Capítulo 610 – O Brinquedo do Avô, e o Próprio Quarto
— Cheguei
— Bem-vindo de volta. Tá tudo bem mesmo?
— Bom, de algum jeito.
Expandindo [Gate] na entrada, a Yumina recebe a gente voltando pra casa.
Sou levado pra cozinha, puxado pela Rū e a Āshia ansiosas, tirando do [Storage] o que compramos.
Legume, arroz, eletrodoméstico de cozinha e várias outras coisas chegam por entrega de tarde, mas a comida pronta comprada no supermercado, e utensílio de cozinha pequeno, trouxe pelo meu [Storage], afinal.
A, é mesmo, comprei sorvete de presente pra todo mundo. Vários tipos, em bastante quantidade.
— Sū, você distribui isso pra todo mundo?
— Ooh! É sorvete, né? Tem vários tipos, hein!
Entrego a sacola inteira de sorvete pra Sū, que veio nos ver na cozinha. Vendo o conteúdo, a Sū solta voz feliz.
A, sorvete, será que a Fuyuka pode comer? Alergia e afins, será que tem problema?
Ficando inquieto, decido ligar pra minha mãe pra confirmar.
『Aa, não tem alergia nenhuma, então tá tudo bem. Só que não deixa comer demais, viu. Senão não vai conseguir comer jantar. A, o jantar, a gente também come aí, então vem buscar a gente』
— Entendido.
Parece que tá tudo bem. Aliviado, a Sū leva o sorvete pra sala. De lá, ouço voz animada das crianças.
— Por ora, vamos cozinhar arroz e começar a preparar o jantar!
— O braço tá formigando!
Diante do arroz, legume, carne, peixe que trouxe do [Storage], a Rū e a Āshia ficam animadas.
Por ora, dispensado, direciono os pés pra sala.
Na sala, as crianças continuam jogando videogame igual sempre. Dessa vez, é jogo de corrida. Tipo dirigindo kart.
Quem tá jogando é a Arisu e a Rinne. Olhando de trás, as duas mexem o corpo junto com o movimento do carro, e acabo rindo. Ou melhor, não joga chupando sorvete assim, viu.
Ao lado, a Eruna, a Sutefu, a Yoshino, a Sakura, quatro pessoas, brincam de jogo de tabuleiro que encontraram não sei de onde. Aquele de gato e rato se perseguindo.
— Uuu. O Nyantarō tá rápido…
Não dá nome de "Nyantarō" pra peça do gato tentando comer o rato jogador… como esperado, mesmo aquele aí, não come rato, né?
A Eruze, a Yumina, e a Sū, davam sorvete pra Fuyuka sentada no colo da Eruze.
Ao lado, no sofá, a Rīn lê livro que parece ter trazido do escritório do vovô.
Na aliança das esposas, e na pulseira das crianças criada pelo Kurafuto-san, deus do artesanato, também tem [Reading] aplicado, então consegue ler sem dificuldade letra de qualquer país.
No jardim, a Yae e a Yakumo, a Hiruda e a Furei, trocavam golpes com espada de bambu.
E, mentira. Vieram até viagem pra continuar treinando, vocês…
Aquela espada de bambu era aquela guardada no porta-guarda-chuva, né? Aquela que minha mãe, antigamente, usava em briga, ou não, falava algo assim… uma delas é a que comprei na excursão escolar, no entanto.
— Opa? Cadê o Kuon e a Kūn?
— O Kuon tá assistindo TV lá em cima.
A Yumina responde sorrindo levemente. No segundo andar, no quarto do vovô, também tem televisão pequena. Parece que tá assistindo programa de televisão lá. A da sala foi tomada pelo jogo, afinal.
— A Kūn é…
Quando a Yumina direciona olhar pro jardim, atrás da Yae e o pessoal trocando golpes, tem filha meio desanimadora, deitada de bruços no chão, tentando espiar embaixo do carro da minha mãe.
— O que ela tá fazendo, aquela criança…
— Parece que tá pesquisando a diferença com o carro mágico-motorizado. Sinceramente… o que faz mesmo vindo até destino de viagem, hein.
A Rīn ergue o rosto do livro, soltando voz meio exasperada.
— Não, se for mãe, deveria parar, viu…
— Se for pai, vai lá e para você.
Uuum, falando isso assim…
Vou até a entrada, calço o sapato, contornando de fora até o jardim.
Diante dos olhos, tem a Kūn de quatro, tentando espiar por baixo do carro, se esforçando muito.
Que sensação, sinto tristeza absurda, viu, papai.
— Kūn. Vai sujar a roupa, então para com isso.
Acendendo a luz do smartphone, chamo a Kūn se esforçando pra espiar.
— A, Otō-sama, Otō-sama! Levanta isso um pouco, por favor!
— Não fala coisa impossível, viu.
Não, se usasse [Aumento de Força], talvez não fosse totalmente impossível, mas…
— Aa aa aa… sua roupa nova ficou toda suja.
Diferente da roupa de sempre, a Kūn tava vestida com roupa infantil parecida com a que teria na Terra, mas tava toda suja de terra em vários lugares. Sujando desde o primeiro dia.
Bato terra do ombro e das costas, mas não consigo tirar completamente.
— Isso é caso de máquina de lavar mesmo…
Tenho algumas roupas de troca trazidas, então não tem problema, mas, se ficar suja repetidamente daqui pra frente, não aguenta.
Se não me engano, tinha livro sobre carro no quarto do vovô também.
Enciclopédia visual, cheia de fotos, escrita sobre a história do carro e a mudança cultural. Lembro de ler quando criança.
Não só carro, explicava incluindo até o ambiente social de fundo, sendo bem fácil de entender.
Contando isso pra Kūn, imediatamente, sou puxado pela mão, arrastado pra dentro de casa. Sério, sem sossego nenhum…
Trocando a roupa da Kūn, entrando no quarto do vovô no segundo andar, na televisão pequena colocada na cômoda lateral, o Kuon, sentado na cadeira de balanço, assistia programa de variedades da tarde.
Na televisão, sobre notícia relacionada a política, comentarista e especialista falam coisa difícil.
— …É interessante?
— Se é interessante ou não, tanto faz, mas serve de estudo. Eventualmente, como alguém que vai administrar um país, serve de exemplo negativo.
Exemplo negativo, é. Não, sendo que a notícia levanta tema tipo "raiva do povo diante de aumento de imposto após aumento de imposto", entendo o sentimento de "não vou virar assim", no entanto.
Sobre política e afins, provavelmente, o Kuon deve entender mais que eu mesmo, hein… no meu caso, jogo tudo pro Kōsaka-san mesmo, afinal…
Provavelmente, o Kuon deve receber ensinamento da Yumina e do Kōsaka-san desde que teve consciência.
Bom, sendo sistema político diferente entre outro mundo e Terra, não sei se o conhecimento obtido aqui vai servir de algo, no entanto.
Encontrando o livro alvo na estante, entregando pra Kūn, imediatamente, começa a ler em cima da cama do quarto. Absorta, lendo satisfeita. Já parece esquecida da minha existência, muito distante da consciência dela. Bom, tudo bem mesmo.
Antes de voltar pra sala, decido levar também livro relacionado a viagem, visto antes. Se meu pai e minha mãe vierem junto, o raio de ação também aumenta ainda mais. Movimento de trem-bala também deve ficar fácil. Aumentando dois professores acompanhantes, afinal.
Descendo do segundo andar com o livro, a Yumina tava enchendo a banheira. Parece que a Yae e o pessoal, que suaram no treino, vão entrar.
O banheiro dessa casa é levemente grande, então, mesmo com várias pessoas incluindo criança, deve tá tudo bem.
Entrando na sala, a Fuyuka sorria satisfeita no colo da Eruze. Ao lado, a Buranka, que limpou a pata e subiu, tava deitada.
— A Fuyuka já parece bem apegada com a Eruze, hein.
— Desde antigamente, sempre cuidei de irmão e irmã mais nova. Já tô acostumada.
— Eue, eue
— Simm, sou a Eruze-onē-chan, viu.
Irmão e irmã mais nova que a Eruze fala deve ser os filhos dos primos dela. Aquela casa também tem bastante filho, afinal. Cuidar do mais novo sendo o mais velho deve ser coisa comum lá.
— Querido, esse livro é?
— Livro de viagem. Tava pensando em considerar pra onde ir.
Trouxe vários, então entrego um pra Rīn também, que lia livro no sofá.
É revista especializada em viagem nacional. Mais que apresentação de ponto turístico, é revista com bastante apresentação de pousada e hotel, mas onde ficar hospedado também é importante, afinal.
Folheio a revista, "parapara". Bastante lugar de água termal, hein. Água termal… talvez seja bom. Deve dar pra sentir mais realidade de "tô viajando".
Mas, pensando bem, essa revista é de antes do vovô falecer, né… espero que a pousada ainda exista.
Enquanto olho as fotos da revista por um tempo, sou chamado pela Rū avisando que o arroz cozinhou.
Enrolo em filme plástico o arroz recém-cozido da panela elétrica, "poi", jogando dentro do [Storage].
E, com a panela elétrica vazia, cozinho arroz de novo.
Como esperado, preciso comprar panela elétrica grande em loja de eletrônicos grande mesmo… já comprei alguns arroz embalado de supermercado também, e também tem arroz do outro mundo, então não deve faltar, mas.
— Otōsan, isso o quê?
— Nn?
Quando volto da cozinha, a Rinne, descendo pro jardim, segurava nas duas mãos perna de pau.
Que saudade. É aquele que o vovô fez. Ainda tinha isso, hein.
Também desço pro jardim, ensinando a Rinne como andar de perna de pau. Sendo feito quando eu era criança, o tamanho fica exato.
— Yo, ho, o?
No começo, sendo depois de tanto tempo, andar meio bambo, mas, eventualmente, lembrando o truque, consegue andar, "tokotoko". Antigamente, ficava animado com o campo de visão elevado, mas, mesmo montando na perna de pau agora, fica mais baixo que minha altura original, afinal…
— Parece interessante! Otōsan, empresta, empresta!
— Rinne, próximo eu, viu!
— Sutefu também!
As crianças se aglomeram na perna de pau. Como esperado, ou naturalmente, sem cair, a Rinne e o pessoal dominam a perna de pau facilmente.
Talvez se divertindo controlando com a própria capacidade física, chegam até fazer cambalhota pra trás montadas na perna de pau, animação absurda. Como esperado, repreendo pra parar, sendo perigoso.
Falando nisso, lembro que tinha vários brinquedos guardados dentro do depósito…
O vovô gostava de coisa nova, mexendo com tudo que achava interessante, afinal.
Enquanto as crianças brincam com perna de pau, vasculho dentro do depósito.
Bom, tinha, tinha mesmo. Desde luva e bastão de beisebol, bola de futebol, badminton e taco de golfe de precisão, coisa esportiva, até pogo stick, bambolê, skate, corda de pular, e por aí vai.
— Opa, isso é…
No depósito, tinha carrinho de controle remoto. Controle tipo joystick também tava junto na caixa.
O carrinho de controle remoto é tipo buggy quatro-por-quatro. Eu também tinha o mesmo. Antigamente, fui com o vovô até circuito pra correr. Que saudade.
Como esperado, a bateria deve tá descarregada. Carregador rápido e bateria reserva também tá na caixa, então será que carrego, testando andar.
Enquanto as crianças brincam de badminton e pogo stick no jardim, carrego o carrinho de controle remoto na sala.
Na mesa, a Sakura e a Sū liam a revista de viagem que trouxe. Parece que o olhar delas vai mais pra comida servida ali do que pra pousada ou hotel. Bom, isso também é diversão da viagem mesmo.
— Boa tarde. Vim entregar.
Na entrada, para caminhonete pequena, chegando caixa de papelão cheia de legume.
Não é o dono barbudo. É rapaz jovem. Filho, será?
Feito esperando por isso, a Rū e a Āshia vão receber. A Yae e a Hiruda, saindo do banho, a Yakumo e a Furei também, levam pra dentro de casa a caixa de papelão com legume.
Começando pela caminhonete da quitanda, chegam um atrás do outro os produtos pedidos por entrega da loja de arroz, peixaria e afins. Uuum, será que deveria ter espalhado em dias diferentes…?
A bagagem trazida pela Yae e o pessoal, guardo no [Storage] em quarto dos fundos, um atrás do outro. Senão o quarto vai explotar.
— Comprou tanto assim?
— Bom, uhum, sendo pra vinte pessoas, afinal…
Diante da voz meio exasperada da Yumina, só consigo responder isso.
Se escolher uma coisa, "quero comer isso", pra ninguém ficar sem poder comer, acabo tendo que comprar vinte, afinal…
Peixe também, tem vinte, afinal… só agora percebendo, será que teria sido mais econômico eu mesmo ir até o mar com [Gate], pescando ou capturando? Talvez vire trabalhoso com direito de pesca e afins, melhor evitar mesmo, será?
Enquanto isso, a bateria do carrinho de controle remoto fica completamente cheia. Vamos testar andar um pouco.
— Tou-sama, o que é isso?
— Bom, olha só.
Coloco diante da Sutefu, curiosa se aproximando, o buggy quatro-por-quatro. Recebendo transmissão do meu joystick, o carrinho de controle remoto dispara correndo com força.
— Wawawa!?
— Opa, perigoso
Quase batendo na perna de pau que a Rinne monta, viro a alavanca pra direita. Desviou bem da perna de pau, mas acaba batendo na parede da casa. Volto de ré, correndo de novo.
— Incrível! O tou-sama tá controlando isso!?
— Isso mesmo. Se chama carrinho de controle remoto.
— Karinho de controle remoto!
O carrinho de controle remoto circulando pelo jardim, "guruguru", a Sutefu fica animada, olhos brilhando.
— Quer tentar?
— Simm!
Entrego o joystick pra Sutefu, e vou até o depósito pegar mais algumas baterias reserva, conectando de novo no carregador. Aquela bateria do carrinho só dura uns vinte minutos, afinal.
O carrinho controlado pela Sutefu também chama atenção da Rinne e da Arisu, olhar quente. Raio de "empresta, empresta" sai dos olhos delas.
— Brinca revezando com o tempo, tá?
— 「「「「Simm!」」」」
Achando que tava voz animada, é uma pessoa a mais. Olhando, sem perceber, a Kūn desceu do segundo andar, grudada no carrinho de controle remoto. Micro-ondas, carro, carrinho de controle remoto, essa criança também tá ocupada, hein…
Pra Kūn, talvez o Japão seja tipo país dos sonhos mesmo.
Ensinando a Kūn como trocar a bateria do carrinho de controle remoto, volto pra sala.
Na sala, a Yakumo e a Furei, a Yoshino e a Eruna também se juntam, lendo revista de viagem, animadas com todo mundo.
A Yae e a Hiruda parecem estar ajudando a Rū e a Āshia na cozinha. Aquelas duas não sabem cozinhar tão bem assim, mas só o manejo da faca é de primeira classe, afinal…
— Tōya. Não seria melhor ir buscar a Rinze e o pessoal logo?
— Nn?
Chamado pela Sū, quando ergo o olhar pro relógio da sala, faltava pouco pras cinco e meia da tarde.
Podia chamar depois que a comida ficasse completamente pronta, mas fico curioso com o andamento do original também. Depois de comer, dá sono, afinal. Vou espiar um pouco.
Abro [Gate], conectando com a sala da casa dos meus pais. O escritório do meu pai fica no primeiro andar, o escritório da minha mãe fica no segundo andar.
Saindo da sala que visitei depois de tanto tempo, abrindo a porta do quarto no fim do corredor, meu pai e a Rinze, nas mesas alinhadas, desenhavam no original, "karikari".
Meu pai ainda tá com original analógico. Já podia ter migrado pra digital, no entanto. Vários jeitos, é conveniente mesmo.
— Vocês dois, tá quase na hora do jantar, o que fazem?
— Eh? A, aa, já é essa hora? Avançou bastante, hein.
Meu pai ergue o rosto do original, direcionando olhar pro relógio. A Rinze também ergue o rosto igualmente.
— Como foi? A assistente Rinze?
— Não, foi além do esperado. No começo, pedi pra fazer esboço de cenário de fundo, mas era tão realista demais que pedi pra redesenhar uma vez. Depois disso, nenhum problema.
Aa, será que desenhou demais? Devia ser cenário de fundo que não combinava com o estilo e toque do meu pai.
A Rinze, lendo vários volumes do livro do meu pai, parece ter incorporado rápido o estilo, imitando o cenário de fundo.
Será que amador consegue desenhar com caneta rapidamente assim? Pensei, mas, no outro mundo, normalmente, é cultura de caneta mesmo, afinal… bom, tem até mangaká que desenha com caneta de precisão e afins, e não existe regra que diz que mangá precisa ser desenhado com pena mesmo.
— A Rinze não tá cansada? Tá tudo bem?
— Não! Consegui desenhar vários cenários de fundo, foi divertido! Mangá é maravilhoso mesmo!
A, é… de alguma forma, despertou pra isso? Será que tá tudo bem, isso?
B, bom, só saber desenhar não significa que consegue fazer mangá bom, então não deve virar nada de repente, no entanto…
…Não, espera. Esqueci que a Rinze tinha amiga, a princesa escritora de Rīfurīsu, Ririeru. Se aquela princesa se encarregasse do roteiro, será que dá pra desenhar um logo de cara…? Ou melhor, será que dá pra fazer mangá-adaptação normalmente do romance dela…? Vai sair mangá-adaptação de "Ordem de Cavaleiros da Rosa"…?
Na minha cabeça, surge a palavra "perigoso misturar isso", mas, agora, já não tem mais jeito.
O que posso fazer é só revisar o original, freando pra não ficar radical demais…
— Por ora, para num ponto de parada bom. Vou ver a mamãe.
— Entendi.
Saindo do escritório do meu pai, subindo a escada, vou em direção ao escritório da minha mãe no segundo andar.
Com a luz do pôr do sol entrando pela janela, minha mãe aplicava cor no original do livro infantil, "petapeta".
— Tá quase na hora do jantar, viu.
— Nn…? …Entendi.
Minha mãe continua o trabalho sem se virar pra cá. Será que tá ouvindo ou não. Como sempre mesmo.
De repente, meu olhar para na porta do quarto no fundo do corredor.
…É meu quarto. Talvez precise colocar "antigo" na frente, no entanto.
Saindo dali, girando a maçaneta da porta, entro.
Vendo o interior do quarto, por um instante, sinto que o tempo voltou.
Mesa grande que ganhei do vovô, estante de livro que meu pai comprou pra mim. Tapete do gosto da minha mãe, pôster de filme que gostava, jogo de tabuleiro que ganhei de amigo, cama que ia trocar em breve…
O quarto onde eu passava até aquele dia, antes de partir pra outro mundo, tava lá, mantido do jeito que tava.
Mais que sentimento nostálgico, sobe emoção de "voltei pra casa", e sentimento de que meu lugar foi mantido.
— Sente saudade?
Percebo, e minha mãe tava de pé atrás de mim.
— Nunca imaginei que meu quarto ainda estaria aqui…
— Cheguei a pensar em me desfazer disso, sabe… mas, fazendo isso, sinto que o fato de você ter estado aqui também desaparecia… decidimos com o Fuichirō-san manter isso, pelo menos até a Fuyuka crescer, entendendo que "eu tinha um irmão mais velho".
Entendo… minha existência desapareceu deste mundo, mas o fato de que estive aqui com certeza não desaparece.
O garoto chamado Mochizuki Tōya, com certeza, vivia nessa casa, nesse quarto.
E tem família que se lembra disso. Não existe coisa mais grata que isso…
Sinto como se estivessem dizendo pra voltar pra casa a qualquer momento.
— Guardaram tudo, hein.
— Se descartasse por conta própria, sinto que ia levar bronca do além, sabe. O Fuichirō-san arrumou e guardou direitinho.
Meu pai que arrumou o quarto, é. Quando eu morava aqui, era mais bagunçado. Sou grato mesmo.
— Os livros escondidos embaixo da cama também tão guardados direitinho, alinhados na estante, viu.
— Kaa! Coisa desnecessária…!?
Merda! Num instante, o sentimento de gratidão voou embora! Pai, isso também, descarta escondido, oras! Entende, né, sendo homem!
Mãe descobrir meu gosto pessoal, que tipo de jogo de castigo é esse! Quero morrer! Aqui já morri, mas!
— Por favor, mantenha isso em sigilo em relação às minhas esposas…
— Espe, entendi! Entendi, então não se agarra na minha perna!
Por favor, minha mãe… provisoriamente, eu também tenho posição a manter, sabe.
Não é que, sabendo disso, iam desistir de mim, mas não quero passar vergonha à toa.
— Finalmente terminei num ponto bom de parada. Então vamos… ai, dói!? O que foi!?
— Nada.
Aplico chute baixo na panturrilha do meu pai, que vem sorrindo pro segundo andar.
Depois, com [Search], vou achar também o livro secreto do meu pai, deixando em cima da mesa da sala.
Ao menos peça perdão pra minha mãe direitinho. Fuhaha.