talvez espaço e outro mundo não sejam tão diferentes assim.
Quer dizer, Sua Excelência o Deus Supremo do Mundo e a irmã Karen também faziam isso facilmente, é.
— Se for isso, se eu fizer [Teletransporte Interdimensional] pra Terra do jeito que tá, vou pro tempo do passado ou do futuro?
— Pela diferença do fluxo de tempo, provavelmente, acho que não vai pro passado. Se errar feio, talvez saia até centenas de milhões de anos no futuro, num mundo onde a civilização já entrou em colapso, no entanto.
Sério mesmo. Esse futuro, não vira mundo dominado por macaco, será que não…? Não quero ver Estátua da Liberdade arrasada, viu…
— Cruzando outro mundo normalmente, gera esse tipo de diferença, mas, se for [Teletransporte Interdimensional] correto, não precisa se preocupar com diferença. Por isso, primeiro, vamos fazer você conseguir movimento temporal simples nesse mundo.
Falando isso, a vovó Tokie coloca em cima da mesinha um relógio despertador tipo retrô. Nn?
— É, isso, aí… o que fazer com isso?
— Imaginando exatamente o mundo de uma hora depois, faz [Teletransporte Interdimensional]. Se conseguir corretamente, o ponteiro do relógio deve estar apontando pra uma hora depois.
Entendi. Quer dizer que salto pro futuro de uma hora depois, é?
Imaginando o mundo de uma hora depois… relógio apontando pra uma hora, é a hora, é.
Por ora, vou tentar.
Fechando os olhos, imagino dentro da cabeça relógio apontando pra uma hora.
— [Teletransporte Interdimensional]
"Fu", por um instante só, meu corpo fica leve, voltando logo ao normal. Abrindo os olhos, o relógio diante dos olhos não tava exatamente uma hora, mas apontava pra uma hora e cinco.
Ooo, pra primeira vez, ficou bem bom, não foi!?
— Que pena. Falhou.
Diante de mim animado, a vovó Tokie, sentada, abre a boca sorrindo. Eee…? Rigoroso demais, hein… cinco minutos, ora…
Opa? Sua Excelência o Deus Supremo do Mundo não tá aqui. Será que foi pra algum lugar durante essa uma hora?
— Mas, cinco minutos, talvez seja só margem de erro? Não precisa ser tão rigoroso assim pro movimento…
— Cinco minutos? Aa, não, tá errado. Você veio pro futuro de setenta e três horas e cinco minutos depois. Falha completa.
— Eh!?
Setenta e três horas!? Quer dizer que saltei mais de três dias!?
Sem eu perceber, surpreso, a vovó Tokie bate as mãos, "panpan". Achando que teve sensação de flutuar, "fu", o relógio da mesinha volta pra doze horas.
Sua Excelência o Deus Supremo do Mundo também, ao lado da vovó Tokie, bebe chá tranquilamente. Será que voltou pro tempo original?
— Parece que falhou, hein. Bom, no começo é assim mesmo.
— Provavelmente, você deve ter imaginado só o horário que o ponteiro do relógio apontava, movendo assim. Isso… melhor imaginar o ponteiro do relógio dando uma volta completa, saltando assim.
Conforme a vovó Tokie fala, dessa vez, decido saltar imaginando o ponteiro grande do relógio avançando, dando uma volta, apontando pra uma hora. Só uma hora, só uma hora…
— [Teletransporte Interdimensional]
Tem sensação de flutuação por um instante, e, abrindo os olhos, o relógio apontava pra uma hora e dez. Isso é… sucesso, ou falha?
Direciono olhar pra vovó Tokie na frente do relógio, e ela sorri de novo. Opa? De novo, falha…?
— Dessa vez foi sucesso. Ficou um pouco desviado, mas saltou direitinho pra uma hora depois.
— Que bom…!
Solto suspiro de alívio. De algum jeito, parece que consegui. Movi tempo uma hora pro futuro. …Não sinto nem um pouco a realidade disso, no entanto.
Não vai ter aquela pegadinha de Sua Excelência o Deus Supremo do Mundo secretamente adiantar o ponteiro enquanto eu tava de olho fechado, né?
De novo, quando a vovó Tokie bate as mãos, o ponteiro volta rápido pro topo.
— Então, próximo é três dias depois.
— Es, espera um pouco. Três dias depois, quer dizer imaginar o ponteiro grande dando setenta e duas voltas?
Como esperado, isso não é difícil demais, não? Enquanto contava quantas voltas deu, ia acabar dormindo…
— Basta imaginar o sol nascendo e se pondo três vezes. Se repetir várias vezes, vai pegar a sensação.
Entendi. Se for isso, fica fácil de imaginar três dias depois. …Mas, com isso, sinto que só consigo saltar pra manhã de três dias depois. Não, se pensar de lá até tarde da manhã, o sol subindo… assim, dá pra ter certa liberdade, será?
Dali, repetindo movimento temporal várias e várias vezes, de algum jeito, consigo pegar a sensação. Aa, cansei mesmo…
E ainda mais, pegando a sensação de voltar o relógio, também fico capaz de saltar pro passado. Nunca imaginei que eu mesmo fosse conseguir superar o tempo.
— Deixando claro, vou dar permissão de movimento temporal aqui no reino divino, mas, no mundo de baixo, basicamente, uso proibido, tá? Isso é técnica só pra ajuste na hora de atravessar mundo mesmo, viu.
— Eh? É assim mesmo?
— Conforme ficou claro nessa confusão de agora, movimento temporal carrega risco grande. Cobrir tudo isso eu mesma é trabalhoso mesmo, viu.
De fato, sem o suporte da vovó Tokie, deusa do espaço-tempo, existe possibilidade de nascer paradoxo temporal pela alteração do passado, ou a história virar completamente diferente.
Especialmente eu, vivendo na terra, se ficasse indo e vindo no tempo naquele mundo, talvez acabasse cometendo algum erro grande…
— Por exemplo, digamos. Tōya-kun, voltando pro passado, será que consegue abandonar por acaso uma criança prestes a morrer ali mesmo?
— Isso é…
— A criança que você salvar talvez mude grandemente a história. Ou, por essa criança sobreviver, talvez outra pessoa morra. Se não tiver confiança de não se envolver em nada, melhor não fazer movimento temporal de forma descuidada, hein.
Entendo o que a vovó Tokie quer dizer.
O problema espaço-temporal originado do tremor dimensional dessa vez é exceção, e, originalmente, alteração de história e o resto não deveria ser permitido mesmo.
Poder ir e vir livremente entre passado e futuro significa carregar, em maior ou menor grau, esse perigo.
Não posso ficar falando descaradamente de superar o tempo levianamente, deixando a limpeza toda vez a cargo da vovó Tokie mesmo, né.
— Então, próximo, vamos experimentar teletransportar de verdade pra Terra, ajustando. No começo, eu vou guiar. Por ora, vamos saltar.
— Eh, espe…!
Antes de conseguir falar algo, sou pego pela mão pela vovó Tokie, e, num piscar de olhos, teletransportado pra Terra com [Teletransporte Interdimensional].
— Aqui é…
Onde chego levado pela vovó Tokie é dentro de selva com árvores densas crescendo, "uisou". De todo canto, ouço canto de pássaro estranho. E, aqui é a Terra mesmo?
— Como é melhor não ter gente por perto, escolhi aqui. Mesmo fazendo um pouco de barulho, não revela.
Entendi, é esse o motivo… espera, onde será que é isso aqui. Sensação de floresta tropical, mas será América do Sul… tipo Amazônia, ou selva da Malásia?
— O [Teletransporte Interdimensional] de agora, eu ajustei, saltando. A partir do horário que vocês saíram desse mundo, o mesmo tanto de tempo que passou no outro mundo, passou aqui também. Não tem diferença nem de um segundo. Esse horário vira o ponto de partida. Guarde isso direitinho.
Eeto, quer dizer, voltando da lua de mel do Japão pro outro mundo, chegando na Terra do mesmo tempo que passou na nossa sensação corporal?
Como parece que na Terra o tempo avança mais devagar, será que quer dizer que vim pro futuro…?
De alguma forma, sinto a sensação do tempo. Não tá tão no futuro assim. Mesmo dizendo que o tempo do nosso mundo é mais rápido, não parece ser questão de centenas de anos.
Se for desse tanto, acho que não deve ser difícil de ajustar. Se falassem pra fazer de repente, como esperado, seria difícil, mas…
— Então, vamos começar o treino.
Falando isso, a vovó Tokie tira de novo aquele relógio tipo retrô.
— Daqui a pouco vai fazer cinco minutos desde que chegamos aqui. Volta pra lá igualmente cinco minutos depois, tá?
De repente assim, hein. Cinco minutos, cinco minutos, é. Eeto, o ponteiro grande do relógio dá cinco voltas… opa, tá errado! Isso seria cinco horas depois! Eeto, o ponteiro pequeno dá cinco voltas…
Enquanto luto dentro da cabeça com o relógio girando, "guruguru", começo o treino pra dominar [Teletransporte Interdimensional].