Capítulo 62 – O Paraíso da Praia e as Ruínas Submarinas
Por ora, troco de roupa, ponho a sunga e faço um aquecimento na areia. Mas, como não sei direito que tipo de exercício fazer, vai a velha e boa ginástica radiofônica.
Virado pro mar, fazendo "um-dois-trê-quatro, dois-dois-trê-quatro", de repente alguém me chama por trás.
— Que dança é essa que você tá fazendo?
Me viro e lá está a Elsie, já de maiô. Atrás da irmã, a Lindsey também.
As duas usavam biquínis iguais, mas em cores contrastantes: o da Elsie era um conjunto vermelho com listras brancas, e o da Lindsey, um conjunto azul com listras brancas. A parte de baixo era cintura-baixa, amarrada de lado com cordões.
A Lindsey, com vergonha, talvez, vestia por cima um casaquinho comprido azul-pastel. Nem preciso dizer, mas as duas têm um corpão, e, sinceramente, eu não sabia pra onde olhar. Ainda assim, dá pra confirmar que a caçula é um tiquinho maior.
— Não é dança, é aquecimento. Entrar de supetão no mar e ter uma câimbra na perna é perigoso, né?
— Saquei. Bom, vamos fazer de conta que é isso.
Não é "de conta", é isso mesmo. Sob o meu olhar fechado, a Elsie gira de leve os punhos e tornozelos, alonga os tendões das pernas, roda a cintura e, num "tá-tá-tá", entra no mar.
— Ô, a Elsie-dono chegou primeiro? Então este servo também.
A Yae, que tinha vindo pro meu lado sem eu notar, ri toda animada. Usava um biquíni lilás-claro, de frente única amarrada atrás do pescoço e cordões nas laterais. Que num cantinho da minha cabeça passou a ideia de uma faixa de pano e uma tanga vermelha, isso é segredo. Pensando bem, aquilo a deixaria praticamente de roupa de baixo, então não rola.
Mas, olhando de novo, aquilo… é grande. Talvez por ela viver comprimindo com a faixa, o contraste com o normal me deixa sem jeito.
Sem dar a menor bola pra mim, a Yae também saiu correndo rumo ao mar.
— A Lindsey não vai nadar?
— A-ah, eu… não sou muito boa de nado… vou descansar na sombra.
Dizendo isso, a Lindsey entrou pra debaixo do toldão. Hmm, a Lindsey passa a impressão de não ter um corpo muito forte, então tomara que se cuide com insolação e tal.
— Touya!
— Mano Touya!
Ô, agora é a vez das pequenas senhoritas entrarem em cena.
A Sue, num vestido amarelo de babados esvoaçantes no peito; a Rene, num vestido de fundo vermelho com bolinhas brancas, babados na cintura feito uma saia.
Simplesmente fofas. Sem nenhum frio na barriga, dá pra lidar com elas tranquilo. A Sue tinha uma boia, e a Rene, uma bola de praia.
— Não vão muito longe pro fundo, hein. Aqui é raso, mas não se afastem de todo mundo.
— Eu sei. Tá tudo bem. Vamos, Rene!
— Tá, mana Sue!
Puxando a Rene pela mão, a Sue corre pra beira d'água. Ficaram bem amigas, hein. Como a Rene é menor, a Sue dá uma de irmã mais velha.
— Que amiguinhas, né~?
— Uá?!
Diante da voz da Cecile-san, que veio do nada, recuei sem querer. Dá pra parar de se aproximar por trás escondendo a presença?! Deformação profissional, é?!
A Cecile-san usava um biquíni verde-esmeralda, com um pareô da mesma cor na cintura. O maiô em si é normal, nada ousado.
Só que… aquele volume, que supera até o da Yae, faz o meu olhar fugir. Eu já achava grande, mas aquilo passou do "graúdo" pro "descomunal". É a maturidade falando, um charme adulto (?) transbordando…
— Mana Sue~, Rene-chan~. Me deixem brincar também~.
A Cecile-san passa correndo na minha frente. …Balança-balança. …Balança-balança. Repeti porque é importante.
— Será que é verdade… que quando é grande, flutua…
— O que é grande?
— Iiiááá?!
Atrás de mim estava a Lapis-san, com cara de quem não entende nada. De novo?! Tô dizendo pra parar de esconder a presença!
— O que é que flutua?
— Hã?! A-ah, a boia! Se a boia tá boiando direito, sabe?!
— …Parece estar tudo certo com ela.
— Né!
A Lapis-san, que observava a Sue e companhia se divertindo no mar, estava de maiô — um tube top azul-marinho e shorts. Na mão, sei lá por quê, uma bandeja de prata.
— O que é isso?
— Preciso trabalhar um pouco, afinal. Bebidas para as senhoras.
Na direção que a Lapis-san indica com os olhos, sob um guarda-sol, estavam a Rainha e a Duquesa relaxando em cadeiras de praia. Na mesinha entre as duas, drinks tropicais que devem ter sido levados pela Lapis-san.
— A Lapis-san também podia brincar.
— Eu e a Cecile nos revezamos pra aproveitar, fique tranquilo.
A Lapis-san caminha sorrindo rumo à [Gate] que liga à mansão. Aah, é um exemplo de maid. É a maid registrada na guilda mesmo, vê-se. Hm?
Quando achei que tinha um alvoroço, era o Rei, que tinha pulado das rochas pro mar. P-pera, será que tá tudo bem?! …Ah, voltou à tona. Pelo visto, ali é fundo. Em seguida, o duque e o General Leon também mergulham. E aí todos numa disputa de nado… o que esses tiozões tão fazendo… Que empolgação exagerada.
— Touya-san.
Enquanto eu olhava o Rei e companhia com cara de exasperação, a Yumina veio até mim. Um biquíni branco e fofo, de babados no peito e na cintura, lhe caía muito bem. Ela gira no lugar e me lança o olhar.
— Que tal?
— Te caiu muito bem. Tá fofa.
— Eheheh. Muito obrigada.
Que com a Yumina os elogios saiam fáceis assim, talvez seja porque eu ainda a vejo como criança. De fato, ela ainda não me deixa sem jeito como as outras garotas. Por enquanto, parece improvável a Yumina me conquistar.
— Touya-san, vamos nadar ali juntos?
A Yumina se agarra com força no meu braço. É que… está encostando, em mim. Se é de propósito ou sem querer, fico sem saber. Eu não tinha reparado… mas, condizente com a idade dela, ela cresceu o tanto que tinha de crescer, né…
Diante da sensação macia, eu quase coro… ué, então tô sem jeito sim, eu! Que história é essa de "improvável a Yumina me conquistar"?! Já tá perigoso!
— Ã, é que eu ainda preciso investigar as ruínas. Quando terminar, eu vou com você.
Solto gentilmente a Yumina e prometo isso. Ela ficou meio insatisfeita, mas, de algum jeito, pareceu entender.
— Então, quando terminar, venha sem falta, viu.
A Yumina diz isso, deixa um sorriso e sai correndo pela areia rumo à Sue e companhia.
Essa foi por pouco… A minha muralha de defesa tá numa situação preocupante. Não, não tem nada de errado. …Não tem?
A Yumina é fofa. Disso não há dúvida. Se é gostar ou não gostar, eu gosto. Mas, se for interesse romântico, eu não sei bem.
Hmm, supondo que a Yumina arrumasse um cara de quem gostasse, e dissesse que ia se casar com ele… Ué? Sei lá… me dá uma irritação.
Um incômodo. Uma sensação ruim. …Isso é ciúme, será…? Não, é só o instinto paterno (?) de não conseguir entregar uma menina querida, como uma irmã, pra um joão-ninguém qualquer… acho. Com certeza. Provavelmente.
— Por que essa cara amarrada?
— Hã?
Me viro e lá está a Leen, num biquíni adulto, preto com rendas brancas, mas, sei lá por quê, com uma sombrinha preta na mão. Se ela não quer se bronzear, era só não trocar pra maiô, pensei, mas tenho a sensação de que comentar é dar bandeira. Aliás, aquele corpo de criança num maiô ousado de cintura-baixa amarrada de lado é uma escolha questionável.
Mais do que isso, o que me chama a atenção é aquela ursinha de pelúcia ali, fazendo aquecimento num maiô listrado de vermelho e branco, estilo antigo.
— Não me diga que você vai nadar, Paula?
Como quem diz "claro que vou, oras!", a Paula bate no peito. Lanço pra Leen um olhar de "será que dá certo?", e ela solta um "hunf" pelo nariz.
— Não foi à toa que eu lancei [Protection] nela. À prova d'água também, impecável.
Impressionante, esse [Protection]. Depois eu também lanço no meu smartphone. Ah, o Kohaku está de soneca dentro da tenda da bagagem, onde fica o smartphone.
— Bom, por ora vou mergulhar pra dar uma olhada.
Quando começo a andar rumo ao mar, a Paula vem atrás, dando seus pulinhos. Será que vai dar certo mesmo…
A Paula, ao entrar no mar, vira de pernas pro ar na arrebentação e é empurrada de volta pra areia, rolando. Se levanta e corre de novo pro mar. E de novo é empurrada pela onda, rolando até a areia… é um loop infinito, é?
Por ora, decido deixá-la pra lá e sigo mar adentro. Quando o pé deixa de alcançar o fundo, avanço de nado peito.
Era por aqui mesmo… Puxo bastante ar e mergulho de uma vez.
O mar, de altíssima transparência, me mostrou com nitidez o que se estendia lá no fundo.
Isto é, sem dúvida, uma ruína. Vários blocos de pedra gigantes, enfileirados como um círculo de pedras, e, no centro deles, um pequeno edifício parecido com um templo. Mergulhando mais e espiando a entrada do edifício, havia uma escada de pedra descendo pro subterrâneo.
Lá embaixo está escuro e não dá pra ver, mas a escada não deve ser bem comprida? Aí o fôlego acabou, e volto à superfície por ora.
"Pá!", recupero o oxigênio e mergulho de novo. Desta vez desço a escada de pedra de uma vez, mas começo a sufocar e volto no meio do caminho. Não dá! De jeito nenhum o fôlego aguenta. Pra mim, o limite é um minuto, no máximo.
O que será que tem no fim daquela escada? Queria confirmar, mas, por ora, este é o meu limite. Não consegui grande coisa, mas, como não dá pra fazer mais nada, decido voltar.
Quando volto pra areia, lá estava a Paula, encarando as ondas e fazendo o gesto de limpar o sangue do canto da boca (que, claro, não existe), num "você não é nada mau…". Ainda nisso?
Conto pra Leen o que vi e me deito na areia.
— Então é totalmente no fundo do mar… E aí, o que a gente faz… Só resta trazer a Marion, será.
— A Marion?
— A chefe do povo aquático. Minha amiga. Aquela ali consegue agir debaixo d'água, então acho que dá. Mas… ela não gosta de aparecer na frente dos outros…
A Leen cruza os braços, "hmm", pensativa.
Pensei que, sendo do povo aquático, não precisava ser justo aquela menina, mas, pelo visto, "não gostar de aparecer" — ou melhor, não se intrometer muito com os de terra firme — é uma política do povo aquático, e trazer qualquer outro também seria difícil.
— E mesmo assim ela topou ajudar a fundar Mismede.
— Aí entra a minha lábia de negociadora. Ela não é má menina, e, depois de cem anos de amizade, a gente passa a ler o pensamento do outro.
Cem anos… As histórias da Leen têm uma escala grande demais pra eu pegar o jeito.
— Bom, por hoje vamos parar por aqui. O resto, vai lá brincar. Se eu te monopolizar demais, acho que vou acabar odiada por todo mundo.
Deixando isso no ar, a Leen foi pra perto da Paula. Todo mundo, como assim?
E aí, vindo não sei de onde, chegou um cheiro bom de carne assando. Me levanto e olho pra direção do vento. Lá, diante de uma grande chapa montada, a Mika-san, num biquíni laranja com avental, e a Claire-san, igualmente num biquíni listrado de branco e preto com avental, capricham no serviço. As duas são cozinheiras, então parece que ficaram amigas.
Ao lado delas, a Ael-san, num vestido florido, mandava a Lindsey congelar um recipiente de metal. Aquilo deve ser sorvete. Sobremesa pós-refeição, é.
Pela [Gate] que segue ligada à mansão, o Fullio-san, marido da Claire-san, trazia ingredientes um atrás do outro. Como sempre, o chapéu de palha é item obrigatório.
Ia ajudar em algo e comecei a andar rumo ao pessoal, mas lancei um olhar de reprovação pras pessoas que estavam no caminho.
— O que vocês tão fazendo?
Ali, neste calor todo, dois mordomos de traje a rigor todo preto e luvas brancas, espiando por binóculos de teatro.
— Monitoro a segurança da Sue-sama.
— Igualmente, monitoro a segurança da princesa.
Que isso, não é zelo demais? Que dupla é essa. Aliás, o patrão do Leim-san é o duque, e o patrão do Lime-san sou eu, né. A nossa segurança vai ser ignorada?
Bom, como falar não ia adiantar, deixei pra lá e comecei a andar pra matar a fome.
Tô com fome…