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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 69

A Consulta e a Deusa do Amor

Capítulo 69 – A Consulta e a Deusa do Amor

— A-a gente também: põe a gente no mesmo pé que a Yumina e a Lindsey!

— …Hã?

Quando recobrei a consciência, e me preparava pra ouvir o que iam exigir pela aposta perdida, foi isso que me disseram.

— Quer dizer, é o seguinte, aaã, e-este servo também… i-isso quem começa é a Elsie-dono!

— Ué?! N-não, eu…! Aah… b-bom, pra começar… é-é-é que eu também gosto do Touya!

— Com este servo é o mesmo, viu?

De rosto vermelho, as duas baixaram a cabeça. …Que isso?

Achei que tinha sido desafiado pra um duelo do nada e, agora, recebo uma confissão. E de duas ao mesmo tempo. Que fase de sucesso com as mulheres é essa.

— "No mesmo pé que a Yumina e a Lindsey"… isso quer dizer…

— A gente também, é… queria que o Touya-dono nos tomasse por esposas… este servo diz…

— O-o-ou melhor, tem que tomar! V-você perdeu, oras!

Belisco a bochecha. Dói. É real. De uma vez, fiquei com quatro esposas. Quer dizer, não, não, não. Por mais que seja, não é gente demais?

Mas o Tokugawa Ienari e tal tinha mais de 40 concubinas e mais de 50 filhos, né. Comparado com aquilo… opa, comparar já é o erro!

Aliás, aquele cara, pra aumentar o vigor, tomava o "negócio" do leão-marinho em pó e era chamado de "Xogum Leão-marinho", tá. Não quero ser comparado com ele!

Na minha cabeça, os comentários sarcásticos não param.

— Vocês duas… tudo bem assim?

— Por mim, tudo bem. Que eu gosto do Touya não muda, e, se gostamos da mesma pessoa e todo mundo pode ser feliz, é só vantagem, né.

Ontem a Lindsey disse uma coisa parecida. São gêmeas mesmo, até o jeito de pensar é igual.

— Este servo também gosta de todas tanto quanto do Touya-dono. Se a gente puder ser esposa junto, é alegria total.

Sei lá, as mulheres deste mundo têm um senso de posse fraco, vamos dizer… Hmm, será que, com um costume de poligamia, a coisa fica assim? Ou será que essas garotas é que são todas estranhas? Normalmente eu acharia que isso ia dar o maior barraco… Elas não parecem ter muito ciúme umas das outras. Embora um ciuminho leve, pelo visto, exista. Pensando assim, a Lindsey é a mais ciumenta.

— E-e-e então, e você, como é que fica…?

— Hã?

— Q-quer dizer! O que você sente pela gente, é isso!

Ah, é isso. Aconteceu evento atrás de evento demais, e os meus sentidos estão dormentes. Não pode, não pode.

Devo dizer o que sinto com sinceridade, né, no fim.

— Entre gostar e não gostar, claro que gosto. As duas são fofas, e a personalidade também não é ruim. Mas, se é amar, eu não sei bem. Isso, como eu disse antes, vale também pra Yumina e a Lindsey. Fico feliz com a confissão, mas tô em dúvida se posso aceitar vocês duas com esse sentimento.

— Mas você aceitou as duas, não foi?

— É que o sentimento de gostar não era mentira, e que eu quero tratá-las bem é verdade. E elas mesmas disseram que, mesmo assim, tava tudo bem.

No fim, tem também o fato de o próprio ato de casar ser meio irreal, de eu não conseguir sentir como algo concreto. Aliás, sem nem ter namorado direito, eu não consigo pensar em casamento.

Ah, meu primo mais velho pulou tudo isso e acabou casando porque veio um filho. Pudera ele ficar todo atrapalhado.

— Ou seja, você gosta da gente tanto quanto da Yumina e da Lindsey, é isso? Então não tem problema, oras.

— Não, mas o que a Yumina e as outras vão dizer…

— Quanto a isso, pode ficar tranquilo. Pra começar, quem convidou a gente também a virar esposa foi a própria Yumina-dono.

Como é que é?

— Quando ganhamos a mansão do Rei, a Yumina me disse na lata. Que a gente toda devia gostar do Touya. E que, sendo assim, a gente virasse esposa junto. Mas, na época, a gente ainda não conseguia pensar tão longe. Só que, aos poucos, né. Comecei a achar que isso até que seria bom. E aí, com o descontrole da Lindsey ontem, ficou tudo claro. Que eu também quero ficar do lado do Touya.

Com olhos firmes, a Elsie me encara. Eram olhos sem hesitação. Embora o rosto estivesse um tanto vermelho.

— Acabei desejando que, com o Touya-dono no centro, a gente toda pudesse viver como uma família. Sinceramente, eu ainda não consigo ser tão tolerante quanto a Yumina-dono, mas este servo também deseja passar a vida ao lado do Touya-dono.

A Yumina falou em dez, vinte concubinas, né… Será que aquela tolerância (?) é a tranquilidade da esposa principal (autointitulada).

— E-e então, como é que é?

— …Por ora, entendi o que vocês duas sentem. Eu também gosto de vocês. A Elsie é animada, alegre, um pouco teimosa, mas eu acho isso fofo também. A Yae é séria, garbosa, e que se importa com a família eu sei muito bem. E que é uma menina gentil, que gosta de criança, também. Acho que as duas dariam boas esposas.

— E-então…

Contendo a Elsie, que se apressava, ergo a palma da mão à frente.

— Mas, será que vocês me dão só um pouquinho de tempo? Até o fim da tarde eu dou uma resposta. Quero pensar um pouco.

— …Tá bom.

— …Entendido, este servo.

Ao chegar em casa, voltei pro quarto, e a Elsie e a Yae foram conversar com a Yumina e as outras.

Sento na cama, solto um longo suspiro e desabo pra trás.

E agora. Não, "e agora" nada, a resposta já está decidida. Tendo aceitado a Lindsey, não aceitar só essas duas é impensável.

Dentro de mim, gosto das quatro por igual, são meninas queridas. Não quero fazê-las sofrer, e não conseguiria. E é justamente por isso que me vem o pensamento: será que eu sirvo mesmo? Tenho medo de que, no fim, isso acabe fazendo elas infelizes.

Não, no fim das contas, talvez eu só esteja com medo mesmo. Disso de casamento e tal. Não é um problema só meu — eu carrego a vida da outra pessoa também. Claro que dá pra ficar cauteloso. E ainda por cima é o quádruplo de uma pessoa normal. Será que eu aguento carregar? Eu.

— Hmmm… Será que eu peço conselho pra alguém?

O Lime-san… esse é do time da Yumina, né. A Lapis-san, a Cecile-san… a Claire-san também, mas, com mulher é meio difícil de desabafar. A Rene está fora de cogitação. O Fullio-san… é meio pouco confiável pra isso…

…No fim, só sobra aquela pessoa.

Decidido isso, tem uma coisa que eu vinha querendo testar antes. É uma boa ocasião, vou tentar. Mais do que só falar, é claro que conversar pessoalmente é melhor.

Desço até a cozinha e preparo, como lembrancinha, os biscoitos reservados pras visitas. Faço um sortido variado e o ponho debaixo do braço.

— [Gate].

Atravessando a porta de luz que criei, um quartinho de quatro tatames e meio, forrado de tatame — mas, como não tem paredes, um mar de nuvens reluzente e uma velha mesinha baixa saltaram à minha vista. Que nostalgia.

Naquela mesinha, um velho congelado com um senbei na boca.

— Ô, ôi. É você. Se vier, avisa que vai vir, vai. Quer dizer, eu nem achei que você conseguiria vir.

— Quanto tempo, Deus.

Eu até imaginei que, sendo um lugar onde já estive, talvez desse pra vir aqui também, mas que conseguiria mesmo, nem eu acreditava.

— É que aqui também existe energia mágica de sobra. Por isso você deve ter conseguido vir. No mundo de onde você veio só há energia mágica rarefeita, então pra lá não dá pra teletransportar.

— Ah, isto é uma lembrancinha. São uns biscoitos.

— Ah, que gentileza. Então deixa eu te servir um chá.

"Glub, glub", ele despeja o chá do bule na xícara. E, claro, um talinho de chá ficou em pé. Será poder divino?

Bebo, em silêncio, o chá fumegante. Gostoso. Faz tempo que eu não tomava chá-verde.

— E então, o que houve?

— Ah, será que o senhor não podia me dar um conselho…

— Hum? Bom, conta aí.

Contei a Deus o que tinha acontecido. O que eu mesmo devia fazer, e, antes disso, como eu devia me relacionar com elas dali em diante. Tudo isso, em detalhes.

— Hmm, acho que você nem precisa pensar tão a fundo. Elas estão dizendo que gostam de você, então é só se alegrar com sinceridade, na minha opinião.

— Não, feliz eu fico, mas, como dizer, fico pensando um monte de coisa.

Desabafar com Deus me dá uma sensação de estar me confessando. Não que eu tenha cometido pecado nenhum.

— Pois é. Pra esse tipo de assunto, que tal a gente perguntar a um especialista?

— Hã?

Deus estende a mão pro telefone preto de disco ao lado, gira o disco e começa a ligar pra algum lugar.

Depois de um tempo, do mar de nuvens emerge uma mulher. Aparentando uns vinte e poucos anos, de cabelo rosa fofinho, vestindo, por cima de uma roupa branca, um manto fino igualmente fofo, vem flutuando na minha direção. Nos braços, pernas e pescoço, aros de ouro tilintavam. Ah, está descalça.

— Desculpe a demora, viu.

Trocando um cumprimento leve, ela se senta, levinha, diante da mesinha.

— Ã, e esta moça é?

— É a Deusa do Amor. Perfeita pro seu caso, não?

A Deusa do Amor?! Esta moça?!

— Prazer em conhecê-lo, viu. Você já me chamava a atenção faz tempo, e eu volta e meia dava uma espiada.

Pensando bem, na época da Yumina eu ouvi isso de Deus pelo telefone. Que havia uma Deusa do Amor curiosíssima a meu respeito. Era esta moça, então. Quem diria que eu ia acabar pedindo conselho justo a ela. É mesmo só Deus quem sabe…

— Deusa do Amor quer dizer a deusa do amor, né?

— Isso, viu. Mas eu não fico manipulando o sentimento das pessoas, tá? Eu só dou uma animada no clima, faço aquelas situações clássicas de romance, coisas assim.

— Situações clássicas?

Ah, os clichês de romance, é. Manjado, mas tipo aquela menina correndo com um pão na boca, "atrasada, atrasada!", e esbarra num rapaz bonito na esquina, essas coisas.

— Isso, viu. E quem diz "eu, quando essa batalha acabar, vou me casar…", eu faço não conseguir casar.

— A culpa é sua, então?!

Isso aí, não é só não casar, é morrer, né?! Acho que não é flag de romance, é flag de morte!

— E então, o que houve?

Pedir conselho a esta moça me deixa muito inseguro, mas não tem jeito. Afinal (com licença) ela é a Deusa do Amor, então talvez eu receba algum conselho.

— Hmm, a coisa tá bem interessante, viu.

Depois de me ouvir, a Deusa do Amor abre um sorriso maroto e mastiga, "crec, crec", um biscoito da mesinha. Que falta de modos, essa Deusa do Amor.

— Mas eu não entendo qual é o problema. Se vocês gostam um do outro, tá ótimo, viu?

— Mas quatro de uma vez…

— Pra começar, é aí que você se engana, viu. Joga fora o senso comum do mundo de onde você veio. Se das quatro você gostasse só de uma, e as outras três fossem por tabela, ou por pena, aí sim seria desonesto e cruel. Mas, se você gosta das quatro e quer de verdade fazer todas felizes, isso, à sua maneira, é amor de verdade, viu.

Amor. Será que eu tenho um sentimento tão forte assim.

— Por que será que elas se apaixonaram logo por mim…

— Isso eu não sei, viu. Tem gente que se apaixona logo que conhece, e tem gente que, por estar perto demais, nem percebe o próprio sentimento. Cada cabeça uma sentença, mil e uma variações, a vida é de tudo um pouco, viu. Há mil motivos pra se apaixonar.

Mais ou menos entendi, mais ou menos não. Bom, deve ser que o amor não tem uma forma fixa.

— Provavelmente, você só não tem confiança em si mesmo. Sente insegurança se é alguém capaz de corresponder ao sentimento dessas meninas. Mas quem decide isso não é você, são elas, viu?

Ugh. …De fato, talvez seja como ela diz. Será que eu só estava impondo a mim mesmo uma imagem ideal arbitrária e, por não alcançá-la, sentindo um complexo igualmente arbitrário.

— É só seguir o que você sente agora, com mais sinceridade. Dar ou não uma resposta é livre, e pensar no sentimento do outro é importante, mas enganar o próprio sentimento não pode, viu. Isso é uma falta de respeito com as meninas que se confessaram, sabia?

— Sei… Eu também posso fazer minhas vontades, então…

— Lógico, viu. Felicidade de um lado só não é romance. Se você também não for feliz, não tem sentido, viu.

…É, tem razão. Eu também tenho coisas que não abro mão. Dali em diante, é só a gente conversar e ir ajustando um com o outro. Pode ser uma vida inteira juntos — isso aqui eu mereço que me deixem ter.

— Já chegou a uma resposta?

Como se lesse meu coração, Deus pergunta.

— Não sei. Mas tenho a impressão de que começou a clarear.

— É mesmo. Isso é o que importa.

— Que bom que a minha situaçãozinha clássica não foi em vão, viu.

…Hã? Tem algo nessa fala que me incomoda. "Situação clássica" é aquela flag de romance que ela falou?

— Como assim, "a sua situaçãozinha clássica"?

— Tempos atrás, eu produzi um "espiou sem querer a troca de roupa no banho, que susto!". Pode me agradecer, viu.

— Aquilo, a culpa foi sua?!

A Deusa do Amor, pelo visto, tinha uma queda por reviravoltas manjadas.

Quando chegou o fim da tarde, reuni as quatro na sala. Pedi pro Lime-san e a Lapis-san e companhia se retirarem. Só eu e as quatro que se confessaram.

No sofá em frente, as quatro sentam lado a lado, esperando, atentas, as minhas palavras.

Todas são meninas maravilhosas demais pra mim. E é justamente por isso que eu não quero mentir, e quero que conheçam o que eu sinto.

— Ã, antes de tudo… eu não vou me casar.

— Quêêê————?!?! — as quatro.

As quatro à minha frente se levantam ao mesmo tempo, e os gritos de espanto ecoam por toda a sala.

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