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Isekai wa Smartphone to Tomo ni – Capítulo 80

A Reforma da Casa Vazia e os Náufragos do Deserto

Capítulo 80 – A Reforma da Casa Vazia e os Náufragos do Deserto

— Achei! O lugar é o sudeste do Reino de Sandra, o Deserto de Rabi!

Enquanto eu tomava o café da manhã com calma, de repente a porta do refeitório se abriu, e a Leen e a Paula entraram voando. No rosto, um sorriso grudado de "consegui!".

— Dizem que, antigamente, numas ruínas antigas no meio do deserto, havia um pilar de pedra com seis pedras mágicas cravadas, igual ao das Ruínas de Niruya! Hoje pelo visto foi engolido pelo deserto e está debaixo da areia, mas!

— Hmm, que bom.

Mastigando a torrada do café da manhã, peço pra Lapis-san me servir suco de fruta. Café da manhã é a fonte de energia do dia. Tem que comer direito. Não tenho tempo pra ouvir conversa complicada logo de manhã cedo.

— …Uma roupa de baixo sensual.

— Vamos ouvir a conversa. Deserto de Rabi?

Tch, ela lembrava. Tenho a impressão de que a temperatura do olhar de todo mundo à mesa caiu um bocado, mas reagir é perder. Só me resta escapar fingindo que não é nada.

— Ao sul de Mismede, depois do Grande Mar de Árvores, fica o país escaldante: o Reino de Sandra. O Deserto de Rabi fica no sudeste dele.

— Depois do mar, agora o deserto… Será que aquela doutora não está me sacaneando…?

Como ela pode espiar o futuro, há a possibilidade de estar espiando justo este momento. Sem querer, encarei o teto.

Bom, passados 5.000 anos, deve haver mudança de relevo, então ela não ia mirar tanto assim só pra me sacanear, né. …Eu quero acreditar nisso, mas, sei lá por quê, há em mim alguém que não consegue aceitar. É porque na minha mente surge o sorriso maroto daquela doutora.

— E aí, a ideia é ir a essas ruínas?

— Isso. Vamos encontrar um legado da civilização antiga. Tomara que seja a "Biblioteca".

A Leen está a mil pra ir. Eu, sinceramente, não tô muito a fim. Lanço um olhar de relance pra Shesca, postada ao lado.

— Em que posso ajudar?

— Não, é que, quando penso que vai aumentar mais uma igual a você…

— Um harém de luxúria e fartura, que delícia.

— Chega, fica calada, você.

Começou a me dar dor de cabeça…

E agora. "Será que não dá pra deixar de obter, indo a esse ponto?" — é o que eu sinto de verdade. Mas a razão de eu não poder fazer isso, além da promessa à Leen, é a destruição do reino antigo pelos Phrase, que estava na mensagem deixada pela doutora… aquilo me incomoda.

Se for viagem minha, não tem problema, mas pode ser que, na hora do aperto, o poder de "Babylon" venha a ser necessário. Me arrepender quando essa hora chegar, isso eu dispenso…

— Beleza, então vamos. Shesca, prepara o "Jardim".

— Sim, mestre.

Em meio à alegria da Leen e da Paula, o resto do pessoal também se levanta com uma cara de "ai, ai". Devem voltar pros quartos pra se aprontar.

Aliás, no "Jardim", aquela casa vazia que teletransportei de Reflet continuava lá. Pensei em usar como casa de veraneio, mas precisa de uns reparos. A casa em si não está danificada e é razoavelmente grande, então está num nível bem utilizável, mas.

Bom, durante esta viagem vou dar uma mexida nela.

O "Jardim", que partiu de Belfast, segue direto rumo ao sul de Mismede, ao Reino de Sandra.

A velocidade do "Jardim", acho que não é diferente da de um avião. "Acho" porque, desde que nasci, nunca andei de avião. Não é medo de altura, é só que nunca tive a oportunidade.

— Até o destino, leva cerca de quatro horas.

Se isso é rápido ou lento, não consigo julgar, mas dá um bom tempo. Então, vou arrumar a casa vazia enquanto isso.

Abro a porta da casa vazia teletransportada pro canto do jardim e entro. É, o estado não é ruim. Por ora, limpar e deixar bonito já basta, acho.

— Então eu limpo o segundo andar.

— …Eu fico com a cozinha e o refeitório.

— Este servo arruma principalmente a sala do primeiro andar.

— Então eu fico com a entrada e o corredor. Touya-san, conserte os pontos quebrados e melhore o encanamento, a iluminação e tal.

Todo mundo vai definindo seu papel com agilidade. Quando a Yumina diz isso, eu bato as mãos, "ah". É mesmo, aqui não tem água. Ué? Peraí, no jardim tinha canaletas com água correndo, né. Senão as plantas daqui já teriam murchado há muito tempo.

Vou até o monólito que controla o "Jardim" e pergunto isso à Shesca; ela diz que há um Artefato criado pela doutora que gera água.

Quando ela me guia até lá, há um pequeno chafariz, do qual a água brota, corre pra canaleta e se espalha pelo jardim, pelo visto. Essa água é purificada e volta pro chafariz, ao que parece. …Isso não é um moto-perpétuo…? Não, melhor parar de pensar. Diante da magia, leis da física são inúteis.

— A quantidade de água disto é fixa?

— Não. Como parte evapora, quando a quantidade diminui, ela aumenta e volta ao volume original.

Ou seja, puxar água daqui não dá problema, então.

— Dá pra beber?

— Não faz mal ao corpo humano.

Então vou usar. Com o mesmo truque que usei no onsen da "Lua de Prata", instalo um cano curto no chafariz. Por garantia, o cano de drenagem eu instalo no ponto final do percurso da canaleta do "Jardim". É a partir dali que purifica, pelo visto.

Vou até a Lindsey, que limpava a cozinha, ponho pra fora os barris de armazenar água e faço uma pia com [Modeling]. A cuba de mithril reluz de forma ofuscante. Em cima dela há uma torneira instalada, e ela e o chafariz estão ligados pela [Gate]. Claro, o ralo também está ligado ao cano de drenagem.

Quando giro a torneira, sai água. A Lindsey se espantou no começo, mas logo, abrindo e fechando a torneira ela mesma, parece ter aprendido a usar.

De quebra, faço também um banheiro. Do tipo com descarga. Nisso eu não dou mole. Claro que o ralo eu não liguei aqui, mas ao banheiro de casa.

E faço também o banheiro de banho do mesmo jeito. Com chuveiro completo. Isto aqui ficou bom, não é?

Falta a parte da iluminação. Imbuindo o [Light], com a energia mágica que o usuário aplicar, deve acender por algumas horas. O [Light] em si não é uma magia que consome muita energia.

Por ora é mais ou menos isso? Aliás, não vejo a Leen e a Paula; aonde foram?

Quando procuro as duas?, diante do monólito estavam a Leen, a Paula, e também o Kohaku, a Sango, o Kokuyō e a Shesca. Todos olhavam fixamente a tela exibida no monólito.

— O que vocês tão fazendo?

— Descobri uma coisa chata. Provavelmente uns náufragos. Aqui ainda é antes do Reino de Sandra, mas já é zona desértica. Ninguém passa por um lugar destes.

Na tela, aparece o solo. No meio do deserto, levando camelos carregados de bagagem, algumas pessoas, vestindo mantos de proteção contra o sol todos esfarrapados, caminhavam cambaleando, sem forças. Devem ser uns dez? Pra esse tanto, a bagagem me parece pouca demais.

— Se são náufragos, não é o caso de a gente salvar?

— Como? Revelando a existência desta "Babylon"? Pra uns náufragos que a gente cruza no caminho. E se aqueles ali forem bandidos ou foragidos? Avançar por um lugar destes não é normal. Foi por isso que eu disse "coisa chata".

Saquei. De fato, é chato. Bom, se são bandidos ou não, dá pra julgar com o olho mágico da Yumina, mas não é garantido que todos sejam gente boa. Mas, só porque tem um bandido, abandonar só ele no deserto também é meio cruel.

— De todo jeito, vamos salvar. Sem trazer pro "Jardim", dá pra mandar de [Gate] pra Mismede ou Belfast.

Só que, como entrar em contato, né. Aparecer de repente na frente deles só ia deixá-los em alerta.

— Talvez seja melhor se apressar, viu.

— Hã?

Na tela que a Shesca aponta, passava a imagem de um monstro gigantesco surgindo da areia bem na frente dos náufragos.

O que é aquilo?! Um inseto?! Uma lagarta gigante, ou melhor, uma minhoca. A parte da frente é toda uma boca, com presas afiadas nascendo bem cerradas em 360 graus por dentro.

— É um Sand Crawler. Uma besta mágica do deserto que engole a presa junto com a areia.

Encarando a tela, a Leen murmura a identidade do monstro. Na imagem, três dos náufragos, erguendo espada e machado, avançavam contra o monstro, mas a coisa parecia mal pra eles. Pelo visto não há mago, e a habilidade deles também não dá pra dizer que seja alta. Serem derrotados é só questão de tempo.

— Vou lá!

Abro uma [Gate] e me lanço rumo ao solo.

Surjo no alto do Sand Crawler e faço chover as balas da Brunhild. Não são balas comuns. São balas explosivas com [Explosion] imbuído. Espalhando um fluido corporal sinistro, o Sand Crawler se contorce.

Ao pousar na areia, concentro energia mágica na mão direita e entoo a magia que aprendi diretamente com a Lindsey.

— Água, venha; lâmina límpida e cortante: [Aqua Cutter].

A lâmina de pressão d'água disparada decepa o pescoço (?) do Sand Crawler. Eca, fui eu que fiz, mas que coisa nojenta…

Espalhando do corte um líquido repugnante, branco e verde, devagar aquilo tomba na areia. Mesmo assim, não morre na hora, e repetia uma ondulação peristáltica nojenta, mas logo parou de se mexer.

Eca… Dizem que enguia e tal continua viva um tempo mesmo depois de decepada a cabeça, mas isto aqui, visualmente, é proibido. Da próxima vez que eu derrotar um, vou torrar bem torradinho.

Guardo a Brunhild no coldre da cintura e, fazendo careta pro cadáver do Sand Crawler, um dos náufragos vem caminhando na minha direção. Na mão, uma espada longa; o rosto, não dá pra ver pelo capuz do manto. Mas parecia ser uma mulher.

— …Quem é você?

— Meu nome é Mochizuki Touya. Encontrei vocês por acaso, mas julguei que era perigoso, então me intrometi no combate.

— Não, eu agradeço. Graças a você, nos salvamos. Eu sou Rebecca. Aventureira.

Ela tira o capuz e expõe o rosto sob o sol. Pele morena, bronzeada, e cabelo cor de cinza cortado curto, na altura dos ombros.

— Você é fera, hein. Acabar com uma besta daquelas num piscar de olhos.

O homem do machado de guerra, atrás da Rebecca, vem tirando o capuz. Um homem alto e troncudo, de uns vinte e poucos anos, com a barba por fazer. Ao lado dele, um garoto que parece mais novo que eu, ainda de espada na mão, ofega.

Só dei uma olhada de relance, mas tenho a impressão de que aquela arma não combina com ele. Pra aquele menino, mais pra franzino, aquela espada é grande demais.

Enquanto eu pensava nisso, o garoto larga a espada, corre na minha direção e cai de joelhos a meus pés.

— A-ah, escuta! A magia de agora é magia de atributo água, né?! E-então, será que você não podia fazer surgir água?!

Diante do pedido repentino, vacilei por um instante, mas logo entendo. Não têm água. Tentar atravessar o deserto nessa situação é puro suicídio.

— Desculpe. Se possível, você não faria surgir água? Agora a gente não tem dinheiro, mas vamos retribuir o favor, sem falta. Então…

Como eu demorava a responder, a Rebecca-san puxa o assunto, com ar aflito.

— Não, por mim tudo bem, viu. Só tava pensando se eu tinha algum recipiente. Bom, é só fazer um.

— Hã?

Tiro do [Storage] um bloco de ferro do tamanho da palma da mão e, com [Modeling], faço uma grande bacia de metal. Dentro dela, com magia de atributo água, faço uns blocos de gelo do tamanho de um punho e então invoco água.

— Ôo!

Ouvindo o som da água, as outras pessoas vêm todas de uma vez na minha direção. Com o ferro que sobrou, faço uns copos simples na quantidade de pessoas e os entrego.

Estendendo as mãos, cada um na frente do outro, bebem a água em goladas. Deviam estar com muita sede.

Em certo momento, reparo numa coisa estranha. Os náufragos eram dez no total. Desses, fora o garoto de agora e o homem do machado, todos eram mulheres. E mais: as sete mulheres restantes, fora a Rebecca, tinham algo em comum. No pescoço das sete, uma grande coleira preta reluzente. Será que isto é…

Quando percebe que eu fitava as coleiras, desconfiado, a Rebecca-san abre a boca, grave.

— Isso. Elas são escravas. Nós as tomamos de um mercador de escravos.

…Ué? A previsão da Leen acertou em cheio? As pessoas que eu salvei eram ladrões…?

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