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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 66

Beijo e Beijo

Capítulo 66 – Beijo e Beijo

— Ou seja, esta ilha flutuante chamada "Babylon" foi construída pela mãe de vocês, a doutora Regina Babylon, há mais de 5.000 anos. E agora ela está despedaçada, flutuando pelos céus do mundo inteiro, é isso?

— Isso mesmo.

A Leen reconfirma o que a Shesca contou. A escala é grande demais pra eu pegar o jeito. No caramanchão, o pessoal que tinha ido passear também se juntou e ouvia a Shesca.

— Se uma coisa dessas tivesse flutuando no céu, daria um alvoroço, né.

A Elsie dá uma opinião bem pertinente.

— Babylon tem uma barreira mágica que a torna invisível de fora. Por isso, é quase impossível avistá-la do solo.

Pois é. A genial (e tarada) doutora antiga, lançando mão de toda e qualquer magia antiga, dotou Babylon de uma furtividade perfeita.

Pra encontrá-la, há um único jeito: entrar pelo círculo de transporte. Mas isso só é permitido a quem, como a doutora, possui todos os atributos.

— E então, quantas dessas ilhas flutuantes existem, afinal?

— Na época eram nove: o meu "Jardim", mais a "Biblioteca", o "Laboratório", o "Hangar", a "Torre", a "Muralha", a "Oficina", a "Ala de Alquimia" e o "Depósito". Quantas restam hoje, eu não sei.

Nove flutuando no céu?! Ou, pensando no mundo todo, será que é pouco? Pelo visto, em tamanho, este "Jardim" é o maior. Essa doutora foi impressionante mesmo… apesar de tarada.

— Eu, particularmente, me interesso por essa "Biblioteca". Não deve estar recheada dos mais diversos conhecimentos da civilização antiga?

Ao meu lado, a Leen abre um sorriso confiante, mas, sei lá. É a biblioteca da doutora deste lugar. Não vai ser uma montanha de coleção de livro pornô? Suspeito demais. O "Depósito" também, sei lá… Se estiver lotado de itens eróticos, é horrível demais.

— …Com as outras ilhas flutuantes, não dá pra… entrar em contato?

A Lindsey pergunta à Shesca, timidamente. Tímida com gente, como sempre… Bom, embora a interlocutora não seja "gente".

De fato, se há alguém como a Shesca controlando e administrando cada uma, entrar em contato com elas é o caminho mais rápido.

— Infelizmente, o link com as minhas irmãs está, no momento, cortado. Como o nível da barreira está configurado no alto, nenhuma magia de comunicação é aceita. A menos que o mestre delas autorize, esse nível não será baixado.

— Link…? E o que é "mestre"?

A Yumina inclina a cabeça e pergunta à Shesca. Palavras como "link" não são entendidas, então. Embora nomes próprios como "copo" e "faca", e certas palavras estrangeiras do cotidiano, sejam compreendidos. Será que os termos mais técnicos não se espalharam pelo mundo.

— "Link" significa "ligação, conexão". "Mestre" significa "amado maridinho".

— Não ensina coisa errada. "Mestre" quer dizer "senhor" ou "chefe", oras.

Essa aí interpreta "senhor" como "amado maridinho", do jeito que lhe convém, é? Essa menina, apesar de ser uma robozinha (tecnicamente não, mas), brinca demais. Será que isso também é culpa da doutora Regina Babylon.

Aliás, "Regina" quer dizer que é mulher, né. É bem o tipo de quem eu não ia querer me aproximar muito…

— …"Senhor", como assim?

A Lindsey, de cenho franzido, me interroga. Ué, por que estou sendo cobrado, eu.

— O Touya-sama viu a minha calcinha, então passei a lhe entregar corpo e alma. Por isso ele é o meu senhor, o meu mestre.

— Eeei!! Falta um monte de explicação aí!!

"Crec", o ar congela. Todos os olhos, fora os da Leen, do Kohaku, da Sango e do Kokuyō, se voltam pra mim, mas eu não sinto calor humano nenhum neles.

Devagar, a Lindsey se posta diante de mim, sentado na cadeira, e me encara de cima, de braços cruzados. Os olhos emanam um brilho de zero absoluto. Hã, quem é essa pessoa. Onde foi parar a Lindsey-san quietinha e recatada?

— …Touya-san.

— S-sim?

— Senta de joelhos.

A senhorita Lindsey está furiosa. Justamente por ser sempre quietinha, a imponência dela numa hora dessas é mais difícil de contrariar que a de qualquer outra. Resolvi, obediente, sentar no chão.

— …Mesmo já tendo visto as nossas antes, de novo? Você gosta tanto assim de calcinha?

— Não, aquela vez foi um acidente, eu acabei vendo, sabe…

— …E desta vez você viu por vontade própria, é?

Que nada, vontade nem nada, não tinha como evitar aquilo. Ela tava mostrando. Ué, a culpa é minha?

— Que foi, não se satisfez com a gente de maiô ontem? Ficou olhando bastante as nossas, né.

— Não, aquilo, é que…

— Eu até me esforcei pra usar um biquíni igual ao da minha irmã, não rolou? É, maiô e roupa de baixo são coisas diferentes mesmo, né, entendi.

P-pera, que medo! A Lindsey-san começou a resmungar olhando pro nada! As outras três também recuaram um pouco, viu?

— Do jeito que a coisa vai, será que eu também devia mostrar a minha calcinha?

— Foi mal, fica quietinha um pouco.

A Leen abre um sorriso maroto. Tá achando a maior graça, isso sim!

Mas por que é que eu tenho que ser cobrado desse tanto.

— Você tá com cara de quem não entende por que tá apanhando.

As palavras da Leen, como se lessem meu pensamento, me dão um sobressalto. É ESP?! Ou magia de nulo?! Me dá isso!!

— Vai parando por aí. Se for cobrar mais que isso, você também tem que deixar bem clara a sua posição com ele. No mínimo, tem que ficar no mesmo pé que a princesinha ali.

— ………Tá.

A Lindsey assente de leve às palavras da Leen e recua.

? Como assim? A Elsie, com um sorriso amarelo, dá tapinhas no ombro da Lindsey. Não entendi bem, mas fui salvo?

— Pra baixar o nível da barreira que bloqueia a comunicação, é preciso a ordem do Touya, que é o mestre. Mas o Touya só é mestre do "Jardim Suspenso". A menos que o outro lado baixe a barreira por algum acaso, as outras instalações não serão encontradas. É isso.

— Exatamente como a senhora diz.

A Shesca responde às palavras com que a Leen retomava o assunto.

Tentei buscar "Babylon" no app de mapa do smartphone, mas não deu resultado. Nem mesmo o "Jardim" em que estou aparece. Devem estar bloqueando o [Search] aqui.

— Em todo esse tempo à deriva, você nunca cruzou com as outras?

— Umas duas vezes. Há 3.028 anos e há 985 anos. O primeiro encontro foi com a "Biblioteca"; o segundo, com o "Depósito".

Pelo visto, como a Yumina apontou, ela já cruzou com elas algumas vezes. Ainda assim, é na casa dos milênios… Não dá pra simplesmente ficar esperando esse tipo de encontro.

— No fim, pra achar as outras "Babylon", só resta procurar cada um dos círculos de transporte.

A Leen murmura, suspirando. Aliás, você pretende procurar mesmo? Eu não tô muito a fim, não…

— Aliás, você sabe onde ficam os círculos de transporte dos outros lugares?

— Não sei. Pra começar, nem sei de onde vocês, mestres, vieram. Aliás, onde fica o círculo de transporte deste "Jardim"?

— No sul de Ishen, no fundo do mar.

— Ishen…? É o nome de uma terra que não consta na minha memória.

Ah, é mesmo. Há 5.000 anos, Ishen ainda nem tinha sido fundada, né?

De todo jeito, a Shesca não conhece os círculos de transporte das outras ilhas. Pensando bem, isso não vai ser um custo enorme de procurar?

O desta vez estava no fundo do mar; e os outros, durarem 5.000 anos intactos já é o mais improvável… Se tiverem sobrado em forma de ruínas, ainda há chance.

— Pra começar, por que será que se dispersaram dessa forma… Se estão espalhadas pelo mundo todo, juntar tudo num lugar só é quase impossível, não?

— Por que a doutora dividiu "Babylon", eu não sei. Nunca cheguei a perguntar.

Será que dividiu por algum motivo? …Não foi só pra encher o saco, né.

Que coisa, a minha confiança na doutora só faz cair. Tratar de excêntrica, por conta própria, uma falecida que eu nunca nem conheci, talvez seja falta de educação.

— E então, Touya. O que você vai fazer com essa menina?

— "O que eu vou fazer", você diz, mas…

Diante do que a Elsie diz, fiquei em dúvida. Ela passou 5.000 anos sozinha num lugar destes. Dá pena, é verdade…

— Shesca, o que você quer fazer?

— Eu quero ficar junto do mestre. Do "bom dia" ao "boa noite". Do banho à cama.

Comecei a ficar muito inseguro. Será que o certo não é fingir que nada disso aconteceu e ir embora? A Lindsey-san começou a resmungar de novo, viu!

— Ã… não é problema você se afastar deste "Jardim Suspenso"? Se a administradora some, e acontece algo, é encrenca, né.

— Não se preocupe. Se algo acontecer ao "Jardim Suspenso", eu fico sabendo na hora, e tenho a capacidade de me teletransportar pro "Jardim". A administração do "Jardim" no automático já basta, então não há problema nenhum.

Ah, é mesmo… Cortaram a minha rota de fuga. Só resta ficar com ela, então.

— Posto isso, eu gostaria que o senhor concluísse o registro de mestre do "Jardim Suspenso". Eu já sou propriedade do mestre, mas o "Jardim" também precisa ser devidamente registrado como propriedade do mestre.

— Registro? Como é que faz?

— Com licença um instante.

Dizendo isso, a Shesca contorna pra frente de mim, sentado na cadeira. E, pondo as duas mãos nas minhas bochechas, como se não fosse nada de mais, encostou os lábios nos meus.

— Hmmpf?!??

— Aaaaahh————!!!! — as quatro.

Ouço um grito em quarteto. Mas, sem dar a menor bola pra isso, a língua da Shesca invadiu, "nhrun". Ei, ei, ei, ei! O que tá acontecendo aqui?! Exijo explicação!

Quando os lábios enfim se separam, me dou conta, de novo, de que fui beijado.

— Q-quê?!

Soltei uma voz abobalhada. Mas fazer o quê, era a primeira vez! Foi roubado. Acabou sendo roubado…

A própria autora do roubo lambe os lábios com a língua, como quem prova um sabor, de olhos fechados.

— Registro concluído. Memorizei o material genético do mestre. De agora em diante, a propriedade do "Jardim Suspenso" passa ao meu mestre, Mochizuki Touya.

— Ei, o que você pensa que tá fazendo?!

A Yumina avança sobre a Shesca. Erguendo os bracinhos, exprimia a raiva com o corpo inteiro, num "grrr".

— Beijar assim, do na-na-nada! Sendo que nem eu ainda! Sendo que nem eu ainda!!

Por que repetiu duas vezes? De rosto vermelho, não dá pra saber se está com raiva ou em pânico. E por que será que eu acho isso meio fofo?

— Achei que fosse o jeito mais eficiente de colher o material genético. Filhos eu não posso ter, mas aquele outro método pareceria dar uma série de problemas.

— F-filhos?!

O rosto da Yumina ficou ainda mais vermelho. Será impressão minha, mas parece que sobe vapor da cabeça dela.

Como que cortando aquela cena, alguém se postou diante de mim. Quando ergo os olhos, lá está a Lindsey, mão na cintura, me encarando com cara fechada.

Ah, é um padrão perigoso, este. A essa altura, já comecei a reconhecer essas coisas, sim senhor. Resignado, fechei os olhos.

— …Touya-san.

— …S-sim!

— Eu… gosto de você, Touya-san.

Hã?

Diante das palavras repentinas, abro os olhos e, ao erguê-los de novo pra ela, lá está a Lindsey, o rosto vermelho que nem o da Yumina.

E então, como que tomada de uma decisão, fecha os olhos e, no embalo, pressiona os próprios lábios contra os meus.

Diferente do da Shesca, um beijo desajeitado, apertado.

— Hmmgh?!

— Aaaaahh————!!!! — as três.

Um grito em trio — uma a menos que o de antes — ecoou pelo Jardim Suspenso.

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